segunda-feira, 15 de junho de 2026

3ª Segunda-feira Depois de Pentecostes

São Nicéforo, bispo de Constantinopla (829);
Grande Mártir João, o Novo, de Sochav, em Belgorod (1332)
Jejum dos Santos Apóstolos (Pão, legumes e frutas)
Tom 1


Este santo é comemorado no dia 02 de junho. Depois que o Imperador Constantino IV e a Imperatriz Irene restabeleceram a veneração das santas imagens, o jovem Nicéforo lhes foi apresentado e, de pronto, por suas grandes qualidades, conquistou-lhes a simpatia. Na corte, distinguiu-se por sua oposição aos iconoclastas, tendo sido secretário no Segundo Concílio de Nilcéia e comissário imperial. Mesmo sendo um brilhante orador, filósofo, músico e possuindo todas as qualidades de um estadista, sempre teve uma forte inclinação para a vida religiosa, isolada, e mesmo estando envolvido nos assuntos públicos, construiu um monastério num lugar isolado, próximo ao Mar Negro. 
Após a morte de Tarásios, Patriarca de Constantinopla, não foi encontrado ninguém mais apto a sucedê-lo que Nicéforo. Sendo leigo, houve algumas objeções à sua eleição, qualificando-a como contrária aos cânones, e só a pedido expresso do Imperador, pode ser persuadido a ser ordenado sacerdote e a aceitar o cargo. Durante a sua consagração, realizada em 12 de Abril, no ano 802, manteve em mãos o tratado que ele havia escrito em defesa da veneração aos ícones e, no final da cerimônia, depositou-o ao lado do altar, como uma promessa de que seria sempre defensor da Tradição da Igreja. 
Não demorou muito tempo até que o novo Patriarca tivesse de se enfrentar novamente com os que lhe eram hostis. Suas principais obras foram uma Apologia para o ensino Ortodoxo com relação aos Santos Ícones e outro extenso tratado em duas partes: A primeira, uma defesa da Igreja contra a acusação de idolatria; e a segunda, conhecida como "Antiherética", uma refutação aos escritos de Constantino V sobre as imagens sagradas. Além de vários outros tratados - a maioria sobre a iconoclastia - deixou duas obras históricas conhecidas como "Breviarium" e "Cronografia".  A primeira é uma breve história do reinado, de Mauricio à Constantino IV e Irene; a outra, uma crônica com os principais acontecimentos, desde o início do mundo. Na compilação dos concílios é possível ainda encontrar-se os dezessete cânones de Nicéforo, sendo que no segundo declara ilícito viajar aos domingo sem necessidade. 
Em 2 de junho do ano 829 o santo morreu, e em 13 de Março do  ano 846, por ordem da Imperatriz Teodora e do Patriarca São Metódio, os restos mortais de São Nicéforo foram transferidos da Ilha de Prokenesis para Constantinopla, tendo sido depositados na Igreja dos Santos Apóstolos. 
Comemoração de São João de Sochav 
O Santo Grande Mártir João, o Novo, de Sochav, viveu no século XIV na cidade de Trapizund. Por profissão ele era um comerciante, piedoso e firme em sua Ortodoxia, e generoso com os pobres.
 
Certa vez, de acordo com suas atividades comerciais, ele estava navegando em um navio. O capitão do navio não era ortodoxo. Tendo entrado em discussão sobre a fé com São João, sentiu-se humilhado e guardou forte rancor do santo. Durante a estadia do navio em Belgrado, perto do Bósforo, o capitão dirigiu-se ao governador da cidade, um adorador do fogo pela fé, e sugeriu que em seu navio estava um homem estudioso, desejando também se tornar um adorador do fogo. 
O Governador da cidade, com estima, convidou São João a juntar-se aos adoradores do fogo, blasfemando a sua fé em Cristo. 
O Santo orou secretamente, pedindo a ajuda Daquele que disse: 
“Quando, no entanto, eles te levarem a entregar-te, não te preocupes de antemão com o que dirás, e não ponderes; mas o que te será dado naquela hora, fala vós, pois, não sois vós quem fala, mas sim o Espírito Santo” (Mc 13: 11). 
E o Senhor deu-lhe coragem e compreensão para repudiar todas as reivindicações dos ímpios e para se confessar firmemente cristão. Depois disso, o santo foi espancado com tanta força com varas que todo o seu corpo foi dilacerado, e a carne sob os golpes se desfez em pedaços. O santo mártir orou, agradecendo a Deus, por ter sido considerado digno de derramar seu sangue para que Ele lavasse seus pecados. Depois o acorrentaram e o arrastaram para a prisão. Pela manhã o governador da cidade deu ordem para trazer novamente o santo. O mártir veio diante dele com um rosto brilhante e alegre. À repetida sugestão de se retratar de Cristo, o intrépido mártir recusou com a sua antiga firmeza, denunciando o governador como um instrumento de satanás. Depois espancaram-no novamente com varas, de modo que todas as suas entranhas ficaram expostas. A multidão reunida não suportou aquele espetáculo horrível e começou a gritar com raiva, denunciando o governador, por atormentar de forma tão desumana um homem indefeso. O governador, tendo cessado a surra, deu ordem para amarrar o grande mártir pelas pernas ao rabo de um cavalo selvagem para arrastá-lo pelas ruas da cidade. Os moradores do bairro hebreu zombaram particularmente do mártir e atiraram pedras nele; finalmente, alguém pegou uma espada e, ultrapassando o santo arrastado, cortou-lhe a cabeça. 
O corpo do grande mártir com a cabeça decepada ficou ali até a noite, e nenhum dos cristãos se atreveu a levá-lo. À noite foi visto sobre ele um pilar luminoso e uma multidão de lâmpadas acesas; três homens portadores de luz cantavam os Salmos e incensavam o corpo do santo. Um dos judeus, pensando que se tratava de cristãos que vieram recolher os restos mortais do mártir, agarrou um arco e quis atirar-lhes uma flecha, mas, preso pelo poder invisível de Deus, ficou rígido. Com o início da manhã a visão desapareceu, mas o arqueiro continuou imóvel. Tendo contado aos habitantes reunidos da cidade sobre a visão noturna e o que foi feito a ele por ordem de Deus, ele foi libertado de suas amarras invisíveis. Ao saber do ocorrido, o prefeito deu autorização para sepultar os restos mortais do grande mártir. O corpo foi enterrado perto da igreja local. Isso ocorreu entre os anos de 1330 e 1340. 
O capitão, que traiu São João à tortura, arrependeu-se do seu feito e decidiu secretamente transportar as relíquias para o seu país natal, mas o grande mártir, tendo aparecido em sonho ao presbítero da igreja, impediu-o. Após 70 anos, as relíquias foram transferidas para Sochav, capital do principado Moldo-Valachian, e colocadas na igreja catedral. 
 


Oração Antes de Ler as Escrituras
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!

Romanos 7:1-13

Fragmento 94 Irmãos, vós não sabeis (pois falo aos que conhecem a lei), que a lei tem domínio sobre o homem por todo o tempo que ele vive? Porque a mulher casada está ligada pela lei a seu marido enquanto ele viver; mas, se ele morrer, ela está livre da lei do marido. De sorte que, enquanto viver o marido, será chamado adúltera, se for de outro homem; mas, se ele morrer, ela está livre da lei, e assim não será adúltera se for de outro marido. Assim também vós, meus irmãos, fostes mortos quanto à lei mediante o corpo de Cristo, para pertencerdes a outro, àquele que ressurgiu dentre os mortos a fim de que demos fruto para Deus. Pois, quando estávamos na carne, as paixões dos pecados, suscitadas pela lei, operavam em nossos membros para darem fruto para a morte. Mas agora fomos libertos da lei, havendo morrido para aquilo em que estávamos retidos, para servirmos em novidade de espírito, e não na velhice da letra. Que diremos pois? É a lei pecado? De modo nenhum. Contudo, eu não conheci o pecado senão pela lei; porque eu não conheceria a concupiscência, se a lei não dissesse: Não cobiçarás. Mas o pecado, tomando ocasião, pelo mandamento operou em mim toda espécie de concupiscência; porquanto onde não há lei está morto o pecado. E outrora eu vivia sem a lei; mas assim que veio o mandamento, reviveu o pecado, e eu morri; e o mandamento que era para vida, esse achei que me era para morte. Porque o pecado, tomando ocasião, pelo mandamento me enganou, e por ele me matou. De modo que a lei é santa, e o mandamento santo, justo e bom. Logo o bom tornou-se morte para mim? De modo nenhum; mas o pecado, para que se mostrasse pecado, operou em mim a morte por meio do bem; a fim de que pelo mandamento o pecado se manifestasse excessivamente maligno. 

Mateus 9:36-10:8

Fragmento 34 - A Naquela época, vendo Jesus as multidões, compadeceu-se delas, porque andavam desgarradas e errantes, como ovelhas que não têm pastor. Então disse a seus discípulos: Na verdade, a seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, pois, ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara. E, chamando a si os Seus doze discípulos, deu-lhes autoridade sobre os espíritos imundos, para expulsarem, e para curarem toda sorte de doenças e enfermidades. Ora, os nomes dos doze apóstolos são estes: primeiro, Simão, chamado Pedro, e André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão; Felipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o publicano; Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu; Simão Cananeu, e Judas Iscariotes, aquele que o traiu. A estes doze enviou Jesus, e ordenou-lhes, dizendo: Não ireis aos gentios, nem entrareis em cidade de samaritanos; mas ide antes às ovelhas perdidas da casa de Israel; e indo, pregai, dizendo: É chegado o reino dos céus. Curai os enfermos, ressuscitai os mortos, limpai os leprosos, expulsai os demônios; de graça recebestes, de graça dai.

HOMILIA


Que os presbíteros tenham entranhas de misericórdia e se mostrem compassivos para com todos, tratando de trazer ao bom caminho aqueles que se extraviaram; que visitem aos enfermos e não descuidem das viúvas, dos órfãos, e dos pobres, antes, que procurem o bem diante de Deus e diante dos homens; abstendo-se de toda ira, de toda acepção de pessoas, de todo juízo injusto; que vivam afastados do amor ao dinheiro e não se precipitem crendo facilmente que os outros tenham agido mal, que não sejam severos em seus juízos, tendo presente a nossa natural inclinação ao pecado.

Portanto, se pedimos ao Senhor que perdoe nossas ofensas, também nós devemos perdoar aos que nos ofendem, já que todos estamos sob o olhar de nosso Deus e Senhor, e todos compareceremos diante do tribunal de Deus, e cada um prestará contas a Deus de si mesmo. O sirvamos, portanto, com temor e com grande respeito, conforme nos ordenaram tanto o próprio Senhor como os apóstolos que nos pregaram o Evangelho, e os profetas, aqueles que antecipadamente nos anunciaram a vinda de nosso Senhor. Busquemos o bem com dedicação, evitemos os escândalos, afastemo-nos dos falsos irmãos e daqueles que levam o nome do Senhor de forma hipócrita e arrastam ao erro os insensatos.

Todo aquele que não reconhece que Jesus Cristo veio na carne é do anticristo, e aquele que não confessa o testemunho da cruz procede do diabo, e o que interpreta falsamente as sentenças do Senhor segundo suas próprias concupiscências, e afirma inexistência da ressurreição e do juízo, esse tal é o primogênito de satanás. Por conseguinte, abandonemos os vãos discursos e falsas doutrinas que muitos sustentam e voltemos aos ensinamentos que nos foram transmitidos desde o princípio; sejamos sóbrios para entregar-nos à oração, perseveremos constantemente nos jejuns e supliquemos com rogos ao Deus que tudo vê, a fim de que não nos deixe cair em tentação, porque, como disse o Senhor, o espírito está pronto, mas a carne é fraca.

Mantenhamo-nos, pois, firmes em nossa esperança e a Jesus Cristo, recompensa de nossa justiça; ele, carregando nossos pecados, subiu ao lenho, e não cometeu pecado nem encontraram engano em sua boca, e por nós, para que vivamos nele, tudo suportou. Sejamos imitadores de sua paciência e, se por causa de seu nome temos de sofrer, o glorifiquemos; já que este foi o exemplo que nos deixou em sua própria pessoa, e isto é o que nós cremos.

São Policarpo, Bispo de Esmirna, Séc. II

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