segunda-feira, 11 de setembro de 2023

15ª Segunda-feira Depois de Pentecostes

11 de Setembro de 2023 (CC) / 29 de Agosto (CE)
Decapitação do Venerável e Ilustre, Profeta e Precursor do Senhor, João Batista;
Santa Monja Teodora de Tessalônica (892)
Tom 5


Os Evangelistas Mateus (Mt. 14:1-12) e Marcos (Mc. 6:14-29) fornecem relatos sobre o fim do Mártir de João Batista no ano 32 após o nascimento de Cristo. 
Após o Batismo do Senhor, São João Batista foi trancado na prisão por Herodes Antipas, mantendo um quarto do governo da Terra Santa como governador da Galiléia. (Depois da morte do rei Herodes, o Grande, os romanos dividiram o território da Palestina em quatro partes, e em cada parte colocaram um governador. Herodes Antipas recebeu do Imperador Augusto o governo da Galiléia). O profeta de Deus João denunciou abertamente Herodes por ter deixado sua legítima esposa – a filha do rei árabe Aretas, e depois coabitar com Herodias – a esposa de seu irmão Filipe (Lc 3, 19-20). 
Em seu aniversário, Herodes fez um banquete para os dignitários, os anciãos e mil cidadãos principais. A filha de Herodes, Salomé, dançou diante dos convidados e encantou Herodes. Em gratidão à garota, ele jurou lhe dar qualquer coisa, qualquer coisa que ela pedisse, qualquer coisa até metade de seu reino. A vil menina, a conselho de sua perversa mãe Herodias, pediu que lhe fosse dada imediatamente a cabeça de João Batista em um prato. Herodes ficou apreensivo, pois temia a ira de Deus pelo assassinato de um profeta, a quem antes ele havia atendido. Ele temia também as pessoas, que amavam o santo Precursor. Mas por causa dos convidados e seu juramento descuidado, ele deu ordens para cortar a cabeça de São João e entregá-la a Salomé. Por tradição, a boca da cabeça morta do pregador do arrependimento mais uma vez se abriu e proclamou: 
"Herodes, você não deve ter a esposa de seu irmão Filipe". 
Salomé pegou o prato com a cabeça de São João e deu à mãe. A frenética Herodias repetidamente esfaqueou a língua do profeta com uma agulha e enterrou sua cabeça sagrada em um lugar impuro. Mas a piedosa Joana, esposa do administrador de Herodes, Chuza, enterrou a cabeça de João Batista em um vaso de barro no Monte das Oliveiras, onde Herodes era possuidor de uma parcela de terra (o Descobrimento da Venerável Cabeça é comemorado em 24 de fevereiro). O corpo santo de João Batista foi levado naquela noite por seus discípulos e sepultado em Sebasteia, lá onde o mal foi feito. Após o assassinato de São João Batista, Herodes continuou a governar por um certo tempo. Pôncio Pilatos, governador da Judéia, mais tarde lhe enviou Jesus Cristo amarrado, de quem escarnece (Lc. 23: 7-12). 
O julgamento de Deus veio sobre Herodes, Herodias e Salomé, ainda durante sua vida terrena. Salomé, atravessando o rio Sikoris no inverno, caiu no gelo. O gelo cedeu tanto que seu corpo ficou na água, mas sua cabeça ficou presa embaixo do gelo. Era semelhante a como uma vez ela dançou com os pés no chão, mas agora se debatendo impotente na água gelada. Assim ela ficou presa até aquele momento em que o gelo afiado cortou seu pescoço. O cadáver não foi encontrado, mas trouxeram a cabeça a Herodes e Herodias, como outrora lhes trouxeram a cabeça de São João Batista. O rei árabe Aretas em vingança pelo desrespeito demonstrado a sua filha fez guerra contra Herodes. Tendo sofrido a derrota, Herodes sofreu a ira do imperador romano Caio Caligua (37-41) e foi exilado com Herodias primeiro para a Gália e depois para a Espanha. E lá estavam eles à vista. 
Em memória da decapitação de São João Batista, a festa instituída pela Igreja é também um dia estrito de jejum – como expressão da dor dos cristãos pela morte violenta do santo. Neste dia, a Igreja faz memória dos soldados mortos no campo de batalha, conforme estabelecido em 1769, na época de uma guerra da Rússia com os turcos e os poloneses. 
Leituras Comemorativas 
Marcos 14:1-13 (Matinas)
Atos 13:25-32
Marcos 6:14-30
A Venerável Theodora de Tessalônica

Theodora e seu marido, um homem rico e devoto, viveram na ilha de Egina. Quando os árabes ameaçaram Egina, eles se estabeleceram em Tessalônica. Lá entregaram a sua única filha para um mosteiro, e seu nome monástico foi Theopista.  
O marido de Theodora morreu logo depois disso, e, então, Theodora também se tornou uma monja. Santa Teodora tornou-se uma grande asceta. Muitas vezes ouvia o canto angelical, e muitas vezes dizia para as irmãs:  
"Não ouves como belamente os anjos cantam no santuário celestial?"  
Santa Theodora morreu com a idade de 75 anos, no ano 879 dC. De suas relíquias fluía mirra, que curava e beneficiava a muitos.

 


Oração Antes de Ler as Escrituras
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém! 

Gálatas 2:11-16

Fragmento 202 - Irmãos, quando Pedro veio a Antioquia, eu o confrontei pessoalmente, porque era repreensível. Porque, antes que alguns tivessem chegado da parte de Tiago, comia com os gentios; mas, depois que chegaram, se foi retirando, e se apartou deles, temendo os que eram da circuncisão. E os outros judeus, tal como ele, também, se portaram hipocritamente, de maneira que até Barnabé se deixou levar pela hipocrisia dele. Mas, quando vi que não andavam retamente conforme a verdade do Evangelho, disse a Pedro na presença de todos: Se tu, sendo judeu, vives como os gentios, e não como judeu, por que obrigas os gentios a viverem como judeus? Nós somos judeus por natureza, e não pecadores dentre os gentios. Sabendo que o homem não é justificado pelas obras da Lei, mas pela fé em Jesus Cristo, temos também crido em Jesus Cristo, para sermos justificados pela fé de Cristo, e não pelas obras da Lei; porquanto pelas obras da Lei nenhuma carne será justificada.

COMENTÁRIO

«Temos também crido em Jesus Cristo, para sermos justificados pela fé de Cristo...»  
O texto diz: «Pela de Cristo»; não diz «pela fé em Cristo». A fé de Cristo é o Evangelho. Assim como a fonte das obras é a Lei, a fonte da Fé é Cristo. É a fé de Cristo, ou seja, Suas crenças, Sua confiança, Sua obediência - que nos justifica, não a nossa fé como tal. A Fé de Cristo pode ser vista em toda a Sua vida na Terra e não apenas em algumas de suas obras cruciais. Ver artigo sobre Justificação Pela Fé.

Marcos 5:24-34

Fragmento 21 - Naquela ocasião, Jesus seguiu caminho com Jairo, o Chefe da sinagoga, e O seguia uma grande multidão, que O apertava. Ora, certa mulher, que havia doze anos padecia de uma hemorragia, e que tinha sofrido bastante às mãos de muitos médicos, e despendido tudo quanto possuía sem nada aproveitar, antes indo a pior, tendo ouvido falar a respeito de Jesus, veio por detrás, entre a multidão, e tocou-Lhe o manto; porque dizia: Se tão-somente tocar-lhe as vestes, ficaria curada. E imediatamente cessou a sua hemorragia; e sentiu no corpo estar já curada do seu mal. E logo Jesus, percebendo em si mesmo que saíra d’Ele poder, virou-Se no meio da multidão e perguntou: Quem Me tocou as vestes? Responderam-Lhe os seus discípulos: Vês que a multidão Te aperta, e perguntas: Quem Me tocou? Mas Ele olhava em redor para ver a que isto fizera. Então a mulher, atemorizada e trêmula, cônscia do que nela se havia operado, veio e prostrou-se diante d’Ele, e declarou-Lhe toda a verdade. Disse-lhe Ele: Filha, a tua fé te salvou; vai-te em paz, e fica livre desse teu mal.

† † †

COMENTÁRIO

A Lei estigmatizava a mulher na qual houvesse fluxo de sangue desordenado, classificando-a como “imunda” (Lv. 15:25) e condenava também à imundície todo objeto que fosse tocado por ela: a cama onde dormia, a cadeira onde se sentava, etc; mas, não somente os objetos, também qualquer pessoa que os tocasse se tornaria imunda (Lv. 15:26) Assim, uma mulher que padecia de um mal hemorrágico sofria quase que o mesmo ostracismo dos leprosos: a diferença entre um e outro é que a hemorrágica podia disfarçar temporariamente o seu mal.

A mulher se aproveitou da multidão para se acobertar e tocar em Cristo sem que Este pudesse notar. Mas Jesus a surpreende: “Quem me tocou?”, pergunta o Mestre, distinguindo o seu toque do aperto que sofria da multidão. Ele distinguiu o toque porque sentira do Seu corpo sair poder. Quando aquilo que era “imundo” tocara O que É Santo, o Santo não se tornara imundo – como prescrevia a Lei – antes, o Santo purificou o que é imundo. No entanto, muitos corpos pecadores tocavam e até comprimiam o Corpo Santo, mas nenhum desses atraiu para si a Virtude do Santo. Só o desta mulher – que pela Lei era mais indigna do que os demais – alcançou tal graça. O que tinha este toque de distinto dos demais?

Se o corpo do Santo comunicara virtude à mulher imunda, é porque o toque da imunda comunicava ao Santo a fé que habitava no corpo imundo. E a fé é o único instrumento que atrai a Graça (Ef. 2:9). Esta fé que se apresenta quando todos os pilares da existência desmoronam. A mulher gastara todo seu dinheiro com o seu tratamento, sem obter resultado; sua dignidade e honra estavam dilaceradas pelo estigma social que a doença provocara. O tempo da enfermidade (12 anos) lhe torturara o suficiente para destruir todas as certezas ilusórias da sua vida. Algo no seu íntimo a fazia intuir que Aquele homem da Galileia era Depositário da graça que ela necessitava.

Mas Ele era um Rabi, um Homem Santo, que certamente a condenaria, visto que esta era a sentença da Lei. Por isto a estratégia de se dissimular por entre a multidão.

Sua estratégia dera certo. Ela estava curada. Uma alegria lhe toma o ser. Mas, parece que sua alegria teria duração curta. O Rabi interrompe sua caminhada e pergunta: “Quem me tocou?” Olhando em seguida para ela.

Pronto, agora fora descoberta. Seria humilhada e condenada. A cena do Éden parece se repetir. Eva tem que sair detrás da árvore e se apresentar nua perante o Seu Criador e Juiz. O que iria surpreender a mulher é que no roteiro do drama do Éden, o ato agora em cena, não era mais o da sentença de Eva, mas o da promessa: pois Quem aparece no palco do mundo é O Descendente nascido da semente da mulher que iria pisar a cabeça da serpente (e por esta ser ferido).

Podemos aqui fazer um aparte para que reflitamos na Graça que habitou na Mãe de Deus. Quando o Verbo foi Gerado em seu ventre para receber dela a sua carne, Ele teve seu Ser tocado pelos genes impuros de Eva que habitavam na Virgem, e assim como a mulher hemorrágica não pudera contaminar o Santo, antes recebendo dele a purificação da sua doença, assim também a Santa Virgem teve todo seu corpo purificado por Aquele que tudo plenifica.

Desprovida de seus disfarces, tiradas as máscaras do anonimato, desfeita a estratégia da dissimulação, a mulher se apresenta perante o Santo de Deus. Ela está prostrada perante o Santo e direciona o olhar do medo para o chão, porém os seus ouvidos não demoram a ouvir palavras de ternura:

“Filha, a tua fé te salvou; vai-te em paz, e fica livre desse teu mal”.

Pe. Mateus (Antonio Eça)

ORAÇÃO

Jesus dulcíssimo, glória dos apóstolos; meu Jesus, alegria dos mártires; Senhor onipotente, Jesus, meu Salvador, Jesus belíssimo, salva-me a mim que recorro a Ti. Salvador Jesus, tem piedade de mim, pela intercessão daquela que te trouxe ao mundo, e de todos, ó Jesus, os teus santos, e de todos os profetas; meu Salvador Jesus, torna-me também digno das delícias do paraíso, ó Jesus amigo dos homens.

† † †

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