sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Sexta-feira do Publicano e do Fariseu

06 de Fevereiro de 2026 (CC) - 24 de Janeiro (CE)S. 
Xênia de Roma, monja († séc. V);
Xênia, de São Petersburgo, Louca de Cristo (Séc. XVIII)
Tom 1

Santa Xênia era filha única do ilustre senador romano, Eusébio. Embora ainda muito jovem, decidiu permanecer virgem e para evitar o casamento, partiu rumo a Alexandria, juntamente com dois escravos. Uma vez lá, convenceu a seus acompanhantes de a chamarem Xênia, que em grego significa «peregrina», dificultando assim ser encontrada. 
Quando se encontrou com o abade do Monastério do Santo Apóstolo André, na cidade de Mileto (em Caria), ela me pediu para que a levasse, juntamente com seus acompanhantes, à cidade de Milas. Xênia comprou um terreno e construiu uma igreja dedicada a Santo Estevão, organizando junto um monastério para mulheres. Logo, por sua vida exemplar, o bispo de Milas a elevou à dignidade de diaconisa. Verdadeiramente, Xênia levava uma vida angelical. Amava a todos, prestava ajuda a todos na medida do que lhe era possível. Era uma benfeitora dos pobres, consolava os aflitos e sofredores e, para os pecadores, uma mãe espiritual. Por sua profunda humildade, se considerava a si mesma como a pior e a mais pecadora de todos. Santa Xênia ajudou a salvar muitas almas. Ele morreu na segunda metade do século V. Durante a sua morte, ocorreram sinais miraculosos. 
Tropárion, Tom 8: Em ti, Mãe, está precisamente preservado aquilo que há em nós à imagem de Deus: / pois, tendo tomado a tua cruz, seguiste a Cristo / e, com obras, ensinaste-nos a desprezar a carne como transitória / e a cuidar da alma, criação imortal. // Portanto, Venerável Xenia, o teu espírito se alegra com os anjos.

Kondákion, Tom 2: Celebrando a memória da tua peregrinação, Xenia (Xenia do grego ξένος, "ksenos", "chenos" – estrangeira), nós ternamente te honramos e cantamos louvores a Cristo,  / que em todas as coisas te concede o poder de cura. // Ore a Ele em todo o tempo, por todos nós.
Xênia, de São Petersburgo, Louca de Cristo  

Nasceu por volta de 1730 e, muito jovem, se casou com um coronel do exército chamado Andrei, um homem bonito e atormentado que gostava de vida mundana. 
Quando tinha vinte e seis anos, seu marido morreu de repente depois de beber com seus amigos, deixando Xênia uma viúva sem filhos. Logo depois, ela distribuiu todas as suas posses e desapareceu de São Petersburgo por oito anos; acredita-se que ela passou o tempo em um eremitério, ou mesmo em um mosteiro, aprendendo os caminhos da vida espiritual. Quando voltou para São Petersburgo, ela pareceu ter perdido o motivo de viver: vestia-se com o casaco do exército do marido e só respondia ao nome dele. Xênia passou a morar na rua, vagando pelas vias da cidade, zombada e abusada por muitos. Ela recebia esmolas de pessoas de caridade, mas imediatamente as entregava aos pobres; sua única comida vinha das refeições que às vezes aceitava daqueles que a conheciam. À noite, se retirava para um campo fora da cidade onde se ajoelhsvs em uma oração até a manhã. 
Lentamente, as pessoas da cidade observaram sinais de uma santidade que subjazia sua vida aparentemente perturbada: ela mostrou um dom de profecia, e sua própria presença quase sempre provava ser uma benção. O Synaxarion diz: 
"A bênção de Deus parecia acompanhá-la onde quer que ela fosse... Então, a compaixão, em pouco tempo, deu lugar à veneração, e as pessoas geralmente a consideraram como o verdadeiro anjo da guarda da cidade ". 
Tropárion, Tom 4: Tendo rejeitado a vaidade do mundo terreno, aceitaste a cruz de uma vida errante e sem lar; não tiveste medo das tristezas, das privações ou do ridículo humano, mas vieste conhecer o amor de Cristo, com o Qual agora te deleitas no Céu, ó bem-aventurada Xenia, sábia em Deus, rogai pela salvação de nossas almas.

Kondákion, Tom 3: Tendo estado na terra como estrangeira, / ansiando pela Pátria Celestial, / uma tola entre os rebeldes e infiéis, / sendo reconhecida como sábia e santa pelos Fiéis, / e por Deus com glória e honra, tu será coroada, / ó, Ksenia, corajosa e piedosa! / Por esta razão a ti bradamos: // Rejubila-te, pois após tua jornada na terra, estás em casa com o Pai.

Oração
Ó santa de Deus, bem-aventurada Xenia! Olha com misericórdia para nós, servos de Deus (Nomes), que oramos ternamente diante do teu venerado ícone e pedimos a tua ajuda e intercessão. Eleva as tuas fervorosas orações ao Senhor nosso Deus e pede o perdão dos nossos pecados para as nossas almas. Pois nós, com coração contrito e espírito humilde, invocamos a tua intercessora misericordiosa junto ao Mestre e livro de orações para nós, pecadores, pois recebeste Dele a graça de interceder por nós e nos livrar das aflições. Suplicamos-te, portanto, que não nos desprezes, a nós, indignos, que oramos a ti e pedimos a tua ajuda, e que busques tudo o que for útil para a salvação de todos, para que, por meio das tuas orações ao Senhor Deus, tendo recebido graça e misericórdia, possamos glorificar a Fonte e Doador de todos os bens e o Deus Único, glorificado na Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém.

Oração Antes de Ler as Escrituras 
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!

1 João 2:7-17

Amados, não vos escrevo mandamento novo, mas um mandamento antigo, que tendes desde o princípio. Este mandamento antigo é a palavra que ouvistes. Contudo é um novo mandamento que vos escrevo, o qual é verdadeiro nele e em vós; porque as trevas vão passando, e já brilha a verdadeira luz. Aquele que diz estar na luz, e odeia a seu irmão, até agora está nas trevas. Aquele que ama a seu irmão permanece na luz, e nele não há tropeço. Mas aquele que odeia a seu irmão está nas trevas, e anda nas trevas, e não sabe para onde vai; porque as trevas lhe cegaram os olhos. Filhinhos, eu vos escrevo, porque os vossos pecados são perdoados por amor do seu nome. Pais, eu vos escrevo, porque conheceis aquele que é desde o princípio. Jovens, eu vos escrevo, porque vencestes o Maligno. Eu vos escrevi, meninos, porque conheceis o Pai. Eu vos escrevi, pais, porque conheceis aquele que é desde o princípio. Eu escrevi, jovens, porque sois fortes, e a palavra de Deus permanece em vós, e já vencestes o Maligno. Não ameis o mundo, nem o que há no mundo. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não vem do Pai, mas sim do mundo. Ora, o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus, permanece para sempre.

Marcos 14:3-9

Fragmento 63 - Naquela ocasião, Jesus estava em Betânia, reclinado à mesa em casa de Simão, o leproso, chegou uma mulher que trazia um vaso de alabastro cheio de bálsamo de nardo puro, de grande valor; e, quebrando o vaso, o derramou sobre Sua cabeça. E alguns houve que, indignados em si mesmos, diziam: “Por que se fez este desperdício de unguento? Pois podia ser vendida por mais de trezentos dinheiros, e ser dada aos pobres”; e murmuravam contra ela. Então, disse Jesus: “Deixai-a, por que a molestais? Ela fez uma boa ação para Comigo. Porque sempre tendes os pobres convosco e, quando quiserdes, podeis fazer-lhes bem; mas a Mim, nem sempre Me tendes. Ela fez o que pôde: Ela veio antecipadamente para ungir Meu corpo para o sepultamento. Em verdade vos digo que, onde quer que este Evangelho for pregado, em todo o mundo, também o que ela fez será contado para memória sua”.
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ENSINO DOS SANTOS PADRES



"Maria ungiu os pés de Jesus com uma libra de perfume de nardo puro, de alto preço, e enxugou-Lhos com os seus cabelos. A casa encheu-se com a fragrância do perfume."Eis o fato histórico; procuremos o simbólico. Sejas tu quem fores, se quiseres ser uma alma fiel, unge com Maria os pés do Senhor com perfume. Esse perfume é a retidão. […] Deita perfume sobre os pés do Senhor. Segue as pegadas do Senhor com uma vida santa. Enxuga os seus pés com os teus cabelos: se tens coisas supérfluas, dá-as aos pobres e assim terás enxugado os pés do Senhor. […] Talvez os pés do Senhor na terra sejam os necessitados. Pois não é dos seus membros (Ef 5,30) que Ele dirá no fim do mundo: «Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a Mim mesmo o fizestes» (Mt 25,40)?

"A casa encheu-se com a fragrância do perfume." Quer dizer, o mundo encheu-se da boa reputação desta mulher, porque o bom odor é como a boa reputação. Aqueles que associam o nome de cristãos a uma vida desonesta injuriam a Cristo […]; se o nome de Deus é blasfemado por esses maus cristãos, ele é, pelo contrário, louvado e glorificado pelos bons: "somos em toda a parte o bom odor de Cristo" (2Cor 2,14-15). E diz também o Cântico dos Cânticos: "A tua fama é odor que se difunde" (1,3).

Bem-aventurado Agostinho, Bispo de Hypona (Séc, IV-V)



A esposa do Cântico dos Cânticos diz: "o meu nardo dá o seu perfume" (1,12) [...]; mas podemos ler também "o Seu perfume". [...] A esposa aproximou-se do Esposo, ungiu-O com os seus unguentos e, surpreendentemente, foi como se o nardo não tivesse dado perfume enquanto estava nas mãos da esposa, mas o desse ao entrar em contacto com o corpo do Esposo — de sorte que, segundo parece, não foi tanto Ele que recebeu o perfume do nardo mas foi antes o nardo que o recebeu, como se viesse d'Ele. [...]

Apresentamos aqui a esposa Igreja, na pessoa de Maria: diz-se que ela trazia uma libra de nardo de alto preço e que ungiu os pés de Jesus, enxugando-os depois com os cabelos e que, de certo modo, também ela recebeu, através dos cabelos, um perfume impregnado da qualidade e do poder do corpo de Jesus. [...] Ela impregnou a cabeça com um perfume requintado que vinha mais de Cristo que do nardo e disse [com a esposa]: «O meu nardo, derramado no corpo de Cristo, deu-me em troca o Seu aroma». [...]

"A casa encheu-se com a fragrância do perfume." Isso indica, seguramente, que a fragrância da doutrina que vem de Cristo e o agradável perfume do Espírito Santo encheram toda a casa deste mundo, ou a casa de toda a Igreja. Ou, pelo menos, encheram toda a casa através desta alma que recebeu a fragrância de Cristo, tendo-Lhe oferecido inicialmente o dom da sua fé como nardo puro, e recebendo, em retribuição, a graça do Espírito Santo e o agradável perfume da doutrina espiritual [...], para que também ela pudesse dizer: "Somos para Deus o bom odor de Cristo"(2Co 2,15). Ora, porque esse nardo foi cheio de fé e dum amor de grande valor, Jesus presta-lhe esta homenagem: "Praticou em Mim uma boa ação!" (Mc 14,6).

Orígenes, Presbítero de Alexandria (Séc II-III)

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