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segunda-feira, 7 de setembro de 2026

15ª Segunda-feira Depois de Pentecostes

07 de Setembro de 2026 (CC) / 25 de Agosto (CE)
São Tito, Bispo de Creta (Apóstolo dos 70 – séc. I)
Retorno das Relíquias do Apóstolo Bartolomeu de Anastasiopolis para Lipari
Tom 5



Tito, cujo nome é de origem latina, era grego e pagão (cf. Gl 2, 3). Ainda jovem se converteu ao cristianismo, foi batizado pelo Apóstolo São Paulo e se tornou companheiro e inestimável colaborador do apóstolo. Quando Paulo disse a Tito: «Isto deves ensinar, recomendar e reprovar com toda autoridade», fez surgir um outro grande evangelizador, que permaneceu trabalhando ao seu lado. Encarregado pelo apóstolo para executar importantes missões, foi uma vez a Jerusalém para entregar a importância duma coleta em favor dos cristãos pobres. «Meu companheiro e colaborador», como escreveu o apóstolo na segunda carta aos Corintos. Companheiro dos momentos importantes, como a famosa reunião do concílio de Jerusalém, que tratou da necessidade de renovação e diversificação dos ritos devido a evangelização no mundo pagão. Tito, porém, foi também um mediador persuasivo, e entusiasmou Paulo resolvendo uma grave crise entre ele e os Corintos. Enviado por São Paulo a Corinto com a tarefa de reconduzir aquela indócil comunidade à obediência, Tito restabeleceu a paz entre a Igreja de Corinto e o Apóstolo, que lhe escreveu nestes termos: «Deus, porém, que consola os humildes, consolou-nos com a chegada de Tito, e não só com a sua chegada, mas também com a consolação que ele tinha recebido de vós. Contou-nos ele o vosso vivo desejo, a vossa aflição, a vossa solicitude por mim… Foi por isso que ficamos consolados» (2 Cor 7, 6-7.13). 
Entre os anos 64 e 65, tendo sido libertado da prisão romana o apóstolo Paulo foi com ele para a ilha de Creta, onde fundou uma comunidade cristã, que confiou a Tito. Mais tarde, visitou a Paulo em Nicópolis. Voltou novamente à Ilha de Creta, onde recebeu uma carta do próprio mestre, Paulo, que figura entre os livros sagrados. Depois, retornou à Roma para se avistar com o apóstolo que o mandou provavelmente evangelizar a Dalmácia, onde seu culto ainda hoje é intenso. Segundo a tradição mais antiga, Tito permaneceu como bispo de Creta até sua morte, que ocorreu em idade avançada, por causa natural e não por martírio, em Creta no ano 105 depois de Cristo. Ele teria conservado a virgindade até a morte. São Paulo o chama repetidamente «meu companheiro e colaborador», e na segunda carta aos Corintos, num momento de especial amargura, diz: «Deus me consolou com a chegada de Tito». 
Traslado das Relíquias do Apóstolo Bartolomeu 
A transferência das relíquias do apóstolo Bartolomeu se deu no final do século VI. Sua atividade apostólica e o seu martírio são lembrados pela Igreja em 11 de junho. O Apóstolo Bartolomeu padeceu por Cristo na região do Cáucaso (hoje Baku, capital do Azerbaijão), no ano 71, onde também suas santas relíquias estavam situadas. Muitos milagres ocorreram pelas relíquias do santo Apóstolos, e vários dos incrédulos foram convertidos a Cristo. As relíquias do Apóstolo Bartolomeu foram transferidas no tempo do Imperador Anastásios (491-518) para a cidade recém-construída de Anastasiópolis (ou Dareia), e lá permaneceram até o final do século VI. 
Quando a cidade de Anastasiópolis foi capturada pelo Imperador persa, Khozroes, cristãos puseram as relíquias do apóstolo Bartolomeu em um baú e fugiram com ela para as margens do Mar Negro. Porém, foram perseguidos e alcançados por sacerdotes pagãos, os quais jogaram no mar o baú que continha as relíquias do Apóstolo Bartolomeu. Juntamente com o baú, outras 4 caixas foram lançadas ao mar com as relíquias dos Santos Mártires Papian, Luciano, Gregório e Akakios. Pelo poder de Deus os baús não afundaram e foram levados pela correnteza até as praias da Itália. O baú com as relíquias do Apóstolo Bartolomeu aportou na ilha de Lipari, e as caixas restantes se dispersaram por vários lugares da Itália: O que continha as relíquias do Mártir Papian, parou na Sicília; o do Mártir Luciano em Messina; o do Mártir Gregório na Calábria, e a do Mártir Akakios, em Asculusa. A chegada das relíquias do santo Apóstolo Bartolomeu fora revelada ao bispo da ilha de Lipari, Agathon, o qual foi com o clero às margens do mar, retirou o baú das águas, e solenemente o transferiu para a igreja. 
As relíquias do Apóstolo Bartolomeu passaram a fluir mirra, curando várias doenças. Elas permaneceram na igreja da ilha de Lipari até meados do século IX, quando a ilha foi capturada pelos pagãos. Mercadores cristãos pegaram as relíquias do Apóstolo Bartolomeu e as transferiu para a cidade de Benevento, onde foram recebidas com grande veneração e colocadas na Igreja Matriz da cidade.
Tropária e Kondákia Para As Hostes Celestiais dos Incorpóreos. 
Comemorados Às Segundas-feiras 
Tropárion, Tom 4: Arcanjos das Hostes Celestiais, nós, os indignos, incessantemente vos suplicamos que nos protejais com vossas preces sob a proteção das asas de vossa glória imaterial, preservando-nos, nós que nos prostramos fervorosamente e clamamos: “ Livrai -nos das aflições, como os comandantes dos Poderes Supremos!”
Kondákion, Tom 2: Arcanjos de Deus, servos da Glória Divina, líderes dos Anjos e guias dos homens, intercedam por nós com grande misericórdia, como Arcanjos incorpóreos. 

Oração Antes de Ler as Escrituras
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém! 

Gálatas 2:11-16

Fragmento 202 - Irmãos, quando Pedro veio a Antioquia, eu o confrontei pessoalmente, porque era repreensível. Porque, antes que alguns tivessem chegado da parte de Tiago, comia com os gentios; mas, depois que chegaram, se foi retirando, e se apartou deles, temendo os que eram da circuncisão. E os outros judeus, tal como ele, também, se portaram hipocritamente, de maneira que até Barnabé se deixou levar pela hipocrisia dele. Mas, quando vi que não andavam retamente conforme a verdade do Evangelho, disse a Pedro na presença de todos: Se tu, sendo judeu, vives como os gentios, e não como judeu, por que obrigas os gentios a viverem como judeus? Nós somos judeus por natureza, e não pecadores dentre os gentios. Sabendo que o homem não é justificado pelas obras da Lei, mas pela fé em Jesus Cristo, temos também crido em Jesus Cristo, para sermos justificados pela fé de Cristo, e não pelas obras da Lei; porquanto pelas obras da Lei nenhuma carne será justificada.

COMENTÁRIO

«Temos também crido em Jesus Cristo, para sermos justificados pela fé de Cristo...»  
O texto diz: «Pela de Cristo»; não diz «pela fé em Cristo». A fé de Cristo é o Evangelho. Assim como a fonte das obras é a Lei, a fonte da Fé é Cristo. É a fé de Cristo, ou seja, Suas crenças, Sua confiança, Sua obediência - que nos justifica, não a nossa fé como tal. A Fé de Cristo pode ser vista em toda a Sua vida na Terra e não apenas em algumas de suas obras cruciais. Ver artigo sobre Justificação Pela Fé.
Lucas 3:19-22

Fragmento 10 - Naquela época, Herodes, o Tetrarca, tendo sido repreendido por João, por causa de Herodias, esposa de seu irmão, e por todas as perversidades que ele praticou, acrescentou ainda mais esta: A de mandar aprisionar João. E na ocasião em que o povo era batizado, Jesus também foi batizado, e ao orar, o céu se abriu, e o Espírito Santo desceu em forma corporal, como uma pomba, sobre Ele, e uma voz do céu soou:

“Tu És o Meu Filho Amado, em Ti Eu tenho contentamento.”

ENSINO DOS SANTOS PADRES

“Minhas lágrimas e minha penitência têm sido para mim como o batismo”

A sogra de Pedro estava recostada com febre. Oxalá venha e entre em nossa casa o Senhor e com uma ordem sua cure as febres de nossos pecados! Porque todos nós temos febre. Tenho febre, por exemplo, quando me deixo levar pela ira. Existem tantas febres como vícios. Por isso, peçamos aos apóstolos que intercedam frente a Jesus, para que venha a nós e segure nossa mão, porque se ele segura a nossa mão, a febre foge em um instante. Ele é um médico nobre, o verdadeiro protomédico. Médico foi Moisés, médico Isaías, médicos todos os santos, mas este é o protomédico. Sabe tocar sabiamente as veias e perscrutar os segredos das enfermidades.

Ele não toca o ouvido, não toca a fronte, não toca nenhuma outra parte do corpo, mas a mão. Tinha a febre, porque não possuía boas obras. Em primeiro lugar, portanto, tem que curar as obras, e logo remover a febre. A febre não pode fugir se não são curadas as obras. Quando nossa mão possui más obras, jazemos no leito, sem podermos levantar, sem poder andar, pois estamos totalmente consumidos na enfermidade.

E aproximando-se daquela que estava enferma. Ela mesma não pôde levantar-se, pois jazia no leito, e, portanto, não pôde sair ao encontro do que vinha. Porém, este médico misericordioso, ele mesmo acode ao leito; aquele que tinha levado sob os seus ombros a ovelhinha enferma, ele mesmo acorre ao leito. E aproximando-se... Sobretudo se aproxima, e o faz para curá-la. E aproximando-se... Observa o que ele diz. É como dizer: seria suficiente sair-me ao encontro, achegar-te à porta e receber-me, para que tua saúde não fosse somente obra de minha misericórdia, mas também de tua vontade. Porém, já que te encontras oprimida pelas altas febres e não pode levantar-se, eu mesmo venho a ti.

E aproximando-se, a levantou. Visto que ela mesma não podia levantar-se, é segurada pelo Senhor. Ele a levantou, tomando-a na mão. Segurou-a precisamente na mão. Também Pedro, quando perigava no mar e afundava, foi agarrado na mão e erguido. E levantou-a tomando-a pela mão. Com sua mão o Senhor tomou a mão dela. Ó feliz amizade, ó formoso afago! Levantou-a segurando-a na mão: com sua mão curou a mão dela. Segurou sua mão como um médico, tomou o pulso, comprovou a intensidade das febres, ele mesmo, que é médico e medicina ao mesmo tempo.

Jesus a toca e a febre foge. Que ele toque também a nossa mão, para que nossas obras sejam purificadas, que ele entre em nossa casa: por fim, levantemo-nos do leito, não permaneçamos abatidos. Jesus está de pé frente ao nosso leito, e nós permanecemos deitados? Levantemo-nos e fiquemos de pé: é para nós uma vergonha que estejamos recostados diante de Jesus. Alguém poderá dizer: Onde está Jesus? Jesus está aqui agora. No meio de vós, diz o Evangelho, está alguém a quem não conheceis. O Reino de Deus está no meio de vós. Creiamos e vejamos que Jesus está presente. Se não podemos tocar sua mão, prostremo-nos aos seus pés. Se não podemos chegar a sua cabeça, ao menos lavemos seus pés com nossas lágrimas. Nossa penitência é unguento do Salvador. Vede quão grande é a sua misericórdia. Nossos pecados fedem, são podridão e, contudo, se fazemos penitência pelos pecados, se os choramos, nossos pútridos pecados se convertem em unguento do Senhor. Peçamos, portanto, ao Senhor, que nos tome pela mão. 

E no mesmo instante, afirma, a febre a deixou. Apenas a segura pela mão e a febre a deixa. Observa o que segue: No mesmo instante a febre a deixou. Tem esperança, pecador, contanto que te levantes do leito. O mesmo ocorreu com o santo Davi, que tinha pecado, deitado na cama com a mulher de Urias o hitita, sentindo a febre do adultério, depois que o Senhor o curou, depois de ter dito: Tem piedade de mim, ó Deus, por tua grande misericórdia, assim como: Contra ti, só contra ti pequei, cometi o mal aos teus olhos. Livra-me do sangue, ó Deus, Deus meu... Porque ele tinha derramado o sangue de Urias, ao ter ordenado derramá-lo. Disse: livra-me do sangue, ó Deus, Deus meu, e renova o meu espírito em meu interior. Observa o que diz: Renova. Porque no tempo em que cometi o adultério e perpetrei o adultério e o homicídio, o Espírito Santo envelheceu em mim. E o que mais ele diz? Lava-me e ficarei mais branco do que a neve. Porque me lavaste com minhas lágrimas. Minhas lágrimas e minha penitência têm sido para mim como o batismo. Observa, então, de então, de penitente em que se converte. Fez penitência e chorou, por isso foi purificado. O que acontece em seguida? Ensinarei aos iníquos teus caminhos e os pecadores voltarão a ti. De penitente se tornou mestre.

Por que disse tudo isto? Porque aqui está escrito: E no mesmo instante a febre a deixou e se pôs a servir-lhes. Não basta que a febre a deixasse, mas também se levanta para o serviço de Cristo. E se pôs a servir-lhes. Servia-lhes com os pés, com as mãos, corria de um lugar ao outro, venerava ao que lhe tinha curado. Sirvamos também nós a Jesus. Ele acolhe com gosto o nosso serviço, mesmo que tenhamos as mãos manchadas: ele se digna olhar aquele que curou, porque ele mesmo o curou. A ele a glória pelos séculos dos séculos. Amém.

São Jerônimo, doutor da Igreja (séc. V)

Fonte: Lecionário Patrístico

† † †

domingo, 7 de setembro de 2025

13º Domingos Depois de Pentecoste

07 de Setembro de 2025 (CC) / 25 de Agosto (CE)
São Tito, Bispo de Creta (Apóstolo dos 70 – séc. I)
Retorno das Relíquias do Apóstolo Bartolomeu de Anastasiopolis para Lipari
Tom 4



Tito, cujo nome é de origem latina, era grego e pagão (cf. Gl 2, 3). Ainda jovem se converteu ao cristianismo, foi batizado pelo Apóstolo São Paulo e se tornou companheiro e inestimável colaborador do apóstolo. Quando Paulo disse a Tito: «Isto deves ensinar, recomendar e reprovar com toda autoridade», fez surgir um outro grande evangelizador, que permaneceu trabalhando ao seu lado. Encarregado pelo apóstolo para executar importantes missões, foi uma vez a Jerusalém para entregar a importância duma coleta em favor dos cristãos pobres. «Meu companheiro e colaborador», como escreveu o apóstolo na segunda carta aos Corintos. Companheiro dos momentos importantes, como a famosa reunião do concílio de Jerusalém, que tratou da necessidade de renovação e diversificação dos ritos devido a evangelização no mundo pagão. Tito, porém, foi também um mediador persuasivo, e entusiasmou Paulo resolvendo uma grave crise entre ele e os Corintos. Enviado por São Paulo a Corinto com a tarefa de reconduzir aquela indócil comunidade à obediência, Tito restabeleceu a paz entre a Igreja de Corinto e o Apóstolo, que lhe escreveu nestes termos: «Deus, porém, que consola os humildes, consolou-nos com a chegada de Tito, e não só com a sua chegada, mas também com a consolação que ele tinha recebido de vós. Contou-nos ele o vosso vivo desejo, a vossa aflição, a vossa solicitude por mim… Foi por isso que ficamos consolados» (2 Cor 7, 6-7.13). 
Entre os anos 64 e 65, tendo sido libertado da prisão romana o apóstolo Paulo foi com ele para a ilha de Creta, onde fundou uma comunidade cristã, que confiou a Tito. Mais tarde, visitou a Paulo em Nicópolis. Voltou novamente à Ilha de Creta, onde recebeu uma carta do próprio mestre, Paulo, que figura entre os livros sagrados. Depois, retornou à Roma para se avistar com o apóstolo que o mandou provavelmente evangelizar a Dalmácia, onde seu culto ainda hoje é intenso. Segundo a tradição mais antiga, Tito permaneceu como bispo de Creta até sua morte, que ocorreu em idade avançada, por causa natural e não por martírio, em Creta no ano 105 depois de Cristo. Ele teria conservado a virgindade até a morte. São Paulo o chama repetidamente «meu companheiro e colaborador», e na segunda carta aos Corintos, num momento de especial amargura, diz: «Deus me consolou com a chegada de Tito». 
Traslado das Relíquias do Apóstolo Bartolomeu 
A transferência das relíquias do apóstolo Bartolomeu se deu no final do século VI. Sua atividade apostólica e o seu martírio são lembrados pela Igreja em 11 de junho. O Apóstolo Bartolomeu padeceu por Cristo na região do Cáucaso (hoje Baku, capital do Azerbaijão), no ano 71, onde também suas santas relíquias estavam situadas. Muitos milagres ocorreram pelas relíquias do santo Apóstolos, e vários dos incrédulos foram convertidos a Cristo. As relíquias do Apóstolo Bartolomeu foram transferidas no tempo do Imperador Anastásios (491-518) para a cidade recém-construída de Anastasiópolis (ou Dareia), e lá permaneceram até o final do século VI. 
Quando a cidade de Anastasiópolis foi capturada pelo Imperador persa, Khozroes, cristãos puseram as relíquias do apóstolo Bartolomeu em um baú e fugiram com ela para as margens do Mar Negro. Porém, foram perseguidos e alcançados por sacerdotes pagãos, os quais jogaram no mar o baú que continha as relíquias do Apóstolo Bartolomeu. Juntamente com o baú, outras 4 caixas foram lançadas ao mar com as relíquias dos Santos Mártires Papian, Luciano, Gregório e Akakios. Pelo poder de Deus os baús não afundaram e foram levados pela correnteza até as praias da Itália. O baú com as relíquias do Apóstolo Bartolomeu aportou na ilha de Lipari, e as caixas restantes se dispersaram por vários lugares da Itália: O que continha as relíquias do Mártir Papian, parou na Sicília; o do Mártir Luciano em Messina; o do Mártir Gregório na Calábria, e a do Mártir Akakios, em Asculusa. A chegada das relíquias do santo Apóstolo Bartolomeu fora revelada ao bispo da ilha de Lipari, Agathon, o qual foi com o clero às margens do mar, retirou o baú das águas, e solenemente o transferiu para a igreja. 
As relíquias do Apóstolo Bartolomeu passaram a fluir mirra, curando várias doenças. Elas permaneceram na igreja da ilha de Lipari até meados do século IX, quando a ilha foi capturada pelos pagãos. Mercadores cristãos pegaram as relíquias do Apóstolo Bartolomeu e as transferiu para a cidade de Benevento, onde foram recebidas com grande veneração e colocadas na Igreja Matriz da cidade.
 
Oração Antes de Ler as Escrituras 
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!

MATINAS (II)

Marcos 16:1-8

Fragmento 70 - Naquela época, passado o sábado, Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, e Salomé, compraram aromas para irem ungi-lo. E, muito cedo, no primeiro dia da semana, foram elas ao sepulcro, ao nascer do sol. E elas disseram entre si: “Quem nos revolverá a pedra da porta do sepulcro?” (E, quando olharam, viram que a pedra já estava revolvida), porque era muito grande. E, entrando no sepulcro, viram um jovem sentado à direita, vestido de uma longa túnica branca; e ficaram atemorizadas. E disse-lhes: “Não vos assusteis; buscais a Jesus Nazareno, que foi crucificado; ressuscitou; não está aqui; eis aqui o lugar onde O puseram. Mas ide, dizei aos Seus discípulos, e a Pedro, que ele vai adiante de vós para a Galileia; ali O vereis, como Ele vos disse”. E elas saíram apressadamente, e fugiram do sepulcro, porque tremiam e estavam atônitas; e não disseram nada a ninguém, porque estavam com medo.
LITURGIA

Tropárion da Ressurreição, no 4º Tom: As santas mulheres discípulas do Senhor, / recebendo do Anjo a boa-nova da Ressurreição / correram orgulhosas / dizer aos Apóstolos: / “a morte está vencida, / pois Cristo nosso Deus ressuscitou, // concedendo ao mundo a Sua infinita misericórdia”.

Tropárion de São Mateus, no 3º Tom (Santo Patrono): Com zelo seguiste a Cristo, o Mestre, / Que em Sua bondade apareceu aos homens na Terra, / E da alfândega te chamou para Apóstolo / e Pregador do Evangelho ao universo, /por isto honramos tua preciosa memória. / Ó divinamente eloquente, Mateus. /Roga ao Deus misericordioso // que nos conceda a remissão das transgressões e a salvação das nossas almas!

Tom 3: Ó Santos Apóstolos Tito e Bartolomeu, / intercedei junto ao Deus misericordioso, //
que Ele nos conceda o perdão e a salvação das nossas almas.

Kondákion da Ressurreição, no 4º Tom: Meu Salvador e Libertador, / como Deus Tu libertaste de suas amarras aqueles nascidos na terra, /e partiste em pedaços os portões do Inferno, / e ressuscitaste ao terceiro dia // como Mestre.

Kondákion de São Mateus, Tom 4 (Santo Patrono): Deixando os laços da alfândega para adquirir o jugo da Justiça, / tu te revelaste um sábio comerciante, rico da sabedoria do Alto. / Proclamaste a Palavra da Verdade, /e pela narrativa da hora do Juízo // despertaste as almas indolentes.
 
Tom 4: Tu apareceste à Igreja como um grande sol, / Ó Bartolomeu, Apóstolo do Senhor, / iluminando com o esplendor das doutrinas / e com maravilhas impressionantes // aqueles que te louvam.

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo...

Tom 2: Revelado como companheiro de Paulo, / Ó sempre memorável Apóstolo Tito, / tu narrador de mistérios sagrados, / com ele nos pregaste as palavras da graça divina. / Por isso clamamos a ti: // Não cesses nunca de orar por todos nós!

Agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!

Tom 6: Ó Célere Protetora dos Cristãos e nossa Advogada ante o Criador, / não desprezes as súplicas de nenhum de nós, pecadores, / mas apressa-te a auxiliar-nos, como bondosa que és; / pois, te suplicamos com fé: / Roga por nós junto de Deus, // tu que defendes sempre àqueles que te veneram.

Prokímenon, no 4º Tom

R. Quão magníficas são as Tuas obras, ó Senhor! 
Fizeste com sabedoria todas as coisas.

V. Bendiz, ó minha alma, ao Senhor! Senhor, meu Deus, Tu és infinitamente grande.

No 8º Tom:

R. Por toda a terra ressoa Sua mensagem,
a Sua Palavra até os confins do universo. (Sl. 18:4)

Aleluia no 4º Tom:

1. Arqueia o Teu arco, procede prosperamente e reina, por causa da verdade, da mansidão e da justiça.

Aleluia, Aleluia, Aleluia!

2. Amaste a justiça e odiaste a iniquidade.

No 1º Tom: 

3. Os céus confessarão as tuas maravilhas, ó Senhor, e a Tua verdade na congregação dos santos.

1 Coríntios 16:13-24

Fragmento 166 - Irmãos, vigiai, estejais firmes na fé, portai-vos varonilmente, sede fortes. Todas as vossas obras sejam feitas em amor. Agora vos rogo, irmãos - pois sabeis que a família de Estéfanas é as primícias da Acáia, e que se tem dedicado ao ministério dos santos - que também vos sujeiteis aos tais, e a todo aquele que auxilia na obra e trabalha. Regozijo-me com a vinda de Estéfanas, de Fortunato e de Acaico; porque estes supriram o que da vossa parte me faltava. Porque recrearam o meu espírito assim como o vosso. Reconhecei, pois, aos tais. As igrejas da Ásia vos saúdam. Saúdam-vos afetuosamente no Senhor Aquila e Priscila, com a igreja que está em sua casa. Todos os irmãos vos saúdam. Saudai-vos uns aos outros com ósculo santo. Esta saudação é de meu próprio punho, Paulo. Se alguém não ama ao Senhor, seja maldito! Maranata. A graça do Senhor Jesus seja convosco. O meu amor seja com todos vós em Cristo Jesus.

Mateus 21:33-42

Fragmento 87 - O Senhor falou esta parábola: “Havia um homem que era dono de uma casa. Ele plantou uma vinha, colocou uma cerca em volta dela, cavou nela um lagar, construiu uma torre e arrendou-a aos agricultores. Ele então partiu para outro país. Quando se aproximou a época da colheita dos frutos, ele enviou os seus escravos aos lavradores para receberem os seus frutos. Mas os lavradores pegaram os escravos dele, espancaram um, mataram outro e apedrejaram outro. Novamente o proprietário enviou outros escravos, ainda mais do que da primeira vez; e eles os trataram da mesma maneira. Então ele lhes enviou seu filho, dizendo: ‘Eles respeitarão meu filho!’ Mas os agricultores, quando viram o filho, disseram uns aos outros: ‘Este é o herdeiro! Venha, vamos matá-lo e confiscar sua herança.’ E agarraram-no, lançaram-no para fora da vinha e o mataram. Portanto, quando o senhor da vinha voltar, o que fará com aqueles lavradores?” Eles lhe responderam: “Ele levará esses desgraçados a um fim miserável e arrendará a vinha a outros agricultores que lhe darão os frutos na estação própria”. Jesus lhes disse: “Vós nunca lestes nas Escrituras: 

‘A própria Pedra que os construtores rejeitaram foi posta como pedra angular. Isto veio do Senhor e é maravilhoso aos nossos olhos?’

Mateus 5:14-19

Fragmento 11 - Naquela época, o Senhor disse aos Seus discípulos: “Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte; nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas no velador, e dá luz a todos que estão na casa. Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus. Não cuideis que vim destruir a Lei ou os Profetas: Não vim ab-rogar, mas para dá-lhe plenitude. Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til jamais passará da Lei, sem que tudo seja cumprido. Qualquer, pois, que destruir um destes mandamentos, por menor que seja, e assim ensinar aos homens, será chamado o menor no Reino dos Céus; aquele, porém, que os preserva e ensinar será chamado grande no Reino dos Céus”.

Versículos da Comunhão
Louvai o Senhor desde os céus,
Louvai-O nas alturas.
A Sua voz ecoou por toda a terra, 
e as Suas palavras até aos confins do mundo.

Aleluia, aleluia, aleluia!

† † †


HOMILIA

A PARÁBOLA DA VINHA

A quem se destina esta parábola? Os seus personagens e paisagens a quem ou o que simbolizam? A vinha que o Senhor plantou é Israel, simbolizado pelo Proprietário. Jesus reproduz aqui as palavras do Profeta Isaías (5: 1-7):
"Agora cantarei ao meu amado um cântico do meu amado a respeito da minha vinha. O meu amado possuía uma vinha numa colina alta, em um lugar fértil. Fiz eu uma sebe em volta dela, cavei-lhe uma vala e plantei nela uma videira seleta; construí uma torre no seu meio, e escavei nela um lugar para o lagar. Então esperei que ela me produzisse uvas; porém, produziu espinhos. E agora, ó moradores de Jerusalém e todos os homens de Judá, julgai entre mim e a minha vinha.  O que devo fazer mais para a minha vinha, que não lhe tenha feito? Considerando que eu esperava que me produzisse uvas, todavia, produziu-me espinhos. Portanto, dir-lhes-ei o que farei à minha vinha: tirarei a sua sebe e será por despojo; derrubarei os seus muros, e ela será deixada para ser pisada. Abandonarei a minha vinha: não será podada nem escavada, e crescerão espinhos sobre ela, como numa terra estéril. E às nuvens darei ordem para que não derramem chuva sobre ela. Pois a vinha do Senhor dos exércitos é a casa de Israel, e os homens de Judá a sua planta amada. Eu esperava que exercesse juízo, todavia produziu a iniquidade; não a justiça, mas um clamor."
A sebe que a cercava, a torre edificada e o lagar cavado simbolizam todos os prodígios e benefícios que Deus operou para proteger Israel e dele fazer uma grande nação.

Os arrendatários são os sacerdotes, aos quais Deus confiou o cuidado de sua vinha. Estes se apossaram da vinha e converteram-se em infiéis administradores.

Os emissários que o Proprietário envia para colher os frutos são os profetas, sempre rejeitados e banidos na história da nação. Por fim, chega o Próprio Filho, aos quais não respeitam e, querendo usurpar-Lhe a herança, formam conselho e O matam.

«Que fará o Senhor da vinha àqueles lavradores?» Indaga Jesus aos sacerdotes induzindo-os a com suas próprias bocas pronunciarem a sentença que lhes cabe. «Fará perecer miseravelmente a esses maus, e arrendará a vinha a outros lavradores, que há seu tempo lhe entreguem os frutos», respondem. Assim, é que a Antiga Aliança (a Deus com as 12 Tribos de Israel) ficou anulada e uma Nova e Eterna Aliança se estabelece com todas as nações por meio dos 12 Apóstolos [o novo Israel, o remanescente fiel do qual falara o Profeta Isaías (1: 9)]. Por isto eles são enviados a todas as nações, os gentios que acolhem a Deus e dão frutos.

Todavia, pensar nos sacerdotes judeus como pessoas perversas desde o ventre materno ou simplesmente endurecidos por um decreto Divino, é limitar nosso olhar é abrir brecha para que o destino infeliz deles se torne também o nosso destino. É preciso identificar e avaliar o processo que os levou a serem endurecidos por Deus.

Os sacerdotes, como acontece com muitos na Igreja, abraçaram suas vocações cheios de ideais e de pureza (como foi o caso de Saulo, de Tarso); porém, sem vigiar a porta do coração, permitiram que projetos e perspectivas egocêntricas e narcisistas – que na existência sempre se apresentam diante de nós para nos provar - se apropriassem de suas metas, negligenciando e secundarizando a Voz que lhes fala no íntimo, a qual paulatinamente vai sendo sufocada pelo barulho das vozes estranhas que permitiram ecoar dentro de si. Assim, esta Voz deixa de lhes falar, e se cumpre o que diz o Senhor Jesus: 

«Porque a qualquer que tiver será dado, e terá em abundância; mas ao que não tiver até o que tem ser-lhe-á tirado» (Mt 25:29).

Padre Mateus (Antonio Eça)

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quinta-feira, 7 de setembro de 2023

14ª Quinta-feira Depois de Pentecostes

07 de Setembro de 2023 (CC) / 25 de Agosto (CE)
São Tito, Bispo de Creta (Apóstolo dos 70 – séc. I)
Retorno das Relíquias do Apóstolo Bartolomeu de Anastasiopolis para Lipari
Tom 4



Tito, cujo nome é de origem latina, era grego e pagão (cf. Gl 2, 3). Ainda jovem se converteu ao cristianismo, foi batizado pelo Apóstolo São Paulo e se tornou companheiro e inestimável colaborador do apóstolo. Quando Paulo disse a Tito: «Isto deves ensinar, recomendar e reprovar com toda autoridade», fez surgir um outro grande evangelizador, que permaneceu trabalhando ao seu lado. Encarregado pelo apóstolo para executar importantes missões, foi uma vez a Jerusalém para entregar a importância duma coleta em favor dos cristãos pobres. «Meu companheiro e colaborador», como escreveu o apóstolo na segunda carta aos Corintos. Companheiro dos momentos importantes, como a famosa reunião do concílio de Jerusalém, que tratou da necessidade de renovação e diversificação dos ritos devido a evangelização no mundo pagão. Tito, porém, foi também um mediador persuasivo, e entusiasmou Paulo resolvendo uma grave crise entre ele e os Corintos. Enviado por São Paulo a Corinto com a tarefa de reconduzir aquela indócil comunidade à obediência, Tito restabeleceu a paz entre a Igreja de Corinto e o Apóstolo, que lhe escreveu nestes termos: «Deus, porém, que consola os humildes, consolou-nos com a chegada de Tito, e não só com a sua chegada, mas também com a consolação que ele tinha recebido de vós. Contou-nos ele o vosso vivo desejo, a vossa aflição, a vossa solicitude por mim… Foi por isso que ficamos consolados» (2 Cor 7, 6-7.13). 
Entre os anos 64 e 65, tendo sido libertado da prisão romana o apóstolo Paulo foi com ele para a ilha de Creta, onde fundou uma comunidade cristã, que confiou a Tito. Mais tarde, visitou a Paulo em Nicópolis. Voltou novamente à Ilha de Creta, onde recebeu uma carta do próprio mestre, Paulo, que figura entre os livros sagrados. Depois, retornou à Roma para se avistar com o apóstolo que o mandou provavelmente evangelizar a Dalmácia, onde seu culto ainda hoje é intenso. Segundo a tradição mais antiga, Tito permaneceu como bispo de Creta até sua morte, que ocorreu em idade avançada, por causa natural e não por martírio, em Creta no ano 105 depois de Cristo. Ele teria conservado a virgindade até a morte. São Paulo o chama repetidamente «meu companheiro e colaborador», e na segunda carta aos Corintos, num momento de especial amargura, diz: «Deus me consolou com a chegada de Tito». 

Traslado das Relíquias do Apóstolo Bartolomeu 
A transferência das relíquias do apóstolo Bartolomeu se deu no final do século VI. Sua atividade apostólica e o seu martírio são lembrados pela Igreja em 11 de junho. O Apóstolo Bartolomeu padeceu por Cristo na região do Cáucaso (hoje Baku, capital do Azerbaijão), no ano 71, onde também suas santas relíquias estavam situadas. Muitos milagres ocorreram pelas relíquias do santo Apóstolos, e vários dos incrédulos foram convertidos a Cristo. As relíquias do Apóstolo Bartolomeu foram transferidas no tempo do Imperador Anastásios (491-518) para a cidade recém-construída de Anastasiópolis (ou Dareia), e lá permaneceram até o final do século VI. 
Quando a cidade de Anastasiópolis foi capturada pelo Imperador persa, Khozroes, cristãos puseram as relíquias do apóstolo Bartolomeu em um baú e fugiram com ela para as margens do Mar Negro. Porém, foram perseguidos e alcançados por sacerdotes pagãos, os quais jogaram no mar o baú que continha as relíquias do Apóstolo Bartolomeu. Juntamente com o baú, outras 4 caixas foram lançadas ao mar com as relíquias dos Santos Mártires Papian, Luciano, Gregório e Akakios. Pelo poder de Deus os baús não afundaram e foram levados pela correnteza até as praias da Itália. O baú com as relíquias do Apóstolo Bartolomeu aportou na ilha de Lipari, e as caixas restantes se dispersaram por vários lugares da Itália: O que continha as relíquias do Mártir Papian, parou na Sicília; o do Mártir Luciano em Messina; o do Mártir Gregório na Calábria, e a do Mártir Akakios, em Asculusa. A chegada das relíquias do santo Apóstolo Bartolomeu fora revelada ao bispo da ilha de Lipari, Agathon, o qual foi com o clero às margens do mar, retirou o baú das águas, e solenemente o transferiu para a igreja. 
As relíquias do Apóstolo Bartolomeu passaram a fluir mirra, curando várias doenças. Elas permaneceram na igreja da ilha de Lipari até meados do século IX, quando a ilha foi capturada pelos pagãos. Mercadores cristãos pegaram as relíquias do Apóstolo Bartolomeu e as transferiu para a cidade de Benevento, onde foram recebidas com grande veneração e colocadas na Igreja Matriz da cidade.

Oração Antes de Ler as Escrituras
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém! 

Gálatas 1:1-10,20-2:5

Fragmento 198 - Paulo, apóstolo (não da parte dos homens, nem por homem algum, mas por Jesus Cristo, e por Deus Pai, que O ressuscitou dentre os mortos), e todos os irmãos que estão comigo, às igrejas da Galácia: Graça e paz da parte de Deus Pai e do nosso Senhor Jesus Cristo, O qual Se deu a Si mesmo por nossos pecados, para nos livrar do presente século mau, segundo a vontade de Deus nosso Pai, ao Qual seja dada glória para todo o sempre. Amém. Maravilho-me de que tão depressa passásseis d’Aquele que vos chamou à graça de Cristo para outro evangelho; o qual não é outro, mas há alguns que vos inquietam e querem transtornar o Evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema. Assim, como já vos dissemos, agora de novo também vos digo: Se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema. Porque, persuado eu agora a homens ou a Deus? Ou procuro agradar a homens? Se estivesse ainda agradando aos homens, não seria servo de Cristo. Ora, acerca do que vos escrevo, eis que diante de Deus testifico que não minto. Depois fui para as partes da Síria e da Cilícia. E não era conhecido de vista das igrejas da Judéia, que estavam em Cristo; mas somente tinham ouvido dizer: Aquele que já nos perseguiu anuncia agora a fé que antes destruía. E glorificavam a Deus a respeito de mim. Depois, passados catorze anos, subi outra vez a Jerusalém com Barnabé, levando também comigo Tito. E subi por uma revelação, e lhes expus o Evangelho, que prego entre os gentios, e particularmente aos que estavam em estima; para que de maneira alguma não corresse ou não tivesse corrido em vão. Mas nem ainda Tito, que estava comigo, sendo grego, foi constrangido a circuncidar-se; e isto por causa dos falsos irmãos que se intrometeram, e secretamente entraram a espiar a nossa liberdade, que temos em Cristo Jesus, para nos porem em servidão; aos quais nem ainda por uma hora cedemos com sujeição, para que a verdade do Evangelho permanecesse entre vós.

Marcos 5:1-20

Fragmento 19 - Naquela época, Jesus chegou do outro lado do mar, à terra dos gerasenos. E, logo que Jesus saíra do barco, Lhe veio ao encontro, dos sepulcros, um homem com espírito imundo, o qual tinha a sua morada nos sepulcros; e nem ainda com cadeias podia alguém prendê-lo; porque, tendo sido muitas vezes preso com grilhões e cadeias, as cadeias foram por ele feitas em pedaços, e os grilhões em migalhas; e ninguém o podia domar; e sempre, de dia e de noite, andava pelos sepulcros e pelos montes, gritando, e ferindo-se com pedras. Vendo, pois, de longe a Jesus, correu e prostrou-se diante d’Ele; e, clamando com grande voz, disse: Que tenho eu contigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Conjuro-te por Deus que não me atormentes. Pois Jesus lhe dizia: Sai desse homem, espírito imundo. E perguntou-lhe: Qual é o teu nome? Respondeu-Lhe ele: Legião é o meu nome, porque somos muitos. E rogava-Lhe muito que não os enviasse para fora da região. Ora, andava ali pastando no monte uma grande manada de porcos. Rogaram-Lhe, pois, os demônios, dizendo: Manda-nos para aqueles porcos, para que entremos neles. E Ele lho permitiu. Saindo, então, os espíritos imundos, entraram nos porcos; e precipitou-se a manada, que era de uns dois mil, pelo despenhadeiro no mar, onde todos se afogaram. Nisso fugiram aqueles que os apascentavam, e o anunciaram na cidade e nos campos; e muitos foram ver o que era aquilo que tinha acontecido. Chegando-se a Jesus, viram o endemoninhado, o que tivera a legião, sentado, vestido, e em perfeito juízo; e temeram. E os que tinham visto aquilo contaram-lhes como havia acontecido ao endemoninhado, e acerca dos porcos. Então começaram a rogar-Lhe que se retirasse dos seus termos. E, entrando ele no barco, rogava-Lhe o que fora endemoninhado que o deixasse estar com Ele. Jesus, porém, não lho permitiu, mas disse-lhe: Vai para tua casa, para os teus, e anuncia-lhes o quanto o Senhor te fez, e como teve misericórdia de ti. Ele se retirou, pois, e começou a publicar em Decápolis tudo quanto lhe fizera Jesus; e todos se admiravam.

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COMENTÁRIO

É quase inconcebível a cena descrita por São Marcos: Um ser humano que tem seu psiquismo tomado por dois mil demônios (isto se considerarmos que o número de demônios que possuíam aquele homem seja correspondente ao da manada de porcos que se precipitou no abismo). As pessoas que pensam o mundo pela ótica dos cientificismos dirão que esta é uma cena surreal. Para nós aqui não nos interessa demonstrar por meio de argumentos – científicos ou teológicos - a pertinência e realidade da ação dos demônios na alma humana. Deixamos a cargo da realidade social que vivemos o testemunho do absurdo da perversão e da maldade que habitam o ser humano - o crime organizado, os pedófilos “iluminados” (artistas, cientistas e religiosos), a violência homicida contra crianças e idosos, a degeneração das relações interpessoais e coisas semelhantes. Aqui nos cabe procurar demonstrar por meio das pistas contidas nesta narrativa, como esta realidade bizarra com a qual Cristo tanto se deparou, se configura e se estabelece no ser humano.

São Marcos nos diz que os gadarenos criavam porcos, o que mostra que viviam de uma atividade ilegal, alimentada por um mercado clandestino de consumidores de carne de porco; portanto, deveria ser uma atividade muito lucrativa, uma vez que por ser difícil a aquisição, a carne suína tinha um preço muito elevado. Assim, podemos entender que entre os principais consumidores desta «iguaria» estavam autoridades civis, os grandes mercadores e os nobres. Esta é a razão pela qual não eram molestados, apesar de proibida pela Lei de Moisés.

Nesta disposição de vida, temos a configuração perfeita para a degeneração e demonização do ser humano e de suas sociedades: quando as necessidades consideradas básicas para a sobrevivência e o desejo de riquezas se sobrepõem ao mandamento Divino. Esta foi a primeira perspectiva demoníaca que se apresentou para tentar o próprio Cristo: «Se És Filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pães»,e a tal proposta repele: «Não só de pão vive o homem, mas de toda a Palavra que procede da boca de Deus».

A «luta pela sobrevivência» e a busca da felicidade por meio das posses e do prazer, fez da religião um meio subordinado a estes objetivos. Deus deixa de ser o fim principal para o qual o homem orienta seus desejos, tornando-se uma espécie de «gênio encantado», com superpoderes para realizar todos os desejos do seu amo. Quando a religião não se presta a este fim, então, em geral os homens se voltam contra ela, procurando bani-la e encontrar outra que a substitua e se preste a tal fim. E, assim nascem e se estabelecem os falsos profetas, os criadores de ídolos e ilusões, ou seja, aqueles que habilmente criam sistemas, raciocínios e espiritualidades que se prestem a atender os apelos psíquicos e corporais dos seres humanos. 

Certamente que os gadarenos tinha sua religião. O que não faltavam era cultos pagãos à fertilidade a garantir a bênção dos deuses aos anelos humanos. Iludidos e recompensados pelas promessas ou realidades experimentadas das «bênçãos»temporais, eles não sabiam que cultuavam os demônios. Por isto São Paulo diz: 

«Antes digo que as coisas que os gentios sacrificam, as sacrificam aos demônios, e não a Deus. E não quero que sejais participantes com os demônios» (1 Cor. 10:20).

Os gadarenos não queriam Cristo e Lhe pedem que se retire de sua cidade. Mas o outrora endemoninhado não quer mais sair de Sua companhia, pois ele conhecera o mundo terrível de Satanás, de suas inquebrantáveis cadeias, até que chegou a ele, Aquele que É o Amigo do Homem, libertando-lhe de todos os grilhões. Cristo não atende seu pedido, antes o envia para testemunhar entre os demais cativos a graça que o libertara. Cristo não lhe atendeu o pedido, mas não lhe negou o desejo, pois, em sua missão entre os gadarenos, Ele, em Espírito o acompanharia, Se faria presente em sua solidão e visível em meio às invisibilidades aos sentidos. Por fim, ele, o gadareno, se somaria à grande nuvem de testemunhas, das quais o mundo não é digno (Hb. 11:38; 12:1) e comporia "a universal assembleia e igreja dos primogênitos, que estão inscritos nos céus, e a Deus, o juiz de todos, e aos espíritos dos justos aperfeiçoados" (Hb 12:23).

ORAÇÃO

Deus Todo-poderoso, que libertaste Teu povo da escravidão do adversário, e que através de Teu Filho lançaste abaixo Satanás como um raio, liberta-me também de toda influencia de espíritos impuros. Manda Satanás partir para bem longe de mim pelo poder de Teu Filho Único. Salva-me da ilusão demoníaca e da escuridão. Preenche-me com a luz do Espírito Santo para que eu possa ser guardado contra as armadilhas dos demônios astuciosos. Conceda que um anjo sempre vá perante mim e leve-me para o caminho da retidão todos os dias da minha vida, para a honra de Teu glorioso Nome, Pai, Filho e Espírito Santo, agora e sempre. Amém.

Oração contra a Influência Demoníaca
Livro Ortodoxo de Orações

quarta-feira, 7 de setembro de 2022

13ª Quarta-feira Depois de Pentecostes

07 de Setembro de 2022 (CC) / 2 de Agosto (CE)
São Tito, Bispo de Creta (Apóstolo dos 70 – séc. I)
Retorno das Relíquias do Apóstolo Bartolomeu de Anastasiopolis para Lipari
Jejum (Azeite é permitido)
Tom 3



Tito, cujo nome é de origem latina, era grego e pagão (cf. Gl 2, 3). Ainda jovem se converteu ao cristianismo, foi batizado pelo Apóstolo São Paulo e se tornou companheiro e inestimável colaborador do apóstolo. Quando Paulo disse a Tito: «Isto deves ensinar, recomendar e reprovar com toda autoridade», fez surgir um outro grande evangelizador, que permaneceu trabalhando ao seu lado. Encarregado pelo apóstolo para executar importantes missões, foi uma vez a Jerusalém para entregar a importância duma coleta em favor dos cristãos pobres. «Meu companheiro e colaborador», como escreveu o apóstolo na segunda carta aos Corintos. Companheiro dos momentos importantes, como a famosa reunião do concílio de Jerusalém, que tratou da necessidade de renovação e diversificação dos ritos devido a evangelização no mundo pagão. Tito, porém, foi também um mediador persuasivo, e entusiasmou Paulo resolvendo uma grave crise entre ele e os Corintos. Enviado por São Paulo a Corinto com a tarefa de reconduzir aquela indócil comunidade à obediência, Tito restabeleceu a paz entre a Igreja de Corinto e o Apóstolo, que lhe escreveu nestes termos: «Deus, porém, que consola os humildes, consolou-nos com a chegada de Tito, e não só com a sua chegada, mas também com a consolação que ele tinha recebido de vós. Contou-nos ele o vosso vivo desejo, a vossa aflição, a vossa solicitude por mim… Foi por isso que ficamos consolados» (2 Cor 7, 6-7.13). 
Entre os anos 64 e 65, tendo sido libertado da prisão romana o apóstolo Paulo foi com ele para a ilha de Creta, onde fundou uma comunidade cristã, que confiou a Tito. Mais tarde, visitou a Paulo em Nicópolis. Voltou novamente à Ilha de Creta, onde recebeu uma carta do próprio mestre, Paulo, que figura entre os livros sagrados. Depois, retornou à Roma para se avistar com o apóstolo que o mandou provavelmente evangelizar a Dalmácia, onde seu culto ainda hoje é intenso. Segundo a tradição mais antiga, Tito permaneceu como bispo de Creta até sua morte, que ocorreu em idade avançada, por causa natural e não por martírio, em Creta no ano 105 depois de Cristo. Ele teria conservado a virgindade até a morte. São Paulo o chama repetidamente «meu companheiro e colaborador», e na segunda carta aos Corintos, num momento de especial amargura, diz: «Deus me consolou com a chegada de Tito». 

Traslado das Relíquias do Apóstolo Bartolomeu 
A transferência das relíquias do apóstolo Bartolomeu se deu no final do século VI. Sua atividade apostólica e o seu martírio são lembrados pela Igreja em 11 de junho. O Apóstolo Bartolomeu padeceu por Cristo na região do Cáucaso (hoje Baku, capital do Azerbaijão), no ano 71, onde também suas santas relíquias estavam situadas. Muitos milagres ocorreram pelas relíquias do santo Apóstolos, e vários dos incrédulos foram convertidos a Cristo. As relíquias do Apóstolo Bartolomeu foram transferidas no tempo do Imperador Anastásios (491-518) para a cidade recém-construída de Anastasiópolis (ou Dareia), e lá permaneceram até o final do século VI. 
Quando a cidade de Anastasiópolis foi capturada pelo Imperador persa, Khozroes, cristãos puseram as relíquias do apóstolo Bartolomeu em um baú e fugiram com ela para as margens do Mar Negro. Porém, foram perseguidos e alcançados por sacerdotes pagãos, os quais jogaram no mar o baú que continha as relíquias do Apóstolo Bartolomeu. Juntamente com o baú, outras 4 caixas foram lançadas ao mar com as relíquias dos Santos Mártires Papian, Luciano, Gregório e Akakios. Pelo poder de Deus os baús não afundaram e foram levados pela correnteza até as praias da Itália. O baú com as relíquias do Apóstolo Bartolomeu aportou na ilha de Lipari, e as caixas restantes se dispersaram por vários lugares da Itália: O que continha as relíquias do Mártir Papian, parou na Sicília; o do Mártir Luciano em Messina; o do Mártir Gregório na Calábria, e a do Mártir Akakios, em Asculusa. A chegada das relíquias do santo Apóstolo Bartolomeu fora revelada ao bispo da ilha de Lipari, Agathon, o qual foi com o clero às margens do mar, retirou o baú das águas, e solenemente o transferiu para a igreja. 
As relíquias do Apóstolo Bartolomeu passaram a fluir mirra, curando várias doenças. Elas permaneceram na igreja da ilha de Lipari até meados do século IX, quando a ilha foi capturada pelos pagãos. Mercadores cristãos pegaram as relíquias do Apóstolo Bartolomeu e as transferiu para a cidade de Benevento, onde foram recebidas com grande veneração e colocadas na Igreja Matriz da cidade.


Oração Antes de Ler as Escrituras

Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém! 

2 Coríntios 9:12-10:7

12 Porque a ministração deste serviço não só supre as necessidades dos santos, mas também transborda em muitas ações de graças a Deus; 13 visto como, na prova desta ministração, eles glorificam a Deus pela submissão que confessais quanto ao evangelho de Cristo, e pela liberalidade da vossa contribuição para eles, e para todos; 14 enquanto eles, pela oração por vós, demonstram o ardente afeto que vos têm, por causa da superabundante graça de Deus que há em vós. 15 Graças a Deus pelo seu dom inefável. 1 Ora eu mesmo, Paulo, vos rogo pela mansidão e benignidade de Cristo, eu que, na verdade, quando presente entre vós, sou humilde, mas quando ausente, ousado para convosco; 2 sim, eu vos rogo que, quando estiver presente, não me veja obrigado a usar, com confiança, da ousadia que espero ter para com alguns que nos julgam como se andássemos segundo a carne. 3 Porque, embora andando na carne, não militamos segundo a carne, 4 pois as armas da nossa milícia não são carnais, mas poderosas em Deus, para demolição de fortalezas; 5 derribando raciocínios e todo baluarte que se ergue contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo pensamento à obediência a Cristo; 6 e estando prontos para vingar toda desobediência, quando for cumprida a vossa obediência. 7 Olhais para as coisas segundo a aparência. Se alguém confia de si mesmo que é de Cristo, pense outra vez isto consigo, que, assim como ele é de Cristo, também nós o somos.

Marcos 3:20-27

20 Depois entrou numa casa. E afluiu outra vez a multidão, de tal modo que nem podiam comer. 21 Quando os seus ouviram isso, saíram para o prender; porque diziam: Ele está fora de si. 22 E os escribas que tinham descido de Jerusalém diziam: Ele está possesso de Belzebu; e: É pelo príncipe dos demônios que expulsa os demônios. 23 Então Jesus os chamou e lhes disse por parábolas: Como pode Satanás expulsar Satanás? 24 Pois, se um reino se dividir contra si mesmo, tal reino não pode subsistir; 25 ou, se uma casa se dividir contra si mesma, tal casa não poderá subsistir; 26 e se Satanás se tem levantado contra si mesmo, e está dividido, tampouco pode ele subsistir; antes tem fim. 27 Pois ninguém pode entrar na casa do valente e roubar-lhe os bens, se primeiro não amarrar o valente; e então lhe saqueará a casa.

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COMENTÁRIO

O Evangelho do Reino de Deus apesar de anunciar a paz provoca conflitos, pois seu conteúdo em muito excede a compreensão humana, e tudo que está para além da nossa compreensão, classificamos como “louco”, lhe damos a dimensão do absurdo. Este foi o olhar dos parentes e dos escribas para com Cristo. Dedicar-se de tal maneira para as pessoas como Cristo fazia, estava além do que os familiares de Cristo entendiam por doação, pois, em geral, para nós, a doação tem limites, ela não pode sacrificar necessidades pessoais: alimento, descanso...  Os Escribas, acostumados a ver o místico pelos olhos da razão e da lógica predominante, diziam que era Belzebu, o maioral dos demônios que Lhe possuía. Podemos, assim, neste raciocínio, também perceber como os sentimentos direcionam o olhar. Embora os dois grupos – familiares e Escribas – estranhassem o comportamento de Jesus, cada um os classifica de acordo com os seus sentimentos: para os parentes, era um distúrbio psicológico, com um pouco de descanso ele se recuperaria; já para os Escribas – que o invejavam – Ele só poderia ser um endemoninhado, o que lhe descredenciaria definitivamente. Aos primeiros, Cristo nada objeta, pois a incompreensão num coração puro não perdura por muito tempo; todavia, a perversão sempre construirá esquemas de raciocínio que visam destruir, e não compreender, muito mais ainda quando são impulsionados por sentimentos inconfessáveis. E quando a estes senhores do saber lhes falta a força do argumento, geralmente apelam para o argumento da força, e foi por isto que tramaram a morte de Jesus.

A Igreja em sua missão, assim como seu Senhor, enfrenta e sempre enfrentará incompreensões e o conflito com os dominadores deste mundo, que necessariamente não são os que detêm o poder político, mas, inexoravelmente, os que idealizam os esquemas mentais que moldam a sociedade de nós. Estes se voltam contra nós, como enxame de abelhas para defender a colmeia; rugem como leão, procurando nos aterrorizar com suas presas, escancarando suas goelas para nos devorar. Todavia, não os devemos temer, pois, como diz são Paulo: 

“As armas da nossa milícia não são carnais, mas poderosas em Deus, para demolição de fortalezas; derribando raciocínios e todo baluarte que se ergue contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo pensamento à obediência a Cristo”.

Padre Mateus (Antonio Eça)

ORAÇÃO

A Ti, Senhor, elevo a minha alma. Em Ti confio, ó meu Deus. Não deixes que eu seja humilhado, nem que os meus inimigos triunfem sobre mim! Nenhum dos que esperam em Ti ficará decepcionado; decepcionados ficarão aqueles que, sem motivo, agem traiçoeiramente. Mostra-me, Senhor, os teus caminhos, ensina-me as tuas veredas; guia-me com a tua verdade e ensina-me, pois tu és Deus, meu Salvador, e a minha esperança está em Ti o tempo todo. Lembra-te, Senhor, da tua compaixão e da tua misericórdia, que tens mostrado desde a antiguidade. Não te lembres dos pecados e transgressões da minha juventude; conforme a tua misericórdia, lembra-te de mim, pois tu, Senhor, és bom. Bom e justo é o Senhor; por isso mostra o caminho aos pecadores. Conduz os humildes na justiça e lhes ensina o seu caminho. Todos os caminhos do Senhor são amor e fidelidade para com os que cumprem os preceitos da sua aliança. Por amor do teu nome, Senhor, perdoa o meu pecado, que é tão grande! Quem é o homem que teme o Senhor? Ele o instruirá no caminho que deve seguir. Viverá em prosperidade, e os seus descendentes herdarão a terra. O Senhor confia os seus segredos aos que o temem, e os leva a conhecer a sua aliança. Os meus olhos estão sempre voltados para o Senhor, pois só ele tira os meus pés da armadilha. Volta-te para mim e tem misericórdia de mim, pois estou só e aflito. As angústias do meu coração se multiplicaram; liberta-me da minha aflição. Olha para a minha tribulação e o meu sofrimento, e perdoa todos os meus pecados. Vê como aumentaram os meus inimigos e com que fúria me odeiam! Guarda a minha vida e livra-me! Não me deixes decepcionado, pois eu me refugio em Ti. Que a integridade e a retidão me protejam, porque a minha esperança está em Ti. Ó Deus, liberta Israel de todas as suas aflições!

Salmo 24(25)

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