quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

2ª Quinta-feira do Triódion

PÓS-FESTA DO ENCONTRO
35ª Quinta-feira Depois de Pentecostes 
16 de Fevereiro de 2017 (CC) - 03 de Fevereiro (CE)
Sinaxys dos Santos Simeão, o justo e Ana, profetisa (séc. I)
Modo 1





São Simeão viveu na época do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo. Segundo o Evangelista Lucas, Simeão recebeu de Deus a promessa de que não morreria enquanto não visse o Messias. Conforme certa tradição, ele recebeu esta promessa antes do nascimento do Salvador. Simeão era integrante do corpo dos 72 tradutores dos livros das Sagradas Escrituras (do hebraico para a língua grega), para a biblioteca do rei do Egito, Ptolomeu Filadelfo. Esta obra ficou conhecida como Septuaginta (a Bíblia dos 70 – LXX), e até hoje, permanece no Cânon Sagrado da Igreja Ortodoxa.

 Quando Simeão estava traduzindo as profecias de Isaias sobre o nascimento do «Emanuel» através de uma virgem, duvidou da exatidão da profecia e quis mudar a palavra «virgem» (παρθένος – partenos), pelo termo« mulher» (γυνὴ - guine). Neste momento teve uma revelação do Espírito Santo para que não alterasse a profecia, e ainda, que não morreria até que se cumprisse a profecia de Isaias sobre o nascimento do Messias que se daria exatamente através de uma virgem.

Quando o menino Deus nasceu e foi trazido ao Templo, Simeão recebeu a revelação do Espírito Santo de que sua esperança havia se realizado e que no Templo de Jerusalém finalmente veria o Salvador. Ao chegar ao Templo o velho Simeão não só viu o menino prometido, como também sua puríssima Mãe-Virgem, e dignou-se segurar menino Jesus em seus braços. Foi neste momento que pronunciou aquelas palavras perenes, que tão frequentemente se escuta durante o ofício litúrgico das Vésperas:

«Agora podes deixar teu servo ir em paz, Senhor, segundo tua palavra, pois meus olhos viram a salvação que preparaste a todos os povos, luz que ilumina as nações e para a glória de teu povo, Israel».

Simeão representa a humanidade do Antigo Testamento que esperava pela vinda do Salvador, e que simultaneamente se transforma em anunciador do Novo Testamento.

O evangelista São Lucas não especifica no que trabalhava São Simeão, porém, em alguns hinos da Igreja, ele é chamado de sacerdote e santo, o que leva a intuir que era um dos sacerdotes que oficiava no Templo (Lc 2,23-37).

Junto com Simeão, Santa Ana foi digna de encontrar-se com o Senhor no Templo de Jerusalém. O Evangelho informa que ela provém da tribo de Aser e que era filha de Fanuel. Depois de estar casada durante 7 anos, ficou viúva, dedicando-se ao serviço do Templo, servindo a Deus dia e noite, em jejuns e orações (Lc 2,37). Santa Ana tinha o dom da profecia. Para todos ela é um exemplo de vida verdadeiramente digna de respeito. Segundo o apóstolo Paulo, estas viúvas eram, para a Igreja, de um grande valor e serviam de exemplo e ensino para a juventude (Tm 5, 3-5). Já tinha chegado a uma idade avançada e, como Simeão, ela esperava pelo Salvador. Estava atenta a todos os fatos espirituais e somou sua voz de anciã à glorificação de Simeão feita no Templo durante o encontro com o Menino Deus. Nas orações da Igreja, Santa Ana é venerada como uma mulher viúva, casta e muito respeitada. É considerada também «a profetisa do Novo Testamento».


Oração Antes de Ler as Escrituras
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!
1 João 4:20-5:21

20 Se alguém diz: Eu amo a Deus, e odeia a seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama a seu irmão, ao qual viu, não pode amar a Deus, a quem não viu. 21 E dele temos este mandamento, que quem ama a Deus ame também a seu irmão. 1 Todo aquele que crê que Jesus é o Cristo, é o nascido de Deus; e todo aquele que ama ao que o gerou, ama também ao que dele é nascido. 2 Nisto conhecemos que amamos os filhos de Deus, se amamos a Deus e guardamos os seus mandamentos. 3 Porque este é o amor de Deus, que guardemos os seus mandamentos; e os seus mandamentos não são penosos; 4 porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé. 5 Quem é o que vence o mundo, senão aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus? 6 Este é aquele que veio por água e sangue, isto é, jesus Cristo; não só pela água, mas pela água e pelo sangue. 7 E o Espírito é o que dá testemunho, porque o Espírito é a verdade. 8 Porque três são os que dão testemunho: o Espírito, e a água, e o sangue; e estes três concordam. 9 Se recebemos o testemunho dos homens, o testemunho de Deus é este, que de seu Filho testificou - 10 Quem crê no Filho de Deus, em si mesmo tem o testemunho; quem a Deus não crê, mentiroso o fez; porquanto não creu no testemunho que Deus de seu Filho deu. - 11 E o testemunho é este: que Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está em seu Filho. 12 Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida. 13 Estas coisas vos escrevo, a vós que credes no nome do Filho de Deus, para que saibais que tendes a vida eterna. 14 E esta é a confiança que temos nele, que se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, ele nos ouve. 15 e, se sabemos que nos ouve em tudo o que pedimos, sabemos que já alcançamos as coisas que lhe temos pedido. 16 Se alguém vir seu irmão cometer um pecado que não é para morte, pedirá, e Deus lhe dará a vida para aqueles que não pecam para a morte. Há pecado para morte, e por esse não digo que ore. 17 Toda injustiça é pecado; e há pecado que não é para a morte. 18 Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não vive pecando; antes o guarda aquele que nasceu de Deus, e o Maligno não lhe toca. 19 Sabemos que somos de Deus, e que o mundo inteiro jaz no Maligno. 20 Sabemos também que já veio o Filho de Deus, e nos deu entendimento para conhecermos aquele que é verdadeiro; e nós estamos naquele que é verdadeiro, isto é, em seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna. 21 Filhinhos, guardai-vos dos ídolos. 

Marcos 15:1-15

1 Logo de manhã tiveram conselho os principais sacerdotes com os anciãos, os escribas e todo o sinédrio; e maniatando a Jesus, o levaram e o entregaram a Pilatos. 2 Pilatos lhe perguntou: És tu o rei dos judeus? Respondeu-lhe Jesus: É como dizes. 3 e os principais dos sacerdotes o acusavam de muitas coisas. 4 Tornou Pilatos a interrogá-lo, dizendo: Não respondes nada? Vê quantas acusações te fazem. 5 Mas Jesus nada mais respondeu, de maneira que Pilatos se admirava. 6 Ora, por ocasião da festa costumava soltar-lhes um preso qualquer que eles pedissem. 7 E havia um, chamado Barrabás, preso com outros sediciosos, os quais num motim haviam cometido um homicídio. 8 E a multidão subiu e começou a pedir o que lhe costumava fazer. 9 Ao que Pilatos lhes perguntou: Quereis que vos solte o rei dos judeus? 10 Pois ele sabia que por inveja os principais sacerdotes lho haviam entregado. 11 Mas os principais sacerdotes incitaram a multidão a pedir que lhes soltasse antes a Barrabás. 12 E Pilatos, tornando a falar, perguntou-lhes: Que farei então daquele a quem chamais reis dos judeus? 13 Novamente clamaram eles: Crucifica-o! 14 Disse-lhes Pilatos: Mas que mal fez ele? Ao que eles clamaram ainda mais: Crucifica-o! 15 Então Pilatos, querendo satisfazer a multidão, soltou-lhe Barrabás; e tendo mandado açoitar a Jesus, o entregou para ser crucificado. 



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COMENTÁRIO


São Teófano, o Recluso 

Esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé (I João 5: 4) -a fé cristã. Vencer o mundo: o que isso significa? Não é exterminar todos aqueles que amam o mundo, ou para aniquilar e destruir tudo que é amado pelo mundo. Ao contrário, significa que enquanto vivendo em meio aqueles que amam o mundo e se movendo em meio a costumes amados no mundo, viver e ser alheio a tudo e a todos. Assim que você rejeitou o mundo e a tudo que é mundano, com esta atitude vence o mundo. Mas, quem é que te ensina a rejeitar o mundo e quem te dá a força para isso? Nossa Fé [Ortodoxa] nos fortalece. Ele revela e destrói as ilusões do mundo e inspira o desejo de libertar-se de suas redes. Então, quando alguém resolve quebrar estas correntes, se arrepende e se aproxima dos Mistérios Restauradores - o batismo ou a confissão - e a fé lhe permite sentir misticamente a doçura de uma vida oposta à do mundo, uma doçura com a qual todos os prazeres do mundo não podem, de forma alguma, entrar em comparação. Como resultado, surge um ódio por tudo que de mundano habita no coração, o que na verdade é a superação do mundo. E é nesta ação mística, como resultado do ódio a tudo que do mundo é gerado, que se é concedido o poder de permanecer firmes nesta aversão e alienação do mundo; e esta é uma vitória decisiva e duradoura.

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