domingo, 25 de outubro de 2026

21º Domingo Depois de Pentecostes

25 de Outubro de 2026 (CC) / 12 de Outubro (CE)
Comemoração dos Santos Padres do 7º Concílio Ecumênico (787)
Santos Mártires Probo, Táracos e Andrônico († 304)
Tom 4


No século VIII, o imperador Leão, o Isauro, lançou uma brutal perseguição aos ícones sagrados, que continuou sob o reinado de seu filho,  Constantino V Coprônimo , e de seu neto . Em 787, contra essa heresia iconoclasta, a imperatriz Irene convocou o Sétimo Concílio Ecumênico em Niceia, que contou com a presença de 367 padres.
 
Os Concílios Ecumênicos (dos quais houve apenas sete) convocaram-se para esclarecer questões de fé, cujo mal-entendido ou interpretação incorreta causava inquietação e heresias dentro da Igreja. Os Concílios também desenvolveram regras para a vida eclesiástica. No final do século VIII, uma nova heresia surgiu dentro da Igreja: a iconoclastia. Os iconoclastas negavam a veneração da santidade terrena da Mãe de Deus e dos santos, acusando os ortodoxos de adorarem um ser criado — o ícone. Uma feroz luta surgiu em torno da veneração dos ícones. Muitos fiéis se levantaram em defesa desses objetos sagrados, apenas para serem submetidos a severa perseguição. 
Tudo isso exigiu que a Igreja desse um ensinamento completo sobre o ícone, definindo-o de forma clara e distinta, restaurando a veneração dos ícones a um nível equivalente ao da veneração da Santa Cruz e do Santo Evangelho. 
Os Santos Padres do Sétimo Concílio Ecumênico reuniram a experiência da Igreja com a veneração de ícones sagrados desde os tempos mais remotos, fundamentaram-na e formularam o dogma da veneração de ícones para todos os tempos e para todos os povos que professam a fé ortodoxa. Os Santos Padres proclamaram que a veneração de ícones é uma lei e uma Tradição da Igreja, guiada e inspirada pelo Espírito Santo que habita na Igreja. A iconografia dos ícones é inseparável da narrativa do Evangelho. E o que a palavra do Evangelho nos comunica pela audição, o ícone transmite por meio de sua imagem. 
O Sétimo Concílio afirmou que a iconografia é uma forma especial de revelação da realidade Divina e que, por meio dos serviços divinos e dos ícones, a revelação Divina torna-se propriedade dos fiéis. Através dos ícones, assim como através das Sagradas Escrituras, não apenas aprendemos sobre Deus, mas conhecemos a Deus. Através dos ícones dos santos de Deus, tocamos o ser humano transfigurado, participante da vida Divina; através dos ícones, recebemos a graça santificadora do Espírito Santo. Diariamente, a Santa Igreja glorifica os ícones da Mãe de Deus e celebra a memória dos santos de Deus. Seus ícones são colocados diante de nós no altar para veneração, e a experiência religiosa viva de cada um de nós, a experiência de nossa transformação gradual por meio deles, nos torna filhos fiéis da Santa Igreja Ortodoxa. E esta é a verdadeira manifestação no mundo das obras dos Santos Padres do Sétimo Concílio Ecumênico. Por isso, de todas as vitórias sobre a multidão de diversas heresias, somente a vitória sobre a iconoclastia e a restauração da veneração dos ícones foram proclamadas o Triunfo da Ortodoxia. E a fé dos Padres dos Sete Concílios Ecumênicos é o fundamento eterno e imutável da Ortodoxia. 
E ao glorificarmos a memória dos Santos Padres do Sétimo Concílio Ecumênico, devemos lembrar que é a eles que devemos agradecer pela consagração de nossas igrejas e lares com ícones sagrados, pelas chamas vivas das lamparinas de óleo que tremeluzem diante deles, por nossas prostrações diante das santas relíquias e pelo incenso que eleva nossos corações ao céu. E a gratidão da revelação dessas santas relíquias encheu inúmeros corações de amor a Deus e reanimou um espírito que estava quase morto. 
Santos Mártires Probo, Táracos e Andrônico 
Os Santos Mártires Probo, Táracos e Andrônico foram martirizados por amor a Cristo no ano 304, na cidade de Tarso da Silícia.
 
Diante da proposta dos pagãos para que oferecessem sacrifícios aos ídolos, Táracos, o mais velho dos três, que era militar, respondeu que ele só ofereceria sacrifício ao Único e Verdadeiro Deus. Vendo a firmeza dos santos em confessar a verdadeira fé, o procônsul os entregou para serem torturados. 
"Enquanto o meu corpo padece", – disse São Probo aos idólatras torturadores, "a minha alma é curada e revigorada". Os algozes então passaram a sofisticar ainda mais as suas formas de tortura, tanto quanto o ódio podia fazê-lo, e depois que os santos entregaram suas almas a Deus, os seus corpos foram jogados num lugar distante. Os cristãos recolheram secretamente os restos mortais dos santos dando a eles uma sepultura digna.

Oração Antes de Ler as Escrituras
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!
MATINAS (10)

João 21:1-14

Fragmento 66 – Naqueles dias, manifestou-Se Jesus outra vez aos discípulos junto do mar de Tiberíades; e manifestou-Se deste modo: Estavam juntos Simão Pedro, Tomé, chamado Dídimo, Natanael, que era de Caná da Galileia, os filhos de Zebedeu, e outros dois dos Seus discípulos. Disse-lhes Simão Pedro: “Vou pescar”. Responderam-lhe: “Nós também vamos contigo”. Saíram e entraram no barco; e naquela noite nada apanharam. Mas ao romper da manhã, Jesus Se apresentou na praia; todavia os discípulos não sabiam que era Ele. Disse-lhes, pois, Jesus: “Filhos, não tendes nada que comer?” Responderam-Lhe: “Não”. Disse-lhes Ele: “Lançai a rede à direita do barco, e achareis”. Lançaram-na, pois, e já não a podiam puxar por causa da grande quantidade de peixes. Então aquele discípulo a quem Jesus amava disse a Pedro: “É o Senhor”. Quando, pois, Simão Pedro ouviu que era o Senhor, cingiu-se com a túnica, porque estava despido, e lançou-se ao mar; mas os outros discípulos vieram no barquinho, puxando a rede com os peixes, porque não estavam distantes da terra senão cerca de duzentos côvados. Ora, ao saltarem em terra, viram ali brasas, e um peixe posto em cima delas, e pão. Disse-lhes Jesus: “Trazei alguns dos peixes que agora apanhastes”. Entrou Simão Pedro no barco e puxou a rede para terra, cheia de cento e cinquenta e três grandes peixes; e, apesar de serem tantos, não se rompeu a rede. Disse-lhes Jesus: “Vinde, comei”. Nenhum dos discípulos ousava perguntar-Lhe: “Quem És Tu?” Sabendo que era o Senhor. Chegou Jesus, tomou o pão e lhes deu, e semelhantemente o peixe. Foi esta a terceira vez que Jesus Se manifestou aos Seus discípulos, depois de ter ressurgido dentre os mortos.

LITURGIA 

Tropárion da Ressurreição, Tom 4
As santas mulheres discípulas do Senhor, / recebendo do Anjo a boa-nova da Ressurreição / correram orgulhosas / dizer aos Apóstolos: / “a morte está vencida, / pois Cristo nosso Deus ressuscitou, // concedendo ao mundo a Sua infinita misericórdia”.

Tropárion dos Santos Padres 7º Concílio Ecumênico, Tom 8
Gloriosíssimo És Tu, ó Cristo nosso Deus, / que estabeleceste nossos pais sobre a terra como balizas, / e, assim, nos tens guiado para a verdadeira fé! // Ó Misericordiosíssimo, glória a Ti!

Kondákion da Ressurreição
Como Deus, Tu ressuscitaste gloriosamente do túmulo, / ressuscitando o mundo Contigo; / a natureza humana Te canta como Deus,/ pois a morte foi dissipada./ Adão rejubila, Mestre;/ e Eva, doravante liberta das suas cadeias, proclama na alegria:// Ó Cristo, Tu És Aquele que concede a todos os homens a ressurreição!

Kondákion da Ressurreição
Meu Salvador e Libertador, / como Deus Tu libertaste de suas amarras aqueles nascidos na terra, /e partiste em pedaços os portões do Inferno, / e ressuscitaste ao terceiro dia // como Mestre.

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo ...

Tom 6: O Filho, Resplendor do Pai, inefavelmente nasceu, / em dupla natureza, de uma mulher. / E ao contemplá-Lo, não ocultamos a Sua Imagem; / antes, com piedade, fé e reverência, a reproduzimos. / E por isto, a Igreja, preservando a verdadeira fé, // beija o Ícone da Encarnação de Cristo.
 
Agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!

Hino à Virgem
Ó admirável Protetora dos Cristãos e nossa Intercessora ante o Criador, / não desprezes as súplicas de nós, pecadores, / mas, apressa-te a auxiliar-nos como Mãe Bondosa que és, / pois, te invocamos com fé. / Roga por nós junto de Deus, / tu que defendes sempre àqueles que te veneram.

Prokímenon, Tom 4

R. Ó, Senhor, quão harmoniosas são as Tuas obras!
Feitas, todas, com sabedoria. (Sl. 103:24)

V. Bendiz ó minha alma ao Senhor, 
Senhor meu Deus, Tu És infinitamente grande! (Sl. 103:1)

No mesmo Tom: 

Bendito sejas Tu, ó Senhor, Deus de nossos pais, 
e louvado e glorificado seja o Teu nome pelos séculos dos séculos.

Gálatas 2:16-20

Fragmento 203 - Irmãos, sabedores de que o homem não é justificado pelas obras da Lei, mas pela fé em Jesus Cristo, temos também crido em Jesus Cristo, para sermos justificados pela fé em Cristo, e não pelas obras da Lei; porquanto pelas obras da lei nenhuma carne será justificada. Pois, se nós, que procuramos ser justificados em Cristo, nós mesmos também somos achados pecadores, é porventura Cristo ministro do pecado? De maneira nenhuma. Porque, se torno a edificar aquilo que destruí, constituo-me a mim mesmo transgressor. Porque eu, pela Lei, estou morto para a Lei, para viver para Deus. Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a pela fé no Filho de Deus, o Qual me amou, e Se entregou a Si mesmo por mim.

Hebreus 13:17-21 (Domingo dos Santos Padres do 7º Concílio Ecumênico)

Fragmento 334 - Irmãos, obedecei aos que vos presidem e submetei-vos; porque eles vigiam as vossas almas, como quem deve prestar contas, para que o façam com alegria e não com tristeza; pois isso é inútil para vós. Orai por nós, pois, confiamos que temos uma boa consciência em todas as coisas, dispostos a viver honestamente. Mas rogo-vos que façais isso, para que eu possa vos ser restituído o mais rápido possível. Ora, o Deus da paz, que trouxe dentre os mortos a nosso Senhor Jesus, o Grande Pastor das Ovelhas, pelo sangue da Aliança Eterna, vos aperfeiçoe em toda boa obra, para fazerdes a sua vontade, operando em vós o que é agradável aos Seus olhos, por meio de Jesus Cristo, a Quem seja glória para todo o sempre. Amém.

Aleluia, 4º Tom

Cinge a Tua espada, com majestade e esplendor,
cavalga vitorioso, pela causa da verdade e da justiça. 

Aleluia, aleluia, aleluia!

Amaste a justiça e detestaste a iniquidade,
por isso Deus Te ungiu com o óleo da alegria.

Aleluia, aleluia, aleluia!

No 1º Tom : 

O Deus dos deuses, o Senhor, falou, e chamou a terra desde o nascer do sol até o seu ocaso.  

Aleluia, Aleluia, Aleluia!

Lucas 7:11-16 (Domingo dos Santos Padres do 7º Concílio Ecumênico)

Fragmento 56 - Naqueles dias, Jesus, levantou os olhos ao céu e disse: “Pai, é chegada a hora; glorifica a Teu Filho, para que também o Filho Te glorifique; assim como Lhe deste autoridade sobre toda a carne, para que dê a vida eterna a todos aqueles que Lhe tens dado. E a vida eterna é esta: Que Te conheçam a Ti, como o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, Aquele que Tu enviaste. Eu Te glorifiquei na terra, completando a obra que Me deste para fazer. Agora, pois, glorifica-Me Tu, ó Pai, junto de Ti mesmo, com aquela glória que Eu tinha Contigo antes que o mundo existisse. Manifestei o Teu Nome aos homens que do mundo Me deste. Eram Teus, e Tu os deste a Mim; e guardaram a Tua palavra. Agora sabem que tudo quanto Me deste provém de Ti, porque Eu lhes dei as palavras que Tu Me deste, e eles as receberam, e verdadeiramente conheceram que saí de Ti, e creram que Tu Me enviaste. Eu rogo por eles; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que Me tens dado, porque são Teus. Todas as Minhas coisas são Tuas, e as Tuas coisas são Minhas; e neles sou glorificado. Eu não estou mais no mundo, mas eles estão no mundo, e eu vou para Ti. Pai Santo, guarda no Teu Nome àqueles que Me deste, para que eles sejam um, assim como nós. Enquanto Eu estava com eles no mundo, Eu os guardava em Teu Nome. Tenho guardado àqueles que Tu Me deste, e nenhum deles se perdeu, senão o filho da perdição, para que a Escritura pudesse se cumprir. Mas agora vou para Ti; e isto falo no mundo, para que eles tenham a Minha alegria completa em si mesmos”.

Versos da Comunhão
Louvai ao Senhor desde os céus, 
Louvai-O nas alturas! 
Versículo da Comunhão:
Alegrai-vos no Senhor, vós justos; 
O louvor é próprio dos retos.
Aleluia, Aleluia, Aleluia!

† † †

HOMILIAS


“Os Milagres de Jesus, Sinal da Ressurreição”

O Verbo de Deus, Criador de todas as coisas, que ao princípio plasmou ao ser humano, encontrou a sua criatura caída pelo pecado; mas de tal maneira o curou em cada um de seus membros para torná-lo tal como ele o tinha plasmado, e reintegrou completamente ao homem o seu estado original, que o deixou completamente preparado para ressuscitar.

E que outro motivo teria ao curar os membros da carne e restituir-lhes seu estado original, a não ser salvar aqueles mesmos membros que tinha curado? Pois se a utilidade que traziam fosse apenas temporal, nada de extraordinário teria concedido para aqueles que ele tinha curado. Ou como podem afirmar que não é digna da vida que dele procede, sendo a mesma carne que dele recebeu a cura? Porque a vida se restitui pela cura, e a incorrupção pela vida. E é o mesmo quem dá a cura e a vida; e o mesmo que dá a vida reveste de incorrupção a sua criatura.

Portanto, que nos digam aqueles que nos contradizem, ou melhor dito, que contradizem sua própria salvação, com que corpo ressuscitaram a filha do sumo sacerdote, e o filho da viúva ao qual carregavam morto junto à porta da cidade, e Lázaro, que já estava quatro dias no sepulcro?

Sem dúvida, com os mesmos (membros) com os quais tinham falecido; pois se não fossem os mesmos corpos, tampouco seriam as mesmas pessoas falecidas aquelas que ressuscitaram. Mas o Evangelho diz que “o Senhor tomou a mão do morto e lhe disse: Jovem, te digo, levanta-te. E o morto se sentou, e ele ordenou que se lhe dessem de comer, e o entregou a sua mãe.” E chamou a Lázaro com uma forte voz, dizendo: “Lázaro, sai para fora! E o morto saiu, atado das mãos e dos pés.” Este é um símbolo do homem ligado pelo pecado. Por isso, o Senhor lhe diz: Desatai-o e deixai-o andar.

Assim, aqueles enfermos foram curados nos mesmos membros doentes e os mortos ressuscitados com os seus mesmos corpos, recebendo do Senhor a vida e a cura em seus próprios corpos e membros, o qual é um sinal temporal que preludia o eterno e mostra que é o mesmo aquele que que dá a cura a sua criatura e que pode dar novamente a vida.

Deste modo se pode crer sua doutrina acerca da ressurreição, pois de forma semelhante no final dos tempos, quando ressoe a trombeta, os mortos ressuscitarão à voz do Senhor, como ele mesmo disse:

“Chegará a hora na qual todos os mortos que estão nos sepulcros escutarão a voz do Filho do homem, e sairão os que obraram o bem para a ressurreição da vida, e os que obraram o mal para a ressurreição do juízo.”

Santo Irineu, Bispo de Lião (séc. II)

† † †

“É Nele Que Nós Já Somos Ressuscitados”

“Ao ver a viúva, o Senhor Jesus... disse-lhe: Não chores.” Cristo, esperança de todos os crentes, chama aos que deixam este mundo não de “mortos”, mas de “adormecidos” ao dizer: Lázaro, meu amigo dorme; o Apóstolo Paulo, por seu lado, não quer que estejamos tristes por causa dos que adormeceram. Por isso, se a nossa fé afirma que todos os que creem em Cristo, conforme a palavra do Evangelho, não morrerão jamais, nós sabemos que eles não estão mortos e que nós mesmos não morremos.

É porque, “quando for dado o sinal, à voz do arcanjo e ao som da trombeta de Deus, o próprio Senhor descerá do céu, e os que morreram em Cristo, ressurgirão primeiro.” Por conseguinte, que a esperança da ressurreição nos dê coragem, pois voltaremos a ver aqueles que tínhamos perdido. Importa que acreditemos firmemente nele, quer dizer, que obedeçamos aos seus mandamentos, porque com o seu poder supremo ele acorda os mortos mais facilmente do que nós acordamos os que estão dormindo.

Eis o que nós dizemos e, entretanto, não sei por que motivo refugiamo-nos nas lágrimas, e o sentimento do pranto perturba a nossa fé. Ai de nós! A condição do homem é lamentável, e como é vã a nossa vida sem Cristo! Mas tu, ó morte, que tens a crueldade de romper a união dos esposos e de separar os que estão vinculados pela amizade, a tua força está desde já esmagada. Doravante, o teu jugo impiedoso é esmagado por aquele que te ameaçava mediante as palavras do Profeta Oseias: “Ó morte, eu serei a tua morte.” É por isso que, com o Apóstolo Paulo, lançamos esta provocação: “Ó morte, onde está a tua vitória? Ó morte, onde está o teu aguilhão?” Aquele que te venceu resgatou-nos, entregou a sua querida alma nas mãos dos ímpios, para fazer deles os seus queridos.

Seria muito longo relembrar tudo o que nas santas Escrituras nos deveria consolar a todos. Que nos baste acreditar na ressurreição e erguer os nossos olhos para a glória do nosso Redentor, porque é nele que nós já somos ressuscitados, como a nossa fé nos faz pensar, conforme a palavra do Apóstolo Paulo: “Se morremos por ele, com ele também reviveremos.”

São Bráulio de Saragoça (séc. VII)

† † †

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