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sexta-feira, 21 de junho de 2024

7ª Sexta-feira da Páscoa

APODOSIS DA FESTA DA ASCENÇÃO
21 de Junho de 2004 (CC) / 08 de Junho (CE)
Traslado das Santas Relíquias do Megalomártir Theodoro, o General; 
Santas Monjas Melania e Marta de Calíope
Jejum (Peixe é permitido)
Tom 6


O Santo Grande Mártir Teodoro Estratelates é comemorado em 8 de fevereiro e naquele dia sua vida é recontada. Entretanto, em 8 de junho se comemora o translado de suas relíquias de Heraklion para Euchaita.  
Antes de seu martírio, Santo Teodoro deixou as seguintes instruções em seu testamento para Varus seu servo:  
"Sepulte meu corpo em Euchaita na propriedade de meus ancestrais".  
Santo Anastásio do Sinai escreve a respeito do milagre do ícone de São Teodoro:  
Na cidade de Karsat próximo a Damasco, havia uma igreja dedicada a São Teodoro Estretelates. Quando os sarracenos conquistaram Damasco, um grupo de sarracenos tomou residência nesta igreja com suas esposas e filhos. Havia um afresco da imagem de São Teodoro na parede. Um dos sarracenos lançou uma flecha na imagem do santo na face. Imediatamente sangue fluiu da imagem. Logo depois daquilo o grupo inteiro de sarracenos pereceu na igreja. Santo Anastásio disse que ele esteve pessoalmente naquela igreja, viu a imagem do santo na parede e traços de sangue coagulado.  
Santa Melânia, a Anciã 
A três vezes abençoada Melânia Divas, era espanhola de origem e romana por cidadania, visto que filha do Cônsul Marcelino. Melânia casou com Max Valério, o qual provavelmente fora prefeito de Roma, e com este teve um filho por nome Publícola, o qual, mais tarde se tornaria senador e casaria com Albina, uma jovem cristã, mas que era filha de um sacerdote pagão. Desta união nascera a neta de santa Melânia, que herdou também seu nome, e mais tarde se tornou uma grande santa, ficando conhecida como Melânia, a Jovem (comemorada em 31 de dezembro). 
Tendo já secretamente a vocação Divina para a vida monástica, Melânia não hesitou em deixar seu filho com os tutores e foi prontamente para Alexandria, acompanhada de cinquenta jovens donzelas consagradas a Deus. Depois de vender seus bens, Melânia foi viver montanha de Nítria, se dedicando a peregrinar pelos desertos, visitando os santos eremitas que neles viviam e os ajudando em suas necessidades. 
Uma turbulência política em Alexandria atingiu doze bispos e outros santos que lhes eram amigos de Melânia, os quais foram perseguidos e banidos da cidade, e ela lhes prestou solidariedade e socorro. 
Melânia fundou um mosteiro em Jerusalém onde – com seus próprios recursos - abrigava os santos perseguidos e vítimas de infortúnio. Não somete isto, mas também com seu dinheiro ajudava igrejas, mosteiros e prisioneiros em toda a parte, na Pérsia, em Roma e por várias partes do mundo conhecido. Seu exemplo, inspirou seu filho e outros parentes que eram nobres, a serem ricos em generosidade, os quais, com os seus bens, a ajudavam em seu socorro aos pobres.

Atos 21:26-32

Então Paulo, tomando consigo aqueles homens, entrou no dia seguinte no templo, já santificado com eles, anunciando serem já cumpridos os dias da purificação; e ficou ali até se oferecer por cada um deles a oferta. E quando os sete dias estavam quase a terminar, os judeus da Ásia, vendo-o no templo, alvoroçaram todo o povo e lançaram mão dele, Clamando: Homens israelitas, acudi; este é o homem que por todas as partes ensina a todos contra o povo e contra a lei, e contra este lugar; e, demais disto, introduziu também no templo os gregos, e profanou este santo lugar. Porque tinham visto com ele na cidade a Trófimo de Éfeso, o qual pensavam que Paulo introduzira no templo. E alvoroçou-se toda a cidade, e houve grande concurso de povo; e, pegando Paulo, o arrastaram para fora do templo, e logo as portas se fecharam. E, procurando eles matá-lo, chegou ao tribuno da coorte o aviso de que Jerusalém estava toda em confusão;O qual, tomando logo consigo soldados e centuriões, correu para eles. E, quando viram o tribuno e os soldados, cessaram de ferir a Paulo.

João 16:2-13


Expulsar-vos-ão das sinagogas; vem mesmo a hora em que qualquer que vos matar cuidará fazer um serviço a Deus. E isto vos farão, porque não conheceram ao Pai nem a mim. Mas tenho-vos dito isto, a fim de que, quando chegar aquela hora, vos lembreis de que já vo-lo tinha dito. E eu não vos disse isto desde o princípio, porque estava convosco. E agora vou para aquele que me enviou; e nenhum de vós me pergunta: Para onde vais? Antes, porque isto vos tenho dito, o vosso coração se encheu de tristeza. Todavia digo-vos a verdade, que vos convém que eu vá; porque, se eu não for, o Consolador não virá a vós; mas, quando eu for, vo-lo enviarei. E, quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça e do juízo. Do pecado, porque não crêem em mim; Da justiça, porque vou para meu Pai, e não me vereis mais; E do juízo, porque já o príncipe deste mundo está julgado. Ainda tenho muito que vos dizer, mas vós não o podeis suportar agora. Mas, quando vier aquele Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há de vir.

† † †

O Dom do Pai em Cristo

O Senhor mandou batizar em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, quer dizer, professando a fé no Criador, no Filho e no que é chamado Dom de Deus.

Um só é o Criador de todas as coisas. Pois um só é Deus Pai, de quem tudo procede; um só é o Filho Unigênito, nosso Senhor Jesus Cristo, por quem tudo foi feito; e um só é o Espírito, que foi dado a todos nós.

Todas as coisas são ordenadas segundo suas capacida­des e méritos: um só é o Poder, do qual tudo procede; um só é o Filho, por quem tudo começa; e um só é o Dom, que é penhor da esperança perfeita. Nada falta a tão grande per­feição. Tudo é perfeitíssimo na Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo: a infinidade no Eterno, o esplendor na Imagem, a atividade no Dom.

Escutemos o que diz a palavra do Senhor sobre a ação do Espírito em nós: Tenho ainda muitas coisas a dizer-vos, mas não sois capazes de compreendê-las agora (Jo 16,12), É bom para vós que eu parta: se eu me for, vos mandarei o Defensor (cf. Jo 16,7).

Em outro lugar: Eu rogarei ao Pai, e ele vos dará uni outro Defensor, para que permaneça sempre convosco: o Espírito da Verdade (Jo 14,16-17). Ele vos conduzirá à plena verdade. Pois ele não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido; e até as coisas futuras vos anuncia­rá. Ele me glorificará porque receberá do que é meu (Jo 16,13-14).

Estas palavras, entre muitas outras, foram ditas para nos dar a conhecer a vontade daquele que confere o Dom e a natureza e a perfeição do mesmo Dom. Por conseguinte, já que a nossa fraqueza não nos permite compreender nem o Pai nem o Filho, o Dom que é o Espírito Santo estabelece um certo contato entre nós e Deus, para iluminar a nossa fé nas dificuldades relativas à encarnação de Deus.

Assim, o Espírito Santo é recebido para nos tornar capazes de compreender. Como o corpo natural do homem permaneceria inativo se lhe faltassem os estímulos necessá­rios para as suas funções - os olhos, se não há luz ou não é dia, nada podem fazer; os ouvidos, caso não haja vozes ou sons, não cumprem seu ofício; o olfato, se não sente nenhum odor, para nada serve; não porque percam a sua capacidade natural por falta de estímulo para agir - assim é a alma humana: se não recebe pela fé o Dom que é o Espírito, tem certamente uma natureza capaz de conhecer a Deus, mas falta-lhe a luz para chegar a esse conhecimento.

Este Dom de Cristo está inteiramente à disposição de todos e encontra-se em toda parte; mas é dado na medida do desejo e dos méritos de cada um. Ele está conosco até o fim do mundo; ele é o Consolador no tempo da nossa espera; ele, pela atividade dos seus dons, é o penhor da nossa esperança futura; ele é a luz do nosso espírito; ele é o esplendor das nossas almas.

Santo Hilário, Bispo de Poitier (Sé. IV)

† † † 

quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

32ª Quarta-feira Depois de Pentecostes

APODOSIS (CONCLUSÃO) DA FESTA DA NATIVIDADE
13 de Janeiro de 2021 (CC) 31 de Dezembro de 2020 (CE)
Ss Melânia, a Romana (†410) e Vital, Orfanotrófos.
Tom 6



Melânia (a avó de Melania, a jovem) foi uma patriota, casada com Valério Máximo, prefeito de Roma no ano de 362. Aos 22 anos de idade ficou viúva e mudou-se para a Palestina, deixando seu filho Publicola aos cuidados de tutores. Na Palestina, fundou um monastério em Jerusalém com 50 moças que se consagraram ao serviço de Deus. No monastério, Melania se entregou a uma vida austera, de orações e de caridade. Tempos depois seu filho Publicola chegou a ocupar um posto no senado romano e se casou com Albina, uma cristã, filha de Albino, um sacerdote pagão. Do casamento de Albina com o filho de Melânia, Senador Publicola, nasceu Melania, a jovem, criada e educada na fé cristã por sua mãe, na luxuosa residência do senador Publicola, cristão também, mas demasiado ambicioso para ocupar-se de sua fé. Desejando ter um herdeiro varão a quem pudesse deixar toda a sua fortuna e para que perpetuasse o aristocrático nome de sua família, Publicola prometeu sua filha, a jovem Melania, em casamento a Valério Piniano, um parente seu que era filho de Valério Severo. Porém, a jovem Melania desejava conservar sua virgindade para consagrar-se por inteiro a Deus. Quando seus pais souberam desse desejo de Melania, se opuseram veementemente e trataram de apressar seu casamento. Assim, no ano de 397, quando Melania, a jovem, acabava de completar 14 anos de idade, casou-se com Piniano que, então, tinha 17 anos. A jovem, casada contra sua vontade e descontente com o ambiente licencioso e libertino que reinava em torno de si, suplicou ao seu marido que levasse uma vida de completa continência. Porém, Piniano não aceitou seu pedido e, tempos depois, veio ao mundo seu primeiro filho: uma menina que morreu depois de um ano de idade. 
Mesmo tendo já passado algum tempo, o desejo de Melania de consagrar-se inteiramente a Deus não tinha mudado e, corajosamente, pediu para que de desincumbir de seu casamento. Seu pai então tomou medidas severas, proibindo os contatos de pessoas religiosas com a filha, para evitar que fomentassem nela o desejo de afastar-se da vida social luxuosa que sua filha desfrutava. Nas vésperas da festa de São Lourenço do ano 399, o senador proibiu que sua filha fosse a Basílica, pois estava grávida. Mesmo assim, Melania permaneceu durante toda a noite em oração, ajoelhada em seu quarto. Pela manhã, assistiu a missa na Igreja de São Lourenço e ao regressar para a sua casa, com grandes dificuldades deu à luz a um menino prematuro que veio a falecer no dia seguinte. Melania esteve durante muito tempo entre a vida e a morte. Seu esposo Piniano, que a amava sinceramente, fez um juramento: se ela se salvasse, deixaria em absoluta liberdade para servir a Deus, assim como sempre quis. Pouco depois, Melancia curou-se e seu marido cumpriu então a promessa. No entanto, seu pai Publicola se opunha a isso. Melania viveu ainda mais 5 anos naquela condição de casada, que tanto lhe desagradava. Publicola caiu gravemente enfermo e, antes de entrar na agonia da morte, deixou todos os seus bens a sua filha Melania, não sem antes pedir-lhe perdão por ter se oposto à vocação celestial de sua filha. Albina, a mãe de Melania, a jovem, e Piniano, seu marido, não apenas aceitaram a nova vida de Melania, como a ajudaram. Os três abandonaram Roma e foram morar em uma casa de campo, longe da cidade. Piniano não estava plenamente convertido e durante muito tempo insistiu em vestir os ricos trajes que estava acostumado em Roma.  
O hagiógrafo da santa deixou um relato comovente sobre os métodos empregados por Melania para convencer seu marido a renunciar ao luxo e adotar um vida mais modesta, e que para usasse roupas mais simples, confeccionadas por ela mesma. A família tinha levado consigo numerosos escravos que eram bem tratados. Em pouco tempo, muitas jovens, viúvas e outras 30 famílias estabeleceram-se ao redor da casa de campo de Melania, formando assim um pequeno povoado. A vila chegou a ser um centro de hospitalidade, de caridade e de vida religiosa. Melania era muito rica e seus terrenos estendiam-se a todos os pontos do império romano, mas sentia-se oprimida pela quantidade de bens terrenos. Sabia que abundância de posses fazia falta ao seus vizinhos pobres, famintos e desnudos. Estava certa de que “quando um rico dá esmola a algum pobre, na verdade está lhe pagando uma dívida” (Santo Ambrósio). Solicitou então, e obteve o consentimento de Piniano para vender algumas de suas propriedades e distribuir o dinheiro aos necessitados. Ao saber disso, os parentes a quem muito tempo não a viam, trataram de aproveitar-se daquela situação. Por exemplo, Severo, o irmão de Piniano subornou por algumas moedas alguns colonos e escravos que moravam em terrenos de Piniano, para que no momento da venda das terras se rebelassem e não reconhecessem outro senhor que não o próprio Severo. Foram tantas as dificuldades que surgiram que houve a necessidade de fazer uma apelação ao imperador Honório para que restabelecesse a ordem. Santa Melania, vestida de maneira muito simples, com uma túnica de lã e um véu na cabeça, apresentou-se a Serena, sogra do imperador, pedindo para que ela intercedesse por eles junto a Honório. Serena muito impressionada com a atitude e as palavras de Melania pediu ao imperador que a venda das terras fossem tuteladas pelo Estado, assegurando que todos os procedimento fossem legais e a distribuição do dinheiro fosse feita justamente aos pobres, aos enfermos, aos cativos, aos peregrinos, às igrejas e monastérios. 
No ano 406, Melânia com seu esposo e mais algumas pessoas, passaram uma temporada com São Paulino, na cidade de Nora, no campo. São Paulino desejava que Melania e seu esposo fossem seus “hóspedes para sempre”. Chamava Melania de “pequena bendida” e “alegria dos céus”.Porém, o casal regressou a sua vila, próxima de Roma, num momento inoportuno. Mal tinham chegado à vila, tiveram que abandoná-la por causa da invasão dos godos. Refugiaram-se em outra propriedade, em Mesina onde conviveram com Rufino. Depois de quase dois anos, os godos chegaram a Calábria e incendiaram a cidade de Reggio. Melania e o esposo optaram por refugiar-se em Cartago. Morando em Cartago, se dispunham de vez em quando visitar Paulino, para consolá-lo de suas atribulações por causa da invasão. Certa vez, indo visitá-lo, uma tormenta desviou a rota do navio que atracou numa ilha, provavelmente em Lipari, repleta de piratas. Para salvar-se da prisão e evitar sua morte e de seus tripulantes, Santa Melania pagou uma boa soma em moedas pelo resgate. Depois daquela aventura, o casal se instalou na cidade de Tegaste, na Numidia, causando boa impressão entre os moradores da cidade. Certa vez Piniano, ao visitar Santo Agostinho de Hipona (que os chamou de “verdadeiras luzes da Igreja”) formou-se um burburinho porque as pessoas queriam que Piniano fosse ordenado sacerdote para exercer entre eles o seu ministério. Para acalmar as pessoas Piniano prometeu que, se algum dia fosse ordenado sacerdote, iria exercer seu ministério em Hipona. Na África, Santa Melania fundou e adotou dois novos monastérios: um masculino e outro feminino. Neles recebeu especialmente as pessoas que tinham sido seus escravos. A própria Melania vivia no monastério feminino e se sobressaia entre todas por causa de sua vida austera: alimentava-se somente a cada três dias e se ocupava em copiar livros em grego e em latim. Quinhentos anos depois, seus manuscritos circulavam ainda em vários lugares. No ano 417, em companhia de sua mãe e de seu esposo partiu da África para Jerusalém, hospedando-se numa pousada para peregrinos, próximo do Santo Sepulcro. Dali formou uma expedição com Piniano para visitar os monges do Egito. Ao voltarem, fortalecidos pelos exemplos daqueles anacoretas, Melania decidiu isolar-se fora dos muros de Jerusalém, numa vida de oração e contemplação. Sua prima Paula, sobrinha de Santa Eustáquia, foi uma dia visitá-la. Paula apresentou a Melania, em Belém, um grupo cujo formador era São Jerônimo e foi recebida com beneplácito. Conta-se que a primeira vez que se encontrou com São Jerônimo, aproximou-se dele com gestos humildes e respeitosos, ajoelhando-se diante dele para pedir a bênção. 
Depois de 14 anos morando na Palestina, morreu Albina (sua mãe) e no ano seguinte Piniano (seu esposo). Melania sepultou os dois lado a lado no Monte das Oliveiras; construindo ali uma pequena cela monástica que, mais tarde, se tornou um grande convento de virgens consagradas, dirigido dor Santa Melania. Mostrou-se sempre preocupada com o bem estar e a saúde de sua congregação. Quatro anos depois da morte de seu marido, Santa Melania teve noticias de um seu tio materno chamado Volusiano que ainda era pagão e que morava em Constantinopla dirigindo uma embaixada. Decidiu então ir pessoalmente tentar convertê-lo, pois já era um ancião. Assim, viajou a Constantinopla com seu capelão e biógrafo Gerôncio a tempo de converter seu tio antes de sua morte, que aconteceu em seus braços, após o batismo. Diz-se que a vontade de Melania em converter seu tio ancião era tanta que, se fosse preciso, ela apelaria para o imperador Teodósio para intervir no assunto. Porém seu tio Volusiano disse a sua sobrinha: 
“Não deves forçar a boa e livre vontade que Deus te deu. Estou pronto e ansioso para limpar as inumeráveis manchas de minha alma. E faço isso não por mandato do imperador, pois se assim fosse, seria por obrigação e não por mérito e vontade.”  
Na véspera da Natividade de 439, Santa Melania estava em Belém, e depois da Missa da manhã, disse à Paula que sua morte estava próxima. No dia de Santo Estevão, assistiu a missa em sua basílica e, depois, estando já no convento, leu junto com suas irmãs o relato de seu martírio, no Novo Testamento. Ao terminar a leitura, todas se aproximaram de Melania para desejar-lhe felicidades, e ela respondeu: 
“O mesmo eu desejo para vós, porém, não escutareis outra vez mais de minha boca esta leitura”. 
Naquele mesmo dia, fez uma última visita a alguns monges e, já na volta, encontrava-se muito enfraquecida. Reuniu todas as irmãs e pediu que por ela orassem “porque já iria para o Senhor”. Falou brevemente que, “se alguma vez havia falado palavras severas, só o havia feito por amor” e concluiu dizendo: 
“Bem sabe Deus que não valho nada e não me atrevo a me comparar com uma boa mulher e nem com as que vivem sobre a terra. Porém, o inimigo, no juízo final, não poderá me acusar de nenhum dia ter-me deitado com rancor em meu coração". 
No domingo seguinte, bem cedo, quando o sacerdote celebrava a missa, com a voz entrecortada pelos soluços, Melania pediu que ele pronunciasse melhor as palavras rituais, pois ela não podia ouvir direito. Recebeu durante todo aquele dia muitas visitas, até que disse: “Agora, deixem-me descansar em paz”. Na hora nona, ao cair da tarde, repetindo as palavras de Jó, “como o Senhor quer, que assim seja”, morreu tranquilamente. Tinha então 56 anos de idade.


Oração Antes de Ler as Escrituras
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!

Tiago 3:11-4:6

11 Porventura a fonte deita da mesma abertura água doce e água amargosa? 12 Meus irmãos, pode acaso uma figueira produzir azeitonas, ou uma videira figos? Nem tampouco pode uma fonte de água salgada dar água doce. 13 Quem dentre vós é sábio e entendido? Mostre pelo seu bom procedimento as suas obras em mansidão de sabedoria. 14 Mas, se tendes amargo ciúme e sentimento faccioso em vosso coração, não vos glorieis, nem mintais contra a verdade. 15 Essa não é a sabedoria que vem do alto, mas é terrena, animal e diabólica. 16 Porque onde há ciúme e sentimento faccioso, aí há confusão e toda obra má. 17 Mas a sabedoria que vem do alto é, primeiramente, pura, depois pacífica, moderada, tratável, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade, e sem hipocrisia. 18 Ora, o fruto da justiça semeia-se em paz para aqueles que promovem a paz. 1 Donde vêm as guerras e contendas entre vós? Porventura não vêm disto, dos vossos deleites, que nos vossos membros guerreiam? 2 Cobiçais e nada tendes; logo matais. Invejais, e não podeis alcançar; logo combateis e fazeis guerras. Nada tendes, porque não pedis. 3 Pedis e não recebeis, porque pedis mal, para o gastardes em vossos deleites. 4 Infiéis, não sabeis que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus. 5 Ou pensais que em vão diz a escritura: O Espírito que ele fez habitar em nós anseia por nós até o ciúme? 6 Todavia, dá maior graça. Portanto diz: Deus resiste aos soberbos; dá, porém, graça aos humildes.   

Marcos 11:23-26

23 Em verdade vos digo que qualquer que disser a este monte: Ergue-te e lança-te no mar; e não duvidar em seu coração, mas crer que se fará aquilo que diz, assim lhe será feito. 24 Por isso vos digo que tudo o que pedirdes em oração, crede que o recebereis, e tê-lo-eis. 25 Quando estiverdes orando, perdoai, se tendes alguma coisa contra alguém, para que também vosso Pai que está no céu, vos perdoe as vossas ofensas. 26 [Mas, se vós não perdoardes, também vosso Pai, que está no céu, não vos perdoará as vossas ofensas.]   

† † †

COMENTÁRIO

A narrativa de São Marcos visa transmitir o ensino de Cristo sobre o poder da fé, mediada por um coração puro e justo. Os verdadeiros milagres não têm por finalidade o exibicionismo, alimentar a vaidade e orgulho daquele que ora, fazendo-o parecer santo e poderoso aos olhos dos homens. Para lançar os montes no mar, é preciso antes fazer naufragar a fortaleza do ego no mar da justiça e da misericórdia. O demônio tem levantado muitos falsos profetas - que operam abundantemente sinais e prodígios da mentira - com o intuito de fazer tropeçar os homens (mas ainda não vimos nenhum deles transportar sequer uma duna, quanto mais uma montanha).

A oração de um coração justo para consigo (posto que reconhece seus pecados) e para com o próximo (pois transmite para o semelhante a mesma misericórdia com que Deus lhe trata), eleva aquele que ora à plena comunhão com Deus, o Qual jamais recusará suas petições.

Os santos dão testemunho desta realidade e demonstraram tal dimensão justa da alma. Abraão não levou em conta a avareza de Ló, provendo-lhe socorro quando dele precisara em sua escravidão. José não guardou ressentimento dos seus irmãos assassinos e mercadores. Moisés não levou em consideração a afronta dos seus contemporâneos, preferindo ser anátema com eles do que se salvar sem eles. Paulo também demonstra essa mesma predisposição. Estêvão, o primeiro mártir da Igreja, suplica a Deus o perdão para seus algozes e João se recusa usar o seu poder apostólico para destruir os que se lhe opõem.

Onde, portanto, reside a fonte da oração inoperante? São Tiago responde: está em uma alma dobre, inconstante em todos os seus caminhos (Tiago 1:7,8).

Temos, pois, a nos rodear uma tão grande nuvem de testemunhas que nos atestam do poder de Deus operando em suas almas justas (Heb. 11).

Pe. Mateus (Antonio Eça)

ORAÇÃO

SENHOR, o meu coração não é soberbo e nem altivos os meus olhos; não me exercito em grandes matérias, nem em coisas muito elevadas  para mim. Certamente que me tenho portado e sossegado como uma criança desmamada de sua mãe; a minha alma está como uma criança desmamada. Senhor, quem há que possa discernir os seus pecados? Perdoa a minha ignorância. Também da soberba guarda o teu servo, para que ela não domine sobre mim. Então serei sincero, e ficarei limpo de grande transgressão. Sejam agradáveis as palavras da minha boca e a meditação do meu coração perante a tua face, SENHOR, Rocha minha e Redentor meu!

Salmo 130:1,2; 18:12-14 (131;1,2; 19:12-14)

domingo, 21 de junho de 2020

2º Domingo Depois de Pentecostes

21 de Junho de 2020 (CC) / 08 de Junho (CE)
Todos os Santos da Rússia
Traslado das Santas Relíquias do Megalomártir Theodoro, o General; 
Santas Monjas Melania e Marta de Calíope
Tom 1



O Santo Grande Mártir Teodoro Estratelates é comemorado em 8 de fevereiro e naquele dia sua vida é recontada. Entretanto, em 8 de junho se comemora o translado de suas relíquias de Heraklion para Euchaita.  
Antes de seu martírio, Santo Teodoro deixou as seguintes instruções em seu testamento para Varus seu servo:  
"Sepulte meu corpo em Euchaita na propriedade de meus ancestrais".  
Santo Anastásio do Sinai escreve a respeito do milagre do ícone de São Teodoro:  
Na cidade de Karsat próximo a Damasco, havia uma igreja dedicada a São Teodoro Estretelates. Quando os sarracenos conquistaram Damasco, um grupo de sarracenos tomou residência nesta igreja com suas esposas e filhos. Havia um afresco da imagem de São Teodoro na parede. Um dos sarracenos lançou uma flecha na imagem do santo na face. Imediatamente sangue fluiu da imagem. Logo depois daquilo o grupo inteiro de sarracenos pereceu na igreja. Santo Anastásio disse que ele esteve pessoalmente naquela igreja, viu a imagem do santo na parede e traços de sangue coagulado.  
Santa Melânia, a Anciã 
A três vezes abençoada Melânia Divas, era espanhola de origem e romana por cidadania, visto que filha do Cônsul Marcelino. Melânia casou com Max Valério, o qual provavelmente fora prefeito de Roma, e com este teve um filho por nome Publícola, o qual, mais tarde se tornaria senador e casaria com Albina, uma jovem cristã, mas que era filha de um sacerdote pagão. Desta união nascera a neta de santa Melânia, que herdou também seu nome, e mais tarde se tornou uma grande santa, ficando conhecida como Melânia, a Jovem (comemorada em 31 de dezembro). 
Tendo já secretamente a vocação Divina para a vida monástica, Melânia não hesitou em deixar seu filho com os tutores e foi prontamente para Alexandria, acompanhada de cinquenta jovens donzelas consagradas a Deus. Depois de vender seus bens, Melânia foi viver montanha de Nítria, se dedicando a peregrinar pelos desertos, visitando os santos eremitas que neles viviam e os ajudando em suas necessidades. 
Uma turbulência política em Alexandria atingiu doze bispos e outros santos que lhes eram amigos de Melânia, os quais foram perseguidos e banidos da cidade, e ela lhes prestou solidariedade e socorro. 
Melânia fundou um mosteiro em Jerusalém onde – com seus próprios recursos - abrigava os santos perseguidos e vítimas de infortúnio. Não somete isto, mas também com seu dinheiro ajudava igrejas, mosteiros e prisioneiros em toda a parte, na Pérsia, em Roma e por várias partes do mundo conhecido. Seu exemplo, inspirou seu filho e outros parentes que eram nobres, a serem ricos em generosidade, os quais, com os seus bens, a ajudavam em seu socorro aos pobres.


Oração Antes de Ler as Escrituras
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém! 

MATINAS (II)

Marcos 16:1-8

1 Ora, passado o sábado, Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, e Salomé, compraram aromas para irem ungi-lo. 2 E, no primeiro dia da semana, foram ao sepulcro muito cedo, ao levantar do sol. 3 E diziam umas às outras: Quem nos revolverá a pedra da porta do sepulcro? 4 Mas, levantando os olhos, notaram que a pedra, que era muito grande, já estava revolvida; 5 e entrando no sepulcro, viram um moço sentado à direita, vestido de alvo manto; e ficaram atemorizadas. 6 Ele, porém, lhes disse: Não vos atemorizeis; buscais a Jesus, o nazareno, que foi crucificado; ele ressurgiu; não está aqui; eis o lugar onde o puseram. 7 Mas ide, dizei a seus discípulos, e a Pedro, que ele vai adiante de vós para a Galileia; ali o vereis, como ele vos disse. 8 E, saindo elas, fugiram do sepulcro, porque estavam possuídas de medo e assombro; e não disseram nada a ninguém, porque temiam.

LITURGIA

Tropárion da Ressurreição
Apesar da pedra do túmulo ter sido selada pelos judeus, / e o Teu puríssimo Corpo guardado pelos soldados, / Tu ressuscitaste ao terceiro dia, ó Salvador nosso, / dando a vida ao mundo. / Por isso, ó Autor da Vida, / os Poderes Celestes Te aclamaram, dizendo: / “Glória à Tua Ressurreição, ó Cristo!/ Glória à Tua Realeza! // Glória à Tua Providência, ó Amigo do homem.


Tropárion de Todos os Santos da Rússia Tom 8
A terra da Rússia te oferece, ó Senhor, todos os santos que nela brilharam, / como o belo fruto do Teu esplendor salvífico. / Pelas suas súplicas e através da Theotokos // preserve a Igreja e nossa terra em profunda paz, ó Misericordioso.

Tropárion do Santo Grande Mártir Teodoro Tom 4
Através do verdadeiro recrutamento, tu te tornaste o mais generoso general do Rei Celestial, / ó fervoroso Theodoro; / porque sabiamente te armaste com as armas da fé, / venceste legiões de demônios e te mostraste vitorioso atleta.// Portanto, com fé sempre te bendizemos.

Kondákion da Ressurreição
Como Deus, Tu ressuscitaste gloriosamente do túmulo,/ ressuscitando o mundo Contigo; / a natureza humana Te canta como Deus, / pois a morte foi dissipada. / Adão rejubila, Mestre; / e Eva, doravante liberta das suas cadeias, proclama na alegria: // Ó Cristo, Tu És Aquele que concede a todos os homens a ressurreição!

Kondákion Tom 2
Disposto na fé com masculinidade de alma, / e tendo em mãos a palavra de Deus como uma lança, / conquistaste o inimigo, ó Theodoro, / grande entre os mártires. // Com eles, nunca cesse de pedir a Deus em favor de todos nós.

Glória ao †Pai e ao Filho e ao Espírito Santo...

Kondákion Tom 3
Hoje, o coro dos santos que agradaram a Deus em nossa terra permanece na Igreja e ora invisivelmente a Deus por nós. Com eles os anjos dão glória, e todos os santos da Igreja de Cristo celebram com eles; pois todos juntos imploram o Deus pré-eterno por nós.

Agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!

Hino aos Theotókos Tom I
Quando Gabriel anunciou a Ti, ó Virgem, "Alegrai-vos!" / com essa palavra, o Mestre de todos estava encarnado em Ti, ó Arca Sagrada. / Como o justo David disse, / Teu ventre se tornou mais espaçoso que os céus, levando Teu Criador. / Glória àquele que morou em ti! / Glória a quem veio de ti! / Glória a Ele que nos libertou nascendo de Ti!

Prokímenon

Seja a Tua misericórdia, Senhor, sobre nós,
como em Ti esperamos. (Sl.32:22)

Regozijai-vos no Senhor, vós, justos,
pois aos retos convém o louvor.

Romanos 2:10-16

10 glória, porém, e honra e paz a todo aquele que pratica o bem, primeiramente ao judeu, e também ao grego; 11 pois para com Deus não há acepção de pessoas. 12 Porque todos os que sem lei pecaram, sem lei também perecerão; e todos os que sob a lei pecaram, pela lei serão julgados. 13 Pois não são justos diante de Deus os que só ouvem a lei; mas serão justificados os que praticam a lei  14 (porque, quando os gentios, que não têm lei, fazem por natureza as coisas da lei, eles, embora não tendo lei, para si mesmos são lei. 15 pois mostram a obra da lei escrita em seus corações, testificando juntamente a sua consciência e os seus pensamentos, quer acusando-os, quer defendendo-os), 16 no dia em que Deus há de julgar os segredos dos homens, por Cristo Jesus, segundo o meu evangelho.

Aleluia

Aleluia, aleluia, aleluia!
É Deus Quem me reveste de fortaleza,
E Quem atrai os povos para Mim.

Aleluia, aleluia, aleluia!
Ele fortalece a Davi, Seu ungido,
E à sua descendência para sempre.

Aleluia, aleluia, aleluia!

Mateus 4:18-23

18 E Jesus, andando ao longo do mar da Galileia, viu dois irmãos - Simão, chamado Pedro, e seu irmão André, os quais lançavam a rede ao mar, porque eram pescadores. 19 Disse-lhes: Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens. 20 Eles, pois, deixando imediatamente as redes, o seguiram. 21 E, passando mais adiante, viu outros dois irmãos - Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João, no barco com seu pai Zebedeu, consertando as redes; e os chamou. 22 Estes, deixando imediatamente o barco e seu pai, seguiram- no. 23 E percorria Jesus toda a Galileia, ensinando nas sinagogas, pregando o evangelho do reino, e curando todas as doenças e enfermidades entre o povo.  

† † †

sábado, 13 de janeiro de 2018

32º sábado Depois de Pentecostes

APODOSIS (CONCLUSÃO) DA FESTA DA NATIVIDADE
13 de Janeiro de 2018 (CC) 31 de Dezembro de 2017 (CE)
Ss Melânia, a Romana (†410) e Vital, Orfanotrófos.
Modo 6



Melania (a avó de Melania, a jovem) foi uma patriota, casada com Valério Máximo, prefeito de Roma no ano de 362. Aos 22 anos de idade ficou viúva e mudou-se para a Palestina, deixando seu filho Publicola aos cuidados de tutores. Na Palestina, fundou um monastério em Jerusalém com 50 moças que se consagraram ao serviço de Deus. No monastério, Melania se entregou a uma vida austera, de orações e de caridade. Tempos depois seu filho Publicola chegou a ocupar um posto no senado romano e se casou com Albina, uma cristã, filha de Albino, um sacerdote pagão. Do casamento de Albina com o filho de Melânia, Senador Publicola, nasceu Melania, a jovem, criada e educada na fé cristã por sua mãe, na luxuosa residência do senador Publicola, cristão também, mas demasiado ambicioso para ocupar-se de sua fé. Desejando ter um herdeiro varão a quem pudesse deixar toda a sua fortuna e para que perpetuasse o aristocrático nome de sua família, Publicola prometeu sua filha, a jovem Melania, em casamento a Valério Piniano, um parente seu que era filho de Valério Severo. Porém, a jovem Melania desejava conservar sua virgindade para consagrar-se por inteiro a Deus. Quando seus pais souberam desse desejo de Melania, se opuseram veementemente e trataram de apressar seu casamento. Assim, no ano de 397, quando Melania, a jovem, acabava de completar 14 anos de idade, casou-se com Piniano que, então, tinha 17 anos. A jovem, casada contra sua vontade e descontente com o ambiente licencioso e libertino que reinava em torno de si, suplicou ao seu marido que levasse uma vida de completa continência. Porém, Piniano não aceitou seu pedido e, tempos depois, veio ao mundo seu primeiro filho: uma menina que morreu depois de um ano de idade. 
Mesmo tendo já passado algum tempo, o desejo de Melania de consagrar-se inteiramente a Deus não tinha mudado e, corajosamente, pediu para que de desincumbir de seu casamento. Seu pai então tomou medidas severas, proibindo os contatos de pessoas religiosas com a filha, para evitar que fomentassem nela o desejo de afastar-se da vida social luxuosa que sua filha desfrutava. Nas vésperas da festa de São Lourenço do ano 399, o senador proibiu que sua filha fosse a Basílica, pois estava grávida. Mesmo assim, Melania permaneceu durante toda a noite em oração, ajoelhada em seu quarto. Pela manhã, assistiu a missa na Igreja de São Lourenço e ao regressar para a sua casa, com grandes dificuldades deu à luz a um menino prematuro que veio a falecer no dia seguinte. Melania esteve durante muito tempo entre a vida e a morte. Seu esposo Piniano, que a amava sinceramente, fez um juramento: se ela se salvasse, deixaria em absoluta liberdade para servir a Deus, assim como sempre quis. Pouco depois, Melancia curou-se e seu marido cumpriu então a promessa. No entanto, seu pai Publicola se opunha a isso. Melania viveu ainda mais 5 anos naquela condição de casada, que tanto lhe desagradava. Publicola caiu gravemente enfermo e, antes de entrar na agonia da morte, deixou todos os seus bens a sua filha Melania, não sem antes pedir-lhe perdão por ter se oposto à vocação celestial de sua filha. Albina, a mãe de Melania, a jovem, e Piniano, seu marido, não apenas aceitaram a nova vida de Melania, como a ajudaram. Os três abandonaram Roma e foram morar em uma casa de campo, longe da cidade. Piniano não estava plenamente convertido e durante muito tempo insistiu em vestir os ricos trajes que estava acostumado em Roma.  
O hagiógrafo da santa deixou um relato comovente sobre os métodos empregados por Melania para convencer seu marido a renunciar ao luxo e adotar um vida mais modesta, e que para usasse roupas mais simples, confeccionadas por ela mesma. A família tinha levado consigo numerosos escravos que eram bem tratados. Em pouco tempo, muitas jovens, viúvas e outras 30 famílias estabeleceram-se ao redor da casa de campo de Melania, formando assim um pequeno povoado. A vila chegou a ser um centro de hospitalidade, de caridade e de vida religiosa. Melania era muito rica e seus terrenos estendiam-se a todos os pontos do império romano, mas sentia-se oprimida pela quantidade de bens terrenos. Sabia que abundância de posses fazia falta ao seus vizinhos pobres, famintos e desnudos. Estava certa de que “quando um rico dá esmola a algum pobre, na verdade está lhe pagando uma dívida” (Santo Ambrósio). Solicitou então, e obteve o consentimento de Piniano para vender algumas de suas propriedades e distribuir o dinheiro aos necessitados. Ao saber disso, os parentes a quem muito tempo não a viam, trataram de aproveitar-se daquela situação. Por exemplo, Severo, o irmão de Piniano subornou por algumas moedas alguns colonos e escravos que moravam em terrenos de Piniano, para que no momento da venda das terras se rebelassem e não reconhecessem outro senhor que não o próprio Severo. Foram tantas as dificuldades que surgiram que houve a necessidade de fazer uma apelação ao imperador Honório para que restabelecesse a ordem. Santa Melania, vestida de maneira muito simples, com uma túnica de lã e um véu na cabeça, apresentou-se a Serena, sogra do imperador, pedindo para que ela intercedesse por eles junto a Honório. Serena muito impressionada com a atitude e as palavras de Melania pediu ao imperador que a venda das terras fossem tuteladas pelo Estado, assegurando que todos os procedimento fossem legais e a distribuição do dinheiro fosse feita justamente aos pobres, aos enfermos, aos cativos, aos peregrinos, às igrejas e monastérios. 
No ano 406, Melânia com seu esposo e mais algumas pessoas, passaram uma temporada com São Paulino, na cidade de Nora, no campo. São Paulino desejava que Melania e seu esposo fossem seus “hóspedes para sempre”. Chamava Melania de “pequena bendida” e “alegria dos céus”. Porém, o casal regressou a sua vila, próxima de Roma, num momento inoportuno. Mal tinham chegado à vila, tiveram que abandoná-la por causa da invasão dos godos. Refugiaram-se em outra propriedade, em Mesina onde conviveram com Rufino. Depois de quase dois anos, os godos chegaram a Calábria e incendiaram a cidade de Reggio. Melania e o esposo optaram por refugiar-se em Cartago. Morando em Cartago, se dispunham de vez em quando visitar Paulino, para consolá-lo de suas atribulações por causa da invasão. Certa vez, indo visitá-lo, uma tormenta desviou a rota do navio que atracou numa ilha, provavelmente em Lipari, repleta de piratas. Para salvar-se da prisão e evitar sua morte e de seus tripulantes, Santa Melania pagou uma boa soma em moedas pelo resgate. Depois daquela aventura, o casal se instalou na cidade de Tegaste, na Numidia, causando boa impressão entre os moradores da cidade. Certa vez Piniano, ao visitar Santo Agostinho de Hipona (que os chamou de “verdadeiras luzes da Igreja”) formou-se um burburinho porque as pessoas queriam que Piniano fosse ordenado sacerdote para exercer entre eles o seu ministério. Para acalmar as pessoas Piniano prometeu que, se algum dia fosse ordenado sacerdote, iria exercer seu ministério em Hipona. Na África, Santa Melania fundou e adotou dois novos monastérios: um masculino e outro feminino. Neles recebeu especialmente as pessoas que tinham sido seus escravos. A própria Melania vivia no monastério feminino e se sobressaia entre todas por causa de sua vida austera: alimentava-se somente a cada três dias e se ocupava em copiar livros em grego e em latim. Quinhentos anos depois, seus manuscritos circulavam ainda em vários lugares. No ano 417, em companhia de sua mãe e de seu esposo partiu da África para Jerusalém, hospedando-se numa pousada para peregrinos, próximo do Santo Sepulcro. Dali formou uma expedição com Piniano para visitar os monges do Egito. Ao voltarem, fortalecidos pelos exemplos daqueles anacoretas, Melania decidiu isolar-se fora dos muros de Jerusalém, numa vida de oração e contemplação. Sua prima Paula, sobrinha de Santa Eustáquia, foi uma dia visitá-la. Paula apresentou a Melania, em Belém, um grupo cujo formador era São Jerônimo e foi recebida com beneplácito. Conta-se que a primeira vez que se encontrou com São Jerônimo, aproximou-se dele com gestos humildes e respeitosos, ajoelhando-se diante dele para pedir a bênção. 
Depois de 14 anos morando na Palestina, morreu Albina (sua mãe) e no ano seguinte Piniano (seu esposo). Melania sepultou os dois lado a lado no Monte das Oliveiras; construindo ali uma pequena cela monástica que, mais tarde, se tornou um grande convento de virgens consagradas, dirigido dor Santa Melania. Mostrou-se sempre preocupada com o bem estar e a saúde de sua congregação. Quatro anos depois da morte de seu marido, Santa Melania teve noticias de um seu tio materno chamado Volusiano que ainda era pagão e que morava em Constantinopla dirigindo uma embaixada. Decidiu então ir pessoalmente tentar convertê-lo, pois já era um ancião. Assim, viajou a Constantinopla com seu capelão e biógrafo Gerôncio a tempo de converter seu tio antes de sua morte, que aconteceu em seus braços, após o batismo. Diz-se que a vontade de Melania em converter seu tio ancião era tanta que, se fosse preciso, ela apelaria para o imperador Teodósio para intervir no assunto. Porém seu tio Volusiano disse a sua sobrinha: 
“Não deves forçar a boa e livre vontade que Deus te deu. Estou pronto e ansioso para limpar as inumeráveis manchas de minha alma. E faço isso não por mandato do imperador, pois se assim fosse, seria por obrigação e não por mérito e vontade.”  
Na véspera da Natividade de 439, Santa Melania estava em Belém, e depois da Missa da manhã, disse à Paula que sua morte estava próxima. No dia de Santo Estevão, assistiu a missa em sua basílica e, depois, estando já no convento, leu junto com suas irmãs o relato de seu martírio, no Novo Testamento. Ao terminar a leitura, todas se aproximaram de Melania para desejar-lhe felicidades, e ela respondeu: 
“O mesmo eu desejo para vós, porém, não escutareis outra vez mais de minha boca esta leitura”. 
Naquele mesmo dia, fez uma última visita a alguns monges e, já na volta, encontrava-se muito enfraquecida. Reuniu todas as irmãs e pediu que por ela orassem “porque já iria para o Senhor”. Falou brevemente que, “se alguma vez havia falado palavras severas, só o havia feito por amor” e concluiu dizendo: 
“Bem sabe Deus que não valho nada e não me atrevo a me comparar com uma boa mulher e nem com as que vivem sobre a terra. Porém, o inimigo, no juízo final, não poderá me acusar de nenhum dia ter-me deitado com rancor em meu coração". 
No domingo seguinte, bem cedo, quando o sacerdote celebrava a missa, com a voz entrecortada pelos soluços, Melania pediu que ele pronunciasse melhor as palavras rituais, pois ela não podia ouvir direito. Recebeu durante todo aquele dia muitas visitas, até que disse: “Agora, deixem-me descansar em paz”. Na hora nona, ao cair da tarde, repetindo as palavras de Jó, “como o Senhor quer, que assim seja”, morreu tranquilamente. Tinha então 56 anos de idade.


Oração Antes de Ler as Escrituras
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!

1 Timóteo 6:11-16 

Mas tu, ó homem de Deus, foge destas coisas, e segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a paciência, a mansidão. Milita a boa milícia da fé, toma posse da vida eterna, para a qual também foste chamado, tendo já feito boa confissão diante de muitas testemunhas. Mando-te diante de Deus, que todas as coisas vivifica, e de Cristo Jesus, que diante de Pôncio Pilatos deu o testemunho de boa confissão, que guardes este mandamento sem mácula e repreensão, até à aparição de nosso Senhor Jesus Cristo a qual a seu tempo mostrará o bem-aventurado, e único poderoso Senhor, Rei dos reis e Senhor dos senhores;
Aquele que tem, ele só, a imortalidade, e habita na luz inacessível; a quem nenhum dos homens viu nem pode ver, ao qual seja honra e poder sempiterno. Amém.

Mateus 12:15-21

Jesus, sabendo isso, retirou-se dali, e acompanharam-no grandes multidões, e ele curou a todas. E recomendava-lhes rigorosamente que o não descobrissem, para que se cumprisse o que fora dito pelo profeta Isaías, que diz: Eis aqui o meu servo, que escolhi,o meu amado, em quem a minha alma se compraz;porei sobre ele o meu espírito,e anunciará aos gentios o juízo. Não contenderá, nem clamará, nem alguém ouvirá pelas ruas a sua voz; não esmagará a cana quebrada, e não apagará o morrão que fumega,até que faça triunfar o juízo; e no seu nome os gentios esperarão.

† † †

domingo, 21 de junho de 2015

3º Domingo Depois de Pentecostes

3º DOMINGO DE SÃO MATEUS
21 de Junho de 2015 (CC) / 08 de Junho (CE)
Traslado das relíquias do Megalomártir Theodoro; 
Monja Melania, Marta de Calíope
Jejum dos Apóstolos (peixe, azeite e vinho permitidos)
Modo 2






O Santo Grande Mártir Teodoro Estratelates é comemorado em 8 de fevereiro e naquele dia sua vida é recontada. Entretanto, em 8 de junho se comemora o translado de suas relíquias de Heraklion para Euchaita. 
Antes de seu martírio, Santo Teodoro deixou as seguintes instruções em seu testamento para Varus seu servo: 
"Sepulte meu corpo em Euchaita na propriedade de meus ancestrais". 
Santo Anastásio do Sinai escreve a respeito do milagre do ícone de São Teodoro: 
Na cidade de Karsat próximo a Damasco, havia uma igreja dedicada a São Teodoro Estretelates. Quando os sarracenos conquistaram Damasco, um grupo de sarracenos tomou residência nesta igreja com suas esposas e filhos. Havia um afresco da imagem de São Teodoro na parede. Um dos sarracenos lançou uma flecha na imagem do santo na face. Imediatamente sangue fluiu da imagem. Logo depois daquilo o grupo inteiro de sarracenos pereceu na igreja. Santo Anastásio disse que ele esteve pessoalmente naquela igreja, viu a imagem do santo na parede e traços de sangue coagulado.  
Santa Melânia, a Anciã
A três vezes abençoada Melânia Divas, era espanhola de origem e romana por cidadania, visto que filha do Cônsul Marcelino. Melânia casou com Max Valério, o qual provavelmente fora prefeito de Roma, e com este teve um filho por nome Publícola, o qual, mais tarde se tornaria senador e casaria com Albina, uma jovem cristã, mas que era filha de um sacerdote pagão. Desta união nascera a neta de santa Melânia, que herdou também seu nome, e mais tarde se tornou uma grande santa, ficando conhecida como Melânia, a Jovem (comemorada em 31 de dezembro). 
Tendo já secretamente a vocação Divina para a vida monástica, Melânia não hesitou em deixar seu filho com os tutores e foi prontamente para Alexandria, acompanhada de cinquenta jovens donzelas consagradas a Deus. Depois de vender seus bens, Melânia foi viver montanha de Nítria, se dedicando a peregrinar pelos desertos, visitando os santos eremitas que neles viviam e os ajudando em suas necessidades. 
Uma turbulência política em Alexandria atingiu doze bispos e outros santos que lhes eram amigos de Melânia, os quais foram perseguidos e banidos da cidade, e ela lhes prestou solidariedade e socorro. 
Melânia fundou um mosteiro em Jerusalém onde – com seus próprios recursos - abrigava os santos perseguidos e vítimas de infortúnio. Não somete isto, mas também com seu dinheiro ajudava igrejas, mosteiros e prisioneiros em toda a parte, na Pérsia, em Roma e por várias partes do mundo conhecido. Seu exemplo, inspirou seu filho e outros parentes que eram nobres, a serem ricos em generosidade, os quais, com os seus bens, a ajudavam em seu socorro aos pobres.




MATINAS (III)

Marcos 16:9-20


9 Ora, havendo Jesus ressurgido cedo no primeiro dia da semana, apareceu primeiramente a Maria Madalena, da qual tinha expulsado sete demônios. 10 Foi ela anunciá-lo aos que haviam andado com ele, os quais estavam tristes e chorando; 11 e ouvindo eles que vivia, e que tinha sido visto por ela, não o creram. 12 Depois disso manifestou-se sob outra forma a dois deles que iam de caminho para o campo, 13 os quais foram anunciá-lo aos outros; mas nem a estes deram crédito. 14 Por último, então, apareceu aos onze, estando eles reclinados à mesa, e lançou-lhes em rosto a sua incredulidade e dureza de coração, por não haverem dado crédito aos que o tinham visto já ressurgido. 15 E disse-lhes: Ide por todo o mundo, e pregai o evangelho a toda criatura. 16 Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado. 17 E estes sinais acompanharão aos que crerem: em meu nome expulsarão demônios; falarão novas línguas; 18 pegarão em serpentes; e se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e porão as mãos sobre os enfermos, e estes serão curados. 19 Ora, o Senhor, depois de lhes ter falado, foi recebido no céu, e assentou-se à direita de Deus. 20 Eles, pois, saindo, pregaram por toda parte, cooperando com eles o Senhor, e confirmando a palavra com os sinais que os acompanhavam.


LITURGIA
  
Tropárion da Ressurreição
Ó vida Imortal, sofrendo a morte,/ esmagaste o Inferno com o fulgor de Tua Divindade./ E quando fizeste erguer os mortos das profundezas da terra,/ todos os Poderes Celestes Te aclamaram, dizendo:// “Glória a Ti, ó Cristo nosso Deus e Autor da Vida!”

Kondákion da Ressurreição
Tu ressuscitaste do túmulo, ó poderosíssimo Salvador,/e com esse poderoso sinal, o Inferno ficou chocado de medo,/e os mortos ressuscitaram./A criação também rejubila em Ti/ e Adão fica inexcedivelmente alegre// e o mundo, ó meu Salvador, canta louvações para Ti, para sempre.

Tropárion de Santa Melânia Modo 1 (Plagal)
Desprezando as riquezas que perecem e as honras mundanas,/ adquiriste a glória celeste por tua abnegação e fadigas,/ pois, sendo nobre, em tua humildade, te fizeste mais nobre ainda;/ edificaste uma santa casa em Jerusalém,/ onde as almas eram por ti guiadas para a salvação./ E agora, ó Mãe Melânia,// dá-nos como esmolas, as tuas ricas orações perante Deus.

Kontakion de Santa Melânia Modo 4

Usaste teus bens terrenos, ó sábia Melânia,/ para consolar e ajudar os pobres;/ e com a riqueza da tua alma,/ conduziste muitos da nobreza// a obter o gozo de ser pobre em espírito por causa de Jesus. 

Prokímenon

O Senhor É a minha força e o meu cântico,
porque Ele me salvou. (Sl. 117:14)

O Senhor, castigou-me muito, 
mas não me entregou à morte. (Sl. 117:18)

Romanos 5:1-10

1 Justificados, pois, pela fé, tenhamos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo, 2 por quem obtivemos também nosso acesso pela fé a esta graça, na qual estamos firmes, e gloriemo-nos na esperança da glória de Deus. 3 E não somente isso, mas também gloriemo-nos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a perseverança, 4 e a perseverança a experiência, e a experiência a esperança; 5 e a esperança não desaponta, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado. 6 Pois, quando ainda éramos fracos, Cristo morreu a seu tempo pelos ímpios. 7 Porque dificilmente haverá quem morra por um justo; pois poderá ser que pelo homem bondoso alguém ouse morrer. 8 Mas Deus dá prova do seu amor para conosco, em que, quando éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós. 9 Logo muito mais, sendo agora justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira. 10 Porque se nós, quando éramos inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida.

ALELUIA

Aleluia, aleluia, aleluia!

O Senhor Te ouça no dia da tribulação; 

Te proteja o Nome do Deus de Jacó!
Aleluia, aleluia, aleluia!

Salva, Senhor, o Teu povo 
e abençoa a Tua herança!
Aleluia, aleluia, aleluia!

Mateus 6:22-33

22 A candeia do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo teu corpo terá luz;  23 se, porém, os teus olhos forem maus, o teu corpo será tenebroso. Se, portanto, a luz que em ti há são trevas, quão grandes são tais trevas! 24 Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar a um e amar o outro, ou há de dedicar-se a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas. 25 Por isso vos digo: Não estejais ansiosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer, ou pelo que haveis de beber; nem, quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo mais do que o vestuário? 26 Olhai para as aves do céu, que não semeiam, nem ceifam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não valeis vós muito mais do que elas? 27 Ora, qual de vós, por mais ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado à sua estatura? 28 E pelo que haveis de vestir, por que andais ansiosos? Olhai para os lírios do campo, como crescem; não trabalham nem fiam; 29 contudo vos digo que nem mesmo Salomão em toda a sua glória se vestiu como um deles. 30 Pois, se Deus assim veste a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, quanto mais a vós, homens de pouca fé? 31 Portanto, não vos inquieteis, dizendo: Que havemos de comer? ou: Que havemos de beber? ou: Com que nos havemos de vestir? 32 (Pois a todas estas coisas os gentios procuram.) Porque vosso Pai celestial sabe que precisais de tudo isso. 33 Mas buscai primeiro o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.



COMENTÁRIOS


“Sobretudo Buscai O Reino De Deus E A Sua Justiça”

Ao ouvir estas palavras, que conclusões os discípulos tomarão e que decisões práticas adotarão? Certamente estas: abandonarão nas mãos de Deus a preocupação pelo alimento, e lembrar o que disse aquele santo varão: entrega a Deus teu cuidado, que ele te sustentará. Sim, ele dá abundantemente aos santos o necessário para a vida e certamente não mente ao dizer: Não estejais preocupados pela vida pensando o que vais comer, nem pelo corpo pensando com o que vais vestir... Vosso Pai já sabe que tendes necessidade de tudo isto. Sobretudo buscai o Reino de Deus e sua justiça; e tudo o mais vos será dado por acréscimo.

Era extremamente útil e inclusive necessário que aqueles que são investidos da dignidade apostólica tivessem uma alma livre da ambição de riquezas e nada desprezassem tanto como a acumulação de ofertas, contentando-se mais com o que Deus lhes proporciona, pois, como está escrito: a cobiça é a raiz de todos os males. Convinha, portanto, que a todo custo se mantivessem à margem e plenamente libertados daquele vício que é a raiz e mãe de todos os males, esgotando, por assim dizer, todo o seu empenho em ocupações realmente necessárias: em não cair sob o jugo de satanás. Desta forma, caminhando à margem das preocupações mundanas, subestimarão os apetites carnais e desejarão unicamente o que Deus quer.

E assim como os mais valentes soldados, saindo ao combate, não levam consigo mais que as armas necessárias para a guerra, assim também aqueles a quem Cristo enviava em ajuda da terra e a assumir a luta, a favor dos que estavam em perigo, contra os poderes que dominam este mundo de trevas; ainda mais, a lutar contra o próprio satanás em pessoa, convinha que estivessem libertados das fadigas deste mundo e de toda preocupação mundana de maneira que, bem cingidos, e com as armas espirituais nas mãos, pudessem lutar intrepidamente contra os que obstruem a glória de Cristo e semearam de ruínas a terra inteira; é um fato que induziram aos seus habitantes a adorar a criatura em vez do Criador e a oferecer culto aos elementos do mundo.

Tenham embraçado o escudo da fé, estejais revestidos da couraça da justiça e da espada do Espírito Santo, isto é, toda a Palavra de Deus. Com estes instrumentos, era inevitável que fossem intoleráveis para seus inimigos, sem levar entre seus apetrechos nada merecedor de mancha ou de culpa, ou seja, o afã de possuir, ajuntar lucros ilícitos e andar preocupados em guardá-los, todas estas coisas que afastam a alma humana de uma vida grata a Deus nem a permitem elevar-se a ele, mas antes lhe cortam as asas e a afundam em aspirações materiais e terrenas.


São Cirilo de Alexandria, Patriarca de Alexandria (séc. V)



“O Cristão Deve Confiar Na Providência Divina”

O Senhor divide seus conselhos em três categorias: os relativos à alma, os relativos ao corpo e, em terceiro lugar, os que se referem aos bens exteriores; e nos aconselha a buscarmos os bens exteriores por causa do corpo, e que governemos o corpo através da alma, e à alma ele dá este ensinamento de sua pedagogia: Não se preocupem pela sua alma (vida), pensando o que comerão, nem pelo corpo, com o que se vestirão. Porque a alma é mais importante que o alimento, e o corpo é mais importante que as vestes.

E ao ensinamento acrescenta este luminoso exemplo: considerem as aves, que nem semeiam nem ceifam, que não têm despensa nem celeiro, e Deus as sustenta. Vocês não valem mais do que as aves? Isto pelo que é pertinente a comida; porém, de forma análoga, a propósito do vestuário – que se classifica na terceira categoria, a dos bens exteriores –, faz esta recomendação: Considerem os lírios, como não tecem nem fiam, e eu lhes digo que nem Salomão em toda a sua glória se vestiu como um deles. Porque o Rei Salomão se vangloriava muito de suas riquezas.

O que há de mais gracioso e bonito que as flores? O que há de mais agradável que os lírios ou as rosas? E se Deus veste assim a erva que hoje está no campo e amanhã se joga ao fogo, quanto mais vocês, homens de pouca fé! Portanto, não andem preocupados com o que havereis de comer ou com o que haveis de beber.

Ele suprimiu todo luxo na comida, mediante a partícula “o que”, porque isso é o que vem a significar esta passagem da Escritura: Não vos preocupeis com o que havereis de comer ou com o que haveis de beber. Preocupar-se por estas bagatelas denota avidez e sensualidade; porém, simplesmente “comer”, responde a uma necessidade ou, como dissemos, a satisfação de uma necessidade. Por outro lado, o “o que” denuncia o supérfluo, e a Escritura afirma claramente que o supérfluo provém do diabo.

E a expressão que acrescenta a isto aclara a compreensão: não andem preocupados com o que havereis de comer ou com o que haveis de beber; e prossegue: Não estejam inquietos. Aquilo que inquieta e afasta da verdade é a ostentação e a sensualidade, visto que o prazer sensível, preocupado pelo supérfluo, nos separa da verdade.

Por isso disse muito bem o Senhor: Porque os pagãos é que procuram todas estas coisas. Os pagãos são os indisciplinados e os insensatos. Mas o que quer dizer com “todas estas coisas”? A sensualidade, o prazer, os condimentos de requinte, a glutonaria e a gula. Eis aqui “o que” (comerão).

No que diz respeito à necessidade da comida comum, sólida e líquida, diz: O vosso Pai sabe o que necessitam. Em uma palavra, o desejo de buscar é algo conatural em nós, não esbanjemos esse espírito de busca na sensualidade; o orientemos para a busca da verdade. Buscai, disse ele, o Reino de Deus, e o alimento vos será dado por acréscimo.


São Clemente de Alexandria (séc. III)




“Não Podeis Servir a Deus e Ao Dinheiro”

Ninguém pode servir a dois Senhores: pois, ou odiará um e amará o outro, ou será fiel a um e desprezará o outro... Considera que grande proveito nos declara novamente esta passagem; e como ao mesmo tempo afasta o que é prejudicial e prepara o que é conveniente para a salvação. Pois diz que as riquezas vos prejudicam não só porque fornecem aos ladrões armas contra vós, nem só porque cobrem de trevas as vossas mentes, mas também porque vos afastam do serviço de Deus e vos precipitam nas mãos do dinheiro, seres inanimados e que com dois fios vos ferem; que tornam escravos aqueles que deveriam mandar; e que vos separam do serviço de Deus a quem de forma incondicional deveis servir.

Da mesma maneira que anteriormente demonstrou haver um duplo prejuízo, como que as riquezas se acumulem onde a traça a corrói e que não se depositem no local onde é seguro o depósito; assim também nesta passagem declara um duplo prejuízo: que afastam do serviço de Deus e que escravizam ao dinheiro. Contudo, ele não declara isso imediatamente, porque o vai preparando mediante considerações do dia a dia, dizendo: Ninguém pode servir a dois senhores. Refere-se a dois senhores que ordenam coisas opostas, pois se isto não acontecesse já não seriam dois. Por isso diz a Escritura: A multidão dos que tinham crido eram um só coração e uma só alma, pois embora estivessem divididos em muitos corpos, contudo, a concórdia os tornava um só.

Insistindo, em seguida, diz não só que o apego às riquezas não lhe será de proveito, mas que o odiará e desprezará. Porque, ou odiará a um e amará o outro, ou será fiel a um e desprezará o outro. Parece que disse duas vezes a mesma coisa, mas não procedeu dessa maneira sem motivo, mas para demonstrar desta forma que a mudança para melhor é fácil. Para que não te desculpes alegando que já te encontras escravo das riquezas e oprimido por sua tirania, te demonstra que podes passar para o lado oposto; e assim como o podes fazer daqui para lá, também o pode de lá para cá.

Disse isto de forma genérica para persuadir ao ouvinte a que se constituísse juiz imparcial daquilo que lhe dizia, e assim desse a sua sentença considerando a própria natureza das coisas; tão logo o viu dar o parecer afirmativo, finalmente se referiu a si mesmo e disse: Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro. Fiquemos horrorizados de ver que coisas obrigamos Cristo a dizer, até fazê-lo comparar e colocar frente a frente Deus e o ouro. Mas se isto é terrível, muito mais terrível é que nós realmente o façamos, e prefiramos a tirania do ouro ao temor de Deus.


São João Crisóstomo, Patriarca de Constantinopla (séc. V)