sexta-feira, 17 de abril de 2026

Sexta-feira Luminosa

17 de Abril de 2026 (CC) / 04 de Abril (CE)
Venerável José, o Hinógrafo (883)
Semana Sem Jejum

 

 

José nasceu na Sicília, de pais piedosos e virtuosos, Plotino e Agatha. Depois da morte de seus pais, José se mudou para Tessalônica, onde foi tonsurado monge. 
Como monge, ele era um modelo para todos em jejum, extrema abstinência, oração incessante, cântico dos Salmos, vigílias e trabalho. O bispo de Tessalônica ordenou-lhe hieromonge [padre-monge]. Ao visitar Tessalônica, o distinto Gregório de Decápolis ficou tão impressionado com José, por causa de seu caráter raro, que o convidou para seu mosteiro em Constantinopla.
Quando a chama da heresia iconoclasta irrompeu novamente sob o signo do armênio, José foi enviado a Roma para invocar o papa e a Igreja Romana para lutar pela Ortodoxia. Enquanto estava a caminho, José foi capturado por piratas e levado para Creta, onde os hereges o encerraram na prisão por seis anos. José se alegrou de ter sido feito digno de sofrer por Cristo, e por isso continuamente louvava a Deus, considerando suas correntes de ferro como um adorno de ouro.

Na festa da Natividade de Cristo, no início da manhã, no sexto ano de prisão de José, o ímpio Imperador Leo foi morto na igreja enquanto frequentava as Matinas. Nesse mesmo momento, São Nicolau apareceu a José na prisão, dizendo: «Levanta-te e segue-me!» José sentiu-se elevado no ar e de repente se encontrou diante dos portões de Constantinopla. Todos os verdadeiros crentes se alegraram com a sua vinda. Ele compôs cânones e hinos para muitos santos. José possuía o dom da clarividência [discernimento], e por isto, o patriarca Fócius o nomeou pai espiritual e confessor de sacerdotes, recomendando-o como «um homem de Deus», «um anjo na carne» e um pai de pais». Na velhice extrema, José entregou a sua alma ao Senhor, a quem tinha servido fielmente tanto em obras como em hinos.
 

Oração Antes de Ler as Escrituras
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém! 

Atos 3:1-8

Fragmento 7 -
Naquela época, Pedro e João subiam ao templo à hora da oração, a nona. E, era carregado um homem, coxo de nascença, o qual todos os dias punham à porta do templo, chamada Formosa, para pedir esmolas aos que entravam. Ora, vendo ele a Pedro e João, que iam entrando no templo, pediu que lhe dessem uma esmola. E Pedro, com João, fitando os olhos nele, disse: “Olha para nós”. E ele os olhava atentamente, esperando receber deles alguma coisa. Disse-lhe Pedro: “Não tenho prata nem ouro; mas o que tenho, isso te dou; em Nome de Jesus Cristo, o Nazareno, anda”. Nisso, tomando-o pela mão direita, o levantou; imediatamente os seus pés e artelhos se firmaram e, dando ele um salto, pôs-se em pé. Começou a andar e entrou com eles no templo, andando, saltando e louvando a Deus.

João 2:12-22

Fragmento 7 - Naqueles dias, Jesus desceu a Cafarnaum, Ele, e Sua mãe, e Seus irmãos, e Seus discípulos; e ficaram ali não muitos dias. E estava próxima a Páscoa dos judeus, e Jesus subiu a Jerusalém. E achou no templo os que vendiam bois, e ovelhas, e pombos, e os cambiadores assentados. E tendo feito um azorrague de cordéis, lançou todos fora do templo, também os bois e ovelhas; e espalhou o dinheiro dos cambiadores, e derribou as mesas; e disse aos que vendiam pombos: “Tirai daqui estes, e não façais da casa de Meu Pai um mercado”. E os Seus discípulos lembraram-se do que está escrito: 

O zelo da Tua casa Me devorou”. 

Responderam, pois, os judeus, e disseram-Lhe: “Que sinal nos mostras para fazeres isto?” Jesus respondeu, e disse-lhes: “Derribai Este Templo, e em três dias o levantarei”. Disseram, pois, os judeus: “Em quarenta e seis anos foi edificado este templo, e Tu o levantarás em três dias?” Mas Ele falava do templo do Seu corpo. Quando, pois, ressuscitou dentre os mortos, os Seus discípulos lembraram-se de que lhes dissera isto; e creram na Escritura, e na palavra que Jesus tinha dito.

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ENSINO DOS SANTOS PADRES

Bem-Aventurado Agostinho, bispo de Hipona (séc. V)

“Somos As Pedras Vivas Com As Quais Se Edifica O Templo De Deus”

Com frequência temos advertido a vossa caridade que não devemos considerar os salmos como a voz isolada de um homem que canta, mas como a voz de todos aqueles que estão no Corpo de Cristo. E como no Corpo de Cristo estão todos, fala como um só homem, pois ele é ao mesmo tempo um e muitos. São muitos se considerados isoladamente; mas são um naquele que é um. Ele também é o templo de Deus do qual falou o apóstolo: O templo de Deus é santo, e esse templo sois vós: todos os que creem em Cristo e, crendo, amam. Pois nisto consiste crer em Cristo: Em amar a Cristo; não como os demônios, que criam, porém não amavam. Por isso, apesar de crer, diziam: o que nós temos contigo, Filho de Deus? Nós, por outro lado, creiamos de tal forma que, crendo nele, lhe amemos e não digamos: o que nós temos contigo?, mas digamos melhor: “Te pertencemos, tu nos redimiste”. 
Realmente, todos quantos assim creem são como as pedras vivas com as quais se edifica o templo de Deus, e como a madeira incorruptível com a qual se construiu aquela arca que o dilúvio não conseguiu submergir. Este é o templo – isto é, os próprios homens – em que se roga a Deus e ele escuta. Somente ao que ora no templo de Deus lhe é dado ser escutado para a vida eterna. E ora no templo de Deus o que ora na paz da Igreja, na unidade do Corpo de Cristo. Este corpo de Cristo consta de uma multidão de crentes espalhados por todo o mundo; e por isso é escutado o que ora no templo. Ora, pois, no espírito e na verdade o que ora na paz da Igreja, não naquele templo que era somente uma figura. 
Em nível de imagem, o Senhor expulsou do templo aos que no templo buscavam seu próprio interesse, ou seja, os que iam ao templo para comprar e vender. Agora, se aquele templo era uma imagem, é evidente que também no Corpo de Cristo – que é o verdadeiro templo do qual o outro era uma imagem – existe uma miscelânea de compradores e vendedores, isto é, gente que busca seu interesse, e não o de Jesus Cristo. E visto que os homens são açoitados por seus próprios pecados, o Senhor fez um açoite de cordas e expulsou do templo a todos os que buscavam seus interesses, e não os de Jesus Cristo. 
Pois bem, a voz deste templo é a que ressoa no salmo. Neste templo – e não no templo material – se roga a Deus, como vos disse, e Deus escuta em espírito e verdade. Aquele templo era uma sombra, imagem do que haveria de vir. Por isso aquele templo já foi destruído. Isto quer dizer que foi derrubada nossa casa de oração? De forma alguma. Pois aquele templo que foi derrubado não pode ser chamado casa de oração, e do qual se disse: Minha casa é casa de oração, e assim será chamada por todos os povos. E escutastes o que disse nosso Senhor Jesus Cristo: Está escrito: Minha casa é casa de oração para todos os povos; porém vós a convertestes em uma cova de ladrões. 
Por acaso os que pretenderam converter a casa de Deus em uma cova de ladrões conseguiram destruir o templo? Da mesma maneira, os que vivem mal na Igreja Católica, naquilo que deles depende, querem converter a casa de Deus em uma cova de ladrões; porém, nem por isso destroem o templo. Mas chegará o dia em que, com o açoite trançado com seus pecados, serão precipitados fora. Pelo contrário, este templo de Deus, este Corpo de Cristo, esta assembleia de fiéis têm uma só voz, e canta no salmo como um só homem. Esta voz a escutamos em muitos salmos; ouçamo-la também neste. Se queremos, é nossa voz; se queremos, com o ouvido escutamos ao cantor, e com o coração também nós cantamos. Mas, se não queremos, seremos naquele templo como os compradores e vendedores, ou seja, como os que buscam seus próprios interesses: Entramos, sim, na igreja, mas somente para fazer o que agrada aos olhos de Deus.
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São Cirilo, Patriarca de Alexandria (séc. V)

“Cristo, Pontífice E Mediador”

Cristo intercede por nós como homem de Deus, como reconciliador e mediador dos homens. Ele é realmente nosso soberano e santíssimo pontífice que, oferecendo-se por nós, abranda com suas súplicas o coração de seu Progenitor. Ele é, verdadeiramente, vítima e sacerdote, ele é o mediador e o sacrifício imaculado, o verdadeiro cordeiro que tira o pecado do mundo. 
Certo tipo e sombra da mediação de Cristo manifestada nos últimos tempos foi aquela antiga mediação de Moisés; e o pontífice da lei prefigurou ao pontífice que estava acima da lei. Os preceitos legais são realmente sombras da verdade. Por isso, Moisés, o homem de Deus, e com ele o venerável Aarão, foram os eternos mediadores entre Deus e a assembleia do povo, algumas vezes aplacando a ira de Deus provocada pelos pecados dos israelitas, e implorando a suprema bondade sobre aqueles corações arrependidos; outras vezes fazendo votos, abençoando e oferecendo os sacrifícios legais e as oferendas pelo pecado conforme estabelece a lei; e, por fim, também apresentando ações de graças pelos benefícios recebidos de Deus. 
Cristo, que nos últimos tempos brilhou como pontífice e mediador superando tipos e imagens, roga certamente por nós como homem, porém derrama sua bondade sobre nós juntamente com Deus Pai enquanto Deus, distribuindo seus dons aos que são dignos. Isto é o que explicitamente nos ensina Paulo ao dizer: Eu vos desejo a graça e a paz de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo. 
Portanto, quem roga como homem é o mesmo que distribui dons como Deus. Sendo como é pontífice santo, inocente e imaculado, oferece-se a si mesmo não por sua própria fragilidade – como ordena a lei aos sacerdotes –, mas pela salvação de nossas almas. Tendo realizado isto uma só vez por nossos pecados, advoga por nós diante do Pai. Ele é vítima de propiciação por nossos pecados, não só pelos nossos, mas também pelos do mundo inteiro, ou seja, por todos os que, mediante a lei, seriam chamados procedentes de toda nação e raça, a justiça e a santificação.
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