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sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

32º Sexta-feira Depois de Pentecostes

PRÉ-FESTA DA TEOFANIA
16 de Janeiro de 2026 (CC) 03 de Janeiro (CE)
Ss. Profeta Malaquias e Górdios de Cesárea na Capadócia, mártir
Encontro das santas relíquias de São Efraim, Neo Makri
Tom 6

 
O Santo Profeta Malaquias viveu 400 anos antes do nascimento de Cristo, na época da volta dos judeus do cativeiro babilônico. Malaquias foi o último dos profetas do Antigo Testamento, por isso, os Santos Padres o chamam de "o selo dos profetas". 
Manifestando-se com uma imagem de bondade espiritual e piedade, ele surpreendeu a nação e foi chamado Malaquias, ou seja, um anjo. 
Seu livro profético está incluído no Cânone do Antigo Testamento. Nele, ele repreende os judeus, predizendo a vinda de Jesus Cristo e de seu precursor João Batista, e também o Juízo Final (Malaquias 3: 1-5; 4: 1-6).

Santo Mártir Górdios 
Górdios nasceu em Cesárea da Capadócia. Entrou para o serviço militar do Império Romano e chegou ao grau de centurião. Estava em sua vila natal quando o perverso Diocleciano voltou a ascender o fogo da perseguição aos cristãos. Indignado, ao ver os cruéis tratamentos infligidos aos cristãos, abandonou voluntariamente o serviço militar, retirando-se ao deserto. Iniciou-se nos divinos mistérios do cristianismo sob a influência da graça e o exercício da contemplação, compreendendo a inutilidade dos bens da vida presente, entregando-se à prática do jejum e da oração. Numa certa ocasião, em que os pagãos haviam organizado jogos para honrar o deus pagão Marte, Górdios apresentou-se novamente na cidade e, mostrando-se entre os espectadores proclamou em voz alta as palavras do profeta: 
"Fui achado pelos que não me buscavam, fui manifestado aos que por mim não perguntavam" (Is 65,2 e Rm 10,20). Quis fazer compreender a todos, com estas palavras que, por si mesmo, declarava-se cristão. Então, tomaram-no e levaram-no diante do governador. 
Górdios deu a conhecer seu nome, seu país, sua categoria de centurião, o motivo de seu afastamento e de seu retorno à cidade. «Não me preocupo com vossos editos, pois creio em Jesus Cristo, minha esperança e meu apoio; sei que superais em crueldade aos demais representantes imperiais, mas achei por bem aproveitar esta ocasião para obter o que é objeto de meus desejos». O governador o fez compreender que estava assim se expondo aos mais horríveis tormentos, se insistisse nessa atitude. Górdios, porém, elevando seus olhos aos céus, cantou os versículos do salmo: «O Senhor é meu apoio e não temo o que os homens possam me fazer; Senhor, nenhum mal temerei, porque Tu estás comigo!» (Sl 117 e 22). E repetia estas expressões de confiança muito a propósito para fortalecer sua alma. Então, abateram-se sobre ele os tormentos. Seus parentes e amigos se aproximaram dele, compadecidos por sua sorte. «Guardai vossas lágrimas e vossos lamentos para os inimigos do verdadeiro Deus» – lhes disse – «pois que estou preparado para dar mil vezes a minha vida, se isso fosse possível, para glorificar o nome do Senhor. Tenho presente em minha memória o primeiro centurião que assistiu, sobre o calvário, a morte de meu Salvador, e que proclamou a sua divindade na presença dos judeus, cuja cólera ainda não se havia abrandado». Essas foram suas últimas palavras. Protegido com o sinal da cruz marchou intrepidamente para o martírio, tendo sido decapitado.


Oração Antes de Ler as Escrituras
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!


HORAS REAIS

Prima (6h)

Atos 13:25-32

Fragmento 33 - “Naquela época, ao completar sua jornada, João dis-se: ‘Quem pensais que eu sou? Eu não sou Ele. Mas eis que vem após mim Aquele a Quem não sou digno de desatar as sandálias dos pés’. Homens e irmãos, filhos da linhagem de Abraão, e todos vós que temeis a Deus, a vós é enviada a palavra desta saudação. Pois aqueles que habitam em Jerusalém, e seus go-vernantes, por não O conhecerem, nem mesmo as vozes dos profetas que são lidas a cada sábado, cumpriram-nas ao conde-ná-Lo. E, embora não encontrassem n’Ele nenhuma causa de morte, pediram a Pilatos que O matasse. E, tendo cumprido tu-do o que estava escrito a respeito d’Ele, tiraram-No da cruz e O puseram num sepulcro. Mas Deus O ressuscitou dentre os mor-tos: E Ele foi visto por muitos dias por aqueles que subiram com Ele da Galileia a Jerusalém, os quais são suas testemunhas perante o povo. E nós vos anunciamos boas novas, de que se cumpriu a promessa feita aos pais”.

Mateus 3:1-11

Fragmento 5 - Naqueles dias, João Batista chega e prega no deserto da Judéia e diz: “Arrependei-vos, porque o Reino dos Céus está próximo”. Pois ele é aquele de quem disse o profeta Isaías: 

“Uma voz clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas. 

João tinha roupas feitas de pelo de camelo e um cinto de couro em volta dos lombos, e sua comida era gafanhotos e mel silvestre. Então Jerusalém, toda a Judéia e todo o Jordão circundante vieram ter com ele e foram por ele batizados no Jordão, confessando os seus pecados. Quando João viu muitos fariseus e saduceus vindo ter com ele para serem batizados, disse-lhes: “Raça de víboras!” quem vos inspirou a fugir da ira futura? Produzi frutos dignos de arrependimento; e não penseis em dizer consigo mesmo: “Temos Abraão como nosso pai”, pois eu vos digo que Deus é capaz de suscitar filhos para Abraão destas pedras. O machado já está à raiz das árvores: Toda árvore que não dá bons frutos é cortada e lançada ao fogo. Eu vos batizo com água para arrependimento, mas Aquele que vem depois de mim é mais poderoso do que eu; do Qual, não sou digno de carregar Suas sandálias. Ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo.

HORA TÉRCIA

Atos 19:1-8

Fragmento 42 – Naqueles dias, enquanto Apolo estava em Corinto, Paulo, tendo passado por todas as regiões superiores, chegou a Éfeso; e achando ali alguns discípulos, disse-lhes: “Recebestes vós já o Espírito Santo quando crestes?” E eles disseram-lhe: “Nós nem ainda ouvimos que haja Espírito Santo”. Perguntou-lhes, então: “Em que sois batizados então?” E eles disseram: “No batismo de João”. Mas Paulo disse: “Certamente João bati-zou com o batismo de arrependimento, dizendo ao povo que cresse no que após ele havia de vir, isto é, em Jesus Cristo. E os que ouviram foram batizados em Nome do Senhor Jesus. E, im-pondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo; e fa-lavam línguas, e profetizavam. E estes eram, ao todo, uns doze homens. E, entrando na sinagoga, falou ousadamente por espa-ço de três meses, disputando e persuadindo-os acerca do Reino de Deus.

Marcos 1:1-8

Fragmento 1 - Princípio do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus; como está escrito nos profetas:

“Eis que Eu envio o Meu anjo ante a Tua face, o qual preparará o Teu caminho diante de Ti. Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as Suas veredas.”

Apareceu João batizando no deserto, e pregando o batismo de arrependimento, para remissão dos pecados. E toda a província da Judéia e os de Jerusalém iam ter com ele; e todos eram batizados por ele no rio Jordão, confessando os seus pecados. E João andava vestido de pelos de camelo, e com um cinto de couro em redor de seus lombos, e comia gafanhotos e mel silvestre. E pregava, dizendo: “Após mim vem Aquele que é mais forte do que eu, do qual não sou digno de, abaixando-me, desatar a correia das Suas alparcas. Eu, em verdade, tenho-vos batizado com água; Ele, porém, vos batizará com o Espírito Santo.”

HORA SEXTA

Romanos 6:3-11

Fragmento 91 - Irmãos, não sabeis que todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na Sua morte? De sorte que fomos sepultados com Ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida. Porque, se fomos plantados juntamente com Ele na semelhança da Sua morte, também o seremos na da Sua ressurreição. Sabendo isto, que o nosso homem velho foi com Ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, para que não sirvamos mais ao pecado. Porque aquele que está morto está justificado do pecado. Ora, se já morremos com Cristo, cremos que também com Ele viveremos. Sabendo que, tendo sido Cristo ressuscitado dentre os mortos, já não morre; a morte não mais tem domínio sobre Ele. Pois, quanto a ter morrido, de uma vez morreu para o pecado; mas, quanto a viver, vive para Deus. Assim também vos considerai certamente mortos para o pecado, mas vivos para Deus em Cristo Jesus nosso Senhor.

Marcos 1:9-15

Fragmento 2A - Naquela época, Jesus veio de Nazaré da Galileia e foi batizado no Jordão por João. E imediatamente, saindo da água, viu os céus se abrindo e o Espírito, como uma pomba descendo sobre Ele. E uma voz ressoou do céu:

“Tu És Meu Filho Amado, em Ti Me comprazo.” 

E imediatamente o Espírito O conduziu ao deserto. E esteve no deserto quarenta dias, sendo tentado por Satanás; e estava com as feras, e os anjos O serviam. E depois que João foi entregue, Jesus veio para a Galileia, pregando o Evangelho de Deus e dizendo: O tempo está cumprido, e o Reino de Deus está próximo; arrependei-vos e crede no Evangelho.

HORA NONA

Tito 2:11-14, 3:4-7

Fragmento  302A - Meu filho Tito, a graça de Deus se manifestou, trazendo salvação a todos os homens, ensinando-nos, para que, renunciando à impiedade e às paixões mundanas, vivamos no presente mundo sóbria, e justa, e piamente, aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus, que Se deu a Si mesmo por nós para nos remir de toda a iniquidade, e purificar para Si um povo todo seu, zeloso de boas obras. Mas quando apareceu a bondade de Deus, nosso Salvador e o Seu amor para com os homens, não em virtude de obras de justiça que nós houvéssemos feito, mas segundo a Sua misericórdia, nos salvou mediante o lavar da regeneração e renovação pelo Espírito Santo, que Ele derramou abundantemente sobre nós por Jesus Cristo, nosso Salvador; para que, sendo justificados pela Sua graça, fôssemos feitos herdeiros segundo a esperança da vida eterna.

Mateus 3:13-17

Fragmento 6 - Naqueles dias, Jesus veio da Galileia ao Jordão até João para ser batizado por ele. João O conteve e disse: “Preciso ser batizado por Ti, e Tu vens até mim?” Mas Jesus respondeu e disse-lhe: “Deixa isso agora, pois assim nos convém cumprir toda a justiça”. Então João o admite. E tendo sido batizado, Jesus saiu da água, e eis que os céus se abriram para Ele, e João viu o Espírito de Deus descendo como uma pomba e pousando sobre Ele. E eis que uma voz do céu disse:

“Este É o Meu Filho Amado, em Quem Me comprazo”.

† † †

quinta-feira, 16 de janeiro de 2025

30ª Quinta-feira Depois de Pentecostes

PRÉ-FESTA DA TEOFANIA
16 de Janeiro de 2025 (CC) 03 de Janeiro (CE)
Ss. Profeta Malaquias e Górdios de Cesárea na Capadócia, Mártir
Santa Genoveva de Paris (502)
Encontro das santas relíquias de São Efraim, Neo Makri
Tom 4

 
O Santo Profeta Malaquias viveu 400 anos antes do nascimento de Cristo, na época da volta dos judeus do cativeiro babilônico. Malaquias foi o último dos profetas do Antigo Testamento, por isso, os Santos Padres o chamam de "o selo dos profetas". 
Manifestando-se com uma imagem de bondade espiritual e piedade, ele surpreendeu a nação e foi chamado Malaquias, ou seja, um anjo. 
Seu livro profético está incluído no Cânone do Antigo Testamento. Nele, ele repreende os judeus, predizendo a vinda de Jesus Cristo e de seu precursor João Batista, e também o Juízo Final (Malaquias 3: 1-5; 4: 1-6).

Santo Mártir Górdios 
Górdios nasceu em Cesárea da Capadócia. Entrou para o serviço militar do Império Romano e chegou ao grau de centurião. Estava em sua vila natal quando o perverso Diocleciano voltou a ascender o fogo da perseguição aos cristãos. Indignado, ao ver os cruéis tratamentos infligidos aos cristãos, abandonou voluntariamente o serviço militar, retirando-se ao deserto. Iniciou-se nos divinos mistérios do cristianismo sob a influência da graça e o exercício da contemplação, compreendendo a inutilidade dos bens da vida presente, entregando-se à prática do jejum e da oração. Numa certa ocasião, em que os pagãos haviam organizado jogos para honrar o deus pagão Marte, Górdios apresentou-se novamente na cidade e, mostrando-se entre os espectadores proclamou em voz alta as palavras do profeta: 
"Fui achado pelos que não me buscavam, fui manifestado aos que por mim não perguntavam" (Is 65,2 e Rm 10,20). Quis fazer compreender a todos, com estas palavras que, por si mesmo, declarava-se cristão. Então, tomaram-no e levaram-no diante do governador. 
Górdios deu a conhecer seu nome, seu país, sua categoria de centurião, o motivo de seu afastamento e de seu retorno à cidade. «Não me preocupo com vossos editos, pois creio em Jesus Cristo, minha esperança e meu apoio; sei que superais em crueldade aos demais representantes imperiais, mas achei por bem aproveitar esta ocasião para obter o que é objeto de meus desejos». O governador o fez compreender que estava assim se expondo aos mais horríveis tormentos, se insistisse nessa atitude. Górdios, porém, elevando seus olhos aos céus, cantou os versículos do salmo: «O Senhor é meu apoio e não temo o que os homens possam me fazer; Senhor, nenhum mal temerei, porque Tu estás comigo!» (Sl 117 e 22). E repetia estas expressões de confiança muito a propósito para fortalecer sua alma. Então, abateram-se sobre ele os tormentos. Seus parentes e amigos se aproximaram dele, compadecidos por sua sorte. «Guardai vossas lágrimas e vossos lamentos para os inimigos do verdadeiro Deus» – lhes disse – «pois que estou preparado para dar mil vezes a minha vida, se isso fosse possível, para glorificar o nome do Senhor. Tenho presente em minha memória o primeiro centurião que assistiu, sobre o calvário, a morte de meu Salvador, e que proclamou a sua divindade na presença dos judeus, cuja cólera ainda não se havia abrandado». Essas foram suas últimas palavras. Protegido com o sinal da cruz marchou intrepidamente para o martírio, tendo sido decapitado. 
Santa Genoveva de Paris (502)

Ela nasceu perto de Paris em uma família de ricos proprietários de terras. Quando ela tinha cerca de dez anos, São Germano de Auxerre (31 de julho), passando pela região a caminho da Grã-Bretanha, percebeu um propósito divino especial para ela e disse aos pais que ela havia sido escolhida para a salvação de muitos. "Ele perguntou a ela naquele dia, e no início do dia seguinte, se ela se consagraria à santa virgindade por Cristo e, em ambas as ocasiões, ela respondeu que era seu desejo mais querido. Então ele a abençoou e deu a ela uma moeda de cobre com a inscrição da Cruz para usar em volta do pescoço, dizendo a ela para nunca usar ouro, prata ou pérolas, mas para elevar sua mente acima das pequenas belezas deste mundo para herdar adornos eternos e celestiais." (Synaxarion) 
Os mosteiros eram desconhecidos naquela época na Gália, então Genevieve vivia solitária, em uma cela em sua própria casa, primeiro com seus pais e depois, após a morte deles, com sua madrinha em Paris. Ela se dedicou aos pobres, doando tudo o que chegava às suas mãos, exceto a pequena quantia de que precisava para se alimentar de pão e feijão. (Quando ela passou dos cinquenta anos, os bispos ordenaram que ela adicionasse um pouco de peixe e leite à sua dieta). Ela manteve a Quaresma da Teofania à Páscoa, durante a qual ela nunca saiu de casa. Ela nunca teve medo de repreender os poderosos por sua opressão aos fracos e pobres, e assim ganhou muitos inimigos poderosos; mas o amor do povo por ela e o apoio da Igreja a mantiveram longe da perseguição.
 
Tornou-se seu costume ir à igreja aos domingos em procissão com sua família e muitos leigos piedosos. Uma vez, a vela carregada na frente da procissão (ainda estava escuro) apagou-se em uma tempestade. A Santa pediu a vela e, quando a pegou na mão, ela reacendeu e permaneceu acesa até chegarem à igreja. Em várias outras ocasiões, velas acenderam espontaneamente em sua mão; por esse motivo, seu ícone a mostra segurando uma vela. 
Ela viajou por toda a Gália (atual França) a negócios da igreja, sendo recebida com todas as honras geralmente concedidas a um bispo. Várias vezes ela salvou a cidade de Paris dos ataques de tribos bárbaras por meio de suas orações, implorando a chefes bárbaros e uma vez organizando um comboio para levar grãos à cidade sitiada. 
Santa Genoveva repousou em paz aos oitenta anos. Ao longo dos séculos desde então, ela demonstrou sua santa proteção à cidade de Paris inúmeras vezes, e suas relíquias na Igreja de Santa Genoveva realizaram inúmeras curas. Suas relíquias foram muitas vezes carregadas em grandes procissões em tempos de guerra, pestilência ou outra provação nacional. Essas relíquias foram em sua maioria queimadas e jogadas no Rio Sena pelos revolucionários ímpios em 1793, mas, como conclui o Sinaxário, "aqueles que continuam a invocar Santa Genoveva com fé, descobrem que ela está bem e verdadeiramente viva".
 
Oração Antes de Ler as Escrituras  
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!

Hebreus 10:35-11:7

Não rejeiteis, pois, a vossa confiança, que tem grande e avultado galardão. Porque necessitais de paciência, para que, depois de haverdes feito a vontade de Deus, possais alcançar a promessa. Porque ainda um pouquinho de tempo, E o que há de vir virá, e não tardará. Mas o justo viverá pela fé; E, se ele recuar, a minha alma não tem prazer nele. Nós, porém, não somos daqueles que se retiram para a perdição, mas daqueles que crêem para a conservação da alma. Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem. Porque por ela os antigos alcançaram testemunho. Pela fé entendemos que os mundos pela palavra de Deus foram criados; de maneira que aquilo que se vê não foi feito do que é aparente. Pela fé Abel ofereceu a Deus maior sacrifício do que Caim, pelo qual alcançou testemunho de que era justo, dando Deus testemunho dos seus dons, e por ela, depois de morto, ainda fala. Pela fé Enoque foi trasladado para não ver a morte, e não foi achado, porque Deus o trasladara; visto como antes da sua trasladação alcançou testemunho de que agradara a Deus. Ora, sem fé é impossível agradar-lhe; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam. Pela fé Noé, divinamente avisado das coisas que ainda não se viam, temeu e, para salvação da sua família, preparou a arca, pela qual condenou o mundo, e foi feito herdeiro da justiça que é segundo a fé.

Marcos 12:38-44

Fragmento 57 - O Senhor disse aos Seus discípulos: “Guardai-vos dos escribas, que gostam de andar com vestes compridas, e das saudações nas praças, e das primeiras cadeiras nas sinagogas, e dos primeiros assentos nas ceias; que devoram as casas das viúvas, e isso com pretexto de largas orações. Estes receberão mais grave condenação”. E, estando Jesus assentado defronte da arca do tesouro, observava a maneira como a multidão lançava o dinheiro na arca do tesouro; e muitos ricos depositavam muito. Vindo, porém, uma pobre viúva, depositou duas pequenas moedas, que valiam um kodrates. E, chamando os Seus discípulos, disse-lhes: “Em verdade vos digo que esta pobre viúva depositou mais do que todos os que depositaram na arca do tesouro; porque todos ali depositaram do que lhes sobejava, mas esta, da sua pobreza, deitou tudo o que tinha, todo o seu sustento”.

† † †

O ENSINO DOS SANTOS PADRES

“Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia”

Amadíssimos, que ninguém se vanglorie dos pequenos méritos de uma vida boa se lhe faltarem as obras de caridade; nem se refugie na falsa segurança de sua pureza corporal, quem não busca a sua purificação na esmola.

A esmola apaga o pecado, mata a morte e extingue a pena do fogo eterno. Mas quem estiver desprovido do fruto da esmola, também não poderá receber a indulgência do remunerador, pois diz Salomão: Quem fecha os ouvidos ao clamor do necessitado, não será escutado quando grite. Por isso Tobias dizia ao seu filho, incutindo-lhe os preceitos da piedade: Dá esmola dos teus bens e não sejas mesquinho. Se vês um pobre, não desvies o teu rosto, e Deus não afastará sua face de ti.

Esta virtude torna úteis todas as outras virtudes: sua união vivifica a própria fé, da qual o justo vive, e que, se não tem obras, é considerada morta: mas se é verdade que a fé é a razão de ser das obras, não é menos que as obras são a força da fé. Por isso, como diz o apóstolo, enquanto temos oportunidade, trabalhemos pelo bem de todos, especialmente pelo bem da família da fé. Não nos cansemos de fazer o bem, que, se não esmorecermos, no tempo certo colheremos.

A vida presente é tempo de semeadura, e o dia da retribuição é tempo de colheita, quando cada um recolherá uma colheita proporcionada à quantidade da semeadura. Ninguém ficará defraudado do rendimento desta messe, pois ali se atenderá tanto o volume das contribuições como a qualidade das intenções; de maneira que se equipararão os pequenos donativos procedentes de escassos rendimentos e os suntuosos de fortunas imensas.

Em consequência, amadíssimos, acatemos o que foi estabelecido pelos apóstolos. E como no próximo domingo terá “lugar a coleta, disponham-vos para a voluntária devoção, para que cada um coopere, segundo as suas possibilidades, para a sacratíssima oblação. Vossas próprias esmolas serão uma oração em vosso favor, assim como para aqueles a quem ajudareis com vossa generosidade. Assim estareis disponíveis para toda boa iniciativa, em Cristo Jesus, nosso Senhor, que vive e reina pelos séculos dos séculos. Amém.

São Gregório, o Grande, Patriarca de Roma, Séc. VII

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terça-feira, 16 de janeiro de 2024

33ª Terça-feira Depois de Pentecostes

PRÉ-FESTA DA TEOFANIA
16 de Janeiro de 2024 (CC) 03 de Janeiro (CE)
Ss. Profeta Malaquias e Górdios de Cesárea na Capadócia, mártir
Encontro das santas relíquias de São Efraim, Neo Makri
Semana Sem Jejum
Tom 7

 
O Santo Profeta Malaquias viveu 400 anos antes do nascimento de Cristo, na época da volta dos judeus do cativeiro babilônico. Malaquias foi o último dos profetas do Antigo Testamento, por isso, os Santos Padres o chamam de "o selo dos profetas". 
Manifestando-se com uma imagem de bondade espiritual e piedade, ele surpreendeu a nação e foi chamado Malaquias, ou seja, um anjo. 
Seu livro profético está incluído no Cânone do Antigo Testamento. Nele, ele repreende os judeus, predizendo a vinda de Jesus Cristo e de seu precursor João Batista, e também o Juízo Final (Malaquias 3: 1-5; 4: 1-6).

Santo Mártir Górdios 
Górdios nasceu em Cesárea da Capadócia. Entrou para o serviço militar do Império Romano e chegou ao grau de centurião. Estava em sua vila natal quando o perverso Diocleciano voltou a ascender o fogo da perseguição aos cristãos. Indignado, ao ver os cruéis tratamentos infligidos aos cristãos, abandonou voluntariamente o serviço militar, retirando-se ao deserto. Iniciou-se nos divinos mistérios do cristianismo sob a influência da graça e o exercício da contemplação, compreendendo a inutilidade dos bens da vida presente, entregando-se à prática do jejum e da oração. Numa certa ocasião, em que os pagãos haviam organizado jogos para honrar o deus pagão Marte, Górdios apresentou-se novamente na cidade e, mostrando-se entre os espectadores proclamou em voz alta as palavras do profeta: 
"Fui achado pelos que não me buscavam, fui manifestado aos que por mim não perguntavam" (Is 65,2 e Rm 10,20). Quis fazer compreender a todos, com estas palavras que, por si mesmo, declarava-se cristão. Então, tomaram-no e levaram-no diante do governador. 
Górdios deu a conhecer seu nome, seu país, sua categoria de centurião, o motivo de seu afastamento e de seu retorno à cidade. «Não me preocupo com vossos editos, pois creio em Jesus Cristo, minha esperança e meu apoio; sei que superais em crueldade aos demais representantes imperiais, mas achei por bem aproveitar esta ocasião para obter o que é objeto de meus desejos». O governador o fez compreender que estava assim se expondo aos mais horríveis tormentos, se insistisse nessa atitude. Górdios, porém, elevando seus olhos aos céus, cantou os versículos do salmo: «O Senhor é meu apoio e não temo o que os homens possam me fazer; Senhor, nenhum mal temerei, porque Tu estás comigo!» (Sl 117 e 22). E repetia estas expressões de confiança muito a propósito para fortalecer sua alma. Então, abateram-se sobre ele os tormentos. Seus parentes e amigos se aproximaram dele, compadecidos por sua sorte. «Guardai vossas lágrimas e vossos lamentos para os inimigos do verdadeiro Deus» – lhes disse – «pois que estou preparado para dar mil vezes a minha vida, se isso fosse possível, para glorificar o nome do Senhor. Tenho presente em minha memória o primeiro centurião que assistiu, sobre o calvário, a morte de meu Salvador, e que proclamou a sua divindade na presença dos judeus, cuja cólera ainda não se havia abrandado». Essas foram suas últimas palavras. Protegido com o sinal da cruz marchou intrepidamente para o martírio, tendo sido decapitado.

Oração Antes de Ler as Escrituras
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!

1 Pedro 3:10-22

10 Pois, quem quer amar a vida, e ver os dias bons, refreie a sua língua do mal, e os seus lábios não falem engano; 11 aparte-se do mal, e faça o bem; busque a paz, e siga-a. 12 Porque os olhos do Senhor estão sobre os justos, e os seus ouvidos atento à sua súplica; mas o rosto do Senhor é contra os que fazem o mal. 13 Ora, quem é o que vos fará mal, se fordes zelosos do bem? 14 Mas também, se padecerdes por amor da justiça, bem-aventurados sereis; e não temais as suas ameaças, nem vos turbeis; 15 antes santificai em vossos corações a Cristo como Senhor; e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a todo aquele que vos pedir a razão da esperança que há em vós; 16 tendo uma boa consciência, para que, naquilo em que falam mal de vós, fiquem confundidos os que vituperam o vosso bom procedimento em Cristo. 17 Porque melhor é sofrerdes fazendo o bem, se a vontade de Deus assim o quer, do que fazendo o mal. 18 Porque também Cristo morreu uma só vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus; sendo, na verdade, morto na carne, mas vivificado no espírito; 19 no qual também foi, e pregou aos espíritos em prisão; 20 os quais noutro tempo foram rebeldes, quando a longanimidade de Deus esperava, nos dias de Noé, enquanto se preparava a arca; na qual poucas, isto é, oito almas se salvaram através da água, 21 que também agora, por uma verdadeira figura - o batismo, vos salva, o qual não é o despojamento da imundícia da carne, mas a indagação de uma boa consciência para com Deus, pela ressurreição de Jesus Cristo, 22 que está à destra de Deus, tendo subido ao céu; havendo-se-lhe sujeitado os anjos, e as autoridades, e as potestades. 

Marcos 12:18-27

Naquela época, se aproximaram dele alguns dos saduceus, que dizem não haver ressurreição, e lhe perguntaram, dizendo: Mestre, Moisés nos deixou escrito que se morrer alguém, deixando mulher sem deixar filhos, o irmão dele case com a mulher, e suscite descendência ao irmão. Ora, havia sete irmãos; o primeiro casou-se e morreu sem deixar descendência; o segundo casou-se com a viúva, e morreu, não deixando descendência; e da mesma forma, o terceiro; e assim os sete, e não deixaram descendência. Depois de todos, morreu também a mulher. Na ressurreição, de qual deles será ela esposa, pois os sete por esposa a tiveram? Respondeu-lhes Jesus: Porventura não errais vós em razão de não compreenderdes as Escrituras nem o poder de Deus? Porquanto, ao ressuscitarem dos mortos, nem se casam, nem se dão em casamento; pelo contrário, são como os anjos nos céus. Quanto aos mortos, porém, serem ressuscitados, não lestes no livro de Moisés, onde se fala da sarça, como Deus lhe disse: 

"Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó?"

Ora, ele não é Deus de mortos, mas de vivos. Estais em grande erro.

† † †

ENSINO DOS SANTOS PADRES


Santo Irineu de Lião (séc. II)
Tratado Contra as Heresias: “Eu Sou a Ressurreição e a Vida”


Nosso Senhor e mestre, na resposta que deu aos saduceus que negam a ressurreição, e que ainda afrontam a Deus violando a lei, confirma a realidade da ressurreição e depõe em favor de Deus, dizendo-lhes: Estais muito equivocados por não compreender as Escrituras nem o poder de Deus. E a respeito da ressurreição – diz – dos mortos, não lestes o que Deus disse: Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó? E acrescentou: Não é Deus de mortos, mas de vivos: porque para ele estão todos vivos. Com estas palavras manifestou que aquele que falou com Moisés na sarça e declarou ser o Deus dos pais é o Deus dos vivos.

E quem é o Deus dos vivos a não ser o único Deus, acima do qual não existe outro Deus? É o mesmo Deus anunciado pelo Profeta Daniel, quando ao dizer-lhe Ciro, o persa: Por que não adoras a Bel?, respondeu-lhe: eu adoro o Senhor, meu Deus, que é o Deus vivo. Assim o Deus vivo adorado pelos profetas é o Deus dos vivos, e o é também a sua Palavra, que falou a Moisés, que refutou aos saduceus, que nos concedeu o dom da ressurreição, mostrando aos que estavam cegos estas duas verdades fundamentais: a ressurreição e Deus. Se Deus não é Deus de mortos, mas de vivos, e, contudo, é chamado Deus dos pais que já morreram, é incontestável que estão vivos para Deus e não pereceram: são filhos de Deus, porque participam da ressurreição.

E a ressurreição é nosso Senhor em pessoa, como ele mesmo afirmou: Eu sou a ressurreição e a vida. E os pais são seus filhos; já o disse o profeta: em lugar de teus pais, são teus filhos. Portanto, o próprio Cristo é juntamente com o Pai o Deus dos vivos, que falou a Moisés e se manifestou aos pais.

Isto é o que, ensinando, dizia aos judeus: Abraão, vosso pai, pulava de alegria pensando em ver meu dia: o viu e se encheu de alegria. Como assim? Abraão creu em Deus e lhe foi creditado como justiça. Creu, em primeiro lugar, que ele é o Criador do céu e da terra, o único Deus, e em segundo lugar, que multiplicaria sua descendência como as estrelas do céu. É o mesmo vocabulário de Paulo: Como luzeiros do mundo. Com razão, pois, abandonando todos os seus parentes terrenos, seguia o Verbo de Deus, peregrinando com o Verbo, para morar com o Verbo. Com razão os apóstolos, descendentes de Abraão, deixando a barca e o pai, seguiam ao Verbo de Deus. Com razão também nós, abraçando a mesma fé que Abraão, carregando a cruz – como Isaac com a lenha – o seguimos.

Na verdade, em Abraão o homem aprendeu e se acostumou a seguir o Verbo de Deus. De fato, Abraão, favorecendo, em conformidade com a sua fé, o mandato do Verbo de Deus, consentiu oferecer em sacrifício a Deus seu unigênito e amado filho, para que também Deus concordasse no sacrifício de seu Filho unigênito em favor de toda a sua posteridade, ou seja, por nossa redenção. Por isso Abraão, profeta como era, vendo em espírito o dia da vinda do Senhor e a economia da paixão, pela qual ele mesmo e todos os que cressem como ele começariam a inaugurar a salvação, encheu-se de intensa alegria. 

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segunda-feira, 16 de janeiro de 2023

32º Segunda-feira Depois de Pentecostes

PRÉ-FESTA DA TEOFANIA
16 de Janeiro de 2023 (CC) 03 de Janeiro (CE)
Ss. Profeta Malaquias e Górdios de Cesárea na Capadócia, mártir
Encontro das santas relíquias de São Efraim, Neo Makri
Tom 6

 
O Santo Profeta Malaquias viveu 400 anos antes do nascimento de Cristo, na época da volta dos judeus do cativeiro babilônico. Malaquias foi o último dos profetas do Antigo Testamento, por isso, os Santos Padres o chamam de "o selo dos profetas". 
Manifestando-se com uma imagem de bondade espiritual e piedade, ele surpreendeu a nação e foi chamado Malaquias, ou seja, um anjo. 
Seu livro profético está incluído no Cânone do Antigo Testamento. Nele, ele repreende os judeus, predizendo a vinda de Jesus Cristo e de seu precursor João Batista, e também o Juízo Final (Malaquias 3: 1-5; 4: 1-6).

Santo Mártir Górdios 
Górdios nasceu em Cesárea da Capadócia. Entrou para o serviço militar do Império Romano e chegou ao grau de centurião. Estava em sua vila natal quando o perverso Diocleciano voltou a ascender o fogo da perseguição aos cristãos. Indignado, ao ver os cruéis tratamentos infligidos aos cristãos, abandonou voluntariamente o serviço militar, retirando-se ao deserto. Iniciou-se nos divinos mistérios do cristianismo sob a influência da graça e o exercício da contemplação, compreendendo a inutilidade dos bens da vida presente, entregando-se à prática do jejum e da oração. Numa certa ocasião, em que os pagãos haviam organizado jogos para honrar o deus pagão Marte, Górdios apresentou-se novamente na cidade e, mostrando-se entre os espectadores proclamou em voz alta as palavras do profeta: 
"Fui achado pelos que não me buscavam, fui manifestado aos que por mim não perguntavam" (Is 65,2 e Rm 10,20). Quis fazer compreender a todos, com estas palavras que, por si mesmo, declarava-se cristão. Então, tomaram-no e levaram-no diante do governador. 
Górdios deu a conhecer seu nome, seu país, sua categoria de centurião, o motivo de seu afastamento e de seu retorno à cidade. «Não me preocupo com vossos editos, pois creio em Jesus Cristo, minha esperança e meu apoio; sei que superais em crueldade aos demais representantes imperiais, mas achei por bem aproveitar esta ocasião para obter o que é objeto de meus desejos». O governador o fez compreender que estava assim se expondo aos mais horríveis tormentos, se insistisse nessa atitude. Górdios, porém, elevando seus olhos aos céus, cantou os versículos do salmo: «O Senhor é meu apoio e não temo o que os homens possam me fazer; Senhor, nenhum mal temerei, porque Tu estás comigo!» (Sl 117 e 22). E repetia estas expressões de confiança muito a propósito para fortalecer sua alma. Então, abateram-se sobre ele os tormentos. Seus parentes e amigos se aproximaram dele, compadecidos por sua sorte. «Guardai vossas lágrimas e vossos lamentos para os inimigos do verdadeiro Deus» – lhes disse – «pois que estou preparado para dar mil vezes a minha vida, se isso fosse possível, para glorificar o nome do Senhor. Tenho presente em minha memória o primeiro centurião que assistiu, sobre o calvário, a morte de meu Salvador, e que proclamou a sua divindade na presença dos judeus, cuja cólera ainda não se havia abrandado». Essas foram suas últimas palavras. Protegido com o sinal da cruz marchou intrepidamente para o martírio, tendo sido decapitado.



Oração Antes de Ler as Escrituras
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!
Tiago 2:14-26

Meus irmãos, que aproveita se alguém disser que tem fé, e não tiver as obras? Porventura a fé pode salvá-lo? E, se o irmão ou a irmã estiverem nus, e tiverem falta de mantimento quotidiano, E algum de vós lhes disser: Ide em paz, aquentai-vos, e fartai-vos; e não lhes derdes as coisas necessárias para o corpo, que proveito virá daí? Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma. Mas dirá alguém: Tu tens a fé, e eu tenho as obras; mostra-me a tua fé sem as tuas obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras. Tu crês que há um só Deus; fazes bem. Também os demônios o crêem, e estremecem. Mas, ó homem vão, queres tu saber que a fé sem as obras é morta? Porventura o nosso pai Abraão não foi justificado pelas obras, quando ofereceu sobre o altar o seu filho Isaque? Bem vês que a fé cooperou com as suas obras, e que pelas obras a fé foi aperfeiçoada. E cumpriu-se a Escritura, que diz: E creu Abraão em Deus, e foi-lhe isso imputado como justiça, e foi chamado o amigo de Deus. Vedes então que o homem é justificado pelas obras, e não somente pela fé. E de igual modo Raabe, a meretriz, não foi também justificada pelas obras, quando recolheu os emissários, e os despediu por outro caminho? Porque, assim como o corpo sem o espírito está morto, assim também a fé sem obras é morta.

Marcos 12:13-17

Naquela época, os principais sacerdotes e anciãos dos judeus enviaram a Jesus alguns dos fariseus e dos herodianos para pegá-lo pela palavra. E, chegando eles, disseram-lhe: Mestre, sabemos que és homem de verdade, e de ninguém se te dá, porque não olhas a aparência dos homens, antes com verdade ensinas o caminho de Deus: É lícito dar o tributo a César, ou não? Daremos, ou não daremos? Então ele, conhecendo a sua hipocrisia, disse-lhes: Por que me tentais? Trazei-me uma moeda, para que a veja. E eles lha trouxeram. E disse-lhes: De quem é esta imagem e inscrição? E eles lhe disseram: De César. E Jesus, respondendo, disse-lhes: Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus. E maravilharam-se dele.


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ENSINO DOS SANTOS PADRES

“O que Deus te pede? Sua imagem”

Buscas a imagem de Deus? Você a tem em si mesmo; o artífice não pode fazer a imagem de Deus, mas Deus pode fazer uma imagem de si mesmo. Não fez outro distinto de ti mesmo, mas que te fez a ti a sua imagem. Adorando, pois, a imagem de homem que o artífice fez, profana a imagem de Deus, que Deus imprimiu em ti mesmo. Portanto, quando te chama para que voltes, quer devolver-te aquela imagem que tu, esfregando-a em certo modo com a ambição terrena, perdeste e obscureceste.

Daqui procede, irmãos, que Deus busque a sua imagem em nós. Isto foi o que recordou àqueles judeus que lhe apresentaram uma moeda. Quando lhe disseram: Senhor, é lícito pagar tributo a César?, sua primeira intenção era lhe tentar; se dizia “é lícito”, seria acusado de querer que Israel vivesse sob maldição, ao querer que estivesse submetido a tributo, que estivesse sob o jugo de outro rei e pagasse impostos; se, porém, dizia “não é lícito pagar tributo”, lhe acusariam de ordenar algo contra o César e de ser o causante de que não pagassem os impostos devidos enquanto povo submetido.

Conheceu que lhe tentavam; conheceu, por assim dizer, a verdade para a falsidade e com poucas palavras deixou exposta a mentira procedente da boca dos mentirosos. Não emitiu a sentença contra eles por sua boca, mas deixou que eles mesmos a emitissem contra si, segundo o que está escrito: Por tuas palavras serás declarado justo e por elas declarado inocente. Por que me tentais, hipócritas? Ele lhes disse.

Mostrai-me a moeda. Mostraram-na para ele. De quem, disse, é a imagem e a inscrição? Responderam: De César. E ele: Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus. Como César busca a sua imagem em sua moeda, assim Deus busca a sua em tua alma. Dai a César, disse, o que é de César. O que César te pede? Sua imagem. O que Deus te pede? Sua imagem. Porém, a do César está na moeda, a de Deus está em ti. Se alguma vez perdes uma moeda, choras porque perdeste a imagem do César; e não choras quando adoras um ídolo sabendo que fazes uma injúria à imagem de Deus que reside em ti?

Agostinho, bispo de Hypona (séc. V)


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“Entregar a Deus a sua imagem intacta em nós”

Façamos o homem a nossa imagem e semelhança. O pintor desta imagem é o Filho de Deus. E por tratar-se de pintor tão grandioso e perito, sua imagem pode se tornar feia pela negligência, mas não apagada pela malícia. Pois a imagem de Deus permanece sempre em ti, mesmo quando tu mesmo sobreponhas à imagem do homem terreno. Esta imagem do homem terreno, que Deus não esboçou em ti, tu mesmo te vais pintando através das variadas escalas de tipos de malícia, como uma combinação de diversas cores. 

Por isso temos de suplicar àquele que diz pela boca do profeta: Dissipei tuas rebeliões como névoa; os teus pecados como nuvem. E quando tiver apagado em ti todas estas cores procedentes das fraudes da malícia, então resplandecerá em ti a imagem criada por Deus. Já percebes como as Sagradas Escrituras comparam formas e figuras mediante as quais a alma aprenda a conhecer-se e a purificar-se a si mesma.

Queres contemplar ainda esta imagem a partir de outra perspectiva? Existem cartas que Deus escreve e cartas que nós escrevemos. As cartas do pecado nós as escrevemos. Escuta como se expressa o apóstolo: Cancelou – disse – o documento que nos condenava com suas cláusulas e era contra nós; aboliu-o definitivamente, cravando-o na cruz. Isto que o apóstolo chama documento, foi a caução de nossos pecados. Porque cada um de nós é devedor daquilo em que delinque e escreve a carta de seus pecados. Pois, no juízo de Deus – cuja abertura descreve Daniel –, diz que os livros se abriram: sem dúvida aqueles livros que contêm os pecados dos homens.

Estes livros nós os escrevemos com as culpas que cometemos. Disto concluímos que as nossas cartas são escritas pelo pecado; as de Deus pela justiça. Assim, de fato, o afirma o apóstolo: Vós sois uma carta, escrita não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo; não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne, isto é, em vossos corações. Tens, pois, a carta de Deus em ti, e a carta do Espírito Santo. Mas se pecas, tu mesmo assinas o documento do pecado.

Porém, observa como ao aproximar-te somente uma vez da cruz de Cristo e da graça do batismo, teu documento foi cravado na cruz e apagado na fonte batismal. Não voltes a escrever novamente o que foi apagado, nem restaures o que foi abolido; conserva em ti unicamente a carta de Deus; que permaneça em ti a Escritura do Espírito Santo.

Orígenes (séc. III)

Fonte: Lecionário Patrístico

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