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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Quinta-feira do Filho Pródigo

12 de Fevereiro de 2026 (CC) - 30 de Janeiro (CE)
Os Três Santos Hierarcas: 
Basílio, o Grande; Gregório de Nazianzo e João Crisóstomo
Tom 2

 

Desde há quase nove séculos, os cristãos do Oriente celebram no dia 30 de janeiro, numa única festa, os três santos bispos e doutores: Basílio, o Grande, Gregório, o Teólogo (ou Nazianzeno) e João Crisóstomo. No calendário bizantino os três hierarcas possuem também uma festa em dias separados: São Basílio é comemorado no dia 1° de janeiro, aniversário de sua morte (379), juntamente à festa da Circuncisão de N.S. Jesus Cristo; São Gregório, o Teólogo, como é apelidado no Oriente o bispo de Nazianzo morto no ano 390, é comemorado em 25 de janeiro; e São João Crisóstomo em 13 de novembro e 25 de janeiro, dia em que foram trasladadas as suas relíquias de Cumana (onde morreu exilado em 407) para Constantinopla, na presença do Imperador do Oriente, em 438. A festa conjunta destes três santos, no Oriente bizantino, remonta ao ano 1084. Os três têm atributos próprios e são distinguidos assim: de Basílio, louvavam-se sua inteligência excepcional e sua austeridade exemplar; de Gregório se louvava a sublime teologia expressa em estilo elegante; de João Crisóstomo, louvava-se a excepcional eloquência e a força convincente de seus discursos. Embora haja entre eles essas qualidades diferentes a fé, o amor à Igreja e a determinação em transmitir seus ensinamentos eram idênticos. 
Leituras Comemorativas 
João 10:9-16
Hebreus 13:7-16
Mateus 5:14-19

Oração Antes de Ler as Escrituras
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém! 

1 João 4:20-5:21

Fragmento 74 - Amados, se alguém disser: "Eu amo a Deus", e odiar seu irmão, está mentindo. Pois quem não ama seu irmão, a quem vê, e a Deus, a quem não vê, como pode amar? E este é o mandamento que d’Ele recebemos: Que quem ama a Deus ame também seu irmão. Todo aquele que crê que Jesus é o Cristo é nascido de Deus; e todo aquele que ama Aquele que o gerou ama também aquele que d’Ele é nascido. Sabemos que amamos os filhos de Deus quando amamos a Deus e guardamos os Seus mandamentos. Porque este é o amor de Deus: Que guardemos os Seus mandamentos; e os Seus mandamentos não são pesados. Porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo: A nossa fé. Quem é que vence o mundo, senão aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus? Este é aquele que veio por água, sangue e Espírito, Jesus Cristo; não por água, mas por água e sangue; e o Espírito é quem dá testemunho, porque o Espírito é a verdade. Pois há três que dão testemunho no céu: O Pai, a Palavra e o Espírito Santo; e estes três são um. E há três que dão testemunho na terra: o Espírito, a água e o sangue; e estes três são um. Se aceitamos o testemunho dos homens, o testemunho de Deus é maior, porque este é o testemunho de Deus, que Ele deu acerca de Seu Filho. Quem crê no Filho de Deus tem o testemunho de si mesmo; quem não crê em Deus faz d’Ele um mentiroso, porque não crê no testemunho que Deus deu acerca de Seu Filho. E este é o testemunho: Que Deus nos deu a vida eterna, e esta vida está em Seu Filho. Quem tem o Filho de Deus tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida. Estas coisas vos escrevi, a vós que credes no Nome do Filho de Deus, para que saibais que tendes a vida eterna, e para que creiais no Nome do Filho de Deus. E esta é a confiança que temos para com Ele: Que, se pedirmos alguma coisa segundo a Sua vontade, Ele nos ouvirá. E se sabemos que Ele nos ouve quando pedimos, sabemos que alcançamos as petições que lhe fizemos. Se alguém vir seu irmão cometendo um pecado que não leva à morte, ore por ele, e Deus lhe dará vida. Refiro-me àqueles cujo pecado não leva à morte. Há pecado que leva à morte; não estou falando deste, mas que ore. Toda injustiça é pecado, e há pecado que não leva à morte. Sabemos que ninguém que é nascido de Deus peca; antes, o que é nascido de Deus se guarda, e o Maligno não o toca. Sabemos que somos de Deus e que o mundo todo está no maligno. Sabemos que o Filho de Deus veio e nos deu luz e entendimento, para que conhecêssemos o verdadeiro Deus e estivéssemos em Seu verdadeiro Filho Jesus Cristo, que é o verdadeiro Deus e a vida eterna. Filhinhos, guardai-vos dos ídolos. Amém.

Marcos 15:1-15

Fragmento 66 - Naquela época, logo pela manhã, os principais sacerdotes tiveram conselho com os anciãos, os escribas e todo o conselho; e, manietando Jesus, O levaram e O entregaram a Pilatos. E Pilatos Lhe perguntou: “És Tu o Rei dos judeus?” E Ele, respondendo, disse-lhe: “Tu o dizes”. E os principais sacerdotes O acusavam de muitas coisas; mas Ele nada respondia. Pilatos tornou a interrogá-Lo, dizendo: “Não respondes nada? Vê quantas coisas testificam contra Ti”. Mas Jesus nada respondeu ainda, de modo que Pilatos ficou admirado. Ora, por ocasião da festa costumava soltar-lhes um preso qualquer que eles pedissem. E havia um chamado Barrabás, que jazia preso com os que se rebelaram contra ele, os quais num motim haviam cometido um homicídio. E a multidão, clamando em alta voz, começou a pedir que ele fizesse como sempre lhes fizera. Pilatos, porém, respondeu-lhes: “Quereis que vos solte o Rei dos judeus?” Pois ele sabia que os principais sacerdotes O haviam entregado por inveja. Mas os principais sacerdotes persuadiram o povo a soltar-lhes antes Barrabás. E Pilatos, respondendo, disse-lhes outra vez: “Que quereis, pois, que eu faça Àquele a Quem chamais Rei dos judeus?” E eles clamaram outra vez: “Crucifica-O”. Então Pilatos lhes disse: “Pois que mal fez Ele?” E eles clamaram ainda mais: “Crucifica-O”. Então Pilatos, querendo contentar o povo, soltou-lhes Barrabás e, depois de açoitá-Lo, entregou Jesus para ser crucificado.

† † †

ENSINO DOS SANTOS PADRES

São Teófano, o Recluso
Esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé (I João 5: 4) -a fé cristã. Vencer o mundo: o que isso significa? Não é exterminar todos aqueles que amam o mundo, ou para aniquilar e destruir tudo que é amado pelo mundo. Ao contrário, significa que enquanto vivendo em meio aqueles que amam o mundo e se movendo em meio a costumes amados no mundo, viver e ser alheio a tudo e a todos. Assim que você rejeitou o mundo e a tudo que é mundano, com esta atitude vence o mundo. Mas, quem é que te ensina a rejeitar o mundo e quem te dá a força para isso? Nossa Fé [Ortodoxa] nos fortalece. Ele revela e destrói  as ilusões do mundo e inspira o desejo de libertar-se de suas redes. Então, quando alguém resolve quebrar estas correntes, se arrepende e se aproxima dos Mistérios Restauradores - o batismo ou a confissão - e a fé lhe permite sentir misticamente a doçura de uma vida oposta à do mundo, uma doçura com a qual todos os prazeres do mundo não podem, de forma alguma, entrar em comparação. Como resultado, surge um ódio por tudo que de mundano habita no coração, o que na verdade é a superação do mundo. E é nesta ação mística, como resultado do ódio a tudo que do mundo é gerado, que se é concedido o poder de permanecer firmes nesta aversão e alienação do mundo; e esta é uma vitória decisiva e duradoura.

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terça-feira, 14 de janeiro de 2025

Circuncisão de Nosso Senhor Deus e Salvador Jesus Cristo

SEMANA ANTERIOR À TEOFANIA
30ª Terça-feira Depois de Pentecostes
14 de Janeiro de 2025 (CC) 01 de Janeiro (CE)
São Basílio, o Grande Arcebispo de Cesárea da Capadócia
Tom 4


Narra o Evangelho que após 8 dias do nascimento de Jesus, Maria e José levaram o Menino até o Templo para oferecê-lo ao Senhor e cumprir o preceito da circuncisão, conforme prescrevia as leis religiosas do povo judeu. Após a primeira parte da narrativa, observa-se um corte cronológico na harmonia dos acontecimentos, para destacar o encontro de Jesus com os Doutores da Lei, no Templo de Jerusalém.

Essas duas narrativas unidas, a princípio tão distantes temporalmente, e tão próximas quanto ao objetivo de sublinhar a dupla natureza do Messias, se fundem numa leitura única. O menino foi levado para circuncisão pois era plenamente humano e estava sujeito às leis sócio-religiosas; no entanto, com 12 anos revelava sua sabedoria extraordinária que tinha uma fonte não humana. Ele era o VERBO de Deus que inicia suas reflexões com aqueles mais ilustres e doutos. «O mundo foi feito por Ele, mas o mundo não O conheceu» (Jo 1,10-11).

Primeiramente, Jesus tinha sido reconhecido como Senhor pelos pastores que vieram prestar-lhe adoração. Eles representavam os marginalizados, pobres, os esquecidos: os verdadeiros destinatários da Boa Nova. Depois foi reconhecido pelo profeta Simeão no templo, onde a profecia de Malaquias se cumpria: 
«De repente, vai chegar ao Templo o Senhor que vós procurais, o mensageiro da Aliança que vós desejais» (Mq 3,1). 
Simeão revelou com a sua profecia que a Salvação não seria só para Israel, mas para todos os povos. Israel foi o lugar da espera e da realização das profecias, mas a Salvação trazida pelo Messias não se restringiria somente à sua área geográfica. O Messias É a luz que iluminaria a todos os povos. Abre-se o horizonte universal do anúncio e da prática do Evangelho. 
São Basílio, o Grande Arcebispo de Cesárea da Capadócia 
Nasceu em Cesaréia, na Capadócia, no ano 330. Foi o autor dos primeiros escritos sobre o Espírito Santo e dedicou-se à vida monástica. Escreveu duas Regras que são seguidas até hoje. Em 370 foi nomeado bispo de Cesaréia da Capadócia, num contexto de diversos cismas e ameaças à fé cristã. Mas foi firme e um grande defensor da Igreja e devido a isso tem o nome de «o Grande». Foi o criador de uma imensa obra a serviço dos pobres, fundando hospitais, asilos, casas de repouso, escolas de artesanato etc.
As coleções litúrgicas bizantinas apresentam três anáforas, uma das quais é atribuída a São Basílio, usada em liturgias muito especiais, devido sua profundidade teológica e extensão dos textos. Existe também uma anáfora Alexandrina de S. Basílio mais breve em grego, em copta, árabe e etíope. As versões siríaca, Armênia, georgiana, eslava e uma outra versão árabe seguem a fórmula bizantina, anterior aos manuscritos gregos.

São Basílio faleceu em 1º de janeiro de 379, na Cesaréia de Capadócia.

São Gregório Nazianzeno e Gregório Nisseno proferiram brilhantes elogios em seu funeral que influenciaram a sua hagiografia. 

Oração Antes de Ler as Escrituras
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!

Tropárion da Festa Tom 1
Ó Jesus, que estando no flamejante Trono Celeste / assentado com Teu Pai não-originado e o Espírito Divino, / Te aprouve nascer na terra / e ter por Mãe, uma Virgem inesposada; /  e, assim, ao oitavo dia do Teu humano nascimento, foste circuncidado. / Glória ao Teu bom conselho! / Glória a Tua aparição! // Glória a Tua condescendência, Ó Único Amante da humanidade!

Tropárion de São Basílio Tom 1
A tua voz se espalhou por toda terra que aceitou a tua palavra, / pela qual explicaste divinamente as verdades dogmáticas, / esclareceste a natureza dos seres e ordenaste os costumes. / Ó Pai justo, revestido do sacerdócio real, // roga a Cristo Deus pela salvação de nossas almas!

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo

Tom 4: 
Foste um sustentáculo firme para a Igreja / e fizeste de teu poder um abrigo para todos nós, / confirmando-nos por teus ensinamentos, // ó justo Basílio, esclarecedor dos mistérios celestes.

Agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém.

Kondákion da Festa Tom 3
O Senhor de todos recebe a circuncisão / e, em sua bondade, corta as faltas dos mortais / e concede hoje a salvação ao mundo. / Alegra-se também nas alturas o pontífice do Criador, // o astro luminoso, o íntimo de Cristo, o divino Basílio.

Prokímenon Tom 6

R. Salva, Senhor, o Teu Povo, / e abençoa a Tua herança. (Sl. 28:9)

V. A Ti, Senhor, ergo a minha voz, meu Deus, Tu que És o meu Rochedo, escuta a minha súplica! (Sl. 28:1).

No 1ºTom:

A minha boca falará sabedoria / e a meditação do meu coração o entendimento.

2 Timóteo 4:5-8

Meu filho, vigiai em todas as coisas; sofre as aflições, faze a obra de um evangelista, faz plena demonstração do teu ministério. Porque já estou pronto para ser oferecido, e o tempo da minha partida está próximo. Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé. Desde agora, me é estendida uma coroa de justiça, a qual o Senhor, o justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amam a sua aparição.

Colossenses 2:8-12


Tendo cuidado para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo; porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade, e tendes a vossa plenitude nele, que é a cabeça de todo principado e potestade, no qual também fostes circuncidados com a circuncisão não feita por mãos no despojar do corpo da carne, a saber, a circuncisão de Cristo; tendo sido sepultados com ele no batismo, no qual também fostes ressuscitados pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dentre os mortos.

Hebreus 7:28-8:2

Fragmento 318A - Irmãos, nos convinha tal sumo sacerdote, santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores, e feito mais sublime do que os céus; que não necessitasse, como os sumos sacerdotes, de oferecer cada dia sacrifícios, primeiramente por seus próprios pecados, e depois pelos do povo; porque isto fez Ele, uma vez, oferecendo-Se a Si mesmo. Porque a Lei constitui sumos sacerdotes a homens fracos, mas a palavra do juramento, que veio depois da Lei, constitui ao Filho, perfeito para sempre. Ora, a suma do que temos dito é que temos um Sumo Sacerdote tal, que está assentado nos céus à destra do trono da majestade, Ministro do santuário, e do verdadeiro tabernáculo, o qual o Senhor fundou, e não o homem. 

Aleluia Tom 8

Deus seja misericordioso conosco e nos abençoar.

Aleluia, Aleluia, Aleluia!

Faça resplandecer o Seu rosto sobre nós e tenha misericórdia de nós.

Aleluia, Aleluia, Aleluia!

Ó Pastor de Israel, atendei,
Tu que apascentas a José como ovelhas.

Aleluia, Aleluia, Aleluia!

Lucas 2:20-21, 40-52

Fragmento 6: Naquela época, os pastores voltaram, glorificando e louvando a Deus por tudo o que viram e ouviram, conforme lhes foi dito. Quando se completaram os oito dias para ser circuncidado o menino, foi-lhe dado o nome de Jesus, que pelo anjo lhe fora posto antes de ser concebido. E o menino ia crescendo e fortalecendo-se, ficando cheio de sabedoria; e a graça de Deus estava sobre ele. Ora, seus pais iam todos os anos a Jerusalém, à festa da Páscoa. Quando Jesus completou doze anos, subiram eles segundo o costume da festa; e, terminados aqueles dias, ao regressarem, ficou o menino Jesus em Jerusalém sem o saberem seus pais; julgando, porém, que estivesse entre os companheiros de viagem, andaram caminho de um dia, e o procuravam entre os parentes e conhecidos; e não o achando, voltaram a Jerusalém em busca dele. E aconteceu que, passados três dias, o acharam no templo, sentado no meio dos doutores, ouvindo-os e interrogando-os. E todos os que o ouviam se admiravam da sua inteligência e das suas respostas. Quando o viram, ficaram maravilhados, e disse-lhe sua mãe: Filho, por que procedeste assim para conosco? Eis que teu pai e eu ansiosos te procurávamos. Respondeu-lhes ele: Por que me procuráveis? Não sabíeis que eu devia estar na casa de meu Pai? Eles, porém, não entenderam as palavras que lhes dissera. Então, descendo com eles, foi para Nazaré, e era-lhes sujeito. E sua mãe guardava todas estas coisas em seu coração. E crescia Jesus em sabedoria, em estatura e em graça diante de Deus e dos homens.

Fragmento 24 - Naquela época, Jesus descendo com eles, parou em uma planície, na companhia de Seus discípulos, e uma grande multidão de povo de toda a Judeia e Jerusalém, e do litoral de Tiro e de Sidom, que tinham vindo para ouvi-Lo, e para serem curados das suas enfermidades; e os que eram atormentados por espíritos imundos, e eles eram curados. E toda a multidão procurava tocar-Lhe; porque saía virtude dele, e curava a todos. E ele levantando os olhos para os Seus discípulos, disse:

Bem-aventurados sois vós, os pobres; porque vosso é o reino de Deus.
Bem-aventurados sois vós, que agora tendes fome; porque sereis fartos.
Bem-aventurados sois vós, que agora chorais; porque haveis de rir. 
Bem-aventurados sereis quando os homens vos odiarem, e quando eles vos separarem da sua companhia, e vos insultarem, e rejeitarem o vosso nome como mau, por causa do Filho do Homem. Regozijai-vos nesse dia, e salteis de alegria, porque eis que é grande a vossa recompensa no céu; porque de maneira semelhante faziam os seus pais aos profetas.

ZADOSTOINIK

Ó cheia de graça, em ti rejubila-se toda a Criação. / A assembleia dos anjos e o gênero humano te glorificam, / ó templo santificado, paraíso espiritual e glória das virgens,/ na qual Deus se encarnou e da qual tornou-se Filho/ Aquele que é nosso Deus antes dos séculos./ Porque fez de teu seio um trono/ e as tuas entranhas, mais vastas do que os céus. / Ó cheia de graça, em ti rejubila-se toda a Criação e te glorifica!

Canto da Comunhão

Louvai ao Senhor nos Céus,
Louvai-O nas alturas.

Regozijai-vos no Senhor. ó Justos;
Aos retos convém o louvor.

Aleluia, aleluia, aleluia!

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ENSINO DOS SANTOS PADRES

São Cirilo de Alexandria, doutor da Igreja (séc. V)


“Ao assumir a condição de escravo, Cristo, de certo modo, foi contado entre os servos”

Acabamos de ver ao Emanuel recostado em um presépio como um menino recém-nascido, envolto em panos conforme o costume humano, porém divinamente celebrado pelo santo exército dos anjos. Serão eles os encarregados de anunciar aos pastores o seu nascimento, pois Deus Pai concedeu aos espíritos celestes este altíssimo privilégio: serem os primeiros em anunciar a Cristo.

Também acabamos de ver hoje como Cristo se submete às leis mosaicas; ainda mais, temos visto como Deus, o legislador, se submetia como um homem comum a suas próprias leis. Esta é a razão pela qual o sapientíssimo Paulo nos dá esta lição: quando éramos menores estávamos escravizados pelo rudimentar do mundo. Porém, quando se cumpriu o tempo, enviou Deus a seu Filho, nascido de mulher, nascido debaixo da lei, para resgatar aos que estavam sob a lei.

Assim, Cristo resgatou da maldição da lei aos que estavam debaixo dela, porém não aos que eram observantes da lei. E como os resgatou? Cumprindo-a, ou dito de outra forma, mostrando-se morígero e obediente em tudo a Deus Pai, a fim de reparar os pecados de prevaricação cometidos em Adão. Pois está escrito que assim como pela desobediência de um só homem todos foram estabelecidos como pecadores, assim também pela obediência de um só todos serão constituídos justos. Portanto, submeteu como nós a cerviz ao jugo da lei, e o fez por razões de justiça.

Convinha, na realidade, que ele cumprisse toda a justiça. Pois ao assumir realmente a condição de servo, ficava, por sua humanidade, inscrito no número dos súditos: pagou, como muitos, aos que cobravam o imposto das duas dracmas, e mesmo quando por sua qualidade de Filho era naturalmente livre e isento do tributo.

Contudo, ao ver-lhe observar a lei, cuidado, não te escandalizes nem o classifique entre os servos, a ele que é livre; esforça-te mais em penetrar a profundidade do plano divino. Ao cumprir-se, pois, os oito dias, em cuja data e por prescrição da lei, era costume praticar a circuncisão da carne, impuseram-lhe um nome, e precisamente o nome de Jesus, que significa salvação do povo.

Tal foi, de fato, o nome que Deus Pai escolheu para seu Filho, nascido de mulher segundo a carne. Pois foi certamente nesse momento, quando de maneira muito singular se levou a bom termo a salvação do povo: e não só de um povo, mas de muitos, ou melhor, de todas as nações e da universalidade da terra. Ao mesmo tempo foi circuncidado e lhe impuseram o nome, convertendo-se Cristo realmente em luz que ilumina as nações e, ao mesmo tempo, em glória de Israel. E embora existissem em Israel alguns injustos, obstinados e insensatos, apesar disso houve um resto que foi salvo e glorificado por Cristo. As primícias foram os discípulos do Senhor, cuja glória resplandece em todo o mundo. Outra glória de Israel é que Cristo, segundo a carne, procede de sua raça, se bem que, enquanto Deus, está acima de todos e é bendito pelos séculos. Amém.

Presta-nos, pois, um bom serviço o sábio evangelista ao relatar-nos tudo o que por nós e para nós suportou o Filho feito carne, sem fazer pouco caso em assumir a nossa pobreza, a fim de que o glorifiquemos como Redentor, como Senhor, como Salvador e como Deus, porque a ele e, com ele a Deus Pai, lhe é devida a glória e o poder, juntamente com o Espírito Santo pelos séculos dos séculos. Amém.

“Ele será um sinal de contradição”

E o que disse de Cristo o Profeta Simeão? Este menino vai ser causa tanto de queda como de reerguimento para muitos em Israel. Ele será um sinal de contradição, visto que o Emanuel é posto para os alicerces de Sião por Deus Pai, sendo uma pedra escolhida, angular e preciosa. Aqueles, então, que confiaram nele não se envergonharam; mas aqueles que eram descrentes e ignorantes, e incapazes de compreender o mistério a respeito dele, caíram, e foram feitos em pedaços. Por Deus Pai novamente foi dito em outro lugar: eis que ponho em Sião uma pedra de tropeço e uma rocha de escândalo, e aquele que crê nela não será confundido; mas aquele sobre quem ela cair, ele será esmagado. Mas o profeta tranquilizou aos israelitas dizendo: Só ao Senhor chameis de santo, é a ele que é preciso respeitar, a ele que se deve temer. Ele será a pedra de escândalo e a pedra de tropeço.

No entanto, porque Israel não santificou o Emanuel, que é Senhor e Deus, nem estava disposto a confiar nele, tropeçaram em uma pedra por causa da descrença, e ele foi feito em pedaços e caiu. Porém, muitos se reergueram, isto é, aqueles que abraçaram a fé nele. Por isso mudaram do legalismo para um ofício espiritual; tendo neles um espírito de serviço, foram enriquecidos com aquele Espírito que os torna livres, e que é o Espírito Santo: eles foram feitos participantes da natureza divina, considerados dignos da adoção filial, e de viver na esperança de alcançar a cidade que é do Alto, até mesmo a cidadania, ou seja: o Reino dos Céus.

E pelo sinal de contradição, ele significa a preciosa cruz, em nome da qual o sapientíssimo Paulo escreve: para os judeus é escândalo, e loucura para os pagãos. E novamente: Para os que estão perecendo é loucura; porém, para nós que somos salvos, é o poder de Deus para a salvação. O sinal, portanto, de contradição, se para aqueles que perecem lhes parece ser loucura, todavia, para aqueles que reconhecem o seu poder, ele é salvação e vida.

E Simeão ainda disse à santa Virgem: sim, uma espada transpassará a tua alma, significando pela espada a dor que ela sofreria por Cristo, visto que ela trouxe à luz o crucificado; e sem saber que ele seria mais forte do que a morte, e ressurgiria da sepultura. Ou tu podias imaginar que a virgem não sabia disso, quando vamos encontrar até mesmo os santos apóstolos, então, com pouca fé; pois em verdade o bem-aventurado Tomé, se ele não introduzisse suas mãos no seu lado após a ressurreição, e sentisse também as marcas dos pregos, iria desacreditar os outros discípulos que lhe diziam que Cristo ressuscitou e tinha-se manifestado a eles.

O evangelista com sabedoria, portanto, para o nosso benefício nos ensina tudo quanto o Filho, feito carne, consentiu padecer por nossa pobreza, suportar em nosso benefício e em nosso favor, para que possamos glorificá-lo como nosso Redentor e Senhor, nosso Salvador e nosso Deus: por quem e com quem a Deus Pai e pelo Espírito Santo sejam a glória e o poder pelos séculos dos séculos. Amém.

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terça-feira, 14 de janeiro de 2020

Circuncisão de Nosso Senhor Deus e Salvador Jesus Cristo

34º SEGUNDA-FEIRA DEPOIS DE PENTECOSTES
14 de Janeiro de 2020 (CC) 01 de Janeiro (CE)
São Basílio, o Grande Arcebispo de Cesárea da Capadócia
Tom 5


Narra o Evangelho que após 8 dias do nascimento de Jesus, Maria e José levaram o Menino até o Templo para oferecê-lo ao Senhor e cumprir o preceito da circuncisão, conforme prescrevia as leis religiosas do povo judeu. Após a primeira parte da narrativa, observa-se um corte cronológico na harmonia dos acontecimentos, para destacar o encontro de Jesus com os Doutores da Lei, no Templo de Jerusalém.

Essas duas narrativas unidas, a princípio tão distantes temporalmente, e tão próximas quanto ao objetivo de sublinhar a dupla natureza do Messias, se fundem numa leitura única. O menino foi levado para circuncisão pois era plenamente humano e estava sujeito às leis sócio-religiosas; no entanto, com 12 anos revelava sua sabedoria extraordinária que tinha uma fonte não humana. Ele era o VERBO de Deus que inicia suas reflexões com aqueles mais ilustres e doutos. «O mundo foi feito por Ele, mas o mundo não O conheceu» (Jo 1,10-11).

Primeiramente, Jesus tinha sido reconhecido como Senhor pelos pastores que vieram prestar-lhe adoração. Eles representavam os marginalizados, pobres, os esquecidos: os verdadeiros destinatários da Boa Nova. Depois foi reconhecido pelo profeta Simeão no templo, onde a profecia de Malaquias se cumpria: 
«De repente, vai chegar ao Templo o Senhor que vós procurais, o mensageiro da Aliança que vós desejais» (Mq 3,1). 
Simeão revelou com a sua profecia que a Salvação não seria só para Israel, mas para todos os povos. Israel foi o lugar da espera e da realização das profecias, mas a Salvação trazida pelo Messias não se restringiria somente à sua área geográfica. O Messias É a luz que iluminaria a todos os povos. Abre-se o horizonte universal do anúncio e da prática do Evangelho. 
Tropárion Modo 1
Ó Senhor misericordioso,
Tu que és Deus por natureza,
tomaste sem alteração uma forma humana
e cumpriste a lei recebendo voluntariamente a circuncisão da carne,
a fim de abolir as figuras e eliminar as trevas de nossas paixões.
Glória pois, à tua bondade,
glória à tua misericórdia;
glória, ó Verbo, à tua indizível condescendência!

Kondákion da Festa
O Senhor de todos recebe a circuncisão
e, em sua bondade, corta as faltas dos mortais
e concede hoje a salvação ao mundo.
Alegra-se também nas alturas o pontífice do Criador,
o astro luminoso, o íntimo de Cristo, o divino Basílio.
São Basílio, o Grande Arcebispo de Cesárea da Capadócia 
Nasceu em Cesaréia, na Capadócia, no ano 330. Foi o autor dos primeiros escritos sobre o Espírito Santo e dedicou-se à vida monástica. Escreveu duas Regras que são seguidas até hoje. Em 370 foi nomeado bispo de Cesaréia da Capadócia, num contexto de diversos cismas e ameaças à fé cristã. Mas foi firme e um grande defensor da Igreja e devido a isso tem o nome de «o Grande». Foi o criador de uma imensa obra a serviço dos pobres, fundando hospitais, asilos, casas de repouso, escolas de artesanato etc.
As coleções litúrgicas bizantinas apresentam três anáforas, uma das quais é atribuída a São Basílio, usada em liturgias muito especiais, devido sua profundidade teológica e extensão dos textos. Existe também uma anáfora Alexandrina de S. Basílio mais breve em grego, em copta, árabe e etíope. As versões siríaca, Armênia, georgiana, eslava e uma outra versão árabe seguem a fórmula bizantina, anterior aos manuscritos gregos.

São Basílio faleceu em 1º de janeiro de 379, na Cesaréia de Capadócia.

São Gregório Nazianzeno e Gregório Nisseno proferiram brilhantes elogios em seu funeral que influenciaram a sua hagiografia. 
Tropárion de São Basílio
A tua voz se espalhou por toda terra que aceitou a tua palavra,
pela qual explicaste divinamente as verdades dogmáticas,
esclareceste a natureza dos seres e ordenaste os costumes.
Ó Pai justo, revestido do sacerdócio real,
roga a Cristo Deus pela salvação de nossas almas!

Kondákion de São Basílio
Foste um sustentáculo firme para a Igreja
e fizeste de teu poder um abrigo para todos nós,
confirmando-nos por teus ensinamentos,
ó justo Basílio, esclarecedor dos mistérios celestes. 


Oração Antes de Ler as Escrituras
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!

MATINAS (X)

João 10:9-16

Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, salvar-se-á, e entrará, e sairá, e achará pastagens. O ladrão não vem senão a roubar, a matar, e a destruir; eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância. Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas. Mas o mercenário, e o que não é pastor, de quem não são as ovelhas, vê vir o lobo, e deixa as ovelhas, e foge; e o lobo as arrebata e dispersa as ovelhas. Ora, o mercenário foge, porque é mercenário, e não tem cuidado das ovelhas. Eu sou o bom Pastor, e conheço as minhas ovelhas, e das minhas sou conhecido. Assim como o Pai me conhece a mim, também eu conheço o Pai, e dou a minha vida pelas ovelhas. Ainda tenho outras ovelhas que não são deste aprisco; também me convém agregar estas, e elas ouvirão a minha voz, e haverá um rebanho e um Pastor.

LITURGIA DE SÃO BASÍLIO

Tropárion
Pela Tua Cruz, destruíste a morte, / abriste as portas do paraíso ao ladrão, / converteste em alegria o pranto das Miróforas / e lhes disseste que aos apóstolos anunciassem / que ressuscitaste dos mortos, ó Cristo Deus, // revelando ao mundo a grande misericórdia. 

Kondákion
O domínio da morte já não pode submeter o homem, / pois Cristo, descendo, aboliu e destruiu o seu poder, / o Hades está vencido, e os profetas se alegram, clamando em uníssono: / «O Salvador apareceu àqueles que têm fé! // Corram, fiéis, para a Ressurreição!» 

Prokímenon

O Senhor dará poder a Seu povo 
O Senhor abençoará Seu povo com a paz.

Oferecei ao Senhor, ó filhos de Deus,
Oferecei ao Senhor tenros cordeiros.

Colossenses 2:8-12

8 Tendo cuidado para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo; 9 porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade, 10 e tendes a vossa plenitude nele, que é a cabeça de todo principado e potestade, 11 no qual também fostes circuncidados com a circuncisão não feita por mãos no despojar do corpo da carne, a saber, a circuncisão de Cristo;    12 tendo sido sepultados com ele no batismo, no qual também fostes ressuscitados pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dentre os mortos...

Aleluia 

Aleluia, aleluia, aleluia!
É bom exaltar o Senhor
E cantar louvores ao teu Nome, ó Altíssimo (Sl 91:1) 

Aleluia, aleluia, aleluia!
Proclamar pela manhã o teu amor
E a tua fidelidade pela noite (Sl 91:2).
Aleluia, aleluia, aleluia!

Lucas 2:20-21, 40-52

20 E voltaram os pastores, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto, como lhes fora dito. 21 Quando se completaram os oito dias para ser circuncidado o menino, foi-lhe dado o nome de Jesus, que pelo anjo lhe fora posto antes de ser concebido. 40 E o menino ia crescendo e fortalecendo-se, ficando cheio de sabedoria; e a graça de Deus estava sobre ele. 41 Ora, seus pais iam todos os anos a Jerusalém, à festa da páscoa. 42 Quando Jesus completou doze anos, subiram eles segundo o costume da festa; 43 e, terminados aqueles dias, ao regressarem, ficou o menino Jesus em Jerusalém sem o saberem seus pais; 44 julgando, porém, que estivesse entre os companheiros de viagem, andaram caminho de um dia, e o procuravam entre os parentes e conhecidos; 45 e não o achando, voltaram a Jerusalém em busca dele. 46 E aconteceu que, passados três dias, o acharam no templo, sentado no meio dos doutores, ouvindo-os e interrogando-os. 47 E todos os que o ouviam se admiravam da sua inteligência e das suas respostas. 48 Quando o viram, ficaram maravilhados, e disse-lhe sua mãe: Filho, por que procedeste assim para conosco? Eis que teu pai e eu ansiosos te procurávamos. 49 Respondeu-lhes ele: Por que me procuráveis? Não sabíeis que eu devia estar na casa de meu Pai? 50 Eles, porém, não entenderam as palavras que lhes dissera. 51 Então, descendo com eles, foi para Nazaré, e era-lhes sujeito. E sua mãe guardava todas estas coisas em seu coração. 52 E crescia Jesus em sabedoria, em estatura e em graça diante de Deus e dos homens.

† † †

ENSINO DOS SANTOS PADRES

São Cirilo de Alexandria, doutor da Igreja (séc. V)


“Ao assumir a condição de escravo, Cristo, de certo modo, foi contado entre os servos”

Acabamos de ver ao Emanuel recostado em um presépio como um menino recém-nascido, envolto em panos conforme o costume humano, porém divinamente celebrado pelo santo exército dos anjos. Serão eles os encarregados de anunciar aos pastores o seu nascimento, pois Deus Pai concedeu aos espíritos celestes este altíssimo privilégio: serem os primeiros em anunciar a Cristo.

Também acabamos de ver hoje como Cristo se submete às leis mosaicas; ainda mais, temos visto como Deus, o legislador, se submetia como um homem comum a suas próprias leis. Esta é a razão pela qual o sapientíssimo Paulo nos dá esta lição: quando éramos menores estávamos escravizados pelo rudimentar do mundo. Porém, quando se cumpriu o tempo, enviou Deus a seu Filho, nascido de mulher, nascido debaixo da lei, para resgatar aos que estavam sob a lei.

Assim, Cristo resgatou da maldição da lei aos que estavam debaixo dela, porém não aos que eram observantes da lei. E como os resgatou? Cumprindo-a, ou dito de outra forma, mostrando-se morígero e obediente em tudo a Deus Pai, a fim de reparar os pecados de prevaricação cometidos em Adão. Pois está escrito que assim como pela desobediência de um só homem todos foram estabelecidos como pecadores, assim também pela obediência de um só todos serão constituídos justos. Portanto, submeteu como nós a cerviz ao jugo da lei, e o fez por razões de justiça.

Convinha, na realidade, que ele cumprisse toda a justiça. Pois ao assumir realmente a condição de servo, ficava, por sua humanidade, inscrito no número dos súditos: pagou, como muitos, aos que cobravam o imposto das duas dracmas, e mesmo quando por sua qualidade de Filho era naturalmente livre e isento do tributo.

Contudo, ao ver-lhe observar a lei, cuidado, não te escandalizes nem o classifique entre os servos, a ele que é livre; esforça-te mais em penetrar a profundidade do plano divino. Ao cumprir-se, pois, os oito dias, em cuja data e por prescrição da lei, era costume praticar a circuncisão da carne, impuseram-lhe um nome, e precisamente o nome de Jesus, que significa salvação do povo.

Tal foi, de fato, o nome que Deus Pai escolheu para seu Filho, nascido de mulher segundo a carne. Pois foi certamente nesse momento, quando de maneira muito singular se levou a bom termo a salvação do povo: e não só de um povo, mas de muitos, ou melhor, de todas as nações e da universalidade da terra. Ao mesmo tempo foi circuncidado e lhe impuseram o nome, convertendo-se Cristo realmente em luz que ilumina as nações e, ao mesmo tempo, em glória de Israel. E embora existissem em Israel alguns injustos, obstinados e insensatos, apesar disso houve um resto que foi salvo e glorificado por Cristo. As primícias foram os discípulos do Senhor, cuja glória resplandece em todo o mundo. Outra glória de Israel é que Cristo, segundo a carne, procede de sua raça, se bem que, enquanto Deus, está acima de todos e é bendito pelos séculos. Amém.

Presta-nos, pois, um bom serviço o sábio evangelista ao relatar-nos tudo o que por nós e para nós suportou o Filho feito carne, sem fazer pouco caso em assumir a nossa pobreza, a fim de que o glorifiquemos como Redentor, como Senhor, como Salvador e como Deus, porque a ele e, com ele a Deus Pai, lhe é devida a glória e o poder, juntamente com o Espírito Santo pelos séculos dos séculos. Amém.
“Ele será um sinal de contradição”

E o que disse de Cristo o Profeta Simeão? Este menino vai ser causa tanto de queda como de reerguimento para muitos em Israel. Ele será um sinal de contradição, visto que o Emanuel é posto para os alicerces de Sião por Deus Pai, sendo uma pedra escolhida, angular e preciosa. Aqueles, então, que confiaram nele não se envergonharam; mas aqueles que eram descrentes e ignorantes, e incapazes de compreender o mistério a respeito dele, caíram, e foram feitos em pedaços. Por Deus Pai novamente foi dito em outro lugar: eis que ponho em Sião uma pedra de tropeço e uma rocha de escândalo, e aquele que crê nela não será confundido; mas aquele sobre quem ela cair, ele será esmagado. Mas o profeta tranquilizou aos israelitas dizendo: Só ao Senhor chameis de santo, é a ele que é preciso respeitar, a ele que se deve temer. Ele será a pedra de escândalo e a pedra de tropeço.

No entanto, porque Israel não santificou o Emanuel, que é Senhor e Deus, nem estava disposto a confiar nele, tropeçaram em uma pedra por causa da descrença, e ele foi feito em pedaços e caiu. Porém, muitos se reergueram, isto é, aqueles que abraçaram a fé nele. Por isso mudaram do legalismo para um ofício espiritual; tendo neles um espírito de serviço, foram enriquecidos com aquele Espírito que os torna livres, e que é o Espírito Santo: eles foram feitos participantes da natureza divina, considerados dignos da adoção filial, e de viver na esperança de alcançar a cidade que é do Alto, até mesmo a cidadania, ou seja: o Reino dos Céus.

E pelo sinal de contradição, ele significa a preciosa cruz, em nome da qual o sapientíssimo Paulo escreve: para os judeus é escândalo, e loucura para os pagãos. E novamente: Para os que estão perecendo é loucura; porém, para nós que somos salvos, é o poder de Deus para a salvação. O sinal, portanto, de contradição, se para aqueles que perecem lhes parece ser loucura, todavia, para aqueles que reconhecem o seu poder, ele é salvação e vida.

E Simeão ainda disse à santa Virgem: sim, uma espada transpassará a tua alma, significando pela espada a dor que ela sofreria por Cristo, visto que ela trouxe à luz o crucificado; e sem saber que ele seria mais forte do que a morte, e ressurgiria da sepultura. Ou tu podias imaginar que a virgem não sabia disso, quando vamos encontrar até mesmo os santos apóstolos, então, com pouca fé; pois em verdade o bem-aventurado Tomé, se ele não introduzisse suas mãos no seu lado após a ressurreição, e sentisse também as marcas dos pregos, iria desacreditar os outros discípulos que lhe diziam que Cristo ressuscitou e tinha-se manifestado a eles.

O evangelista com sabedoria, portanto, para o nosso benefício nos ensina tudo quanto o Filho, feito carne, consentiu padecer por nossa pobreza, suportar em nosso benefício e em nosso favor, para que possamos glorificá-lo como nosso Redentor e Senhor, nosso Salvador e nosso Deus: por quem e com quem a Deus Pai e pelo Espírito Santo sejam a glória e o poder pelos séculos dos séculos. Amém.

† † †

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Circuncisão de Nosso Senhor Deus e Salvador Jesus Cristo

34º SEGUNDA-FEIRA DEPOIS DE PENTECOSTES
14 de Janeiro de 2019 (CC) 01 de Janeiro (CE)
São Basílio, o Grande Arcebispo de Cesárea da Capadócia
Modo 8


Narra o Evangelho que após 8 dias do nascimento de Jesus, Maria e José levaram o Menino até o Templo para oferecê-lo ao Senhor e cumprir o preceito da circuncisão, conforme prescrevia as leis religiosas do povo judeu. Após a primeira parte da narrativa, observa-se um corte cronológico na harmonia dos acontecimentos, para destacar o encontro de Jesus com os Doutores da Lei, no Templo de Jerusalém.

Essas duas narrativas unidas, a princípio tão distantes temporalmente, e tão próximas quanto ao objetivo de sublinhar a dupla natureza do Messias, se fundem numa leitura única. O menino foi levado para circuncisão pois era plenamente humano e estava sujeito às leis sócio-religiosas; no entanto, com 12 anos revelava sua sabedoria extraordinária que tinha uma fonte não humana. Ele era o VERBO de Deus que inicia suas reflexões com aqueles mais ilustres e doutos. «O mundo foi feito por Ele, mas o mundo não O conheceu» (Jo 1,10-11).

Primeiramente, Jesus tinha sido reconhecido como Senhor pelos pastores que vieram prestar-lhe adoração. Eles representavam os marginalizados, pobres, os esquecidos: os verdadeiros destinatários da Boa Nova. Depois foi reconhecido pelo profeta Simeão no templo, onde a profecia de Malaquias se cumpria: 
«De repente, vai chegar ao Templo o Senhor que vós procurais, o mensageiro da Aliança que vós desejais» (Mq 3,1). 
Simeão revelou com a sua profecia que a Salvação não seria só para Israel, mas para todos os povos. Israel foi o lugar da espera e da realização das profecias, mas a Salvação trazida pelo Messias não se restringiria somente à sua área geográfica. O Messias É a luz que iluminaria a todos os povos. Abre-se o horizonte universal do anúncio e da prática do Evangelho. 
Tropárion Modo 1
Ó Senhor misericordioso,
Tu que és Deus por natureza,
tomaste sem alteração uma forma humana
e cumpriste a lei recebendo voluntariamente a circuncisão da carne,
a fim de abolir as figuras e eliminar as trevas de nossas paixões.
Glória pois, à tua bondade,
glória à tua misericórdia;
glória, ó Verbo, à tua indizível condescendência!

Kondákion da Festa
O Senhor de todos recebe a circuncisão
e, em sua bondade, corta as faltas dos mortais
e concede hoje a salvação ao mundo.
Alegra-se também nas alturas o pontífice do Criador,
o astro luminoso, o íntimo de Cristo, o divino Basílio.
São Basílio, o Grande Arcebispo de Cesárea da Capadócia 
Nasceu em Cesaréia, na Capadócia, no ano 330. Foi o autor dos primeiros escritos sobre o Espírito Santo e dedicou-se à vida monástica. Escreveu duas Regras que são seguidas até hoje. Em 370 foi nomeado bispo de Cesaréia da Capadócia, num contexto de diversos cismas e ameaças à fé cristã. Mas foi firme e um grande defensor da Igreja e devido a isso tem o nome de «o Grande». Foi o criador de uma imensa obra a serviço dos pobres, fundando hospitais, asilos, casas de repouso, escolas de artesanato etc.
As coleções litúrgicas bizantinas apresentam três anáforas, uma das quais é atribuída a São Basílio, usada em liturgias muito especiais, devido sua profundidade teológica e extensão dos textos. Existe também uma anáfora Alexandrina de S. Basílio mais breve em grego, em copta, árabe e etíope. As versões siríaca, Armênia, georgiana, eslava e uma outra versão árabe seguem a fórmula bizantina, anterior aos manuscritos gregos.

São Basílio faleceu em 1º de janeiro de 379, na Cesaréia de Capadócia.

São Gregório Nazianzeno e Gregório Nisseno proferiram brilhantes elogios em seu funeral que influenciaram a sua hagiografia. 
Tropárion de São Basílio
A tua voz se espalhou por toda terra que aceitou a tua palavra,
pela qual explicaste divinamente as verdades dogmáticas,
esclareceste a natureza dos seres e ordenaste os costumes.
Ó Pai justo, revestido do sacerdócio real,
roga a Cristo Deus pela salvação de nossas almas!

Kondákion de São Basílio
Foste um sustentáculo firme para a Igreja
e fizeste de teu poder um abrigo para todos nós,
confirmando-nos por teus ensinamentos,
ó justo Basílio, esclarecedor dos mistérios celestes. 


Oração Antes de Ler as Escrituras
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!

MATINAS (X)

João 21:1-14


1 Depois disto manifestou-se Jesus outra vez aos discípulos junto do mar de Tiberíades; e manifestou-se assim: 2 Estavam juntos Simão Pedro, e Tomé, chamado Dídimo, e Natanael, que era de Caná da Galileia, os filhos de Zebedeu, e outros dois dos seus discípulos. 3 Disse-lhes Simão Pedro: Vou pescar. Dizem-lhe eles: Também nós vamos contigo. Foram, e subiram logo para o barco, e naquela noite nada apanharam. 4 E, sendo já manhã, Jesus se apresentou na praia, mas os discípulos não conheceram que era Jesus. 5 Disse-lhes, pois, Jesus: Filhos, tendes alguma coisa de comer? Responderam-lhe: Não. 6 E ele lhes disse: Lançai a rede para o lado direito do barco, e achareis. Lançaram-na, pois, e já não a podiam tirar, pela multidão dos peixes. 7 Então aquele discípulo, a quem Jesus amava, disse a Pedro: É o Senhor. E, quando Simão 8 Pedro ouviu que era o Senhor, cingiu-se com a túnica (porque estava nu) e lançou-se ao mar. 9 E os outros discípulos foram com o barco (porque não estavam distantes da terra senão quase duzentos côvados), levando a rede cheia de peixes. 10 Logo que desceram para terra, viram ali brasas, e um peixe posto em cima, e pão. 11 Disse-lhes Jesus: Trazei dos peixes que agora apanhastes. 12 Simão Pedro subiu e puxou a rede para terra, cheia de cento e cinquenta e três grandes peixes e, sendo tantos, não se rompeu a rede. 13 Disse-lhes Jesus: Vinde, comei. E nenhum dos discípulos ousava perguntar-lhe: Quem és tu? sabendo que era o Senhor. 14 Chegou, pois, Jesus, e tomou o pão, e deu-lhes e, semelhantemente o peixe. E já era a terceira vez que Jesus se manifestava aos seus discípulos, depois de ter ressuscitado dentre os mortos.

LITURGIA DE SÃO BASÍLIO

Tropárion
Pela Tua Cruz, destruíste a morte, / abriste as portas do paraíso ao ladrão, / converteste em alegria o pranto das Miróforas / e lhes disseste que aos apóstolos anunciassem / que ressuscitaste dos mortos, ó Cristo Deus, // revelando ao mundo a grande misericórdia. 

Kondákion
O domínio da morte já não pode submeter o homem, / pois Cristo, descendo, aboliu e destruiu o seu poder, / o Hades está vencido, e os profetas se alegram, clamando em uníssono: / «O Salvador apareceu àqueles que têm fé! // Corram, fiéis, para a Ressurreição!» 

Theotókion
Como templo da nossa ressurreição, / ó Toda-gloriosa retira do túmulo e da desolação aqueles que esperam em ti, / tu nos salvaste da escravidão do pecado, / gerando a nossa Salvação, // permanecendo sempre virgem. 

Prokímenon

O Senhor dará poder a Seu povo 
O Senhor abençoará Seu povo com a paz.

Oferecei ao Senhor, ó filhos de Deus,
Oferecei ao Senhor tenros cordeiros.

Colossenses 2:8-12

8 Tendo cuidado para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo; 9 porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade, 10 e tendes a vossa plenitude nele, que é a cabeça de todo principado e potestade, 11 no qual também fostes circuncidados com a circuncisão não feita por mãos no despojar do corpo da carne, a saber, a circuncisão de Cristo;    12 tendo sido sepultados com ele no batismo, no qual também fostes ressuscitados pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dentre os mortos...

Aleluia 

Aleluia, aleluia, aleluia!
É bom exaltar o Senhor
E cantar louvores ao teu Nome, ó Altíssimo (Sl 91:1) 

Aleluia, aleluia, aleluia!
Proclamar pela manhã o teu amor
E a tua fidelidade pela noite (Sl 91:2).
Aleluia, aleluia, aleluia! 

Lucas 2:20-21, 40-52

20 E voltaram os pastores, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto, como lhes fora dito. 21 Quando se completaram os oito dias para ser circuncidado o menino, foi-lhe dado o nome de Jesus, que pelo anjo lhe fora posto antes de ser concebido. 40 E o menino ia crescendo e fortalecendo-se, ficando cheio de sabedoria; e a graça de Deus estava sobre ele. 41 Ora, seus pais iam todos os anos a Jerusalém, à festa da páscoa. 42 Quando Jesus completou doze anos, subiram eles segundo o costume da festa; 43 e, terminados aqueles dias, ao regressarem, ficou o menino Jesus em Jerusalém sem o saberem seus pais; 44 julgando, porém, que estivesse entre os companheiros de viagem, andaram caminho de um dia, e o procuravam entre os parentes e conhecidos; 45 e não o achando, voltaram a Jerusalém em busca dele. 46 E aconteceu que, passados três dias, o acharam no templo, sentado no meio dos doutores, ouvindo-os e interrogando-os. 47 E todos os que o ouviam se admiravam da sua inteligência e das suas respostas. 48 Quando o viram, ficaram maravilhados, e disse-lhe sua mãe: Filho, por que procedeste assim para conosco? Eis que teu pai e eu ansiosos te procurávamos. 49 Respondeu-lhes ele: Por que me procuráveis? Não sabíeis que eu devia estar na casa de meu Pai? 50 Eles, porém, não entenderam as palavras que lhes dissera. 51 Então, descendo com eles, foi para Nazaré, e era-lhes sujeito. E sua mãe guardava todas estas coisas em seu coração. 52 E crescia Jesus em sabedoria, em estatura e em graça diante de Deus e dos homens.

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ENSINO DOS SANTOS PADRES

São Cirilo de Alexandria, doutor da Igreja (séc. V)


“Ao assumir a condição de escravo, Cristo, de certo modo, foi contado entre os servos”

Acabamos de ver ao Emanuel recostado em um presépio como um menino recém-nascido, envolto em panos conforme o costume humano, porém divinamente celebrado pelo santo exército dos anjos. Serão eles os encarregados de anunciar aos pastores o seu nascimento, pois Deus Pai concedeu aos espíritos celestes este altíssimo privilégio: serem os primeiros em anunciar a Cristo.

Também acabamos de ver hoje como Cristo se submete às leis mosaicas; ainda mais, temos visto como Deus, o legislador, se submetia como um homem comum a suas próprias leis. Esta é a razão pela qual o sapientíssimo Paulo nos dá esta lição: quando éramos menores estávamos escravizados pelo rudimentar do mundo. Porém, quando se cumpriu o tempo, enviou Deus a seu Filho, nascido de mulher, nascido debaixo da lei, para resgatar aos que estavam sob a lei.

Assim, Cristo resgatou da maldição da lei aos que estavam debaixo dela, porém não aos que eram observantes da lei. E como os resgatou? Cumprindo-a, ou dito de outra forma, mostrando-se morígero e obediente em tudo a Deus Pai, a fim de reparar os pecados de prevaricação cometidos em Adão. Pois está escrito que assim como pela desobediência de um só homem todos foram estabelecidos como pecadores, assim também pela obediência de um só todos serão constituídos justos. Portanto, submeteu como nós a cerviz ao jugo da lei, e o fez por razões de justiça.

Convinha, na realidade, que ele cumprisse toda a justiça. Pois ao assumir realmente a condição de servo, ficava, por sua humanidade, inscrito no número dos súditos: pagou, como muitos, aos que cobravam o imposto das duas dracmas, e mesmo quando por sua qualidade de Filho era naturalmente livre e isento do tributo.

Contudo, ao ver-lhe observar a lei, cuidado, não te escandalizes nem o classifique entre os servos, a ele que é livre; esforça-te mais em penetrar a profundidade do plano divino. Ao cumprir-se, pois, os oito dias, em cuja data e por prescrição da lei, era costume praticar a circuncisão da carne, impuseram-lhe um nome, e precisamente o nome de Jesus, que significa salvação do povo.

Tal foi, de fato, o nome que Deus Pai escolheu para seu Filho, nascido de mulher segundo a carne. Pois foi certamente nesse momento, quando de maneira muito singular se levou a bom termo a salvação do povo: e não só de um povo, mas de muitos, ou melhor, de todas as nações e da universalidade da terra. Ao mesmo tempo foi circuncidado e lhe impuseram o nome, convertendo-se Cristo realmente em luz que ilumina as nações e, ao mesmo tempo, em glória de Israel. E embora existissem em Israel alguns injustos, obstinados e insensatos, apesar disso houve um resto que foi salvo e glorificado por Cristo. As primícias foram os discípulos do Senhor, cuja glória resplandece em todo o mundo. Outra glória de Israel é que Cristo, segundo a carne, procede de sua raça, se bem que, enquanto Deus, está acima de todos e é bendito pelos séculos. Amém.

Presta-nos, pois, um bom serviço o sábio evangelista ao relatar-nos tudo o que por nós e para nós suportou o Filho feito carne, sem fazer pouco caso em assumir a nossa pobreza, a fim de que o glorifiquemos como Redentor, como Senhor, como Salvador e como Deus, porque a ele e, com ele a Deus Pai, lhe é devida a glória e o poder, juntamente com o Espírito Santo pelos séculos dos séculos. Amém.

“Ele será um sinal de contradição”

E o que disse de Cristo o Profeta Simeão? Este menino vai ser causa tanto de queda como de reerguimento para muitos em Israel. Ele será um sinal de contradição, visto que o Emanuel é posto para os alicerces de Sião por Deus Pai, sendo uma pedra escolhida, angular e preciosa. Aqueles, então, que confiaram nele não se envergonharam; mas aqueles que eram descrentes e ignorantes, e incapazes de compreender o mistério a respeito dele, caíram, e foram feitos em pedaços. Por Deus Pai novamente foi dito em outro lugar: eis que ponho em Sião uma pedra de tropeço e uma rocha de escândalo, e aquele que crê nela não será confundido; mas aquele sobre quem ela cair, ele será esmagado. Mas o profeta tranquilizou aos israelitas dizendo: Só ao Senhor chameis de santo, é a ele que é preciso respeitar, a ele que se deve temer. Ele será a pedra de escândalo e a pedra de tropeço.

No entanto, porque Israel não santificou o Emanuel, que é Senhor e Deus, nem estava disposto a confiar nele, tropeçaram em uma pedra por causa da descrença, e ele foi feito em pedaços e caiu. Porém, muitos se reergueram, isto é, aqueles que abraçaram a fé nele. Por isso mudaram do legalismo para um ofício espiritual; tendo neles um espírito de serviço, foram enriquecidos com aquele Espírito que os torna livres, e que é o Espírito Santo: eles foram feitos participantes da natureza divina, considerados dignos da adoção filial, e de viver na esperança de alcançar a cidade que é do Alto, até mesmo a cidadania, ou seja: o Reino dos Céus.

E pelo sinal de contradição, ele significa a preciosa cruz, em nome da qual o sapientíssimo Paulo escreve: para os judeus é escândalo, e loucura para os pagãos. E novamente: Para os que estão perecendo é loucura; porém, para nós que somos salvos, é o poder de Deus para a salvação. O sinal, portanto, de contradição, se para aqueles que perecem lhes parece ser loucura, todavia, para aqueles que reconhecem o seu poder, ele é salvação e vida.

E Simeão ainda disse à santa Virgem: sim, uma espada transpassará a tua alma, significando pela espada a dor que ela sofreria por Cristo, visto que ela trouxe à luz o crucificado; e sem saber que ele seria mais forte do que a morte, e ressurgiria da sepultura. Ou tu podias imaginar que a virgem não sabia disso, quando vamos encontrar até mesmo os santos apóstolos, então, com pouca fé; pois em verdade o bem-aventurado Tomé, se ele não introduzisse suas mãos no seu lado após a ressurreição, e sentisse também as marcas dos pregos, iria desacreditar os outros discípulos que lhe diziam que Cristo ressuscitou e tinha-se manifestado a eles.

O evangelista com sabedoria, portanto, para o nosso benefício nos ensina tudo quanto o Filho, feito carne, consentiu padecer por nossa pobreza, suportar em nosso benefício e em nosso favor, para que possamos glorificá-lo como nosso Redentor e Senhor, nosso Salvador e nosso Deus: por quem e com quem a Deus Pai e pelo Espírito Santo sejam a glória e o poder pelos séculos dos séculos. Amém.

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