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quarta-feira, 1 de novembro de 2023

22ª Quarta-feira Depois de Pentecostes


01 de Novembro de 2023 (CC) / 19 de Outubro (CE)
S. Profeta Joel (séc. VI a.C)
Justo João, o Prodigioso de Kronstadt (1908)
Tom 4


Joel foi o primeiro profeta que deixou anotações de suas pregações. Ele profetizou na Judá durante os reinados de Joás e Amazias, cerca de 800 anos antes de Cristo. Chamava-se a si mesmo de Petuel. Eram tempos de tranquilidade e bonança. Jerusalém, ou Sião, o templo e os serviços religiosos estavam constantemente na boca do profeta. Porém, nas catástrofes sofridas por Judá (uma seca e, sobretudo, um terrível ataque de gafanhotos) o profeta viu o início do juízo de Deus caindo sobre o povo judeu.
 
O principal vício combatido pelo profeta era o cumprimento formal, sem verdadeiros sentimentos, dos rituais religiosos e das leis. Naquele tempo, o piedoso Rei Joás esforçou-se para restabelecer a religião em Judá, alcançando apenas êxito parcial. O profeta previu um crescimento das superstições pagãs e o subsequente castigo Divino, e conclamou o povo hebreu a um sincero arrependimento, dizendo:
"Ainda assim, agora mesmo diz o SENHOR: Convertei-vos a mim de todo o vosso coração; e isso com jejuns, e com choro, e com pranto. E rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes, e convertei-vos ao SENHOR vosso Deus; porque ele é misericordioso, e compassivo, e tardio em irar-se, e grande em benignidade, e se arrepende do mal" (Jl 2, 12-13).
Frequentemente, numa mesma visão profética se juntavam acontecimentos de distintos séculos, próximos, porém, no plano religioso. Assim, por exemplo, o juízo divino sobre o povo judeu se junta, em sua visão, com o juízo universal do fim dos tempos:
"Suscitem-se os gentios, e subam ao vale de Jeosafá; pois ali me assentarei para julgar todos os gentios em redor. Lançai a foice, porque já está madura a seara; vinde, descei, porque o lagar está cheio, e os vasos dos lagares transbordam, porque a sua malícia é grande. Multidões, multidões no vale da decisão; porque o dia do SENHOR está perto, no vale da decisão. O sol e a lua enegrecerão, e as estrelas retirarão o seu resplendor. E o SENHOR bramará de Sião, e de Jerusalém fará ouvir a sua voz; e os céus e a terra tremerão, mas o SENHOR será o refúgio do seu povo, e a fortaleza dos filhos de Israel. E vós sabereis que eu sou o SENHOR vosso Deus, que habito em Sião, o meu santo monte; e Jerusalém será santa; estranhos não passarão mais por ela. E há de ser que, naquele dia, os montes destilarão mosto, e os outeiros manarão leite, e todos os rios de Judá estarão cheios de águas; e sairá uma fonte, da casa do SENHOR, e regará o vale de Sitim. O Egito se fará uma desolação, e Edom se fará um deserto assolado, por causa da violência que fizeram aos filhos de Judá, em cuja terra derramaram sangue inocente. Mas Judá será habitada para sempre, e Jerusalém de geração em geração. E purificarei o sangue dos que eu não tinha purificado; porque o SENHOR habitará em Sião" (Jl 3, 12-18). 
Antes, porém, do juízo final dar-se-á a descida do Espírito Santo e a renovação espiritual do povo de Deus.
"E há de ser que, depois derramarei o meu Espírito sobre toda a carne, e vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os vossos velhos terão sonhos, os vossos jovens terão visões. E também sobre os servos e sobre as servas naqueles dias derramarei o meu Espírito. E mostrarei prodígios no céu, e na terra, sangue e fogo, e colunas de fumaça. O sol se converterá em trevas, e a lua em sangue, antes que venha o grande e terrível dia do SENHOR. E há de ser que todo aquele que invocar o nome do SENHOR será salvo; porque no monte Sião e em Jerusalém haverá livramento, assim como disse o SENHOR, e entre os sobreviventes, aqueles que o SENHOR chamar" (Jl 2,28-32).
O Apóstolo São Pedro lembrou esta profecia no dia da descida do Espírito Santo, durante a festividade de Pentecostes. O profeta Joel falava sobre os seguintes temas: a) o ataque dos gafanhotos (1,2-20); b) a aproximação do Dia do Senhor (2,1-11); c) o chamado ao arrependimento (2,12-17); d) a misericórdia divina (2,18-27); e) a renovação espiritual (2,28-32); o juízo sobre todos os povos (3,1-17); e a bênção divina por vir (3,18-21). 
Comemoração de São João de Kronstadt 
Hoje, a Igreja Ortodoxa Russa homenageia o nosso santo e justo Padre João de Kronstadt, o grande homem de oração. As orações do Padre João foram tão eficazes, tão claramente comoventes que nos fazem pensar. Este foi um homem que viveu até o limiar do século XX. Nossos bisavós, até mesmo os avós, poderiam tê-lo conhecido se morassem na Rússia. Esta parte de um folheto sobre São João de Kronstadt escrito pelo Bispo Alexander (Mileant) lança luz sobre a filosofia viva de oração do Padre João e como tal oração pode realizar milagres.
 
“Concentremos a nossa atenção em como o Padre João expressa o seu ensinamento cristão sobre Deus Pai. Quantas vezes Deus Pai é apresentado como distante do mundo! Nos ensinamentos filosóficos religiosos sobre Deus, o Verbo, ou Logos, é explicado em outro sentido, que Deus, o Pai, como o Absoluto, não é igual ao mundo relativo e, portanto, não pode ter contato direto com ele e, conseqüentemente, está em necessidade de um intercessor entre Ele e o mundo, e que tal intercessor é Deus o Verbo, Deus o Filho (Filho de Deus). Tal perspectiva, aliás, foi expressa no sistema filosófico de Vladimir Soloviev. Esta visão penetra muitas vezes também nas nossas ideias religiosas comuns: Deus Pai, vivendo numa Luz inacessível, reservou-se, por esta mesma razão, o direito de estar afastado deste mundo terreno e de nós, pessoas. De maneira semelhante, o pensamento do afastamento de Deus Pai das pessoas é sentido no ensinamento católico romano sobre a expiação (redenção), onde a redenção da humanidade com o Sangue do Filho de Deus é explicada pela necessidade de apaziguar e satisfazer a Deus Pai por Ele ter sido insultado pelo pecado do homem.

Padre João ensina uma ideia totalmente diferente:

"Deus, Pai da Palavra, é também nosso Pai benevolente e amoroso. Ao dizer 'O Pai Nosso', devemos acreditar e lembrar que o Pai que está no céu nunca se esquece e nunca se esquecerá de nós, pois o que o pai terreno esquece ou não cuida de seus filhos? Lembre-se de que nosso Pai Celestial constantemente nos cerca com amor e cuidado, e não é em vão que Ele é chamado de nosso Pai - este não é um nome sem significado e força, mas um nome com grande significado e poder." "Não deveríamos reconhecê-Lo como ainda mais benevolente, porque Ele deu... o maior dom de Sua benevolência, sabedoria e onipotência - com isso se entende liberdade... não se deixar abalar pela ingratidão daqueles que receberam o dom, para que Sua bondade pudesse brilhar mais forte do que o sol diante de todos? E Ele não mostrou por Suas ações Seu amor ilimitado e sabedoria ilimitada, concedendo-nos liberdade, quando, após nossa queda na pecaminosidade e nosso afastamento Dele, e ruína espiritual, Ele enviou ao mundo Seu Filho, o Unigênito, à semelhança do homem perecível, e O deu para sofrer e morrer por nós?"

"Cristão! Lembre-se e tenha constantemente em mente e em seu coração as grandes palavras da Oração do Pai Nosso: 'Pai Nosso, que estás nos Céus.' Lembre-se de quem é nosso Pai. Deus é nosso Pai, nosso Amor: quem somos nós? Somos Seus filhos, e entre nós, irmãos; com que tipo de amor os filhos deveriam viver entre si, tendo um Pai assim? Se vocês fossem filhos de Abraão, você teria feito as obras de Abraão; que tipos de ações devemos fazer?" “Nossa vida é de amor - sim, amor. E onde há amor, há Deus, e onde há Deus, há todo o bem... E assim com alegria alimentar e encantar a todos, agradar a todos e depender de todas as coisas estão sobre o Pai celeste, o Pai das misericórdias e Deus de toda consolação. Traga ao seu próximo em sacrifício aquilo que lhe é caro...” E assim, vemos o Padre João converter os dogmas fundamentais em admoestações morais imediatas; ele mostra que toda verdade da fé contém em si um propósito moral.

Padre João, em sua teologia sobre o Pai ensina, antes de tudo, sobre o pensamento divino. “Da mente de Deus, do pensamento de Deus, procede todo pensamento do mundo. Em geral, em todo o mundo vemos o reino do pensamento, como em toda a estrutura do mundo visível, assim também, em particular, na terra, em a rotação e a vida do planeta terrestre, na distribuição dos elementos do mundo: ar, água, fogo, enquanto outros fenômenos estão distribuídos em todos os animais, nos pássaros, peixes, cobras, feras, e no homem, em seus sábios e formação proposital, e em suas capacidades, moral, hábitos; nas plantas, em sua adaptação, na nutrição, e assim por diante; em todos os lugares vemos o reino do pensamento, mesmo na pedra e na areia inanimadas.

Oração Antes de Ler as Escrituras
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!

Colossenses 3:17-4:1

Fragmento 259 - Irmãos, tudo quanto fizerdes por palavras ou por obras, fazei tudo em Nome do Senhor Jesus, dando por Ele graças a Deus Pai. Vós, mulheres, estejais sujeitas a vossos próprios maridos, como convém no Senhor. Vós, maridos, amai a vossas mulheres, e não vos irriteis contra elas. Vós, filhos, obedecei em tudo a vossos pais, porque isto é agradável ao Senhor. Vós, pais, não irriteis a vossos filhos, para que não percam o ânimo. Vós, servos, obedecei em tudo a vossos senhores segundo a carne, não servindo só na aparência, como para agradar aos homens, mas em simplicidade de coração, temendo a Deus. E tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como ao Senhor, e não aos homens, sabendo que recebereis do Senhor o galardão da herança; porque a Cristo, o Senhor, servis. Vós, senhores, fazei o que for de justiça e equidade a vossos servos, sabendo que também tendes um Senhor nos céus.

Lucas 9:44-50

Fragmento 47 -
O Senhor disse aos Seus discípulos: Ponde vós estas palavras em vossos ouvidos, porque o Filho do Homem será entregue nas mãos dos homens. Mas eles não entendiam esta palavra, que lhes era encoberta, para que a não compreendessem; e temiam interrogá-Lo acerca desta palavra. E suscitou-se entre eles uma discussão sobre qual deles seria o maior. Mas Jesus, vendo o pensamento de seus corações, tomou um menino, pô-lo junto a Si, e disse-lhes: Qualquer que receber este menino em Meu Nome, recebe-Me a Mim; e qualquer que Me receber a Mim, recebe O que Me enviou; porque aquele que entre vós todos for o menor, esse mesmo será grande. E, respondendo João, disse: Mestre, vimos um que em Teu Nome expulsava os demônios, e lho proibimos, porque não Se segue conosco. E Jesus lhe disse: Não o proibais, porque quem não é contra nós é por nós.

† † †


ENSINO DOS SANTOS PADRES

"Quem me receber, recebe aquele que me enviou", diz o Senhor, enquanto quem o enviou é Deus. Conseqüentemente, quem confessa ao Senhor, confessa a Deus; enquanto quem não O confessa, não confessa a Deus. Você dirá: Confesso que Cristo é um grande, o mais sábio e universal Mestre. Não, confesse-Lo assim, não é a mesma coisa que o Filho diz de Si mesmo: Que Ele e o Pai são um, pessoas de uma mesma natureza divina, separadas, mas um em honra e co-reinado. Se alguém não confessa assim, não importa o quanto tenha adorado o Senhor, é o mesmo que não O confessar; e assim não O confessando, também não confessa o Pai, e, assim, não confessa a Deus. 

É por isso que, não importa quais demonstrações vocês façam de honrar a Deus, vocês não O honram se não confessarem o Senhor Jesus Cristo como o Filho Unigênito de Deus, encarnado por nossa causa, e que nos salvou através de Sua morte em a Cruz. Somente confessar Deus, não é a mesma coisa desde que que Ele seja confessado. Aqueles que adoram o sol e as estrelas, ou criaturas inventadas, não são chamados de adoradores de Deus, porque não consideraram Deus a Quem de fato o É Deus. 

Assim, quem não confessa o Senhor não é honrador de Deus, porque não confessa o Deus que é o Deus verdadeiro. O verdadeiro Deus não existe sem o Filho co-eterno e co-originado. Portanto, uma vez que você deixa de confessar o Filho, você não confessa mais o Deus verdadeiro. Somente Deus discernirá quanto vale a sua confissão; mas como para nós Deus é revelado como o verdadeiro Deus, sem esta revelação não se pode ter o verdadeiro Deus.

† † †

terça-feira, 1 de novembro de 2022

21ª Terça-feira Depois de Pentecostes


01 de Novembro de 2022 (CC) / 19 de Outubro (CE)
S. Profeta Joel (séc. VI a.C)
Tom 3


Joel foi o primeiro profeta que deixou anotações de suas pregações. Ele profetizou na Judá durante os reinados de Joás e Amazias, cerca de 800 anos antes de Cristo. Chamava-se a si mesmo de Petuel. Eram tempos de tranquilidade e bonança. Jerusalém, ou Sião, o templo e os serviços religiosos estavam constantemente na boca do profeta. Porém, nas catástrofes sofridas por Judá (uma seca e, sobretudo, um terrível ataque de gafanhotos) o profeta viu o início do juízo de Deus caindo sobre o povo judeu.
 
O principal vício combatido pelo profeta era o cumprimento formal, sem verdadeiros sentimentos, dos rituais religiosos e das leis. Naquele tempo, o piedoso Rei Joás esforçou-se para restabelecer a religião em Judá, alcançando apenas êxito parcial. O profeta previu um crescimento das superstições pagãs e o subsequente castigo Divino, e conclamou o povo hebreu a um sincero arrependimento, dizendo:
"Ainda assim, agora mesmo diz o SENHOR: Convertei-vos a mim de todo o vosso coração; e isso com jejuns, e com choro, e com pranto. E rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes, e convertei-vos ao SENHOR vosso Deus; porque ele é misericordioso, e compassivo, e tardio em irar-se, e grande em benignidade, e se arrepende do mal" (Jl 2, 12-13).
Frequentemente, numa mesma visão profética se juntavam acontecimentos de distintos séculos, próximos, porém, no plano religioso. Assim, por exemplo, o juízo divino sobre o povo judeu se junta, em sua visão, com o juízo universal do fim dos tempos:
"Suscitem-se os gentios, e subam ao vale de Jeosafá; pois ali me assentarei para julgar todos os gentios em redor. Lançai a foice, porque já está madura a seara; vinde, descei, porque o lagar está cheio, e os vasos dos lagares transbordam, porque a sua malícia é grande. Multidões, multidões no vale da decisão; porque o dia do SENHOR está perto, no vale da decisão. O sol e a lua enegrecerão, e as estrelas retirarão o seu resplendor. E o SENHOR bramará de Sião, e de Jerusalém fará ouvir a sua voz; e os céus e a terra tremerão, mas o SENHOR será o refúgio do seu povo, e a fortaleza dos filhos de Israel. E vós sabereis que eu sou o SENHOR vosso Deus, que habito em Sião, o meu santo monte; e Jerusalém será santa; estranhos não passarão mais por ela. E há de ser que, naquele dia, os montes destilarão mosto, e os outeiros manarão leite, e todos os rios de Judá estarão cheios de águas; e sairá uma fonte, da casa do SENHOR, e regará o vale de Sitim. O Egito se fará uma desolação, e Edom se fará um deserto assolado, por causa da violência que fizeram aos filhos de Judá, em cuja terra derramaram sangue inocente. Mas Judá será habitada para sempre, e Jerusalém de geração em geração. E purificarei o sangue dos que eu não tinha purificado; porque o SENHOR habitará em Sião" (Jl 3, 12-18). 
Antes, porém, do juízo final dar-se-á a descida do Espírito Santo e a renovação espiritual do povo de Deus.
"E há de ser que, depois derramarei o meu Espírito sobre toda a carne, e vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os vossos velhos terão sonhos, os vossos jovens terão visões. E também sobre os servos e sobre as servas naqueles dias derramarei o meu Espírito. E mostrarei prodígios no céu, e na terra, sangue e fogo, e colunas de fumaça. O sol se converterá em trevas, e a lua em sangue, antes que venha o grande e terrível dia do SENHOR. E há de ser que todo aquele que invocar o nome do SENHOR será salvo; porque no monte Sião e em Jerusalém haverá livramento, assim como disse o SENHOR, e entre os sobreviventes, aqueles que o SENHOR chamar" (Jl 2,28-32).
O Apóstolo São Pedro lembrou esta profecia no dia da descida do Espírito Santo, durante a festividade de Pentecostes. O profeta Joel falava sobre os seguintes temas: a) o ataque dos gafanhotos (1,2-20); b) a aproximação do Dia do Senhor (2,1-11); c) o chamado ao arrependimento (2,12-17); d) a misericórdia divina (2,18-27); e) a renovação espiritual (2,28-32); o juízo sobre todos os povos (3,1-17); e a bênção divina por vir (3,18-21).
 
Oração Antes de Ler as Escrituras 
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!

Colossenses 1:1-2, 7-11

Paulo, apóstolo de Jesus Cristo, pela vontade de Deus, e o irmão Timóteo, aos santos e irmãos fiéis em Cristo, que estão em Colossos: Graça a vós, e paz da parte de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo. Como aprendestes de Epafras, nosso amado conservo, que para vós é um fiel ministro de Cristo, o qual nos declarou também o vosso amor no Espírito. Por esta razão, nós também, desde o dia em que o ouvimos, não cessamos de orar por vós, e de pedir que sejais cheios do conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e inteligência espiritual; para que possais andar dignamente diante do Senhor, agradando-lhe em tudo, frutificando em toda a boa obra, e crescendo no conhecimento de Deus; corroborados em toda a fortaleza, segundo a força da sua glória, em toda a paciência, e longanimidade com gozo...

Lucas 9:23-27

O Senhor disse: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me. Porque, qualquer que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas qualquer que, por amor de mim, perder a sua vida, a salvará. Porque, que aproveita ao homem granjear o mundo todo, perdendo-se ou prejudicando-se a si mesmo? Porque, qualquer que de mim e das minhas palavras se envergonhar, dele se envergonhará o Filho do homem, quando vier na sua glória, e na do Pai e dos santos anjos. E em verdade vos digo que, dos que aqui estão, alguns há que não provarão a morte até que vejam o reino de Deus.


† † †

ENSINO DOS SANTOS PADRES

“Não é Duro o Que Manda Aquele Que Ajuda a Realizar o Que Ordena”

Se alguém me quer seguir, que carregue sua cruz. Parece duro, caríssimos irmãos, e se considera como grave o que no Evangelho ordenou o Senhor, dizendo: Se alguém me quer seguir, que se negue a si mesmo. Porém não é duro o que manda aquele que ajuda a realizar o que ordena.

E para onde devemos seguir a Cristo, senão para onde Cristo está? Sabemos, de fato, que ressuscitou, que subiu ao céu: para lá devemos segui-lo. Não devemos ceder à desesperança, e não porque o homem seja capaz de algo, mas porque ele o prometeu. O céu estava muito distante de nós, até que nossa cabeça subiu ao céu. Porém, agora, como vamos desesperar de lá chegar, se somos membros daquela cabeça? E por que razão? Porque a terra é campo do medo e da dor: sigamos a Cristo em quem está a suprema felicidade, a suprema paz, a eterna segurança.

Somente quem deseja seguir a Cristo prestará atenção ao que diz o apóstolo: Quem diz que permanece em Cristo, deve viver como ele viveu. Queres seguir a Cristo? Seja humilde como ele o foi: não desprezes a sua humildade, se desejas elevar-te a sua sublimidade. O caminho se tornou pedregoso ao pecar o homem; porém, voltou a ser transitável desde que Cristo, ao ressuscitar, o aplainou; de estreitíssima trilha se tornou em estrada real. Por esta estrada se corre com os pés gêmeos da humildade e da caridade. Aqui todos aspiram aos cumes da caridade, porém o primeiro degrau é a humildade. O que é isso de queimar etapas? Queres cair, não ascender. Começa pelo primeiro degrau, o da humildade, e já começaste a ascensão.

Por isso, nosso Senhor e Salvador não se satisfez em dizer: Que se negue a si mesmo, mas acrescentou: Que carregue a sua cruz e me siga. O que significa: Que carregue a sua cruz? Suporte qualquer desgosto: e assim me siga. Bastará que me siga imitando a minha vida e cumprindo meus preceitos, para que na ocasião oportuna apareçam muitos oponentes, muitos que tentarão impedi-lo; encontrará não só muitos que zombem dele, mas também muitos perseguidores. E isto não só entre os pagãos, mas até mesmo entre aqueles que, com o corpo, parecem estar dentro da Igreja, mas que na realidade estão fora pela perversidade das obras e, ostentando unicamente do nome de cristãos, não cessam de perseguir aos bons cristãos. Portanto, se tu desejas seguir a Cristo, toma em seguida a sua cruz: suporta aos maus, mantém-te firme.

Assim, se queremos cumprir o que disse o Senhor: Quem quiser vir após mim, carregue a sua cruz e me siga, esforcemo-nos por colocar em prática, com a ajuda de Deus, o que diz o apóstolo: Tendo o que comer e o que vestir, demo-nos por satisfeitos, não nos ocorra que desejando os bens terrenos além da estrita necessidade, busquemos enriquecer-nos, nos embaracemos em mil tentações, criemos para nós necessidades absurdas e nocivas, que afundam os homens na perdição e na ruína. Que o Senhor se digne livrar-nos com sua proteção de semelhante tentação, ele que com o Pai e o Espírito Santo vive e reina pelos séculos dos séculos. Amém.

São Cesário de Arles (séc. VI)

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segunda-feira, 1 de novembro de 2021

20ª Segunda-feira Depois de Pentecostes

01 de Novembro de 2021 (CC) / 19 de Outubro (CE)
S. Profeta Joel (séc. VI a.C)
Tom 1



Joel foi o primeiro profeta que deixou anotações de suas pregações. Ele profetizou na Judá durante os reinados de Joás e Amazias, cerca de 800 anos antes de Cristo. Chamava-se a si mesmo de Petuel. Eram tempos de tranquilidade e bonança. Jerusalém, ou Sião, o templo e os serviços religiosos estavam constantemente na boca do profeta. Porém, nas catástrofes sofridas por Judá (uma seca e, sobretudo, um terrível ataque de gafanhotos) o profeta viu o início do juízo de Deus caindo sobre o povo judeu.
 
O principal vício combatido pelo profeta era o cumprimento formal, sem verdadeiros sentimentos, dos rituais religiosos e das leis. Naquele tempo, o piedoso Rei Joás esforçou-se para restabelecer a religião em Judá, alcançando apenas êxito parcial. O profeta previu um crescimento das superstições pagãs e o subsequente castigo Divino, e conclamou o povo hebreu a um sincero arrependimento, dizendo:
"Ainda assim, agora mesmo diz o SENHOR: Convertei-vos a mim de todo o vosso coração; e isso com jejuns, e com choro, e com pranto. E rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes, e convertei-vos ao SENHOR vosso Deus; porque ele é misericordioso, e compassivo, e tardio em irar-se, e grande em benignidade, e se arrepende do mal" (Jl 2, 12-13).
Frequentemente, numa mesma visão profética se juntavam acontecimentos de distintos séculos, próximos, porém, no plano religioso. Assim, por exemplo, o juízo divino sobre o povo judeu se junta, em sua visão, com o juízo universal do fim dos tempos:
"Suscitem-se os gentios, e subam ao vale de Jeosafá; pois ali me assentarei para julgar todos os gentios em redor. Lançai a foice, porque já está madura a seara; vinde, descei, porque o lagar está cheio, e os vasos dos lagares transbordam, porque a sua malícia é grande. Multidões, multidões no vale da decisão; porque o dia do SENHOR está perto, no vale da decisão. O sol e a lua enegrecerão, e as estrelas retirarão o seu resplendor. E o SENHOR bramará de Sião, e de Jerusalém fará ouvir a sua voz; e os céus e a terra tremerão, mas o SENHOR será o refúgio do seu povo, e a fortaleza dos filhos de Israel. E vós sabereis que eu sou o SENHOR vosso Deus, que habito em Sião, o meu santo monte; e Jerusalém será santa; estranhos não passarão mais por ela. E há de ser que, naquele dia, os montes destilarão mosto, e os outeiros manarão leite, e todos os rios de Judá estarão cheios de águas; e sairá uma fonte, da casa do SENHOR, e regará o vale de Sitim. O Egito se fará uma desolação, e Edom se fará um deserto assolado, por causa da violência que fizeram aos filhos de Judá, em cuja terra derramaram sangue inocente. Mas Judá será habitada para sempre, e Jerusalém de geração em geração. E purificarei o sangue dos que eu não tinha purificado; porque o SENHOR habitará em Sião" (Jl 3, 12-18). 
Antes, porém, do juízo final dar-se-á a descida do Espírito Santo e a renovação espiritual do povo de Deus.
"E há de ser que, depois derramarei o meu Espírito sobre toda a carne, e vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os vossos velhos terão sonhos, os vossos jovens terão visões. E também sobre os servos e sobre as servas naqueles dias derramarei o meu Espírito. E mostrarei prodígios no céu, e na terra, sangue e fogo, e colunas de fumaça. O sol se converterá em trevas, e a lua em sangue, antes que venha o grande e terrível dia do SENHOR. E há de ser que todo aquele que invocar o nome do SENHOR será salvo; porque no monte Sião e em Jerusalém haverá livramento, assim como disse o SENHOR, e entre os sobreviventes, aqueles que o SENHOR chamar" (Jl 2,28-32).
O Apóstolo São Pedro lembrou esta profecia no dia da descida do Espírito Santo, durante a festividade de Pentecostes. O profeta Joel falava sobre os seguintes temas: a) o ataque dos gafanhotos (1,2-20); b) a aproximação do Dia do Senhor (2,1-11); c) o chamado ao arrependimento (2,12-17); d) a misericórdia divina (2,18-27); e) a renovação espiritual (2,28-32); o juízo sobre todos os povos (3,1-17); e a bênção divina por vir (3,18-21).

Oração Antes de Ler as Escrituras  
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!

Filipenses 2:12-16

12 Sendo assim, meus amados, como sempre obedecestes, não somente na minha presença, porém muito mais agora na minha ausência, desenvolvei a vossa própria salvação com reverência e temor a Deus, 13 pois é Deus quem produz em vós tanto o querer como o realizar, de acordo com sua boa vontade. 14Fazei tudo sem murmurações nem contendas; 15 para que vos torneis puros e irrepreensíveis, filhos de Deus inculpáveis, vivendo em um mundo corrompido e perverso, no qual resplandeceis como grandes astros no universo, 16 retendo firmemente a Palavra da vida, para que, no dia de Cristo, eu tenha motivo de me gloriar no fato de que não foi inútil que corri e trabalhei.

Lucas 9:12-18

12 Ao cair da tarde, os Doze se aproximaram de Jesus e lhe sugeriram: “Despede a multidão para que possam ir aos campos vizinhos e aos povoados, e encontrem alimento e pousada, pois aqui estamos em lugar desabitado”. 13 No entanto, Ele lhes ordenou: “Dai-lhes vós algo com que possam se alimentar”. Mas eles replicaram: “Não temos nada além de cinco pães e dois peixes, a não ser que compremos comida para todo esse povo”. 14 Pois estavam ali reunidos cerca de cinco mil homens. Ele, então, orientou aos seus discípulos: “Fazei-os sentar em grupos de cinqüenta pessoas”. 15 E assim procederam os discípulos, e todos se assentaram. 16 Então, tomando os cinco pães e os dois peixes, e erguendo o olhar em direção ao céu, deu graças e os partiu. Em seguida, entregou-os aos discípulos para que os servissem para toda a multidão. 17 E aconteceu que todas as pessoas se alimentaram até ficarem plenamente satisfeitas, e os discípulos recolheram doze cestos repletos de pedaços que haviam sobrado. Pedro confessa que Jesus é o Cristo 18 Certa ocasião, estava Jesus orando em particular, e com Ele estavam seus discípulos; então lhes indagou: “Quem as multidões afirmam que sou Eu?”


ENSINO DOS SANTOS PADRES


Para os enfermos ele fazia milagres sempre, agora faz uma dádiva universal, a fim de que muitos não só fossem espectadores do que a outros acontecia, mas que também desfrutassem do dom por si mesmos. Aquilo que aos judeus antigos lhes parecia no deserto admirável e diziam: Poderá também dar-nos pão e preparar-nos a mesa no deserto?, isso Cristo realiza agora. E os levou ao deserto para que não recaísse suspeita alguma sobre o milagre, e ninguém pensasse que algum povo próximo tenha provido as mesas de pão. Por isto o evangelista recorda não somente o lugar, mas também a hora. Também aprendemos aqui a prudência que os discípulos demonstravam nas coisas necessárias e em que alto grau desprezavam os prazeres. Pois sendo eles doze, não tinham senão cinco pães e dois peixes. Até tal ponto desprezavam as coisas materiais e somente cuidavam das espirituais. Ainda mais: nem mesmo este pouco que tinham guardaram, mas, assim que lhes foi solicitado, o entregaram.

Aprendemos disto que, mesmo quando for pouco o que possuímos, o ofereçamos aos pobres. Pois os apóstolos, mandados apresentar os cinco pães, não exclamaram: “Mas de onde nos alimentaremos depois? Como poderemos amenizar a fome?”, mas prontamente obedecem. A parte da razão do que já aduzimos, parece que Cristo fez o milagre com estes pães, para levar os discípulos à fé, pois eles ainda eram fracos nela. Por isso olha ao céu. Já possuíam muitos exemplos de outros tipos de milagres, mas deste nenhum.

Tendo, portanto, tomado os pães, os partiu, e através dos discípulos os repartiu, conferindo-lhes este cargo de honra. Não o fez somente para honrá-los, mas para que, apalpando a realidade do milagre, não lhe negassem a fé nem se esquecessem do acontecido, do qual suas próprias mãos davam testemunho. E permitiu que primeiro a multidão sofresse a fome e esperou que os discípulos se aproximassem e lhe perguntassem. Também por meio deles fez que a multidão se recostasse na relva, e por eles distribuiu os pães, querendo assim antecipar-se e comprometer cada um por sua própria confissão e por suas obras. Por esta causa, recebeu os pães deles, a fim de que se multiplicassem os testemunhos do milagre e tivessem esses registros e recordações do prodígio. Pois se depois de tantos preparativos ainda se esqueceram, o que teriam feito se Jesus não os houvesse preparado de tantas maneiras? E ordenou que se recostassem na relva, ensinando-os desta forma a viver austeramente. Porque não desejava unicamente que os corpos se alimentassem, mas que as almas assimilassem os ensinamentos.

De maneira que pelo lugar, por não ministrar-lhes senão pães e peixes, por ter ordenado que a todos fosse dado o mesmo e em comunidade o tomassem, de forma que nenhum recebesse mais do que o outro, ensinou a humildade, a temperança e a caridade; e quis que todos amassem a todos com igual afeto e tivessem todas as coisas em comum. E tendo partido os pães, os deu aos discípulos, e os discípulos os deram ao povo. Deu-lhes os cinco pães já partidos; e estes cinco pães, como se fossem uma fonte, multiplicavam-se e brotavam das mãos dos discípulos.

Ele não terminou com este milagre; mas Jesus fez que não somente os pães superabundassem, mas também os pedaços, para perceber que estes pedaços eram daqueles pães, e os ausentes também pudessem saber o que havia acontecido. Para isto permitiu que a multidão sofresse a fome, a fim de que ninguém pensasse que tudo se reduzia a meras aparências. Permitiu que sobrassem doze cestos, para que até mesmo Judas levasse o seu. Podia simplesmente ter apagado a fome na multidão, mas os discípulos não teriam experimentado o seu poder, pois assim aconteceu no tempo de Elias. Nesta ocasião os judeus ficaram de tal forma pasmos que quiseram constituí-lo rei, coisa que em outros milagres não tinham tentado.

São João Crisóstomo,
Patriarca de Constantinopla

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domingo, 1 de novembro de 2020

21º Domingo Depois de Pentecostes

01 de Novembro de 2020 (CC) / 19 de Outubro (CE)
S. Profeta Joel (séc. VI a.C)
Tom 4


Joel foi o primeiro profeta que deixou anotações de suas pregações. Ele profetizava em Judá durante os reinados de Joás e Amazias, cerca de 800 anos antes de Cristo. Chamava-se a si mesmo de Petuel. Eram tempos de tranquilidade e bonança. Jerusalém, ou Sião, o templo e os serviços religiosos estavam constantemente na boca do profeta. Porém, nas catástrofes sofridas por Judá (uma seca e, sobretudo, um terrível ataque de gafanhotos) o profeta viu o início do juízo de Deus caindo sobre o povo judeu.
 
O principal vício combatido pelo profeta era o cumprimento formal, sem verdadeiros sentimentos, dos rituais religiosos e das leis. Naquele tempo, o piedoso Rei Joás esforçou-se para restabelecer a religião em Judá, alcançando apenas êxito parcial. O profeta previu um crescimento das superstições pagãs e o subsequente castigo Divino e chamou o povo hebreu a um sincero arrependimento, dizendo:
«Ainda assim, agora mesmo diz o SENHOR: Convertei-vos a mim de todo o vosso coração; e isso com jejuns, e com choro, e com pranto. E rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes, e convertei-vos ao SENHOR vosso Deus; porque ele é misericordioso, e compassivo, e tardio em irar-se, e grande em benignidade, e se arrepende do mal» (Jl 2, 12-13).
Frequentemente, numa mesma visão profética se juntavam acontecimentos de distintos séculos, próximos, porém, no plano religioso. Assim, por exemplo, o juízo divino sobre o povo judeu se junta, em sua visão, com o juízo universal do fim dos tempos:
« Suscitem-se os gentios, e subam ao vale de Jeosafá; pois ali me assentarei para julgar todos os gentios em redor. Lançai a foice, porque já está madura a seara; vinde, descei, porque o lagar está cheio, e os vasos dos lagares transbordam, porque a sua malícia é grande. Multidões, multidões no vale da decisão; porque o dia do SENHOR está perto, no vale da decisão. O sol e a lua enegrecerão, e as estrelas retirarão o seu resplendor. E o SENHOR bramará de Sião, e de Jerusalém fará ouvir a sua voz; e os céus e a terra tremerão, mas o SENHOR será o refúgio do seu povo, e a fortaleza dos filhos de Israel. E vós sabereis que eu sou o SENHOR vosso Deus, que habito em Sião, o meu santo monte; e Jerusalém será santa; estranhos não passarão mais por ela. E há de ser que, naquele dia, os montes destilarão mosto, e os outeiros manarão leite, e todos os rios de Judá estarão cheios de águas; e sairá uma fonte, da casa do SENHOR, e regará o vale de Sitim. O Egito se fará uma desolação, e Edom se fará um deserto assolado, por causa da violência que fizeram aos filhos de Judá, em cuja terra derramaram sangue inocente. Mas Judá será habitada para sempre, e Jerusalém de geração em geração. E purificarei o sangue dos que eu não tinha purificado; porque o SENHOR habitará em Sião» (Jl 3, 12-18). 
Antes, porém, do juízo final dar-se-á a descida do Espírito Santo e a renovação espiritual do povo de Deus.
«E há de ser que, depois derramarei o meu Espírito sobre toda a carne, e vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os vossos velhos terão sonhos, os vossos jovens terão visões. E também sobre os servos e sobre as servas naqueles dias derramarei o meu Espírito. E mostrarei prodígios no céu, e na terra, sangue e fogo, e colunas de fumaça. O sol se converterá em trevas, e a lua em sangue, antes que venha o grande e terrível dia do SENHOR. E há de ser que todo aquele que invocar o nome do SENHOR será salvo; porque no monte Sião e em Jerusalém haverá livramento, assim como disse o SENHOR, e entre os sobreviventes, aqueles que o SENHOR chamar» (Jl 2,28-32).
O Apóstolo São Pedro lembrou esta profecia no dia da descida do Espírito Santo, durante a festividade de Pentecostes. O profeta Joel falava sobre os seguintes temas: a) o ataque dos gafanhotos (1,2-20); b) a aproximação do Dia do Senhor (2,1-11); c) o chamado ao arrependimento (2,12-17); d) a misericórdia divina (2,18-27); e) a renovação espiritual (2,28-32); o juízo sobre todos os povos (3,1-17); e a bênção divina por vir (3,18-21).
 

Oração Antes de Ler as Escrituras

Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!

MATINAS (X)

João 21:1-14

Depois disto manifestou-se Jesus outra vez aos discípulos junto do mar de Tiberíades; e manifestou-se assim: Estavam juntos Simão Pedro, e Tomé, chamado Dídimo, e Natanael, que era de Caná da Galileia, os filhos de Zebedeu, e outros dois dos seus discípulos. Disse-lhes Simão Pedro: Vou pescar. Dizem-lhe eles: Também nós vamos contigo. Foram, e subiram logo para o barco, e naquela noite nada apanharam. E, sendo já manhã, Jesus se apresentou na praia, mas os discípulos não conheceram que era Jesus. Disse-lhes, pois, Jesus: Filhos, tendes alguma coisa de comer? Responderam-lhe: Não. E ele lhes disse: Lançai a rede para o lado direito do barco, e achareis. Lançaram-na, pois, e já não a podiam tirar, pela multidão dos peixes. Então aquele discípulo, a quem Jesus amava, disse a Pedro: É o Senhor. E, quando Simão Pedro ouviu que era o Senhor, cingiu-se com a túnica (porque estava nu) e lançou-se ao mar. E os outros discípulos foram com o barco (porque não estavam distantes da terra senão quase duzentos côvados), levando a rede cheia de peixes. Logo que desceram para terra, viram ali brasas, e um peixe posto em cima, e pão. Disse-lhes Jesus: Trazei dos peixes que agora apanhastes. Simão Pedro subiu e puxou a rede para terra, cheia de cento e cinquenta e três grandes peixes e, sendo tantos, não se rompeu a rede. Disse-lhes Jesus: Vinde, comei. E nenhum dos discípulos ousava perguntar-lhe: Quem és tu? sabendo que era o Senhor. Chegou, pois, Jesus, e tomou o pão, e deu-lhes e, semelhantemente o peixe. E já era a terceira vez que Jesus se manifestava aos seus discípulos, depois de ter ressuscitado dentre os mortos.

LITURGIA

Tropárion da Ressurreição
As santas mulheres discípulas do Senhor, / recebendo do Anjo a boa-nova da Ressurreição / correram orgulhosas / dizer aos Apóstolos: / “a morte está vencida, / pois Cristo nosso Deus ressuscitou, // concedendo ao mundo a Sua infinita misericórdia”.

Kondákion da Ressurreição
Meu Salvador e Libertador, / como Deus Tu libertaste de suas amarras aqueles nascido na terra, /e partiste em pedaços os portões do Inferno, / e ressuscitaste ao terceiro dia
// como Mestre.

Prokímenon

Refrão: Ó, Senhor, quão harmoniosas são as Tuas obras!
Feitas, todas, com sabedoria. (Sl. 103:24)

Versículo:  Bendiz ó minha alma ao Senhor, 
Senhor meu Deus, Tu és infinitamente grande! (Sl. 103:1)

Gálatas 2:16-20

Sabendo que o homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo, temos também crido em Jesus Cristo, para sermos justificados pela fé em Cristo, e não pelas obras da lei; porquanto pelas obras da lei nenhuma carne será justificada. Pois, se nós, que procuramos ser justificados em Cristo, nós mesmos também somos achados pecadores, é porventura Cristo ministro do pecado? De maneira nenhuma. Porque, se torno a edificar aquilo que destruí, constituo-me a mim mesmo transgressor. Porque eu, pela lei, estou morto para a lei, para viver para Deus. Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a pela fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim.

Aleluia

Aleluia, aleluia, aleluia!
Cinge a Tua espada, com majestade e esplendor,
Cavalga vitorioso, pela causa da verdade e da justiça. 

Aleluia, aleluia, aleluia!
Amaste a justiça e detestaste a iniquidade,
Por isso Deus Te ungiu com o óleo da alegria.

Aleluia, aleluia, aleluia!

Lucas 8:5-15

5 “Eis que um semeador saiu a semear. Enquanto lançava a semente, parte dela caiu à beira do caminho; foi pisoteada, e as aves do céu a devoraram. 6 Outra parte caiu sobre as rochas e, quando germinou, as plantas secaram, pois não havia umidade suficiente. 7 Outra parte ainda, caiu entre os espinhos, que com ela cresceram e sufocaram suas plantas. 8 Todavia, uma outra parte, caiu em boa terra. Germinou, cresceu e produziu grande colheita, a cem por um”. Tendo concluído esta parábola, exclamou: “Aquele que tem ouvidos para ouvir, ouça!”.  9 Seus discípulos lhe perguntaram o que Ele queria comunicar com aquela parábola. 10 Ao que Ele lhes replicou: “A vós outros é concedido saber os mistérios do Reino de Deus; aos demais, contudo, anuncio através de parábolas, para que ‘vendo, não vejam; e ouvindo, não compreendam’. 11 Eis, portanto, o esclarecimento desta parábola: A semente é a Palavra de Deus. 12 As que caíram à beira do caminho representam todos os que ouvem, mas então chega o Diabo e tira a Palavra do coração deles, para que não venham a crer e não sejam salvos. 13 As que caíram sobre as rochas simbolizam os que recebem a Palavra com alegria assim que a ouvem, contudo não possuem raiz. Crêem por um período, mas desistem no tempo da provação. 14 As que caíram entre os espinhos, significam os que ouvem; todavia, ao seguirem seu caminho, são sufocados pelas muitas ansiedades, pelas riquezas e pelos prazeres desta vida, e não conseguem amadurecer. 15 No entanto, as que caíram em boa terra, são os que, de bom coração e com sinceridade, ouvem a Palavra, a entesouram, e com perseverança, frutificam.

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REFLEXÃO


“Ao Homem Lhe Cabe Semear; a Deus, Dar o Crescimento”

Passava o Senhor por algumas sementeiras: o grão de trigo entre as messes; aquele grão de trigo espiritual, que caiu em um lugar determinado e ressuscitou fecundo no mundo inteiro. Ele disse de si mesmo: Se o grão de trigo não cai na terra e morre, fica infecundo; mas se morre, dá muito fruto.

Passava, portanto, Jesus por algumas sementeiras: aquele que um dia haveria de ser grão de trigo por sua virtude nutritiva, por enquanto é um semeador, conforme se diz nos evangelhos: o semeador saiu a semear. Jesus, é verdade, espalha a semente generosamente, mas a quantia do fruto depende da qualidade do terreno. Porque no terreno pedregoso facilmente a semente seca, e não por impotência da semente, mas por culpa da terra, pois enquanto a semente está cheia de vitalidade, a terra é estéril por falta de profundidade. Quando a terra não mantém a umidade, os raios solares penetrando com mais força ressecam a semente: certamente não por algum defeito na semente, mas por culpa do solo.

Se a semente cai em uma terra cheia de espinhos, a vitalidade da semente acaba sendo sufocada pelos espinhos, que não permitem que a virtualidade interior se desenvolva, devido a um condicionante exterior. Em vez disso, se a semente cai em terra boa nem sempre produz resultado idêntico, mas algumas vezes trinta, outras sessenta, e outras cem por um. A semente é a mesma, os frutos diversos, como diversos são também os resultados espirituais naqueles que são instruídos.

Saiu, pois, o semeador a semear: em parte o fez pessoalmente e em parte através de seus discípulos. Lemos nos Atos dos Apóstolos que, após o apedrejamento de Estêvão, todos – menos os apóstolos – se dispersaram, não que se desagregassem por causa de sua fragilidade; não se separaram por razões de fé, mas simplesmente se dispersaram. Convertidos em trigo por virtude do semeador e, transformados em pão celestial pela doutrina de vida, difundiram por toda parte sua eficácia.

Então, o semeador da doutrina, Jesus, Filho unigênito de Deus, passava por algumas sementeiras. Ele não é apenas semeador de sementes, mas também de ensinamentos densos de admirável doutrina, em conivência com o Pai. Este é o mesmo que passava por algumas sementeiras. Aquelas sementes eram certamente portadoras de grandes milagres.

Vejamos agora o que diz respeito à semente no momento da semeadura, e falemos dos brotos que a terra produz na primavera, não para abordar de forma técnica o tema, mas para adorar ao autor de tais maravilhas. Vão os homens e, conforme o seu leal saber e entender, atrelam os bois ao arado, lavram a terra, afofam as camadas superiores para que as chuvas não escorram, mas empapando profundamente a terra façam germinar um fruto copioso. A semente, lançada a uma terra bem afofada, possui uma dupla vantagem: primeiro, a profundidade e a frieza da terra; segundo, permanece oculta, resguardada da voracidade das aves. O homem certamente faz tudo o que está ao seu alcance; mas não está ao seu alcance o fazer frutificar. Ao homem lhe cabe semear; a Deus, dar o crescimento. Quando a semente começa a brotar e cresce, desprende-se da espiga e o fruto indica se si trata de trigo ou de joio.

Compreendestes o que acabo de dizer; agora devo dar um passo a mais e apontar para realidades mais espirituais. Mediante os apóstolos, Jesus semeou a palavra do Reino dos Céus por toda a terra. O ouvido que escutou a pregação a retém em seu interior; e ela brota na medida em que frequente assiduamente a Igreja. E nos reunimos em um mesmo local, tanto os produtores de trigo como de joio; assim o infiel como o hipócrita, para manifestar com maior realismo o que se prega. Nós, os agricultores da Igreja, vamos metendo pelo semeado o enxadão das palavras, para cultivar o campo de modo que dê fruto. Ainda desconhecemos as condições do terreno: a semelhança das folhas pode com frequência induzir ao erro aos que coordenam. Porém, quando a doutrina se traduz em obras e adquire consistência o fruto das fadigas, então se revela quem é fiel e quem é hipócrita.

Santo Atanásio, Patriarca de Alexandria (séc. IV)

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