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sábado, 25 de julho de 2026

8º Sábado Depois de Pentecostes

25 de Julho de 2026 (CC) / 12 de Julho (CE)
Santos Mártires Proclus e Hilário; Verônica, da Santa Face;
Santo Ícone da Mãe de Deus de Três Mãos
Tom 6


Os santos mártires Proclus e Hilário nasceram em Kallippi na Ásia, e Proclus era o tio de Hilário. Eles foram martirizados durante o reinado de Trajano.

"Qual é a sua linhagem?" o juiz perguntou a Proclus. Proclus respondeu:

"Minha linhagem é Cristo e minha esperança é meu Deus."

Quando o juiz o ameaçou com torturas, Proclus disse:

"Se tu tens medo de transgredir as ordens do imperador para não cair em sofrimentos temporais, quanto mais nós, que somos cristãos, temeremos transgredir o mandamento de Deus para que não padeçamos sofrimentos eternos! "

Enquanto Proclus era torturado, Hilário veio perante o juiz e disse:

"Eu também sou um cristão"

Depois de padecerem muitos sofrimentos, esses dois santos foram condenados à morte: Proclus foi crucificado e Hilário decapitado. Ambos entraram no gozo do seu Senhor. 
O Santo Ícone da Mãe de Deus Chamado de "Virgem de Três Mãos". 
“Eu não venero a matéria, mas o criador da matéria, que se fez matéria por mim e se dignou habitar na matéria e realizar minha salvação através da matéria”. (São João Damasceno) 
A bela cidade de Damasco (Síria) pelo ano de 675 tornou-se o berço natalício de um de seus mais ilustres filhos, o qual levaria o seu nome a todos os continentes: João Damasceno (de Damasco).  
Seu nome de batismo era João Mansur. Seus pais eram árabes-cristãos, e gozavam de muito prestigio na cidade, alem de uma confortável situação financeira. O pai de João era muito estimado entre os Sarracenos, que naquela época eram senhores do país, e tal estima se estendia também ao filho. 
Por muito tempo pai e filho serviram como ecônomos do califa de Damasco e por ocuparem cargos tão importantes desfrutavam de inúmeros privilégios. Nessa época Damasco já estava dominada pelos árabes-mulçumanos, e que acabavam de conquistar também a Palestina. Nessa época, o convívio entre as duas religiões era pacifico.  
João Mansur, jovem e brilhante, com sua inteligência e lealdade tornou-se o conselheiro e amigo do califa. Com o passar do tempo o coração de João Mansur inquietou-se e o nosso jovem trocou o alto posto em Damasco pela vida monástica da comunidade religiosa de São Sabas, na Palestina. Foi ordenado sacerdote e desde então se dedicou a penitência e aos estudos das sagradas escrituras, no recolhimento e no silêncio. As únicas vezes que saia do mosteiro, era para pregar na Igreja do Santo Sepulcro. Suas homilias, sempre repassadas em defesa da fé e da doutrina, eram depois distribuídas para outras dioceses. 
Tornou-se muito respeitado entre o clero e o povo, e foi a convite do bispo de Jerusalém, João V que ele participou do Concilio Ecumênico de Nicéia. Foi durante o concilio, um defensor da posição da Igreja contra os hereges iconoclastas. Escritor incansável, reconhecido por sua humildade e simplicidade, tornava-se um leão em defender a verdade, suas obras mais importantes são: “A Fonte da Ciência”, “A Fé Ortodoxa”, “Sacra Paralela”, e “Orações sobre as Imagens Sagradas”, onde defende o culto das imagens nas Igrejas, contra o conceito dos iconoclásticas.  
Foi por causa deste último livro que João Damasceno foi perseguido e preso pelos hereges. Seus inimigos conseguiram lançar dúvidas no coração do Califa a respeito da lealdade de João para com ele.  
O Califa de Damasco cheio de ódio, por achar-se traído, ordena que a mão de João Damasceno seja decepada e exposta ao público. Impedido de escrever, João Damasceno, em lagrimas e súplicas, implora a intercessão da Virgem Maria para que tenha sua mão restituída e assim continuar defendendo a Sã Doutrina, através de seus escritos. 
João Damasceno adormece e no seu sono profundo é acordado por uma voz feminina a dizer-lhe:  
“Meu filho tua mão está curada, faze dela o uso conforme prometestes”.  
Quando olhou, encheu-se de espanto e entre hinos e louvores exaltava a misericórdia de Deus e a bondade da Ssma. Virgem Mãe de Deus.

Em reconhecimento e gratidão à Virgem Maria, João Damasceno comprou prata, com a qual mandou esculpir a mão em posição de súplica e agradecimento. Colocou-a na parte inferior de um ícone da Virgem Mãe, que passou a ser chamada de a "Virgem das Três Mãos". É a padroeira dos injustamente acusados e condenados e é uma devoção conhecia na Estônia.  
Tão logo o Califa soube do acontecido, reconhecendo a intervenção divina na defesa de João Damasceno, pediu-lhe perdão e a paz voltou a reinar.Veronica justa

Santa Verônica
A Justa Verônica era, segundo a tradição, aquela mulher com fluxo de sangue, que recebeu cura ao tocar na orla da veste de Cristo (Mt. 9: 20-22). 
Verônica deu ao Senhor um véu, com o qual o Senhor enxugou o rosto, por ocasião da crucificação. No véu ficou impressa a Imagem o Rosto do Senhor, por isto em seu ícone, ela aparece segurando um tecido no qual está a Face do Senhor. 
A palavra «verônica» significa «verdadeira imagem» («vero» = verdadeira; «ícone» = imagem).

 Tropária e Kondákia Para o Sábado 

Aos Mortos
Tropárion, Tom 2: Lembra-Te, ó Senhor misericordioso dos Teus servos; / e perdoa-lhes todos os pecados que cometeram em vida, / pois ninguém é sem pecado, senão Tu, / que podes dar descanso // até mesmo aos que já partiram.
Kondákion, Tom 8: Com os santos, concede descanso, ó Cristo, / às almas dos Teus servos, / onde não há dor, nem tristeza, nem suspiros, // mas vida eterna. 

Oração Antes de Ler as Escrituras
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém! 

Romanos 13:1-19

Fragmento 111 - Irmãos, toda alma esteja sujeita às autoridades superiores; porque não há autoridade que não venha de Deus; e as que existem foram ordenadas por Deus. Por isso quem resiste à autoridade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos a condenação. Porque os magistrados não são motivo de temor para os que fazem o bem, mas para os que fazem o mal. Queres tu, pois, não temer a autoridade? Faze o bem, e terás louvor dela; porquanto ela é ministro de Deus para teu bem. Mas, se fizeres o mal, teme, pois não é em vão que traz a espada; porque é ministro de Deus, e vingador em ira contra aquele que pratica o mal. Pelo que é necessário que lhe estejais sujeitos, não somente por causa da ira, mas também por causa da consciência. Por esta razão também pagais tributo; porque são ministros de Deus, para atenderem a isso mesmo. Dai a cada um o que lhe é devido: A quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem temor, temor; a quem honra, honra. A ninguém devais coisa alguma, senão o amor recíproco; pois quem ama ao próximo tem cumprido a Lei. Com efeito: 

“Não adulterarás; não matarás; não furtarás; não cobiçarás”;

e se há algum outro mandamento, tudo nesta palavra se resume:

“Amarás ao teu próximo como a ti mesmo”.

O amor não faz mal ao próximo. De modo que o amor é o cumprimento da Lei.

Mateus 12:30-37

Fragmento 47 - O Senhor disse: “Quem não é Comigo é contra Mim; e quem comigo não ajunta, espalha. Portanto vos digo: Todo pecado e blasfêmia se perdoará aos homens; mas a blasfêmia contra o Espírito não será perdoada. Se alguém disser alguma palavra contra o Filho do Homem, isso lhe será perdoado; mas se alguém falar contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado, nem neste mundo, nem no vindouro. Ou fazei a árvore boa, e o seu fruto bom; ou fazei a árvore má, e o seu fruto mau; porque pelo fruto se conhece a árvore. Raça de víboras! como podeis vós falar coisas boas, sendo maus? Pois do que há em abundância no coração, disso fala a boca. O homem bom, do seu bom tesouro tira coisas boas, e o homem mau do mau tesouro tira coisas más. Digo-vos, pois, que de toda palavra fútil que os homens disserem, hão de dar conta no dia do juízo. Porque pelas tuas palavras serás justificado, e pelas tuas palavras serás condenado”.

† † †

sexta-feira, 25 de julho de 2025

7ª Sexta-feira Depois de Pentecostes

25 de Julho de 2025 (CC) / 12 de Julho (CE)
Santos Mártires Proclus e Hilário; Verônica, da Santa Face;
Santo Ícone da Mãe de Deus de Três Mãos
Jejum (Azeite é Permitido)
Tom 5


Os santos mártires Proclus e Hilário nasceram em Kallippi na Ásia, e Proclus era o tio de Hilário. Eles foram martirizados durante o reinado de Trajano.

"Qual é a sua linhagem?" o juiz perguntou a Proclus. Proclus respondeu:

"Minha linhagem é Cristo e minha esperança é meu Deus."

Quando o juiz o ameaçou com torturas, Proclus disse:

"Se tu tens medo de transgredir as ordens do imperador para não cair em sofrimentos temporais, quanto mais nós, que somos cristãos, temeremos transgredir o mandamento de Deus para que não padeçamos sofrimentos eternos! "

Enquanto Proclus era torturado, Hilário veio perante o juiz e disse:

"Eu também sou um cristão"

Depois de padecerem muitos sofrimentos, esses dois santos foram condenados à morte: Proclus foi crucificado e Hilário decapitado. Ambos entraram no gozo do seu Senhor. 
O Santo Ícone da Mãe de Deus Chamado de "Virgem de Três Mãos". 
“Eu não venero a matéria, mas o criador da matéria, que se fez matéria por mim e se dignou habitar na matéria e realizar minha salvação através da matéria”. (São João Damasceno) 
A bela cidade de Damasco (Síria) pelo ano de 675 tornou-se o berço natalício de um de seus mais ilustres filhos, o qual levaria o seu nome a todos os continentes: João Damasceno (de Damasco).  
Seu nome de batismo era João Mansur. Seus pais eram árabes-cristãos, e gozavam de muito prestigio na cidade, alem de uma confortável situação financeira. O pai de João era muito estimado entre os Sarracenos, que naquela época eram senhores do país, e tal estima se estendia também ao filho. 
Por muito tempo pai e filho serviram como ecônomos do califa de Damasco e por ocuparem cargos tão importantes desfrutavam de inúmeros privilégios. Nessa época Damasco já estava dominada pelos árabes-mulçumanos, e que acabavam de conquistar também a Palestina. Nessa época, o convívio entre as duas religiões era pacifico.  
João Mansur, jovem e brilhante, com sua inteligência e lealdade tornou-se o conselheiro e amigo do califa. Com o passar do tempo o coração de João Mansur inquietou-se e o nosso jovem trocou o alto posto em Damasco pela vida monástica da comunidade religiosa de São Sabas, na Palestina. Foi ordenado sacerdote e desde então se dedicou a penitência e aos estudos das sagradas escrituras, no recolhimento e no silêncio. As únicas vezes que saia do mosteiro, era para pregar na Igreja do Santo Sepulcro. Suas homilias, sempre repassadas em defesa da fé e da doutrina, eram depois distribuídas para outras dioceses. 
Tornou-se muito respeitado entre o clero e o povo, e foi a convite do bispo de Jerusalém, João V que ele participou do Concilio Ecumênico de Nicéia. Foi durante o concilio, um defensor da posição da Igreja contra os hereges iconoclastas. Escritor incansável, reconhecido por sua humildade e simplicidade, tornava-se um leão em defender a verdade, suas obras mais importantes são: “A Fonte da Ciência”, “A Fé Ortodoxa”, “Sacra Paralela”, e “Orações sobre as Imagens Sagradas”, onde defende o culto das imagens nas Igrejas, contra o conceito dos iconoclásticas.  
Foi por causa deste último livro que João Damasceno foi perseguido e preso pelos hereges. Seus inimigos conseguiram lançar dúvidas no coração do Califa a respeito da lealdade de João para com ele.  
O Califa de Damasco cheio de ódio, por achar-se traído, ordena que a mão de João Damasceno seja decepada e exposta ao público. Impedido de escrever, João Damasceno, em lagrimas e súplicas, implora a intercessão da Virgem Maria para que tenha sua mão restituída e assim continuar defendendo a Sã Doutrina, através de seus escritos. 
João Damasceno adormece e no seu sono profundo é acordado por uma voz feminina a dizer-lhe:  
“Meu filho tua mão está curada, faze dela o uso conforme prometestes”.  
Quando olhou, encheu-se de espanto e entre hinos e louvores exaltava a misericórdia de Deus e a bondade da Ssma. Virgem Mãe de Deus.

Em reconhecimento e gratidão à Virgem Maria, João Damasceno comprou prata, com a qual mandou esculpir a mão em posição de súplica e agradecimento. Colocou-a na parte inferior de um ícone da Virgem Mãe, que passou a ser chamada de a "Virgem das Três Mãos". É a padroeira dos injustamente acusados e condenados e é uma devoção conhecia na Estônia.  
Tão logo o Califa soube do acontecido, reconhecendo a intervenção divina na defesa de João Damasceno, pediu-lhe perdão e a paz voltou a reinar.Veronica justa

Santa Verônica
A Justa Verônica era, segundo a tradição, aquela mulher com fluxo de sangue, que recebeu cura ao tocar na orla da veste de Cristo (Mt. 9: 20-22). 
Verônica deu ao Senhor um véu, com o qual o Senhor enxugou o rosto, por ocasião da crucificação. No véu ficou impressa a Imagem o Rosto do Senhor, por isto em seu ícone, ela aparece segurando um tecido no qual está a Face do Senhor. 
A palavra «verônica» significa «verdadeira imagem» («vero» = verdadeira; «ícone» = imagem).

Oração Antes de Ler as Escrituras
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém! 

1 Coríntios 7:35-8:7

Fragmento 139 - Irmãos, isto digo para proveito vosso; não para vos enlaçar, mas para o que é decente e conveniente, para vos unirdes ao Senhor sem distração alguma. Mas, se alguém julga que trata indignamente a sua virgem, se tiver passado a flor da idade, e se for necessário, que faça o tal o que quiser; não peca; casem-se. Todavia o que está firme em seu coração, não tendo necessidade, mas com poder sobre a sua própria vontade, se resolveu no seu coração guardar a sua virgem, faz bem. De sorte que, o que a dá em casamento faz bem; mas o que não a dá em casamento faz melhor. A mulher casada está ligada pela lei todo o tempo que o seu marido vive; mas, se falecer o seu marido fica livre para se casar com quem quiser, contanto que seja no Senhor. Será, porém, mais bem-aventurada se ficar assim, segundo o meu parecer, e cuido que eu também tenho o Espírito de Deus. Ora, no tocante às coisas sacrificadas aos ídolos, sabemos que todos temos ciência. A ciência incha, mas o amor edifica. E, se alguém cuida saber alguma coisa, ainda não sabe como convém saber. Mas, se alguém ama a Deus, esse é conhecido d’Ele. Assim que, quanto ao comer das coisas sacrificadas aos ídolos, sabemos que o ídolo nada é no mundo, e que não há outro Deus, senão um só. Porque, ainda que haja também alguns que se chamem deuses, quer no céu quer na terra (como há muitos deuses e muitos senhores), todavia para nós há um só Deus, o Pai, de Quem é tudo e para Quem nós vivemos; e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo Qual são todas as coisas, e nós por Ele. Mas nem em todos há conhecimento; porque alguns até agora comem, com consciência do ídolo, coisas sacrificadas ao ídolo; e a sua consciência, sendo fraca, fica contaminada.

Mateus 15:29-31

Fragmento 63 - Naquela época, Jesus veio ao mar da Galileia e, subindo a um monte, assentou-Se lá. E veio ter com Ele grandes multidões, que traziam coxos, cegos, mudos, aleijados, e outros muitos, e os puseram aos pés de Jesus, e Ele os sarou, de tal sorte, que a multidão se maravilhou vendo os mudos a falar, os aleijados sãos, os coxos a andar, e os cegos a ver; e glorificava o Deus de Israel.

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terça-feira, 17 de dezembro de 2024

26ª Terça-feira Depois de Pentecostes


17 de Dezembro de 2024 (CC) / 04 de Dezembro (CE)
São João Damasceno, mon. († 749);
Santas Megalomártires Bárbara e Juliana;
Santo Ícone da Mãe de Deus de Três Mãos
Jejum da Natividade (Peixe é permitido)
Tom 8


Depois que a grande cidade de Damasco, metrópole da Síria caiu sob os muçulmanos no ano 635, os cristãos foram submetidos a muitas desvantagens em ralação aos demais cidadãos, obrigados a pagar tributos aos seus dominadores árabes. Na época do Califa Abdul-Malek (685-705), todos os assuntos relacionados aos cristãos eram de responsabilidade de Sérgio Mansur, homem de confiança do Califa, e que vinha de uma das importantes famílias cristãs da cidade. Por volta do ano 675, nasceu um homem temente a Deus e de muita sinceridade, nosso Santo Pai João, «a Arpa do Espírito Santo». Desde sua infância foi educado num ambiente onde predominavam as virtudes da caridade, do amor ao próximo, do socorro aos mais necessitados, sobretudo na pessoa de seu pai que investiu sua riqueza no resgate e libertação dos prisioneiros cristãos. João cresceu em idade e sabedoria, ao lado de seu irmão Cosme (cf. 14 oct) que, tendo perdido seus pais, foi recebido em adoção por Sérgio. A educação dos meninos foi então confiada ao monge Cosme, um erudito italiano resgatado dos árabes por Sérgio. Cosme os instruiu na filosofia em todas as ciências de seu tempo. Viva inteligência e modéstia nas atitudes lhes propiciou um rápido progresso nos estudos, especialmente nas artes, poesia e música. Assim, ao final de alguns anos, o mestre reconheceu que já não mais o que ensinar aos seus alunos, obtendo assim a permissão de Sérgio para retirar-se à Lavra de São Savas, onde desejava viver o resto de seus dias. 
Tendo adquirido um perfeito conhecimento do árabe e do grego, João juntou-se ao seu pai adotivo na administração, mostrando sua grande capacidade nestas tarefas, o que lhe garantiu que, após a morte de Sérgio, fosse nomeado como seu sucessor pelo Califa Walid (705-715). 
Comemoração de São João Damasceno 
Tropárion de São João de Damasco, no 8º Tom; Ó campeão da Ortodoxia, mestre da pureza e da adoração verdadeira, / o iluminador do universo e o adorno dos hierarcas. / Ó, sábio Padre João, teus ensinamentos resplandeceram sobre todas as coisas; // interceda a Cristo Deus que salve as nossas almas! 
Kondákion de São João Damasceno, no 4º Tom; Cantemos louvores a João, digno de grande honra, / o Autor de hinos, estrela e mestre da Igreja, / o defensor de suas doutrinas: / Pelo poder da Cruz do Senhor venceu o erro herético, // e como um fervoroso intercessor diante de Deus, roga pela concessão dos pecados a todos!
Mãe de Deus de Três Mãos 
Quando Leão III, o Saurio (717-741) começou a perseguir a Igreja Cristã no Império Romano, atacando a piedosa devoção aos santos ícones, São João lançou uma defesa vigorosa da fé através de suas muitas cartas que escreveu em Damasco aos seus correspondentes no império, estabelecendo as bases teológicas da veneração dos santos ícones com base nas Sagradas Escrituras e nos escritos dos Santos Padres. Assim fazendo, João atraiu sobre si o ódio de Leão que tentou livrar-se dele por meio de uma falsa carta não João, aparentemente, sugeria ao imperador que tomasse Damasco. Tal carta foi apresentada ao Califa que, furioso por seu conteúdo, ordenou a seu conselheiro que João tivesse sua mão direita decepada.

Na tarde deste mesmo dia João depositou sua mão decepada diante do ícone da Mãe de Deus e, em lágrimas, por várias horas suplicou à soberana do mundo que pudesse ter de volta a sua mão. Caindo em ligeiro sono, viu que o ícone ganhava vida, e que a Virgem o consolava. Ao despertar, ficou perplexo e maravilhado ao ver sua mão direita restaurada. Desde aquele momento, fez votos de dedicar-se inteiramente ao louvor à Virgem Mãe de Deus e ao nosso Salvador, e à defesa da Santa Fé Ortodoxa. Renunciou sua posição na administração, distribuiu sua fortuna e partiu para Jerusalém com Cosme para tornar-se monge na Lavra São Savas. O abade colocou João sob a orientação de um ancião experimentado nas virtudes e muito austero, que lhe proibiu logo o contato com tudo o que estivesse relacionado com a filosofia, ciências, poesia, música ou leituras, dedicando-se a ele mesmo e sem queixar-se das tarefas domésticas, a fim de desenvolver as virtudes da obediência e humildade.  Certo dia, no entanto, apesar da proibição de seu pai espiritual, João ficou comovido pelas súplicas de alguém que havia perdido seu pai espiritual, compondo para seu consolo um hino que é usado até os nossos dias. Quando seu pai espiritual soube deste seu ato de desobediência, pediu a João que recolhesse com as mãos todo o lixo do monastério, o que João, sem dizer uma palavra, tratou de fazê-lo. Dias depois, a Mãe de Deus apareceu ao ancião e lhe pediu que, dali em diante, deixasse seu discípulo compor hinos e poemas que podiam mesmo superar os salmos de Davi e as Odes dos santos Profetas, dada a sua beleza e doçura. 
Comemoração de Santa Bárbara e Santa Juliana 
Bárbara viveu e sofreu durante o reinado do imperador Maximiano (305-311). Seu pai, o pagão Dioskoros, era um homem rico e ilustre na cidade de Heliópolis Fenícia; cedo deixou um viúvo, ele concentrou toda a sua atenção na devoção terna a sua única filha. Vendo a extraordinária beleza de Barbara, Dioskoros decidiu criá-la escondida dos olhos de estranhos. Para isso ele construiu uma torre, onde além de Barbara, havia presentes apenas seus professores pagãos. A partir das alturas da torre abriu-se uma vista do mundo de colinas de Deus que se estende até a distância. De dia, ela era capaz de olhar para as colinas arborizadas, os rios fluindo rapidamente, e nos prados cobertos com um cobertor gayly mottled de flores; pela noite a abóbada harmoniosa e majestosa dos céus cintilou e forneceu um espetáculo de beleza inexprimível. Logo a donzela começou a fazer perguntas sobre a causa primordial e criador de um mundo tão harmonioso e esplêndido. Pouco a pouco, ela se convenceu da ideia de que os ídolos sem alma eram apenas obra de mãos humanas, e apesar de seu pai e professores lhes oferecerem adoração, os ídolos não eram suficientemente inteligentes e Augustus o suficiente para ter feito o mundo circundante. O desejo de conhecer o verdadeiro Deus consumiu tanto a alma de Barbara, que decidiu dedicar toda a sua vida a isto e passar a sua vida na virgindade. 
Mas a fama da sua beleza espalhou-se por toda a cidade, e muitos procuraram a sua mão em casamento. Mas, apesar das enternecedoras súplicas do pai, ela recusou. Barbara advertiu seu pai, que sua persistência poderia acabar tragicamente e separá-los para sempre. Dioskoros decidiu que o temperamento de sua filha havia sido afetado por sua vida de reclusão. Ele, portanto, permitiu que ela deixasse a torre e deu-lhe plena liberdade em sua escolha de amigos e conhecidos. A donzela, assim, encontrou na cidade jovem e confessores da fé em Cristo, e revelaram aos seus ensinamentos sobre o Criador do mundo, sobre a Trindade e sobre o Divino Logos. Através da Providência de Deus, depois de um certo tempo chegou em Heliópolis de Alexandria um sacerdote no Guia de um comerciante. Ele realizou o sacramento do batismo sobre Barbara. 
Durante este período, na casa de Dioskoros, um luxuriante banho estava sendo construído. Por suas ordens, os trabalhadores prepararam - se para colocar nele duas janelas no lado sul. Mas Barbara, aproveitando-se da ausência de seu pai, pediu-lhes para fazer uma terceira janela, na forma de uma trindade da luz. Sobre a entrada da casa de banho, Barbara padronizou uma cruz, que foi duravelmente colocado em pedra. Sobre os degraus de pedra de banho-casa de lá, mais tarde, manteve-se a marca de seus pés, enquanto dentro da água-primavera tinha secado, aparecendo mais tarde, com grande poder de cura, – todos os que Simeão Metaphrastes em escrever sobre os sofrimentos do santo martyress, compara com a vida-criação de potência do fluxo da Jordânia e da Piscina de Siloé. Quando Dioskoros devolvidos e manifestado insatisfação sobre a mudança de seu plano de construção, sua filha lhe contou sobre seu conhecimento do Deus Triúno, sobre o poder da salvação do Filho de Deus, e sobre a futilidade de adorar ídolos. Dioskoros ficou furioso, agarrou numa espada e estava prestes a atingi-la. A donzela fugiu de seu pai, e ele correu atrás dela em perseguição. Seu caminho ficou bloqueado por uma colina, que abriu e escondeu o Santo em uma fenda. Do outro lado da fenda havia uma entrada para cima. Santa Bárbara conseguiu então esconder-se numa caverna na encosta oposta da colina. Depois de uma longa e infrutífera Busca por sua filha, Dioskoros viu dois pastores na colina. Um deles apontou-lhe a caverna, onde o santo se tinha escondido. Dioskoros bateu terrivelmente na filha, e depois trancou - a sob vigilância e tentou cansá-la com fome. Finalmente, ele a entregou ao governador da cidade, chamado Martiano. Eles espancaram Santa Bárbara ferozmente: eles golpearam-na com tangas de boi, e enterraram suas feridas com uma camisa de cabelo. À noite, a Santa donzela orava fervorosamente ao seu noivo Celestial, e o próprio Salvador apareceu e curou as suas feridas. Depois submeteram o Santo a novos e ainda mais cruéis tormentos. 
No meio da multidão que estava perto do lugar da tortura da martira estava a Juliana cristã, uma habitante de Heliópolis. Seu coração estava cheio de simpatia pelo martírio voluntário da bela e ilustre donzela. Juliânia também queria sofrer Por Cristo. Ela começou a denunciar os torturadores, e Eles apoderaram-se dela. Por um longo tempo torturaram ambas as Mártires sagradas: laceraram e rasgaram seus corpos com ganchos e, em seguida, levaram-nas despidas pela cidade em meio a escárnio e troça. Através das orações de Santa Bárbara, o Senhor enviou um anjo, que cobria a bareness das Santos martirizes com esplêndida vestimenta. Os firmes confessores da fé em Cristo, Os santos Bárbara e Juliana, foram então decapitados. O próprio Dioskoros executou Santa Bárbara. A ira de Deus não tardou a punir ambos os torturadores, Martiano e Dioskoros: eles foram atingidos por relâmpagos. 
No século VI, As Relíquias da Santa Bisavó Bárbara foram transferidas para Constantinopla. No século XII, a filha do imperador bizantino Aléxis Comnenes, a princesa Bárbara, tendo entrado em casamento com o príncipe russo Mikhail Izyaslavich, transferiu-os para Kiev. Eles descansam mesmo agora na Catedral de Kiev Vladimir.
Comemoração de Santa Bárbara
Tropárion da Grande Mártir Bárbara, no 8º Tom; Honremos a santa Mártir Bárbara, / pois, tal qual um pássaro, escapou das armadilhas do Inimigo, // e as destruiu com a ajuda e proteção da Cruz!

Kontakion da Grande Mártir Bárbara, no 4º Tom; Cantando louvores à Trindade, / seguiste a Deus suportando o sofrimento; / renunciaste à multidão dos ídolos, / Ó santa mártir Bárbara. / Em tuas lutas, não te intimidaste com as ameaças dos teus algozes, / mas bradaste em voz alta: // “Eu adoro a Trindade em Uma Só Divindade.” 
Oração Antes de Ler as Escrituras 
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!
1 Timóteo 1:8-14

Fragmento 279 - Meu filho Timóteo, sabemos, porém, que a Lei é boa, se alguém dela usa legitimamente; sabendo isto, que a Lei não é feita para o justo, mas para os injustos e obstinados, para os ímpios e pecadores, para os profanos e irreligiosos, para os parricidas e matricidas, para os homicidas, para os devassos, para os sodomitas, para os roubadores de homens, para os mentirosos, para os perjuros, e para o que for contrário à sã doutrina, conforme o Evangelho da glória de Deus bem-aventurado, que me foi confiado. E dou graças Ao que me tem confortado, a Cristo Jesus Senhor nosso, porque me teve por fiel, pondo-me no ministério; a mim, que dantes fui blasfemo, e perseguidor, e injurioso; mas alcancei misericórdia, porque o fiz ignorantemente, na incredulidade. E a graça de nosso Senhor superabundou com a fé e amor que há em Jesus Cristo.

Lucas 21:12-19 

Fragmento 106 - O Senhor disse aos Seus discípulos: “Mas antes de todas essas coisas, eles lançarão mão de vós e vos perseguirão, entregando-vos às sinagogas e às prisões. Sereis levados à presença de reis e governadores por causa do Meu Nome. Mas isso vos será uma ocasião para testemunho. Portanto, ponde em vossos corações não meditar de antemão sobre o que ireis responder; porque Eu vos darei uma boca e sabedoria que todos os vossos adversários não serão capazes de contradizer ou resistir. Sereis traídos até por vossos pais e irmãos, parentes e amigos; e eles entregarão alguns de vós à morte. E sereis odiados por todos por causa do Meu Nome. Mas nem um fio de cabelo da vossa cabeça perecerá. É pela vossa paciência que possuireis as vossas almas.

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quinta-feira, 25 de julho de 2024

5ª Quinta-feira Depois de Pentecostes

25 de Julho de 2024 (CC) / 12 de Julho (CE)
Santos Mártires Proclus e Hilário; Verônica, da Santa Face;
Santo Ícone da Mãe de Deus de Três Mãos
Tom 3


Os santos mártires Proclus e Hilário nasceram em Kallippi na Ásia, e Proclus era o tio de Hilário. Eles foram martirizados durante o reinado de Trajano.

"Qual é a sua linhagem?" o juiz perguntou a Proclus. Proclus respondeu:

"Minha linhagem é Cristo e minha esperança é meu Deus."

Quando o juiz o ameaçou com torturas, Proclus disse:

"Se tu tens medo de transgredir as ordens do imperador para não cair em sofrimentos temporais, quanto mais nós, que somos cristãos, temeremos transgredir o mandamento de Deus para que não padeçamos sofrimentos eternos! "

Enquanto Proclus era torturado, Hilário veio perante o juiz e disse:

"Eu também sou um cristão"

Depois de padecerem muitos sofrimentos, esses dois santos foram condenados à morte: Proclus foi crucificado e Hilário decapitado. Ambos entraram no gozo do seu Senhor. 
O Santo Ícone da Mãe de Deus Chamado de "Virgem de Três Mãos". 
“Eu não venero a matéria, mas o criador da matéria, que se fez matéria por mim e se dignou habitar na matéria e realizar minha salvação através da matéria”. (São João Damasceno) 
A bela cidade de Damasco (Síria) pelo ano de 675 tornou-se o berço natalício de um de seus mais ilustres filhos, o qual levaria o seu nome a todos os continentes: João Damasceno (de Damasco).  
Seu nome de batismo era João Mansur. Seus pais eram árabes-cristãos, e gozavam de muito prestigio na cidade, alem de uma confortável situação financeira. O pai de João era muito estimado entre os Sarracenos, que naquela época eram senhores do país, e tal estima se estendia também ao filho. 
Por muito tempo pai e filho serviram como ecônomos do califa de Damasco e por ocuparem cargos tão importantes desfrutavam de inúmeros privilégios. Nessa época Damasco já estava dominada pelos árabes-mulçumanos, e que acabavam de conquistar também a Palestina. Nessa época, o convívio entre as duas religiões era pacifico.  
João Mansur, jovem e brilhante, com sua inteligência e lealdade tornou-se o conselheiro e amigo do califa. Com o passar do tempo o coração de João Mansur inquietou-se e o nosso jovem trocou o alto posto em Damasco pela vida monástica da comunidade religiosa de São Sabas, na Palestina. Foi ordenado sacerdote e desde então se dedicou a penitência e aos estudos das sagradas escrituras, no recolhimento e no silêncio. As únicas vezes que saia do mosteiro, era para pregar na Igreja do Santo Sepulcro. Suas homilias, sempre repassadas em defesa da fé e da doutrina, eram depois distribuídas para outras dioceses. 
Tornou-se muito respeitado entre o clero e o povo, e foi a convite do bispo de Jerusalém, João V que ele participou do Concilio Ecumênico de Nicéia. Foi durante o concilio, um defensor da posição da Igreja contra os hereges iconoclastas. Escritor incansável, reconhecido por sua humildade e simplicidade, tornava-se um leão em defender a verdade, suas obras mais importantes são: “A Fonte da Ciência”, “A Fé Ortodoxa”, “Sacra Paralela”, e “Orações sobre as Imagens Sagradas”, onde defende o culto das imagens nas Igrejas, contra o conceito dos iconoclásticas.  
Foi por causa deste último livro que João Damasceno foi perseguido e preso pelos hereges. Seus inimigos conseguiram lançar dúvidas no coração do Califa a respeito da lealdade de João para com ele.  
O Califa de Damasco cheio de ódio, por achar-se traído, ordena que a mão de João Damasceno seja decepada e exposta ao público. Impedido de escrever, João Damasceno, em lagrimas e súplicas, implora a intercessão da Virgem Maria para que tenha sua mão restituída e assim continuar defendendo a Sã Doutrina, através de seus escritos. 
João Damasceno adormece e no seu sono profundo é acordado por uma voz feminina a dizer-lhe:  
“Meu filho tua mão está curada, faze dela o uso conforme prometestes”.  
Quando olhou, encheu-se de espanto e entre hinos e louvores exaltava a misericórdia de Deus e a bondade da Ssma. Virgem Mãe de Deus.

Em reconhecimento e gratidão à Virgem Maria, João Damasceno comprou prata, com a qual mandou esculpir a mão em posição de súplica e agradecimento. Colocou-a na parte inferior de um ícone da Virgem Mãe, que passou a ser chamada de a "Virgem das Três Mãos". É a padroeira dos injustamente acusados e condenados e é uma devoção conhecia na Estônia.  
Tão logo o Califa soube do acontecido, reconhecendo a intervenção divina na defesa de João Damasceno, pediu-lhe perdão e a paz voltou a reinar.Veronica justa

Santa Verônica
A Justa Verônica era, segundo a tradição, aquela mulher com fluxo de sangue, que recebeu cura ao tocar na orla da veste de Cristo (Mt. 9: 20-22). 
Verônica deu ao Senhor um véu, com o qual o Senhor enxugou o rosto, por ocasião da crucificação. No véu ficou impressa a Imagem o Rosto do Senhor, por isto em seu ícone, ela aparece segurando um tecido no qual está a Face do Senhor. 
A palavra «verônica» significa «verdadeira imagem» («vero» = verdadeira; «ícone» = imagem).

Oração Antes de Ler as Escrituras
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém! 

Romanos 15:17-29

Fragmento 118 - Irmãos, posso me orgulhar em Jesus Cristo no que se refere a Deus, porque não ousarei dizer coisa alguma que Cristo por mim não tenha feito, para fazer obedientes os gentios, por palavra e por obras; pelo poder dos sinais e prodígios, e pela virtude do Espírito de Deus; de maneira que desde Jerusalém e arredores, até ao Ilírico, tenho pregado o Evangelho de Jesus Cristo. E desta maneira me esforcei por anunciar o Evangelho, não onde Cristo foi nomeado, para não edificar sobre fundamento alheio; antes, como está escrito: 

“Aqueles a quem não foi anunciado, o verão, e os que não ouviram o entenderão”.

Por isso também muitas vezes tenho sido impedido de ir ter convosco. Mas agora, que não tenho mais demora nestes lugares, e tendo já há muitos anos grande desejo de ir ter convosco, quando partir para Espanha irei ter convosco; pois espero que de passagem vos verei, e que para lá seja encaminhado por vós, depois de ter gozado um pouco da vossa companhia. Mas agora vou a Jerusalém para ministrar aos santos. Porque pareceu bem à Macedônia e à Acaia fazerem uma coleta para os pobres dentre os santos que estão em Jerusalém. Isto lhes pareceu bem, como devedores que são para com eles. Porque, se os gentios foram participantes dos seus bens espirituais, devem também ministrar-lhes os temporais. Assim que, concluído isto, e havendo-lhes consignado este fruto, de lá, passando por vós, irei à Espanha. E bem sei que, indo ter convosco, chegarei com a plenitude da bênção do Evangelho de Cristo.

Mateus 12:46-13-3

Fragmento 49 - 
Enquanto Jesus falava ao povo, eis que Sua mãe e Seus irmãos vieram e ficaram do lado de fora, tentando falar com Ele. E disse-Lhe alguém: Eis que estão ali fora Tua mãe e Teus irmãos, que querem falar-Te. Ele, porém, respondendo, disse ao que lhe falara: Quem é Minha mãe? E quem são Meus irmãos? E, estendendo a Sua mão para os Seus discípulos, disse: Eis aqui Minha mãe e Meus irmãos; porque, qualquer que fizer a vontade de meu Pai que está nos céus, este é Meu irmão, e irmã e mãe. Tendo Jesus saído de casa, naquele dia, estava assentado junto ao mar; e ajuntou-se muita gente ao pé d’Ele, de sorte que, entrando num barco, Se assentou; e toda a multidão estava em pé na praia. E falou-lhe de muitas coisas por parábolas.

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COMENTÁRIOS


Suplico-vos que presteis atenção àquilo que afirma Cristo Senhor, apontando para os discípulos:
“Eis aqui a minha mãe e os meus irmãos”.
E prossegue:
“Aquele que faz a vontade de meu Pai, que me enviou, esse é meu irmão, minha irmã̃ e minha mãe”.
Quer dizer que a Virgem Maria não fez a vontade do Pai, ela que acreditou pela fé́, que concebeu pela fé́, que foi escolhida para que dela nascesse a salvação em nosso favor, que foi criada em Cristo antes de Cristo ser criado nela?

Sim, Santa Maria fez a vontade do Pai e, consequentemente, é mais importante ter sido discípula de Cristo do que ter sido Mãe de Cristo; foi mais vantajoso para ela ter sido discípula de Cristo do que ter sido sua Mãe. Maria era, pois, bem-aventurada porque, mesmo antes de dar à luz o Mestre, trouxe-O no seu seio. [...] Santa Maria, bem-aventurada Maria! E, no entanto, a Igreja vale mais do que a Virgem Maria. Por quê? Porque Maria é uma parte da Igreja, um membro eminente da Igreja, é certo, um membro superior aos outros, mas apesar de tudo um membro de todo o corpo. [...]

Portanto, caríssimos, vede que sois membros de Cristo, e sois corpo de Cristo (1Co 12, 27). Como? Prestai atenção ao que Ele diz:
“Eis aqui a minha mãe e os meus irmãos”.
E como sereis Mãe de Cristo?
“Aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã̃ e minha mãe”.
Agostinho, bispo de Hipona (354-430)

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“Quem é Minha Mãe? E Quem São Meus Irmãos?”

Aqui já́ se faz necessário um ouvido acurado para entender as palavras de Cristo, a fim de que uma má compreensão delas não gere em nós uma fala tola - como fazem alguns - que delas se utilizam para reforçar sua crença de que Cristo reduz Sua Mãe a um lugar comum, e, para alguns, chegando mesmo às raias do desprezo.

Jesus não está desqualificando sua família e muito menos a Sua Mãe. Ele tira proveito da oportunidade para revelar Sua identidade mais profunda, ou seja, que Ele é o Primogênito de uma grande família (Rm 8:29; Ef. 2:18,19; 4:13; Hb 2:11) caracterizada, não por laços sanguíneos, mas pela obediência a Deus; obediência esta, aliás, da qual sua Mãe é modelo e progenitora (Ap. 12:13), sendo louvada por anjos e homens (Lc 1:28, 41-45).

O mistério de Cristo ainda era ininteligível, mesmo para os Seus familiares segundo a carne (Lc 2:48-51; Rm 16:25,26; Col. 1:26).

Padre Mateus (Antonio Eça)

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sábado, 17 de dezembro de 2022

27º Sábado Depois de Pentecostes

17 de Dezembro de 2022 (CC) / 04 de Dezembro (CE)
São João Damasceno, mon. († 749);
Santas Megalomártires Bárbara e Juliana;
Santo Ícone da Mãe de Deus de Três Mãos
Jejum da Natividade (Azeite é permitido)
Tom 1


Depois que a grande cidade de Damasco, metrópole da Síria caiu sob os muçulmanos no ano 635, os cristãos foram submetidos a muitas desvantagens em ralação aos demais cidadãos, obrigados a pagar tributos aos seus dominadores árabes. Na época do Califa Abdul-Malek (685-705), todos os assuntos relacionados aos cristãos eram de responsabilidade de Sérgio Mansur, homem de confiança do Califa, e que vinha de uma das importantes famílias cristãs da cidade. Por volta do ano 675, nasceu um homem temente a Deus e de muita sinceridade, nosso Santo Pai João, «a Arpa do Espírito Santo». Desde sua infância foi educado num ambiente onde predominavam as virtudes da caridade, do amor ao próximo, do socorro aos mais necessitados, sobretudo na pessoa de seu pai que investiu sua riqueza no resgate e libertação dos prisioneiros cristãos. João cresceu em idade e sabedoria, ao lado de seu irmão Cosme (cf. 14 oct) que, tendo perdido seus pais, foi recebido em adoção por Sérgio. A educação dos meninos foi então confiada ao monge Cosme, um erudito italiano resgatado dos árabes por Sérgio. Cosme os instruiu na filosofia em todas as ciências de seu tempo. Viva inteligência e modéstia nas atitudes lhes propiciou um rápido progresso nos estudos, especialmente nas artes, poesia e música. Assim, ao final de alguns anos, o mestre reconheceu que já não mais o que ensinar aos seus alunos, obtendo assim a permissão de Sérgio para retirar-se à Lavra de São Savas, onde desejava viver o resto de seus dias. 
Tendo adquirido um perfeito conhecimento do árabe e do grego, João juntou-se ao seu pai adotivo na administração, mostrando sua grande capacidade nestas tarefas, o que lhe garantiu que, após a morte de Sérgio, fosse nomeado como seu sucessor pelo Califa Walid (705-715). 
Comemoração de São João Damasceno 
Tropárion de São João de Damasco, no 8º Tom
Ó campeão da Ortodoxia, mestre da pureza e da adoração verdadeira, / o iluminador do universo e o adorno dos hierarcas. / Ó, sábio Padre João, teus ensinamentos resplandeceram sobre todas as coisas; // interceda a Cristo Deus que salve as nossas almas! 
Kondákion de São João Damasceno, no 4º Tom
Cantemos louvores a João, digno de grande honra, / o Autor de hinos, estrela e mestre da Igreja, / o defensor de suas doutrinas: / Pelo poder da Cruz do Senhor venceu o erro herético, // e como um fervoroso intercessor diante de Deus, roga pela concessão dos pecados a todos!
Mãe de Deus de Três Mãos 
Quando Leão III, o Saurio (717-741) começou a perseguir a Igreja Cristã no Império Romano, atacando a piedosa devoção aos santos ícones, São João lançou uma defesa vigorosa da fé através de suas muitas cartas que escreveu em Damasco aos seus correspondentes no império, estabelecendo as bases teológicas da veneração dos santos ícones com base nas Sagradas Escrituras e nos escritos dos Santos Padres. Assim fazendo, João atraiu sobre si o ódio de Leão que tentou livrar-se dele por meio de uma falsa carta não João, aparentemente, sugeria ao imperador que tomasse Damasco. Tal carta foi apresentada ao Califa que, furioso por seu conteúdo, ordenou a seu conselheiro que João tivesse sua mão direita decepada.

Na tarde deste mesmo dia João depositou sua mão decepada diante do ícone da Mãe de Deus e, em lágrimas, por várias horas suplicou à soberana do mundo que pudesse ter de volta a sua mão. Caindo em ligeiro sono, viu que o ícone ganhava vida, e que a Virgem o consolava. Ao despertar, ficou perplexo e maravilhado ao ver sua mão direita restaurada. Desde aquele momento, fez votos de dedicar-se inteiramente ao louvor à Virgem Mãe de Deus e ao nosso Salvador, e à defesa da Santa Fé Ortodoxa. Renunciou sua posição na administração, distribuiu sua fortuna e partiu para Jerusalém com Cosme para tornar-se monge na Lavra São Savas. O abade colocou João sob a orientação de um ancião experimentado nas virtudes e muito austero, que lhe proibiu logo o contato com tudo o que estivesse relacionado com a filosofia, ciências, poesia, música ou leituras, dedicando-se a ele mesmo e sem queixar-se das tarefas domésticas, a fim de desenvolver as virtudes da obediência e humildade.  Certo dia, no entanto, apesar da proibição de seu pai espiritual, João ficou comovido pelas súplicas de alguém que havia perdido seu pai espiritual, compondo para seu consolo um hino que é usado até os nossos dias. Quando seu pai espiritual soube deste seu ato de desobediência, pediu a João que recolhesse com as mãos todo o lixo do monastério, o que João, sem dizer uma palavra, tratou de fazê-lo. Dias depois, a Mãe de Deus apareceu ao ancião e lhe pediu que, dali em diante, deixasse seu discípulo compor hinos e poemas que podiam mesmo superar os salmos de Davi e as Odes dos santos Profetas, dada a sua beleza e doçura. 
Comemoração de Santa Bárbara e Santa Juliana 
Bárbara viveu e sofreu durante o reinado do imperador Maximiano (305-311). Seu pai, o pagão Dioskoros, era um homem rico e ilustre na cidade de Heliópolis Fenícia; cedo deixou um viúvo, ele concentrou toda a sua atenção na devoção terna a sua única filha. Vendo a extraordinária beleza de Barbara, Dioskoros decidiu criá-la escondida dos olhos de estranhos. Para isso ele construiu uma torre, onde além de Barbara, havia presentes apenas seus professores pagãos. A partir das alturas da torre abriu-se uma vista do mundo de colinas de Deus que se estende até a distância. De dia, ela era capaz de olhar para as colinas arborizadas, os rios fluindo rapidamente, e nos prados cobertos com um cobertor gayly mottled de flores; pela noite a abóbada harmoniosa e majestosa dos céus cintilou e forneceu um espetáculo de beleza inexprimível. Logo a donzela começou a fazer perguntas sobre a causa primordial e criador de um mundo tão harmonioso e esplêndido. Pouco a pouco, ela se convenceu da ideia de que os ídolos sem alma eram apenas obra de mãos humanas, e apesar de seu pai e professores lhes oferecerem adoração, os ídolos não eram suficientemente inteligentes e Augustus o suficiente para ter feito o mundo circundante. O desejo de conhecer o verdadeiro Deus consumiu tanto a alma de Barbara, que decidiu dedicar toda a sua vida a isto e passar a sua vida na virgindade. 
Mas a fama da sua beleza espalhou-se por toda a cidade, e muitos procuraram a sua mão em casamento. Mas, apesar das enternecedoras súplicas do pai, ela recusou. Barbara advertiu seu pai, que sua persistência poderia acabar tragicamente e separá-los para sempre. Dioskoros decidiu que o temperamento de sua filha havia sido afetado por sua vida de reclusão. Ele, portanto, permitiu que ela deixasse a torre e deu-lhe plena liberdade em sua escolha de amigos e conhecidos. A donzela, assim, encontrou na cidade jovem e confessores da fé em Cristo, e revelaram aos seus ensinamentos sobre o Criador do mundo, sobre a Trindade e sobre o Divino Logos. Através da Providência de Deus, depois de um certo tempo chegou em Heliópolis de Alexandria um sacerdote no Guia de um comerciante. Ele realizou o sacramento do batismo sobre Barbara. 
Durante este período, na casa de Dioskoros, um luxuriante banho estava sendo construído. Por suas ordens, os trabalhadores prepararam - se para colocar nele duas janelas no lado sul. Mas Barbara, aproveitando-se da ausência de seu pai, pediu-lhes para fazer uma terceira janela, na forma de uma trindade da luz. Sobre a entrada da casa de banho, Barbara padronizou uma cruz, que foi duravelmente colocado em pedra. Sobre os degraus de pedra de banho-casa de lá, mais tarde, manteve-se a marca de seus pés, enquanto dentro da água-primavera tinha secado, aparecendo mais tarde, com grande poder de cura, – todos os que Simeão Metaphrastes em escrever sobre os sofrimentos do santo martyress, compara com a vida-criação de potência do fluxo da Jordânia e da Piscina de Siloé. Quando Dioskoros devolvidos e manifestado insatisfação sobre a mudança de seu plano de construção, sua filha lhe contou sobre seu conhecimento do Deus Triúno, sobre o poder da salvação do Filho de Deus, e sobre a futilidade de adorar ídolos. Dioskoros ficou furioso, agarrou numa espada e estava prestes a atingi-la. A donzela fugiu de seu pai, e ele correu atrás dela em perseguição. Seu caminho ficou bloqueado por uma colina, que abriu e escondeu o Santo em uma fenda. Do outro lado da fenda havia uma entrada para cima. Santa Bárbara conseguiu então esconder-se numa caverna na encosta oposta da colina. Depois de uma longa e infrutífera Busca por sua filha, Dioskoros viu dois pastores na colina. Um deles apontou-lhe a caverna, onde o santo se tinha escondido. Dioskoros bateu terrivelmente na filha, e depois trancou - a sob vigilância e tentou cansá-la com fome. Finalmente, ele a entregou ao governador da cidade, chamado Martiano. Eles espancaram Santa Bárbara ferozmente: eles golpearam-na com tangas de boi, e enterraram suas feridas com uma camisa de cabelo. À noite, a Santa donzela orava fervorosamente ao seu noivo Celestial, e o próprio Salvador apareceu e curou as suas feridas. Depois submeteram o Santo a novos e ainda mais cruéis tormentos. 
No meio da multidão que estava perto do lugar da tortura da martira estava a Juliana cristã, uma habitante de Heliópolis. Seu coração estava cheio de simpatia pelo martírio voluntário da bela e ilustre donzela. Juliânia também queria sofrer Por Cristo. Ela começou a denunciar os torturadores, e Eles apoderaram-se dela. Por um longo tempo torturaram ambas as Mártires sagradas: laceraram e rasgaram seus corpos com ganchos e, em seguida, levaram-nas despidas pela cidade em meio a escárnio e troça. Através das orações de Santa Bárbara, o Senhor enviou um anjo, que cobria a bareness das Santos martirizes com esplêndida vestimenta. Os firmes confessores da fé em Cristo, Os santos Bárbara e Juliana, foram então decapitados. O próprio Dioskoros executou Santa Bárbara. A ira de Deus não tardou a punir ambos os torturadores, Martiano e Dioskoros: eles foram atingidos por relâmpagos. 
No século VI, As Relíquias da Santa Bisavó Bárbara foram transferidas para Constantinopla. No século XII, a filha do imperador bizantino Aléxis Comnenes, a princesa Bárbara, tendo entrado em casamento com o príncipe russo Mikhail Izyaslavich, transferiu-os para Kiev. Eles descansam mesmo agora na Catedral de Kiev Vladimir.
Comemoração de Santa Bárbara
Tropárion da Grande Mártir Bárbara, no 8º Tom
Honremos a santa Mártir Bárbara, / pois, tal qual um pássaro, escapou das armadilhas do Inimigo, // e as destruiu com a ajuda e proteção da Cruz!

Kontakion da Grande Mártir Bárbara, no 4º Tom
Cantando louvores à Trindade, / seguiste a Deus suportando o sofrimento; / renunciaste à multidão dos ídolos, / Ó santa mártir Bárbara. / Em tuas lutas, não te intimidaste com as ameaças dos teus algozes, / mas bradaste em voz alta: // “Eu adoro a Trindade em Uma Só Divindade.”

Oração Antes de Ler as Escrituras
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!

Gálatas 5:22-6:2 

Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança. Contra estas coisas não há lei. E os que são de Cristo crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências. Se vivemos em Espírito, andemos também em Espírito. Não sejamos cobiçosos de vanglórias, irritando-nos uns aos outros, invejando-nos uns aos outros. Irmãos, se algum homem chegar a ser surpreendido nalguma ofensa, vós, que sois espirituais, encaminhai o tal com espírito de mansidão; olhando por ti mesmo, para que não sejas também tentado. Levai as cargas uns dos outros, e assim cumprireis a lei de Cristo.

Lucas 12:32-40 

Não temais, ó pequeno rebanho, porque a vosso Pai agradou dar-vos o reino. Vendei o que tendes, e dai esmolas. Fazei para vós bolsas que não se envelheçam; tesouro nos céus que nunca acabe, aonde não chega ladrão e a traça não rói. Porque, onde estiver o vosso tesouro, ali estará também o vosso coração. Estejam cingidos os vossos lombos, e acesas as vossas candeias. E sede vós semelhantes aos homens que esperam o seu senhor, quando houver de voltar das bodas, para que, quando vier, e bater, logo possam abrir-lhe. Bem-aventurados aqueles servos, os quais, quando o Senhor vier, achar vigiando! Em verdade vos digo que se cingirá, e os fará assentar à mesa e, chegando-se, os servirá. E, se vier na segunda vigília, e se vier na terceira vigília, e os achar assim, bem-aventurados são os tais servos. Sabei, porém, isto: que, se o pai de família soubesse a que hora havia de vir o ladrão, vigiaria, e não deixaria minar a sua casa. Portanto, estai vós também apercebidos; porque virá o Filho do homem à hora que não imaginais.

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COMENTÁRIO


Eis aqui mais uma vez um desses grandes mandamentos do Senhor, que arranca aos discípulos do Verbo da nuvem opaca que os envolvia, e os leva ao céu com um grande impulso. Ele nos exorta a vencer o sono, a buscar a vida do alto, a ter nosso espírito acordado constantemente, a tirar de nossos olhos o entorpecimento das coisas enganadoras e mentirosas. Falo desse entorpecimento e desse sono, que fixam aos homens no erro, e lhes tecem imagens de sonhos: honras, riquezas, poder, grandezas, prazeres, êxito, vantagens, notoriedade, objetivos ruins que perseguem aturdidamente uma raiva e teimosice ridículas. Esses pretendidos bens, tão fugitivos como o tempo, não têm mais que fachada de realidade, e a própria ilusão se desmorona rapidamente: parece que nascem para nada mais que morrer, como as ondas que as águas levantam; inchadas por uma rajada de vento erguem por um instante a crista que o ar tinha levantado; depois voltam a cair com ele, e então o olhar não vê nada mais que o tranquilo espelho do mar.

Para aniquilar tais sonhos, o Senhor nos pede para superar este pesado sono. Assim já não deixaremos escapar a firmeza das realidades perseguindo freneticamente o nada. O Senhor nos compromete a velar nestes termos: Tenham a cintura cingida e as lâmpadas acesas. A luz que ilumina o nosso olhar lança de nossos olhos o sono; o cinto que aperta os nossos rins mantém os nossos corpos alertas, expressa um esforço que não tolera nenhuma preguiça. Que claro é o sentido desta imagem! Cingir os rins da temperança é viver à luz de uma consciência pura; a lâmpada da sinceridade ilumina a vida, faz resplandecer a verdade, tem a alma em vigilância, a torna impermeável a ilusão, estranha a futilidade de todas essas pobres fantasias. Vivemos segundo as exigências do Verbo? Então entraremos numa vida semelhante à dos anjos... 

São eles, na verdade, que esperam o Senhor no regresso das núpcias e que se sentam às portas do céu com os olhos bem abertos, a fim de que o rei da glória possa aí passar de novo, quando voltar das núpcias e regressar à beatitude que está acima dos céus. Saindo de lá como um esposo sai da câmara nupcial, de acordo com o texto do saltério, ele uniu a si, como uma virgem, pela regeneração sacramental, a nossa natureza que se tinha prostituído com os ídolos, restituindo-lhe a sua incorruptibilidade virginal.

Tendo já acabado as núpcias, uma vez que a Igreja foi desposada pelo Verbo... e introduzida na câmara dos mistérios, os anjos esperavam o regresso do rei da glória à beatitude que é própria da sua natureza. É por isso que o texto diz que a nossa vida deve ser semelhante à dos anjos, para que, tal como eles, vivamos longe do vício e da ilusão, para estarmos prontos para acolher a parusia do Senhor e, vigiando também nós as portas das nossas moradas, estejamos prontos a obedecer quando ele voltar e bater à porta.

São Gregório de Nissa (séc. IV)

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Digna-te Acender Tu Mesmo Nossas Lâmpadas

Quão venturosos são os servos a quem o Senhor, ao chegar, os encontre vigiando! Feliz aquela vigília na qual se espera ao próprio Deus e Criador do universo, que supera tudo e tudo preenche. Oxalá se dignasse o Senhor despertar-me do sono de minha indolência, a mim que, mesmo sendo desprezível, sou seu servo! Oxalá me inflamasse no desejo de seu amor incomensurável e me incendiasse com o fogo de sua divina caridade! Resplandecente com ela, brilharia mais que os astros, e todo o meu interior arderia continuamente com este fogo divino! 

Oxalá meus méritos fossem tão abundantes que minha lâmpada ardesse sem cessar durante a noite, no templo de meu Senhor e iluminasse a todos que entram na casa de meu Deus! Concede-me, Senhor, suplico-te em nome de Jesus Cristo, teu Filho e meu Deus, um amor que nunca diminua, para que com ele minha lâmpada sempre brilhe e não se apague nunca, e suas chamas sejam para mim fogo ardente e para os demais luz brilhante. 

Senhor Jesus Cristo, dulcíssimo Salvador nosso, digna-te acender tu mesmo nossas lâmpadas, para que brilhem sem cessar em teu templo e de ti, que és a luz perene, elas recebam a luz perfeita com a qual se ilumine a nossa obscuridade, e se afastem de nós as trevas do mundo. 

Peço-te, meu Jesus, que acendas tão intensamente a minha lâmpada com teu esplendor que, à luz de uma claridade tão intensa, possa contemplar o santo dos santos que está no interior daquele grande templo, no qual tu, pontífice eterno dos bens eternos, penetraste; que ali, Senhor, eu te contemple continuamente e possa assim desejar-te, amar-te e querer-te somente a ti, para que a minha lâmpada, em tua presença, esteja sempre flamejante e ardente. 

Peço-te, Salvador amantíssimo, que te manifestes a nós, que chamamos a tua porta, para que, conhecendo-te, amemos somente a ti e unicamente a ti; que tu seja nosso único desejo, que dia e noite meditemos somente em ti, e em ti unicamente pensemos. Alumia em nós um imenso amor para contigo, que corresponde à caridade com a qual Deus deve ser amado e querido; que esta nossa dileção para ti invada todo o nosso interior e nos penetre totalmente, inunde todos os nossos sentimentos a tal ponto, que já não possamos amar nada fora de ti, o único eterno. Assim, por muitas que sejam as águas da terra e do firmamento, nunca chegarão a extinguir em nós a caridade, segundo aquilo que diz a Escritura: As águas torrenciais não poderão apagar o amor. 

Que isto chegue a realizar-se, ao menos parcialmente, por teu dom, Senhor Jesus Cristo, a quem pertence à glória pelos séculos dos séculos. Amém.” 

São Columbano (séc. VII)

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