domingo, 5 de fevereiro de 2017

Domingo do Publicano e do Fariseu

33º DOMINGO DEPOIS DE PENTECOSTES
05 de Fevereiro de 2017 (CC) - 23 de Janeiro (CE)
Santo Mártir Clemente, Bispo de Ankara;
Santo Mártir Agatângelos Dionisio de
Monte AthosS. Genádios, Monge de Kostroma
Modo 8



São Clemente de Ankara 
São Clemente de Ankara (Ankara, 258 - 312) foi bispo e mártir. Nasceu de um pai pagão e de uma mãe cristã fervorosa chamada Sofia, que morreu quando Clemente tinha 12 anos. Clemente foi eleito bispo de Ancira aos 20 anos. De Ancira foi levado preso para Roma sendo também torturado, no tempo das perseguições aos cristãos perpetrados pelo imperador Diocleciano. Levado de volta para Ancira lá foi martirizado em 312 durante o reinado do imperador Maximino, juntamente com Santo Agatângelos, diácono de Roma, que o havia conhecido durante o período de sua prisão. 
Santo Agatângelos 
Santo Agatângelos (Roma, século III - 312), foi um diácono, mártir e discípulo de São Clemente de Ancira, que o conheceu quando estavam presos em Roma pelo Imperador Diocleciano. Juntos voltaram para Ancira, e em 312 ambos foram decapitados durante o reinado do Imperador Maximino. 
São Genádios 
São Genádios, da cidade de Kostroma, foi batizado com o nome de Gregório.  Nasceu na cidade de Mogilev, na Lituânia em uma família russo-lituana muito rica. Desde sua juventude se distinguia por sua devoção. Gostava de ir à Igreja e cumpria rigorosamente os tempos de jejum; por isso seus amigos riam dele.

Desejando dedicar sua vida exclusivamente a Deus, deixou secretamente a casa de seus pais e, vestido como um pobre foi para Rússia onde visitou Moscou e Novgorod, mas não encontrou um monastério de acordo com suas necessidades espirituais. Foi então para o rio Svir onde se encontrava o venerável Alexandre, o qual lhe recomendou que fosse ao bosque de Vologodsk onde vivia o venerável Cornélio de Comel. Lá, após algum tempo, recebeu o hábito monástico de Cornélio, adquirindo o nome de Genádios.

Algum tempo depois, os veneráveis Cornélio e Genádios partiram para o lago Surskoe, próximo do rio Kostroma. Ali fundaram um monastério com duas igrejas. Mais tarde, este monastério passou a se chamar Monastério de Genádios. São Genádios trabalhava incansavelmente, fazendo os pães (Prósforas) para a Liturgia, cortando lenha, cavando lagos com a irmandade etc. Para crescer espiritualmente, sempre usava as correntes de asceta. Gostava muito de escrever ícones com os quais adornava as paredes das igrejas de seu monastério. Por sua vida devota, recebeu de Deus o dom da profecia  e  da cura. 
Estando em Moscou, profetizou que a filha de Boyardo Roman  Zajarin, Anastácia Romanov, seria czarina. Tempos depois, Anastácia tornou-se esposa do czar João, o Terrível. O mesmo czar João, o Terrível pediu ao venerado Genádios que fosse padrinho de sua filha. Genádios também curou o Bispo Cipriano de Vologda de uma doença mortal. Faleceu no ano de 1565 e no a no de 1644 foram encontradas suas relíquias que foram trasladadas para a Igreja da Transfiguração de seu monastério. O Venerável Gennádios escreveu «Instruções de um pai espiritual a um monge recém ordenado» e «Testamento espiritual».

O Sexto Concílio Ecumênico 
A primeira sessão foi realizada em Constantinopla durante os anos 680-681 dC. Este Concílio condenou a heresia Monotelita, que erroneamente ensinava que em Cristo havia apenas uma vontade divina, e não uma vontade humana. O Concílio também decretou vários cânones sobre a ordem e a disciplina do clero.


Oração Antes de Ler as Escrituras
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!

MATINAS (XI)

João 21:15-25

E, depois de terem jantado, disse Jesus a Simão Pedro: Simão, filho de Jonas, amas-me mais do que estes? E ele respondeu: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe: Apascenta os meus cordeiros. Tornou a dizer-lhe segunda vez: Simão, filho de Jonas, amas-me? Disse-lhe: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe: Apascenta as minhas ovelhas. Disse-lhe terceira vez: Simão, filho de Jonas, amas-me? Simão entristeceu-se por lhe ter dito terceira vez: Amas-me? E disse-lhe: Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que eu te amo. Jesus disse-lhe: Apascenta as minhas ovelhas. Na verdade, na verdade te digo que, quando eras mais moço, te cingias a ti mesmo, e andavas por onde querias; mas, quando já fores velho, estenderás as tuas mãos, e outro te cingirá, e te levará para onde tu não queiras. E disse isto, significando com que morte havia ele de glorificar a Deus. E, dito isto, disse-lhe: Segue-me. E Pedro, voltando-se, viu que o seguia aquele discípulo a quem Jesus amava, e que na ceia se recostara também sobre o seu peito, e que dissera: Senhor, quem é que te há de trair? Vendo Pedro a este, disse a Jesus: Senhor, e deste que será? Disse-lhe Jesus: Se eu quero que ele fique até que eu venha, que te importa a ti? Segue-me tu. Divulgou-se, pois, entre os irmãos este dito, que aquele discípulo não havia de morrer. Jesus, porém, não lhe disse que não morreria, mas: Se eu quero que ele fique até que eu venha, que te importa a ti? Este é o discípulo que testifica destas coisas e as escreveu; e sabemos que o seu testemunho é verdadeiro. Há, porém, ainda muitas outras coisas que Jesus fez; e se cada uma das quais fosse escrita, cuido que nem ainda o mundo todo poderia conter os livros que se escrevessem. Amém.

LITURGIA

2 Timóteo 3:10-15

10 Tu, porém, tens observado a minha doutrina, procedimento, intenção, fé, longanimidade, amor, perseverança, 11 as minhas perseguições e aflições, quais as que sofri em Antioquia, em Icônio, em Listra; quantas perseguições suportei! e de todas o Senhor me livrou. 12 E na verdade todos os que querem viver piamente em Cristo Jesus padecerão perseguições. 13 Mas os homens maus e impostores irão de mal a pior, enganando e sendo enganados. 14 Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste, e de que foste inteirado, sabendo de quem o tens aprendido, 15 e que desde a infância sabes as sagradas letras, que podem fazer-te sábio para a salvação, pela que há em Cristo Jesus.  

Lucas 18:10-14

10 Dois homens subiram ao templo para orar; um fariseu, e o outro publicano. 11 O fariseu, de pé, assim orava consigo mesmo: Ó Deus, graças te dou que não sou como os demais homens, roubadores, injustos, adúlteros, nem ainda com este publicano. 12 Jejuo duas vezes na semana, e dou o dízimo de tudo quanto ganho. 13 Mas o publicano, estando em pé de longe, nem ainda queria levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, sê propício a mim, o pecador! 14 Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque todo o que a si mesmo se exaltar será humilhado; mas o que a si mesmo se humilhar será exaltado.  

 † † †


Os Portões Do Arrependimento


“Abra para mim, ó Doador da Vida, as portas do arrependimento...” canta a Igreja nas Matinas para o primeiro dos quatro domingos que nos preparam para a Quaresma. Na verdade, este domingo poderia ser pensado como uma porta, através da qual entramos no período sagrado que nos leva para a Páscoa; uma porta que se abre para a atmosfera de arrependimento, para o caminho que prepara a vida nova, que a Quaresma deve trazer para cada um de nós. Mas devemos lembrar que a palavra “penitência” ou “arrependimento” é uma tradução do termo grego "metanóia", e que significa "mudança de espírito". Metanóia significa muito mais estar envolvido [internamente] do que o cumprimento de algum tipo de arrependimento exterior. Uma mudança radical, renovação, conversão, é isto o que nos é pedido.

Este domingo, no calendário litúrgico, é chamado de "Domingo do Fariseu e Publicano". A Igreja, a fim de nos exortar ao verdadeiro arrependimento, coloca diante de nós a cena de dois homens que vão ao templo para orar, e dos quais um é justificado por conta de sua humildade e sua sincera contrição.

Podemos nos atrever a dizer que a parábola do fariseu e publicano (Lc 18: 10-14), que é lida na liturgia, é a mais perigosa de todas as parábolas. Porque estamos tão acostumados a condenar o farisaísmo que aqui parece que estamos a dizer: "Pelo menos, apesar de todo o meu pecado, não sou fariseu. Não sou um hipócrita”. Esquecemo-nos que a oração do fariseu não é totalmente má. O fariseu afirma que jejua, que dá o dízimo, que está livre dos pecados mais grosseiros. E isso tudo é verdade. Além disso, o fariseu não toma o crédito por suas boas ações, ele reconhece que elas vêm de Deus, e dá graças a Deus. No entanto, a oração do fariseu erra de duas maneiras: falta-lhe o arrependimento e humildade, pois não parece que ele tenha consciência... das deficiências - talvez desculpáveis - das quais ele, como todos os homens, é culpado. E, além disso, ele se compara ao publicano com um certo orgulho, um certo desdém. Será que temos o direito de condenar o fariseu, e nos considerarmos mais justos do que ele? Mas, antes de tudo, se nós quebramos os mandamentos que o fariseu observa, será que temos o direito de nos colocar no mesmo nível do publicano justificado, em contraste com o fariseu? Nós não podemos fazer isso, a menos que nossa atitude seja exatamente a mesma que a do publicano. Será que nos atrevemos a dizer que temos a humildade e o arrependimento do publicano? Se nós ostensivamente condenamos o fariseu, sem verdadeiramente assumirmos a humildade do publicano, então nós mesmos é que estaremos caindo no próprio farisaísmo.

Vamos agora olhar mais de perto o publicano. Ele não se atreve a levantar os olhos; ele fere seu peito; implora a Deus que tenha misericórdia dele, pois ele percebe que ele é um pecador. Toda a sua atitude corporal é de humildade. É por isso que o Salvador disse:

Este homem desceu justificado para sua casa, em vez do outro”.

Notamos que Jesus diz: “em vez do outro”', deixando, de alguma forma, o caso do fariseu aberto ao nosso pensamento. E Jesus acrescenta:

"Todo aquele que se exalta será humilhado; e o que se humilha será exaltado".

Vamos tentar explorar este episódio mais profundamente. É o publicano justificado simplesmente porque ele humildemente confessa seu pecado diante de Deus? Não é só isso, nesse caso, há algo a mais. O núcleo da oração do publicano é um apelo, cheio de confiança, na bondade e na ternura de Deus. "Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador!" Estas primeiras palavras ecoam as do Salmo 51, que é essencialmente a abertura do salmo de penitência:

“Tem misericórdia de mim, ó Deus, segundo a tua benignidade; apaga as minhas transgressões, segundo a multidão das tuas misericórdias.” (Sl 51:1)

 O fato de que Jesus escolhe para colocar estas palavras na boca do publicano e, assim, torná-las modelo de nossas orações de arrependimento, lança uma grande luz sobre a alma do Salvador, e sobre o que Ele pretende. O que Jesus pede de um pecador penitente (e, portanto, de cada um de nós), é acima de tudo este abandono, esta confiança absoluta na terna misericórdia e na graça de Deus.

Nas matinas, a Igreja resume a parábola evangélica e formula assim o pensamento central para este domingo:

"Senhor, que reprovaste o fariseu por justificar-se a si mesmo e por tomar-se de orgulho por suas ações, Tu que justificastes o publicano, quando ele se aproximou humildemente de Ti, buscando, com gemidos, o perdão por seus pecados. Pois Tu não te aproximarás dos pensamentos arrogantes, nem manterás longe de Ti um coração contrito. Por isso, nós também ajoelhamos humildemente diante de Ti, Tu que sofreste por nós, conceda-nos o Teu perdão e a Tua grande misericórdia".

A epístola para este domingo é tomada da segunda carta de São Paulo a seu discípulo Timóteo (II Tm 3: 10-15). O apóstolo, resumidamente, lembra a Timóteo de tudo o que ele, Paulo, teve que sofrer: perseguições e aflições de todos os tipos. Ele exorta Timóteo, que desde a infância foi criado acreditando em Cristo e nas Escrituras, a não desanimar, e a perseverar com caridade e paciência. Na véspera da Quaresma, esta epístola nos adverte que provas e dificuldades não vão faltar durante os santos preparativos para a Páscoa. Paulo tanto diz para nós quanto para Timóteo:

“Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste, e de que foste inteirado, sabendo de quem o tens aprendido” (II Tm 3:14).


Fonte: Boletim da Igreja Ortodoxa Polones



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