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quinta-feira, 23 de outubro de 2025

20ª Quinta-feira Depois de Pentecostes

23 de Outubro de 2025 (CC) / 10 de Outubro (CE)
Ss. Eulâmpio e sua irmã Eulâmpia, mártires (início do séc. IV);
Venerável Ambrósio, de Optina (1891)
São Teófilo, o Confessor; 
Martírio dos 26 Santos Monges de Zographu e com eles 4 Santos Fiéis.
Tom 2


Estes santos viveram na época do Imperador Maximiliano. Santo Eulâmpio era um jovem cristão que fugiu da cidade durante a perseguição e se refugiou numa caverna. Seus companheiros lhe enviaram a Nicomédia em busca de alimentos. Eulâmpio se deteve numa rua a ler o edito de perseguição contra os cristãos. Quando um soldado o viu e chamou a atenção dos demais para a sua presença, começou a correr. Naturalmente, sua atitude despertou suspeita e Eulâmpio foi perseguido, capturado e levado à presença do juiz. O magistrado repreendeu aos guardas por haver apreendido o jovem e, ordenando que desatassem suas mãos, começou a interrogá-lo. 
Depois que tomou conhecimento do nome e profissão de Eulâmpio, mandou que oferecesse sacrifícios a algum dos deuses. O jovem negou-se a fazê-lo, contestando que aqueles eram tão somente ídolos de barro. Enfurecido, o magistrado mandou que fosse açoitado. Como Eulâmpio permanecesse inamovível, ordenou que fosse amarrado e arrastado por um potro. Sua irmã Eulâmpia correu ao seu encontro para abraçá-lo e foi também detida e presa. Ambos foram submetidos a diversas formas de tortura, saindo ilesos. Ao vê-los sair rejuvenescidos de um banho de azeite fervente, cerca de duzentas pessoas que presenciaram o fato se converteram à fé cristã e foram decapitados juntamente com os dois mártires de Nicomédia. 
Tropárion dos Santos Eulâmpio e Eulâmpia, Tom 4: Em seus sofrimentos, ó Senhor, / Teus mártires receberam coroas imperecíveis de Ti, ó nosso Deus; / e, repletos de Teu poder, / humilharam os torturadores / e esmagaram a débil ousadia dos demônios. // Por suas súplicas, salva, ó Senhor, as nossas almas..

Kondákion, Tom 3: Corramos e cantemos aos corajosos mártires, / os irmãos segundo a carne, os sábios Eulâmpio e Eulâmpia; / os quais, pelo poder do Crucificado / encheram de vergonha o Maligno, pondo a baixo suas vis artimanhas. // Assim, tornaram-se a glória e o orgulho dos mártires. 
O Venerável Teófilo, o Confessor  
Teófilo era um eslavo macedônio de algum lugar perto de Strumica. Ainda jovem foi tonsurado monge, e fundou o seu próprio mosteiro. 
Teófilo, muito padeceu por causa de sua defesa dos ícones, durante o reinado de Leão, o Isauriano, e teria sido morto em uma ocasião, se não tivesse conseguido convencer o Governador Hypaticus, seu juiz, da pertinência e necessidade da veneração dos ícones. 
O Governador o libertou e Teófilo voltou ao seu mosteiro, onde adormeceu em paz no ano de 716 dC, e entrou no gozo do seu Senhor. 
Os 26 Monges Mártires de Zographou e 4 Leigos 
Quando o Imperador Miguel Paleólogo, a fim de obter ajuda do Ocidente contra os búlgaros e sérvios, firmou com o Papa de Roma, a abominável «União de Lyon», os monges da Montanha Santa enviaram um protesto ao Imperador contra esta União, implorando-lhe para rejeitá-la e retornar à Ortodoxia. O Papa enviou um exército para ajudar o Imperador. O exército Latino entrou na Montanha Santa e cometeu tamanha barbárie, qual os turcos nunca tinham cometido em quinhentos anos. 
Depois de assassinar todo o Prótaton (Conselho dos Governantes do Monte Athos e de ter matado muitos monges em Vatopedi, Iveron e outros mosteiros, os latinos atacaram Zographou. O bendito Abade Thomas advertiu aos irmãos que quem desejasse ser poupado pelos latinos, deveria fugir do mosteiro, e que quem desejasse alcançar uma morte de mártir, deveria permanecer. E assim, vinte e seis homens permaneceram: o abade, vinte e cinco monges e quatro leigos que serviam como trabalhadores do mosteiro. Todos eles trancaram-se na torre do mosteiro. Quando os latinos chegaram, eles puseram fogo na torre e estes vinte e seis heróis de Cristo obtiveram no fogo uma morte de mártir. Enquanto a torre estava queimando, eles entoavam os Salmos e o Akathistos à Santíssima Mãe de Deus. Eles entregaram suas almas santas a Deus em 10 de outubro de 1283. Em dezembro do mesmo ano, o desonrado Imperador Miguell morreu na pobreza, quando o rei sérvio Milutin levantou-se contra ele em defesa da Ortodoxia. 

 
Oração Antes de Ler as Escrituras 
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!

Filipenses 3:1-8

Fragmento 244 - Irmãos, regozijai-vos no Senhor. Não me aborreço de escrever-vos as mesmas coisas, e é segurança para vós. Guardai-vos dos cães, guardai-vos dos maus obreiros, guardai-vos da circuncisão; porque a circuncisão somos nós, que servimos a Deus em espírito, e nos gloriamos em Jesus Cristo, e não confiamos na carne. Ainda que também pudesse confiar na carne; se algum outro cuida que pode confiar na carne, ainda mais eu: Circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; segundo a Lei, fui fariseu; segundo o zelo, perseguidor da igreja, segundo a justiça que há na Lei, irrepreensível. Mas o que para mim era ganho reputei-o perda por Cristo. E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo Qual sofri a perda de todas estas coisas, e as considero como escória, para que possa ganhar a Cristo.

Lucas 9:7-11

Fragmento 41 - 
Naquela época, o Tetrarca Herodes ouviu comentários sobre o que estava ocorrendo e ficou assustado, pois algumas pessoas divulgavam que João havia ressuscitado dos mortos. Outros, alegavam que Elias tinha ressurgido; e outros ainda falavam que um dos profetas do passado havia voltado à vida. Herodes, entretanto, afirmava: “Eu mandei decapitar a João; quem é, pois, este a respeito do qual tenho ouvido tais coisas?” E se empenhava por conhecê-Lo.  Entrementes, ao regressarem os apóstolos, relataram a Jesus tudo quanto tinham realizado. Então Ele os levou Consigo, e retiraram-se para uma cidade chamada Betsaida. Contudo, as multidões ficaram sabendo, e O seguiram. Ele as acolheu, e ensinava-lhes acerca do Reino de Deus, e atendia a todos que tinham necessidade de qualquer cura.
Filipenses 3:1-8

† † †

ENSINO DOS SANTOS PADRES

“Aproximemo-nos de Cristo Com Fervor”

Cristo nos deu sua carne para saciar-nos, convidando-nos a uma amizade cada vez mais íntima. Aproximemo-nos, pois, a ele com fervor e com uma ardente caridade, e não incorramos em castigo. Porque quanto maiores forem os benefícios recebidos, mais gravemente seremos castigados se nos fizéssemos indignos de tais benefícios.

Os magos também adoraram este corpo recostado em um presépio. E sendo homens irreligiosos e pagãos, abandonando casa e pátria, percorreram um longo caminho, e, ao chegar, o adoraram com grande temor e tremor. Imitemos ao menos estes estrangeiros, nós que somos cidadãos do céu. Eles realmente se aproximaram com grande temor a um presépio e a uma gruta, sem descobrir nenhuma das coisas que agora te é dado contemplar. Tu, por outro lado, não o enxerga em um presépio, mas sobre um altar; não contemplas a uma mulher que o tem em seus braços, mas ao sacerdote que está de pé em sua presença e ao Espírito, transbordante de riqueza, pairando sobre os dons. Não vês simplesmente, como eles, este mesmo corpo, mas conheces todo o seu poder e sua economia de salvação, e não ignoras nada do que ele fez, pois ao ser iniciado te ensinaram detalhadamente todas estas coisas. Exortemo-nos, pois, mutuamente com um santo temor, e lhe demonstremos uma piedade muito mais profunda que a que exibiram aqueles estrangeiros, para que, não aproximando-nos a ele temerária e desconsideradamente, não tenhamos que esconder o rosto de vergonha.

Digo isto não para que não nos aproximemos, mas para que não nos aproximemos com hesitação. Porque assim como é perigoso aproximar-se com hesitação, assim a não participação nestas místicas ceias significa a fome e a morte. Porque esta mesa é a força de nossa alma, a fonte de unidade de todos nossos pensamentos, a causa de nossa esperança: é esperança, salvação, luz, vida. Se com esta bagagem saíssemos daquele sacrifício, com confiança nos aproximaríamos aos seus átrios sagrados, como se fôssemos armados até os dentes com armadura de ouro.

Talvez falo de coisas futuras? Desde agora este mistério tornou para ti a terra em um céu. Abre, pois, as portas do céu e olha; ou melhor dizendo, abre as portas não do céu, mas do céu dos céus, e então contemplarás o que foi dito. Tudo o que de mais precioso ali existe, vou mostrar-te permanecendo na terra. Porque assim como o mais precioso que existe no palácio real não são os muros nem as coberturas de ouro, mas o rei sentado no trono real, assim também no céu o mais precioso é a pessoa do Rei.

E a pessoa do Rei te é dado contemplá-la já agora na terra, pois não te apresento aos anjos, nem aos arcanjos, nem aos céus, nem aos céus dos céus, mas ao próprio Senhor de todos eles. Compreendes como na terra contemplas o que há de mais precioso? E não somente o vês, mas ainda o tocas; e não somente o tocas, mas também o comes; e depois de tê-lo recebido, regressas para a tua casa. Purifica, portanto, tua alma, prepara teu coração para a recepção destes mistérios.

São João Crisóstomo,
Patriarca de Constantinopla (séc. V)

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quarta-feira, 23 de outubro de 2024

18ª Quarta-feira Depois de Pentecostes

23 de Outubro de 2024 (CC) / 10 de Outubro (CE)
Ss. Eulâmpio e sua irmã Eulâmpia, mártires (início do séc. IV);
Venerável Ambrósio, de Optina (1891)
São Teófilo, o Confessor; 
Martírio dos 26 Santos Monges de Zographu e com eles 4 Santos Fiéis.
Jejum (Azeite é permitido)
Tom 8


Estes santos viveram na época do Imperador Maximiliano. Santo Eulâmpio era um jovem cristão que fugiu da cidade durante a perseguição e se refugiou numa caverna. Seus companheiros lhe enviaram a Nicomédia em busca de alimentos. Eulâmpio se deteve numa rua a ler o edito de perseguição contra os cristãos. Quando um soldado o viu e chamou a atenção dos demais para a sua presença, começou a correr. Naturalmente, sua atitude despertou suspeita e Eulâmpio foi perseguido, capturado e levado à presença do juiz. O magistrado repreendeu aos guardas por haver apreendido o jovem e, ordenando que desatassem suas mãos, começou a interrogá-lo. 
Depois que tomou conhecimento do nome e profissão de Eulâmpio, mandou que oferecesse sacrifícios a algum dos deuses. O jovem negou-se a fazê-lo, contestando que aqueles eram tão somente ídolos de barro. Enfurecido, o magistrado mandou que fosse açoitado. Como Eulâmpio permanecesse inamovível, ordenou que fosse amarrado e arrastado por um potro. Sua irmã Eulâmpia correu ao seu encontro para abraçá-lo e foi também detida e presa. Ambos foram submetidos a diversas formas de tortura, saindo ilesos. Ao vê-los sair rejuvenescidos de um banho de azeite fervente, cerca de duzentas pessoas que presenciaram o fato se converteram à fé cristã e foram decapitados juntamente com os dois mártires de Nicomédia. 
Tropárion dos Santos Eulâmpio e Eulâmpia, Tom 4
Em seus sofrimentos, ó Senhor, / Teus mártires receberam coroas imperecíveis de Ti, ó nosso Deus; / e, repletos de Teu poder, / humilharam os torturadores / e esmagaram a débil ousadia dos demônios. // Por suas súplicas, salva, ó Senhor, as nossas almas..

Kondákion, Tom 3
Corramos e cantemos aos corajosos mártires, / os irmãos segundo a carne, os sábios Eulâmpio e Eulâmpia; / os quais, pelo poder do Crucificado / encheram de vergonha o Maligno, pondo a baixo suas vis artimanhas. // Assim, tornaram-se a glória e o orgulho dos mártires. 
O Venerável Teófilo, o Confessor  
Teófilo era um eslavo macedônio de algum lugar perto de Strumica. Ainda jovem foi tonsurado monge, e fundou o seu próprio mosteiro. 
Teófilo, muito padeceu por causa de sua defesa dos ícones, durante o reinado de Leão, o Isauriano, e teria sido morto em uma ocasião, se não tivesse conseguido convencer o Governador Hypaticus, seu juiz, da pertinência e necessidade da veneração dos ícones. 
O Governador o libertou e Teófilo voltou ao seu mosteiro, onde adormeceu em paz no ano de 716 dC, e entrou no gozo do seu Senhor. 
Os 26 Monges Mártires de Zographou e 4 Leigos 
Quando o Imperador Miguel Paleólogo, a fim de obter ajuda do Ocidente contra os búlgaros e sérvios, firmou com o Papa de Roma, a abominável «União de Lyon», os monges da Montanha Santa enviaram um protesto ao Imperador contra esta União, implorando-lhe para rejeitá-la e retornar à Ortodoxia. O Papa enviou um exército para ajudar o Imperador. O exército Latino entrou na Montanha Santa e cometeu tamanha barbárie, qual os turcos nunca tinham cometido em quinhentos anos. 
Depois de assassinar todo o Prótaton (Conselho dos Governantes do Monte Athos e de ter matado muitos monges em Vatopedi, Iveron e outros mosteiros, os latinos atacaram Zographou. O bendito Abade Thomas advertiu aos irmãos que quem desejasse ser poupado pelos latinos, deveria fugir do mosteiro, e que quem desejasse alcançar uma morte de mártir, deveria permanecer. E assim, vinte e seis homens permaneceram: o abade, vinte e cinco monges e quatro leigos que serviam como trabalhadores do mosteiro. Todos eles trancaram-se na torre do mosteiro. Quando os latinos chegaram, eles puseram fogo na torre e estes vinte e seis heróis de Cristo obtiveram no fogo uma morte de mártir. Enquanto a torre estava queimando, eles entoavam os Salmos e o Akathistos à Santíssima Mãe de Deus. Eles entregaram suas almas santas a Deus em 10 de outubro de 1283. Em dezembro do mesmo ano, o desonrado Imperador Miguell morreu na pobreza, quando o rei sérvio Milutin levantou-se contra ele em defesa da Ortodoxia. 



Oração Antes de Ler as Escrituras
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém! 

Efésios 5:25-33

25 Vós, maridos, amai a vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela, 26 a fim de a santificar, tendo-a purificado com a lavagem da água, pela palavra, 27 para apresentá-la a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem qualquer coisa semelhante, mas santa e irrepreensível. 28 Assim devem os maridos amar a suas próprias mulheres, como a seus próprios corpos. Quem ama a sua mulher, ama-se a si mesmo. 29 Pois nunca ninguém aborreceu a sua própria carne, antes a nutre e preza, como também Cristo à igreja; 30 porque somos membros do seu corpo. 31 Por isso deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e se unirá à sua mulher, e serão os dois uma só carne. 32 Grande é este mistério, mas eu falo em referência a Cristo e à igreja. 33 Todavia também vós, cada um de per si, assim ame a sua própria mulher como a si mesmo, e a mulher reverencie a seu marido.

Lucas 8:22-25

Fragmento 37 - Naquela hora, Jesus e Seus discípulos entraram num barco; e Ele lhes disse: “Passemos para o outro lado do lago”. E partiram. E, navegando, Ele adormeceu; e sobreveio uma tempestade de vento no lago, e enchiam-se de água, estando em perigo. E, chegando-se a Ele, O despertaram, dizendo: “Mestre, Mestre, perecemos.” E Ele, levantando-Se, repreendeu o vento e a fúria da água; e cessaram, e fez-se bonança. E disse-lhes: “Onde está a vossa fé? E eles, temendo, maravilharam-se, dizendo uns aos outros: “Quem é Este, que até aos ventos e à água manda, e Lhe obedecem?”

† † †

ENSINO DOS PADRES


“Para que Fossem Confirmados Na Fé”

“Senhor, salva-nos, que estamos perecendo". Era tanto o temor que tinham, estavam tão perturbados e tão fora de si, que chegaram ao Senhor com grande alteração, sem descanso nem sossego, mas muito apressados, e lhe disseram assim: Senhor, salva-nos, que estamos perecendo. Ó bem-aventurados e verdadeiros discípulos de Deus! Tendes convosco ao verdadeiro Senhor e Salvador do mundo, e temeis algum perigo? Tendes convosco a vida, e temeis a morte? Tendes presente ao Criador do mar, e lhe despertais com medo da tempestade? Como? Pois não basta seu poder, mesmo que com o corpo durma, para amansar as ondas e aplacar a tempestade?

Mas a isto responderão estes santos e tão amados discípulos: “agora nós somos pequenos, somos fracos, não estamos fortificados na fé, e por isso tememos, por isso trememos, ainda não vimos a cruz do Senhor; ainda não fomos confirmados na gloriosa paixão e triunfante ressurreição; na sua maravilhosa ascensão aos céus; não nos visitou com a vinda do Espírito Santo sobre nós, e desta forma não vos maravilheis de que sejamos fracos e temamos, e por isso mesmo ouvimos muitas vezes que repreendendo-nos o Senhor nos chama homens de pouca fé, tudo o sofremos com amor e humildade para seguir-lhe.

"Por que estais tão medrosos, homens de pouca fé?" Por que não tendes fortaleza? Por que não tendes perfeita confiança e segurança? Como? E se a morte vos viesse, não seria motivo que com muita constância a sofrêsseis? Não sabeis que a fortaleza é virtude necessária para sofrer tudo o que nos sobrevém? Qualquer perigo e tribulação, até a própria morte se sofre com a fortaleza: a fortaleza também é útil contra os prazeres, riquezas e honras do mundo, porque com ela nos defendemos para não nos ensoberbecermos, para não desvanecermos.

Porque a fortaleza nos ensina a não menosprezar aos nossos inimigos, nem ter em pouca consideração aos pobres humildes; ensina-nos como não devemos esquecer-nos de Deus, nem desamparar ao nosso Criador, nem ser-lhe ingratos; e de uma coisa vos aviso: que se é necessária a virtude da fortaleza para combater com as adversidades e as dificuldades, para armar-se da fé e sofrer tudo por Deus, não é menos necessária para saber usar das honras, riquezas e prosperidades que o mundo nos dá. Para que não nos sirvam de ciladas em que o diabo nos amarre, pois, por que estais perturbados, ó homens de pouca fé?

Se crestes que eu sou verdadeiramente Deus, Criador de todas as coisas, e por isso me seguistes e me tomastes por mestre, como duvidais que o que eu criei esteja em meu poder e ao meu comando? Por que duvidastes, ó homens de pouca fé? Não sabeis que está escrito que aquele que pouco crê será repreendido; e o que nada crê, será menosprezado? Os fracos na fé serão repreendidos, os que forem completamente alheios à fé serão castigados.

"Então, levantando-se, ordenou aos ventos e ao mar, e houve uma grande calmaria". O grande profeta disse: e levantando-se o Senhor como quem dormia, ou como um poderoso embriagado por vinho, feriu a todos os seus inimigos nas costas; agora se levantando ordenou aos ventos e ao mar, e houve uma grande calmaria. Ordenou aos ventos e ao mar como seu Criador que era: ordenou aos seus como poderoso, ordenou aos ventos como seu Senhor, e ordenou-lhes antes que aos seus discípulos, para que eles, vendo-o, fossem confirmados na fé.

Orígenes (Séc. 3)

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segunda-feira, 23 de outubro de 2023

21ª Segunda-feira Depois de Pentecostes

23 de Outubro de 2023 (CC) / 10 de Outubro (CE)
Ss. Eulâmpio e sua irmã Eulâmpia, mártires (início do séc. IV);
Venerável Ambrósio, de Optina (1891)
São Teófilo, o Confessor; 
Martírio dos 26 Santos Monges de Zographu e com eles 4 Santos Fiéis.
Tom 3



Estes santos viveram na época do Imperador Maximiliano. Santo Eulâmpio era um jovem cristão que fugiu da cidade durante a perseguição e se refugiou numa caverna. Seus companheiros lhe enviaram a Nicomédia em busca de alimentos. Eulâmpio se deteve numa rua a ler o edito de perseguição contra os cristãos. Quando um soldado o viu e chamou a atenção dos demais para a sua presença, começou a correr. Naturalmente, sua atitude despertou suspeita e Eulâmpio foi perseguido, capturado e levado à presença do juiz. O magistrado repreendeu aos guardas por haver apreendido o jovem e, ordenando que desatassem suas mãos, começou a interrogá-lo. 
Depois que tomou conhecimento do nome e profissão de Eulâmpio, mandou que oferecesse sacrifícios a algum dos deuses. O jovem negou-se a fazê-lo, contestando que aqueles eram tão somente ídolos de barro. Enfurecido, o magistrado mandou que fosse açoitado. Como Eulâmpio permanecesse inamovível, ordenou que fosse amarrado e arrastado por um potro. Sua irmã Eulâmpia correu ao seu encontro para abraçá-lo e foi também detida e presa. Ambos foram submetidos a diversas formas de tortura, saindo ilesos. Ao vê-los sair rejuvenescidos de um banho de azeite fervente, cerca de duzentas pessoas que presenciaram o fato se converteram à fé cristã e foram decapitados juntamente com os dois mártires de Nicomédia. 
O Venerável Teófilo, o Confessor  
Teófilo era um eslavo macedônio de algum lugar perto de Strumica. Ainda jovem foi tonsurado monge, e fundou o seu próprio mosteiro. 
Teófilo, muito padeceu por causa de sua defesa dos ícones, durante o reinado de Leão, o Isauriano, e teria sido morto em uma ocasião, se não tivesse conseguido convencer o Governador Hypaticus, seu juiz, da pertinência e necessidade da veneração dos ícones. O Governador o libertou e Teófilo voltou ao seu mosteiro, onde adormeceu em paz no ano de 716 dC, e entrou no gozo do seu Senhor. 
Os 26 Monges Mártires de Zographou e 4 Leigos 
Quando o Imperador Miguel Paleólogo, a fim de obter ajuda do Ocidente contra os búlgaros e sérvios, firmou com o Papa de Roma, a abominável «União de Lyon», os monges da Montanha Santa enviaram um protesto ao Imperador contra esta União, implorando-lhe para rejeitá-la e retornar à Ortodoxia. O Papa enviou um exército para ajudar o Imperador. O exército Latino entrou na Montanha Santa e cometeu tamanha barbárie, qual os turcos nunca tinham cometido em quinhentos anos. 
Depois de assassinar todo o Prótaton (Conselho dos Governantes do Monte Athos e de ter matado muitos monges em Vatopedi, Iveron e outros mosteiros, os latinos atacaram Zographou. O bendito Abade Thomas advertiu aos irmãos que quem desejasse ser poupado pelos latinos, deveria fugir do mosteiro, e que quem desejasse alcançar uma morte de mártir, deveria permanecer. E assim, vinte e seis homens permaneceram: o abade, vinte e cinco monges e quatro leigos que serviam como trabalhadores do mosteiro. Todos eles trancaram-se na torre do mosteiro. Quando os latinos chegaram, eles puseram fogo na torre e estes vinte e seis heróis de Cristo obtiveram no fogo uma morte de mártir. Enquanto a torre estava queimando, eles entoavam os Salmos e o Akathistos à Santíssima Mãe de Deus. Eles entregaram suas almas santas a Deus em 10 de outubro de 1283. Em dezembro do mesmo ano, o desonrado Imperador Miguell morreu na pobreza, quando o rei sérvio Milutin levantou-se contra ele em defesa da Ortodoxia. 
Oração Antes de Ler as Escrituras 
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!

Filipenses 4:10-23

Fragmento em 248 - Irmãos, fiquei imensamente contente, no Senhor, porque, finalmente, vi reflorescer o vosso interesse por mim. É verdade que sempre pensáveis nisso, mas vos faltava oportunidade de mostrá-lo. Não é minha penúria que me faz falar. Aprendi a contentar-me com o que tenho. Sei viver na penúria, e sei também viver na abundância. Estou acostumado a todas as variabilidades: A ter fartura e a passar fome, a ter abundância e a padecer necessidade. Tudo posso naquele que me fortalece. Contudo, fizestes bem em tomar parte na minha tribulação. Vós que sois de Filipos, bem sabeis como, no início do meu ministério evangélico, quando parti da Macedônia, nenhuma igreja participava de dar e receber, senão vós somente. Já por duas vezes mandastes para Tessalônica o que me era necessário. Não é o donativo em si que eu procuro, e sim os lucros que vão aumentando a vosso crédito. Recebi tudo, e em abundância. Estou bem provido, depois que recebi de Epafrodito a vossa oferta: Foi um suave perfume, um sacrifício que Deus aceita com agrado. Em recompensa, o meu Deus há de prover magnificamente a todas as vossas necessidades, segundo a Sua glória, em Jesus Cristo. A Deus, nosso Pai, seja a glória, por toda a eternidade! Amém. Saudai em Jesus Cristo todos os santos. Os irmãos que estão comigo vos saúdam. Todos os santos vos saúdam, especialmente os da casa de César. A graça do Senhor Jesus Cristo esteja com o vosso espírito!

Lucas 7:36-50

Fragmento 33 - Naquela época, um dos fariseus convidou Jesus para jantar. Assim que tomou conhecimento que Jesus estava reunido à mesa, na casa do fariseu, certa mulher daquela cidade, uma pecadora, trouxe um frasco de alabastro cheio de perfume. E, posicionando-se atrás de Jesus, prostrou-se a Seus pés e começou a chorar. Suas lágrimas molharam os pés de Jesus, mas ela, em seguida os enxugara com os próprios cabelos, beijou-os e os ungiu com o perfume. Diante de tal cena, o fariseu que O havia convidado falou consigo mesmo: “Se este homem fosse de fato profeta, bem saberia quem n’Ele está tocando e que espécie de mulher ela é: Uma pecadora!” Então, voltou-Se Jesus para o fariseu e lhe propôs: “Simão, tenho algo para dizer-te”. Ao que ele aquiesceu: “Sim, Mestre, dize-me”. “Dois homens deviam a certo credor. Um lhe devia quinhentos denários e o outro, cinquenta. Nenhum dos dois tinha com que pagar, por isso o credor decidiu perdoar a dívida de ambos. Qual deles o amará mais?” Replicou-Lhe Simão: “Imagino que aquele a quem foi perdoada a dívida maior”. Ao que Jesus o congratulou: “Julgaste acertadamente!” Então, virou-Se em direção à mulher e declarou a Simão: “Vês esta mulher? Entrei em tua casa, e não me trouxeste água para lavar os pés, como é o costume. Esta, porém, molhou os Meus pés com suas lágrimas e os enxugou com os próprios cabelos. Da mesma maneira, tu não me saudaste com um beijo na face, como é tradicional; ela, todavia, desde que cheguei não cessa de me beijar os pés. E mais, tu não me ungiste a cabeça com óleo, como era de se esperar, mas esta mulher, com puro bálsamo, ungiu os meus pés. Por tudo isso, te asseguro: O grande amor por ela demonstrado prova que seus muitos pecados já foram todos perdoados. Mas onde há necessidade de pouco perdão, pouco amor é revelado. Em seguida, Jesus afirmou à mulher: “Perdoados estão todos os teus pecados!” Então, os demais convidados começaram a comentar: “Quem É Este que pode até perdoar pecados?” E Jesus revela à mulher: “A tua fé te salvou; vai-te em permanente paz”.

† † †

ENSINO DOS SANTOS PADRES


Anfilóquio, Bispo de Icônio (séc. IV) 

Um fariseu rogava a Jesus que fosse comer com ele. Jesus, entrando na casa do fariseu, recostou-se à mesa. Ó graça inenarrável! Ó inefável bondade! Ele é médico e cura todas as enfermidades, para ser útil a todos: bons e maus, ingratos e agradecidos. Por isso, convidado agora por um fariseu, entra naquela casa que até aquele momento estava repleta de males. Onde quer que morasse um fariseu, ali existia um antro de maldade, uma cova de pecadores, o aposento da arrogância. Mas mesmo que a casa daquele fariseu reunisse todas estas condições, o Senhor não se desfez de aceitar o convite. E com razão.  Prontamente aceita o convite do fariseu, e o faz com delicadeza, sem reprovar-lhe sua conduta: em primeiro lugar, porque queria santificar os convidados, e também o anfitrião, a sua família e o próprio esplendor dos manjares. Em segundo lugar, aceita o convite do fariseu porque sabia que ampararia a uma meretriz e destacaria seu abrasador e ardente anelo de conversão, para que ela, deplorando seus pecados diante dos letrados e dos fariseus, lhe concedesse oportunidade de ensinar-lhes como se deve aplacar a Deus com lágrimas pelos pecados cometidos.

E uma mulher da cidade, uma pecadora, diz, colocando-se detrás, junto aos seus pés, chorando, começou a regar-lhe seus pés com suas lágrimas. Louvemos, pois, a esta mulher que alcançou o aplauso de todo o mundo. Ela tocou aqueles pés imaculados, compartindo com João o corpo de Cristo. Na verdade, aquele se apoiou sobre o seu peito, de onde extraiu a doutrina divina; esta, porém, se abraçou naqueles pés que por nós percorriam os caminhos da vida.

De sua parte, Cristo – que não se pronuncia sobre o pecado, mas louva a penitência; que não castiga o passado, mas sonda o porvir –, omitindo as maldades passadas, honra a mulher, elogia sua conversão, justifica suas lágrimas e premia seu bom propósito; porém, o fariseu, ao ver o milagre fica desorientado e, trabalhado pela inveja, nega-se a admitir a conversão daquela mulher: ainda mais, solta-se em injúrias contra aquela que assim honrava ao Senhor, lança o descrédito contra a dignidade daquele que era honrado, censurando-o de ignorante: Se este fosse profeta, saberia quem é esta mulher que o está tocando.

Jesus, tomando a palavra, dirige-se ao fariseu embrenhado em tal tipo de murmurações: Simão, tenho algo a dizer-te. Ó graça inefável! Ó inenarrável bondade! Deus e homem dialogam: Cristo apresenta um problema e estabelece uma norma de bondade, para vencer a maldade do fariseu. Ele respondeu: Fala, mestre! Um credor tinha dois devedores. Observa a sabedoria de Deus: nem sequer nomeia a mulher, para que o fariseu não falseie intencionalmente a resposta. Um, diz ele, lhe devia quinhentos denários e o outro cinquenta. Como não tinham com que pagar, ele perdoou aos dois. Perdoou aos que não tinham, não aos que não queriam: uma coisa é não ter e outra muito distinta não querer. Um exemplo: Deus não nos pede outra coisa além da conversão; por isso quer que estejamos sempre alegres e apressemo-nos em acorrer à penitência. Contudo, se tendo vontade de converter-nos, a multidão de nossos pecados revela o impróprio de nosso arrependimento, não porque não queremos, mas porque não podemos, então nos perdoa a dívida. Como não tinham com que pagar, perdoou aos dois.

Qual dos dois o amará mais? Simão contestou: Suponho que aquele a quem ele perdoou mais. Jesus lhe “disse: Julgaste corretamente. E voltando-se para a mulher, disse a Simão: Vês a esta mulher pecadora, à qual tu rejeitas e à qual eu acolho? Desde que entrou, não deixou de beijar-me os pés. Por isso te digo: seus muitos pecados estão perdoados. Porque tu, ao receber-me como convidado, não me honraste com o ósculo, não me perfumaste com unguento; esta, porém, que alcançou o esquecimento de seus numerosos pecados, honrou-me até com suas lágrimas.

Portanto, todos os que aqui estão presentes, imitai o que ouvistes e concorrei no pranto desta meretriz. Lavai vosso corpo não com água, mas com lágrimas; não vistais o manto de seda, mas a incontaminada túnica da continência, para que consigais idêntica glória, dando graças ao Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. A ele a glória, a honra e a adoração, com o Pai e o Espírito Santo agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém.”

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domingo, 23 de outubro de 2022

19º Domingo Depois de Pentecostes

 
23 de Outubro de 2022 (CC) / 10 de Outubro (CE)
Ss. Eulâmpio e sua irmã Eulâmpia, mártires (início do séc. IV); 
São Teófilo, o Confessor; 
Martírio dos 26 Santos Monges de Zographu e com eles 4 Santos Fiéis.
Tom 2



O Sétimo Concílio Ecumênico, foi convocado pela Imperatriz Irene e reuniu-se em Nicéia, de 24 de setembro a 13 de outubro de 787. O Patriarca Tarásios (comemorado em 25 de fevereiro) o presidiu. 
O Concílio encerrou os quase cinquenta anos de perseguição iconoclasta, e estabeleceu a veneração dos Santos Ícones como algo básico para a fé e espiritualidade da Igreja de Cristo. Como diz o Synaxarion, "Não foi simplesmente a veneração das imagens sagradas que os Padres defenderam nesses termos, mas, de fato, a própria realidade da Encarnação do Filho de Deus."

“O segundo Concílio de Nicéia é o sétimo e último Concílio Ecumênico reconhecido pela Igreja Ortodoxa. Isso não significa que não possa haver Concílios Ecumênicos no futuro, embora, ao ocupar o sétimo lugar, o Concílio de Nicéia tenha tomado para si o símbolo de perfeição e conclusão representado por este número na Sagrada Escritura (por exemplo, Gn 2: 1-3). Ele fecha a era das grandes disputas dogmáticas que permitiram à Igreja descrever, de forma clara e sem ambigüidade, os limites da Santa Fé Ortodoxa. Desde então, toda heresia que aparece pode ser relacionada a um ou outro dos erros que a Igreja, reunida em Concílios universais, anatematizou desde o primeiro até o Sétimo Concílio de Nicéia. " Synaxarion

Na prática grega, os santos Padres portadores de Deus do Sétimo Concílio Ecumênico são comemorados em 11 de outubro (se for um domingo), ou no domingo seguinte a 11 de outubro. Se cair na segunda, terça ou quarta-feira, o serviço é movido para o domingo anterior. 
Comemoração de Santo Eulâmpio e Santa Eulâmpia 
Estes santos viveram na época do Imperador Maximiliano. Santo Eulâmpio era um jovem cristão que fugiu da cidade durante a perseguição e se refugiou numa caverna. Seus companheiros lhe enviaram a Nicomédia em busca de alimentos. Eulâmpio se deteve numa rua a ler o edito de perseguição contra os cristãos. Quando um soldado o viu e chamou a atenção dos demais para a sua presença, começou a correr. Naturalmente, sua atitude despertou suspeita e Eulâmpio foi perseguido, capturado e levado à presença do juiz. O magistrado repreendeu aos guardas por haver apreendido o jovem e, ordenando que desatassem suas mãos, começou a interrogá-lo. 
Depois que tomou conhecimento do nome e profissão de Eulâmpio, mandou que oferecesse sacrifícios a algum dos deuses. O jovem negou-se a fazê-lo, contestando que aqueles eram tão somente ídolos de barro. Enfurecido, o magistrado mandou que fosse açoitado. Como Eulâmpio permanecesse inamovível, ordenou que fosse amarrado e arrastado por um potro. Sua irmã Eulâmpia correu ao seu encontro para abraçá-lo e foi também detida e presa. Ambos foram submetidos a diversas formas de tortura, saindo ilesos. Ao vê-los sair rejuvenescidos de um banho de azeite fervente, cerca de duzentas pessoas que presenciaram o fato se converteram à fé cristã e foram decapitados juntamente com os dois mártires de Nicomédia. 
O Venerável Teófilo, o Confessor  
Teófilo era um eslavo macedônio de algum lugar perto de Strumica. Ainda jovem foi tonsurado monge, e fundou o seu próprio mosteiro. 
Teófilo, muito padeceu por causa de sua defesa dos ícones, durante o reinado de Leão, o Isauriano, e teria sido morto em uma ocasião, se não tivesse conseguido convencer o Governador Hypaticus, seu juiz, da pertinência e necessidade da veneração dos ícones. O Governador o libertou e Teófilo voltou ao seu mosteiro, onde adormeceu em paz no ano de 716 dC, e entrou no gozo do seu Senhor. 
Os 26 Monges Mártires de Zographou e 4 Leigos 
Quando o Imperador Miguel Paleólogo, a fim de obter ajuda do Ocidente contra os búlgaros e sérvios, firmou com o Papa de Roma, a abominável «União de Lyon», os monges da Montanha Santa enviaram um protesto ao Imperador contra esta União, implorando-lhe para rejeitá-la e retornar à Ortodoxia. O Papa enviou um exército para ajudar o Imperador. O exército Latino entrou na Montanha Santa e cometeu tamanha barbárie, qual os turcos nunca tinham cometido em quinhentos anos. 
Depois de assassinar todo o Prótaton (Conselho dos Governantes do Monte Athos e de ter matado muitos monges em Vatopedi, Iveron e outros mosteiros, os latinos atacaram Zographou. O bendito Abade Thomas advertiu aos irmãos que quem desejasse ser poupado pelos latinos, deveria fugir do mosteiro, e que quem desejasse alcançar uma morte de mártir, deveria permanecer. E assim, vinte e seis homens permaneceram: o abade, vinte e cinco monges e quatro leigos que serviam como trabalhadores do mosteiro. Todos eles trancaram-se na torre do mosteiro. Quando os latinos chegaram, eles puseram fogo na torre e estes vinte e seis heróis de Cristo obtiveram no fogo uma morte de mártir. Enquanto a torre estava queimando, eles entoavam os Salmos e o Akathistos à Santíssima Mãe de Deus. Eles entregaram suas almas santas a Deus em 10 de outubro de 1283. Em dezembro do mesmo ano, o desonrado Imperador Miguell morreu na pobreza, quando o rei sérvio Milutin levantou-se contra ele em defesa da Ortodoxia. 

 

 Oração Antes de Ler as Escrituras

Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!


MATINAS (8)

João 20:11-18

E Maria estava chorando fora, junto ao sepulcro. Estando ela, pois, chorando, abaixou-se para o sepulcro. E viu dois anjos vestidos de branco, assentados onde jazera o corpo de Jesus, um à cabeceira e outro aos pés. E disseram-lhe eles: Mulher, por que choras? Ela lhes disse: Porque levaram o meu Senhor, e não sei onde o puseram. E, tendo dito isto, voltou-se para trás, e viu Jesus em pé, mas não sabia que era Jesus. Disse-lhe Jesus: Mulher, por que choras? Quem buscas? Ela, cuidando que era o hortelão, disse-lhe: Senhor, se tu o levaste, dize-me onde o puseste, e eu o levarei. Disse-lhe Jesus: Maria! Ela, voltando-se, disse-lhe: Raboni, que quer dizer: Mestre. Disse-lhe Jesus: Não me detenhas, porque ainda não subi para meu Pai, mas vai para meus irmãos, e dize-lhes que eu subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus. Maria Madalena foi e anunciou aos discípulos que vira o Senhor, e que ele lhe dissera isto.Oração Antes de Ler as Escrituras Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!

LITURGIA

Tropárion da Ressurreição
Ó Vida Imortal, sofrendo a morte, / esmagaste o Inferno com o fulgor de Tua Divindade. / E quando fizeste erguer os mortos das profundezas da terra, / todos os Poderes Celestes Te aclamaram, dizendo: // “Glória a Ti, ó Cristo nosso Deus e Autor da Vida!”

Tropárion de São Mateus, Tom 3 (Santo Patrono)
Com zelo seguiste a Cristo, o Mestre, / Que em Sua bondade apareceu aos homens na Terra, / E da alfândega te chamou para Apóstolo / e Pregador do Evangelho ao universo, /por isto honramos tua preciosa memória. / Ó divinamente eloquente, Mateus. /Roga ao Deus misericordioso // que nos conceda a remissão das transgressões e a salvação das nossas almas!

Kondákion da Ressurreição
Tu ressuscitaste do túmulo, Ó Onipotente Salvador, / e com esse forte sinal, o Inferno tomou-se de medo, / os mortos ressuscitaram e a criação Contigo se alegra / e Adão fica inexcedivelmente jubilante; //e o mundo, ó meu Salvador, a Ti louva para sempre.

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo ...

Kondákion de São Mateus, Tom 4 (Santo Patrono)
Deixando os laços da alfândega para adquirir o jugo da Justiça, / tu te revelaste um sábio comerciante, rico da sabedoria do Alto. / Proclamaste a Palavra da Verdade, /e pela narrativa da hora do Juízo // despertaste as almas indolentes.

Agora e sempre e pelos séculos dos séculos.

Theotókion
Ó Admirável Protetora dos Cristãos e nossa Medianeira ante o Criador, / não desprezes as súplicas de nenhum de nós pecadores, / mas, apressa-te a auxiliar-nos como Mãe Bondosa que és, / pois, te invocamos com fé. / Roga por nós, junto de Deus, // tu que defendes sempre aqueles que te veneram.

Prokímenon

R. O Senhor, É a minha força e o meu cântico,
porque ele me salvou. (Sl. 117:14)

V. O Senhor, castigou-me muito,
mas não me entregou à morte. (Sl. 117:18)

2 Coríntios 11:31 - 12:1-9

O Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que é eternamente bendito, sabe que não minto. Em Damasco, o que governava sob o rei Aretas pôs guardas às portas da cidade dos damascenos, para me prenderem. E fui descido num cesto por uma janela da muralha; e assim escapei das suas mãos. Em verdade que não convém gloriar-me; mas passarei às visões e revelações do Senhor. Conheço um homem em Cristo que há catorze anos (se no corpo, não sei, se fora do corpo, não sei; Deus o sabe) foi arrebatado ao terceiro céu. E sei que o tal homem (se no corpo, se fora do corpo, não sei; Deus o sabe) foi arrebatado ao paraíso; e ouviu palavras inefáveis, que ao homem não é lícito falar. De alguém assim me gloriarei eu, mas de mim mesmo não me gloriarei, senão nas minhas fraquezas. Porque, se quiser gloriar-me, não serei néscio, porque direi a verdade; mas deixo isto, para que ninguém cuide de mim mais do que em mim vê ou de mim ouve. E, para que não me exaltasse pela excelência das revelações, foi-me dado um espinho na carne, a saber, um mensageiro de Satanás para me esbofetear, a fim de não me exaltar. Acerca do qual três vezes orei ao Senhor para que se desviasse de mim. E disse-me: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo.

Aleluia

Aleluia, aleluia, aleluia! (3x)

O Senhor te ouça no dia da tribulação;
Te proteja o Nome do Deus de Jacó!

Salva, Senhor, pois ao Rei clamamos!
Que Ele nos escute!


Lucas 7:11-16

E aconteceu que, no dia seguinte, ele foi à cidade chamada Naim, e com ele iam muitos dos seus discípulos, e uma grande multidão; E, quando chegou perto da porta da cidade, eis que levavam um defunto, filho único de sua mãe, que era viúva; e com ela ia uma grande multidão da cidade. E, vendo-a, o Senhor moveu-se de íntima compaixão por ela, e disse-lhe: Não chores. E, chegando-se, tocou o esquife (e os que o levavam pararam), e disse: Jovem, a ti te digo: Levanta-te. E o que fora defunto assentou-se, e começou a falar. E entregou-o à sua mãe. E de todos se apoderou o temor, e glorificavam a Deus, dizendo: Um grande profeta se levantou entre nós, e Deus visitou o seu povo.

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HOMILIAS


“Os Milagres de Jesus, Sinal da Ressurreição”

O Verbo de Deus, Criador de todas as coisas, que ao princípio plasmou ao ser humano, encontrou a sua criatura caída pelo pecado; mas de tal maneira o curou em cada um de seus membros para torná-lo tal como ele o tinha plasmado, e reintegrou completamente ao homem o seu estado original, que o deixou completamente preparado para ressuscitar.

E que outro motivo teria ao curar os membros da carne e restituir-lhes seu estado original, a não ser salvar aqueles mesmos membros que tinha curado? Pois se a utilidade que traziam fosse apenas temporal, nada de extraordinário teria concedido para aqueles que ele tinha curado. Ou como podem afirmar que não é digna da vida que dele procede, sendo a mesma carne que dele recebeu a cura? Porque a vida se restitui pela cura, e a incorrupção pela vida. E é o mesmo quem dá a cura e a vida; e o mesmo que dá a vida reveste de incorrupção a sua criatura.

Portanto, que nos digam aqueles que nos contradizem, ou melhor dito, que contradizem sua própria salvação, com que corpo ressuscitaram a filha do sumo sacerdote, e o filho da viúva ao qual carregavam morto junto à porta da cidade, e Lázaro, que já estava quatro dias no sepulcro?

Sem dúvida, com os mesmos (membros) com os quais tinham falecido; pois se não fossem os mesmos corpos, tampouco seriam as mesmas pessoas falecidas aquelas que ressuscitaram. Mas o Evangelho diz que “o Senhor tomou a mão do morto e lhe disse: Jovem, te digo, levanta-te. E o morto se sentou, e ele ordenou que se lhe dessem de comer, e o entregou a sua mãe.” E chamou a Lázaro com uma forte voz, dizendo: “Lázaro, sai para fora! E o morto saiu, atado das mãos e dos pés.” Este é um símbolo do homem ligado pelo pecado. Por isso, o Senhor lhe diz: Desatai-o e deixai-o andar.

Assim, aqueles enfermos foram curados nos mesmos membros doentes e os mortos ressuscitados com os seus mesmos corpos, recebendo do Senhor a vida e a cura em seus próprios corpos e membros, o qual é um sinal temporal que preludia o eterno e mostra que é o mesmo aquele que que dá a cura a sua criatura e que pode dar novamente a vida.

Deste modo se pode crer sua doutrina acerca da ressurreição, pois de forma semelhante no final dos tempos, quando ressoe a trombeta, os mortos ressuscitarão à voz do Senhor, como ele mesmo disse:

“Chegará a hora na qual todos os mortos que estão nos sepulcros escutarão a voz do Filho do homem, e sairão os que obraram o bem para a ressurreição da vida, e os que obraram o mal para a ressurreição do juízo.”

Santo Irineu, Bispo de Lião (séc. II)

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“É Nele Que Nós Já Somos Ressuscitados”

“Ao ver a viúva, o Senhor Jesus... disse-lhe: Não chores.” Cristo, esperança de todos os crentes, chama aos que deixam este mundo não de “mortos”, mas de “adormecidos” ao dizer: Lázaro, meu amigo dorme; o Apóstolo Paulo, por seu lado, não quer que estejamos tristes por causa dos que adormeceram. Por isso, se a nossa fé afirma que todos os que creem em Cristo, conforme a palavra do Evangelho, não morrerão jamais, nós sabemos que eles não estão mortos e que nós mesmos não morremos.

É porque, “quando for dado o sinal, à voz do arcanjo e ao som da trombeta de Deus, o próprio Senhor descerá do céu, e os que morreram em Cristo, ressurgirão primeiro.” Por conseguinte, que a esperança da ressurreição nos dê coragem, pois voltaremos a ver aqueles que tínhamos perdido. Importa que acreditemos firmemente nele, quer dizer, que obedeçamos aos seus mandamentos, porque com o seu poder supremo ele acorda os mortos mais facilmente do que nós acordamos os que estão dormindo.

Eis o que nós dizemos e, entretanto, não sei por que motivo refugiamo-nos nas lágrimas, e o sentimento do pranto perturba a nossa fé. Ai de nós! A condição do homem é lamentável, e como é vã a nossa vida sem Cristo! Mas tu, ó morte, que tens a crueldade de romper a união dos esposos e de separar os que estão vinculados pela amizade, a tua força está desde já esmagada. Doravante, o teu jugo impiedoso é esmagado por aquele que te ameaçava mediante as palavras do Profeta Oseias: “Ó morte, eu serei a tua morte.” É por isso que, com o Apóstolo Paulo, lançamos esta provocação: “Ó morte, onde está a tua vitória? Ó morte, onde está o teu aguilhão?” Aquele que te venceu resgatou-nos, entregou a sua querida alma nas mãos dos ímpios, para fazer deles os seus queridos.

Seria muito longo relembrar tudo o que nas santas Escrituras nos deveria consolar a todos. Que nos baste acreditar na ressurreição e erguer os nossos olhos para a glória do nosso Redentor, porque é nele que nós já somos ressuscitados, como a nossa fé nos faz pensar, conforme a palavra do Apóstolo Paulo: “Se morremos por ele, com ele também reviveremos.”

São Bráulio de Saragoça (séc. VII)

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