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segunda-feira, 27 de abril de 2026

3ª Segunda-feira da Páscoa


27 de Abril de 2026 (CC) / 14 de Abril (CE)
São Martinho, o Confessor, Patriarca de Roma, mártir († 656)
Santo Mártir Ardalion, o Comediante († Séc. III ?)



«Cristo ressuscitou dos mortos, 
Pisoteando a morte com Sua morte, 
E outorgando a vida 
Aos que jaziam nos sepulcros!»


No início, Ardalion era um comediante. Por ser o martírio público dos cristãos uma diversão muito apreciada pelo povo, Ardalion, compulsiva e reiteradamente, representava em seus espetáculos, o papel de um mártir da Fé, zombando dos cristãos de todas as maneiras possíveis.
 
Foi durante uma perseguição deflagrada à época do reinado do Imperador Maximiano, que seu espírito mudou completamente. Na frente da multidão, São Ardalion gritou em voz alta que ele era um cristão e que não estava brincando. E por isto, Ardalion, foi preso e condenado. Ele padeceu por Cristo e morreu triturado, amarrado a um carro de abrir estradas vermelho, cumprindo verdadeira e honrosamente o papel de um mártir. 

Os santos nove mártires de Cízico foram um grupo de nove cristãos que, nas últimas décadas do século III foram martirizados na cidade de Cízico na Ásia Menor por defender sua fé em Jesus Cristo. Chamavam-se Taumásio, Teógnis, Rufo, Antípatro, Teóstico, Ártemas, Magno, Teódoto e Filemom.
Enquanto pela cidade de Cízico na costa de Dardanelos (Helesponto) na Ásia Menor viu-se a difusão do cristianismo a partir da pregação de São Paulo, no final do terceiro século Cízico ainda era basicamente uma cidade pagã. Durante as perseguições, alguns dos cristãos fugiram da cidade, enquanto outros silenciosamente em segredo mantinham sua fé em Cristo. A situação afligiu os cristãos na cidade que procuraram defender ativamente a fé cristã. Através destes anos enquanto o terceiro século terminava, lá estavam entre esses cristãos nove homens: Taumásio, Teógnis, Rufo, Antípatro, Teóstico, Ártemas, Magno, Teódoto e Filemom.

Os nove vieram de muitos lugares diferentes e eram de diferentes idades. Havia jovens como Antípatro e idosos como Rufo. Eles tinham muitas ocupações diferentes na sociedade, incluindo soldados, camponeses, pessoas da cidade, e do clero. Todos eles, no entanto, declaravam sua fé em Cristo, e oravam pela propagação do cristianismo em toda a região. Estes santos corajosamente confessaram Cristo e destemidamente denunciaram a impiedade pagã.

Por sua vez, eles foram presos e levados a julgamento. Depois que o governador da cidade, condenou-os, eles foram torturados durante vários dias, então na prisão, antes de voltarem a ser levados novamente ao juiz, prometeram-lhes a liberdade se renunciassem a Cristo. Mas, como soldados de Cristo, eles continuaram a glorificar o Senhor. Durante os anos de 286 a 299 todos os nove mártires foram decapitados pela espada, e seus corpos enterrados perto da cidade.

No ano de 324, após cessarem as perseguições contra os cristãos sob o governo de Constantino, o Grande, os cristãos de Cízico removeram os corpos incorruptos dos mártires de seus túmulos e os colocaram em uma igreja construída em sua honra. Na igreja muitos milagres ocorreram diante das relíquias dos mártires: os doentes eram curados, e os mentalmente perturbados tornavam-se sãos . Pela intercessão dos santos mártires de Cízico a fé em Cristo cresceu dentro da cidade e muitos pagãos se converteram ao cristianismo.
Tropária e Kondákia Para As Hostes Celestiais dos Incorpóreos. 
Comemorados Às Segundas-feiras 
Tropárion, Tom 4: Arcanjos das Hostes Celestiais, nós, os indignos, incessantemente vos suplicamos que nos protejais com vossas preces sob a proteção das asas de vossa glória imaterial, preservando-nos, nós que nos prostramos fervorosamente e clamamos: “ Livrai -nos das aflições, como os comandantes dos Poderes Supremos!”
Kondákion, Tom 2: Arcanjos de Deus, servos da Glória Divina, líderes dos Anjos e guias dos homens, intercedam por nós com grande misericórdia, como Arcanjos incorpóreos.

Oração Antes de Ler as Escrituras
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém! 

Atos 6:8 - 7:1-5, 47-60

Fragmento 17 - Naqueles dias, Estêvão, cheio de fé e poder, realizou grandes sinais e maravilhas entre o povo. Levantaram-se, porém, alguns que eram da sinagoga chamada dos libertos, dos cireneus, dos alexandrinos, dos da Cilícia e da Ásia, e disputavam com Estêvão; e não podiam resistir à sabedoria e ao Espírito com que falava. Então subornaram uns homens para que dissessem: "Temo-lo ouvido proferir palavras blasfemas contra Moisés e contra Deus". Assim excitaram o povo, os anciãos, e os escribas; e investindo contra ele, o arrebataram e o levaram ao sinédrio; e apresentaram falsas testemunhas que diziam: "Este homem não cessa de proferir palavras contra este santo lugar e contra a Lei; porque nós o temos ouvido dizer que esse Jesus, o nazareno, há de destruir este lugar e mudar os costumes que Moisés nos transmitiu". Então todos os que estavam assentados no Sinédrio, fitando os olhos nele, viram o seu rosto como de um anjo. E disse o Sumo Sacerdote: "Porventura são assim estas coisas?" Estêvão respondeu: "Irmãos e pais, ouvi. O Deus da glória apareceu a nosso pai Abraão, estando ele na Mesopotâmia, antes de habitar em Harã, e disse-lhe:

'Sai da tua terra e dentre a tua parentela, e dirige-te à terra que Eu te mostrar'.

Então saiu da terra dos caldeus e habitou em Harã. Dali, depois que seu pai faleceu, Deus o trouxe para esta terra em que vós agora habitais. E não lhe deu nela herança, nem sequer o espaço de um pé; mas prometeu que lha daria em possessão, e depois dele à sua descendência, não tendo ele ainda filho. Entretanto foi Salomão quem Lhe edificou uma casa; mas o Altíssimo não habita em templos feitos por mãos de homens, como diz o profeta:

'O céu é Meu trono, e a terra o escabelo dos Meus pés. Que casa Me edificareis, diz o Senhor, ou qual o lugar do Meu repouso? Não fez, porventura, a Minha mão todas estas coisas?"

Homens de dura cerviz, e incircuncisos de coração e ouvido, vós sempre resistis ao Espírito Santo; como o fizeram os vossos pais, assim também vós. A qual dos profetas não perseguiram vossos pais? Até mataram os que dantes anunciaram a vinda do Justo, do qual vós agora vos tornastes traidores e homicidas, vós, que recebestes a Lei por ordenação dos anjos, e não a guardastes". Ouvindo eles isto, enfureciam-se em seus corações, e rangiam os dentes contra Estêvão. Mas ele, cheio do Espírito Santo, fitando os olhos no céu, viu a glória de Deus, e Jesus em pé à direita de Deus, e disse: "Eis que vejo os céus abertos, e o Filho do Homem em pé à direita de Deus". Então eles gritaram com grande voz, taparam os ouvidos, e arremeteram unânimes contra ele e, lançando-o fora da cidade o apedrejavam. E as testemunhas depuseram as suas vestes aos pés de um mancebo chamado Saulo. Apedrejavam, pois, a Estêvão que orando, dizia: "Senhor Jesus, recebe o meu espírito." E pondo-se de joelhos, clamou com grande voz: "Senhor, não lhes imputes este pecado". Tendo dito isto, adormeceu. E Saulo consentia na sua morte.

João 4:46-54

Fragmento 13 – Naqueles dias, pela segunda vez foi Jesus a Caná da Galileia, onde da água fizera vinho. E havia ali um nobre, cujo filho estava enfermo em Cafarnaum. Ouvindo este que Jesus vinha da Judéia para a Galileia, foi ter com Ele, e rogou-Lhe que descesse, e curasse o seu filho, porque já estava à morte. Então Jesus Lhe disse: "Se não virdes sinais e milagres, não crereis". Disse-lhe o nobre: "Senhor, desce, antes que meu filho morra". Disse-lhe Jesus: "Vai, o teu filho vive". E o homem creu na palavra que Jesus lhe disse, e partiu. E descendo ele logo, saíram-lhe ao encontro os seus servos, e lhe anunciaram, dizendo: "O teu filho vive". Perguntou-lhes, pois, a que hora se achara melhor. E disseram-lhe: "Ontem às sete horas a febre o deixou". Entendeu, pois, o pai que era aquela hora a mesma em que Jesus lhe disse: "O teu filho vive"; e creu ele, e toda a sua casa. Jesus fez este segundo milagre, quando ia da Judéia para a Galileia.

† † †

domingo, 27 de abril de 2025

Domingo de São Tomé


2º DOMINGO DA PÁSCOA: ANTIPÁSCOA
27 de Abril de 2025 (CC) / 14 de Abril (CE)
São Martinho, o Confessor, Patriarca de Roma, mártir († 656)
Santo Mártir Ardalion, o Comediante († Séc. III ?)






«Cristo ressuscitou dos mortos, 
Pisoteando a morte com Sua morte, 
E outorgando a vida 
Aos que jaziam nos sepulcros!»


A sua terra natal era Todi e na Igreja Romana era diácono, mas, o seu grande feito seria o de substituir o então Papa Teodoro em 13 de maio de 649. 
Cedo provou ser de linha dura, tendo mão forte no governo, onde, inclusive, não aguardou o consentimento da sua eleição pelo então Imperador Constante II. Por disputas políticas, das quais Martinho participou de modo a incomodar o Imperador com a sua atitude, este último ordenou que o exarca de Ravena, de nome Olímpio, assassinasse Martinho em meio da celebração de uma liturgia em que ambos estavam presentes. Mas, ao tentar cravar o punhal, Olímpio foi atingido por uma intensa luz que o cegaria totalmente. Este acontecimento convenceu o próprio Olímpio da santidade daquele ao qual esteve disposto a matar. Assim, mudou de atitude e tentou a reconciliação com o santo. 
O Imperador sabendo da morte em 653 de Olímpio, conseguiu concretizar a sua vingança com o mais novo exarca que seria Teodoro de Calíopa, que prende o Papa. Neste momento a acusação era a de Martinho ter-se apropriado ilegalmente do cargo de Papa e, assim, inicia o seu longo período de martírio e dor, onde se somaram as piores calamidades. Ao longo de todo esse sofrimento tentava manter a vontade do corpo, mas, por fim foi aprisionado e submetido à falta de comida que o enfraqueceria até a morte em 13 de Abril de 656.
Comemoração de São Ardalion 
No início, Ardalion era um comediante. Por ser o martírio público dos cristãos uma diversão muito apreciada pelo povo, Ardalion, compulsiva e reiteradamente, representava em seus espetáculos, o papel de um mártir da Fé, zombando dos cristãos de todas as maneiras possíveis.
 
Foi durante uma perseguição deflagrada à época do reinado do Imperador Maximiano, que seu espírito mudou completamente. Na frente da multidão, São Ardalion gritou em voz alta que ele era um cristão e que não estava brincando. E por isto, Ardalion, foi preso e condenado. Ele padeceu por Cristo e morreu triturado, amarrado a um carro de abrir estradas vermelho, cumprindo verdadeira e honrosamente o papel de um mártir. 

Os santos nove mártires de Cízico foram um grupo de nove cristãos que, nas últimas décadas do século III foram martirizados na cidade de Cízico na Ásia Menor por defender sua fé em Jesus Cristo. Chamavam-se Taumásio, Teógnis, Rufo, Antípatro, Teóstico, Ártemas, Magno, Teódoto e Filemom.
Enquanto pela cidade de Cízico na costa de Dardanelos (Helesponto) na Ásia Menor viu-se a difusão do cristianismo a partir da pregação de São Paulo, no final do terceiro século Cízico ainda era basicamente uma cidade pagã. Durante as perseguições, alguns dos cristãos fugiram da cidade, enquanto outros silenciosamente em segredo mantinham sua fé em Cristo. A situação afligiu os cristãos na cidade que procuraram defender ativamente a fé cristã. Através destes anos enquanto o terceiro século terminava, lá estavam entre esses cristãos nove homens: Taumásio, Teógnis, Rufo, Antípatro, Teóstico, Ártemas, Magno, Teódoto e Filemom.

Os nove vieram de muitos lugares diferentes e eram de diferentes idades. Havia jovens como Antípatro e idosos como Rufo. Eles tinham muitas ocupações diferentes na sociedade, incluindo soldados, camponeses, pessoas da cidade, e do clero. Todos eles, no entanto, declaravam sua fé em Cristo, e oravam pela propagação do cristianismo em toda a região. Estes santos corajosamente confessaram Cristo e destemidamente denunciaram a impiedade pagã.

Por sua vez, eles foram presos e levados a julgamento. Depois que o governador da cidade, condenou-os, eles foram torturados durante vários dias, então na prisão, antes de voltarem a ser levados novamente ao juiz, prometeram-lhes a liberdade se renunciassem a Cristo. Mas, como soldados de Cristo, eles continuaram a glorificar o Senhor. Durante os anos de 286 a 299 todos os nove mártires foram decapitados pela espada, e seus corpos enterrados perto da cidade.

No ano de 324, após cessarem as perseguições contra os cristãos sob o governo de Constantino, o Grande, os cristãos de Cízico removeram os corpos incorruptos dos mártires de seus túmulos e os colocaram em uma igreja construída em sua honra. Na igreja muitos milagres ocorreram diante das relíquias dos mártires: os doentes eram curados, e os mentalmente perturbados tornavam-se sãos . Pela intercessão dos santos mártires de Cízico a fé em Cristo cresceu dentro da cidade e muitos pagãos se converteram ao cristianismo.

Oração Antes de Ler as Escrituras
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém! 

MATINAS (I)

Mateus 28:16-20


§ 116 - Naquela época, os onze discípulos partiram para a Galileia, para o monte onde Jesus os havia ordenado. Quando O viram, prostraram-se em adoração, mas, duvidaram. Então, Jesus aproximou-Se deles e disse: “Toda a autoridade Me foi dada no céu e na terra. Ide, portanto, e fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em Nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a observar todas as coisas que vos ordenei. E eis que estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos.” Amém!

LITURGIA

Tropárion da Semana de Antipáscoa, Tom 7
Estando o sepulcro selado, Ó Vida, / Tu resplandeceste do túmulo, Ó Cristo Deus. / E ainda que as portas se encontrassem fechadas, / vieste aos Teus discípulos, Ó Ressurreição de todos, / renovando em nós, por eles,  o Espírito de retidão, // por Tua grande e infinita misericórdia.

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém.

Kondákion 
da Semana de Antipáscoa, Tom 8
A hesitante mão direita de Tomé tocou Teu lado, Ó Portador da Vida; / e ao entrares enquanto as portas estavam fechadas, Ó Cristo Deus; / então, com o resto dos discípulos, ele a Ti exclamou :  // Tu És o meu Senhor e o meu Deus!

Prokímenon, Tom 3

R. Grande É o Senhor nosso Deus e poderosa a Sua força;
Sua sabedoria não tem limites.

V. Louvai o Senhor, porque Ele É bom!
Agradável é o louvor ao nosso Deus.

Atos 5:12-20

§ 14 – 
Naqueles dias, 
muitos sinais e prodígios eram feitos entre o povo pelas mãos dos apóstolos. E estavam todos de comum acordo no Pórtico de Salomão. Dos outros, porém, nenhum ousava ajuntar-se a eles; mas o povo os tinha em grande estima; e cada vez mais se agregavam crentes ao Senhor em grande número, tanto de homens como de mulheres; a ponto de transportarem os enfermos para as ruas, e os colocavam em leitos e macas, para que ao passar Pedro, ao menos sua sombra cobrisse alguns deles. Também das cidades circunvizinhas afluía muita gente a Jerusalém, conduzindo enfermos e atormentados de espíritos imundos, os quais eram todos curados. Levantando-se o Sumo Sacerdote e todos os que estavam com ele (isto é, a seita dos saduceus), encheram-se de inveja, deitaram mão nos apóstolos, e os puseram na prisão pública. Mas de noite um anjo do Senhor abriu as portas do cárcere e, tirando-os para fora, disse: “Ide, apresentai-vos no templo, e falai ao povo todas as palavras desta vida”.

Aleluia

Aleluia, aleluia, aleluia! (3x)

Vinde, regozijemo-nos no Senhor;
cantemos as glórias de Deus, nosso Salvador!

Porque o Senhor É grande,
É o grande Rei de toda a terra.

João 20:19-31

§ 65A – 
Naquele primeiro dia da semana, ao entardecer daquele dia, e estando os discípulos reunidos com as portas cerradas por medo dos judeus, chegou Jesus, pôs-Se no meio e disse-lhes: “Paz seja convosco”. Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Alegraram-se, pois, os discípulos ao verem o Senhor. Disse-lhes, então, Jesus segunda vez: “Paz seja convosco; assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós”. E havendo dito isso, soprou sobre eles, e disse-lhes: “Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, são-lhes perdoados; e àqueles a quem os retiverdes, são-lhes retidos”. Ora, Tomé, um dos doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus. Diziam-lhe, pois, os outros discípulos: “Vimos o Senhor”. Ele, porém, lhes respondeu: “Se eu não vir o sinal dos cravos nas mãos, e não meter a mão no seu lado, de maneira nenhuma crerei”. Oito dias depois estavam os discípulos outra vez ali reunidos, e Tomé com eles. Chegou Jesus, estando as portas fechadas, pôs-Se no meio deles e disse: “Paz seja convosco”. Depois disse a Tomé: “Chega aqui o teu dedo, e vê as Minhas mãos; chega a tua mão, e mete-a no Meu lado; e não mais sejas incrédulo, mas crente”. Respondeu-Lhe Tomé: “Senhor meu, e Deus meu!” Disse-lhe Jesus: “Porque Me viste, creste? Bem-aventurados os que não viram e creram”. Jesus, na verdade, operou na presença de Seus discípulos ainda muitos outros sinais que não estão escritos neste livro; estes, porém, estão escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em Seu Nome.

Zadostoinik
O Anjo exclamou à Cheia de Graça: / "Virgem pura rejubila!"/ De novo digo: rejubila, // teu Filho ressuscitou do túmulo ao terceiro dia!
 
Resplandece, resplandece, ó nova Jerusalém, / pois a glória do Senhor brilhou sobre ti! / Dança de alegria e rejubila ó Sião; / e tu, Mãe de Deus toda pura, / sê exaltada na Ressurreição // Daquele a quem deste a luz.

Canto da Comunhão
Louvai ao Senhor,  Jerusalém!
Louvai o teu Deus, ó Sião.
Aleluia, aleluia, aleluia!

† † †

Homilia

Pe. Sergei Sveshnikov.

Queridos irmãos e irmãs em Cristo!
Cristo ressuscitou!

Durante toda a Semana Luminosa  vivemos na alegria pascal do Salvador ressuscitado, e a nossa alegria, assim como a dos santos apóstolos, foi misturada por uma confusão de sentimentos.

Afinal, não faz  muito tempo , nós estávamos lembrando da morte daquele que é a Fonte da vida, mas agora nós nos alegramos, pois fomos  restaurados para a vida por Ele.

Assim como os santos apóstolos fizeram durante os primeiros dias após a ressurreição, nos vividamente lembramos das paixões de Cristo durante a leitura dos 12 Evangelhos: a morte do Senhor e a retirada do Seu corpo da Cruz,  o  Seu sepultamento , para nós simbolizados quando carregamos o Sudário e fazemos a procissão ao redor da igreja, até  as longas horas de espera em jejum total e oração, até o milagre no sábado da Grande Quietude.

Já nos primeiros momentos daquela manhã no dia do Ressurreição, a boa notícia foi sendo propagada para toda a criação, tanto pelos anjos do céu (Marcos 16:06) quanto pelas santas miróforas  na terra (Lucas 24:9) e até mesmo pelos  guardas do Sinédrio (Mateus 28:11)  que já haviam falado sobre o milagre.

Contudo, ainda assim os apóstolos estavam  em um estado de medo e dúvida, escondendo-se  por trás de portas "por medo dos judeus" (João 20:19).

A dúvida dos discípulos não deve nos surpreender, pois eles afinal eram testemunhas do maior milagre da história da criação: O homem matou Deus, e Ele ressuscitou dos mortos e salvou a raça  humana das garras do inferno.

Os discípulos de Cristo, depois da detenção do Mestre, esqueceram todas as Suas profecias sobre as coisas que estariam por vir.

E é por isso que eles não acreditaram de pronto na milagrosa história  registrada pelas Santas Miróforas  (Marcos 16:11, Lucas 24:11), e mesmo enquanto conversavam com o Ressuscitado face a face, eles hesitavam em confiar em seus próprios corações (Lucas 24:25), que estavam a arder e tremer na presença de Deus (Lucas 24:32).

Esta maravilhosa descrença (Lucas 24:41), advinda da fraqueza humana , incapaz de abarcar a magnitude do milagre que teve lugar, reflete-se nas famosas palavras do apóstolo Tomé: "Se eu não vir o sinal dos pregos nas mãos e colocar o meu dedo onde estavam os pregos, e por a minha mão no seu lado, eu não vou acreditar. "(João 20:25)

Muitas vezes as pessoas referem-se a Tomé como aquele que "duvidou",  sem realmente considerar a profundidade e a dimensão da "dúvida" deste santo apóstolo.

Mas vamos agora olhar mais cuidadosamente para este homem.

Pois então, podemos pensar que a sua dúvida era a mesma que a dos judeus que gritavam: "desça agora da cruz, e acreditaremos  "(Mateus 27:42).

E assim, podemos especular se essa dúvida não seria semelhante a aquela que ouvimos proferida pelos nossos contemporâneos, quando esses dizem : "Se Deus existe, que Ele se mostre a todos, e vamos então passar a crer nEle "?

Os antigos escribas e fariseus sabiam de todos os milagres de Cristo e, ao que parece, sabia Quem Jesus da Galileia Era realmente.

Mas cada vez que eles eram confrontados com Divino, eles se tornavam ainda mais enraizados na blasfêmia.

Quando descobriram  que Cristo curou um cego de nascença, em vez de levantar louvores, eles vomitavam maldições: "Este homem é um pecador (João 9:24), e Tu és nascido todo em pecados "(João 9:34).

Tendo ouvido que Cristo tinha ressuscitado um homem morto já ha quatro dias, (um homem  que apresentava os odores da putrefação), algo que aparentemente não deixaria mais qualquer  dúvidas  sobre divindade de Cristo, os anciãos da nação decidiram " matem Lázaro também "(João 12:10).

Finalmente, depois de terem sido confrontados com o fato da Ressurreição milagrosa de Cristo, e tendo ouvido as testemunhas oculares dos guardas (Mateus 28:11), que tinham caído no chão tremendo na presença de um anjo brilhante (Mateus 28:4), os anciãos subornaram os soldados e buscaram enganar o povo (Mateus 28:12-14), tornando cada vez maior a sua blasfêmia.

Os Fariseus modernos também só aprofundam  as suas blasfêmias, estando novamente face a face  com o Ressuscitado e ainda  não são convencidos, mesmo diante dos Seus tantos milagres?

Mas o caso é que  São Tomé não é um desses fariseus.

Nós sabemos sobre a sua fidelidade e amor sacrificial pelo seu Mestre.

Pois sabemos, que  depois de seguir o Salvador por três anos, Tomé compreendia muito bem  as consequências, os perigos de Cristo enfrentar os escribas e os fariseus.

Os outros discípulos também compreendiam muito bem tal perigo, e é por isso que quando o Salvador decidiu ir para a Jerusalém, os apóstolos tentaram falar com Ele sobre isso, buscando O alertar para o perigo (João 11:8).

Mas foi São Tomé, que disse: "Vamos nós também, para que possamos morrer com Ele "(João 11:16).  Nós não vamos ouvir tais palavras de um descrente !

Após a Ascensão do Salvador, o Apóstolo Tomé, de acordo com a Tradição da Igreja, foi  pregar o Evangelho em um dos mais distantes e difíceis lugares do mundo antigo, a Índia, onde foi torturado e morto por Cristo.

Mas naquele dia, uma semana depois da Ressurreição, quando o Salvador veio aos Seus discípulos e Tomé estava com eles,  ao Santo Apóstolo foi necessário apenas  um toque para que este discípulo que amava tão abnegadamente  o seu Mestre percebesse a quem tinha dedicado a sua vida : "Meu Senhor e meu Deus ", exclamou Tomé, que apenas um minuto antes era compreensivelmente cético sobre os relatos dos  seus irmãos.

"Meu Senhor e meu Deus", exclamou Tomé  do fundo do seu coração amoroso !
Pois  uma pessoa como Tomé, Deus vem, e a este  tipo de pessoa, Ele permite mesmo que O toque !

Em seu desejo de salvar as pessoas, Cristo sofreu tudo: zombarias e açoites, a tortura e a morte vergonhosa, e mesmo que cutucassem as suas feridas com os dedos após Sua ressurreição gloriosa.  Pois se Ele é aguardado, Cristo chega mesmo  através de portas fechadas (João 20:26).

Mas o que  Ele ouvirá ao adentrar em nossos corações? Ele vai ouvir de nós as palavras "meu Senhor e meu Deus" ou ele vai apenas receber zombaria e açoites?

Será que vamos adorá-Lo, como fez São Tomé, ou vamos crucificá-Lo com nossa falta de arrependimento e lançaremos as pedras dos nossos tantos pecados Nele ?

Ó Senhor, pelas orações do Santo Apóstolo Tomé, nos dê fé e  nos ajude a nossa incredulidade (Marcos 9:24)!

Amém.

† † †

 

sábado, 27 de abril de 2024

Sábado de Lázaro


6ª Semana da Grande Quaresma
27 de Abril de 2024 (CC) / 14 de Abril (CE)
São Martinho, o Confessor, Patriarca de Roma, mártir († 656)
Santo Mártir Ardalion, o Comediante († Séc. III ?)
Jejum (Caviar é permitido)
Tom 5



Sábado de Lázaro: O Prelúdio da Cruz 
Aqueles que estão familiarizados com a liturgia Ortodoxa, conhecem o caráter singular e paradoxal dos ofícios desse sábado de Lázaro. Esse sábado é celebrado como um domingo, quer dizer que se celebra aí o ofício da Ressurreição quando, normalmente, o sábado é consagrado à comemoração dos defuntos. A alegria que ressoa no ofício sublinha o tema principal: a vitória próxima de Cristo sobre o Hades. Na Bíblia, o Hades significa a morte e seu poder universal, a noite inevitável e a destruição que traga toda a vida, envenenando com suas trevas devastadoras o mundo inteiro. Mas eis que, pela ressurreição de Lázaro, "a morte começa a tremer"; é o começo de um duelo decisivo entre a vida e a morte, um duelo que nos dá a chave de todo o mistério litúrgico da Páscoa. Para a Igreja primitiva, o sábado de Lázaro era, o "anúncio da Páscoa"; de fato, esse sábado proclama e já faz aparecer a maravilhosa luz e a paz do sábado seguinte: o grande e santo Sábado, o dia do túmulo vivificante que dá a vida. 
Compreendemos logo que Lázaro, "o amigo de Jesus", personifica cada um de nós e toda a humanidade, e que Betânia, "a casa" do homem Lázaro, é o símbolo de todo o universo, habitat do homem. Todo homem foi criado amigo de Deus e chamado a esta amizade divina que consiste no conhecimento de Deus, na comunhão com ele, o compartilhar da mesma vida: "A vida estava nele, e a vida era a luz dos homens" (Jo 1:4). E, portanto este amigo bem amado de Deus, criado por amor, ei-lo destruído, aniquilado por um poder que Deus não criou: a morte. Deus é afrontado em sua obra por um poder que a destrói e torna nulo seu desígnio. A criação é apenas tristeza, lamentação, lágrimas e finalmente morte. Como é possível? Essas questões se encontram latentes no texto detalhado que João nos faz da vinda de Jesus à tumba de seu amigo. "Uma vez chegado à tumba de seu amigo", diz o evangelista, "Jesus chorou" (Jo 11:35). Por que ele chora, uma vez que ele sabe que dentro de um instante ele ressuscitará Lázaro à vida? 
Os que não souberam compreender o sentido verdadeiro dessas lágrimas, atribuindo-nas à sua natureza humana, uma vez que, de sua natureza divina ele detinha o poder de ressuscitar os mortos. Entretanto, a Igreja Ortodoxa ensina claramente que todas as ações de Cristo são teândricas, isto é, ao mesmo tempo divinas e humanas, sendo as ações do único e mesmo Deus-Homem, o Filho de Deus encarnado. É o Homem-Deus que vemos chorar, é o Homem-Deus que fará sair Lázaro de seu túmulo. Ele chora.... são lágrimas divinas; ele chora porque contempla o triunfo da morte e da destruição da criação saída das mãos de Deus. 
"Ele já cheira mal", dizem os judeus, como para impedir Jesus de se aproximar do corpo; terrível advertência que vale para todo o universo, para toda a Vida. Deus é Vida e Doador de Vida, ele chamou o homem para esta realidade divina da vida, e eis "que ele cheira mal." O mundo foi criado para refletir e proclamar a glória de Deus, e eis "que ele cheira mal"! No túmulo de Lázaro Deus encontra a morte, a realidade da antivida, da destruição e do desespero. Ele se encontra face à face com seu Inimigo que lhe arrebatou a criação, que era sua, para tornar-se o Príncipe. Nós que seguimos Jesus se aproximando do túmulo, entramos com ele na sua Hora, aquela que ele anunciou frequentemente como o apogeu e o cumprimento de toda sua obra. Neste curto versículo do Evangelho: "Jesus chorou", é a Cruz que é anunciada, sua necessidade e seu significado universal. Compreendemos agora que é porque "Jesus chorou", melhor dizendo porque ele amava seu amigo Lázaro, que ele tem o poder de o chamar à vida. A ressurreição não é a simples manifestação de um poder divino, mas antes o poder de um amor, o amor tornado poder. Deus é Amor e Amor é Vida, ele é criador de vida... É o Amor que chora sobre o túmulo e é o Amor também que dá a vida; lá está o sentido das lágrimas divinas de Jesus. Elas nos mostram o amor de novo à obra, recriando, resgatando e restaurando a vida humana presa das trevas: "Lázaro, sai para fora!..."
Eis porque esse sábado de Lázaro inaugura ao mesmo tempo a cruz como supremo sacrifício de Amor, e a ressurreição como seu último triunfo: 
"O Cristo é para todos alegria, verdade, luz e vida,  Ele é a ressurreição do mundo, /n'Ele o amor apareceu para aqueles que estão na terra,/ imagem da ressurreição,/ concedendo a todos o perdão divino". 
Comemoração de São Martinho
A sua terra natal era Todi e na Igreja Romana era diácono, mas, o seu grande feito seria o de substituir o então Papa Teodoro em 13 de maio de 649. 
Cedo provou ser de linha dura, tendo mão forte no governo, onde, inclusive, não aguardou o consentimento da sua eleição pelo então Imperador Constante II. Por disputas políticas, das quais Martinho participou de modo a incomodar o Imperador com a sua atitude, este último ordenou que o exarca de Ravena, de nome Olímpio, assassinasse Martinho em meio da celebração de uma liturgia em que ambos estavam presentes. Mas, ao tentar cravar o punhal, Olímpio foi atingido por uma intensa luz que o cegaria totalmente. Este acontecimento convenceu o próprio Olímpio da santidade daquele ao qual esteve disposto a matar. Assim, mudou de atitude e tentou a reconciliação com o santo. 
O Imperador sabendo da morte em 653 de Olímpio, conseguiu concretizar a sua vingança com o mais novo exarca que seria Teodoro de Calíopa, que prende o Papa. Neste momento a acusação era a de Martinho ter-se apropriado ilegalmente do cargo de Papa e, assim, inicia o seu longo período de martírio e dor, onde se somaram as piores calamidades. Ao longo de todo esse sofrimento tentava manter a vontade do corpo, mas, por fim foi aprisionado e submetido à falta de comida que o enfraqueceria até a morte em 13 de Abril de 656.
Comemoração de São Ardalion 
No início, Ardalion era um comediante. Por ser o martírio público dos cristãos uma diversão muito apreciada pelo povo, Ardalion, compulsiva e reiteradamente, representava em seus espetáculos, o papel de um mártir da Fé, zombando dos cristãos de todas as maneiras possíveis.
 
Foi durante uma perseguição deflagrada à época do reinado do Imperador Maximiano, que seu espírito mudou completamente. Na frente da multidão, São Ardalion gritou em voz alta que ele era um cristão e que não estava brincando. E por isto, Ardalion, foi preso e condenado. Ele padeceu por Cristo e morreu triturado, amarrado a um carro de abrir estradas vermelho, cumprindo verdadeira e honrosamente o papel de um mártir.  

 


Oração Antes de Ler as Escrituras
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém! 

LITURGIA

Tropárion, no 1º Tom
A fim de confirmar a ressurreição de todos, Ó Cristo Deus, / Tu ressuscitaste Lázaro dentre os mortos antes de Tua Paixão. / Por isto, também nós, tal qual as crianças, carregamos os símbolos da vitória, / clamando a Ti, Ó Vencedor da morte: / Hosana nas alturas; // bendito Aquele que vem em Nome do Senhor.

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo, agora e sempre e pelos séculos dos séculos.

Kondákion, no 2º Tom
Como Deus, Tu ressuscitaste gloriosamente do túmulo, / ressuscitando o mundo Contigo; / a natureza humana Te canta como Deus, / pois a morte foi dissipada. / Adão rejubila, Mestre;/ e Eva, doravante liberta das suas cadeias, proclama na alegria:// Ó Cristo, Tu És Aquele que concede a todos os homens a ressurreição!

Triságion

Vós que fostes batizados em Cristo / de Cristo vos revestistes. Aleluia! (3x)

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo,
agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém.

De Cristo vos revestistes. Aleluia!

Vós que fostes batizados em Cristo / de Cristo vos revestistes. Aleluia!

Prokímenon, no 3º Tom

R. O Senhor É minha luz e o meu Salvador; 
a quem então eu temerei? (Sl. 26:1a)

V. O Senhor é o Defensor da minha vida; 
de quem então terei medo? (Sl. 26:1b)

Hebreus 12:28-13:8

Pelo que, recebendo nós um reino que não pode ser abalado, retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus agradavelmente, com reverência e temor; pois o nosso Deus é um fogo consumidor. Permaneça o amor fraternal. Não vos esqueçais da hospitalidade, porque por ela alguns, sem o saberem, hospedaram anjos. Lembrai-vos dos presos, como se estivésseis presos com eles, e dos maltratados, como sendo-o vós mesmos também no corpo. Honrado seja entre todos o matrimônio e o leito sem mácula; pois aos devassos e adúlteros, Deus os julgará. Seja a vossa vida isenta de ganância, contentando-vos com o que tendes; porque ele mesmo disse: Não te deixarei, nem te desampararei. De modo que com plena confiança digamos: O Senhor é quem me ajuda, não temerei; que me fará o homem? Lembrai-vos dos vossos guias, os quais vos falaram a palavra de Deus, e, atentando para o êxito da sua carreira, imitai-lhes a fé. Jesus Cristo é o mesmo, ontem, e hoje, e eternamente.

Aleluia

Aleluia, aleluia, aleluia! (3x)

O Senhor É Rei, Ele está vestido de majestade. (Sl. 92:1a)

Pois Ele estabeleceu o mundo que não será abalado. (Sl. 92:1c)
 
João 11:1-45

Ora, estava enfermo um homem chamado Lázaro, de Betânia, aldeia de Maria e de sua irmã Marta. E Maria, cujo irmão Lázaro se achava enfermo, era a mesma que ungiu o Senhor com bálsamo, e lhe enxugou os pés com os seus cabelos. Mandaram, pois, as irmãs dizer a Jesus: Senhor, eis que está enfermo aquele que tu amas. Jesus, porém, ao ouvir isto, disse: Esta enfermidade não é para a morte, mas para glória de Deus, para que o Filho de Deus seja glorificado por ela. Ora, Jesus amava a Marta, e a sua irmã, e a Lázaro. Quando, pois, ouviu que estava enfermo, ficou ainda dois dias no lugar onde se achava. Depois disto, disse a seus discípulos: Vamos outra vez para Judéia. Disseram-lhe eles: Rabi, ainda agora os judeus procuravam apedrejar-te, e voltas para lá? Respondeu Jesus: Não são doze as horas do dia? Se alguém andar de dia, não tropeça, porque vê a luz deste mundo; mas se andar de noite, tropeça, porque nele não há luz. E, tendo assim falado, acrescentou: Lázaro, o nosso amigo, dorme, mas vou despertá-lo do sono. Disseram-lhe, pois, os discípulos: Senhor, se dorme, ficará bom. Mas Jesus falara da sua morte; eles, porém, entenderam que falava do repouso do sono. Então Jesus lhes disse claramente: Lázaro morreu; e, por vossa causa, folgo de que eu lá não estivesse, para que creiais; mas vamos ter com ele. Disse, pois, Tomé, chamado Dídimo, aos seus condiscípulos: Vamos nós também, para morrermos com ele. Chegando pois Jesus, encontrou-o já com quatro dias de sepultura. Ora, Betânia distava de Jerusalém cerca de quinze estádios. E muitos dos judeus tinham vindo visitar Marta e Maria, para as consolar acerca de seu irmão. Marta, pois, ao saber que Jesus chegava, saiu-lhe ao encontro; Maria, porém, ficou sentada em casa. Disse, pois, Marta a Jesus: Senhor, se meu irmão não teria morrido. E mesmo agora sei que tudo quanto pedires a Deus, Deus to concederá. Respondeu-lhe Jesus: Teu irmão há de ressurgir. Disse-lhe Marta: Sei que ele há de ressurgir na ressurreição, no último dia. Declarou-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que morra, viverá; e todo aquele que vive, e crê em mim, jamais morrerá. Crês isto? Respondeu-lhe Marta: Sim, Senhor, eu creio que tu és o Cristo, o Filho de Deus, que havia de vir ao mundo. Dito isto, retirou-se e foi chamar em segredo a Maria, sua irmã, e lhe disse: O Mestre está aí, e te chama. Ela, ouvindo isto, levantou-se depressa, e foi ter com ele. Pois Jesus ainda não havia entrado na aldeia, mas estava no lugar onde Marta o encontrara. Então os judeus que estavam com Maria em casa e a consolavam, vendo-a levantar-se apressadamente e sair, seguiram-na, pensando que ia ao sepulcro para chorar ali. Tendo, pois, Maria chegado ao lugar onde Jesus estava, e vendo-a, lançou-se lhe aos pés e disse: Senhor, se tu estiveras aqui, meu irmão não teria morrido. Jesus, pois, quando a viu chorar, e chorarem também os judeus que com ela vinham, comoveu-se em espírito, e perturbou-se, e perguntou: Onde o puseste? Responderam-lhe: Senhor, vem e vê. Jesus chorou. Disseram então os judeus: Vede como o amava. Mas alguns deles disseram: Não podia ele, que abriu os olhos ao cego, fazer também que este não morreste? Jesus, pois, comovendo-se outra vez, profundamente, foi ao sepulcro; era uma gruta, e tinha uma pedra posta sobre ela. Disse Jesus: Tirai a pedra. Marta, irmã do defunto, disse- lhe: Senhor, já cheira mal, porque está morto há quase quatro dias. Respondeu-lhe Jesus: Não te disse que, se creres, verás a glória de Deus? Tiraram então a pedra. E Jesus, levantando os olhos ao céu, disse: Pai, graças te dou, porque me ouviste. Eu sabia que sempre me ouves; mas por causa da multidão que está em redor é que assim falei, para que eles creiam que tu me enviaste. E, tendo dito isso, clamou em alta voz: Lázaro, vem para fora! Saiu o que estivera morto, ligados os pés e as mãos com faixas, e o seu rosto envolto num lenço. Disse-lhes Jesus: Desligai-o e deixai-o ir. Muitos, pois, dentre os judeus que tinham vindo visitar Maria, e que tinham visto o que Jesus fizera, creram nele.

Zadostoinik

No 8º Tom
Com todos os povos, honremos e glorifiquemos a pura Theotókos, / que concebeu em seu ventre o Fogo divino / e ainda não foi consumido; // e vamos engrandecê-la em hinos nunca silenciosos.

Canto da Comunhão
Da boca dos bebês e dos recém-nascidos
aperfeiçoaste o louvor.
Aleluia, Aleluia, Aleluia! 

† † 

VÉSPERAS DO DOMINGO DE RAMOS

Gênesis 49:1-2, 8-12

1 Então, Jacó chamou seus filhos, e disse-lhes: 2 Ajuntai-vos, para que eu possa dizer o que vos sobrevirá nos últimos dias. Ajuntai-vos e ouvi-me, filhos de Jacó; ouvi a Israel, ouvi o vosso pai! 8 Judá, teus irmãos te têm louvado, e as tuas mãos estarão nas costas de teus inimigos. Os filhos de teu pai far-te-ão reverência. 9 Judá é um leãozinho. De uma tenra planta cresceste, meu filho. Tendo terminado, estás reclinado como um leão, e como um filhote de leão. Quem o despertará? 10 Um governante não deverá faltar de Judá, nem um príncipe dos seus lombos, até que venham as coisas que lhe estão reservadas. Eis que ele é a expectativa das nações. 11 Atando o seu jumentinho à vide, a cria de seu jumento no ramo dela, lavará o seu manto no vinho e as suas vestes no sangue da uva. 12 Seus olhos são mais agradáveis do que o vinho, os seus dentes mais brancos do que o leite.

Sofonias 3:14-19

14 Alegra-te, ó filha de Sião; clama bem alto, ó Israel. Alegra-te e regozija-te com todo o teu coração, ó filha de Jerusalém! 15 O Senhor levou as tuas iniquidades, ele te resgatou das mãos de teus inimigos; o Senhor, o Rei de Israel, está no meio de ti. Já não verás mal algum. 16 Naquele tempo, o Senhor dirá a Jerusalém: Tem bom ânimo, Sião; não deixes que se enfraqueçam as tuas mãos. 17 O Senhor teu Deus está no meio de ti; o Poderoso te salvará. Ele trará alegria sobre ti, e renovar-te-á com o seu amor. Ele se deleitará em ti com alegria, como em um dia de festa. 18 E irei reunir os teus aflitos. Ai de mim! quem lançou uma censura contra ela? 19 Eis que eu irei operar no meio de ti, por tua causa, naquele tempo, diz o Senhor. Irei salvar a que fora oprimida e receberei a que era antes rejeitada. E farei deles um louvor e honra em toda a terra.

Zacarias 9:9-15

9 Alegra-te muito, ó filha de Sião; proclama em voz alta, ó filha de Jerusalém! Eis que o teu rei está vindo a ti, justo e Salvador. Ele é manso e está montado num jumento, num jumentinho. 10 Ele irá eliminar os carros de Efraim e os cavalos de Jerusalém; o arco de guerra será destruído totalmente, e haverá abundância e paz dentre as nações. Ele dominará as águas até o mar, e os rios até os confins da terra. 11 Porquanto tu, pelo sangue do teu pacto, tens libertado os teus prisioneiros da cova em que não há água. 12 Vós habitareis em fortalezas, ó prisioneiros da congregação. Por cada dia de teu cativeiro recompensar-te-ei em dobro. 13 Pois eu te tenho vergado, ó Judá, para mim, como um arco. Eu tenho enchido a Efraim, e levantarei os teus filhos, ó Sião, contra os filhos dos gregos; usar-te-ei como a espada de um guerreiro. 14 O Senhor será sobre eles, e a sua flecha sairá como o relâmpago; o Senhor Todo-Poderoso fará soar a trombeta, e avançará com o tumulto de suas ameaças. 15 O Senhor Todo-Poderoso os protegerá, e por isto eles os destruirão e conquistarão com fundas; tragá-los-ão como vinho, e preencherão as taças do altar.

† † † 

quarta-feira, 27 de abril de 2022

Quarta-feira Luminosa



27 de Abril de 2022 (CC) / 14 de Abril (CE)
Santo Mártir Ardalion, o Comediante († Séc. III ?)






«Cristo ressuscitou dos mortos, 
Pisoteando a morte com Sua morte, 
E outorgando a vida 
Aos que jaziam nos sepulcros!»




No início, Ardalion era um comediante. Por ser o martírio público dos cristãos uma diversão muito apreciada pelo povo, Ardalio, compulsiva e reiteradamente, representava em seus espetáculos, o papel de um mártir da Fé, zombando dos cristãos de todas as maneiras possíveis. 
Foi durante uma perseguição deflagrada à época do reinado do Imperador Maximiano, que seu espírito mudou completamente. Na frente da multidão, São Ardalion gritou em voz alta que ele era um cristão e que não estava brincando. E por isto, Ardalion, foi preso e condenado. Ele padeceu por Cristo e morreu triturado, amarrado a um carro de abrir estradas vermelho, cumprindo verdadeira e honrosamente o papel de um mártir.  







Oração Antes de Ler as Escrituras
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!


Atos 2:22-36

22 Varões israelitas, escutai estas palavras: A Jesus, o nazareno, varão aprovado por Deus entre vós com milagres, prodígios e sinais, que Deus por ele fez no meio de vós, como vós mesmos bem sabeis; 23 a este, que foi entregue pelo determinado conselho e presciência de Deus, vós matastes, crucificando-o pelas mãos de iníquos; 24 ao qual Deus ressuscitou, rompendo os grilhões da morte, pois não era possível que fosse retido por ela. 25 Porque dele fala Davi: Sempre via diante de mim o Senhor, porque está à minha direita, para que eu não seja abalado; 26 por isso se alegrou o meu coração, e a minha língua exultou; e além disso a minha carne há de repousar em esperança; 27 pois não deixarás a minha alma no hades, nem permitirás que o teu Santo veja a corrupção; 28 fizeste-me conhecer os caminhos da vida; encher-me-ás de alegria na tua presença. 29 Irmãos, seja-me permitido dizer-vos livremente acerca do patriarca Davi, que ele morreu e foi sepultado, e entre nós está até hoje a sua sepultura. 30 Sendo, pois, ele profeta, e sabendo que Deus lhe havia prometido com juramento que faria sentar sobre o seu trono um dos seus descendentes - 31 prevendo isto, Davi falou da ressurreição de Cristo, que a sua alma não foi deixada no hades, nem a sua carne viu a corrupção. 32 Ora, a este Jesus, Deus ressuscitou, do que todos nós somos testemunhas. 33 De sorte que, exaltado pela destra de Deus, e tendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo, derramou isto que vós agora vedes e ouvis. 34 Porque Davi não subiu aos céus, mas ele próprio declara: Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita, 35 até que eu ponha os teus inimigos por escabelo de teus pés. 36 Saiba pois com certeza toda a casa de Israel que a esse mesmo Jesus, a quem vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo.

João 1:35-51

35 No dia seguinte João estava outra vez ali, com dois dos seus discípulos 36 e, olhando para Jesus, que passava, disse: Eis o Cordeiro de Deus! 37 Aqueles dois discípulos ouviram-no dizer isto, e seguiram a Jesus. 38 Voltando-se Jesus e vendo que o seguiam, perguntou-lhes: Que buscais? Disseram-lhe eles: rabi (que, traduzido, quer dizer Mestre), onde pousas? 39 Respondeu-lhes: Vinde, e vereis. Foram, pois, e viram onde pousava; e passaram o dia com ele; era cerca da hora décima. 40 André, irmão de Simão Pedro, era um dos dois que ouviram João falar, e que seguiram a Jesus. 41 Ele achou primeiro a seu irmão Simão, e disse-lhe: Havemos achado o Messias (que, traduzido, quer dizer Cristo). 42 E o levou a Jesus. Jesus, fixando nele o olhar, disse: Tu és Simão, filho de João, tu serás chamado Cefas (que quer dizer Pedro). 43 No dia seguinte Jesus resolveu partir para a Galileia, e achando a Felipe disse-lhe: Segue-me. 44 Ora, Felipe era de Betsaida, cidade de André e de Pedro. 45 Felipe achou a Natanael, e disse-lhe: Acabamos de achar aquele de quem escreveram Moisés na lei, e os profetas: Jesus de Nazaré, filho de José. 46 Perguntou-lhe Natanael: Pode haver coisa bem vinda de Nazaré? Disse-lhe Felipe: Vem e vê. 47 Jesus, vendo Natanael aproximar-se dele, disse a seu respeito: Eis um verdadeiro israelita, em quem não há dolo! 48 Perguntou-lhe Natanael: Donde me conheces? Respondeu-lhe Jesus: Antes que Felipe te chamasse, eu te vi, quando estavas debaixo da figueira. 49 Respondeu-lhe Natanael: Rabi, tu és o Filho de Deus, tu és rei de Israel. 50 Ao que lhe disse Jesus: Porque te disse: Vi-te debaixo da figueira, crês? coisas maiores do que estas verás. 51 E acrescentou: Em verdade, em verdade vos digo que vereis o céu aberto, e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do homem.


† † †

COMENTÁRIO

Santo Ambrósio, bispo de Milão (séc. IV)


Diz a Sabedoria: Os maus me buscarão e não me encontrarão. E não é que o Senhor recusasse ser achado pelos homens, ele que se oferecia a todos, até mesmo aos que não o buscavam, mas porque era buscado com ações tais que os tornava indignos de encontrá-lo. Mas, por outro lado, Simeão, que o aguardava, o encontrou.

André o encontrou e disse a Simão: Encontramos ao Messias (que significa Cristo). Também Felipe diz a Natanael: Aquele sobre quem Moisés na lei e os profetas escreveram, o encontramos: É Jesus, filho de José, de Nazaré. E com a finalidade de mostrar-lhe qual é o caminho para encontrar a Jesus, lhe diz: Vem e verás. Portanto, quem busca a Cristo, acorra não com passos corporais, mas com a disposição da alma; que o veja não com os olhos da face, mas com os interiores do coração; porque ao eterno não se vê com os olhos da face, visto que aquilo que se enxerga é temporal; o que não se vê é eterno.

E Cristo não é temporal, mas nascido do Pai antes dos tempos, como Deus que é e verdadeiro Filho de Deus; e como poder sempiterno e supratemporal, ao qual nenhum limite temporal é capaz de circunscrever; como vida metatemporal, a quem jamais o dia da morte poderá surpreender-lhe. Porque o seu morrer foi um morrer ao pecado de uma vez para sempre; e seu viver é um viver para Deus.

Ouves o que o apóstolo diz? Ao pecado, morreu de uma vez para sempre. Uma vez Cristo morreu por ti, pecador: não voltes a pecar depois do batismo. Morreu uma vez por toda a coletividade, e uma vez – e não frequentemente – morre por cada indivíduo em particular. És pecador, ó homem: por isso o Pai todo-poderoso fez ao seu Cristo pecado. O fez homem para que carregasse nossos pecados. Por mim, pois, morreu o Senhor Jesus ao pecado: para que nós, mediante ele, obtivéssemos a justificação de Deus. Por mim morreu, para ressuscitar por mim. Morreu uma vez e uma vez ressuscitou. E tu morreste com ele, com ele fostes sepultado, e com ele, no batismo, ressuscitaste: cuida para que, uma vez morto, não voltes mais a morrer. Doravante, já não morrerás ao pecado, mas ao perdão: não aconteça que, tendo ressuscitado, morras uma segunda vez. Porque Cristo, uma vez ressuscitado dentre os mortos, já não morre mais, a morte já não tem domínio sobre ele. Então a morte lhe tinha dominado? Sim, visto que ao dizer: a morte já não tem domínio sobre ele, revela o domínio da morte. Não te ponhas a perder este benefício, ó homem! Por ti Cristo se submeteu ao domínio da morte, a fim de libertar-te do jugo da dominação. Ele acatou a servidão da morte, para conceder-te a liberdade da vida eterna.

Portanto, aquele que busca a Cristo, busca igualmente sua tribulação, e não evita a paixão. No perigo clamei ao Senhor, e ele me escutou colocando-me a salvo. É boa, pois, a tribulação que nos faz dignos de que o Senhor nos escute colocando-nos a salvo. Ser escutado pelo Senhor já é uma graça. Por isso, quem busca a Cristo, não recusa a tribulação; quem não a evita é encontrado pelo Senhor. E não a evita quem medita os mandamentos do Senhor com a adesão cordial e com as obras.

† † †

“O VERBO MESTRE E O VERBO PEDAGOGO”

São Clemente de Alexandria (séc. III)

Estabelecemos para vocês, meus filhos, uma base de verdade, fundamento inquebrantável de conhecimento do sagrado templo do grande Deus; uma bela exortação, um desejo de vida eterna que se alcança por uma obediência digna do Verbo, e que foi fundamentada no terreno da inteligência.

Das três coisas que há no homem: costumes, ações e paixões, o “Verbo Protréptico”[4] se encarregou dos costumes; guia da religião, permanece como substrato ao edifício da fé, qual quilha[5] de uma nave. Graças a ele abjuramos alegres de nossas velhas crenças, e nos rejuvenescemos para alcançar a salvação, cantando com o profeta: Que bom é Deus para Israel, para aqueles que têm um coração reto.

Um Verbo preside também as nossas ações: o “Verbo Conselheiro”; e um Verbo cura nossas paixões: o “Verbo Consolador”. Porém, é sempre o mesmo Verbo, o que arranca ao homem de seus costumes naturais e mundanos, e o que, como pedagogo, o conduz à única salvação da fé em Deus.

Bem, o guia celestial, o Verbo, recebia o nome de protréptico porque nos exortava à salvação – esta é a denominação especial que o Verbo recebe encarregado de estimular-nos, tomando o todo o nome da parte; toda religião é, de fato, protréptica, já que gera no espírito o desejo da vida presente e da futura.

Mas agora, atuando continuamente na qualidade de terapeuta e de conselheiro, aconselha ao que previamente se converteu e, o que é mais importante, promete a cura de nossas paixões. Demos-lhe, portanto, o único nome que naturalmente lhe corresponde: o de Pedagogo. O Pedagogo é educador prático, não teórico; seu objetivo é o desenvolvimento da alma, não a instrução; é guia de uma vida virtuosa, não erudita.

O mesmo Verbo é também Mestre, mas não o é ainda. O Verbo Mestre expõe e revela as verdades doutrinais; o Pedagogo, porém, na qualidade de prático nos exorta primeiro a levar uma vida moral, e já nos convida a pôr logo em prática nossos deveres ditando os preceitos que devem guardar-se intactos, e mostrando aos homens do amanhã o exemplo daqueles que anteriormente erraram o caminho.

Ambos os métodos são altamente eficazes: um conduz a obediência; é o gênero parenético; o outro, que reveste a forma de exemplo, subdivide-se, por sua vez – paralelamente – em dois modos de proceder: um consiste em que imitemos o bem e o prefiramos; o outro, em que nos afastemos dos maus exemplos, repelindo-os.

Disto se segue a cura das paixões. O Pedagogo, com exemplos consoladores, fortalece a alma; e, como se tratasse de doces remédios, com seus remédios, cheios de calor humano, cuida dos enfermos, conduzindo-lhes para o perfeito conhecimento da verdade. Saúde e conhecimento não são o mesmo; aquela se obtém pela cura; este, pelo estudo.

Um enfermo não poderia assimilar nada dos ensinamentos até que não estivesse completamente restabelecido; a prescrição que se dita aos aprendizes não tem o mesmo caráter que aquela que se dá aos que estão enfermos: aos primeiros, lhes é administrado para o seu conhecimento; aos segundos, para a sua cura.

Assim como os enfermos do corpo necessitam de um médico, do mesmo modo os enfermos da alma precisam do Pedagogo, para que sare nossas paixões. Então, vamos ao mestre, que nos guiará na tarefa de purificar nossa alma para a aquisição do conhecimento e para que seja capaz de receber a revelação do Verbo. Desta forma, o Verbo – que ama plenamente aos homens –, solícito de que alcancemos gradualmente a salvação, realiza em nós um bonito e eficaz programa educativo: primeiro, nos exorta; em seguida, nos educa como um pedagogo; finalmente, nos ensina.

† † †

“ENCONTRAMOS O MESSIAS”

Santo Atanásio de Alexandria (séc. IV)

André foi em busca de seu irmão Simão e partilhou com ele o tesouro de sua contemplação. Conduziu Pedro ao Senhor. Coisa surpreendente. André ainda não é discípulo e já é condutor de homens. Ensinando começa a aprender e adquire a dignidade de apóstolo. Encontramos o Messias. Após tantas noites de insônia à margem do Jordão, agora encontramos o objeto de nossos desejos.

Pedro foi rápido ao atender este chamado. Era o irmão de André e adiantou-se cheio de fervor com o ouvido atento. Tomando a Pedro consigo, André leva ao Senhor seu irmão segundo a natureza e o sangue, para que se beneficie de seu ensinamento. É a primeira façanha de André. Fez crescer o número de discípulos, apresentou Pedro, em quem Cristo encontrará o chefe de seus discípulos.

Isto é tão verdade que, quando, mais tarde, Pedro tenha uma conduta admirável, a deverá ao que André havia semeado. Porém, o louvor dirigido a um recai igualmente no outro. Porque os bens de um pertencem ao outro, e cada um deles se glorifica com os bens do outro.

Que alegria Pedro buscou para todos quando respondeu rapidamente a pergunta do Senhor, rompendo o silêncio embaraçoso dos discípulos! Segundo o povo, disse Jesus: quem é o filho do homem? Então, como se fosse a língua dos que tinham sido interrogados, e como se todos respondessem por ele, disse sozinho em nome de todos: tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo.

Em uma frase proclamou ao Mestre o seu desígnio de salvação. Admirável harmonia das palavras. Aquelas que André utilizou para levar a Pedro, as subscreve o Pai desde o céu ao inspirar semelhantes a Pedro. André tinha dito: Encontramos o Messias. O Pai disse a Pedro: Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo.

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