sexta-feira, 31 de julho de 2026

9ª Sexta-feira Depois de Pentecostes

31 de Julho de 2026 (CC) / 18 de Julho (CE)
Santo Emiliano, mártir († 362); Valentina e Paulo,
Pacientíssimo João, o Recluso, do Mosteiro de Pechersk; Jacinto; de Amastridea; 
Pamba, Eremita de Pechersk; Pambos, Eremita; Grande Mártir Atanásio; 
Leôncio, Louco por Cristo, de Ustiug; João, Arcebispo de Constantinopla;
Theneva, de Glasgow; Santo Ícone da Mãe de Deus de  Kaluzhsk.
Jejum (Pão, vegetais e frutas)
Tom 7



Durante o reinado de Juliano o Apóstata, na cidade da Trácia de Dorostolon, vivia um homem jovem, Emiliano, servo do prefeito da cidade. Quando o imperador apóstata começou - pelo fogo e pela espada - a causar danos ao Cristianismo em todo o domínio do Império Romano e, quando o representante do imperador veio a Dorostolon para matar os cristãos, lá não encontrou um único cristão. Regozijando-se com isso, o Legado Imperial promoveu um grande banquete para os cidadãos de Dorostolon e ordenou que sacrifícios fossem oferecidos aos ídolos e alegria tomou conta da cidade inteira, dia e noite. Naquela noite, Santo Emiliano pegou uma marreta e com ela saiu destruindo todos os ídolos que encontrara nos templos pagãos, nos mercados e nas ruas da cidade.

No dia seguinte houve terror na cidade. Todo mundo procurou o destruidor de seus deuses. Um camponês estava passando pelo templo naquela manhã e foi apreendido. Emiliano, vendo que um homem inocente iria sofrer, disse para si mesmo: 
"Se eu esconder minha ação, que benefício iria receber de Deus? não serei eu tido como o assassino deste homem inocente?" 
Assim, Emiliano apareceu ante o Legado do Imperador e confessou tudo. O Legado enfurecido perguntou a Emiliano: 
“O que levou você a fazer isso?” 
O mártir de Cristo respondeu: 
"Deus e minha alma me ordenaram a destruir os pilares sem vida que vocês chamam de deuses."

O juiz, então, ordenou que Emiliano fosse açoitado e, depois de flagelação e outras torturas, ordenou que fosse enterrado vivo. Assim terminou a vida terrena de São Emiliano e sendo recebido na vida celeste em 18 de julho, 362 dC.
Tropária e Kondákia Para a Sexta-feira  
Á Santa Cruz 
Tropárion Tom 1: Salva, Senhor, o Teu povo / e abençoa a Tua herança! / Concede à Tua Igreja a vitória sobre o maligno // e guarda o Teu povo pela Tua Cruz. 
Kondákion, Tom 4: Tendo subido voluntariamente à Cruz, / conceda as Tuas misericórdias, ó Cristo nosso Deus, ao novo povo que leva o Teu Nome; / rejubila com a Teu Poder o Teu Povo fiel, / concedendo-lhes vitórias sobre os seus inimigos, / para que possam ter em Ti o auxílio, // arma da paz, sinal invencível da vitória.      

Oração Antes de Ler as Escrituras
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém! 

1 Coríntios 14:26-40

Fragmento 157 - Que fazer, pois, irmãos? Quando vos congregais, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para edificação. Se alguém falar em língua, faça-se isso por dois, ou quando muito três, e cada um por sua vez, e haja um que interprete. Mas, se não houver intérprete, esteja calado na igreja, e fale consigo mesmo, e com Deus. E falem os profetas, dois ou três, e os outros julguem. Mas se a outro, que estiver sentado, for revelada alguma coisa, cale-se o primeiro. Porque todos podereis profetizar, cada um por sua vez; para que todos aprendam e todos sejam consolados; pois os espíritos dos profetas estão sujeitos aos profetas; porque Deus não é Deus de confusão, mas sim de paz. Como em todas as igrejas dos santos, as mulheres estejam caladas nas igrejas; porque lhes não é permitido falar; mas estejam submissas como também ordena a lei. E, se querem aprender alguma coisa, perguntem em casa a seus próprios maridos; porque é indecoroso para a mulher o falar na igreja. Porventura foi de vós que partiu a palavra de Deus? Ou veio ela somente para vós? Se alguém se considera profeta, ou espiritual, reconheça que as coisas que vos escrevo são mandamentos do Senhor. Mas, se alguém ignora isto, ele é ignorado. Portanto, irmãos, procurai com zelo o profetizar, e não proibais o falar em línguas. Mas faça-se tudo decentemente e com ordem.

Mateus 21:12-14, 17-20

Fragmento 83B - Naquela época, Jesus entrou no templo, expulsou todos os que ali vendiam e compravam, e derribou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas; e disse-lhes: Está escrito:

“A minha casa será chamada casa de oração”; vós, porém, a fazeis covil de salteadores. 

E chegaram-se a Ele no templo cegos e coxos, e Ele os curou. E deixando-os, saiu da cidade para Betânia, e ali passou a noite. Ora, de manhã, ao voltar à cidade, teve fome; e, avistando uma figueira à beira do caminho, dela Se aproximou, e não achou nela senão folhas somente; e disse-lhe: Nunca mais nasça fruto de ti. E a figueira secou imediatamente. Quando os discípulos viram isso, perguntaram admirados: Como é que imediatamente secou a figueira?

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quinta-feira, 30 de julho de 2026

9ª Quinta-feira Depois de Pentecostes

30 de Julho de 2026 (CC) / 17 de Julho (CE)
Grande Mártir Marina, de Antioquia na Psídia († c. 268)
Tom 7



Santa Marina nasceu em Antioquia de Pissídia (Ásia Menor, hoje Turquia). Seu pai era sacerdote pagão. Marina conheceu fé cristã através de sua ama de leite. Naquele tempo o imperador Diocleciano (284-305) instituiu a perseguição aos cristãos de modo que muitos cristãos eram obrigados a se esconderem nas cavernas dos desertos. Quando Marina completou doze anos, ela se batizou. Quando o seu pai soube disso, renegou-a.

Certa vez, quando tinha a idade de quinze anos, Marina pastava as ovelhas quando o governador daquela região passando por lá, ficou encantado com a sua beleza e fez-lhe proposta de casamento. Marina não escondeu que era cristã. O governador a entregou para uma importante senhora, para que tomasse conta dela, esperando que esta convencesse a jovem a renegar a Cristo. Mas Marina renegou tal coisa e recusou-se a oferecer o sacrifícios aos ídolos.

Marina foi submetida a várias torturas: ela foi açoitada com varas, raspavam seu corpo com tridente, enfiavam pregos em sua carne e a queimavam com fogo. Vendo tais sofrimentos da jovem, o povo chorava de pena dela. A graça de Deus curava as feridas de Marina, mas os torturadores não se conscientizavam do milagre. No dia seguinte ela sofria queimaduras novamente, depois começaram a afogá-la em um grande barril.

Em determinado momento de tortura a terra tremeu, as algemas caíram das mãos de Marina e uma viva luz incomum começou a brilhar acima da sua cabeça e nesta luz pairava uma pomba com uma coroa dourada em seu bico. O povo espantado começou a glorificar a Deus. O administrador mandou executar Marina e aqueles que passaram a acreditar em Cristo. Naquele dia, junto com Marina, foram degoladas quinze mil pessoas. Feotino - que presenciou o fato - descreveu seu martírio.

Os restos mortais da grande mártir Marina foram guardados em Constantinopla até serem tomados pelas Cruzados em 1204. A mão de Santa Marina encontra-se em Afon no mosteiro de Vatoped. A igreja ocidental venera Marina, chamando-a de Margarida de Antioquia. Muitas igrejas são dedicadas ao seu nome.
Leituras Comemorativas 
2 Coríntios 6:1-10
Lucas 7:36-5
Tropária e Kondákia Para a Quinta-feira 
Aos Santos Apóstolos
Tropárion, Tom 3: Ó Santos Apóstolos, / rogai ao Deus Misericordioso // que Ele conceda o perdão dos pecados às nossas almas.
Kondákion, Tom 2: Os pregadores firmes e inspirados por Deus, / os mais elevados dos Teus discípulos, ó Senhor, / Tu os aceitaste para desfrutarem das Tuas bênçãos e do repouso; / pois Tu consideraste seus trabalhos e morte superiores a qualquer sacrifício, // ó Tu, o Único que conhece o que há nos corações.
A São Nicolau
Tropárion, Tom 4: A Verdade Imutável te revelou ao teu rebanho / como regra de fé e exemplo de mansidão e autocontrole. / Portanto, pela humildade alcançaste a grandeza / e, pela pobreza, a riqueza. / Ó Pai, São Nicolau, // roga a Cristo nosso Deus pela salvação de nossas almas.
Kondákion, Tom 3: Em Mira, tu, ó Santo, apareceste como um sacerdote, / pois, tendo cumprido o Evangelho de Cristo, / tu, ó Venerável, / entregaste tua alma pelo teu povo / e salvaste os inocentes da morte; / portanto, foste santificado // como um grande servo dos mistérios da graça de Deus. 

Oração Antes de Ler as Escrituras
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém! 


1 Coríntios 14:6-19

Fragmento 155 - Irmãos, se eu for ter convosco falando em línguas, que vos aproveitaria, se não vos falasse ou por meio da revelação, ou da ciência, ou da profecia, ou da doutrina? Da mesma sorte, se as coisas inanimadas, que fazem som, seja flauta, seja cítara, não formarem sons distintos, como se conhecerá o que se toca com a flauta ou com a cítara? Porque, se a trombeta der sonido incerto, quem se preparará para a batalha? Assim também vós, se com a língua não pronunciardes palavras bem inteligíveis, como se entenderá o que se diz? Porque estareis como que falando ao ar. Há, por exemplo, tanta espécie de vozes no mundo, e nenhuma delas é sem significação. Mas, se eu ignorar o sentido da voz, serei bárbaro para aquele a quem falo, e o que fala será bárbaro para mim. Assim também vós, como desejais dons espirituais, procurai abundar neles, para edificação da igreja. Por isso, o que fala em língua desconhecida, ore para que a possa interpretar. Porque, se eu orar em língua desconhecida, o meu espírito ora bem, mas o meu entendimento fica sem fruto. Que farei, pois? Orarei com o espírito, mas também orarei com o entendimento; cantarei com o espírito, mas também cantarei com o entendimento. De outra maneira, se tu bendisseres com o espírito, como dirá o que ocupa o lugar de indouto, o Amém, sobre a tua ação de graças, visto que não sabe o que dizes? Porque realmente tu dás bem as graças, mas o outro não é edificado. Dou graças ao meu Deus, porque falo mais línguas do que vós todos. Todavia eu antes quero falar na igreja cinco palavras na minha própria inteligência, para que possa também instruir os outros, do que dez mil palavras em língua desconhecida.

Mateus 20:17-28

Fragmento 81 - Naquela ocasião, subindo a Jerusalém, Jesus chamou à parte os Seus doze discípulos, e no caminho disse-lhes: Eis que vamos para Jerusalém, e o Filho do homem será entregue aos príncipes dos sacerdotes, e aos escribas, e O condenarão à morte. E O entregarão aos gentios para que dele escarneçam, e O açoitem e crucifiquem, e ao terceiro dia ressuscitará. Então se aproximou dele a mãe dos filhos de Zebedeu, com seus filhos, adorando-O, e fazendo-Lhe um pedido. E Ele diz-lhe: Que queres? Ela respondeu: Dize que estes meus dois filhos se assentem, um à Tua direita e outro à Tua esquerda, no Teu Reino. Jesus, porém, respondendo, disse: Não sabeis o que pedis. Podeis vós beber o cálice que Eu hei de beber, e ser batizados com o batismo com que Eu sou batizado? Dizem-Lhe eles: Podemos. E diz-lhes Ele: Na verdade bebereis o Meu cálice e sereis batizados com o batismo com que Eu Sou batizado, mas o assentar-se à minha direita ou à minha esquerda não Me pertence dá-lo, mas é para aqueles para quem Meu Pai o tem preparado. E, quando os dez ouviram isto, indignaram-se contra os dois irmãos. Então Jesus, chamando-os para junto de Si, disse: Bem sabeis que pelos príncipes dos gentios são estes dominados, e que os grandes exercem autoridade sobre eles. Não será assim entre vós; mas todo aquele que quiser entre vós fazer-se grande seja vosso serviçal; e, qualquer que entre vós quiser ser o primeiro, seja vosso servo; bem como o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir, e para dar a Sua vida em resgate de muitos.


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COMENTÁRIO 

“Ai da Alma Na Qual Não Habita Cristo!”


Assim como Deus em outro tempo, irritado contra os judeus, entregou Jerusalém à afronta de seus inimigos e seus adversários os submeteram, de maneira que já não restaram nela nem festas nem sacrifícios; assim também agora, encolerizado contra a alma que viola os seus mandatos, a entrega em poder dos mesmos inimigos que a seduziram até torná-la feia.

E da mesma forma que uma casa, se não habita nela seu dono, se cobre de trevas, de ignomínia e de afronta, e fica toda cheia de sujeira e imundície; assim também a alma, privada de seu Senhor e da presença alegre de seus anjos, fica repleta das trevas do pecado, da fealdade das paixões e de todo tipo de desonra.

Ai do caminho pelo qual ninguém passa, e no qual não se ouve nenhuma voz humana, porque se torna asilo de animais! Ai da alma pela qual o Senhor não caminha, nem afugenta dela com a sua voz as bestas espirituais da maldade! Ai da casa na qual não habita o seu dono! Ai da terra privada de colono que a cultive! Ai do barco privado de piloto, porque, acometido pelas ondas e tempestades do mar, acaba por naufragar! Ai da alma que não traz em si o verdadeiro piloto, Cristo, porque, colocada em um cruel mar de trevas, sacudida pelas ondas de suas paixões e atacada pelos espíritos malignos como por uma tempestade de inverno, acabará naufragando!

Ai da alma privada do cultivo dedicado de Cristo, que é aquele que lhe faz produzir os bons frutos do Espírito, porque, encontrando-se abandonada, cheia de espinhos e de abrolhos, em vez de produzir fruto, acaba na fogueira! Ai da alma na qual não habita Cristo, seu Senhor, porque ao encontrar-se abandonada, cheia de espinhos e de abrolhos, em vez de produzir fruto, acaba na fogueira! Ai da alma na qual não habita Cristo, seu Senhor, porque ao encontrar-se abandonada e cheia dos maus odores de suas paixões, torna-se hospedagem de todos os vícios!

Assim como o colono, quando se dispõe a cultivar a terra, necessita dos instrumentos e vestes apropriados, assim também Cristo, o rei celestial e verdadeiro agricultor, ao visitar a humanidade desolada pelo pecado, tendo-se revestido de um corpo humano e levando a cruz como instrumento, cultivou a alma abandonada, arrancou dela os espinhos e abrolhos dos maus espíritos, extraiu a cizânia do pecado e lançou ao fogo toda a erva má; e, tendo-a assim trabalhado incansavelmente com o madeiro da cruz, plantou nela o belíssimo horto do Espírito: horto que produz para Deus, seu Senhor, um fruto agradável e suavíssimo.

São Macário, o Grande (séc. IV)

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quarta-feira, 29 de julho de 2026

9ª Quarta-feira Depois de Pentecostes

29 de Julho de 2026 (CC) / 16 de Julho (CE)
Santo Atenógenes e cc., mártires (séc. IV)
(Pão, frutas e vegetais)
Tom 7


 
Este Santo foi de Sebastia da Capadócia e, de acordo com as Synaxaristes, tornou-se bispo de Pidachthoa. Ele e dez dos seus discípulos foram torturados e decapitados pelo Governador do Philomarchus nos tempos de Diocleciano.

Há um segundo Athenogenes Mártir comemorado hoje, mencionado por São Basílio no capítulo 29 de seu tratado "Sobre o Espírito Santo", onde narra que este Athenogenes fora lançado ao fogo. São Basílio diz que diante das chamas ele cantou o hino vespertino “Luz Jubilosa” em louvor da Santíssima Trindade.

Tropária e Kondákia Para Às Quartas-feiras

Comemoração da Santa Cruz

Tropárion Tom 1: Salva, Senhor, o Teu povo / e abençoa a Tua herança! / Concede à Tua Igreja a vitória sobre o maligno // e guarda o Teu povo pela Tua Cruz. 

Kondákion , Tom 4: Tendo subido voluntariamente à Cruz, / conceda as Tuas misericórdias, ó Cristo nosso Deus, ao novo povo que leva o Teu Nome; / rejubila com a Teu Poder o Teu Povo fiel, / concedendo-lhes vitórias sobre os seus inimigos, / para que possam ter em Ti o auxílio, // arma da paz, sinal invencível da vitória.   


Oração Antes de Ler as Escrituras
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém! 

1 Coríntios 13:4-14:5

Fragmento 154A - Irmãos, o amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não se vangloria, não se ensoberbece, não se porta inconvenientemente, não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não suspeita mal; não se regozija com a injustiça, mas se regozija com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais acaba; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá; porque, em parte conhecemos, e em parte profetizamos; mas, quando vier o que é perfeito, então o que é em parte será aniquilado. Quando eu era menino, pensava como menino; mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino. Porque agora vemos como por espelho, em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei plenamente, como também sou plenamente conhecido. Agora, pois, permanecem a fé, a esperança, o amor, estes três; mas o maior destes é o amor. Segui o amor; e procurai com zelo os dons espirituais, mas principalmente o de profetizar. Porque o que fala em língua não fala aos homens, mas a Deus; pois ninguém o entende; porque em espírito fala mistérios. Mas o que profetiza fala aos homens para edificação, exortação e consolação. O que fala em língua edifica-se a si mesmo, mas o que profetiza edifica a igreja. Ora, quero que todos vós faleis em línguas, mas muito mais que profetizeis, pois quem profetiza é maior do que aquele que fala em línguas, a não ser que também interprete para que a igreja receba edificação.

Mateus 20:1-16

Fragmento 80 - 
O Senhor falou esta parábola: O Reino dos Céus é semelhante a um homem, proprietário, que saiu de madrugada a contratar trabalhadores para a sua vinha. Ajustou com os trabalhadores o salário de um denário por dia, e mandou-os para a sua vinha. Cerca da hora terceira saiu, e viu que estavam outros, ociosos, na praça, e disse-lhes: Ide também vós para a vinha, e dar-vos-ei o que for justo. E eles foram. Outra vez saiu, cerca da hora sexta e da nona, e fez o mesmo. Igualmente, cerca da hora undécima, saiu e achou outros que lá estavam, e perguntou-lhes: Por que estais aqui ociosos o dia todo? Responderam-lhe eles: Porque ninguém nos contratou. Disse- lhes ele: Ide também vós para a vinha. Ao anoitecer, disse o senhor da vinha ao seu mordomo: Chama os trabalhadores, e paga-lhes o salário, começando pelos últimos até os primeiros. Chegando, pois, os que tinham ido cerca da hora undécima, receberam um denário cada um. Vindo, então, os primeiros, pensaram que haviam de receber mais; mas do mesmo modo receberam um denário cada um. E ao recebê-lo, murmuravam contra o proprietário, dizendo: Estes últimos trabalharam somente uma hora, e os igualastes a nós, que suportamos a fadiga do dia inteiro e o forte calor. Mas ele, respondendo, disse a um deles: Amigo, não te faço injustiça; não ajustaste comigo um denário? Toma o que é teu, e vai-te; eu quero dar a este último tanto como a ti. Não me é lícito fazer o que quero do que é meu? Ou é mau o teu olho porque eu sou bom? Assim os últimos serão primeiros, e os primeiros serão últimos.
  
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ENSINO DOS SANTOS PADRES


Estes homens queriam trabalhar, porém ninguém os contratou; eram trabalhadores, mas ociosos por falta de trabalho e de Senhor. Em seguida uma voz lhes contratou, uma palavra os colocou no caminho e, em seu zelo, não combinaram  o preço de seu trabalho como fizeram os primeiros. O Senhor avaliou seu trabalho com prudência, e lhes pagou tanto como aos demais.

Nosso Senhor pronunciou esta parábola para que ninguém diga: Visto que não fui chamado quando era jovem, não posso ser recebido. Ensinou que, seja qual for o momento de sua conversão, todo homem é acolhido... Saiu ao amanhecer, ao meio da manhã, ao meio-dia, no meio da tarde, e ao final da tarde: com o que dá a entender desde o início de sua pregação, depois ao longo de sua vida até a cruz porque é à hora undécima que o ladrão entrou no paraíso. Para que ninguém reclame do ladrão, nosso Senhor afirma sua boa vontade; se lhe tivessem contratado antes, teria trabalhado: Ninguém nos contratou.

Aquilo que damos a Deus é muito pouco digno dele, e o que ele nos dá é muito superior a nós. Somos contratados para um trabalho proporcionado às nossas forças, porém nos propõe um salário muito acima do que o nosso trabalho merece... Trata-se da mesma forma aos primeiros e aos últimos; receberam um denário cada um com a imagem do Rei. Tudo isto significa o Pãoda vida que é o mesmo para todos; é único o remédio de vida para aqueles que o comem.

No trabalho da vinha não se pode reprovar ao Senhor sua bondade, e nada tem a se dizer de sua retidão. Segundo sua retidão dava como achava justo, e, segundo sua bondade, mostra a sua misericórdia como quer. É para dar-nos este ensinamento que nosso Senhor disse esta parábola, e a resumiu com estas palavras: Eu não tenho liberdade para fazer o que quiser em meus assuntos?

Santo Efrém, (séc. IV) Diatessaron 15,15-17 

O Denário é a Vida Eterna  


Acabais de escutar a parábola evangélica dos trabalhadores da vinha, que encaixa perfeitamente com a presente estação. Pois agora nos encontramos na época da vindima material. E digo “material”, porque existe uma vindima “espiritual”, na qual Deus se alegra com os frutos de sua vinha. O Reino dos Céus se assemelha a um proprietário que saiu para contratar trabalhadores para a sua vinha.

o que significa esse gesto de pagar a diária começando pelos últimos? Não lemos em outra passagem do Evangelho que todos receberão simultaneamente a recompensa? De fato, lemos em outro texto do Evangelho que o rei dirá àqueles que estiverem a sua direita: Vinde, benditos de meu Pai; herdai o reino que está preparado para vós desde a criação do mundo. Portanto, se todos receberão o denário ao mesmo tempo, como entender o que aqui se diz sobre que primeiro receberão a diária os contratados ao entardecer, e, por último, os do amanhecer? Se consigo explicar-me de modo que consigais entendê-lo, louvado seja Deus. Pois a ele deveis agradecer pelo que vos concede pela minha mão: porque o que vos dou não o dou de minha colheita.

Se perguntas, por exemplo, quem dos dois trabalhadores recebeu o pagamento primeiro: o que o recebeu depois de uma hora de trabalho ou aquele que o recebeu depois de uma jornada laboral de doze horas, todos responderão que quem o recebeu ao final de somente uma hora, o recebeu antes daquele que o recebeu depois de doze horas. Assim, ainda que todos cobrassem ao mesmo tempo, contudo, como alguns receberam a diária ao final de uma hora e os outros depois de doze horas, diz-se que aqueles a receberam primeiro, posto que a receberam em breve espaço de tempo.

Os primeiros justos como Abel, Noé, que são os chamados na primeira hora, receberão ao mesmo tempo que nós a felicidade da ressurreição. Posteriormente, outros justos depois deles, tais como Abraão, Isaac, Jacó e seus contemporâneos, chamados ao meio da manhã, receberão ao mesmo tempo que nós a felicidade da ressurreição. Outros justos: Moisés, Aarão e aqueles que com eles foram chamados ao meio-dia, receberão ao mesmo tempo que nós a felicidade da ressurreição. Depois deles, os santos profetas, chamados como ao cair da tarde, receberão ao mesmo tempo que nós a felicidade da ressurreição. Ao final do mundo, todos os cristãos, como os chamados à hora undécima, receberão juntamente com eles a felicidade da ressurreição. Todos a receberão ao mesmo tempo, porém observai após quanto tempo os primeiros a receberão. Portanto, se os primeiros chamados recebem a felicidade depois de tanto tempo, ao passo que nós a recebemos depois de um breve intervalo, mesmo que todos a recebamos simultaneamente, parece como se nós a recebêssemos primeiro, porque nossa recompensa não se fará esperar.

No que se refere à retribuição, todos seremos iguais: os últimos como os primeiros, e os primeiros como os últimos, pois aquele denário é a vida eterna, e na vida eterna todos serão iguais. E apesar de que, conforme a diversidade de méritos, brilharão de forma diversa, no que se refere à vida eterna, ela será igual para todos. Não será mais longo para um e mais curto para outro o que em ambos os casos será sempiterno: o que não tem fim, não terá nem para ti nem para mim. Ali brilharão de forma diferente a castidade conjugal e a integridade virginal; um será o fruto das boas obras e a outra a coroa do martírio; porém, no que se refere a viver eternamente, nem este viverá mais que aquele, nem aquele mais do que este. Todos viverão uma vida sem fim, embora cada um com seu brilho e auréola peculiar. E aquele denário é a vida eterna.

Santo Agostinho (Séc. IV)

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terça-feira, 28 de julho de 2026

9ª Terça-feira de Pentecostes


28 de Julho de 2026 (CC) / 13 de Julho (CE)
Santo Príncipe Vladimir de Kiev (Luminar da Russia, Igual aos Apóstolos (1015 dC)
Tom 7


No final do século IX, o povo russo começava a viver sob a influência do Cristianismo, depois da conversão da futura santa Olga de Kiev.
Neto de Santa Olga, Vladimir era o filho mais novo de Sviatoslav de Kiev, com sua empregada Malusha. Malusha, era uma profetisa que viveu até os 100 anos de idade e fora trazida de sua caverna ao palácio para prever o futuro.

O irmão de Malusha, Dobrynya, era tutor de Vladimir e seu conselheiro mais fiel. Uma tradição hagiográfica, liga sua infância ao nome de sua avó, Olga Prekrasa, que era cristã e governava a capital durante as frequentes campanhas militares de Sviatoslav, seu filho.

Com a morte do pai, o Príncipe Vladimir, hábil e audacioso, começou a governar as terras que herdara. Guerreou contra o irmão que estava em Kiev e o venceu. Subiu ao trono de Kiev em 980. No início, idólatra e animado por um zeloso ardor pelos deuses vikings, chegou a dedicar um templo ao deus do trovão e do relâmpago, Perun, onde sacrifícios humanos eram realizados.

O Príncipe levava uma vida devassa. Ao retornar de uma campanha vitoriosa contra os Jatvagues (983), ele decidiu dar graças aos deuses, por meio de um sacrifício. As vítimas escolhidas foram um mercador varegue, chamado Teodoro, e seu filho João, que eram cristãos e parentes de sua avó Olga. As circunstâncias dessas mortes e a firmeza no testemunho da fé de ambos impressionaram Vladimir.

A maneira como eles se entregaram à morte, surpreendeu o príncipe Vladimir, tocando-lhe, fortemente, a consciência. Após haver consultado seus conselheiros, ele enviou embaixadores a diversos países, para obter informações de como os povos viviam a religião. Quando os emissários, enviados à Constantinopla, capital do Império Romano do Oriente (dito Bizantino), assistiram às diversas cerimônias que eram realizadas na Igreja de Santa Sofia, ficaram impressionados:  
"Nós não conseguíamos entender se estávamos no Céu ou na Terra. Pois, não existe, aqui na Terra, um espetáculo como aquele, nem tamanha beleza. Nós não somos capazes de definir tal magnificência. Sabemos, apenas, que é lá que Deus vive com os homens e que sua cultura ultrapassa a de todos os outros países. Jamais esqueceremos o que vimos em beleza e compreendemos que, doravante, será impossível, para nós, viver na Rússia de forma diferente!"

Convencido de que a glória manifestada através das celebrações e das liturgias era o resplendor da Verdade, o Príncipe Vladimir decidiu tornar-se cristão. Aceitou a Fé Cristã e mudou completamente sua atitude. A mudança ocorreu de forma rápida, mas gradual. Primeiro, ordenou aos sábios da corte que viajassem a diversos países para verificarem qual era a religião verdadeira. Em seguida, chamou religiosos dos diversos países muçulmanos, judeus, budistas e cristãos. O próprio Vladimir questionou todos eles, ouvindo, atento, suas pregações. O que mais o impressionou foi o grego que pregou o Evangelho de Cristo. Os sábios voltaram tocados pela graça, com toda a manifestação de fé em Cristo que viram em Constantinopla, no templo de Santa Sofia. Então eles disseram a Vladimir:  
"Se a religião de Cristo não fosse a verdadeira, então sua avó Olga, que era sábia, não a teria aceitado". 
Vladimir começou a estudar o Evangelho e foi batizado em 989. Logo em seguida, recebeu o sacramento do matrimonio com a Princesa Ana, filha de Basílio de Constantinopla. Desde então, chegavam cada vez mais sacerdotes missionários que percorriam seus domínios catequizando o povo e ministrando o batismo. O Cristianismo consolidou-se ainda mais quando Vladimir casou-se com a piedosa neta do Imperador da Germânia, após o falecimento da princesa Ana.

Modificando completamente seu caráter, e adotando a doçura e singeleza das atitudes evangélicas, Vladimir suprimiu a pena de morte e passou a levar uma vida agradável a Deus, que fez com que seu povo passasse a defini-lo como o "Sol resplandecente". Ele substituiu os templos pagãos por Igrejas e mandou erigir um esplêndido santuário dedicado à Dormição da Mãe de Deus, exatamente no local onde foram martirizados São Teodoro e o filho, João.

Vladimir morreu em Berestovo, perto de Kiev, em 1015. Seu corpo foi desmembrado em várias partes que foram distribuídas entre numerosas fundações sagradas onde são venerados como relíquias. Uma das maiores catedrais de Kievan é dedicada a ele
Tropária e Kondákia Para Às Terças-feiras 
Comemoração São João Batista
Tropárion, Tom 2: A memória dos justos é de louvor, / e o testemunho do Senhor te basta, ó Precursor: / pois foste considerado verdadeiramente mais honrado do que os profetas, / visto que foste julgado digno de batizar nas águas aquele que foi anunciado. / Portanto, tendo sofrido pela verdade e se alegrado, / anunciaste aos que estavam no Hades as boas-novas de Deus manifestado em carne, / que tira o pecado do mundo, // e nos concede grande misericórdia.
Kondákion, Tom 2: Profeta de Deus e Precursor da graça, / tendo encontrado tua cabeça da terra como um espinho santíssimo, / sempre recebemos cura, // pois novamente, como antes, pregas o arrependimento no mundo.  

Oração Antes de Ler as Escrituras
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!


COMEMORAÇÃO DO GRANDE PRINCÍPE VLADIMIR DE KIEV
Igual Aos Apóstolos


MATINAS

João 10:1-9

Fragmento 35B: Disse o Senhor aos judeus que vieram ter com Ele: Em verdade, em verdade vos digo: Quem não entra pela porta no aprisco das ovelhas, mas sobe por outra parte, esse é ladrão e salteador. Mas o que entra pela porta é o pastor das ovelhas. A este o porteiro abre; e as ovelhas ouvem a sua voz; e ele chama pelo nome as suas ovelhas, e as conduz para fora. Depois de conduzir para fora todas as que lhe pertencem, vai adiante delas, e as ovelhas o seguem, porque conhecem a sua voz; mas de modo algum seguirão o estranho, antes fugirão dele, porque não conhecem a voz dos estranhos. Jesus propôs-lhes esta parábola, mas eles não entenderam o que era que lhes dizia. Tornou, pois, Jesus a dizer-lhes: Em verdade, em verdade vos digo: Eu Sou a porta das ovelhas. Todos quantos vieram antes de Mim são ladrões e salteadores; mas as ovelhas não os ouviram. Eu Sou a porta; se alguém entrar por Mim, salvar-se-á, e entrará, e sairá, e achará pastagens.

LITURGIA

Tropárion de São Vladimir, Tom 4
Tu foste como um comerciante que busca uma bela pérola, / Ó glorioso soberano Vladimir, / sentado no alto do trono de Kiev, protegida por Deus, e mãe das cidades, Kiev. / Procurando e enviando à cidade imperial para conhecer a Fé Ortodoxa, / tu encontraste Cristo, a Pérola inestimável, / Que te escolheu como um segundo Paulo, / e Quem sacudiu tua cegueira espiritual e física na fonte sagrada. / Portanto, nós que somos teu povo celebramos teu adormecimento. / Ore para que sua terra russa seja salva, / e que o povo Ortodoxo // receba paz e grande misericórdia.

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo,

Tom 8: Como o grande Apóstolo Paulo, ó gloriosíssimo Vladimir, / na velhice abandonaste o zelo pelos ídolos, como um a sofisma infantil, / e como adulto foste adornado com a púrpura real do Divino Batismo. / E agora, enquanto estás em alegria na presença de Cristo, o Salvador, / reza para que tua terra russa seja salva, // e que o povo Ortodoxo receba paz e grande misericórdia.

Agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!

Hino à Virgem: Ó Admirável Protetora dos Cristãos e nossa Medianeira ante o Criador / não desprezes as súplicas de nenhum de nós pecadores; / mas, apressa-te a auxiliar-nos como Mãe bondosa que és, / pois, te invocamos com fé. / Roga por nós junto de Deus, // tu que defendes sempre àqueles que te veneram.

Prokímenon, no 3º Tom

R. Cantai louvores ao nosso Deus, cantai louvores! 
Cantai louvores ao nosso Rei. (Sl. 46:6) 

V. Aplaudi com as mãos, todos os povos; cantai a Deus com voz de triunfo (Sl. 46:1)

Gálatas 1:11-19

Fragmento 200 - Irmãos, faço-vos saber, que o Evangelho que por mim foi anunciado não é segundo os homens. Porque não o recebi, nem aprendi de homem algum, mas pela revelação de Jesus Cristo. Porque já ouvistes qual foi antigamente a minha conduta no judaísmo, como sobremaneira perseguia a igreja de Deus e a assolava. E na minha nação excedia em judaísmo a muitos da minha idade, sendo extremamente zeloso das tradições de meus pais. Mas, quando aprouve a Deus, que desde o ventre de minha mãe me separou, e me chamou pela Sua graça, revelar Seu Filho em mim, para que O proclamasse entre os gentios, não consultei a carne nem o sangue, nem tornei a Jerusalém, a ter com os que já antes de mim eram apóstolos, mas parti para a Arábia, e voltei outra vez a Damasco. Depois, passados três anos, fui a Jerusalém para ver a Pedro, e fiquei com ele quinze dias. E não vi a nenhum outro dos apóstolos, senão a Tiago, irmão do Senhor.

Aleluia, no 6º Tom

Aleluia, aleluia, aleluia! (3x)

Eu escolhi e exaltei um do Meu Povo (Sl. 88:20b)

A Minha mão o sustentará (Sl 88:22)

João 10:9-16

Fragmento 36 - Disse o Senhor aos judeus que vieram ter com Ele: Eu Sou a porta; se alguém entrar por Mim, salvar-se-á, e entrará, e sairá, e achará pastagens. O ladrão não vem senão a roubar, a matar, e a destruir; Eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância. Eu Sou o bom Pastor; o bom Pastor dá a Sua vida pelas ovelhas. Mas o mercenário, e o que não é pastor, de quem não são as ovelhas, vê vir o lobo, e deixa as ovelhas, e foge; e o lobo as arrebata e dispersa as ovelhas. Ora, o mercenário foge, porque é mercenário, e não tem cuidado das ovelhas. Eu Sou o Bom Pastor, e conheço as Minhas ovelhas, e das Minhas Sou conhecido. Assim como o Pai Me conhece a Mim, também Eu conheço o Pai, e dou a Minha vida pelas ovelhas. Ainda tenho outras ovelhas que não são deste aprisco; também Me convém agregar estas, e elas ouvirão a Minha voz, e haverá um rebanho e um Pastor.

Canto da Comunhão
A memória do justo será eterna;
ele não temerá más notícias.
Aleluia, aleluia, aleluia!

† † † 


1 Coríntios 12:12-26

Fragmento 152 - Irmãos, assim como o corpo é um, e tem muitos membros, e todos os membros do corpo, embora muitos, formam um só corpo, assim também é Cristo. Pois em um só Espírito fomos todos nós batizados em um só Corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos quer livres; e a todos nós foi dado beber de um só Espírito. Porque também o corpo não é um membro, mas muitos. Se o pé disser: Porque não sou mão, não sou do corpo; nem por isso deixará de ser do corpo. E se a orelha disser: Porque não sou olho, não sou do corpo; nem por isso deixará de ser do corpo. Se o corpo todo fosse olho, onde estaria o ouvido? Se todo fosse ouvido, onde estaria o olfato? Mas agora Deus colocou os membros no Corpo, cada um deles como quis. E, se todos fossem um só membro, onde estaria o corpo? Agora, porém, há muitos membros, mas um só Corpo. E o olho não pode dizer à mão: Não tenho necessidade de ti; nem ainda a cabeça aos pés: Não tenho necessidade de vós. Antes, os membros do corpo que parecem ser mais fracos são necessários; e os membros do corpo que reputamos serem menos honrados, a esses revestimos com muito mais honra; e os que em nós não são decorosos têm muito mais decoro, ao passo que os decorosos não têm necessidade disso. Mas Deus assim formou o corpo, dando muito mais honra ao que tinha falta dela, para que não haja divisão no corpo, mas que os membros tenham igual cuidado uns dos outros. De maneira que, se um membro padece, todos os membros padecem com ele; e, se um membro é honrado, todos os membros se regozijam com ele.

Mateus 18:18-22; 19:1-2, 13-15

Fragmento 76 - O Senhor disse a Seus discípulos: Em verdade vos digo: Tudo quanto ligardes na terra será ligado no céu; e tudo quanto desligardes na terra será desligado no céu. Ainda vos digo mais: Se dois de vós na terra concordarem acerca de qualquer coisa que pedirem, isso lhes será feito por meu Pai, que está nos céus. Pois onde se acham dois ou três reunidos em Meu Nome, aí estou eu no meio deles. Então Pedro, aproximando-se d’Ele, Lhe perguntou: Senhor, até quantas vezes pecará meu irmão contra mim, e eu hei de perdoar? Até sete? Respondeu-lhe Jesus: Não te digo que até sete; mas até setenta vezes sete. Tendo Jesus concluído estas palavras, partiu da Galileia, e foi para os confins da Judéia, além do Jordão; e seguiram-No grandes multidões, e curou-os ali. Então Lhe trouxeram algumas crianças para que lhes impusesse as mãos, e orasse; mas os discípulos os repreenderam. Jesus, porém, disse: Deixai as crianças e não as impeçais de virem a Mim, porque das tais é o Reino dos Céus. E, depois de lhes impor as mãos, partiu dali.

† † †

HOMILIA

A busca por posição de destaque, a competição e em decorrência disto as ofensas mútuas, são características dos seres humanos guiados pela carne. A Unidade e harmonia existentes na Santíssima Trindade é o modelo e a meta que todos devemos ter e buscar alcançar. Qualquer que se diz cristão e não anda segundo este propósito é cego, e não tem a vida eterna permanente em si. Nenhuma retidão moral ou ética curam as paixões da alma ou as podem compensar. Só o esforço - mediante a Graça- em busca de assemelhar-se a Deus (que faz nascer o sol sobre justos e injustos) podem nos fazer triunfar sobre as paixões, vencer obstáculos e gerar a verdadeira fraternidade. As orações mais eficazes são as comunitárias, que nascem da harmonia e do amor entre os irmãos.

As crianças se magoam e se ofendem, mas depois esquecem e voltam a brincar. Não permitamos que a nossa alma que, como criança deseja o Pai, sejam impedidas de ir a Cristo pelas coisas de adulto.

“Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo, e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem; para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus; porque faz que o seu sol se levante sobre maus e bons, e a chuva desça sobre justos e injustos. Pois, se amardes os que vos amam, que galardão tereis? Não fazem os publicanos também o mesmo? E, se saudardes unicamente os vossos irmãos, que fazeis de mais? Não fazem os publicanos também assim? Sede vós pois perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos céus”. Mateus 5:43-48

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segunda-feira, 27 de julho de 2026

9ª Segunda-feira Depois de Pentecostes

27 de Julho de 2026 (CC) / 14 de Julho (CE)
Santos Áquila [Apóstolo dos 70] e Priscila (Séc. I)
Tom 7

Santo Áquila, natural de Ponto, na Ásia Menor, era judeu e produzia tendas para o comércio. No ano 52, ele e sua esposa Priscila estavam em Corinto onde se encontrava o Apóstolo São Paulo. Eles ofereceram hospitalidade ao Apóstolo que, aceitando, permaneceu com eles durante muitos dias, dispondo-se, inclusive a ajudá-los no trabalho (At 18, 2-3). E, aderindo à fé cristã através de São Paulo, eles o seguiram, desde aquele momento, trabalhando junto com ele e enfrentando todos os perigos e riscos por pregarem o Evangelho de Cristo, como o próprio São Paulo declara em sua Epístola aos Romanos, quando afirma:

«Saudai Priscila e Áquila, meus cooperadores em Cristo Jesus; pela minha vida eles expuseram as suas cabeças. E isso lhes agradeço, não só eu, mas também todas as igrejas dos gentios» (Rm 16,3-4).
 
Tropárion, Tom 3: Ó Santo Áquila Apóstolo dos Setenta; / Roga ao Deus Misericordioso; // Conceder às nossas almas o perdão dos pecados. 
Kondákion, Tom 4: A Igreja sempre te viu como uma estrela resplandecente, / Ó apóstolo Áquila, / Teus milagres manifestaram grande iluminação. / Por isso clamamos a Cristo: / "Salva aqueles que, com fé honram Teu apóstolo, // Ó Misericordiosíssimo."
Tropária e Kondákia Para As Hostes Celestiais dos Incorpóreos. 
Comemorados Às Segundas-feiras 
Tropárion, Tom 4: Arcanjos das Hostes Celestiais, nós, os indignos, incessantemente vos suplicamos que nos protejais com vossas preces sob a proteção das asas de vossa glória imaterial, preservando-nos, nós que nos prostramos fervorosamente e clamamos: “ Livrai -nos das aflições, como os comandantes dos Poderes Supremos!”
Kondákion, Tom 2: Arcanjos de Deus, servos da Glória Divina, líderes dos Anjos e guias dos homens, intercedam por nós com grande misericórdia, como Arcanjos incorpóreos.

Oração Antes de Ler as Escrituras
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém! 

1 Coríntios 11:31-12:1-6

Fragmento 150 - Irmãos, se julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados. Mas, quando somos julgados, somos repreendidos pelo Senhor, para não sermos condenados com o mundo. Portanto, meus irmãos, quando vos ajuntais para comer, esperai uns pelos outros. Mas, se algum tiver fome, coma em casa, para que não vos ajunteis para condenação. Quanto às demais coisas, ordená-las-ei quando for. Acerca dos dons espirituais, não quero, irmãos, que sejais ignorantes. Vós bem sabeis que éreis gentios, levados aos ídolos mudos, conforme éreis guiados. Portanto, vos quero fazer compreender que ninguém que fala pelo Espírito de Deus diz: Jesus é anátema, e ninguém pode dizer que Jesus É o Senhor, senão pelo Espírito Santo. Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo. E há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. E há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos. 

Mateus 18:1-11

Fragmento 74 - Naquela mesma hora chegaram os discípulos ao pé de Jesus, dizendo: Quem é o maior no Reino dos Céus? E Jesus, chamando um menino, o pôs no meio deles, e disse: Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos fizerdes como meninos, de modo algum entrareis no Reino dos Céus. Portanto, aquele que se tornar humilde como este menino, esse é o maior no Reino dos Céus. E qualquer que receber em Meu Nome um menino, tal como este, a mim me recebe. Mas, qualquer que escandalizar um destes pequeninos, que creem em Mim, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma mó de azenha, e se submergisse na profundeza do mar. Ai do mundo, por causa dos escândalos; porque é necessário que venham escândalos, mas ai daquele homem por quem o escândalo vem! Portanto, se a tua mão ou o teu pé te escandalizar, corta-o, e atira-o para longe de ti; melhor te é entrar na vida coxo, ou aleijado, do que, tendo duas mãos ou dois pés, serdes lançado no fogo eterno. E, se o teu olho te escandalizar, arranca-o, e atira-o para longe de ti; melhor te é entrar na vida com um só olho, do que, tendo dois olhos, serdes lançado no fogo do inferno. Vede, não desprezeis algum destes pequeninos, porque Eu vos digo que os seus anjos nos céus sempre veem a face de Meu Pai que está nos céus. Porque o Filho do Homem veio salvar o que se tinha perdido.

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domingo, 26 de julho de 2026

8º Domingo Depois de Pentecostes

26 de Julho de 2026 (CC) / 13 de Julho (CE)
Sinaxe do Arcanjo Gabriel;
Santos Padres dos Seis Primeiros Concílios Ecumênicos
Santo Estêvão, do Mosteiro de São Savas (724), 
Juliano, Bispo de Cenomanis (Le Mans), na Gália. (Séc. I)
Tom 7



A Sobor do Arcanjo Gabriel é comemorada no dia seguinte à Anunciação (Blagoveschenie), ie. 26 de março. Esta festa é comemorada pela segunda vez em 13 de julho. A razão de sua criação se deu, provavelmente, por causa da dedicação no século XVII, de uma igreja em Constantinopla, construída em nome do Santo Arquistrategos (Chefe das Hostes Celestiais).
 
O Arcanjo Gabriel foi escolhido pelo Senhor para anunciar à Virgem Maria a Encarnação do Filho de Deus, a partir Dela, para grande regozijo de toda a humanidade. Portanto, no dia após a Festa da Anunciação (dia em que a Toda Pura Virgem é glorificada), damos graças ao Senhor e podemos venerar Seu mensageiro Gabriel, um dos que contribuíram para o mistério da nossa salvação.
Gabriel, o Santo Archistrategos, é um fiel servo do Deus todo-Poderoso. Ele anunciou a futura Encarnação do Filho de Deus para os do Antigo Testamento; inspirou o Profeta Moisés a escrever o Pentateuco (cinco primeiros livros do Antigo Testamento); ele anunciou as vindouras tribulações do Povo Escolhido ao Profeta Daniel (Dan. 8:16, 9:21-24); ele apareceu a Santa Anna (25 de julho) trazendo a notícia de que ela daria à luz a Virgem Maria.

O Santo Arcanjo Gabriel ficou com a Santíssima Virgem Maria, quando Ela era uma criança, no Templo de Jerusalém, e zelava por ela durante toda a Sua vida terrena. Ele apareceu ao Sacerdote Zacarias, para predizer o nascimento do Precursor de jesus, João Batista.

O Senhor o enviou a são José, o Noivo, em um sonho, para lhe revelar o mistério da Encarnação do Filho de Deus, desde a Toda-Pura Virgem Maria, e também lhe revelou as ímpias intenções de Herodes, ordenando José a fugir para o Egito com o Divino Bebê e Sua Mãe.

Quando o Senhor orava no Jardim do Getsêmani, antes de Sua Paixão, o Arcanjo Gabriel, cujo nome significa "Homem de Deus" (Lc. 22:43), foi enviado do Céu para fortalecê-lo.

As Mulheres Mirróforas ouviram do Arcanjo a alegre notícia da Ressurreição de Cristo (Mt.28:1-7, Marcos 16:1-8).

Consciente das múltiplas aparições do Santo Arcanjo Gabriel e de seu zelo por fazer a vontade de Deus, e confessando a sua intercessão perante o Senhor em favor dos Cristãos, a Igreja Ortodoxa, exorta seus filhos a orar ao grande Arcanjo com a fé e o amor.

A Sinaxe do Santo Arcanjo Gabriel também é comemorada em 13 de julho. Todos os anjos são comemorado no dia 8 de novembro. 
Tropárion Tom 4: Gabriel, o comandante das hostes celestiais, / nós, que somos indignos, rogamos-te / que por tuas orações, acolha sob as asas de tua glória imaterial, / e fielmente ampare a nós que prostrados, clamamos: / "Livra-nos de todos os males, posto que tu és o comandante das Hostes Celestes."

Kondákion Tom 8: Comandante supremo Gabriel, / tu és servo e glorioso intercessor / ante a Digníssima, Onipotente, Mais que Resplandecente, Infinita e Temível Trindade. / Ora incessantemente para que possamos ser libertos de todas as tribulações e angústias, / de modo que possamos exclamar: / "Rejubila-te, ò Protetor de teus servos!" 
Leituras Bíblicas
Hebreus 2:2-10
Lucas 10:16-21
Fonte: Igreja Ortodoxa na América
Santos Padres dos Seis Primeiros Concílios Ecumênicos
Na nona seção do Credo de fé de Nicéia-Constantinopla, elaborado pelos santos padres do Primeiro e Segundo Concílios Ecumênicos, confessamos nossa fé em "Uma, Santa, Católica-Conciliar (" Sobornyi)) e na Igreja Apostólica". Em virtude da natureza católica-conciliar ("Sobornyi") da Igreja, um  Concílio de Todas as igrejas ou Ecumênico é a via mais eficaz da Igreja, e que possui a plenitude, para resolver as principais questões da vida religiosa. Um Concílio Ecumênico é composto por arquipastores e pastores da Igreja, e representantes de todas as Igrejas Locais, de todas as terras do "oikumene" (isto é, de todo o mundo habitado, a base ecumênica / ecumênica da "Universalidade" (" Vselennost '") da Igreja, está implícita na palavra grega "kath'olon", de onde vem a palavra "católico", que abrange a evangelização de todo o mundo). 
A Igreja Ortodoxa reconhece sete Santos Concílios Ecumênicos: O Primeiro Concílio Ecumênico (Nicéia - 29 de maio, e também comemorado de maneira móvel, no 7º domingo após a Páscoa), foi convocado no ano 325 contra a heresia de Ário, na cidade de Nicéia na Bitínia, sob o santo Igual aos Apóstolos Constantino, o Grande.

O Segundo Concílio Ecumênico (Constantinopla I) (Com. 22 de maio) foi convocado no ano 381 contra a heresia das Macedônias, pelo Imperador Teodósio, o Grande.

O Terceiro Concílio Ecumênico (Éfeso) (Com. 9 de setembro) - foi convocado no ano 431 contra a heresia de Nestório, na cidade de Éfeso pelo Imperador Teodósio, o Jovem.

O Quarto Concílio Ecumênico (Calcedônia) (Com. 16 de julho) - foi convocado no ano 451, contra a heresia monofisita, na cidade de Chalcedon, sob o Imperador Marciano.

O Quinto Concílio Ecumênico (Constantinopla II) (Com. 25 de julho) - "Concernente aos Três Capítulos", foi convocado no ano de 553, sob o imperador Justiniano, o Grande.

O sexto Concílio Ecumênico (Constantinopla III) (Com. 23 de janeiro) - durante os anos 680-681, foi contra a heresia monotelita, sob o Imperador Constantino Pogonatos.

O Sétimo Concílio Ecumênico (Nicéia II) (Comm. Como festa móvel no domingo mais próximo de 11 de outubro) - foi convocado como o Primeiro Concílio, em Nicéia, mas no ano 787 contra a heresia iconoclasta, sob o imperador Constantino e sua mãe Irene . (As contas sobre os conselhos também estão localizadas nos dias da comemoração).

O significado de uma veneração especial da Igreja pelos Santos Padres dos Concílios Ecumênicos consiste nisso: os Concílios Ecumênicos, e somente eles, são eles mesmos totalmente expressivos da fé, vontade e mente da Igreja Católica Ecumênica - de uma Igreja Ortodoxa. Plenitude, em virtude das promessas imutáveis ​​de nosso Senhor Jesus Cristo, e pela graça do Espírito Santo, e pela Apostolicidade inerente à hierarquia - elas possuem os meios para produzir definições infalíveis e "de benefício para todos". as áreas da fé cristã e da piedade da Igreja.

As definições dogmáticas conciliares - "orosoi", em grego, são empregadas na Igreja Ortodoxa como possuindo uma autoridade inalienável e constante, e essas definições sempre começam com a fórmula apostólica: "Ele agradou o Espírito Santo e a nós" (Atos 15: 28 )

Os Concílios Ecumênicos eram convocados na Igreja todas as vezes em relação a uma necessidade especial, em conexão com o surgimento de opiniões e heresias divergentes, a fim de buscar o ensino de fé e tradição da Igreja Ortodoxa. Mas, assim, o Espírito Santo considerou oportuno que os dogmas - as verdades da fé, imutáveis ​​em seu conteúdo e escopo, são constantemente e consequentemente revelados pela mentalidade conciliar da Igreja, e recebem precisão pelos santos padres dentro da teologia. conceitos e termos exatamente nessa medida, conforme necessário pela própria Igreja para sua economia de salvação. A Igreja, ao expor seus dogmas, está lidando com as preocupações de um dado momento histórico, "não revelando tudo às pressas e sem pensar, nem mesmo escondendo alguma coisa" (São Gregório, o Teólogo).

Um breve resumo da teologia dogmática dos Primeiros Seis Concílios Ecumênicos é formulado e contido na Primeira regra canônica do Concílio de Trullo (também conhecida como Quinisext), realizada no ano de 692. Os 318 Santos Padres do Primeiro Concílio Ecumênico são mencionados neste Cânon I de Trullo como tendo: "com a obstinação da fé revelada e declarada para nós a unicidade da essência nas três Pessoas Hipstaseis da natureza original de Deus e ... instruindo para ser adorado - com uma única adoração - o Pai, o Filho e o Espírito Santo, eles rejeitaram e dissiparam o falso ensino sobre graus desiguais da Divindade ". Os 150 Santos Padres do Segundo Concílio Ecumênico deixaram sua marca na teologia da Igreja em relação ao Espírito Santo ", repudiando os ensinamentos das Macedônias, que queriam separar a Unidade Invisível, de modo que não houvesse perfeitamente o mistério da nossa esperança". Os 200 Padres portadores de Deus do Terceiro Concílio Ecumênico expuseram os ensinamentos sobre "o Cristo Único, o Filho de Deus Encarnado" e confessaram que "verdadeiramente o criador de Deus [Theotokos, Bogoroditsa, isto é, Mãe de Deus] sem semente foi dado. nascimento a Ele, sendo a Imaculada e a Virgem Eterna ". O ponto de fé dos 630 Padres escolhidos por Deus do Quarto Concílio Ecumênico promulgou "Um Cristo, o Filho de Deus ... glorificado em duas naturezas". Os 165 Santos Padres portadores de Deus do Quinto Concílio Ecumênico "coletivamente deram anátema e repudiou Theodore de Mopsuetia, o professor de Nestório, Orígenes, Didymas e Euagrios, renovadores do ensino helênico sobre a transmigração de almas e a transmutação de corpos e impiedades levantadas contra a ressurreição dos mortos ". A confissão de fé dos 170 Santos Padres do Sexto Concílio Ecumênico "explicou que devemos confessar duas volições naturais, ou duas vontades [nota: uma divina e a outra humana] e duas operações naturais (energias ) naquele que foi encarnado por nossa salvação, nosso único Senhor Jesus Cristo, verdadeiro Deus ".Em momentos decisivos da história da Igreja, os santos Concílios Ecumênicos promulgaram suas definições dogmáticas, como delimitações confiáveis ​​na militância espiritual pela pureza da Ortodoxia, que durará até esse momento, pois "todos entrarão na unidade da fé no conhecimento de o Filho de Deus "(Ef. 4:13). Na luta com novas heresias, a Igreja não abandona seus antigos conceitos dogmáticos nem os substitui por algum tipo de nova formulação. As fórmulas dogmáticas dos Santos Concílios Ecumênicos nunca precisam ser substituídas, elas permanecem sempre contemporâneas à Tradição viva da Igreja. Portanto, a Igreja proclama:

"A fé de todos na Igreja de Deus foi glorificada pelos homens, que eram luminares no mundo, apegando-se à Palavra da Vida, para que ela seja observada com firmeza e que ela permaneça inabalável até o fim dos tempos, em conjunto. com seus escritos e dogmas concedidos por Deus. Rejeitamos e anatematizamos todos, a quem eles rejeitaram e anatomizaram, como inimigos da Verdade. E se alguém não se apega nem admite os dogmas piedosos mencionados, e não pensa nem prega , que seja um anátema "(do Canon I do Concílio de Trullo, atribuído ao Sexto Concílio Ecumênico).

Além da atividade dogmática, os Santos Padres dos Concílios Ecumênicos exerceram grandes esforços para o fortalecimento da disciplina eclesiástica. Os conselhos locais promulgaram suas regras disciplinares de cânone, como é óbvio, de acordo com as circunstâncias da época e do local, diferindo frequentemente entre si em vários detalhes. A unidade universal da Igreja Ortodoxa exigia unidade também na prática canônica, ou seja, uma deliberação conciliar e afirmação das normas canônicas mais importantes pelos pais dos Concílios Ecumênicos. Assim, de acordo com o julgamento conciliar, foram aceitos pela Igreja: 20 cânones do primeiro, 7 cânones do segundo, 8 cânones do terceiro e 30 cânones do quarto conselho ecumênico. O Quinto e o Sexto Concílio Ecumênico se preocuparam com a resolução de questões exclusivamente dogmáticas e não deixaram para trás nenhum cânone disciplinar. A necessidade de estabelecer de forma codificada na Igreja as práticas costumeiras ao longo dos anos 451-680 e, finalmente, afirmar o agregado de um códice canônico para a Igreja Ortodoxa, ocasionou a convocação de um Conselho especial, cuja atividade era inteiramente dedicado à aplicação geral das regras da igreja. Isso foi convocado no ano de 692. O Conselho "no Palácio Imperial" ou "Sob os Arcos" (em grego "en trullo") passou a ser chamado Conselho de Trullo. Eles também o chamaram de "Qunisext" [que significa "quinto e sexto"], considerando que concluiu em assuntos canônicos as atividades dos Quinto e Sexto Concílios, ou melhor, mais ainda - que era simplesmente do próprio Sexto Conselho, ou seja, uma continuação direta do Sexto Concílio Ecumênico, separado por apenas alguns anos.

O Conselho Trullo, com suas 102 regras canônicas (mais do que todos os Concílios Ecumênicos combinados), teve um tremendo significado na história da teologia canônica da Igreja Ortodoxa. Pode-se dizer que pelos pais deste Concílio houve uma compilação completa do códice básico a partir das fontes relevantes dos cânones da Igreja Ortodoxa. Listando em ordem cronológica, e tendo sido aceitos pela Igreja - os Cânones dos Santos Apóstolos, os Cânones dos Santos Concílios Ecumênicos e Locais, e os Padres Santos, o Conselho Trullo declarou: "Não se permita que ninguém altere ou anular os cânones mencionados acima, nem substituí-los, ou aceitar outros, feitos de inscrição espúria "(2º Conselho Canon de Trullo, atribuído ao Sexto Conselho Ecumênico).

Os cânones da igreja, santificados pela autoridade dos Seis Concílios Ecumênicos (incluindo as regras do Sétimo Concílio Ecumênico em 787, e também os Conselhos de Constantinopla de 861 e 879, que foram acrescentados posteriormente pelo santo Patriarca Photios), formam a base do os livros de "The Rudder" ou "Kormchaya Kniga" (um códice de direito canônico conhecido como "Syntagma" ou "Nomokanon" de 14 títulos). Em seu repositório de graça, é expressa uma norma canônica, uma conexão a cada período de tempo para orientação na prática da igreja para todas as Igrejas Ortodoxas Locais. 
Novas condições históricas podem levar à mudança deste ou daquele aspecto externo particular da vida da Igreja, o que causa a necessidade de atividade canônica criativa no raciocínio conciliar da Igreja, no que diz respeito à inclusão de normas externas da vida da igreja em conformidade com as circunstâncias históricas. Os detalhes da regulamentação canônica não são de nenhuma maneira concretizados nas várias épocas da organização da igreja. Mas, em meio a todos os esforços para abandonar a letra literal de um cânon ou cumpri-la e desenvolvê-la, a Igreja se volta repetidamente para raciocinar e orientar o legado eterno dos Santos Concílios Ecumênicos - para o tesouro empobrável das verdades dogmáticas e canônicas.   
Santo Estêvão, Comemorado em 13 de julho e 28 de outubro 
O Monge Estêvão Sabates,  sobrinho de São João de Damasco (4 de Dezembro), nasceu no ano de 725. Com apenas 10 anos de idade ingressou na Lavra de São Savas e passou toda a sua vida neste mosteiro, por vezes, saía para o deserto para para praticar a ascese em solidão. Ao monge Estêvão foi concedido os dons de operar maravilhas e da perspicácia: curava os expelia os demônios dos doentes, e discernia os pensamentos daqueles que vinha até ele em busca de conselho. Estêvão morreu no ano 724, prevendo antecipadamente o dia da sua morte. A vida do monge foi compilada por seu aluno Leôncio.

Comemoração de São Juliano  
Alguns pensam que este santo não é outro senão Simão, o leproso, que foi curado pelo Senhor. 

O Apóstolo Pedro o consagrou bispo e o enviou para a Gália pagã, onde São Juliano suportou grandes misérias, mas conseguiu converter muitas pessoas à fé de Cristo. 
Juliano também batizou o Príncipe Defenson, o qual se converteu de tal modo, que tratava todos os negócios do seu reino à luz da verdadeira fé.
Tropárion
São Juliano, tu que operaste maravilhas, / Intercede junto ao Deus Misericordioso / Para que Ele nos conceda o perdão // E a salvação de nossas almas.
 




Oração Antes de Ler as Escrituras
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém! 

MATINAS (VIII)

João 20:11-18

Fragmento 64 – Naqueles dias, Maria, estava em pé, diante do sepulcro, a chorar. Enquanto chorava, abaixou-se a olhar para dentro do sepulcro, e viu dois anjos vestidos de branco sentados onde jazera o corpo de Jesus, um à cabeceira e outro aos pés. E perguntaram-lhe eles: Mulher, por que choras? Respondeu-lhes: Porque tiraram o meu Senhor, e não sei onde o puseram. Ao dizer isso, voltou-se para trás, e viu a Jesus ali em pé, mas não sabia que era Jesus. Perguntou-lhe Jesus: Mulher, por que choras? A quem procuras? Ela, julgando que fosse o jardineiro, respondeu-Lhe: Senhor, se Tu o levaste, dize-me onde o puseste, e eu o levarei. Disse-lhe Jesus: Maria! Ela, virando-se, disse-Lhe em hebraico: Raboni! - que quer dizer, Mestre. Disse-lhe Jesus: Deixa de me tocar, porque ainda não subi ao Pai; mas vai a meus irmãos e dize-lhes que Eu subo para Meu Pai e vosso Pai, Meu Deus e vosso Deus. E foi Maria Madalena anunciar aos discípulos: Vi o Senhor! E que Ele lhe dissera estas coisas.

LITURGIA

Tropárion da Ressurreição
Pela Cruz venceste a morte / e abriste o Paraíso ao ladrão arrependido. / Converteste em alegria a lamentação das mirróforas / e ordenaste a Teus Apóstolos que anunciassem a Tua Ressurreição, ó Cristo nosso Deus, // Tu Que concedes ao mundo a Tua infinita misericórdia.

Tropárion de São Mateus, no 3º Tom (Santo Patrono)
Com zelo seguiste a Cristo, o Mestre, / Que em Sua bondade apareceu aos homens na Terra, / E da alfândega te chamou para Apóstolo / e Pregador do Evangelho ao universo, /por isto honramos tua preciosa memória. / Ó divinamente eloquente, Mateus. /Roga ao Deus misericordioso // que nos conceda a remissão das transgressões e a salvação das nossas almas!

Kondákion da Ressurreição
O poder da morte não é mais suficientemente forte para manter presos os homens mortais. / Pois Cristo desceu, fazendo em pedaços e destruindo esse poder. / O inferno agora está atado, / e os Profetas, em uma só voz, rejubilam grandemente, / dizendo: “O Salvador veio, // ide todos, vós Fiéis, para Sua Ressurreição”.

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo ...

Tom 4: Deixando os laços da alfândega para adquirir o jugo da Justiça, / tu te revelaste um sábio comerciante, rico da sabedoria do Alto. / Proclamaste a Palavra da Verdade, /e pela narrativa da hora do Juízo // despertaste as almas indolentes.

Agora e sempre e pelos séculos dos séculos.

Tom 4: Ó Admirável Protetora dos Cristãos e nossa Medianeira ante o Criador / não desprezes as súplicas de nenhum de nós, pecadores. / Mas, apressa-te a auxiliar-nos como Mãe Bondosa que és, / pois, te invocamos com fé. / Roga por nós, junto de Deus; // tu que defendes sempre aqueles que te veneram.

Prokímenon

O Senhor dará força ao Seu povo; 
O Senhor abençoará o Seu povo com paz. (Sl. 27:11)

Tributai ao Senhor, ó filhos dos poderosos,
Tributai ao Senhor glória e força. (Sl. 27:1)

1 Coríntios 1:10-18

Fragmento 124 - Irmãos, rogo-vos, pelo Nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que digais todos uma mesma coisa, e que não haja entre vós dissensões; antes sejais unidos em um mesmo pensamento e em um mesmo parecer. Porque a respeito de vós, irmãos meus, me foi comunicado pelos da família de Cloé que há contendas entre vós. Quero dizer com isto, que cada um de vós diz: Eu sou de Paulo, e eu de Apolo, e eu de Cefas, e eu de Cristo. Está Cristo dividido? Foi Paulo crucificado por vós? Ou fostes vós batizados em nome de Paulo? Dou graças a Deus, porque a nenhum de vós batizei, senão a Crispo e a Gaio, para que ninguém diga que fostes batizados em meu nome. E batizei também a família de Estéfanas; além destes, não sei se batizei algum outro. Porque Cristo enviou-me, não para batizar, mas para evangelizar; não em sabedoria de palavras, para que a cruz de Cristo se não faça vã. Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus.

Aleluia

Aleluia, aleluia, aleluia!
É bom exaltar o Senhor
E cantar louvores ao Teu Nome, ó Altíssimo (Sl 91:1)

Aleluia, aleluia, aleluia!
Proclamar pela manhã o Teu amor,
E a Tua fidelidade pela noite (Sl 91:2).

Aleluia, aleluia, aleluia! 

Mateus 14:14-22

Fragmento em 58 - Naquela época, Jesus viu uma grande multidão; e, compadecendo-Se dela, curou os seus enfermos. Chegada a tarde, aproximaram-se d’Ele os discípulos, dizendo: O lugar é deserto, e a hora é já passada; despede as multidões, para que vão às aldeias, e comprem o que comer. Jesus, porém, Lhes disse: Não precisam ir embora; dai-lhes vós de comer. Então eles Lhe disseram: Não temos aqui senão cinco pães e dois peixes. E Ele disse: Trazei-os aqui para Mim. Tendo mandado as multidões que se reclinassem sobre a relva, tomou os cinco pães e os dois peixes e, erguendo os olhos ao céu, os abençoou; e partindo os pães, deu-os aos discípulos, e os discípulos às multidões. Todos comeram e se fartaram; e dos pedaços que sobejaram levantaram doze cestos cheios. Ora, os que comeram foram cerca de cinco mil homens, além de mulheres e crianças. Logo em seguida obrigou os Seus discípulos a entrar no barco, e passar adiante d’Ele para o outro lado, enquanto Ele despedia as multidões.

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HOMILIAS SOBRE A MULTIPLICAÇÃO DOS PÃES E DOS PEIXES


1ª Homilia


Por São João Crisóstomo.

Para os enfermos ele fazia milagres sempre, agora faz uma dádiva universal, a fim de que muitos não só fossem espectadores do que a outros acontecia, mas que também desfrutassem do dom por si mesmos. Aquilo que aos judeus antigos lhes parecia no deserto admirável e diziam: Poderá também dar-nos pão e preparar-nos a mesa no deserto?, isso Cristo realiza agora. E os levou ao deserto para que não recaísse suspeita alguma sobre o milagre, e ninguém pensasse que algum povo próximo tenha provido as mesas de pão. Por isto o evangelista recorda não somente o lugar, mas também a hora. Também aprendemos aqui a prudência que os discípulos demonstravam nas coisas necessárias e em que alto grau desprezavam os prazeres. Pois sendo eles doze, não tinham senão cinco pães e dois peixes. Até tal ponto desprezavam as coisas materiais e somente cuidavam das espirituais. Ainda mais: nem mesmo este pouco que tinham guardaram, mas, assim que lhes foi solicitado, o entregaram.

Aprendemos disto que, mesmo quando for pouco o que possuímos, o ofereçamos aos pobres. Pois os apóstolos, mandados apresentar os cinco pães, não exclamaram: “Mas de onde nos alimentaremos depois? Como poderemos amenizar a fome?”, mas prontamente obedecem. A parte da razão do que já aduzimos, parece que Cristo fez o milagre com estes pães, para levar os discípulos à fé, pois eles ainda eram fracos nela. Por isso olha ao céu. Já possuíam muitos exemplos de outros tipos de milagres, mas deste nenhum.

Tendo, portanto, tomado os pães, os partiu, e através dos discípulos os repartiu, conferindo-lhes este cargo de honra. Não o fez somente para honrá-los, mas para que, apalpando a realidade do milagre, não lhe negassem a fé nem se esquecessem do acontecido, do qual suas próprias mãos davam testemunho. E permitiu que primeiro a multidão sofresse a fome e esperou que os discípulos se aproximassem e lhe perguntassem. Também por meio deles fez que a multidão se recostasse na relva, e por eles distribuiu os pães, querendo assim antecipar-se e comprometer cada um por sua própria confissão e por suas obras. Por esta causa, recebeu os pães deles, a fim de que se multiplicassem os testemunhos do milagre e tivessem esses registros e recordações do prodígio. Pois se depois de tantos preparativos ainda se esqueceram, o que teriam feito se Jesus não os houvesse preparado de tantas maneiras? E ordenou que se recostassem na relva, ensinando-os desta forma a viver austeramente. Porque não desejava unicamente que os corpos se alimentassem, mas que as almas assimilassem os ensinamentos.

De maneira que pelo lugar, por não ministrar-lhes senão pães e peixes, por ter ordenado que a todos fosse dado o mesmo e em comunidade o tomassem, de forma que nenhum recebesse mais do que o outro, ensinou a humildade, a temperança e a caridade; e quis que todos amassem a todos com igual afeto e tivessem todas as coisas em comum. E tendo partido os pães, os deu aos discípulos, e os discípulos os deram ao povo. Deu-lhes os cinco pães já partidos; e estes cinco pães, como se fossem uma fonte, multiplicavam-se e brotavam das mãos dos discípulos.

Ele não terminou com este milagre; mas Jesus fez que não somente os pães superabundassem, mas também os pedaços, para perceber que estes pedaços eram daqueles pães, e os ausentes também pudessem saber o que havia acontecido. Para isto permitiu que a multidão sofresse a fome, a fim de que ninguém pensasse que tudo se reduzia a meras aparências. Permitiu que sobrassem doze cestos, para que até mesmo Judas levasse o seu. Podia simplesmente ter apagado a fome na multidão, mas os discípulos não teriam experimentado o seu poder, pois assim aconteceu no tempo de Elias. Nesta ocasião os judeus ficaram de tal forma pasmos que quiseram constituí-lo rei, coisa que em outros milagres não tinham tentado.”

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2ª Homilia


Por São Jerônimo (séc. V)

 “Nas palavras do Evangelho sempre o espírito está unido à letra, e o que à primeira vista parece frio, torna-se ardente quando o tocas. O Senhor estava em um lugar deserto, o seguiram multidões numerosas abandonando as suas cidades, ou seja, seu antigo modo de vida e suas diversas crenças. Jesus desembarca; isto significa que as multidões tinham vontade de ir até ele, mas não tinham força para chegar. Por isso o Salvador sai de seu lugar e vai até elas, como em outra parábola vai ao encontro do filho arrependido. Ao ver a multidão, tem compaixão dela e cura as suas enfermidades para que a sua fé plena obtenha em seguida a recompensa...

Jesus lhes disse: Eles não precisam ir embora. Dai-lhes vós mesmos de comer. Não necessitam buscar diversos alimentos, comprar pães desconhecidos, porque têm consigo ao pão celestial. Dai-lhes vós mesmos de comer. Convida aos apóstolos a partir o pão para que eles, testemunhando que não têm, manifeste-se melhor a grandeza do milagre.

Tomou os cinco pães e os dois peixinhos, e levantando os olhos ao céu pronunciou a bênção, partiu os pães e deu aos discípulos. “Levanta os olhos ao céu para ensinar-nos a dirigir para lá o nosso olhar. Tomou em suas mãos os cinco pães e os dois peixinhos, os partiu e os deu aos seus discípulos. Quando o Senhor parte os pães abundam os alimentos. De fato, se tivessem permanecido inteiros, se não tivessem sido cortados em pedaços nem divididos em colheita multiplicada, não teriam conseguido alimentar as pessoas, as crianças, as mulheres, a uma multidão tão grande. Por isso a Lei com os profetas é fracionada em pedaços e são anunciados os mistérios que contém, a fim de que o (que era) íntegro e em seu “para a perdição, ou seja, para os incrédulos.

Portanto, mistério é, sobretudo o que, mesmo que pregado em todas as partes, não é conhecido por aqueles que não têm uma alma reta, pois ele se revela não pela sabedoria (humana), mas pelo Espírito Santo e na medida de nossa própria capacidade. Em consequência, não estaria equivocado quem, de acordo com o exposto, chamasse ao mistério “arcano”, já que nem mesmo a nós, os crentes, nos foi concedido a plena percepção e o conhecimento exato do mistério.

Por isso dizia São Paulo: Porque o nosso saber é limitado e limitada é a nossa profecia. Agora vemos confusamente, como num espelho, então veremos face a face. Ensinamos uma sabedoria divina, misteriosa, escondida, predestinada por Deus antes dos séculos para a nossa glória.”

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3ª Homilia


Por Orígenes (Séc. III)

Considera como o Senhor no Evangelho parte poucos pães e alimenta milhares de homens, e como restam tantos cestos. Enquanto os pães estão inteiros, ninguém se sacia com eles, ninguém se alimenta, nem os próprios pães se multiplicam. Considera agora, pois, como nós partimos poucos pães: tomamos algumas poucas palavras das Escrituras divinas, e são milhares de homens que com elas se saciam.

Porém, se estes pães não tivessem sido partidos, se não tivessem sido feitos em pedaços pelos discípulos, ou seja, se a letra da Escritura não tivesse sido partida e discutida em pequenos pedaços, seu sentido não teria chegado a toda a multidão. Porém, como a tomamos em nossas mãos e discutimos cada ponto em particular, então as multidões comem dela quanto podem. O que não conseguem comer deve-se recolhê-lo e guardá-lo para que nada se perca. Assim nós, o que a multidão não pode tomar, o guardamos e o recolhemos em cestos e balaios.

Não faz muito, quando esmigalhávamos o pão no referente a Jacó e Esaú, quantos pedaços sobraram daquele pão? Todos os recolhemos com diligência para que não se perdessem, e os guardamos nos cestos e balaios até que vejamos o que o Senhor ordena que façamos com eles. Mas agora comamos os pães e tiremos água do poço, tudo o que conseguirmos.

Procuremos também fazer aquilo que nos recomenda a sabedoria quando diz: "Beba água de tuas próprias fontes e de teus poços, e seja a tua própria fonte". Tu que me ouves, procura ter o teu próprio poço e tua própria fonte, de maneira que, quando tomas o livro das Escrituras, começas a tirar alguma compreensão por ti mesmo, e de acordo com o que aprendeste na Igreja, tenta beber na fonte de tua própria criatividade.

Dentro de ti existe uma água viva natural, algumas veias de água permanente, as correntes que fluem do entendimento racional, ao menos enquanto não ficam obstruídas pela terra e os entulhos. O que tens que fazer é cavar a terra e remover a sujeira, ou seja, lançar a preguiça de tua inteligência e a sonolência de teu coração.

Ouve o que diz a Escritura: "Aperta o olho e derramará uma lágrima; aperta o coração e alcançará sabedoria". Procura, portanto, limpar também a tua inteligência, para que alguma vez possas chegar a beber de tuas próprias fontes, e possas tirar água viva de teus poços. Por que se recebeste em ti a Palavra de Deus, se tens recebido e guardado com fidelidade a água viva que Jesus te deu, se tornará em ti uma fonte de água que jorra para a vida eterna, no próprio Jesus Cristo, nosso Senhor, de quem é a glória e o poder pelos séculos dos séculos. Amém.

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