Mostrando postagens com marcador Decapitação de São João Batista. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Decapitação de São João Batista. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 11 de setembro de 2025

14ª Quinta-feira Depois de Pentecostes

11 de Setembro de 2025 (CC) / 29 de Agosto (CE)
Decapitação do Venerável e Ilustre, Profeta e Precursor do Senhor, João Batista;
Santa Monja Teodora de Tessalônica (892)
Tom 4


Os Evangelistas Mateus (Mt. 14:1-12) e Marcos (Mc. 6:14-29) fornecem relatos sobre o fim do Mártir de João Batista no ano 32 após o nascimento de Cristo. 
Após o Batismo do Senhor, São João Batista foi trancado na prisão por Herodes Antipas, mantendo um quarto do governo da Terra Santa como governador da Galiléia. (Depois da morte do rei Herodes, o Grande, os romanos dividiram o território da Palestina em quatro partes, e em cada parte colocaram um governador. Herodes Antipas recebeu do Imperador Augusto o governo da Galiléia). O profeta de Deus João denunciou abertamente Herodes por ter deixado sua legítima esposa – a filha do rei árabe Aretas, e depois coabitar com Herodias – a esposa de seu irmão Filipe (Lc 3, 19-20). 
Em seu aniversário, Herodes fez um banquete para os dignitários, os anciãos e mil cidadãos principais. A filha de Herodes, Salomé, dançou diante dos convidados e encantou Herodes. Em gratidão à garota, ele jurou lhe dar qualquer coisa, qualquer coisa que ela pedisse, qualquer coisa até metade de seu reino. A vil menina, a conselho de sua perversa mãe Herodias, pediu que lhe fosse dada imediatamente a cabeça de João Batista em um prato. Herodes ficou apreensivo, pois temia a ira de Deus pelo assassinato de um profeta, a quem antes ele havia atendido. Ele temia também as pessoas, que amavam o santo Precursor. Mas por causa dos convidados e seu juramento descuidado, ele deu ordens para cortar a cabeça de São João e entregá-la a Salomé. Por tradição, a boca da cabeça morta do pregador do arrependimento mais uma vez se abriu e proclamou: 
"Herodes, você não deve ter a esposa de seu irmão Filipe". 
Salomé pegou o prato com a cabeça de São João e deu à mãe. A frenética Herodias repetidamente esfaqueou a língua do profeta com uma agulha e enterrou sua cabeça sagrada em um lugar impuro. Mas a piedosa Joana, esposa do administrador de Herodes, Chuza, enterrou a cabeça de João Batista em um vaso de barro no Monte das Oliveiras, onde Herodes era possuidor de uma parcela de terra (o Descobrimento da Venerável Cabeça é comemorado em 24 de fevereiro). O corpo santo de João Batista foi levado naquela noite por seus discípulos e sepultado em Sebasteia, lá onde o mal foi feito. Após o assassinato de São João Batista, Herodes continuou a governar por um certo tempo. Pôncio Pilatos, governador da Judéia, mais tarde lhe enviou Jesus Cristo amarrado, de quem escarnece (Lc. 23: 7-12). 
O julgamento de Deus veio sobre Herodes, Herodias e Salomé, ainda durante sua vida terrena. Salomé, atravessando o rio Sikoris no inverno, caiu no gelo. O gelo cedeu tanto que seu corpo ficou na água, mas sua cabeça ficou presa embaixo do gelo. Era semelhante a como uma vez ela dançou com os pés no chão, mas agora se debatendo impotente na água gelada. Assim ela ficou presa até aquele momento em que o gelo afiado cortou seu pescoço. O cadáver não foi encontrado, mas trouxeram a cabeça a Herodes e Herodias, como outrora lhes trouxeram a cabeça de São João Batista. O rei árabe Aretas em vingança pelo desrespeito demonstrado a sua filha fez guerra contra Herodes. Tendo sofrido a derrota, Herodes sofreu a ira do imperador romano Caio Caligua (37-41) e foi exilado com Herodias primeiro para a Gália e depois para a Espanha. E lá estavam eles à vista. 
Em memória da decapitação de São João Batista, a festa instituída pela Igreja é também um dia estrito de jejum – como expressão da dor dos cristãos pela morte violenta do santo. Neste dia, a Igreja faz memória dos soldados mortos no campo de batalha, conforme estabelecido em 1769, na época de uma guerra da Rússia com os turcos e os poloneses. 
Leituras Comemorativas 
Marcos 14:1-13 (Matinas)
Atos 13:25-32
Marcos 6:14-30
A Venerável Theodora de Tessalônica

Theodora e seu marido, um homem rico e devoto, viveram na ilha de Egina. Quando os árabes ameaçaram Egina, eles se estabeleceram em Tessalônica. Lá entregaram a sua única filha para um mosteiro, e seu nome monástico foi Theopista.  
O marido de Theodora morreu logo depois disso, e, então, Theodora também se tornou uma monja. Santa Teodora tornou-se uma grande asceta. Muitas vezes ouvia o canto angelical, e muitas vezes dizia para as irmãs:  
"Não ouves como belamente os anjos cantam no santuário celestial?"  
Santa Theodora morreu com a idade de 75 anos, no ano 879 dC. De suas relíquias fluía mirra, que curava e beneficiava a muitos.

Oração Antes de Ler as Escrituras
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém! 

Gálatas 1:1-10,20-2:5

Fragmento 198 - Paulo, apóstolo (não da parte dos homens, nem por homem algum, mas por Jesus Cristo, e por Deus Pai, que O ressuscitou dentre os mortos), e todos os irmãos que estão comigo, às igrejas da Galácia: Graça e paz da parte de Deus Pai e do nosso Senhor Jesus Cristo, O qual Se deu a Si mesmo por nossos pecados, para nos livrar do presente século mau, segundo a vontade de Deus nosso Pai, ao Qual seja dada glória para todo o sempre. Amém. Maravilho-me de que tão depressa passásseis d’Aquele que vos chamou à graça de Cristo para outro evangelho; o qual não é outro, mas há alguns que vos inquietam e querem transtornar o Evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema. Assim, como já vos dissemos, agora de novo também vos digo: Se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema. Porque, persuado eu agora a homens ou a Deus? Ou procuro agradar a homens? Se estivesse ainda agradando aos homens, não seria servo de Cristo. Ora, acerca do que vos escrevo, eis que diante de Deus testifico que não minto. Depois fui para as partes da Síria e da Cilícia. E não era conhecido de vista das igrejas da Judéia, que estavam em Cristo; mas somente tinham ouvido dizer: Aquele que já nos perseguiu anuncia agora a fé que antes destruía. E glorificavam a Deus a respeito de mim. Depois, passados catorze anos, subi outra vez a Jerusalém com Barnabé, levando também comigo Tito. E subi por uma revelação, e lhes expus o Evangelho, que prego entre os gentios, e particularmente aos que estavam em estima; para que de maneira alguma não corresse ou não tivesse corrido em vão. Mas nem ainda Tito, que estava comigo, sendo grego, foi constrangido a circuncidar-se; e isto por causa dos falsos irmãos que se intrometeram, e secretamente entraram a espiar a nossa liberdade, que temos em Cristo Jesus, para nos porem em servidão; aos quais nem ainda por uma hora cedemos com sujeição, para que a verdade do Evangelho permanecesse entre vós.

Marcos 5:1-20

Fragmento 19 - Naquela época, Jesus chegou do outro lado do mar, à terra dos gerasenos. E, logo que Jesus saíra do barco, Lhe veio ao encontro, dos sepulcros, um homem com espírito imundo, o qual tinha a sua morada nos sepulcros; e nem ainda com cadeias podia alguém prendê-lo; porque, tendo sido muitas vezes preso com grilhões e cadeias, as cadeias foram por ele feitas em pedaços, e os grilhões em migalhas; e ninguém o podia domar; e sempre, de dia e de noite, andava pelos sepulcros e pelos montes, gritando, e ferindo-se com pedras. Vendo, pois, de longe a Jesus, correu e prostrou-se diante d’Ele; e, clamando com grande voz, disse: Que tenho eu contigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Conjuro-te por Deus que não me atormentes. Pois Jesus lhe dizia: Sai desse homem, espírito imundo. E perguntou-lhe: Qual é o teu nome? Respondeu-Lhe ele: Legião é o meu nome, porque somos muitos. E rogava-Lhe muito que não os enviasse para fora da região. Ora, andava ali pastando no monte uma grande manada de porcos. Rogaram-Lhe, pois, os demônios, dizendo: Manda-nos para aqueles porcos, para que entremos neles. E Ele lho permitiu. Saindo, então, os espíritos imundos, entraram nos porcos; e precipitou-se a manada, que era de uns dois mil, pelo despenhadeiro no mar, onde todos se afogaram. Nisso fugiram aqueles que os apascentavam, e o anunciaram na cidade e nos campos; e muitos foram ver o que era aquilo que tinha acontecido. Chegando-se a Jesus, viram o endemoninhado, o que tivera a legião, sentado, vestido, e em perfeito juízo; e temeram. E os que tinham visto aquilo contaram-lhes como havia acontecido ao endemoninhado, e acerca dos porcos. Então começaram a rogar-Lhe que se retirasse dos seus termos. E, entrando ele no barco, rogava-Lhe o que fora endemoninhado que o deixasse estar com Ele. Jesus, porém, não lho permitiu, mas disse-lhe: Vai para tua casa, para os teus, e anuncia-lhes o quanto o Senhor te fez, e como teve misericórdia de ti. Ele se retirou, pois, e começou a publicar em Decápolis tudo quanto lhe fizera Jesus; e todos se admiravam.

† † †

COMENTÁRIO

É quase inconcebível a cena descrita por São Marcos: Um ser humano que tem seu psiquismo tomado por dois mil demônios (isto se considerarmos que o número de demônios que possuíam aquele homem seja correspondente ao da manada de porcos que se precipitou no abismo). As pessoas que pensam o mundo pela ótica dos cientificismos dirão que esta é uma cena surreal. Para nós aqui não nos interessa demonstrar por meio de argumentos – científicos ou teológicos - a pertinência e realidade da ação dos demônios na alma humana. Deixamos a cargo da realidade social que vivemos o testemunho do absurdo da perversão e da maldade que habitam o ser humano - o crime organizado, os pedófilos “iluminados” (artistas, cientistas e religiosos), a violência homicida contra crianças e idosos, a degeneração das relações interpessoais e coisas semelhantes. Aqui nos cabe procurar demonstrar por meio das pistas contidas nesta narrativa, como esta realidade bizarra com a qual Cristo tanto se deparou, se configura e se estabelece no ser humano.

São Marcos nos diz que os gadarenos criavam porcos, o que mostra que viviam de uma atividade ilegal, alimentada por um mercado clandestino de consumidores de carne de porco; portanto, deveria ser uma atividade muito lucrativa, uma vez que por ser difícil a aquisição, a carne suína tinha um preço muito elevado. Assim, podemos entender que entre os principais consumidores desta «iguaria» estavam autoridades civis, os grandes mercadores e os nobres. Esta é a razão pela qual não eram molestados, apesar de proibida pela Lei de Moisés.

Nesta disposição de vida, temos a configuração perfeita para a degeneração e demonização do ser humano e de suas sociedades: quando as necessidades consideradas básicas para a sobrevivência e o desejo de riquezas se sobrepõem ao mandamento Divino. Esta foi a primeira perspectiva demoníaca que se apresentou para tentar o próprio Cristo: «Se És Filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pães»,e a tal proposta repele: «Não só de pão vive o homem, mas de toda a Palavra que procede da boca de Deus».

«luta pela sobrevivência» e a busca da felicidade por meio das posses e do prazer, fez da religião um meio subordinado a estes objetivos. Deus deixa de ser o fim principal para o qual o homem orienta seus desejos, tornando-se uma espécie de «gênio encantado», com superpoderes para realizar todos os desejos do seu amo. Quando a religião não se presta a este fim, então, em geral os homens se voltam contra ela, procurando bani-la e encontrar outra que a substitua e se preste a tal fim. E, assim nascem e se estabelecem os falsos profetas, os criadores de ídolos e ilusões, ou seja, aqueles que habilmente criam sistemas, raciocínios e espiritualidades que se prestem a atender os apelos psíquicos e corporais dos seres humanos. 

Certamente que os gadarenos tinha sua religião. O que não faltavam era cultos pagãos à fertilidade a garantir a bênção dos deuses aos anelos humanos. Iludidos e recompensados pelas promessas ou realidades experimentadas das «bênçãos»temporais, eles não sabiam que cultuavam os demônios. Por isto São Paulo diz: 

«Antes digo que as coisas que os gentios sacrificam, as sacrificam aos demônios, e não a Deus. E não quero que sejais participantes com os demônios» (1 Cor. 10:20).

Os gadarenos não queriam Cristo e Lhe pedem que se retire de sua cidade. Mas o outrora endemoninhado não quer mais sair de Sua companhia, pois ele conhecera o mundo terrível de Satanás, de suas inquebrantáveis cadeias, até que chegou a ele, Aquele que É o Amigo do Homem, libertando-lhe de todos os grilhões. Cristo não atende seu pedido, antes o envia para testemunhar entre os demais cativos a graça que o libertara. Cristo não lhe atendeu o pedido, mas não lhe negou o desejo, pois, em sua missão entre os gadarenos, Ele, em Espírito o acompanharia, Se faria presente em sua solidão e visível em meio às invisibilidades aos sentidos. Por fim, ele, o gadareno, se somaria à grande nuvem de testemunhas, das quais o mundo não é digno (Hb. 11:38; 12:1) e comporia "a universal assembleia e igreja dos primogênitos, que estão inscritos nos céus, e a Deus, o juiz de todos, e aos espíritos dos justos aperfeiçoados" (Hb 12:23).

ORAÇÃO

Deus Todo-poderoso, que libertaste Teu povo da escravidão do adversário, e que através de Teu Filho lançaste abaixo Satanás como um raio, liberta-me também de toda influencia de espíritos impuros. Manda Satanás partir para bem longe de mim pelo poder de Teu Filho Único. Salva-me da ilusão demoníaca e da escuridão. Preenche-me com a luz do Espírito Santo para que eu possa ser guardado contra as armadilhas dos demônios astuciosos. Conceda que um anjo sempre vá perante mim e leve-me para o caminho da retidão todos os dias da minha vida, para a honra de Teu glorioso Nome, Pai, Filho e Espírito Santo, agora e sempre. Amém.

Oração contra a Influência Demoníaca
Livro Ortodoxo de Orações

† † †

quarta-feira, 11 de setembro de 2024

12ª Quarta-feira Depois de Pentecostes

11 de Setembro de 2024 (CC) / 29 de Agosto (CE)
Decapitação do Venerável e Ilustre, Profeta e Precursor do Senhor, João Batista;
Santa Monja Teodora de Tessalônica (892)
Tom 2


Os Evangelistas Mateus (Mt. 14:1-12) e Marcos (Mc. 6:14-29) fornecem relatos sobre o fim do Mártir de João Batista no ano 32 após o nascimento de Cristo. 
Após o Batismo do Senhor, São João Batista foi trancado na prisão por Herodes Antipas, mantendo um quarto do governo da Terra Santa como governador da Galiléia. (Depois da morte do rei Herodes, o Grande, os romanos dividiram o território da Palestina em quatro partes, e em cada parte colocaram um governador. Herodes Antipas recebeu do Imperador Augusto o governo da Galiléia). O profeta de Deus João denunciou abertamente Herodes por ter deixado sua legítima esposa – a filha do rei árabe Aretas, e depois coabitar com Herodias – a esposa de seu irmão Filipe (Lc 3, 19-20). 
Em seu aniversário, Herodes fez um banquete para os dignitários, os anciãos e mil cidadãos principais. A filha de Herodes, Salomé, dançou diante dos convidados e encantou Herodes. Em gratidão à garota, ele jurou lhe dar qualquer coisa, qualquer coisa que ela pedisse, qualquer coisa até metade de seu reino. A vil menina, a conselho de sua perversa mãe Herodias, pediu que lhe fosse dada imediatamente a cabeça de João Batista em um prato. Herodes ficou apreensivo, pois temia a ira de Deus pelo assassinato de um profeta, a quem antes ele havia atendido. Ele temia também as pessoas, que amavam o santo Precursor. Mas por causa dos convidados e seu juramento descuidado, ele deu ordens para cortar a cabeça de São João e entregá-la a Salomé. Por tradição, a boca da cabeça morta do pregador do arrependimento mais uma vez se abriu e proclamou: 
"Herodes, você não deve ter a esposa de seu irmão Filipe". 
Salomé pegou o prato com a cabeça de São João e deu à mãe. A frenética Herodias repetidamente esfaqueou a língua do profeta com uma agulha e enterrou sua cabeça sagrada em um lugar impuro. Mas a piedosa Joana, esposa do administrador de Herodes, Chuza, enterrou a cabeça de João Batista em um vaso de barro no Monte das Oliveiras, onde Herodes era possuidor de uma parcela de terra (o Descobrimento da Venerável Cabeça é comemorado em 24 de fevereiro). O corpo santo de João Batista foi levado naquela noite por seus discípulos e sepultado em Sebasteia, lá onde o mal foi feito. Após o assassinato de São João Batista, Herodes continuou a governar por um certo tempo. Pôncio Pilatos, governador da Judéia, mais tarde lhe enviou Jesus Cristo amarrado, de quem escarnece (Lc. 23: 7-12). 
O julgamento de Deus veio sobre Herodes, Herodias e Salomé, ainda durante sua vida terrena. Salomé, atravessando o rio Sikoris no inverno, caiu no gelo. O gelo cedeu tanto que seu corpo ficou na água, mas sua cabeça ficou presa embaixo do gelo. Era semelhante a como uma vez ela dançou com os pés no chão, mas agora se debatendo impotente na água gelada. Assim ela ficou presa até aquele momento em que o gelo afiado cortou seu pescoço. O cadáver não foi encontrado, mas trouxeram a cabeça a Herodes e Herodias, como outrora lhes trouxeram a cabeça de São João Batista. O rei árabe Aretas em vingança pelo desrespeito demonstrado a sua filha fez guerra contra Herodes. Tendo sofrido a derrota, Herodes sofreu a ira do imperador romano Caio Caligua (37-41) e foi exilado com Herodias primeiro para a Gália e depois para a Espanha. E lá estavam eles à vista. 
Em memória da decapitação de São João Batista, a festa instituída pela Igreja é também um dia estrito de jejum – como expressão da dor dos cristãos pela morte violenta do santo. Neste dia, a Igreja faz memória dos soldados mortos no campo de batalha, conforme estabelecido em 1769, na época de uma guerra da Rússia com os turcos e os poloneses. 
Leituras Comemorativas 
Marcos 14:1-13 (Matinas)
Atos 13:25-32
Marcos 6:14-30
A Venerável Theodora de Tessalônica

Theodora e seu marido, um homem rico e devoto, viveram na ilha de Egina. Quando os árabes ameaçaram Egina, eles se estabeleceram em Tessalônica. Lá entregaram a sua única filha para um mosteiro, e seu nome monástico foi Theopista.  
O marido de Theodora morreu logo depois disso, e, então, Theodora também se tornou uma monja. Santa Teodora tornou-se uma grande asceta. Muitas vezes ouvia o canto angelical, e muitas vezes dizia para as irmãs:  
"Não ouves como belamente os anjos cantam no santuário celestial?"  
Santa Theodora morreu com a idade de 75 anos, no ano 879 dC. De suas relíquias fluía mirra, que curava e beneficiava a muitos.

Oração Antes de Ler as Escrituras
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém! 

2 Coríntios 6:11-16

Fragmento 182A - Irmãos, a nossa boca está aberta para vós, o nosso coração está dilatado. Não estais estreitados em nós; mas estais estreitados nos vossos próprios afetos. Ora, em recompensa disto, (falo como a filhos) dilatai-vos também vós. Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis; porque, que sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas? E que concórdia há entre Cristo e Belial? Ou que parte tem o fiel com o infiel? E que consenso tem o templo de Deus com os ídolos? Porque vós sois o templo do Deus vivente, como Deus disse: 

“Neles habitarei, e entre eles andarei; e Eu serei o seu Deus e eles serão o Meu povo”.

Marcos 1:23-28

Fragmento 4 - Naquela hora, certo homem que estava na sinagoga, com um espírito impuro, imediatamente gritou: Ah! que temos Contigo, Jesus Nazareno? Vieste destruir-nos? Bem sei quem És: o Santo de Deus. E repreendeu-o Jesus, dizendo: Cala-te, e sai dele. Então o espírito imundo, convulsionando-o, e clamando com grande voz, saiu dele. E todos se admiraram, a ponto de perguntarem entre si, dizendo: Que é isto? Que nova doutrina é esta? Pois com autoridade ordena aos espíritos imundos, e eles Lhe obedecem! E logo correu a Sua fama por toda a província da Galileia.

† † †

REFLEXÃO

O sucesso do início do ministério de nosso Senhor Deus e Salvador, Jesus Cristo, não condiz com o seu fim: traído por um apóstolo, negado por Pedro, abandonado pelos demais Discípulos (exceto João) e execrado pelas multidões.

Os aplausos e os reconhecimentos do mundo são inebriantes, e geralmente tem como recompensa a desilusão e a dor. O cristão que guia a sua vida e se avalia pelos elogios recebidos, é um tolo. Cristo nunca perdeu o foco da Sua cruz: para isto nascera, para isto viera ao mundo. Sua paixão estava sempre diante dos seus olhos e frequentemente a profetizava aos seus Discípulos, para que quando ela acontecesse, eles não se escandalizassem.

Também ele profetizou a nossa própria paixão, por amor do Seu Nome. Inumeráveis santos selaram o seu testemunho com a dor e não se apegaram às coisas deste mundo. Nós que vivemos na sociedade do luxo e da prosperidade, das falas de sucesso e possibilidades, vigiemos o nosso coração, para que não andarmos por este caminho, mas, por aquele em que carregamos a cruz, revelando-nos, assim, discípulos do Crucificado, que por isto foi   "justificado no Espírito, visto dos anjos, pregado aos gentios, crido no mundo, recebido acima na glória" (1 Timóteo 3:16).

† † † 

segunda-feira, 11 de setembro de 2023

15ª Segunda-feira Depois de Pentecostes

11 de Setembro de 2023 (CC) / 29 de Agosto (CE)
Decapitação do Venerável e Ilustre, Profeta e Precursor do Senhor, João Batista;
Santa Monja Teodora de Tessalônica (892)
Tom 5


Os Evangelistas Mateus (Mt. 14:1-12) e Marcos (Mc. 6:14-29) fornecem relatos sobre o fim do Mártir de João Batista no ano 32 após o nascimento de Cristo. 
Após o Batismo do Senhor, São João Batista foi trancado na prisão por Herodes Antipas, mantendo um quarto do governo da Terra Santa como governador da Galiléia. (Depois da morte do rei Herodes, o Grande, os romanos dividiram o território da Palestina em quatro partes, e em cada parte colocaram um governador. Herodes Antipas recebeu do Imperador Augusto o governo da Galiléia). O profeta de Deus João denunciou abertamente Herodes por ter deixado sua legítima esposa – a filha do rei árabe Aretas, e depois coabitar com Herodias – a esposa de seu irmão Filipe (Lc 3, 19-20). 
Em seu aniversário, Herodes fez um banquete para os dignitários, os anciãos e mil cidadãos principais. A filha de Herodes, Salomé, dançou diante dos convidados e encantou Herodes. Em gratidão à garota, ele jurou lhe dar qualquer coisa, qualquer coisa que ela pedisse, qualquer coisa até metade de seu reino. A vil menina, a conselho de sua perversa mãe Herodias, pediu que lhe fosse dada imediatamente a cabeça de João Batista em um prato. Herodes ficou apreensivo, pois temia a ira de Deus pelo assassinato de um profeta, a quem antes ele havia atendido. Ele temia também as pessoas, que amavam o santo Precursor. Mas por causa dos convidados e seu juramento descuidado, ele deu ordens para cortar a cabeça de São João e entregá-la a Salomé. Por tradição, a boca da cabeça morta do pregador do arrependimento mais uma vez se abriu e proclamou: 
"Herodes, você não deve ter a esposa de seu irmão Filipe". 
Salomé pegou o prato com a cabeça de São João e deu à mãe. A frenética Herodias repetidamente esfaqueou a língua do profeta com uma agulha e enterrou sua cabeça sagrada em um lugar impuro. Mas a piedosa Joana, esposa do administrador de Herodes, Chuza, enterrou a cabeça de João Batista em um vaso de barro no Monte das Oliveiras, onde Herodes era possuidor de uma parcela de terra (o Descobrimento da Venerável Cabeça é comemorado em 24 de fevereiro). O corpo santo de João Batista foi levado naquela noite por seus discípulos e sepultado em Sebasteia, lá onde o mal foi feito. Após o assassinato de São João Batista, Herodes continuou a governar por um certo tempo. Pôncio Pilatos, governador da Judéia, mais tarde lhe enviou Jesus Cristo amarrado, de quem escarnece (Lc. 23: 7-12). 
O julgamento de Deus veio sobre Herodes, Herodias e Salomé, ainda durante sua vida terrena. Salomé, atravessando o rio Sikoris no inverno, caiu no gelo. O gelo cedeu tanto que seu corpo ficou na água, mas sua cabeça ficou presa embaixo do gelo. Era semelhante a como uma vez ela dançou com os pés no chão, mas agora se debatendo impotente na água gelada. Assim ela ficou presa até aquele momento em que o gelo afiado cortou seu pescoço. O cadáver não foi encontrado, mas trouxeram a cabeça a Herodes e Herodias, como outrora lhes trouxeram a cabeça de São João Batista. O rei árabe Aretas em vingança pelo desrespeito demonstrado a sua filha fez guerra contra Herodes. Tendo sofrido a derrota, Herodes sofreu a ira do imperador romano Caio Caligua (37-41) e foi exilado com Herodias primeiro para a Gália e depois para a Espanha. E lá estavam eles à vista. 
Em memória da decapitação de São João Batista, a festa instituída pela Igreja é também um dia estrito de jejum – como expressão da dor dos cristãos pela morte violenta do santo. Neste dia, a Igreja faz memória dos soldados mortos no campo de batalha, conforme estabelecido em 1769, na época de uma guerra da Rússia com os turcos e os poloneses. 
Leituras Comemorativas 
Marcos 14:1-13 (Matinas)
Atos 13:25-32
Marcos 6:14-30
A Venerável Theodora de Tessalônica

Theodora e seu marido, um homem rico e devoto, viveram na ilha de Egina. Quando os árabes ameaçaram Egina, eles se estabeleceram em Tessalônica. Lá entregaram a sua única filha para um mosteiro, e seu nome monástico foi Theopista.  
O marido de Theodora morreu logo depois disso, e, então, Theodora também se tornou uma monja. Santa Teodora tornou-se uma grande asceta. Muitas vezes ouvia o canto angelical, e muitas vezes dizia para as irmãs:  
"Não ouves como belamente os anjos cantam no santuário celestial?"  
Santa Theodora morreu com a idade de 75 anos, no ano 879 dC. De suas relíquias fluía mirra, que curava e beneficiava a muitos.

 


Oração Antes de Ler as Escrituras
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém! 

Gálatas 2:11-16

Fragmento 202 - Irmãos, quando Pedro veio a Antioquia, eu o confrontei pessoalmente, porque era repreensível. Porque, antes que alguns tivessem chegado da parte de Tiago, comia com os gentios; mas, depois que chegaram, se foi retirando, e se apartou deles, temendo os que eram da circuncisão. E os outros judeus, tal como ele, também, se portaram hipocritamente, de maneira que até Barnabé se deixou levar pela hipocrisia dele. Mas, quando vi que não andavam retamente conforme a verdade do Evangelho, disse a Pedro na presença de todos: Se tu, sendo judeu, vives como os gentios, e não como judeu, por que obrigas os gentios a viverem como judeus? Nós somos judeus por natureza, e não pecadores dentre os gentios. Sabendo que o homem não é justificado pelas obras da Lei, mas pela fé em Jesus Cristo, temos também crido em Jesus Cristo, para sermos justificados pela fé de Cristo, e não pelas obras da Lei; porquanto pelas obras da Lei nenhuma carne será justificada.

COMENTÁRIO

«Temos também crido em Jesus Cristo, para sermos justificados pela fé de Cristo...»  
O texto diz: «Pela de Cristo»; não diz «pela fé em Cristo». A fé de Cristo é o Evangelho. Assim como a fonte das obras é a Lei, a fonte da Fé é Cristo. É a fé de Cristo, ou seja, Suas crenças, Sua confiança, Sua obediência - que nos justifica, não a nossa fé como tal. A Fé de Cristo pode ser vista em toda a Sua vida na Terra e não apenas em algumas de suas obras cruciais. Ver artigo sobre Justificação Pela Fé.

Marcos 5:24-34

Fragmento 21 - Naquela ocasião, Jesus seguiu caminho com Jairo, o Chefe da sinagoga, e O seguia uma grande multidão, que O apertava. Ora, certa mulher, que havia doze anos padecia de uma hemorragia, e que tinha sofrido bastante às mãos de muitos médicos, e despendido tudo quanto possuía sem nada aproveitar, antes indo a pior, tendo ouvido falar a respeito de Jesus, veio por detrás, entre a multidão, e tocou-Lhe o manto; porque dizia: Se tão-somente tocar-lhe as vestes, ficaria curada. E imediatamente cessou a sua hemorragia; e sentiu no corpo estar já curada do seu mal. E logo Jesus, percebendo em si mesmo que saíra d’Ele poder, virou-Se no meio da multidão e perguntou: Quem Me tocou as vestes? Responderam-Lhe os seus discípulos: Vês que a multidão Te aperta, e perguntas: Quem Me tocou? Mas Ele olhava em redor para ver a que isto fizera. Então a mulher, atemorizada e trêmula, cônscia do que nela se havia operado, veio e prostrou-se diante d’Ele, e declarou-Lhe toda a verdade. Disse-lhe Ele: Filha, a tua fé te salvou; vai-te em paz, e fica livre desse teu mal.

† † †

COMENTÁRIO

A Lei estigmatizava a mulher na qual houvesse fluxo de sangue desordenado, classificando-a como “imunda” (Lv. 15:25) e condenava também à imundície todo objeto que fosse tocado por ela: a cama onde dormia, a cadeira onde se sentava, etc; mas, não somente os objetos, também qualquer pessoa que os tocasse se tornaria imunda (Lv. 15:26) Assim, uma mulher que padecia de um mal hemorrágico sofria quase que o mesmo ostracismo dos leprosos: a diferença entre um e outro é que a hemorrágica podia disfarçar temporariamente o seu mal.

A mulher se aproveitou da multidão para se acobertar e tocar em Cristo sem que Este pudesse notar. Mas Jesus a surpreende: “Quem me tocou?”, pergunta o Mestre, distinguindo o seu toque do aperto que sofria da multidão. Ele distinguiu o toque porque sentira do Seu corpo sair poder. Quando aquilo que era “imundo” tocara O que É Santo, o Santo não se tornara imundo – como prescrevia a Lei – antes, o Santo purificou o que é imundo. No entanto, muitos corpos pecadores tocavam e até comprimiam o Corpo Santo, mas nenhum desses atraiu para si a Virtude do Santo. Só o desta mulher – que pela Lei era mais indigna do que os demais – alcançou tal graça. O que tinha este toque de distinto dos demais?

Se o corpo do Santo comunicara virtude à mulher imunda, é porque o toque da imunda comunicava ao Santo a fé que habitava no corpo imundo. E a fé é o único instrumento que atrai a Graça (Ef. 2:9). Esta fé que se apresenta quando todos os pilares da existência desmoronam. A mulher gastara todo seu dinheiro com o seu tratamento, sem obter resultado; sua dignidade e honra estavam dilaceradas pelo estigma social que a doença provocara. O tempo da enfermidade (12 anos) lhe torturara o suficiente para destruir todas as certezas ilusórias da sua vida. Algo no seu íntimo a fazia intuir que Aquele homem da Galileia era Depositário da graça que ela necessitava.

Mas Ele era um Rabi, um Homem Santo, que certamente a condenaria, visto que esta era a sentença da Lei. Por isto a estratégia de se dissimular por entre a multidão.

Sua estratégia dera certo. Ela estava curada. Uma alegria lhe toma o ser. Mas, parece que sua alegria teria duração curta. O Rabi interrompe sua caminhada e pergunta: “Quem me tocou?” Olhando em seguida para ela.

Pronto, agora fora descoberta. Seria humilhada e condenada. A cena do Éden parece se repetir. Eva tem que sair detrás da árvore e se apresentar nua perante o Seu Criador e Juiz. O que iria surpreender a mulher é que no roteiro do drama do Éden, o ato agora em cena, não era mais o da sentença de Eva, mas o da promessa: pois Quem aparece no palco do mundo é O Descendente nascido da semente da mulher que iria pisar a cabeça da serpente (e por esta ser ferido).

Podemos aqui fazer um aparte para que reflitamos na Graça que habitou na Mãe de Deus. Quando o Verbo foi Gerado em seu ventre para receber dela a sua carne, Ele teve seu Ser tocado pelos genes impuros de Eva que habitavam na Virgem, e assim como a mulher hemorrágica não pudera contaminar o Santo, antes recebendo dele a purificação da sua doença, assim também a Santa Virgem teve todo seu corpo purificado por Aquele que tudo plenifica.

Desprovida de seus disfarces, tiradas as máscaras do anonimato, desfeita a estratégia da dissimulação, a mulher se apresenta perante o Santo de Deus. Ela está prostrada perante o Santo e direciona o olhar do medo para o chão, porém os seus ouvidos não demoram a ouvir palavras de ternura:

“Filha, a tua fé te salvou; vai-te em paz, e fica livre desse teu mal”.

Pe. Mateus (Antonio Eça)

ORAÇÃO

Jesus dulcíssimo, glória dos apóstolos; meu Jesus, alegria dos mártires; Senhor onipotente, Jesus, meu Salvador, Jesus belíssimo, salva-me a mim que recorro a Ti. Salvador Jesus, tem piedade de mim, pela intercessão daquela que te trouxe ao mundo, e de todos, ó Jesus, os teus santos, e de todos os profetas; meu Salvador Jesus, torna-me também digno das delícias do paraíso, ó Jesus amigo dos homens.

† † †

sexta-feira, 11 de setembro de 2020

14ª Sexta-feira Depois de Pentecostes

11 de Setembro de 2020 (CC) / 29 de Agosto (CE)
Decapitação do Venerável e Ilustre, Profeta e Precursor do Senhor, João Batista;
Santa Monja Teodora de Tessalônica (892)
Tom 4



A Festa do Martírio de São João Batista remonta ao século V, na França; e ao século VI, em Roma. Está ligada à dedicação da Igreja construída em Sebaste, na Samaria, no suposto túmulo do Precursor de Jesus. O Próprio Jesus apresenta-nos João Batista: 
"Ao partirem eles, começou Jesus a falar a respeito de João às multidões: Que fostes ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento? Mas, que fostes ver? Um homem vestido de roupas finas? Mas, os que vestem roupas finas vivem nos palácios dos reis. Então, que fostes ver? Um profeta? Eu vos afirmo que sim, e mais do que um profeta. É dele que está escrito: Eis que envio o meu mensageiro à tua frente; ele preparará o teu caminho diante de ti. Em verdade vos digo que, entre os nascidos de mulher, não surgiu nenhum maior do que João, o Batista, e, no entanto, o menor no Reino dos céus é maior do que ele …" (Mt 11, 2-11). 
Leituras Comemorativas 
Marcos 14:1-13 (Matinas)
Atos 13:25-32
Marcos 6:14-30  
A Morte de João Batista 
"Dá-me aqui, num prato, a cabeça de João Batista". E Deus o permitiu. Não lançou o raio do alto dos céus para devorar aquele rosto insolente; não ordenou à terra que se abrisse e engolisse os convivas daquele horroroso banquete. Deus dava, assim, a mais bela coroa ao justo e deixava uma magnífica consolação aos que, no futuro, viessem a ser vítimas de semelhantes injustiças. Escutemo-lo, pois, todos nós que, apesar da nossa vida honesta, temos de suportar os malvados... O maior dos filhos nascidos de mulher (Lc 7,28) foi levado à morte pelo pedido de uma jovem impudica, de uma mulher perdida; e isso por ter defendido as leis divinas. Que estas considerações nos façam suportar corajosamente os nossos próprios sofrimentos...  
Mas, repara no tom moderado do Evangelista que, na medida do possível, procura circunstâncias atenuantes para este crime. A propósito de Herodes, ele nota que agiu "por causa do seu juramento e dos convivas" e que "ficou entristecido"; a propósito da jovem, nota que tinha sido "induzida pela mãe" ... Também nós, não odiemos os malvados, não critiquemos as faltas do próximo, escondamo-las tão discretamente quanto possível; acolhamos a caridade na nossa alma. Porque, acerca desta mulher impudica e sanguinária, o Evangelista falou com toda a moderação possível... Tu, porém, não hesitas em tratar o teu próximo com malvadez... Toda a diferença está na maneira de agir dos santos: ele choram pelos pecadores, em vez de os amaldiçoarem. Façamos como eles; choremos por Herodíades e pelos que a imitam. Porque vemos hoje muitos banquetes do gênero do de Herodes; não se condena à morte o Precursor, mas destroem-se os membros de Cristo...  

São João Crisóstomo, Patriarca de Constantinopla. 
Homilias sobre S. Mateus, nº 48.

A Venerável Theodora de Tessalônica

Theodora e seu marido, um homem rico e devoto, viveram na ilha de Egina. Quando os árabes ameaçaram Egina, eles se estabeleceram em Tessalônica. Lá entregaram a sua única filha para um mosteiro, e seu nome monástico foi Theopista.  
O marido de Theodora morreu logo depois disso, e, então, Theodora também se tornou uma monja. Santa Teodora tornou-se uma grande asceta. Muitas vezes ouvia o canto angelical, e muitas vezes dizia para as irmãs:  
"Não ouves como belamente os anjos cantam no santuário celestial?"  
Santa Theodora morreu com a idade de 75 anos, no ano 879 dC. De suas relíquias fluía mirra, que curava e beneficiava a muitos.


Oração Antes de Ler as Escrituras
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém! 

Gálatas 2:6-10

E, quanto àqueles que pareciam ser alguma coisa (quais tenham sido noutro tempo, não se me dá; Deus não aceita a aparência do homem), esses, digo, que pareciam ser alguma coisa, nada me comunicaram; antes, pelo contrário, quando viram que o evangelho da incircuncisão me estava confiado, como a Pedro o da circuncisão (Porque aquele que operou eficazmente em Pedro para o apostolado da circuncisão, esse operou também em mim com eficácia para com os gentios), e conhecendo Tiago, Cefas e João, que eram considerados como as colunas, a graça que me havia sido dada, deram-nos as destras, em comunhão comigo e com Barnabé, para que nós fôssemos aos gentios, e eles à circuncisão; recomendando-nos somente que nos lembrássemos dos pobres, o que também procurei fazer com diligência.

Marcos 5:22-24,35-6:1

E eis que chegou um dos principais da sinagoga, por nome Jairo, e, vendo-o, prostrou-se aos seus pés, e rogava-lhe muito, dizendo: Minha filha está à morte; rogo-te que venhas e lhe imponhas as mãos, para que sare, e viva. E foi com ele, e seguia-o uma grande multidão, que o apertava... Estando ele ainda falando, chegaram alguns do principal da sinagoga, a quem disseram: A tua filha está morta; para que enfadas mais o Mestre? E Jesus, tendo ouvido estas palavras, disse ao principal da sinagoga: Não temas, crê somente. E não permitiu que alguém o seguisse, a não ser Pedro, Tiago, e João, irmão de Tiago. E, tendo chegado à casa do principal da sinagoga, viu o alvoroço, e os que choravam muito e pranteavam. E, entrando, disse-lhes: Por que vos alvoroçais e chorais? A menina não está morta, mas dorme. E riam-se dele; porém ele, tendo-os feito sair, tomou consigo o pai e a mãe da menina, e os que com ele estavam, e entrou onde a menina estava deitada. E, tomando a mão da menina, disse-lhe: Talita cumi; que, traduzido, é: Menina, a ti te digo, levanta-te. E logo a menina se levantou, e andava, pois já tinha doze anos; e assombraram-se com grande espanto. E mandou-lhes expressamente que ninguém o soubesse; e disse que lhe dessem de comer. E, partindo dali, chegou à sua pátria, e os seus discípulos o seguiram.

† † †

COMENTÁRIO

Mateus, Marcos e Lucas narram os milagres que se sucederam após a expulsão dos demônios na cidade de Gerasa. Eles aconteceram enquanto o Senhor retornava à Cafarnaum, seguido pela multidão. Jesus estava agora diante do poder da doença e da morte. As duas pessoas beneficiadas são mulheres. Uma sofria de uma enfermidade incurável que a arruinava e a afastava do convívio da sociedade, porque sua doença era vista como sinal de impureza e contaminação e, por isso, uma ameaça à integridade. A outra, uma menina, filha única, que não resistiu a uma doença grave.

Ao chegar na cidade uma multidão o esperava, sobretudo os curiosos e cheios de fé. Também estava lá o chefe da Sinagoga, Jairo, que pedia ao Senhor o restabelecimento da saúde de uma filha que estava a ponto de morrer. Jesus chamou Pedro, Tiago e João que o para O acompanhar, a fim de serem testemunhas daquilo que iria se realizar.

No caminho que conduzia à casa de Jairo, Jesus curou uma mulher que sofria durante muitos anos por hemorragia. Sofria física e espiritualmente em consequência do desprezo e preconceito dos outros: ela era vista como impura, amaldiçoada.

Chegando à casa de Jairo, o Senhor percebeu um alvoroço pois já choravam a morte da menina. Ao entrar disse a todos: “Para que este choro? A menina não morreu, mas dorme”. Diz o Evangelista que as pessoas zombavam d'Ele. Não compreendiam que para Deus, a verdadeira morte é o pecado que mata a vida divina na alma. Para quem crê, a morte terrena é como um sono do qual se acorda em Deus.

No Antigo Testamento, a concepção de morte, apresentada sobretudo em Gênesis, Salmos, Sabedoria, Provérbios, é uma concepção israelita: a morte constituía um mero fim. A pessoa humana era vista como um corpo que era animado pela alma que lhe dava vida. Quando uma pessoa morria, a alma que lhe dava vida desaparecia e a pessoa continuava a existir naquele corpo inanimado. Por isso Jesus dizia que o nosso Deus não é um Deus dos mortos, mas sim de vivos (Mt 22,32). A morte ideal, acreditavam os judeus, era aquela que vinha após longa vida, ou seja, obedecendo o ciclo natural das coisas. Quando alguém morria "antes da hora" parecia que se quebrava a normalidade e o falecido e sua família eram vistos como menos abençoados por Deus. É forte também o pensamento de que a morte existia como consequência do pecado dos primeiros pais, sendo preciso passar por ela para chegar até Deus. Quando uma jovem morria, como a filha de Jairo, acrescentava à família uma culpa enorme por consequência de uma grave falta cometida por algum de seus antepassados.

O Senhor disse: “não morreu a menina, apenas dorme”. Estava morta para os homens que não podiam despertá-la. Para Deus, a menina dormia porque a sua alma vivia submetida ao poder divino, e a carne descansava para a ressurreição.

No Novo Testamento, Paulo em suas cartas, afirma que de fato a morte é consequência e castigo do pecado, pois ela veio ao mundo por causa de um só homem que pecou (Rm 5,12). No entanto, continua ele, fomos resgatados da morte por Cristo, uma vez que em Adão todos morremos e fomos trazidos de volta à vida pelo Redentor (1Cor 15,22). Um segundo alicerce sobre o qual está baseado a concepção da morte é constituído pela afirmação de que Jesus superou a morte com sua própria morte. A morte foi o último inimigo que Cristo teve que superar (1Cor 15,25). Cristo despojou a morte de seu poder (2Tm 1,10); destruiu pela morte o dominador da morte, o diabo (Hb 2,14). A lei do Espírito da Vida em Cristo nos libertou da Lei do Pecado e da Morte (Rm 8,2). Cristo morreu e ressuscitou tornando-se Senhor dos mortos e dos vivos (Rm 14,9). Ressuscitado dos mortos, a morte não tem mais domínio sobre Ele.

O cristão experimenta a vitória de Jesus sobre a morte, pelos sacramentos. O cristão é batizado na morte de Jesus, pois somente nestas condições é que pode ressuscitar com Jesus para a nova vida. No sacramento do Batismo ele vive a morte e a ressurreição de Cristo quando submerge três vezes nas águas batismais, renascendo para a vida nova em Cristo, recebendo assim a veste branca. Participar da morte de Cristo significa "tornar-se um só com Ele" (Rm 6,5). A fé em Cristo não priva o homem da morte física, mas lhe dá a certeza de que esta experiência não se resume ao fim, mas ao começo de uma nova vida.

São João Crisóstomo comenta este Evangelho dizendo:

“As ressurreições feitas por Jesus são certamente fatos excepcionais; ocultam, todavia, a realidade maior que se dará no fim dos tempos para todos os homens, como professamos ao rezarmos o Credo: a ressurreição dos corpos. A filha de Jairo tempos depois morreu novamente, mas certamente depois experimentou a Ressurreição verdadeira em Deus”.

Francisco F. Carvajal, «Falar com Deus»
Editora Quadrante. S. Paulo, 1991.

ORAÇÃO

Guarda-me, ó Deus, pois em ti me refugio. Ao Senhor declaro: "Tu és o meu Senhor; não tenho bem nenhum além de ti". Quanto aos santos que há na terra, eles é que são os notáveis em quem está todo o meu prazer. Grande será o sofrimento dos que correm atrás de outros deuses. Não participarei dos seus sacrifícios de sangue, e os meus lábios nem mencionarão os seus nomes. Senhor, tu és a minha porção e o meu cálice; és tu que garantes o meu futuro. As divisas caíram para mim em lugares agradáveis: Tenho uma bela herança! Bendirei o Senhor, que me aconselha; na escura noite o meu coração me ensina! Sempre tenho o Senhor diante de mim. Com ele à minha direita, não serei abalado. Por isso o meu coração se alegra e no íntimo exulto; mesmo o meu corpo repousará tranquilo, porque tu não me abandonarás no sepulcro, nem permitirás que o teu santo sofra decomposição. Tu me farás conhecer a vereda da vida, a alegria plena da tua presença, eterno prazer à tua direita.

Salmo 15(16)

† † †

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

13ª Quarta-feira Depois de Pentecostes

11 de Setembro de 2019 (CC) / 29 de Agosto (CE)
Decapitação do Venerável e Ilustre, Profeta e Precursor do Senhor, João Batista;
Santa Monja Teodora de Tessalônica (892)
Tom 3



A Festa do Martírio de São João Batista remonta ao século V, na França; e ao século VI, em Roma. Está ligada à dedicação da Igreja construída em Sebaste, na Samaria, no suposto túmulo do Precursor de Jesus. O Próprio Jesus apresenta-nos João Batista:
 
"Ao partirem eles, começou Jesus a falar a respeito de João às multidões: Que fostes ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento? Mas, que fostes ver? Um homem vestido de roupas finas? Mas, os que vestem roupas finas vivem nos palácios dos reis. Então, que fostes ver? Um profeta? Eu vos afirmo que sim, e mais do que um profeta. É dele que está escrito: Eis que envio o meu mensageiro à tua frente; ele preparará o teu caminho diante de ti. Em verdade vos digo que, entre os nascidos de mulher, não surgiu nenhum maior do que João, o Batista, e, no entanto, o menor no Reino dos céus é maior do que ele …" (Mt 11, 2-11). 
Leituras Comemorativas 
Marcos 14:1-13 (Matinas)
Atos 13:25-32
Marcos 6:14-30 
 
A Morte de João Batista 
"Dá-me aqui, num prato, a cabeça de João Batista". E Deus o permitiu. Não lançou o raio do alto dos céus para devorar aquele rosto insolente; não ordenou à terra que se abrisse e engolisse os convivas daquele horroroso banquete. Deus dava, assim, a mais bela coroa ao justo e deixava uma magnífica consolação aos que, no futuro, viessem a ser vítimas de semelhantes injustiças. Escutemo-lo, pois, todos nós que, apesar da nossa vida honesta, temos de suportar os malvados... O maior dos filhos nascidos de mulher (Lc 7,28) foi levado à morte pelo pedido de uma jovem impudica, de uma mulher perdida; e isso por ter defendido as leis divinas. Que estas considerações nos façam suportar corajosamente os nossos próprios sofrimentos...  
Mas, repara no tom moderado do Evangelista que, na medida do possível, procura circunstâncias atenuantes para este crime. A propósito de Herodes, ele nota que agiu "por causa do seu juramento e dos convivas" e que "ficou entristecido"; a propósito da jovem, nota que tinha sido "induzida pela mãe" ... Também nós, não odiemos os malvados, não critiquemos as faltas do próximo, escondamo-las tão discretamente quanto possível; acolhamos a caridade na nossa alma. Porque, acerca desta mulher impudica e sanguinária, o Evangelista falou com toda a moderação possível... Tu, porém, não hesitas em tratar o teu próximo com malvadez... Toda a diferença está na maneira de agir dos santos: ele choram pelos pecadores, em vez de os amaldiçoarem. Façamos como eles; choremos por Herodíades e pelos que a imitam. Porque vemos hoje muitos banquetes do gênero do de Herodes; não se condena à morte o Precursor, mas destroem-se os membros de Cristo...  

São João Crisóstomo, Patriarca de Constantinopla. 
Homilias sobre S. Mateus, nº 48.

A Venerável Theodora de Tessalônica

Theodora e seu marido, um homem rico e devoto, viveram na ilha de Egina. Quando os árabes ameaçaram Egina, eles se estabeleceram em Tessalônica. Lá entregaram a sua única filha para um mosteiro, e seu nome monástico foi Theopista.  
O marido de Theodora morreu logo depois disso, e, então, Theodora também se tornou uma monja. Santa Teodora tornou-se uma grande asceta. Muitas vezes ouvia o canto angelical, e muitas vezes dizia para as irmãs:  
"Não ouves como belamente os anjos cantam no santuário celestial?"  
Santa Theodora morreu com a idade de 75 anos, no ano 879 dC. De suas relíquias fluía mirra, que curava e beneficiava a muitos.


Oração Antes de Ler as Escrituras
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém! 

2 Coríntios 9:12-10:7

12 Porque a ministração deste serviço não só supre as necessidades dos santos, mas também transborda em muitas ações de graças a Deus; 13 visto como, na prova desta ministração, eles glorificam a Deus pela submissão que confessais quanto ao evangelho de Cristo, e pela liberalidade da vossa contribuição para eles, e para todos; 14 enquanto eles, pela oração por vós, demonstram o ardente afeto que vos têm, por causa da superabundante graça de Deus que há em vós. 15 Graças a Deus pelo seu dom inefável. 1 Ora eu mesmo, Paulo, vos rogo pela mansidão e benignidade de Cristo, eu que, na verdade, quando presente entre vós, sou humilde, mas quando ausente, ousado para convosco; 2 sim, eu vos rogo que, quando estiver presente, não me veja obrigado a usar, com confiança, da ousadia que espero ter para com alguns que nos julgam como se andássemos segundo a carne. 3 Porque, embora andando na carne, não militamos segundo a carne, 4 pois as armas da nossa milícia não são carnais, mas poderosas em Deus, para demolição de fortalezas; 5 derribando raciocínios e todo baluarte que se ergue contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo pensamento à obediência a Cristo; 6 e estando prontos para vingar toda desobediência, quando for cumprida a vossa obediência. 7 Olhais para as coisas segundo a aparência. Se alguém confia de si mesmo que é de Cristo, pense outra vez isto consigo, que, assim como ele é de Cristo, também nós o somos.

Marcos 3:20-27

20 Depois entrou numa casa. E afluiu outra vez a multidão, de tal modo que nem podiam comer. 21 Quando os seus ouviram isso, saíram para o prender; porque diziam: Ele está fora de si. 22 E os escribas que tinham descido de Jerusalém diziam: Ele está possesso de Belzebu; e: É pelo príncipe dos demônios que expulsa os demônios. 23 Então Jesus os chamou e lhes disse por parábolas: Como pode Satanás expulsar Satanás? 24 Pois, se um reino se dividir contra si mesmo, tal reino não pode subsistir; 25 ou, se uma casa se dividir contra si mesma, tal casa não poderá subsistir; 26 e se Satanás se tem levantado contra si mesmo, e está dividido, tampouco pode ele subsistir; antes tem fim. 27 Pois ninguém pode entrar na casa do valente e roubar-lhe os bens, se primeiro não amarrar o valente; e então lhe saqueará a casa.

† † †

COMENTÁRIO

O Evangelho do Reino de Deus apesar de anunciar a paz provoca conflitos, pois seu conteúdo em muito excede a compreensão humana, e tudo que está para além da nossa compreensão, classificamos como “louco”, lhe damos a dimensão do absurdo. Este foi o olhar dos parentes e dos escribas para com Cristo. Dedicar-se de tal maneira para as pessoas como Cristo fazia, estava além do que os familiares de Cristo entendiam por doação, pois, em geral, para nós, a doação tem limites, ela não pode sacrificar necessidades pessoais: alimento, descanso...  Os Escribas, acostumados a ver o místico pelos olhos da razão e da lógica predominante, diziam que era Belzebu, o maioral dos demônios que Lhe possuía. Podemos, assim, neste raciocínio, também perceber como os sentimentos direcionam o olhar. Embora os dois grupos – familiares e Escribas – estranhassem o comportamento de Jesus, cada um os classifica de acordo com os seus sentimentos: para os parentes, era um distúrbio psicológico, com um pouco de descanso ele se recuperaria; já para os Escribas – que o invejavam – Ele só poderia ser um endemoninhado, o que lhe descredenciaria definitivamente. Aos primeiros, Cristo nada objeta, pois a incompreensão num coração puro não perdura por muito tempo; todavia, a perversão sempre construirá esquemas de raciocínio que visam destruir, e não compreender, muito mais ainda quando são impulsionados por sentimentos inconfessáveis. E quando a estes senhores do saber lhes falta a força do argumento, geralmente apelam para o argumento da força, e foi por isto que tramaram a morte de Jesus.

A Igreja em sua missão, assim como seu Senhor, enfrenta e sempre enfrentará incompreensões e o conflito com os dominadores deste mundo, que necessariamente não são os que detêm o poder político, mas, inexoravelmente, os que idealizam os esquemas mentais que moldam a sociedade de nós. Estes se voltam contra nós, como enxame de abelhas para defender a colmeia; rugem como leão, procurando nos aterrorizar com suas presas, escancarando suas goelas para nos devorar. Todavia, não os devemos temer, pois, como diz são Paulo: 

“As armas da nossa milícia não são carnais, mas poderosas em Deus, para demolição de fortalezas; derribando raciocínios e todo baluarte que se ergue contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo pensamento à obediência a Cristo”.

Padre Mateus (Antonio Eça)

ORAÇÃO

A Ti, Senhor, elevo a minha alma. Em Ti confio, ó meu Deus. Não deixes que eu seja humilhado, nem que os meus inimigos triunfem sobre mim! Nenhum dos que esperam em Ti ficará decepcionado; decepcionados ficarão aqueles que, sem motivo, agem traiçoeiramente. Mostra-me, Senhor, os teus caminhos, ensina-me as tuas veredas; guia-me com a tua verdade e ensina-me, pois tu és Deus, meu Salvador, e a minha esperança está em Ti o tempo todo. Lembra-te, Senhor, da tua compaixão e da tua misericórdia, que tens mostrado desde a antiguidade. Não te lembres dos pecados e transgressões da minha juventude; conforme a tua misericórdia, lembra-te de mim, pois tu, Senhor, és bom. Bom e justo é o Senhor; por isso mostra o caminho aos pecadores. Conduz os humildes na justiça e lhes ensina o seu caminho. Todos os caminhos do Senhor são amor e fidelidade para com os que cumprem os preceitos da sua aliança. Por amor do teu nome, Senhor, perdoa o meu pecado, que é tão grande! Quem é o homem que teme o Senhor? Ele o instruirá no caminho que deve seguir. Viverá em prosperidade, e os seus descendentes herdarão a terra. O Senhor confia os seus segredos aos que o temem, e os leva a conhecer a sua aliança. Os meus olhos estão sempre voltados para o Senhor, pois só ele tira os meus pés da armadilha. Volta-te para mim e tem misericórdia de mim, pois estou só e aflito. As angústias do meu coração se multiplicaram; liberta-me da minha aflição. Olha para a minha tribulação e o meu sofrimento, e perdoa todos os meus pecados. Vê como aumentaram os meus inimigos e com que fúria me odeiam! Guarda a minha vida e livra-me! Não me deixes decepcionado, pois eu me refugio em Ti. Que a integridade e a retidão me protejam, porque a minha esperança está em Ti. Ó Deus, liberta Israel de todas as suas aflições!

Salmo 24(25)

† † †