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sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

26ª Sexta-feira Depois de Pentecostes


05 de Dezembro de 2025 (CC) / 22 de Novembro (CE)
Ss. Filêmon, Apóstolo [dos 70]; 
Apfias, sua mulher e Arquipo, seu filho e Onésimo (séc. I)
Pós-festa da Entrada da Santíssima Theotokos no Templo
Jejum da Natividade (Azeite é permitido)
Tom 8



Filêmon era cidadão de Colosso, na Frigia, um homem de linhagem nobre e de muitas posses que se converteu à fé cristã, provavelmente, em Éfeso, movido pela pregação do Apóstolo São Paulo, e de quem se tornou amigo pessoal.Os membros de sua família se destacavam pela devoção e piedade e, ao que parece, os cristão se reuniam em sua casa para celebrar os divinos mistérios.

Entretanto, Onésimo, um dos servos de Filêmon, longe de imitar os bons exemplos que recebia, roubou seu senhor fugindo em seguida para Roma. Lá conheceu São Paulo, na prisão. O espírito de caridade com o qual São Paulo o tratou tocou o coração de Onésimo que se converteu em seu filho espiritual. O Apóstolo queria que Onésimo ficasse com ele para auxiliá-lo, mas, como Filêmon tinha direito aos seus serviços, São Paulo o enviou de volta à Colosso com uma carta que escreveu a Filêmon, conhecida como uma das suas epístolas, a “Epístola a Filêmon”.Nesta carta o Apóstolo revela sua ternura e o poder de persuasão, referindo-se a Filêmon como o seu amado companheiro de trabalho, louvando sua caridade e sua fé. A Apia, que era provavelmente a esposa de Filêmon, São Paulo a chama de “nossa queridíssima irmã”; e a Arquipo, “o soldado, nosso companheiro”.
Em seguida, o Apóstolo lembra modestamente a Filêmon que, ainda que pudesse lhe dar ordens, em nome de Cristo, prefere rogar-lhe que, por amor, perdoe a Onésimo e o acolha, “não como servo, mas como irmão muito querido, pois o é para mim, e muito mais deverá ser para ti, tanto na carne como no Senhor”. Não se sabe como Filêmon recebeu este pedido de São Paulo. A Tradição, porém, afirma que Filêmon concedeu liberdade a Onésimo, perdoando-lhe a sua falta e fazendo dele um companheiro de trabalho na obra de evangelização.
Leituras Comemorativas
Filêmon 1:1-25
Lucas 10:-1-15 

Oração Antes de Ler as Escrituras
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!

1 Timóteo 4:4-8,16

Fragmento 285A - Meu filho Timóteo, toda criação de Deus é boa, e nada é repreensível se for recebida com ação de graças, porque é santificada pela palavra de Deus e pela oração. Inspirando isto aos irmãos, serás um bom servo de Jesus Cristo, nutrido pelas palavras da fé e pelo bom ensinamento que tens seguido. Livre-se das crendices profanas de mulheres idosas, e exercita-te na piedade, pois o exercício corporal é de pouca utilidade, e a piedade é útil para tudo, tendo a promessa da vida presente e futura. Guarda a ti mesmo e a doutrina; sê constante nesta prática, pois, fazendo isto, salvarás a ti mesmo e aos que te ouvem.

Lucas 19:12-28

Fragmento 95 - O Senhor contou esta parábola: “Certo homem de família nobre foi a um país distante para receber um reino para si e voltar. Chamando dez de seus servos, deu-lhes dez dinheiros e disse-lhes: “Negociai até que eu volte’. Mas seus concidadãos o odiavam e enviaram embaixadores atrás dele para dizer: ‘Não queremos que este reine sobre nós’. E aconteceu que quando ele voltou, tendo recebido o reino, mandou chamar os servos a quem ele tinha dado dinheiro, a fim de saber quem havia adquirido o quê. E o primeiro apareceu e disse: ‘Senhor, o teu capital rendeu dez vezes mais’. E ele lhe disse: ‘Muito bem, servo bom; porque foste fiel no pouco, governarás sobre dez cidades’. E o segundo veio e disse: ‘O teu capital, senhor, rendeu cinco vezes mais’. Ele disse a este também: ‘Tu governarás sobre cinco cidades’. E outro veio e disse: ‘Senhor, aqui está o teu dinheiro, que guardei em um lenço; porque eu tinha medo de ti; pois, tu és um homem inflexível: Tu tomas o que não puseste e colhes o que não semeaste’. Então, ele lhe diz: ‘Com os teus lábios te julgarei, servo mau! Tu sabias que eu era um homem inflexível, que pego o que não coloquei e colho o que não semeei. Por que tu não negociaste meu dinheiro? E, chegando eu, os teria recebido com rendimento’. E disse aos que estavam com ele: ‘Tomai dele o capital que lhe dei e o entreguem ao que tem dez’. E eles lhe disseram: ‘Senhor, ele já tem dez vezes mais’. ‘Pois, eu vos digo que a todo aquele que tiver será dado, mas daquele que não tem, até o que tem também lhe será tirado. E quanto a estes meus inimigos, que não queriam que eu reinasse sobre eles, traga-os aqui e matai-os na minha frente’.” E, dito isto, ia caminhando adiante, subindo para Jerusalém.

ENSINO DOS SANTOS PADRES


Mas deve-se saber que não existe nenhum ocioso que esteja seguro de não ter recebido algum talento, porque não existe ninguém que diga com verdade: “Eu não recebi nenhum talento, portanto não estou obrigado a prestar contas”; pois com o nome de talento se deve entender aquilo que qualquer pobre recebeu, por menor que isso seja.

Um, pois, recebeu o entendimento da pregação, e este deve o ministério como talento; outro recebeu bens terrenos e deve distribuir ou administrar o talento destas coisas; outro ainda não recebeu a compreensão das coisas interiores nem abundância de bens, mas aprendeu uma arte, com a qual se sustenta, e essa arte se considera como o talento que recebeu; o seguinte não alcançou nada destas coisas, mas talvez mereceu a amizade íntima com algum rico: recebeu, portanto, o talento da amizade. Portanto, se não fala ao rico em favor dos miseráveis, é condenado por retenção do talento.

Então, quem tem entendimento, esforce-se para não estar sempre calado; quem tiver bens abundantes, vigie para não se descuidar de exercitar a misericórdia; quem possui uma arte pela qual se sustenta, procure com grande diligência que o próximo participe de seu uso e utilidade; quem tem oportunidade de falar ao rico, tema ser castigado por retenção do talento, se, podendo, não intercede junto dele em favor dos pobres, porque o Juiz que virá exige de cada um de nós o talento, ou seja, aquilo que nos concedeu.

Consequentemente, para que, quando volte o Senhor, alguém se encontre seguro da conta de seu talento, pense cada dia com temor no que recebeu. Cuidem que já está próximo o retorno daquele que foi para longe; porque, mesmo que pareça ter-se distanciado aquele que foi para longe desta terra em que nasceu, porém volta em breve para pedir prestação de contas dos talentos; e se formos preguiçosos, nos julgará com mais rigor sobre os dons concedidos.

Consideremos, pois, o que é que temos recebido, e estejamos atentos para empregá-lo bem. Que não exista algum cuidado terreno que nos impeça a vida espiritual, para que não venha a acontecer que, escondendo o talento na terra, provoque-se a ira do Senhor do talento.

O servo preguiçoso, quando o juiz já pede contas das culpas, desenterra o talento; existe, portanto, muitos que se afastam dos desejos e obras terrenas, por aviso do juiz, quando já são entregues ao suplício eterno. Vigiemos, portanto, antes que nos seja solicitada a conta de nosso talento, para que, quando o juiz já estiver ameaçando com o castigo, sejamos libertos dele pelo lucro que tivermos alcançado.

São Gregório, o Grande, Patriarca de Roma (Séc. VI)

† † †

terça-feira, 4 de março de 2025

1ª Terça-feira da Grande Quaresma

04 de Março de 2025 (CC) / 19 de Fevereiro (CE)
Ss. Discípulos dos Setenta: Arquipo, Filemon e Apthea
Jejum Quaresmal
Tom 3



Os Santos Discípulos dos Setenta: Arquipo, Filemon e Apthea (2ª Comm. 22 de novembro) foram discípulos e companheiros do santo Apóstolo Paulo. Na Epístola a Filemom, o Apóstolo Paulo nomeia Santo Arquipo como seu companheiro.

O Discípulo Arquipo era bispo da cidade de Colosso, na Frígia. O Discípulo Filemom era um cidadão eminente desta cidade, e em sua casa os cristãos se reuniam para celebrar os serviços divinos. Também foi ordenado bispo pelo Apóstolo Paulo e percorreu as cidades da Frígia pregando o Evangelho. Mais tarde, tornou-se Arquipastor da cidade de Gaza. Santa Apthea, sua esposa, acolhia em sua casa os doentes e os moradores de rua, cuidando deles zelosamente. Ela foi de fato uma verdadeira colaboradora de seu esposo na proclamação da Palavra de Deus.

Durante a perseguição contra os cristãos sob o Imperador Nero (54-68), os santos discípulos Arquipo e Filemom e Apthea, Iguais aos Apóstolos, foram levados a julgamento pelo Governador da cidade Artocles por confessarem a fé em Cristo. O Discípulo Arquipo foi brutalmente atacado com facas. Após a tortura, eles enterraram os santos Filemon e Apthea até a cintura no chão e os apedrejaram até a morte dos santos mártires.

Tropárion, Tom3: Ó santo apóstolo Arquipo/ implora ao Deus misericordioso// que Ele conceda às nossas almas a remissão das transgressões.

Kondákion, Tom 4: A Igreja, possuindo-te como uma grande estrela,/ ó Arquipo,/ e iluminada pelos raios dos teus milagres,/ clama a ti:// Salve aqueles que honram a tua memória com fé! 


Oração Antes de Ler as Escrituras
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!

HORA SEXTA

Isaías 1:19-2:3

19 Se estiverdes dispostos, ouvindo-me, comereis o bem desta terra. 20 Contudo, se não estiverdes dispostos nem me ouvirdes uma espada há de devorar-vos, porquanto a boca do Senhor o disse. 21 Como tem a cidade fiel, Sião, uma vez cheio de juízo, se tornado uma prostituta! Cidade na qual a justiça habitava, e onde há, agora, homicidas. 22 Tua prata nada vale; teus comerciantes de vinho misturam-no com água; 23 os teus príncipes são rebeldes, companheiros de ladrões, amando os subornos, indo atrás de recompensas, nunca pedindo pelos órfãos e não atendendo a causa das viúvas. 24 Portanto, assim diz o Senhor, o Senhor dos Exércitos: Ai dos valentes de Israel! porquanto a minha ira não cessará contra os meus adversários, e executarei juízo sobre os meus inimigos. 25 Colocarei a minha mão sobre ti, limpar-te-ei completamente e irei destruir o rebelde, tirando de ti todos os transgressores. 26 Estabelecerei os teus juízes, como antes, e os teus conselheiros, como no princípio; então serás chamada cidade de justiça, cidade-mãe fiel de Sião, 27 porque os seus cativos serão salvos pela justiça, e com misericórdia. 28 Os transgressores e os pecadores serão esmagados juntamente, e os que deixarem ao Senhor totalmente consumidos. 29 Porquanto se envergonharão de seus ídolos, nos quais se deleitavam, e sentir-se-ão envergonhados dos jardins que cobiçavam. 30 Pois serão como a árvore de terebinto que perdeu as suas folhas, e como o jardim que não tem água. 31 A sua força será como um fio de estopa, e as suas obras como faíscas; os transgressores e os pecadores serão queimados juntos, não havendo quem os apague. 1 Palavra que veio a Isaías, filho de Amós, a respeito de Judá e de Jerusalém. 2 Eis que nos últimos dias o monte do Senhor será glorioso, e a casa de Deus deverá estar no topo das montanhas, elevando-se por cima dos outeiros. E todas as nações virão à ela. 3 Muitas nações irão, dizendo: Vinde, subamos ao monte do Senhor e à casa do Deus de Jacó. Ele irá mostrar-nos o seu caminho, e andaremos nele. Porque de Sião sairá a lei, e a palavra do Senhor virá de Jerusalém.

VÉSPERAS

Gênesis 1:14-23

14 Disse Deus: "Haja luzeiros no firmamento do céu para alumiarem a terra e dividirem entre dia e noite, e sejam eles para sinais e para estações, para dias e para anos. 15 E que sejam para luz no firmamento do céu, para alumiarem a terra". E assim foi. 16 Fez Deus os dois grandes luminares: o luminar maior para regular o dia, e o luminar menor para regular a noite e as estrelas. 17 E Deus os colocou no firmamento do céu para alumiarem a terra, 18 para regularem o dia e a noite e para fazerem separação entre a luz e as trevas; e Deus viu que isso era bom. 19 Houve tarde e houve manhã. O quarto dia. 20 Disse Deus: "Produzam as águas répteis de almas viventes e as criaturas aladas voando acima da terra no firmamento do Céu". E assim foi. 21 Então Deus fez as grandes baleias, e todos os répteis viventes que as águas produziram segundo a sua espécie, e toda criatura que voa com asas conforme a sua espécie; e Deus viu que eles eram bons. 22 Deus os abençoou, dizendo: "Crescei e multiplicai-vos e enchei as águas dos mares; e que as criaturas que voam sejam multiplicadas na terra". 23 Houve tarde e houve manhã. O quinto dia.

Provérbios 1:20-33

20 A sabedoria canta em voz alta nas vielas, e nas praças fala com ousadia. 21 Faz ela uma proclamação do alto dos muros, e assenta-se pelas portas dos príncipes. Nas entradas da cidade ela diz, corajosamente: 22 Enquanto os simples se apegarem à justiça eles não serão confundidos; os tolos, entretanto, amantes da altivez, tornando-se ímpios tem odiado o conhecimento, ficando sujeitos à repreensões. 23 Eis que eu farei vir a vós o pronunciamento de meu espírito, e ensinar-vos-ei com o meu discurso. 24 Entretanto, clamei e não ouvistes; falei longamente, mas não prestastes atenção; 25 considerastes de nenhuma valia os meus conselhos e ignorastes as minhas repreensões. 26, Portanto, também eu me rirei da vossa destruição, e alegrar-me-ei quando a ruína vier sobre vós; 27 sim, quando o desânimo se abater, de repente, sobre vós, e a vossa derrubada chegar como uma tempestade; quando a tribulação e a angústia se derramarem sobre vós, e quando sobre vós vier a ruína. 28 Porque será que, quando me invocarem, não irei dar-vos ouvidos. Homens ímpios me buscarão, porém não me acharão. 29 Pois odiaram a sabedoria, e não escolheram a palavra do Senhor. 30 Nem iriam eles atender aos meus conselhos; entretanto, ridicularizaram as minhas reprovações. 31 Portanto, comerão os frutos de seu próprio caminho, e serão preenchidos com a sua própria impiedade. 32 Porque fizeram injustiça ao simples serão mortos. Uma inquisição deverá arruinar ao ímpio, 33 mas o que a mim obedecer habitará em confiança e descansará com segurança, livre de todo o mal.

ENSINO DOS SANTOS PADRES 

As leituras sugeridas são sobre a criação, o estado original da queda e da promessa de salvação em nosso Senhor Jesus Cristo. Acautelai-vos e aprendei! Agora é o tempo para a sua re-criação. Abrace o Senhor, e Ele lhe dará luz que irá iluminar sua escuridão pecadora. Ele irá estabelecer um firmamento no meio de seus pensamentos inquietos e dos desejos que nascem de um coração amante do pecado, e a boa intenção de firmemente trabalhar para Ele. Ele vai por uma terra seca e o mar em seu interior. Então você vai começar a brotar a primeira erva, a grama e as árvores - as primícias das virtudes, e depois virão obras espirituais agradável a Deus e criaturas perfeitas; até que finalmente à imagem e semelhança de Deus seja em ti restaurada, tal como foste criado no início (cf. Gn 1-26). Tudo isso o Senhor vai criar em ti nestes seis dias da criação espiritual, que é a tua preparação para a Sagrada Comunhão, se vivenciardes este tempo com atenção, respeito e contrição de coração.

REFLEXÃO

Se alguém perde sua fé em Deus, ele é recompensado com a estupidez. De todas as formas de estupidez, é difícil dizer se há uma maior do que esta: a de que alguém que chamando-se um cristão, se aproprie de ideias patéticas sobre Deus e a vida eterna de outras crenças e filosofias. Ele será aquele que não encontrando ouro entre os ricos pensa encontrá-lo entre os pobres? A revelação da vida eterna, os fatos, as provas, os sinais e as visões reais do mundo espiritual - todos estes não só constituem o fundamento da fé cristã, mas, também, constituem as paredes, os pisos, os ornamentos, todo o mobiliário, o telhado e as cúpulas do majestoso edifício da fé cristã. Um único raio do mundo espiritual brilha através de cada palavra dos Evangelhos, para não mencionar os acontecimentos milagrosos, tanto em tempos evangélicos e pós-evangélicos, em toda a história da Igreja de dois mil anos. O cristianismo tem aberto as portas deste mundo para um grande grau tal, que quase não deve ser chamado de religião, a fim de não confundi-lo com outros credos e religiões. É Revelação! Revelação de Deus!

† † †

quinta-feira, 5 de dezembro de 2024

24ª Quinta-feira Depois de Pentecostes


05 de Dezembro de 2024 (CC) / 22 de Novembro (CE)
Ss. Filêmon, Apóstolo [dos 70]; 
Apfias, sua mulher e Arquipo, seu filho e Onésimo (séc. I)
Pós-festa da Entrada da Santíssima Theotokos no Templo
Jejum da Natividade (Peixe é permitido)
Tom 6



Filêmon era cidadão de Colosso, na Frigia, um homem de linhagem nobre e de muitas posses que se converteu à fé cristã, provavelmente, em Éfeso, movido pela pregação do Apóstolo São Paulo, e de quem se tornou amigo pessoal.Os membros de sua família se destacavam pela devoção e piedade e, ao que parece, os cristão se reuniam em sua casa para celebrar os divinos mistérios.

Entretanto, Onésimo, um dos servos de Filêmon, longe de imitar os bons exemplos que recebia, roubou seu senhor fugindo em seguida para Roma. Lá conheceu São Paulo, na prisão. O espírito de caridade com o qual São Paulo o tratou tocou o coração de Onésimo que se converteu em seu filho espiritual. O Apóstolo queria que Onésimo ficasse com ele para auxiliá-lo, mas, como Filêmon tinha direito aos seus serviços, São Paulo o enviou de volta à Colosso com uma carta que escreveu a Filêmon, conhecida como uma das suas epístolas, a “Epístola a Filêmon”.Nesta carta o Apóstolo revela sua ternura e o poder de persuasão, referindo-se a Filêmon como o seu amado companheiro de trabalho, louvando sua caridade e sua fé. A Apia, que era provavelmente a esposa de Filêmon, São Paulo a chama de “nossa queridíssima irmã”; e a Arquipo, “o soldado, nosso companheiro”.
Em seguida, o Apóstolo lembra modestamente a Filêmon que, ainda que pudesse lhe dar ordens, em nome de Cristo, prefere rogar-lhe que, por amor, perdoe a Onésimo e o acolha, “não como servo, mas como irmão muito querido, pois o é para mim, e muito mais deverá ser para ti, tanto na carne como no Senhor”. Não se sabe como Filêmon recebeu este pedido de São Paulo. A Tradição, porém, afirma que Filêmon concedeu liberdade a Onésimo, perdoando-lhe a sua falta e fazendo dele um companheiro de trabalho na obra de evangelização.
Leituras Comemorativas
Filêmon 1:1-25
Lucas 10:-1-15 

Oração Antes de Ler as Escrituras
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!

1 Tessalonicenses 5:1-8

Fragmento 271 - 
Irmãos, acerca dos tempos e das estações, não necessitais de que se vos escreva; porque vós mesmos sabeis muito bem que o Dia do Senhor virá como o ladrão de noite; pois que, quando disserem: Há paz e segurança, então lhes sobrevirá repentina destruição, como as dores de parto àquela que está grávida, e de modo nenhum escaparão. Mas vós, irmãos, já não estais em trevas, para que aquele dia vos surpreenda como um ladrão; porque todos vós sois filhos da luz e filhos do dia; nós não somos da noite nem das trevas. Não durmamos, pois, como os demais, mas vigiemos, e sejamos sóbrios; porque os que dormem, dormem de noite, e os que se embebedam, embebedam-se de noite. Mas nós, que somos do dia, sejamos sóbrios, vestindo-nos da couraça da fé e do amor, e tendo por capacete a esperança da salvação.

Lucas 18:31-34

Fragmento 92 - Naquela ocasião, Jesus, tomou Consigo os doze e disse-lhes: Eis que subimos a Jerusalém, e todas as coisas que estão escritas pelos Profetas a respeito do Filho do Homem se cumprirão. Pois Ele será entregue aos gentios, e será escarnecido, e injuriado e cuspido. E açoitá-lo-ão e matá-lo-ão; e ao terceiro dia ressuscitará. E eles não entenderam nenhuma destas coisas; e esta palavra lhes foi escondida, e não sabiam o que foi dito.

† † †

ENSINO DOS SANTOS PADRES


O Senhor contou aos discípulos sobre Seu sofrimento, mas eles não entenderam nada do que Ele dizia; Esta palavra foi escondida deles. Mais tarde, os fiéis decidiram nada saber, exceto Jesus Cristo, e este crucificado (I Cor. 2:2). Não havia chegado a hora, eles não entendiam nada desse mistério; mas quando chegou a hora - eles entenderam, ensinaram a todos e interpretaram para todos. Isso acontece com todos, não só em relação a este mistério, mas também a todos os outros mistérios. O que não é compreendido no início, com o tempo se torna compreendido; é como se um raio de luz entrasse na consciência e iluminasse o que antes estava escuro. Quem o elucida? O próprio Senhor, a graça do Espírito que vive no fiel, o anjo da guarda de alguém - mas de forma alguma a própria pessoa. Ele é um recipiente, e não a causa. Por outro lado, outra coisa pode permanecer incompreensível por toda a vida – não apenas para indivíduos, mas para toda a humanidade. O homem está rodeado de coisas que não entende - algumas lhe são explicadas no decorrer de sua vida, enquanto outras são deixadas para a próxima vida, onde serão vistas. Isso se aplica até mesmo às mentes iluminadas por Deus. Por que não é revelado aqui? Porque algumas coisas são incompreensíveis, então não adianta falar sobre elas; outros não são informados por considerações de saúde - isto é, seria prejudicial saber prematuramente. Muito ficará claro na outra vida, mas outros assuntos e outros mistérios serão revelados. Para uma mente criada nunca há um excesso de mistérios inescrutáveis. A mente se rebela contra esses laços: mas quer você se rebele ou não, você não pode romper os laços do mistério. Torne-se uma mente humilde e orgulhosa, sob a forte mão de Deus - e creia!

São Teófano, o Recluso

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domingo, 3 de março de 2024

Domingo do Filho Pódigo

03 de Março de 2024 (CC) - 19 de Fevereiro (CE)
Ss. Discípulos dos Setenta: Arquipo, Filemon e Apthea
Tom 6



Os Santos Discípulos dos Setenta: Arquipo, Filemon e Apthea (2ª Comm. 22 de novembro) foram discípulos e companheiros do santo Apóstolo Paulo. Na Epístola a Filemom, o Apóstolo Paulo nomeia Santo Arquipo como seu companheiro.

O Discípulo Arquipo era bispo da cidade de Colosso, na Frígia. O Discípulo Filemom era um cidadão eminente desta cidade, e em sua casa os cristãos se reuniam para celebrar os serviços divinos. Também foi ordenado bispo pelo Apóstolo Paulo e percorreu as cidades da Frígia pregando o Evangelho. Mais tarde, tornou-se Arquipastor da cidade de Gaza. Santa Apthea, sua esposa, acolhia em sua casa os doentes e os moradores de rua, cuidando deles zelosamente. Ela foi de fato uma verdadeira colaboradora de seu esposo na proclamação da Palavra de Deus.

Durante a perseguição contra os cristãos sob o Imperador Nero (54-68), os santos discípulos Arquipo e Filemom e Apthea, Iguais aos Apóstolos, foram levados a julgamento pelo Governador da cidade Artocles por confessarem a fé em Cristo. O Discípulo Arquipo foi brutalmente atacado com facas. Após a tortura, eles enterraram os santos Filemon e Apthea até a cintura no chão e os apedrejaram até a morte dos santos mártires.

Oração Antes de Ler as Escrituras 
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!

MATINAS (6)

Lucas 24:36-53

E falando eles destas coisas, o mesmo Jesus se apresentou no meio deles, e disse-lhes: Paz seja convosco. E eles, espantados e atemorizados, pensavam que viam algum espírito. E ele lhes disse: Por que estais perturbados, e por que sobem tais pensamentos aos vossos corações? Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; apalpai-me e vede, pois um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho. E, dizendo isto, mostrou-lhes as mãos e os pés. E, não o crendo eles ainda por causa da alegria, e estando maravilhados, disse-lhes: Tendes aqui alguma coisa que comer? Então eles apresentaram-lhe parte de um peixe assado, e um favo de mel; O que ele tomou, e comeu diante deles. E disse-lhes: São estas as palavras que vos disse estando ainda convosco: Que convinha que se cumprisse tudo o que de mim estava escrito na lei de Moisés, e nos profetas e nos Salmos. Então abriu-lhes o entendimento para compreenderem as Escrituras. E disse-lhes: Assim está escrito, e assim convinha que o Cristo padecesse, e ao terceiro dia ressuscitasse dentre os mortos, E em seu nome se pregasse o arrependimento e a remissão dos pecados, em todas as nações, começando por Jerusalém. E destas coisas sois vós testemunhas. E eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder. E levou-os fora, até betânia; e, levantando as suas mãos, os abençoou. E aconteceu que, abençoando-os ele, se apartou deles e foi elevado ao céu. E, adorando-o eles, tornaram com grande júbilo para Jerusalém. E estavam sempre no templo, louvando e bendizendo a Deus. Amém.

LITURGIA

Tropárion da Ressurreição 
Vendo os Poderes Angélicos diante do Teu venerável túmulo, / os guardas ficaram como mortos / e Maria, de pé, junto do sepulcro, / pediu o Teu puríssimo Corpo. / Despojaste o Inferno, sem ser por ele atingido, / e foste ao encontro da Virgem, dando-lhe a vida. / Ó Senhor, ressuscitado dentre os mortos, // glória a Ti!

Tropárion de São Mateus, Tom 3 (Santo Patrono}
Com zelo seguiste a Cristo, o Mestre, / Que em Sua bondade apareceu aos homens na Terra, / E da alfândega te chamou para Apóstolo / e Pregador do Evangelho ao universo, /por isto honramos tua preciosa memória. / Ó divinamente eloquente, Mateus. /Roga ao Deus misericordioso // que nos conceda a remissão das transgressões e a salvação das nossas almas!

Kondákion da Ressurreição
Ressuscitando todos os mortos do vale de trevas / com Sua mão vivificante, / Cristo nosso Deus, concedeu a Ressureição à raça humana. / Pois, Ele É o Salvador de todos, / a Ressureição e a vida // e o Deus de todos.

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo ...

Kondákion de São Mateus, Tom 4: Deixando os laços da alfândega para adquirir o jugo da Justiça, / tu te revelaste um sábio comerciante, rico da sabedoria do Alto. / Proclamaste a Palavra da Verdade, /e pela narrativa da hora do Juízo // despertaste as almas indolentes.

Agora e sempre e pelos séculos dos séculos.

Tom 3: Tendo abandonado tolamente a Tua glória paterna, / desperdicei em vícios a riqueza que me deste. / Por isso clamo a Ti, Pai misericordioso, recebe a mim que me arrependo, / e trata-me como um de Teus servos contratados.

Prokímenon, no 6º Tom

R. Salva, Senhor, o Teu povo, 
E abençoa a Tua herança. (Sl. 27:9)

V. A Ti, Senhor, ergo a minha voz, meu Deus, 
Tu que És o meu Rochedo, escuta a minha súplica! (Sl. 27:1)

1 Coríntios 6:12-20

12 Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm. Todas as coisas me são lícitas; mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas. 13 Os alimentos são para o estômago e o estômago para os alimentos; Deus, porém aniquilará, tanto um como os outros. Mas o corpo não é para a prostituição, mas para o Senhor, e o Senhor para o corpo. 14 Ora, Deus não somente ressuscitou ao Senhor, mas também nos ressuscitará a nós pelo seu poder. 15 Não sabeis vós que os vossos corpos são membros de Cristo? Tomarei pois os membros de Cristo, e os farei membros de uma meretriz? De modo nenhum. 16 Ou não sabeis que o que se une à meretriz, faz-se um corpo com ela? Porque, como foi dito, os dois serão uma só carne. 17 Mas, o que se une ao Senhor é um só espírito com ele. 18 Fugi da prostituição. Qualquer outro pecado que o homem comete, é fora do corpo; mas o que se prostitui peca contra o seu próprio corpo. 19 Ou não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que habita em vós, o qual possuís da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos? 20 Porque fostes comprados por preço; glorificai pois a Deus no vosso corpo.

Aleluia

Aleluia, aleluia, aleluia! (3x)

Quem habita ao abrigo do Altíssimo / e vive à sombra do Senhor Onipotente. (Sl 90:1)   

Diz ao Senhor: sois meu refúgio e proteção, / sois o meu Deus no qual confio inteiramente. (Sl 90:2)

Lucas 15:11-32

11 Disse-lhe mais: Certo homem tinha dois filhos. 12 O mais moço deles disse ao pai: "Pai, dá-me a parte dos bens que me toca." Repartiu-lhes, pois, os seus haveres.13 Poucos dias depois, o filho mais moço ajuntando tudo, partiu para um país distante, e ali desperdiçou os seus bens, vivendo dissolutamente. 14 E, havendo ele dissipado tudo, houve naquela terra uma grande fome, e começou a passar necessidades. 15 Então foi encontrar-se a um dos cidadãos daquele país, o qual o mandou para os seus campos a apascentar porcos. 16 E desejava encher o estômago com as alfarrobas que os porcos comiam; e ninguém lhe dava nada. 17 Caindo, porém, em si, disse: "Quantos empregados de meu pai têm abundância de pão, e eu aqui pereço de fome! 18 Levantar-me-ei, irei ter com meu pai e dir-lhe-ei: Pai, pequei contra o céu e diante de ti; 19 já não sou digno de ser chamado teu filho; trata-me como um dos teus empregados. "20 Levantou-se, pois, e foi para seu pai. Estando ele ainda longe, seu pai o viu, encheu-se de compaixão e, correndo, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou. 21 Disse-lhe o filho: "Pai, pequei conta o céu e diante de ti; já não sou digno de ser chamado teu filho." 22 Mas o pai disse aos seus servos: "Trazei depressa a melhor roupa, e vesti-lha, e ponde-lhe um anel no dedo e alparcas nos pés; 23 trazei também o bezerro, cevado e matai-o; comamos, e regozijemo-nos, 24 porque este meu filho estava morto, e reviveu; tinha-se perdido, e foi achado. E começaram a regozijar-se." 25 Ora, o seu filho mais velho estava no campo; e quando voltava, ao aproximar-se de casa, ouviu a música e as danças; 26 e chegando um dos servos, perguntou-lhe que era aquilo. 27 Respondeu-lhe este: "Chegou teu irmão; e teu pai matou o bezerro cevado, porque o recebeu são e salvo." 28 Mas ele se indignou e não queria entrar. Saiu então o pai e instava com ele. 29 Ele, porém, respondeu ao pai: "Eis que há tantos anos te sirvo, e nunca transgredi um mandamento teu; contudo nunca me deste um cabrito para eu me regozijar com os meus amigos; 30 vindo, porém, este teu filho, que desperdiçou os teus bens com as meretrizes, mataste-lhe o bezerro cevado." 31 Replicou-lhe o pai: "Filho, tu sempre estás comigo, e tudo o que é meu é teu; 32 era justo, porém, regozijarmo-nos e alegramo-nos, porque este teu irmão estava morto, e reviveu; tinha-se perdido, e foi achado."

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Canto da Comunhão:
Louvai ao Senhor nos céus, 
louvai-O nas alturas! 
Aleluia! Aleluia! Aleluia!

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HOMILIA

Esta é uma das parábolas de Cristo mais conhecidas, pois o cenário onde ela se desenrola é o de um ambiente familiar, retratando um drama que quase todas, senão todas as famílias enfrentam: a ruptura dos filhos adolescentes com o Pai.

A crise do jovem caçula é um ícone dos sentimentos e mentalidades que governam a humanidade: o desejo de uma autonomia precoce baseado numa avaliação presunçosa e equivocada de si mesma.

Presunçosa, porque - à semelhança de um adolescente que presume que a maturidade biológica do seu corpo e seu acesso a informação lhe garante a autonomia - assim, também, a humanidade, concebe que seu avanço científico e tecnológico não lhe permite mais depender de Deus e de leituras teológicas da realidade.

Equivocada porque, assim como a adolescente não se apercebe que sua maturidade biológica e capacidade mental de raciocinar logicamente, são mediadas por uma estrutura subjetiva conflituosa e por forças passionais coercitivas, assim também a humanidade ignora sua estrutura ontológica: corpo, alma e espírito, os quais se encontram fragmentados e incapazes de interagir harmonicamente, incapacitando-nos, assim de atingirmos uma “maior idade”.

Este filho caçula, nosso ícone pessoal, ao se apartar do Pai conhece em primeira estância os prazeres que advém desta ― "liberdade", mas logo, logo, descobre o quanto são passageiros, e passa a provar os amargos dissabores desta postura de vida.

Em seu abismo existencial, um raio de luz alcança sua alma, e ele, avaliando as realidades presentes e as que vivia na casa do Pai, é levado a tomar uma decisão:

“Levantar-me-ei e irei ter com meu Pai”.

Esta luz que brilhou em seu ser transforma radicalmente a sua alma, levando-o a trilhar a mesma estrada que liga a casa paterna, mas, agora de forma totalmente inversa. O caminho que outrora vira passar um jovem altivo, cheio de perspectivas ilusórias, sentindo-se senhor de todo saber; assiste agora os passos de um homem humilhado, de olhar e expectativas incertas, cheio de temores, a mendigar a aceitação do Pai em condições degradantes.

Uma surpresa põe termo a toda esta atmosfera sombria: o Pai o aguardava de braços abertos e lhe devolvendo a honra que um dia tão tolamente desprezara.

A história deste jovem é a nossa história pessoal. Todos nós a ele nos igualamos em sua primeira decisão: a de romper com o Pai, tomar a nossa herança e gerencia-la como nos aprouver. Também, assim como ele, experimentamos o gozo efêmero e os profundos dissabores que provêm desta decisão. Mas, se quisermos ter o mesmo fim venturoso deste jovem, devemos, também, o imitar em sua segunda decisão: erguer-se deste lodo no qual nos achamos e caminhar em direção ao Pai e lhe dizer:

― "Pai, pequei contra Ti, já não sou digno de ser chamado Teu filho".

Porém, não pensemos que apenas o caçula é o nosso ícone pessoal: também o filho mais velho espelha a alma de alguns de nós: pois, este, vivendo na casa do Pai, não o conhecia; alimentava-se de imagens limitantes que o impedia de ter acesso a todos os bens que o Pai preparara para que ele os desfrutasse.

Padre Mateus (Antonio Eça)
 
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domingo, 5 de dezembro de 2021

24º Domingo Depois de Pentecostes

05 de Dezembro de 2021(CC) / 22 de Novembro (CE)
Ss. Filêmon, Apóstolo [dos 70]; 
Apfias, sua mulher e Arquipo, seu filho e Onésimo (séc. I)
Pós-festa da Entrada da Santíssima Theotokos no Templo
Jejum da Natividade
Tom 7



Filêmon era cidadão de Colosso, na Frigia, um homem de linhagem nobre e de muitas posses que se converteu à fé cristã, provavelmente, em Éfeso, movido pela pregação do Apóstolo São Paulo, e de quem se tornou amigo pessoal.Os membros de sua família se destacavam pela devoção e piedade e, ao que parece, os cristão se reuniam em sua casa para celebrar os divinos mistérios.

Entretanto, Onésimo, um dos servos de Filêmon, longe de imitar os bons exemplos que recebia, roubou seu senhor fugindo em seguida para Roma. Lá conheceu São Paulo, na prisão. O espírito de caridade com o qual São Paulo o tratou tocou o coração de Onésimo que se converteu em seu filho espiritual. O Apóstolo queria que Onésimo ficasse com ele para auxiliá-lo, mas, como Filêmon tinha direito aos seus serviços, São Paulo o enviou de volta à Colosso com uma carta que escreveu a Filêmon, conhecida como uma das suas epístolas, a “Epístola a Filêmon”.Nesta carta o Apóstolo revela sua ternura e o poder de persuasão, referindo-se a Filêmon como o seu amado companheiro de trabalho, louvando sua caridade e sua fé. A Apia, que era provavelmente a esposa de Filêmon, São Paulo a chama de “nossa queridíssima irmã”; e a Arquipo, “o soldado, nosso companheiro”.

Em seguida, o Apóstolo lembra modestamente a Filêmon que, ainda que pudesse lhe dar ordens, em nome de Cristo, prefere rogar-lhe que, por amor, perdoe a Onésimo e o acolha, “não como servo, mas como irmão muito querido, pois o é para mim, e muito mais deverá ser para ti, tanto na carne como no Senhor”. Não se sabe como Filêmon recebeu este pedido de São Paulo. A Tradição, porém, afirma que Filêmon concedeu liberdade a Onésimo, perdoando-lhe a sua falta e fazendo dele um companheiro de trabalho na obra de evangelização.

Oração Antes de Ler as Escrituras
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!


MATINAS (II)

Marcos 16:1-8

E, passado o sábado, Maria Madalena, e Maria, mãe de Tiago, e Salomé, compraram aromas para irem ungi-lo. E, no primeiro dia da semana, foram ao sepulcro, de manhã cedo, ao nascer do sol. E diziam umas às outras: Quem nos revolverá a pedra da porta do sepulcro? E, olhando, viram que já a pedra estava revolvida; e era ela muito grande. E, entrando no sepulcro, viram um jovem assentado à direita, vestido de uma roupa comprida, branca; e ficaram espantadas. Ele, porém, disse-lhes: Não vos assusteis; buscais a Jesus Nazareno, que foi crucificado; já ressuscitou, não está aqui; eis aqui o lugar onde o puseram. Mas ide, dizei a seus discípulos, e a Pedro, que ele vai adiante de vós para a Galiléia; ali o vereis, como ele vos disse. E, saindo elas apressadamente, fugiram do sepulcro, porque estavam possuídas de temor e assombro; e nada diziam a ninguém porque temiam.

LITURGIA

Tropárion da Ressurreição
Pela Cruz venceste a morte / e abriste o Paraíso ao ladrão arrependido. / Converteste em alegria a lamentação das mirróforas / e ordenaste a Teus Apóstolos que anunciar / a Tua Ressurreição, Ó Cristo nosso Deus, // Tu Que concedes ao mundo a Tua infinita misericórdia.

Tropárion da Mãe de Deus, no 4º Tom
Hoje é o prelúdio da benevolência Divina / e o anúncio da salvação da humanidade; / pois a Virgem é publicamente apresentada no templo de Deus, / e, assim, a todos ao Cristo proclama. / Por isto, a ela fortemente brademos e exclamemos: / Rejubila-te, ó tu que és a plenitude // da economia do Criador.

Tropárion de São Mateus, Tom 3 (Santo Patrono)
Com zelo seguiste a Cristo, o Mestre, / Que em Sua bondade apareceu aos homens na Terra, / E da alfândega te chamou para Apóstolo / e Pregador do Evangelho ao universo, /por isto honramos tua preciosa memória. / Ó divinamente eloquente, Mateus. /Roga ao Deus misericordioso // que nos conceda a remissão das transgressões e a salvação das nossas almas!

Tropárion dos Santos Apóstolos, no 3º Tom
Ó Santos Apóstolos / intercedei junto ao Deus Misericordioso: // Que nos conceda o perdão e a salvação das nossas almas.

Kondákion da Ressurreição
O poder da morte não é mais suficientemente forte / para manter presos os homens mortais. / Pois Cristo desceu, despedaçando e destruindo esse poder. / O inferno agora está atado, e os Profetas rejubilam, dizendo: / “O Salvador veio àqueles em Fé. // Vinde, todos Fiéis, para a Sua Ressurreição”.

Kondákion de São Mateus, Tom 4
Deixando os laços da alfândega para adquirir o jugo da Justiça, / tu te revelaste um sábio comerciante, rico da sabedoria do Alto. / Proclamaste a Palavra da Verdade, /e pela narrativa da hora do Juízo // despertaste as almas indolentes.

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo....

Kondákion dos Santos Apóstolos, 2º Tom
Vinde e louvemos os Apóstolos de Cristo, / ao glorioso Filemon e aos santos Arquipo e Onésimo, / aos Santos Marcos e Apolo e a sapientíssima Ápia, / estrelas mui reluzentes que iluminam os confins da terra. / Por isto, a eles clamemos // que roguem incessantemente por todos nós!

Agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!

Kondákion da Festa, no 4º Tom
O mais puro templo do Salvador, / a mais Preciosa e Virgem Câmara Nupcial, / o Tesouro Sagrado da glória de Deus, / é neste dia recebida na Casa do Senhor, / trazendo consigo a graça que está no Divino Espírito. / A Ela os Anjos de Deus entoam louvores, // posto que é o Tabernáculo Celestial!

Prokímenon

R. O Senhor dará força ao Seu povo; 
O Senhor abençoará o Seu povo com paz. (Sl. 27:11)

V. Tributai ao Senhor, ó filhos dos poderosos,
Tributai ao Senhor glória e força. (Sl. 27:1)

Efésios 2:14-22

Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um; e, derrubando a parede de separação que estava no meio, na sua carne desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças, para criar em si mesmo dos dois um novo homem, fazendo a paz, E pela cruz reconciliar ambos com Deus em um corpo, matando com ela as inimizades. E, vindo, ele evangelizou a paz, a vós que estáveis longe, e aos que estavam perto; porque por ele ambos temos acesso ao Pai em um mesmo Espírito. Assim que já não sois estrangeiros, nem forasteiros, mas concidadãos dos santos, e da família de Deus; edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina; no qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para templo santo no Senhor. No qual também vós juntamente sois edificados para morada de Deus em Espírito.

Aleluia

Aleluia, aleluia, aleluia! (3x)

É bom exaltar o Senhor
E cantar louvores ao Teu Nome, ó Altíssimo. (Sl 91:1)

Proclamar pela manhã o Teu amor,
E a Tua fidelidade pela noite. (Sl 91:2)

Lucas 12:16-21

E propôs-lhe uma parábola, dizendo: A herdade de um homem rico tinha produzido com abundância; e arrazoava ele entre si, dizendo: Que farei? Não tenho onde recolher os meus frutos. E disse: Farei isto: Derrubarei os meus celeiros, e edificarei outros maiores, e ali recolherei todas as minhas novidades e os meus bens; e direi a minha alma: Alma, tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e folga. Mas Deus lhe disse: Louco! esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será? Assim é aquele que para si ajunta tesouros, e não é rico para com Deus.

HOMILIA


“O Desprendimento das Riquezas”

Disse-lhe alguém da multidão: "Mestre, diz ao meu irmão que reparta comigo a herança". E ele respondeu: "Mas homem, quem me constituiu juiz ou repartidor entre vós?" Toda esta passagem está ordenada a como aceitar a dor para confessar ao Senhor, seja por desprezo da morte, pela esperança do prêmio ou pela ameaça de um castigo eterno que jamais deixará de ser tal. E visto que, frequentemente, acontece que a avareza é causa de tentação para a virtude, acrescenta-se também o mandamento de suprimi-la e como se deverá fazê-lo, quando diz o Senhor: Quem me constituiu juiz ou repartidor entre vós?

Aquele que havia descido por razões divinas, com toda a justiça rejeita as terrenas, e não se digna fazer-se juiz de pleitos nem repartidor de heranças terrenas, visto que ele tinha que julgar e decidir sobre os méritos dos vivos e mortos. Deves, portanto, observar não o que pedes, mas a quem pedes, e não acredites que um espírito dedicado a coisas maiores pode ser importunado por insignificâncias.

Por isso, não é sem razão que é rejeitado esse irmão que pretendia que o Dispensador dos bens celestiais se ocupasse em coisas materiais, quando precisamente não deve ser um juiz o mediador no pleito da repartição de um patrimônio, mas o amor fraterno; ainda que, na realidade, o que um homem deve buscar não é o patrimônio de dinheiro, mas o da imortalidade. Porque de forma vã reúne riquezas aquele que não sabe se poderá desfrutar delas, como aquele que, pensando em derrubar os granjeiros repletos para recolher as novas messes, preparava outros maiores para as abundantes colheitas, sem saber para quem as reunia.

Já que todas as coisas que são do mundo permanecem nele, e nos abandona tudo aquilo que entesouramos para os nossos herdeiros; e, na realidade, deixam de ser nossas todas essas coisas que não podemos levar conosco. Somente a virtude acompanha aos falecidos, somente a misericórdia nos serve de companheira, essa misericórdia que atua em nossa vida como norte e guia até as mansões celestiais, e busca conseguir para os falecidos, em troca do desprezível dinheiro, os tabernáculos eternos.

Assim o testemunham os preceitos do Senhor, quando diz: Fazei-vos amigos das riquezas injustas, para que, quando estas faltem, vos recebam nos eternos tabernáculos. Este é um preceito inteligente, cheio de sabedoria e apto para animar também aos avaros a que optem por trocar as coisas corruptíveis pelas eternas, as terrenas pelas divinas. Porém, visto que muitas vezes a entrega se entorpece pela debilidade da fé e, quando se vai repartir a herança, vem à mente a preocupação de tudo o que é necessário para a vida, o Senhor acrescenta: Não vos preocupeis de vossa vida pelo que comereis nem de vosso corpo pelo que vestireis; porque, em verdade, a alma é mais importante que o alimento e o corpo mais que as vestes.

Porque aos que creem em Deus não há melhor meio para dar-lhes confiança como esse sopro vital que é o espírito, o qual faz durar a união completa da alma e do corpo, unidade que, por outro lado, não exige nenhum trabalho nosso e que perdura, sem que falte o alimento apropriado, até chegar o dia da morte. E se a alma está vestida da roupagem do corpo e este recebe vida em virtude da energia da alma, torna-se absurdo crer que nos faltará o alimento suficiente precisamente quando recebemos o mais, que é a realidade permanente da vida.

Santo Ambrósio, bispo de Milão (séc. IV)
Tratado ao Evangelho de São Lucas in loc.

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