quarta-feira, 15 de maio de 2019

3ª Quarta-feira da Páscoa

15 de Maio de 2019 (CC) / 02 de Maio (CE)
Santo Atanásio, o Grande, Arcebispo de Alexandria († 373)
Tom 2





«Cristo ressuscitou dos mortos, 
Pisoteando a morte com Sua morte, 
E outorgando a vida 
Aos que jaziam nos sepulcros!»



Desde a época dos Apóstolos, tem surgido ininterruptamente na Igreja os Santos Padres e Mestres Espirituais. Costumava-se denominar «Padres da Igreja», principalmente os bispos que se sobressaíam por sua santidade de vida e que deixavam algo escrito. Já os que não eram considerados santos eram chamados de «Mestres da Igreja». Os padres e Mestres da igreja deixaram registrados em suas obras as tradições dos apóstolos que elucidavam o ensinamento verdadeiro da Fé e da vida cristã. Foram defensores da Ortodoxia nos momentos difíceis da Igreja, quando tiveram de enfrentar as heresias e os falsos mestres. Em tais circunstâncias, suas atitudes eram consideradas exemplos de vida espiritual a serem seguidos. O século IV é tido como o mais célebre pelo surgimento dos grandes mestres defensores da fé, que lutaram contra as heresias arianas. (Os arianos negavam a natureza divina de Jesus Cristo). 
O primeiro a lutar contra esta heresia foi Santo Atanásio, o grande (293-373).  Homem de dons extraordinários, Santo Atanásio foi educado sob a direção dos arcebispos Pedro e Alexandro de Alexandria. Santo Antônio, o Grande, fundador do monaquismo egípcio, também teve influência em sua formação. Aprofundou-se nos estudos das Sagradas Escrituras, nas obras dos primeiros escritores religiosos e nos antigos clássicos, o que lhe facilitou chegar ao importante cargo de arquidiácono do Arcebispo Alexandro. Ajudou o arcebispo a combater as heresias arianas e colaborou muito próximo ao Arcebispo Alexandro, acompanhando-o ao Primeiro Concílio Ecumênico, destacando-se pela firmeza e eloquência em sua participação. Ninguém se opôs de maneira tão abalizada ao arianismo como ele.

Quase um ano depois, o arquidiácono Atanásio foi elevado à cátedra arquiepiscopal de Alexandria. Apesar de sua pouca idade (28 anos) o Arcebispo Atanásio dirigiu com muita solidez sua Arquidiocese: visitou as igrejas, os monastérios, e se fez próximo dos bispos; consagrou Frumêncio como bispo de Absínia, visitou os monastérios em outras regiões do Egito e esteve com Santo Antônio, o Mestre da Juventude.  
Firme, mas dócil, inflexível na defesa da verdade, porém benévolo com os que erravam, era dono de um extraordinário tato quando tratava com intelectuais de profunda sagacidade racional. Por sua excelente formação, granjeou rapidamente o respeito e afeto de todos.  
Porém, o período de paz em suas atividades pastorais durou apenas dois anos. Teve início um período de grandes provações e infortúnios. Os seguidores de Ário, liderados pelo bispo Eusébio de Nicomédia, muito próximo dos Imperadores e amigo de Ário desde a  época da escola de Antioquia,  procuravam por todos os meios restituir Ário ao seio da Igreja. Para tanto, contavam ainda com a influência de Constância, irmã do Imperador Constantino. Estavam todos decididos a acatar o retorno da Ário por acreditar que ele estivesse arrependido de seus desvios na fé. Santo Atanásio, percebendo a pretensão e a trama dos falsos mestres, negou-se decididamente a receber o heresiarca que não reconhecia a natureza divina de Nosso Senhor Jesus Cristo. Desde então, o arcebispo Atanásio passou a ser vítima de forte perseguição, lançando-se contra ele as piores calúnias. Acusavam-no de ganância, de se relacionar com os inimigos do Império, de ter assassinado um bispo de nome Arsênio, decepando sua mão por praticar bruxarias etc. Alguns acreditaram nestas mentiras e Santo Atanásio teve que defender-se a si próprio em Juízo. Lá seus inimigos levaram ao Juiz uma mão, como se a tivessem encontrado. Contudo, toda esta farsa foi desmontada quando Arsênio se apresentou em Juízo, mostrando que tinha suas mãos perfeitas, como o Senhor as criou. Os acusadores de Santo Atanásio ficaram furiosos ameaçando vir sobre ele. Isto aconteceu na época do imperador Constantino, um defensor da Igreja. Os imperadores que o sucederam – Constâncio, o ariano e Juliano, o apóstata, perseguiram abertamente Santo Atanásio, mas nada puderam contra ele diante de sua inquebrantável firmeza. Alguns de seus cooperadores que partilhavam do mesmo ideal na defesa da fé e na luta contra os arianos – Oséias, bispo de Córdoba e Libério, bispo de Roma, por terem sido presos e afastados de suas cátedras, esmoreceram e aceitaram fazer algumas concessões aos arianos. Somente Santo Atanásio permaneceu firme na fé e na luta contra as heresias arianas. Durante quase seus 50 anos a serviço da Igreja, Santo Atanásio foi expulso cinco vezes de Alexandria, cerca de 20 anos esteve desterrado e preso; até os últimos instantes de sua vida lutou contra os hereges e, zelosamente, buscava restabelecer a paz e a unidade de pensamento no interior da Igreja.  
Em meio aos esforços e preocupações de sua vida acética escreveu muitas obras com preciosos ensinamentos, defendendo a ortodoxia da fé. Suas obras foram publicadas em russo em quatro tomos. Até os dias de hoje os seus escritos, em linguagem metafórica e de grande riqueza, têm vultuoso significado e força. O valente arcebispo faleceu com a idade de 75 anos.



Oração Antes de Ler as Escrituras
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém! 

Atos 8:18-25

18 Quando Simão viu que pela imposição das mãos dos apóstolos se dava o Espírito Santo, ofereceu-lhes dinheiro, 19 dizendo: Dai-me também a mim esse poder, para que aquele sobre quem eu impuser as mãos, receba o Espírito Santo. 20 Mas disse-lhe Pedro: Vá tua prata contigo à perdição, pois cuidaste adquirir com dinheiro o dom de Deus. 21 Tu não tens parte nem sorte neste ministério, porque o teu coração não é reto diante de Deus. 22 Arrepende-te, pois, dessa tua maldade, e roga ao Senhor para que porventura te seja perdoado o pensamento do teu coração; 23 pois vejo que estás em fel de amargura, e em laços de iniquidade. 24 Respondendo, porém, Simão, disse: Rogai vós por mim ao Senhor, para que nada do que haveis dito venha sobre mim. 25 Eles, pois, havendo testificado e falado a palavra do Senhor, voltando para Jerusalém, evangelizavam muitas aldeias dos samaritanos.

João 6:35-39

35 Declarou-lhes Jesus. Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim, de modo algum terá fome, e quem crê em mim jamais terá sede. 36 Mas como já vos disse, vós me tendes visto, e contudo não credes. 37 Todo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora. 38 Porque eu desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou. 39 E a vontade do que me enviou é esta: Que eu não perca nenhum de todos aqueles que me deu, mas que eu o ressuscite no último dia.


MEDITAÇÃO

Um Ancião e Pai espiritual ensinava: 

"Levanta-te pela manhã e diz para ti mesmo: corpo, trabalha, a fim de te alimentar; alma, sê vigilante, a fim de salvar a ti mesmo e herdar o Reino!"

Estas não são palavras vazias, mas tem sido a regra de muitos milhares de monges ao longo dos séculos: a regra da vida diária. Pelo trabalho físico, angariam o alimento para o corpo; por meio da oração é que permanecem vigilantes. Esta é uma regra só para os monges?  Não pode ser a regra de todo seguidor de Cristo? Não É o Próprio Cristo que nos dar um exemplo  de esforço físico e vigilância constante na oração?

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