terça-feira, 30 de junho de 2026

5ª Terça-feira Depois de Pentecostes

30 de Junho de 2026 (CC) / 17 de Junho (CE)
Santos Mártires Manuel, Sabel e Ishmael, da Pérsia († 362); 
Ss. Hipácio, Abade; Aetius, o eunuco batizado por S.  Felipe, Diácono (Séc. I)).
Jejum dos Apóstolos (Azeite é permitido)
Tom 3



Manuel, Sabel e Ismael eram irmãos nascidos na Pérsia, de um pai pagão e de uma mãe cristã. Eles foram batizados e educados no espírito do cristianismo. Como cristãos, eram altos funcionários da corte do rei Alamundar. Foram enviados ao Imperador juliano, o Apóstata para realizar negociações e confirmar a paz entre os Impérios Persa e Grego-romano. O Imperador apóstata organizou uma celebração blasfema em homenagem aos ídolos,  em Calcedônia. Nesta celebração, o Imperador, com seus nobres, ofereceu sacrifícios aos ídolos. Os emissários persas se abstiveram desta celebração. O Imperador convocou-os e ordenou que eles também participem da celebração e ofereçam sacrifícios aos deuses. Eles declararam que eram cidadãos estrangeiros e que eles vieram como emissários do Rei persa por causa do estabelecimento da paz entre os dois impérios, e não por mais nada; Que eram cristãos e que consideravam indigno adorar ídolos mortos e oferecer-lhes sacrifícios. O Imperador se enfureceu e os lançou na prisão. No dia seguinte, ele os tirou e novamente começou a discutir com eles sobre a Fé, mas os santos irmãos foram inflexíveis e inabaláveis. Eles foram então amarrados nus às árvores, espancados e raspados com uma escova de ferro. Durante sua tortura, eles oraram a Deus com ação de graças por suas torturas:   

"Ó doce Jesus, esses tormentos são bons por causa do Teu amor!". 
Um anjo de Deus apareceu a eles, os consolou e removeu cada dor deles. Contrariamente a todas as regras das relações internacionais, o perverso Imperador Juliano finalmente pronunciou a sentença condenando os três irmãos à decapitação. Quando foram decapitados, houve um grande terremoto. A terra se separou e recebeu os corpos dos santos mártires, para que os pagãos não pudessem queimar seus corpos, conforme indicado pelo Imperador. A Terra devolveu mais tarde os corpos desses mártires para que os cristãos pudessem encontrá-los e honrá-los. Sobre suas relíquias, ocorreram muitos milagres e muitos pagãos se converteram à fé cristã. Quando o Rei persa ouviu como Juliano violentara seus emissários, preparou um exército para marchar contra ele. Convencido da vitória, Juliano partiu contra o Império Persa, mas ele sofreu uma esmagadora derrota e pereceu com vergonha, tornando-se objeto de piada e galhofaria do mundo inteiro. 
Comemoração de Santo Hipácio 
No subúrbio de Calcedônia, conhecido como «La Encina», que deu seu nome ao infame pseudo-sínodo que condenou São João Crisóstomo, certo funcionário consular, de nome Rufino, construiu uma igreja dedicada a São Pedro e São Paulo e, junto dela, um monastério. A comunidade monástica que ali viveu e que dava assistência à igreja, teve o seu período de prosperidade, mas a morte do fundador causou a dispersão dos monges ficando, tanto o monastério como a igreja, abandonados e, logo conhecidos popularmente como abrigo de fantasmas e almas penadas. Como ninguém se atrevesse a entrar lá, os edifícios permaneceram abandonados por muitos anos, até que um santo asceta chamado Hipácio e seus dois companheiros, Timóteo e Mosquion, decidissem ocupá-los, depois de uma viagem a Bithynia que fizeram em busca de um lugar onde pudessem viver retirados. Habitando aquelas ruínas, em pouco tempo começou a chegar os discípulos, reunindo muito rapidamente uma grande comunidade que empreendeu a recuperação da igreja e do monastério. 
Hipácio governou o monastério por muitos anos e, depois de sua morte, o local recebeu o seu nome. A vida de Santo Hipácio chegou até nossos dias sob a forma de uma biografia escrita por Callinicos. Segundo o biógrafo, São Hipácio nasceu em Frigia, tendo sido educado por seu pai que pretendia que seu filho seguisse os seus passos. No entanto, Hipácio sempre se mostrou inclinado para a vida religiosa. Com dezoito anos de idade, depois de uma impiedosa surra que recebeu de seu pai, fugiu de casa indo para a Trácia. Lá trabalhou como pastor de ovelhas por um longo tempo. Um sacerdote que o ouviu cantar ficou impressionado com ele e passou a ensiná-lo os Salmos e Cânticos. Aconselhado por aquele sacerdote, ao que parece, Hipácio juntou-se a um solitário ex-soldado chamado Jonas, com quem viveu entregue a oração e a penitência tão rigorosa que, segundo se conta, algumas vezes os dois se abstinham de comer ou beber durante quarenta dias consecutivos. 
Mais tarde, Jonas e Hipácio se transferiram para Constantinopla, onde Jonas passou a viver. Hipácio atravessou mais uma vez o Estreito, em direção a Ásia Menor e, instalado nas ruínas do monastério de Rufino, empreendeu uma missão para fazer reviver a prática da religião. Lá, chegou a dirigir uma grande comunidade de monges, tendo sido um grande defensor da Ortodoxia. Ainda antes que os erros de Nestório fossem condenados pela Igreja o abade ordenou que o nome daquele hierarca fosse apagado dos livros oficiais de sua igreja, sob os protestos do bispo Eulálio de Calcedônia. Quando Santo Alexandre Akimetes e seus monges fugiram de Constantinopla para Bithynia, foi Hipácio quem lhes deu generosa hospitalidade em seu monastério. Santo Hipácio, conhecido como «o estudioso de Cristo», ficou famoso por seus milagres e profecias. Morreu, segundo consta, em meados do V século, com a idade de oitenta anos.
Tropária e Kondákia Para Às Terças-feiras 
Comemoração São João Batista
Tropárion, Tom 2: A memória dos justos é de louvor, / e o testemunho do Senhor te basta, ó Precursor: / pois foste considerado verdadeiramente mais honrado do que os profetas, / visto que foste julgado digno de batizar nas águas aquele que foi anunciado. / Portanto, tendo sofrido pela verdade e se alegrado, / anunciaste aos que estavam no Hades as boas-novas de Deus manifestado em carne, / que tira o pecado do mundo, // e nos concede grande misericórdia.
Kondákion, Tom 2: Profeta de Deus e Precursor da graça, / tendo encontrado tua cabeça da terra como um espinho santíssimo, / sempre recebemos cura, // pois novamente, como antes, pregas o arrependimento no mundo. 
Oração Antes de Ler as Sagradas Escrituras 
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!

Romanos 14:9-18

Fragmento – 114 - Irmãos, por esta razão Cristo morreu e tornou a viver, para ser Senhor tanto de mortos como de vivos. Mas tu, por que julgas teu irmão? Ou tu, também, por que desprezas teu irmão? Pois todos havemos de comparecer ante o tribunal de Deus. Porque está escrito: 

“Por Minha vida, diz o Senhor, diante de Mim se dobrará todo joelho, e toda língua louvará a Deus”. 

Assim, pois, cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus. Portanto não nos julguemos mais uns aos outros; antes o seja o vosso propósito não pôr tropeço ou escândalo ao vosso irmão. Eu sei, e estou certo no Senhor Jesus, que nada é de si mesmo imundo a não ser para aquele que assim o considera; para esse é imundo. Pois, se pela tua comida se entristece teu irmão, já não andas segundo o amor. Não faças perecer por causa da tua comida aquele por quem Cristo morreu. Não seja, pois, censurado o vosso bem; porque o reino de Deus não consiste no comer e no beber, mas na justiça, na paz, e na alegria no Espírito Santo. Pois quem nisso serve a Cristo, agradável é a Deus e aceito aos homens.

Mateus 12:14-16, 22-30

Fragmento 46 - Naquela época, os fariseus, tendo saído, formaram conselho contra Ele, para O matarem. Jesus, sabendo isso, retirou-Se dali, e acompanharam-No grandes multidões, e Ele curou a todas. E recomendava-lhes rigorosamente que o não descobrissem. Trouxeram-Lhe, então, um endemoninhado cego e mudo; e, de tal modo o curou, que o cego e mudo falava e via. E toda a multidão se admirava e dizia: Não é Este o Filho de Davi? Mas os fariseus, ouvindo isto, diziam: Este não expulsa os demônios senão por Belzebu, príncipe dos demônios. Jesus, porém, conhecendo os seus pensamentos, disse-lhes: Todo o reino dividido contra si mesmo é devastado; e toda a cidade, ou casa, dividida contra si mesma não subsistirá. E, se Satanás expulsa a Satanás, está dividido contra si mesmo; como subsistirá, pois, o seu reino? E, se Eu expulso os demônios por Belzebu, por quem os expulsam então vossos filhos? Portanto, eles mesmos serão os vossos juízes. Mas, se Eu expulso os demônios pelo Espírito de Deus, logo é chegado a vós o Reino de Deus. Ou, como pode alguém entrar na casa do homem valente, e furtar os seus bens, se primeiro não maniatar o valente, saqueando então a sua casa? Quem não é Comigo é contra Mim; e quem Comigo não ajunta, espalha.

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segunda-feira, 29 de junho de 2026

5ª Segunda-feira Depois de Pentecostes


29 de Junho de 2026 (CC) / 16 de Junho (CE)
São Tikón, Bispo de Amato
Jejum dos Apóstolos
Tom 3


Tudo o que podemos dizer sobre São Tikón é que, numa época muito antiga, ocupou a sede episcopal de Amato, lugar onde está localizada agora a cidade de Limassol, em Chipre, e que durante séculos desfrutou de grande veneração pelos habitantes da ilha, a quem lhes chamam o “Milagroso”, e é considerado o padroeiro dos vinicultores. Dois são os pontos da sua vida que seus hagiógrafos destacam sempre: o primeiro, que era filho de um padeiro e, ainda menino, costumava distribuir entre os pobres o pão que seu pai mandava vender. Ao tomar conhecimento do fato, o padeiro ficou muito indignado, mas, ao abrir a porta de seu armazém onde mantinha sua farinha de trigo, ele encontrou, por um milagre, muito mais do que havia guardado, de modo a que as suas perdas foram amplamente recompensadas. 
O segundo ponto diz respeito ao tempo em que Tikón era bispo. Naquela época, possuía uma pequena vinha, mas não tinha as cepas para plantar. Certo dia apanhou um ramo que outro vinicultor havia jogado fora, considerando que já estivesse seco, e plantou em sua terra. Enquanto plantava, voltou-se para Deus pedindo-lhe que concedesse quatro dons: que a seiva voltasse a circular naquele ramo seco; que aquele ramo produzisse abundantes frutos; que as uvas fossem doces; e que amadurecessem rapidamente. E Deus lhe concedeu, tanto que, desde então, a vinha do bispo Tikón produziu muitos cachos de doces uvas e amadureciam muito antes que quaisquer outras vinhas da região. Por isso é que a festa deste santo é comemorada no dia 16 de junho com a bênção das vinhas, mas apenas na região de Limassol, já que, nas outras regiões de Chipre a colheita é feita somente algumas semanas depois.
Tropária e Kondákia Para As Hostes Celestiais dos Incorpóreos. 
Comemorados Às Segundas-feiras 
Tropárion, Tom 4: Arcanjos das Hostes Celestiais, nós, os indignos, incessantemente vos suplicamos que nos protejais com vossas preces sob a proteção das asas de vossa glória imaterial, preservando-nos, nós que nos prostramos fervorosamente e clamamos: “ Livrai -nos das aflições, como os comandantes dos Poderes Supremos!”
Kondákion, Tom 2: Arcanjos de Deus, servos da Glória Divina, líderes dos Anjos e guias dos homens, intercedam por nós com grande misericórdia, como Arcanjos incorpóreos.

Oração Antes de Ler as Escrituras
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém! 

Romanos 12:4-5, 15-21

Fragmento 109 - Irmãos, assim como em um corpo temos muitos membros, e nem todos os membros têm a mesma função, assim nós, embora muitos, somos um só corpo em Cristo, e individualmente somo membros uns dos outros. Alegrai-vos com os que se alegram; chorai com os que choram; sede unânimes entre vós; não ambicioneis coisas altivas mas acomodai-vos às humildes; não sejais sábios aos vossos olhos; a ninguém torneis mal por mal; procurai as coisas dignas, perante todos os homens. Se for possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens. Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira de Deus, porque está escrito: 

“Minha é a vingança, eu retribuirei, diz o Senhor”. 

Antes, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto amontoarás brasas de fogo sobre a sua cabeça. Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem.

Mateus 12:9-13

Fragmento 45 - Naquela época, Jesus foi à sinagoga dos judeus. E, estava ali um homem que tinha uma das mãos mirrada; e eles, para O acusarem, O interrogaram, dizendo: É lícito curar nos sábados? E Ele lhes disse: Qual dentre vós será o homem que tendo uma ovelha, se num sábado ela cair numa cova, não lançará mão dela, e a levantará? Não vale mais um homem do que uma ovelha? Por conseguinte, é lícito fazer bem nos sábados. Então disse àquele homem: Estende a tua mão. E ele a estendeu, e ficou sã como a outra.

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domingo, 28 de junho de 2026

4º Domingo Depois de Pentecostes

 
28 de Junho de 2026 (CC) / 15 de Junho (CE)
Santos Profeta Amós;
Jonas, Metropolita de Moscou e de toda Russia; 
Estêvão, Discípulo de São Paulo;
Lázaro Príncipe da Sérvia;
Bem Aventurado Agostinho, Bispo de Hipona e sua mãe, Mônica
Jejum dos Apóstolos (Peixe é permitido)
Tom 3



Amós nasceu na vila de Tecua próximo a Belém. Ele era de origem e vida simples. Amós era um pastor de suínos que trabalhava para um homem rico de Jerusalém. Mas Deus que não olha quem é quem pela aparência externa, mas, sim, pela pureza de seu coração, e que tomou tanto Moisés como Davi de suas ovelhas e os designou como líderes do povo; escolheu este Amós como um de Seus profetas. 
Amós reprovou o rei Uzias e seus sacerdotes pagãos por causa da idolatria que eles praticavam e incentivavam, e dissuadiu o povo da adoração aos bezerros de ouro em Betel, ensinando-os a adorar o Único Deus Vivo. Quando o chefe dos sacerdotes pagãos perseguiu Amós, este profetizou que os Assírios iriam conquistar Israel, que eles iriam matar o rei e os filhos de Amazias e que os soldados assírios violentariam a esposa de Amazia perante seus próprios olhos porque ele levara o povo ao adultério com os ídolos. O filho do sacerdote pagão golpeou o profeta na face com sua vara com tanta força que Amós caiu. Quase morto, Amós foi levado para sua vila de Tecua, onde rendeu sua santa alma a Deus. Amós viveu no oitavo século antes de Cristo. Tudo que ele profetizou acerca de Israel, do Rei Amazias e de sua casa, cumpriu-se. 
Santo Estêvão, Discípulo de São Paulo 
As informações acerca de Santo Estêvão que temos, são extraídas dos dizeres do Apóstolo Paulo (1 Coríntios 16:15-17): 
"Agora vos rogo, irmãos (sabeis que a família de Estêvão é as primícias da Acaia, e que se tem dedicado ao ministério dos santos), que também vos sujeiteis aos tais, e a todo aquele que auxilia na obra e trabalha. Folgo, porém, com a vinda de Estêvão, de Fortunato e de Acaico; porque estes supriram o que da vossa parte me faltava."
O Venerável Mártir Doulas 
Doulas viveu uma santa vida em um mosteiro no Egito. Um de seus irmãos, cheio de inveja, o acusou de sacrilégio, de roubo de artigos eclesiásticos. Assim, removeram o hábito do inocente Doulas e lhe entregaram ao príncipe para julgamento. O príncipe ordenou que Doulas fosse açoitado e quis cortar suas mãos de acordo com a lei para tal crime, mas, naquele momento, seu irmão se arrependeu e declarou a inocência de Doulas. Após vinte anos de exílio e humilhação, Doulas voltou a seu mosteiro e, no terceiro dia, repousou no Senhor. Seu corpo desapareceu de forma misteriosa.

O Santo Mártir Lazar (Lázaro), Príncipe Sérvio 
Lazar era um dos nobres Sérvios que governaram o Império Sérvio após a morte do Tsar Dushan. E com a morte do Tsar Ursoh, o Patriarca Éfrem coroou Lazar como Rei Sérvio. Lazar mandou uma delegação a Constantinopla com o monge Isaías para implorar ao Patriarca para remover o anátema do povo sérvio.  
Lazar lutou contra as forças turcas em diversas ocasiões. Finalmente, sucumbiu (lutando) no campo de Kosovo Polje (Pássaro Negro) em 15 de Junho de 1389 contra o Imperador Turco Amurat, por quem foi decapitado. Seu corpo foi transladado e enterrado em Ravanica, em sua igreja memorial (Zaduzbina), próxima a Cuprija e mais tarde foi transladado para Ravanica em Srem e de lá, durante a Segunda Guerra Mundial (1942) foi transladado a Belgrado e colocado na Catedral de São Miguel Arcanjo. Em 1989, pela ocasião do aniversário de seiscentos anos de seu martírio, as relíquias de São Lazar foram novamente transladadas para o mosteiro de Ravanica em Cuprija). São Lazar restaurou os mosteiros de Hilendar (Mt. Athos) e Gornjak. Ele construiu Ravanica e Lazarica (em Krusevac) e foi um benfeitor do mosteiro russo de São Panteleon (Mt. Athos) como bem muitas outras igrejas e mosteiros. Seu corpo permanece incorrupto até hoje e estende conforto a todos àqueles que pedem sua intercessão.

O Bem Aventurado Agostinho, Bispo de Hipona
O Beato Agostinho nasceu na África, na cidade de Tagaste (Thagaste). Ele foi criado por sua mãe, a piedosa cristã Monica, e recebeu sua educação em Cartago. Na qualidade de professor de retórica, Agostinho chegou a Mediolanum (Milão, na Itália) durante o período do episcopado de Santo Ambrósio (+† 397, Com. 7 de dezembro). Sob a orientação de Santo Ambrósio, Agostinho estudou as Sagradas Escrituras. A Palavra de Deus produziu na sua alma uma crise radical – ele recebeu o Santo Batismo, deu todas as suas riquezas aos pobres e se dedicou à vida monástica. 
No ano 391 Valeriano, bispo de Ipponésia (Hipótamo), ordenou Santo Agostinho à dignidade de Presbítero; e em 395, – à dignidade de Bispo, nomeando-o bispo-vigário da cátedra de Ipponesia. Após a morte do Bispo Valeriano, Santo Agostinho tomou o seu lugar. 
Durante os seus 35 anos como bispo, muitas das obras do Beato Agostinho foram dedicadas ao combate às heresias donatista, maniqueísta e pelagiana. 
O beato Agostinho escreveu muitas obras (no depoimento de seu aluno e biógrafo Possídias, o número se aproximava de 1.030). De suas obras as mais conhecidas são: “A Cidade de Deus” (“De civitate Dei”), “As Confissões”, 17 Livros contra os Pelagianos e o “Manual do Conhecimento Cristão” (“o Enchiridion”). O Beato Agostinho preocupava-se acima de tudo em que as suas composições fossem inteligentes e edificantes. 
“É melhor – disse ele – que condenem a nossa gramática, do que que as pessoas não entendam”. 
O Bem-aventurado Agostinho morreu em 28 de agosto de 430. 


Oração Antes de Ler as Escrituras
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!
MATINAS (4)

Lucas 24:1-12

Fragmento 112 - 
Naquela época, no primeiro dia da semana, muito de madrugada, as mulheres foram ao sepulcro, levando as especiarias que tinham preparado, e acharam a pedra revolvida do sepulcro. E, entrando, não acharam o corpo do Senhor Jesus. E aconteceu que, estando elas muito perplexas a esse respeito, eis que pararam junto delas dois homens, com vestes resplandecentes. E, estando elas apavoradas, postaram seus rostos em terra, e então, os homens disseram: Por que procurais Aquele que vive entre os mortos?  Não está aqui, mas ressuscitou. Lembrai-vos como vos falou, estando ainda na Galileia, dizendo: Convém que o Filho do Homem seja entregue nas mãos de homens pecadores, e seja crucificado, e ao terceiro dia ressuscite. E lembraram-se das Suas palavras. E, voltando do sepulcro, anunciaram todas estas coisas aos onze e a todos os demais. E eram Maria Madalena, e Joana, e Maria, mãe de Tiago, e as outras que com elas estavam, as que diziam estas coisas aos apóstolos. E as suas palavras lhes pareciam como desvario, e não as creram. Pedro, porém, levantando-se, correu ao sepulcro e, abaixando-se, viu só os lençóis ali postos; e retirou-se, admirando consigo aquele caso. 

LITURGIA

Tropárion Da Ressurreição, no 3º Tom
Rejubilem-se Céus! / E exulte a terra, / pois o Senhor mostrou a força de Seu braço, / vencendo a morte pela morte. / Ele Que é o Primogênito dentre os mortos, / arrancou-nos das profundezas do Inferno, / e concedeu ao mundo // a Sua infinita misericórdia.

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo ...

Kondákion da Ressurreição, no 3º Tom
Hoje, Tu, Ó Compassivo, ressuscitaste do túmulo, / e nos conduziste para fora dos portões da morte. / Hoje Adão dança de alegria e Eva rejubila, / e com eles os Profetas e os Patriarcas louvam sem cessar // o divino poder de Tua autoridade.

Agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém.

Tom 8: Como aqueles libertos dos males pela chegada de tua preciosa imagem, ó Senhora Theotókos, / cantamos esplendidamente hinos de vitória a ti, a Líder Escolhida, na festa do teu encontro, // e clamamos a ti como é nosso costume: Rejubila-te, ó Esposa Inesposada!

Hino À Virgem
Ó Admirável Protetora dos Cristãos e nossa Intercessora ante o Criador / não desprezes as súplicas de nenhum de nós pecadores; / mas, apressa-te a auxiliar-nos como Mãe bondosa que és, / pois, te invocamos com fé. / Roga por nós junto de Deus, // tu que defendes sempre àqueles que te veneram.

Prokímenon

R. Cantai louvores ao nosso Deus, cantai louvores! 
Cantai louvores ao nosso Rei. (Sl. 46:6) 

V. Aplaudi com as mãos, todos os povos; cantai a Deus com voz de triunfo (Sl. 46:1)

No mesmo tom:

A Minha alma engrandece ao Senhor, e meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador.

Romanos 6:18-23 

Fragmento 93 - Irmãos, tendo sido libertos do pecado, fostes feitos servos da justiça. Falo como homem, por causa da fraqueza da vossa carne. Pois assim como apresentastes os vossos membros como servos da impureza e da iniquidade para iniquidade, assim apresentai agora os vossos membros como servos da justiça para santificação. Porque, quando éreis servos do pecado, estáveis livres em relação à justiça. E que fruto tínheis então das coisas de que agora vos envergonhais? pois o fim delas é a morte. Mas agora, libertos do pecado, e feitos servos de Deus, tendes o vosso fruto para santificação, e por fim a vida eterna. Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus nosso Senhor.

Filipenses 2:5-11

Fragmento 240 - Irmãos, tende em vós aquele sentimento que houve também em Cristo Jesus, o Qual, sendo a Imagem de Deus, não considerou o ser igual a Deus coisa a que Se devia aferrar, mas esvaziou-Se a Si mesmo, tomando a forma de servo, tornando-Se semelhante aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-Se a Si mesmo, tornando-Se obediente até a morte, e morte de cruz. Pelo que também Deus O exaltou soberanamente, e Lhe deu o Nome que é sobre todo nome; para que ao Nome de Jesus se dobre todo joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo É Senhor, para glória de Deus Pai.

Aleluia, no 3º Tom

Em Ti, Senhor, esperei, não me deixes que no século vindouro eu seja envergonhado.

Aleluia, Aleluia, Aleluia!

Sê para mim um Deus que me defenda e uma casa de refúgio para me salvar.

Aleluia, Aleluia, Aleluia!

No 2º Tom:

Sê para mim um Deus que me defenda e uma casa de refúgio que me salve.

Aleluia, Aleluia, Aleluia!

Mateus 8:5-13 

Fragmento 25 - Naqueles dias, entrando Jesus em Cafarnaum, chegou junto d’Ele um centurião, rogando-Lhe e dizendo: Senhor, o meu criado jaz em casa, paralítico, e violentamente atormentado. E Jesus lhe disse: Eu irei, e lhe darei saúde. E o centurião, respondendo, disse: Senhor, não sou digno de que entres debaixo do meu telhado, mas dize somente uma palavra, e o meu criado há de sarar. Pois também eu sou homem sob autoridade, e tenho soldados às minhas ordens; e digo a este: Vai, e ele vai; e a outro: Vem, e ele vem; e ao meu criado: Faz isto, e ele o faz. E maravilhou-Se Jesus, ouvindo isto, e disse aos que o seguiam: Em verdade vos digo que nem mesmo em Israel encontrei tanta fé. Mas eu vos digo que muitos virão do oriente e do ocidente, e assentar-se-ão à mesa com Abraão, e Isaque, e Jacó, no Reino dos Céus; e os filhos do reino serão lançados nas trevas exteriores; ali haverá pranto e ranger de dentes. Então disse Jesus ao centurião: Vai, e como creste te seja feito. E naquela mesma hora o seu criado sarou.

Lucas 10:38-42; 11:27-28

Fragmento 54 - Naquela época, quando iam de caminho, entrou Jesus numa aldeia; e certa mulher, por nome Marta, O recebeu em Sua casa.  Tinha esta uma irmã chamada Maria, a qual, sentando-se aos pés do Senhor, ouvia a Sua palavra. Marta, porém, andava preocupada com muito serviço; e aproximando-se, disse: Senhor, não se Te dá que minha irmã me tenha deixado a servir sozinha? Dize-lhe, pois, que me ajude. Respondeu-lhe o Senhor: Marta, Marta, estás ansiosa e perturbada com muitas coisas; entretanto poucas são necessárias, ou mesmo uma só; e Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada. Ora, enquanto Ele dizia estas coisas, certa mulher dentre a multidão levantou a voz e lhe disse: Bem-aventurado o ventre que Te trouxe e os peitos em que Te amamentaste. Mas Ele respondeu: Antes bem-aventurados os que ouvem a palavra de Deus, e a observam.

Versículo da Comunhão

Louvai ao Senhor nos céus, 
Louvai-O nas alturas!

Tomarei o cálice da salvação 
E invocarei o Nome do Senhor. 

Aleluia, Aleluia, Aleluia!

† † †


HOMILIA


“A Humilde Fé do Centurião”

Enquanto nos era lido o Evangelho, ouvimos o elogio de nossa fé tendo por base sua humildade. Tendo o Senhor prometido ir à casa do centurião para curar ao seu criado, ele respondeu: Eu não sou digno de que entres em minha morada, mas dizei uma só palavra e ficará curado. Confessando-se indigno, tornou-se digno de que Jesus entrasse, não entre as quatro paredes de sua casa, mas em seu coração. Pois não tivesse falado com tanta fé e humildade, se já não abrigasse em seu coração Àquele a Quem não se cria digno de receber em sua casa. Pequena teria sido a felicidade se o Senhor Jesus tivesse entrado em suas quatro paredes, e não estivesse hospedado em seu coração. Realmente, Jesus, mestre de humildade de palavra e com seu exemplo, também se recostou à mesa na casa de um soberbo fariseu, chamado Simão. Mas, ainda estando recostado em sua casa, o Filho do Homem não encontrava em seu coração onde reclinar Sua cabeça. Estava, pois, o Senhor recostado na casa do fariseu soberbo. Estava em sua casa, como acabo de dizer, porém não estava em seu coração. 

No entanto, não entrou na casa deste centurião, mas se apossou de seu coração. O elogio de sua fé tem como base a humildade. Disse, de fato: Eu não sou digno de que entres em minha morada. E o Senhor: Eu vos digo que nem em Israel encontrei tanta fé (este Israel a que se refere é o segundo a carne). Porque, segundo o espírito, este centurião já era israelita. 

O Senhor veio a Israel segundo a carne, ou seja, aos judeus, para buscar primeiramente ali as ovelhas perdidas. Em cujo povo e de cujo povo ele também tinha assumido o corpo: nem em Israel encontrei tanta fé, afirma Jesus. Nós podemos medir a fé dos homens, porém enquanto homens; Ele que enxergava o interior do homem, Ele a Quem ninguém podia enganar, deu testemunho ao coração daquele homem, ouvindo as palavras de humildade e pronunciando uma sentença de cura.

E o que foi que o levou a semelhante conclusão? Ele disse: 

“Porque eu também estou debaixo da autoridade e tenho soldados às minhas ordens, e digo para um: vai, e ele vai; a outro: vem, e ele vem; e ao meu criado: faz isto, e ele o faz. Sou uma autoridade com súditos às minhas ordens, mas submetido à outra autoridade superior a mim.”

Portanto – ele reflete –, “se eu, um homem submetido ao poder de outro, tenho o poder de mandar, o que não poderás Tu de Quem depende todo o poder?” E aquele que isto dizia era um pagão, centurião, para ser mais exato. Ali ele se comportava como um soldado, como um soldado com graduação de centurião; submetido à autoridade e constituído em autoridade; obediente como súdito e dando ordens aos seus subordinados. E se bem que o Senhor estava incorporado ao povo judeu, já anunciava que a Igreja haveria de propagar-se por todo o orbe da terra, para a qual mais tarde enviaria aos apóstolos: Ele, apesar de não Ser visto, foi crido pelos pagãos; no entanto, porém visto pelos judeus, por eles foi assassinado.

E assim como o Senhor, sem entrar fisicamente na casa do centurião – ausente com o corpo, Presente com Sua majestade – curou não obstante sua fé e sua família; assim também o Senhor em Pessoa somente esteve corporalmente no povo judeu. Entre os demais povos nem nasceu de uma virgem, nem padeceu, nem percorreu os seus caminhos, nem suportou as penalidades humanas, nem realiza as maravilhas divinas. Nada disto nos outros povos. Contudo, a propósito de Jesus se cumpriu o que se foi dito: Um povo estranho foi meu servo. Mas como, se é um povo estranho? Escutavam-me e me obedeciam. O mundo inteiro ouviu e creu.


Agostinho, Bispo de Hipona

sábado, 27 de junho de 2026

4º Sábado Depois de Pentecostes


27 de Junho de 2026 (CC) / 14 de Junho (CE)
Santo Profeta Eliseu; 
São Metódio, Patriarca de Constantinopla
Jejum (Peixe é permitido)
Tom 2



Eliseu viveu novecentos anos antes de Cristo. Quando o Senhor quis tomar o Profeta Elias (Elias) para Si, Ele revelou a Elias que tinha designado Eliseu, filho de Safate, da tribo de Rúben da cidade de Abel-Meolá, como seu sucessor no serviço profético. Elias informou Eliseu da vontade de Deus e depôs sobre ele o seu manto, implorando a Deus por uma porção dupla da graça do espírito para Eliseu. E este, imediatamente deixou sua casa e família e seguiu Elias. 
Quando o Senhor levou Elias em uma carruagem de fogo, Eliseu permaneceu no serviço profético ainda com maior poder do que Elias. Por sua pureza e zelo, Eliseu igualou-se aos maiores profetas, e pelo poder milagroso que lhe foi dado por Deus, ultrapassou todos eles: Ele separou as águas do Jordão como Moisés uma vez dividira o Mar Vermelho; tornou potável as águas amargas em Jericó; tirou água para as trincheiras escavadas durante a guerra com os moabitas; multiplicou o óleo nos vasos da pobre viúva; ressuscitou o filho morto da mulher sunamita; alimentou uma centena de pessoas com vinte pequenos pães; curou o comandante Naamã da lepra; e fez a lepra do General vir sobre o seu servo Geazi por causa da ganância deste; cegou todo o exército sírio e também forçou outro exército a fugir; predisse muitos eventos para o país, bem como para os indivíduos. Eliseu morreu em uma idade muito avançada.  
São Metódio, Patriarca de Constantinopla
A Igreja possui uma grande devoção a São Metódio, Patriarca de Constantinopla, devido ao importante papel que desempenhou na luta contra os iconoclastas, por sua decisiva contribuição para a sua derrota final, bem como pela sua resistência heróica diante das perseguições que sofreu e, portanto, é honrado com os títulos do “Confessor” e “o Grande”. 
Metódio, que era natural de Sicília, em Siracusa, sua cidade natal, recebeu uma excelente educação e transferiu-se para Constantinopla com objetivo de obter um posto na corte. Lá, porém, ele conheceu um monge por quem passou a ter um grande afeto e, movido por seu aconselhamento espiritual, decidiu deixar o mundo e entrar para a vida religiosa. Construiu, mais tarde, um monastério na ilha de Kios, e quando apenas começava a formar a sua comunidade, foi chamado à Constantinopla pelo então Patriarca Nicéforo. Em 815, durante a segunda fase das perseguições iconoclastas, sob o reinado de Leão o Armênio, adotou uma atitude bastante firme e corajosa em defesa da veneração às imagens sagradas. Imediatamente após a deposição e exílio de São Nicéforo, Metódio partiu para Roma, provavelmente com a missão de informar ao Papa São Pascoal I, sobre a situação em Constantinopla, permanecendo por lá até a morte do Rei Leão V de Constantinopla. Acalentava-se grande esperança de que o seu sucessor, Miguel, o Tartamudo, fosse ficar favorável aos cristãos e, em 821, São Metódio retornou à Constantinopla com uma carta do Papa São Pascoal ao imperador, na qual solicitava a reposição de São Nicéforo ao trono de Constantinopla. Entretanto, logo que Miguel Tartamudo leu a carta, encheu-se de cólera, acusando Metódio de agitador profissional e de tentar criar sedição, ordenando que fosse banido, após receber uma grande surra. Alega-se que, em vez de baní-lo, foi aprisionado por sete anos numa espécie de túmulo ou mausoléu, juntamente com outros dois ladrões. Um deles morreu logo, mas o santo e seu outro companheiro de infortúnio foram abandonados em sua estreita prisão até que se cumprisse toda a sentença. 
Metódio, ao ser libertado, estava como um esqueleto, mantendo apenas um sopro de vida e, mesmo assim, conservava íntegro o seu espírito. Num curto espaço de tempo, já se encontrava plenamente restabelecido. Teve início, então, uma nova perseguição, patrocinada, desta vez, pelo imperador Teófilo. Metódio foi levado à sua presença e frontalmente acusado de novo de ter se envolvido em atividades subversivas no passado e de ter incitado o papa a escrever a famosa carta. O santo respondeu firmemente que tudo era falso, aproveitando a oportunidade para expressar as suas opiniões sobre o culto às imagens com estas palavras:  
“Se uma imagem tem tão pouco valor aos vossos olhos, e se renegais e condenais as imagens de Cristo, por que, do mesmo modo, não condenais também a veneração às vossas próprias representações? Ao contrário, longe de condenar o culto às vossas imagens, multiplicais continuamente!” 
Com a morte do imperador, em 842, sucedeu-o no trono a sua viúva, Theodora como regente de seu pequeno filho Miguel III. A Imperatriz se declarou favorável à veneração das imagens sagradas, tornando-se sua protetora. Durante um período de 30 anos, portanto, cessaram as perseguições, e os clérigos exilados puderam retornar, as imagens sagradas foram restituídas às igrejas de Constantinopla, e grande foi a alegria entre todos. João, o Gramático, iconoclasta declarado, foi deposto do trono, e São Metódio foi restabelecido em sua cátedra de Constantinopla. 
Entre os principais acontecimentos que marcaram o Patriarcado de São Metódio, destaca-se a realização de um Sínodo em Constantinopla, que ratificou os cânones promulgados pelo Concílio de Nicéia sobre os ícones; a instituição de uma festa da Ortodoxia denominada o “Triunfo da Ortodoxia”, que até os dias atuais é celebrada no primeiro domingo da Grande Quaresma; e o traslado das relíquias de seu predecessor, São Nicéforo, para Constantinopla. Além disso, este período de reconciliação ficou marcado por uma forte disputa entre os monges estuditas, que antes haviam sido os mais fervorosos apoiadores de São Metódio. Ao que parece, a causa destas desavenças teria sido a condenação de certos escritos de São Teodoro, o Estudita, pelo Patriarca. 
Após quatro anos no Trono Patriarcal de Constantinopla, São Metódio morreu, vítima de hidropesía, em 14 de junho de 847. O santo foi um escritor bastante profícuo. Mas, lamentavelmente, das muitas obras de poesia, teologia e controvérsias que lhe são atribuídas, restaram apenas alguns fragmentos que, ainda assim, podem não ser autênticos. No entanto, nos tempos modernos, graças a certas provas manuscritas recentemente descobertas, as autoridades no assunto estão inclinadas a crer que São Metódio seja, de fato, autor de alguns escritos hagiográficos que ainda estão conservados, especialmente “A Vida de São Teófanes”.

Tropária e Kondákia Para o Sábado 

Aos Mortos
Tropárion, Tom 2: Lembra-Te, ó Senhor misericordioso dos Teus servos; / e perdoa-lhes todos os pecados que cometeram em vida, / pois ninguém é sem pecado, senão Tu, / que podes dar descanso // até mesmo aos que já partiram.
Kondákion, Tom 8: Com os santos, concede descanso, ó Cristo, / às almas dos Teus servos, / onde não há dor, nem tristeza, nem suspiros, // mas vida eterna. 

Oração Antes de Ler as Escrituras
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém! 

Romanos 6:11-17

Fragmento 92 - Irmãos, considerai-vos mortos para o pecado, mas vivos para Deus em Cristo Jesus nosso Senhor. Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, para lhe obedecerdes em suas concupiscências; nem tampouco apresenteis os vossos membros ao pecado por instrumentos de injustiça; mas apresentai-vos a Deus, como vivos dentre mortos, e os vossos membros a Deus, como instrumentos de justiça. Porque o pecado não terá domínio sobre vós, pois não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça. Pois que? Pecaremos porque não estamos debaixo da lei, mas debaixo da graça? De modo nenhum. Não sabeis vós que a quem vos apresentardes por servos para lhe obedecer, sois servos daquele a quem obedeceis, ou do pecado para a morte, ou da obediência para a justiça? Mas graças a Deus que, tendo sido servos do pecado, obedecestes de coração à forma de doutrina a que fostes entregues.

Mateus 8:14-23

Fragmento 26 - Naquela hora, Jesus, entrando em casa de Pedro, viu a sogra deste acamada, e com febre. E tocou-lhe na mão, e a febre a deixou; e levantou-se, e serviu-os. E, chegada a tarde, trouxeram-Lhe muitos endemoninhados, e Ele com a Sua palavra expulsou deles os espíritos, e curou todos os que estavam enfermos; para que se cumprisse o que fora dito pelo profeta Isaías, que diz: “Ele tomou sobre Si as nossas enfermidades, e levou as nossas doenças.” E Jesus, vendo em torno de Si uma grande multidão, ordenou que passassem para o outro lado; e, aproximando-se d’Ele um escriba, disse-Lhe: Mestre, aonde quer que fores, eu Te seguirei. E disse Jesus: As raposas têm covis, e as aves do céu têm ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça. E outro de Seus discípulos Lhe disse: Senhor, permite-me que primeiramente vá sepultar meu pai. Jesus, porém, disse-lhe: Segue-Me, e deixa os mortos sepultar os seus mortos. E, entrando Ele no barco, Seus discípulos O seguiram.

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sexta-feira, 26 de junho de 2026

4ª Sexta-feira Depois de Pentecostes


26 de Junho de 2026 (CC) / 13 de Junho (CE)
Santa Mártir Aquilina; Antipatros; Mártir Atonina;
Jejum dos Apóstolos (Pão, vegetais e frutas)
Tom 2

A Santa Mártir Aquilina, natural da cidade fenícia de Biblos, padeceu sob o imperador Diocleciano (284-305). Seus pais a criaram na piedade cristã. Quando a menina tinha apenas 12 anos, convenceu um amigo pagão a se converter a Cristo. Uma das servas do Governador imperial Volusian denunciou que a menina estava ensinando seus pares a não honrar a religião de seus pais. Aquilina confessou firmemente sua fé em Cristo diante do Governador e disse que não O renunciaria. Volusian tentou, por meio de persuasão e lisonja, influenciar a jovem confessora, mas vendo sua segurança, então deu ordens para torturá-la. Eles bateram a esbofetearam e depois, deixando-a nua, chicotearam-na. O torturador perguntou zombeteiramente: 
“Onde está então o teu Deus? Deixe-o vir e tirar-te das minhas mãos”. 
A santa respondeu: "O Senhor está invisivelmente aqui comigo, e quanto mais eu sofrer, mais Ele me dará força e resistência”. 
Com varas em brasa, eles perfuraram a cabeça da mártir nas orelhas. A santa mártir caiu como morta. O torturador decidiu que a menina havia realmente morrido e deu ordem para jogar seu corpo fora da cidade para ser devorado por cães. À noite um santo Anjo apareceu a Santa Aquilina, despertou-a e disse: 
“Levanta-te e fica bem. Vai e denuncia Volusian, que ele próprio e a sua intenção se desfazem diante de Deus”. 
A mártir, louvando a Deus e tendo sido restaurada ilesa, foi à corte do Governador e apresentou-se diante de Volusian. Ao ver Santa Aquilina, Volusian assustado chamou seus servos e ordenou que a vigiassem até de manhã. Pela manhã proferiu a sentença de morte contra Santa Aquilina sob a alegação de ser feiticeira e de não obedecer aos decretos imperiais. Quando levaram a santa à execução, ela orou e deu graças a Deus, por ter-lhe concedido sofrer pelo Seu Santo Nome. Uma voz foi ouvida em resposta à sua oração, convocando-a ao Reino Celestial, após o que a mártir entregou seu espírito a Deus (†293). O carrasco temeu desobedecer às ordens do Governador e, embora já morta, cortou-lhe a cabeça. Os cristãos enterraram piedosamente o corpo da mártir. Mais tarde, suas relíquias foram levadas para Constantinopla e colocadas dentro de uma igreja com seu nome.
Tropária e Kondákia Para a Sexta-feira  
Á Santa Cruz 
Tropárion Tom 1: Salva, Senhor, o Teu povo / e abençoa a Tua herança! / Concede à Tua Igreja a vitória sobre o maligno // e guarda o Teu povo pela Tua Cruz. 
Kondákion, Tom 4: Tendo subido voluntariamente à Cruz, / conceda as Tuas misericórdias, ó Cristo nosso Deus, ao novo povo que leva o Teu Nome; / rejubila com a Teu Poder o Teu Povo fiel, / concedendo-lhes vitórias sobre os seus inimigos, / para que possam ter em Ti o auxílio, // arma da paz, sinal invencível da vitória.  

Oração Antes de Ler as Escrituras
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém! 

Romanos 11:25-36

25 Porque não quero, irmãos, que ignoreis este mistério (para que não presumais de vós mesmos): que o endurecimento veio em parte sobre Israel, até que a plenitude dos gentios haja entrado; 26 e assim todo o Israel será salvo, como está escrito: Virá de Sião o Libertador, e desviará de Jacó as impiedades; 27 e este será o meu pacto com eles, quando eu tirar os seus pecados. 28 Quanto ao evangelho, eles na verdade, são inimigos por causa de vós; mas, quanto à eleição, amados por causa dos pais. 29 Porque os dons e a vocação de Deus são irretratáveis. 30 Pois, assim como vós outrora fostes desobedientes a Deus, mas agora alcançastes misericórdia pela desobediência deles, 31 assim também estes agora foram desobedientes, para também alcançarem misericórdia pela misericórdia a vós demonstrada. 32 Porque Deus encerrou a todos debaixo da desobediência, a fim de usar de misericórdia para com todos. 33 Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos! 34 Pois, quem jamais conheceu a mente do Senhor? ou quem se fez seu conselheiro? 35 Ou quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado? 36 Porque dele, e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém.

Mateus 12:1-8

1 Naquele tempo passou Jesus pelas searas num dia de sábado; e os seus discípulos, sentindo fome, começaram a colher espigas, e a comer. 2 Os fariseus, vendo isso, disseram-lhe: Eis que os teus discípulos estão fazendo o que não é lícito fazer no sábado. 3 Ele, porém, lhes disse: Acaso não lestes o que fez Davi, quando teve fome, ele e seus companheiros? 4 Como entrou na casa de Deus, e como eles comeram os pães da proposição, que não lhe era lícito comer, nem a seus companheiros, mas somente aos sacerdotes? 5 Ou não lestes na lei que, aos sábados, os sacerdotes no templo violam o sábado, e ficam sem culpa? 6 Digo-vos, porém, que aqui está o que é maior do que o templo. 7 Mas, se vós soubésseis o que significa: Misericórdia quero, e não sacrifícios, não condenaríeis os inocentes. 8 Porque o Filho do homem até do sábado é o Senhor.

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quinta-feira, 25 de junho de 2026

4ª Quinta-feira Depois de Pentecostes

25 de Junho de 2026 (CC) / 12 de Junho (CE)
Santo Onofre, o Grande (400 d.C.)
Venerável Monge Pedro do Monte Athos (734 d.C.)
Jejum dos Apóstolos (Azeite é permitido)
Tom 2


Entre os muitos eremitas que viveram nos desertos do Egito durante os séculos 4º e 5º, havia um santo varão chamado Onofre. O pouco que se sabe dele vem de um relato atribuído a certo abade Pafnucio, sobre as visitas que fez aos eremitas de Tebaida. Ao que parece, vários dos ascetas que conheceram Pafnucio lhe pediram que escrevesse sobre essa relação, tendo circulado várias versões, sem que por isso a essência da história fosse desvirtuada. Pafnucio empreendeu a peregrinação com o objetivo de estudar a vida eremítica e descobrir se ele mesmo sentia verdadeira inclinação para ela. Com esse propósito, deixou seu monastério e, durante 16 dias, andou pelo deserto, tendo alguns encontros edificantes e algumas aventuras estranhas. 
No 17º dia, porém, ficou assombrado ao avistar-se com uma criatura que, a primeira vista, pensou ser um animal. 
“Era uma homem ancião, com os cabelos e as barbas tão longas que tocavam o chão. Tinha o corpo coberto por um pelo espesso como a pele de uma fera, e de seus ombros pendia um manto de folhas”… 
A aparição de semelhante criatura foi tão assustadora que Pafnucio se bateu em fuga. No entanto, a estranha criatura o chamou, pedindo para que parasse, assegurando-lhe que era mesmo um homem e um servo de Deus. Um pouco receoso, a princípio, Pafnucio se aproximou do desconhecido e, logo os dois se viram envolvidos numa conversação, e Pafnucio descobriu que aquele estranho se chamava Onofre, que tinha sido um monge num monastério onde viveu com muitos outros irmãos e que, seguindo sua inclinação para à vida solitária se retirou para o deserto onde já estava há setenta anos. Em resposta às perguntas de Pafnucio o eremitão admitiu que, em várias ocasiões, tinha padecido de fome e sede, dos rigores do clima e da violência das tentações, mas Deus também lhe havia dado consolos inumeráveis e lhe havia alimentado através de uma palmeira que crescia perto de sua cela. 
Mais adiante, Onofre conduziu o peregrino até a sua cova (caverna) onde morava e ali passaram o resto do dia em amistosas conversas sobre as coisas santas. De repente, ao cair da tarde, apareceu diante deles uma torta de pão e uma jarra de água e, depois de compartilhar a comida, ambos se sentiram extraordinariamente reconfortados. Durante toda aquela noite Onofre e Pafnucio oraram juntos. No dia seguinte, ao despontar o sol, Pafnucio, alarmado, percebeu que se havia operado uma mudança no eremitão, que estva notavelmente prestes a morrer. Aproximado-se de Onofre para ajudá-lo, este começou a falar: 
“Nada temas, irmão Pafnucio, o Senhor, em sua infinita misericórdia, te enviou aqui para que me sepultasses”. 
O visitante sugeriu ao eremita agonizante que ele mesmo ocuparia a sua caverna quando ele partisse. Onofre reagiu, porém, dizendo que isso não era da vontade de Deus. Instantes depois suplicou que lhe encomendassem a alma e também às orações dis fiéis, por quem prometia interceder e, abençoando Pafnucio, se deixou cair por terra entregando a Deus o seu espírito. O visitante lhe preparou uma mortalha com a metade de sua túnica, depositou o corpo no côncavo de uma rocha, cobrindo-o com pedras. Logo que terminou sua tarefa, viu desmoronar diante de si a caverna onde o santo tinha vivido, e desaparecer a palmeira que lhe havia alimentado. Pafnucio compreendeu assim que não devia permanecer por mais tempo naquele lugar e, de pronto, partiu de de retorno. 
Venerável Pedro do Monte Athos

O Monge Pedro do Monte Athos, era grego de nascimento, e serviu como soldado no exército imperial em Constantinopla. No ano de 667, durante a guerra com os sírios, São Pedro foi levado cativo e trancado em uma fortaleza na cidade de Samara, no rio Eufrates. 
Por muito tempo ele definhou na prisão e ponderou sobre quais pecados dele haviam incorrido no castigo de Deus. São Pedro lembrou que certa vez teve a intenção de deixar o mundo e ir para um mosteiro, mas não o fez. Ele começou a observar estrito jejum na prisão e a orar fervorosamente, e implorou a São Nicolau, o Prodigioso, que intercedesse diante de Deus por ele. São Nicolau apareceu em sonho a São Pedro e o aconselhou a pedir ajuda a São Simeão, o Receptor de Deus. E encorajando o prisioneiro com paciência e esperança, São Nicolau mais uma vez apareceu a ele em um sonho. Na terceira vez, não foi em sonho que ele apareceu com São Simeão, o Receptor de Deus. São Simeão tocou seu cajado nas correntes de São Pedro, e as correntes derreteram, literalmente como cera. As portas da prisão se abriram e São Pedro emergiu para a liberdade. São Simeão, o Receptor de Deus, tornou-se invisível, mas São Nicolau levou São Pedro às fronteiras das terras gregas. E, lembrando-o do voto que fizera, São Nicolau também se tornou invisível. São Pedro então viajou para Roma para assumir a forma monástica no túmulo do apóstolo Pedro. E mesmo aqui São Nicolau não partiu sem sua ajuda: ele apareceu em sonho ao Patriarca de Roma e o informou sobre as circunstâncias da libertação de São Pedro do cativeiro, e ordenou ao Patriarca que tonsurasse o ex-prisioneiro no monaquismo. 
No dia seguinte, em meio a uma numerosa multidão de pessoas durante os serviços divinos, o Patriarca exclamou em voz alta: "Pedro, tu que vieste das terras gregas e a quem São Nicolau libertou da prisão em Samara, vem a mim ". São Pedro ficou diante do Patriarca, que o tonsurou para o monasticismo no túmulo do Apóstolo Pedro. O Patriarca ensinou a São Pedro as regras da vida monástica e manteve o monge com ele. E então, dando-lhe a bênção, o enviou para lá, de onde Deus o havia abençoado para viajar. 
São Pedro embarcou em um navio, navegando para o Oriente. Os armadores, durante o tempo de desembarque, imploraram a São Pedro que viesse rezar em uma certa casa, onde o proprietário e toda a família estavam doentes. São Pedro os curou por meio de sua oração. 
A Santíssima Mãe de Deus apareceu então em sonho a São Pedro e indicou o lugar onde ele deveria viver até o fim de seus dias - o Santo Monte Athos. Quando o navio navegou ao lado de Athos, ele parou por conta própria. São Pedro percebeu que este era o lugar que ele tinha que ir, e então desembarcou. Isso foi no ano de 681. O Monge Pedro então habitou nos lugares desolados da Montanha Sagrada, sem ver outra pessoa por 53 anos. Suas roupas estavam esfarrapadas, mas seu cabelo e barba cresceram e cobriram seu corpo no lugar das roupas. 
A princípio, o Monge Pedro foi repetidamente submetido a ataques demoníacos. Tentando forçar o santo a abandonar sua caverna; os demônios assumiam a forma ora de soldados armados, ora de feras ferozes e víboras que pareciam prestes a despedaçar o eremita. Mas por meio de orações fervorosas a Deus e à Theotókos, o Monge Pedro venceu os ataques demoníacos. Então o inimigo começou a recorrer à astúcia. Aparecendo sob o disfarce de um rapaz, enviado a ele de sua casa natal, e com lágrimas implorava-lhe que deixasse o deserto e voltasse para sua própria casa. O monge estava em prantos, mas sem hesitar respondeu: "Aqui me conduziram o Senhor e a Santíssima Mãe de Deus, e sem Sua permissão não sairei daqui". Ouvindo o Nome da Mãe de Deus, o demônio desapareceu. 
Depois de sete anos, o diabo apareceu diante do monge na forma de um anjo luminoso e disse que Deus o estava ordenando a ir ao mundo para iluminar e salvar as pessoas que precisavam de sua orientação. O asceta experiente respondeu novamente que sem a permissão da Mãe de Deus ele não abandonaria o deserto. O diabo desapareceu e não se preocupou mais em se aproximar do santo. A Mãe de Deus apareceu ao Monge Pedro em sonho junto com São Nicolau e disse ao bravo eremita que a cada 40 dias um anjo lhe traria o maná celestial. A partir dessa época, o Monge Pedro jejuou por 40 dias e, no quadragésimo dia, se fortalecia com o maná celestial, recebendo forças para mais quarenta dias de abstinência. 
Certa vez, um caçador, perseguindo um veado, avistou um homem nu, coberto de pelos e cingido pelos lombos com folhas. Ele se assustou e estava prestes a fugir. O Monge Pedro o deteve e contou-lhe sobre sua vida. O caçador pediu licença para ficar com ele, mas o santo o mandou para casa. O monge deu ao caçador um ano para autoexame e o proibiu de contar sobre o encontro com ele. 
Um ano depois, o caçador voltou com seu irmão, afligido por um demônio, e junto com vários outros companheiros. Quando eles entraram na caverna do Monge Pedro, eles viram que ele já havia repousado para Deus. O caçador em meio a soluços amargos contou a seus companheiros sobre a vida do Monge Pedro, e seu irmão, com apenas um toque no corpo do santo, recebeu a cura. O Monge Pedro morreu no ano de 734. Suas relíquias sagradas estavam situadas em Athos, no mosteiro de São Clemente. Durante o período iconoclasta, as relíquias foram escondidas e, no ano de 969, e transferidas para a aldeia trácia de Photokami. Com o nome do Monge Pedro do Monte Athos está ligado o sagrado testemunho da Mãe de Deus sobre seu apêndice terreno - o Santo Monte Athos, que ainda agora permanece em vigor: 
"Ao Monte Athos haja paz, pois isso é concedido por mim, por Meu Filho e Deus, para que seja separado dos sussurros mundanos e reúnam os espirituais no poder de suas façanhas, com fé e amor na alma, invocando meu Nome, para então passar sua vida terrena sem dores de parto , e por suas ações agradáveis a Deus para receber a vida eterna; pois amo muito este lugar e desejo nele o aumento de monges, e eles possuindo a misericórdia de meu Filho e de Deus, nunca faltará monges, se eles observarem os mandamentos salvadores: e eu os espalharei sobre a Montanha ao sul e ao norte, e eles a possuirão até o fim do mundo, e seu nome por toda a terra eu farei digno de louvor e assim defender aqueles, que lá com paciência vivem em ascetismo e em jejum".
Tropária e Kondákia Para a Quinta-feira 
Aos Santos Apóstolos
Tropárion, Tom 3: Ó Santos Apóstolos, / rogai ao Deus Misericordioso // que Ele conceda o perdão dos pecados às nossas almas.
Kondákion, Tom 2: Os pregadores firmes e inspirados por Deus, / os mais elevados dos Teus discípulos, ó Senhor, / Tu os aceitaste para desfrutarem das Tuas bênçãos e do repouso; / pois Tu consideraste seus trabalhos e morte superiores a qualquer sacrifício, // ó Tu, o Único que conhece o que há nos corações.
A São Nicolau
Tropárion, Tom 4: A Verdade Imutável te revelou ao teu rebanho / como regra de fé e exemplo de mansidão e autocontrole. / Portanto, pela humildade alcançaste a grandeza / e, pela pobreza, a riqueza. / Ó Pai, São Nicolau, // roga a Cristo nosso Deus pela salvação de nossas almas.
Kondákion, Tom 3: Em Mira, tu, ó Santo, apareceste como um sacerdote, / pois, tendo cumprido o Evangelho de Cristo, / tu, ó Venerável, / entregaste tua alma pelo teu povo / e salvaste os inocentes da morte; / portanto, foste santificado // como um grande servo dos mistérios da graça de Deus. 

Oração Antes de Ler as Escrituras
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!
Romanos 11:13-24

13 Mas é a vós, gentios, que falo; e, porquanto sou apóstolo dos gentios, glorifico o meu ministério, 14 para ver se de algum modo posso incitar à emulação os da minha raça e salvar alguns deles. 15 Porque, se a sua rejeição é a reconciliação do mundo, qual será a sua admissão, senão a vida dentre os mortos? 16 Se as primícias são santas, também a massa o é; e se a raiz é santa, também os ramos o são. 17 E se alguns dos ramos foram quebrados, e tu, sendo zambujeiro, foste enxertado no lugar deles e feito participante da raiz e da seiva da oliveira, 18 não te glories contra os ramos; e, se contra eles te gloriares, não és tu que sustentas a raiz, mas a raiz a ti. 19 Dirás então: Os ramos foram quebrados, para que eu fosse enxertado. 20 Está bem; pela sua incredulidade foram quebrados, e tu pela tua fé estás firme. Não te ensoberbeças, mas teme; 21 porque, se Deus não poupou os ramos naturais, não te poupará a ti. 22 Considera pois a bondade e a severidade de Deus: para com os que caíram, severidade; para contigo, a bondade de Deus, se permaneceres nessa bondade; do contrário também tu serás cortado. 23 E ainda eles, se não permanecerem na incredulidade, serão enxertados; porque poderoso é Deus para os enxertar novamente. 24 Pois se tu foste cortado do natural zambujeiro, e contra a natureza enxertado em oliveira legítima, quanto mais não serão enxertados na sua própria oliveira esses que são ramos naturais!


Mateus 11:27-30


Fragmento 43 - O Senhor disse aos Seus discípulos: Todas as coisas Me foram entregues por Meu Pai, e ninguém conhece o Filho, senão o Pai; e ninguém conhece o Pai, senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar. Vinde a Mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o Meu jugo, e aprendei de Mim, que Sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o Meu jugo é suave e o Meu fardo é leve.

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COMENTÁRIO

“Vinde a Mim!”

Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso de vossos fardos e eu vos darei descanso. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e vós encontrareis descanso para as vossas almas. Vistes maior superabundância de bondade? Percebes a generosidade do convite? Vinde a mim – diz – todos vós que estais cansados e fatigados. Amoroso o convite! Inefável a bondade!


Vinde a mim todos: não somente os que ordenam, mas também os que obedecem; não somente os livres, mas também os escravos; não somente os homens, mas também as mulheres; não somente os jovens, mas também os anciãos; não somente os de corpo são, mas também os aleijados e entrevados, todos – diz – vinde. Tais são, realmente, os dons do Senhor: não conhece diferença entre escravo e livre, nem entre rico e pobre, mas toda esta desigualdade está rejeitada: Vinde – diz – todos vós que estais cansados e fatigados.


Observa a quem ele chama: aos que se esgotaram completamente nas iniquidades, aos que estão oprimidos pelos pecados, aos que nem sequer podem mais levantar a cabeça, aos que estão mortos de vergonha, aos que mais estão privados de confiança para falar. E por que os chama? Não para pedir-lhes conta, nem para estabelecer um tribunal. Então, para quê? Para fazer-lhes descansar de seu cansaço, para tirar-lhes a sua carga pesada.


E será que poderia acontecer algo mais pesado do que o pecado? Este, na realidade, por mais que tantas vezes não o sintamos ou queiramos ocultá-lo das pessoas comuns, é aquele que desperta contra nós o juiz incorruptível que é a nossa consciência, e ela, sempre alerta, vai tornando nossa dor contínua, como um carrasco que dilacera e sufoca a mente, mostrando desta forma a enormidade do pecado. “Aos que estão, pois, oprimidos pelo pecado – diz –, e como sobrecarregados por uma carga, a estes aliviarei agraciando-lhes com o perdão de seus pecados. Unicamente, vinde a mim! Quem será tão de pedra, quem tão teimoso que não obedeça a um convite tão bondoso?


Em seguida, para ensinar-nos também de que modo alivia, acrescenta: Tomai sobre vós o meu jugo. “Entrai, diz, sob o meu jugo. Porém não vos assusteis ao ouvir ‘jugo’, porque este ‘jugo’ nem roça o pescoço nem faz abaixar a cabeça; ao contrário, ensina a pensar nas coisas do alto e forma na verdadeira filosofia.”

Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei: “Unicamente, entrai sob o jugo e aprendei. Aprendei, ou seja: aplicai o ouvido, para poder aprender de mim”. De fato, não vou exigir de vós nada pesado: vós, meus escravos, imitai a mim, vosso amo; vós que sois terra e pó, imitai a mim, feitor do céu e da terra, vosso Criador: Aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração.

Vês a condescendência do Senhor? Vês sua inconcebível bondade? Não nos exigiu algo pesado ou odioso. Realmente, ele não disse: “Aprendei de mim que realizei prodígios, que ressuscitei mortos, que fiz milagres”. Tudo isso era unicamente próprio de seu poder. Então, o quê? Aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e vós encontrareis descanso para as vossas almas. Percebes como são grandes os benefícios e a utilidade deste jugo?


Portanto, o que foi considerado digno de entrar sob este jugo e é capaz de aprender do Senhor a ser manso e humilde de coração, obterá para a sua alma todo o alívio. Este é, realmente, o ponto capital de nossa salvação: quem é possuidor desta virtude, mesmo que esteja unido ao corpo, poderá rivalizar com os poderes incorpóreos e já não ter nada em comum com o presente.


São João Crisóstomo, Patriarca de Constantinopla (séc. V)

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