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segunda-feira, 8 de setembro de 2025

14ª Segunda-feira Depois de Pentecostes

08 de Setembro de 2025 (CC) / 26 de Agosto (CE)
Encontro do ícone Milagroso da Santíssima Mãe de Deus de Vladimir 
nas cercanias de Moscou ante a invasão de Tarmelane, o Líder Tártaro, em 1395 dC.
Ss Mártires Adriano e Natália  
e seus 23 companheiros de martírio em Nicomédia  († Séc. IV); 
Tom 4
 



O Ícone da Mãe de Deus de Vladimir foi escrito pelo Evangelista Lucas em uma tábua da mesa na qual o Salvador comeu junto com Sua Pura Mãe e o Justo José. A Mãe de Deus, ao ver esta imagem, repetiu a frase do seu canto ao visitar sua prima Elizabeth: "Doravante todas as gerações me chamarão bem-aventurada". E abençoou o Ícone. 
No ano de 1131, o Ícone foi enviado de Constantinopla para a Rússia ao santo Príncipe Mstislav († 1132, Com. 15 de abril) e foi instalado no mosteiro Deviche, em Vyshgorod, a antiga cidade da sagrada Princesa Igual aos Apóstolos, Olga. 
O filho de Yuri Dolgoruky, Santo Andrei Bogoliubsky, em 1155 trouxe o Ícone para a cidade de Vladimir e o instalou-o na renomada Catedral da Uspênia (Dormição), que por ele fora construída. E nessa época o ícone recebeu o nome de "Ícone de Vladimir". No ano de 1395 o Ícone foi trazido pela primeira vez para Moscou. Assim, a bênção da Mãe de Deus uniu os laços espirituais de Bizâncio e da Rússia, via Kiev, Vladimir e Moscovo.  
A celebração festiva do Ícone da Santíssima Mãe de Deus de Vladimir ocorre várias vezes ao ano (21 de maio, 23 de junho, 26 de agosto). A celebração mais solene ocorre no dia 26 de agosto, festa instituída em homenagem ao Encontro do Ícone de Vladimir após sua transferência de Vladimir para Moscou. 
No ano de 1395, o temível conquistador, o Cã Tamerlão (Temir-Aksak) alcançou a fronteira de Ryazan, tomou a cidade de Elets e avançando em direção a Moscou chegou perto das margens do rio Don. O grão-príncipe Vasilii Dimitrievich foi com um exército para Kolomna e parou nas margens do rio Oka. Ele rezou aos Santos Hierarcas de Moscou e ao Monge Sergei pela libertação da Pátria, e escreveu ao Metropolita de Moscou São Kiprian (Comm. 16 de setembro), que o pendente Jejum da Uspenia-Dormição deveria ser dedicado a orações zelosas por misericórdia e arrependimento. O Clero foi enviado para Vladimir, onde estava situado o famoso ícone Vladimir, que fazia milagres. Após a Divina Liturgia e um molieben na festa da Uspenie-Dormição, o clero pegou o ícone e em uma procissão da igreja o transportou para Moscou. Ao longo do caminho, em ambos os lados da estrada, inúmeras pessoas rezavam ajoelhadas: "Ó Mãe de Deus, salva a terra da Rússia!" E naquela mesma hora, quando o povo de Moscovo se encontrava com o ícone de Vladimir, no campo de Kuchkov, Tamerlão dormia na sua tenda. De repente, ele viu em sonho uma grande montanha, em cujo cume vinham em sua direção os Santos Hierarcas com bastões de ouro, e sobre eles, em um brilho intenso, reluzia uma Mulher Majestosa. Ela ordenou que ele deixasse os domínios da Rússia. Acordando assustado, Tamerlão perguntou o significado da aparição. Os especialistas responderam que a Senhora Radiante era a Mãe de Deus, a Grande Protetora dos Cristãos. Tamerlão então deu ordem para que suas tropas voltassem. Em memória desta libertação milagrosa da terra russa, onde ocorreu o Encontro do Ícone de Vladimir, eles construíram o Mosteiro Sretensk (Encontro). E no dia 26 de agosto foi instituída a celebração em toda a Rússia, em homenagem ao Encontro do Ícone de Vladimir da Santíssima Mãe de Deus. 
Acontecimentos muito importantes na história da Igreja Russa ocorreram diante do Ícone Vladimir da Mãe de Deus: A eleição e elevação de São Jonas – Advogado da Igreja Russa Autocéfala (1448); e de São Jó – primeiro Patriarca de Moscou e de toda a Rússia (1589), e de Sua Santidade o Patriarca São Tikhon (1917). E a entronização de Sua Santidade Pímen, Patriarca de Moscou e de toda a Rússia, ocorreu num dia de celebração em homenagem ao Ícone Vladimir da Mãe de Deus – em 21 de maio (NS 3 de junho) de 1971. Os históricos dias de 21 de maio, 23 de junho e 26 de agosto, estão ligados a este Ícone sagrado, tornaram-se dias memoráveis para a Igreja Ortodoxa Russa. 
Comemoração dos Santos Mártires Adriano e Natália
Os Santos Adriano e Natália viviam na cidade de Nicomédia, região de Vifania, na Ásia Menor. Adriano era pagão e dignitário do imperador Maximiliano Galério (305–311), perseguidor dos cristãos. Natalia era cristã, porém em segredo. 
Durante a perseguição, escondiam-se numa caverna próxima à Nicomédia, 23 cristãos. Tendo sido encontrados, foram levados à prisão e julgados, buscando persuadi-los a que oferecessem sacrifícios aos ídolos. Depois, foram conduzidos ao juizado para que tivessem seus nomes registrados. Ali se encontrava Adriano, que era o diretor da sala do juizado. Adriano perguntou aos cristãos que prêmio esperavam receber de seu Deus por haver suportado todas aquelas torturas. E, como resposta, ouviu: 
«As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, e não subiram ao coração do homem, São as que Deus preparou para os que o amam» (1 Cor 2:9). 
Ao escutar isto, disse Adriano ao escrivão: 
"Tome nota de meu nome junto aos deles, porque também sou um cristão!" 
Tendo dito isto, Adriano foi encarcerado. O Imperador o aconselhou a apagar seu nome da lista dos cristãos e desculpar-se pelo que fez, mas Adriano respondeu que não havia perdido a razão e assim agia por sua livre vontade. Contava, neste tempo, com 28 anos de idade. Natália, sua esposa, ao saber do que havia se passado, apressou-se a ir à prisão para levar alento ao esposo Adriano e encorajá-lo. Depois de comunicarem aos prisioneiros cristãos que eles haviam sido sentenciados à morte, deixaram que Adriano saísse da prisão e fosse à sua casa rapidamente para que informasse sua esposa de sua condenação. Ao vê-lo, temendo que Adriano tivesse negado a sua fé em Cristo, Natália não permitiu que entrasse em sua casa. 
Ao retornar à prisão, Adriano, juntamente com os outros cristãos, foram submetidos às mais cruéis torturas: os carrascos, usando pesadas marretas, quebraram-lhes braços e pernas, causando-lhes grandes sofrimentos antes que morressem. Quando chegou a vez de Adriano, o que mais temia sua esposa é que lhe faltasse coragem e que pudesse renegar a Cristo. Por isso mesmo o acompanhava fortalecendo e sustentando seus braços e pernas quebradas pelos carrascos. Adriano morreu junto com os demais mártires cristãos no ano 304. Quando tentavam queimar seus corpos, uma grande tormenta se formou apagando o fogo e, atingidos por um raio, vários carrascos foram mortos. 
O comandante do exército queria casar-se com Natália que ainda era jovem e rica. Ela, porém, antes da morte de Adriano tinha pedido ao seu esposo que rogasse a Deus para que não a obrigassem a casar-se. Logo, Adriano lhe apareceu em sonho e lhe disse que em pouco tempo ela estaria com ele. E assim foi: Natália morreu sobre o sepulcro de seu marido Adriano que estava situado próximo da cidade de Bizâncio para onde os cristãos haviam levado o corpo de Adriano.  

Oração Antes de Ler as Escrituras

Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém! 
2 Coríntios 12:10-19

Fragmento 195 - Irmãos, sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Porque quando estou fraco então sou forte. Fui néscio em gloriar-me; vós me constrangestes. Eu devia ter sido louvado por vós, visto que em nada fui inferior aos mais excelentes apóstolos, ainda que nada seja. Os sinais do meu apostolado foram manifestados entre vós com toda a paciência, por sinais, prodígios e maravilhas. Pois, em que tendes vós sido inferiores às outras igrejas, a não ser que eu mesmo vos não fui pesado? Perdoai-me este agravo. Eis aqui estou pronto para pela terceira vez ir ter convosco, e não vos serei pesado, pois que não busco o que é vosso, mas sim a vós: Porque não devem os filhos entesourar para os pais, mas os pais para os filhos. Eu de muito boa vontade gastarei, e me deixarei gastar pelas vossas almas, ainda que, amando-vos cada vez mais, seja menos amado. Mas seja assim; eu não vos fui pesado mas, sendo astuto, vos tomei com dolo. Porventura aproveitei-me de vós por algum daqueles que vos enviei? Roguei a Tito, e enviei com ele um irmão. Porventura Tito se aproveitou de vós? Não andamos porventura no mesmo espírito, sobre as mesmas pisadas? Cuidais que ainda nos desculpamos convosco? Falamos em Cristo perante Deus, e tudo isto, ó amados, para vossa edificação.

Marcos 4:10-23

Fragmento 16 - Quando Se achou só, os que estavam ao redor d’Ele, com os doze, interrogaram-No acerca da parábola. E Ele lhes disse: “A vós é confiado o mistério do Reino de Deus, mas aos de fora tudo se lhes diz por parábolas; para que vendo, vejam, e não percebam; e ouvindo, ouçam, e não entendam; para que não se convertam e sejam perdoados”. Disse-lhes ainda: “Não percebeis esta parábola? Como, pois, entendereis todas as parábolas? O semeador semeia a palavra. E os que estão junto do caminho são aqueles em quem a palavra é semeada; mas, tendo-a eles ouvido, vem logo Satanás e tira a palavra que neles foi semeada. Do mesmo modo, aqueles que foram semeados nos lugares pedregosos são os que, ouvindo a palavra, imediatamente com alegria a recebem; mas não têm raiz em si mesmos, antes são de pouca duração; depois, sobrevindo tribulação ou perseguição por causa da palavra, logo se escandalizam. Outros ainda são aqueles que foram semeados entre os espinhos; estes são os que ouvem a palavra; mas os cuidados do mundo, a sedução das riquezas e a cobiça doutras coisas, entrando, sufocam a palavra, e ela fica infrutífera. Aqueles outros que foram semeados em boa terra são os que ouvem a palavra e a recebem, e dão fruto, a trinta, a sessenta, e a cem, por um”. Disse-lhes mais: “Vem porventura a candeia para se meter debaixo do alqueire, ou debaixo da cama? Não é antes para se colocar no velador? Porque nada está encoberto senão para ser manifesto; e nada foi escondido senão para vir à luz. Se alguém tem ouvidos para ouvir, ouça”.

† † †

COMENTÁRIO

O Semeador Semeia Sem Contar

Hoje não persuadi o meu ouvinte, mas talvez o persuada amanhã, ou talvez dentro de três ou quatro dias. Às vezes, o pescador que em vão lançou as redes durante todo o dia apanha à noite, quando se vai embora, o peixe que não conseguiu pescar durante o dia. O lavrador não deixa de cultivar a terra mesmo que não obtenha grandes colheitas durante vários anos; por fim, é frequente um só ano reparar, e com abundância, todas as perdas anteriores. […]

Deus não nos pede que tenhamos sucesso, mas que trabalhemos; ora, o nosso trabalho não será menos recompensado por não termos sido escutados. […] Cristo sabia perfeitamente que Judas não se converteria; e, contudo, tentou convertê-lo até ao fim, censurando-lhe o seu pecado em termos comoventes: “Amigo, a que vieste?” (Mt 26, 50). Ora, se Cristo, que é o modelo dos pastores, trabalhou até ao fim pela conversão de um homem desesperado, quanto devemos fazer nós por aqueles por quem nos foi ordenado que esperemos sempre!

Se a semente seca, não é devido ao calor. Jesus não disse que a semente secou por causa do calor, mas sim pela «falta de raiz». Se a Palavra é asfixiada, não será por causa dos espinhos, mas de quem os deixou crescer em liberdade. Se quiseres, podes impedir que cresçam, podes fazer bom uso da riqueza. É por isso que o Salvador não fala «do mundo», mas dos «cuidados do mundo», não fala «da riqueza», mas da «sedução da riqueza». Por conseguinte, não acusemos as coisas em si mesmas, mas a corrupção da nossa consciência. [...]

Não é o agricultor, como vês, não é a semente, é a terra onde ela é recebida que explica tudo, ou seja, as disposições do nosso coração. Também aí a bondade de Deus para com o homem é imensa, dado que, longe de exigir a mesma medida de virtude, acolhe os primeiros, não repudia os segundos e dá lugar aos terceiros. [...]

É necessário, pois, começar por ouvir atentamente a Palavra, depois guardá-la fielmente na memória, em seguida encher-se de coragem, depois desprezar a riqueza e livrar-se do amor aos bens do mundo. Se Jesus coloca em primeiro lugar a Palavra, antes de todas as outras condições, é porque é a condição fundamental. «E como hão de acreditar Naquele de Quem não ouviram falar?”. (Rom, 10, 14). Também nós, se não dermos atenção ao que nos é dito, não conheceremos os deveres a cumprir. Só depois vem a coragem e o desprezo pelos bens deste mundo. Para pôr a render estas lições, fortifiquemo-nos de todas as maneiras: estejamos atentos à Palavra, façamos crescer profundamente as nossas raízes e desembaracemo-nos de todas as preocupações do mundo.

São João Crisóstomo,
Patriarca de Constantinopla.
Homilia pronunciada ao voltar do exílio

† † †

domingo, 8 de setembro de 2024

11º Domingo Depois de Pentecostes

08 de Setembro de 2024 (CC) / 26 de Agosto (CE)
Encontro do ícone Milagroso da Santíssima Mãe de Deus de Vladimir 
nas cercanias de Moscou ante a invasão de Tarmelane, o Líder Tártaro, em 1395 dC.
Ss Mártires Adriano e Natália  
e seus 23 companheiros de martírio em Nicomédia  († Séc. IV); 
Tom 2
 



O Ícone da Mãe de Deus de Vladimir foi escrito pelo Evangelista Lucas em uma tábua da mesa na qual o Salvador comeu junto com Sua Pura Mãe e o Justo José. A Mãe de Deus, ao ver esta imagem, repetiu a frase do seu canto ao visitar sua prima Elizabeth: "Doravante todas as gerações me chamarão bem-aventurada". E abençoou o Ícone. 
No ano de 1131, o Ícone foi enviado de Constantinopla para a Rússia ao santo Príncipe Mstislav († 1132, Com. 15 de abril) e foi instalado no mosteiro Deviche, em Vyshgorod, a antiga cidade da sagrada Princesa Igual aos Apóstolos, Olga. 
O filho de Yuri Dolgoruky, Santo Andrei Bogoliubsky, em 1155 trouxe o Ícone para a cidade de Vladimir e o instalou-o na renomada Catedral da Uspênia (Dormição), que por ele fora construída. E nessa época o ícone recebeu o nome de "Ícone de Vladimir". No ano de 1395 o Ícone foi trazido pela primeira vez para Moscou. Assim, a bênção da Mãe de Deus uniu os laços espirituais de Bizâncio e da Rússia, via Kiev, Vladimir e Moscovo.  
A celebração festiva do Ícone da Santíssima Mãe de Deus de Vladimir ocorre várias vezes ao ano (21 de maio, 23 de junho, 26 de agosto). A celebração mais solene ocorre no dia 26 de agosto, festa instituída em homenagem ao Encontro do Ícone de Vladimir após sua transferência de Vladimir para Moscou. 
No ano de 1395, o temível conquistador, o Cã Tamerlão (Temir-Aksak) alcançou a fronteira de Ryazan, tomou a cidade de Elets e avançando em direção a Moscou chegou perto das margens do rio Don. O grão-príncipe Vasilii Dimitrievich foi com um exército para Kolomna e parou nas margens do rio Oka. Ele rezou aos Santos Hierarcas de Moscou e ao Monge Sergei pela libertação da Pátria, e escreveu ao Metropolita de Moscou São Kiprian (Comm. 16 de setembro), que o pendente Jejum da Uspenia-Dormição deveria ser dedicado a orações zelosas por misericórdia e arrependimento. O Clero foi enviado para Vladimir, onde estava situado o famoso ícone Vladimir, que fazia milagres. Após a Divina Liturgia e um molieben na festa da Uspenie-Dormição, o clero pegou o ícone e em uma procissão da igreja o transportou para Moscou. Ao longo do caminho, em ambos os lados da estrada, inúmeras pessoas rezavam ajoelhadas: "Ó Mãe de Deus, salva a terra da Rússia!" E naquela mesma hora, quando o povo de Moscovo se encontrava com o ícone de Vladimir, no campo de Kuchkov, Tamerlão dormia na sua tenda. De repente, ele viu em sonho uma grande montanha, em cujo cume vinham em sua direção os Santos Hierarcas com bastões de ouro, e sobre eles, em um brilho intenso, reluzia uma Mulher Majestosa. Ela ordenou que ele deixasse os domínios da Rússia. Acordando assustado, Tamerlão perguntou o significado da aparição. Os especialistas responderam que a Senhora Radiante era a Mãe de Deus, a Grande Protetora dos Cristãos. Tamerlão então deu ordem para que suas tropas voltassem. Em memória desta libertação milagrosa da terra russa, onde ocorreu o Encontro do Ícone de Vladimir, eles construíram o Mosteiro Sretensk (Encontro). E no dia 26 de agosto foi instituída a celebração em toda a Rússia, em homenagem ao Encontro do Ícone de Vladimir da Santíssima Mãe de Deus. 
Acontecimentos muito importantes na história da Igreja Russa ocorreram diante do Ícone Vladimir da Mãe de Deus: A eleição e elevação de São Jonas – Advogado da Igreja Russa Autocéfala (1448); e de São Jó – primeiro Patriarca de Moscou e de toda a Rússia (1589), e de Sua Santidade o Patriarca São Tikhon (1917). E a entronização de Sua Santidade Pímen, Patriarca de Moscou e de toda a Rússia, ocorreu num dia de celebração em homenagem ao Ícone Vladimir da Mãe de Deus – em 21 de maio (NS 3 de junho) de 1971. Os históricos dias de 21 de maio, 23 de junho e 26 de agosto, estão ligados a este Ícone sagrado, tornaram-se dias memoráveis para a Igreja Ortodoxa Russa. 
Comemoração dos Santos Mártires Adriano e Natália
Os Santos Adriano e Natália viviam na cidade de Nicomédia, região de Vifania, na Ásia Menor. Adriano era pagão e dignitário do imperador Maximiliano Galério (305–311), perseguidor dos cristãos. Natalia era cristã, porém em segredo. 
Durante a perseguição, escondiam-se numa caverna próxima à Nicomédia, 23 cristãos. Tendo sido encontrados, foram levados à prisão e julgados, buscando persuadi-los a que oferecessem sacrifícios aos ídolos. Depois, foram conduzidos ao juizado para que tivessem seus nomes registrados. Ali se encontrava Adriano, que era o diretor da sala do juizado. Adriano perguntou aos cristãos que prêmio esperavam receber de seu Deus por haver suportado todas aquelas torturas. E, como resposta, ouviu: 
«As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, e não subiram ao coração do homem, São as que Deus preparou para os que o amam» (1 Cor 2:9). 
Ao escutar isto, disse Adriano ao escrivão: 
"Tome nota de meu nome junto aos deles, porque também sou um cristão!" 
Tendo dito isto, Adriano foi encarcerado. O Imperador o aconselhou a apagar seu nome da lista dos cristãos e desculpar-se pelo que fez, mas Adriano respondeu que não havia perdido a razão e assim agia por sua livre vontade. Contava, neste tempo, com 28 anos de idade. Natália, sua esposa, ao saber do que havia se passado, apressou-se a ir à prisão para levar alento ao esposo Adriano e encorajá-lo. Depois de comunicarem aos prisioneiros cristãos que eles haviam sido sentenciados à morte, deixaram que Adriano saísse da prisão e fosse à sua casa rapidamente para que informasse sua esposa de sua condenação. Ao vê-lo, temendo que Adriano tivesse negado a sua fé em Cristo, Natália não permitiu que entrasse em sua casa. 
Ao retornar à prisão, Adriano, juntamente com os outros cristãos, foram submetidos às mais cruéis torturas: os carrascos, usando pesadas marretas, quebraram-lhes braços e pernas, causando-lhes grandes sofrimentos antes que morressem. Quando chegou a vez de Adriano, o que mais temia sua esposa é que lhe faltasse coragem e que pudesse renegar a Cristo. Por isso mesmo o acompanhava fortalecendo e sustentando seus braços e pernas quebradas pelos carrascos. Adriano morreu junto com os demais mártires cristãos no ano 304. Quando tentavam queimar seus corpos, uma grande tormenta se formou apagando o fogo e, atingidos por um raio, vários carrascos foram mortos. 
O comandante do exército queria casar-se com Natália que ainda era jovem e rica. Ela, porém, antes da morte de Adriano tinha pedido ao seu esposo que rogasse a Deus para que não a obrigassem a casar-se. Logo, Adriano lhe apareceu em sonho e lhe disse que em pouco tempo ela estaria com ele. E assim foi: Natália morreu sobre o sepulcro de seu marido Adriano que estava situado próximo da cidade de Bizâncio para onde os cristãos haviam levado o corpo de Adriano.  
Oração Antes de Ler as Escrituras 
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!

MATINAS (11)

João 21:15-25

Fragmento 67 - Naqueles dias, depois de terem jantado, disse Jesus a Simão Pedro: Simão, filho de Jonas, tu Me amas mais do que estes? Disse-Lhe Pedro: Senhor, Tu sabes que eu Te amo. Disse-Lhe Jesus: Apascenta os Meus cordeiros. Ainda lhe disse outra vez: Simão, filho de Jonas, tu Me amas? Disse-Lhe Pedro: Senhor, Tu sabes que eu Te amo. Disse-lhe Jesus: apascenta as Minhas ovelhas. Disse-lhe terceira vez: Simão, filho de Jonas, tu Me amas? Pedro entristeceu-se porque foi perguntado pela terceira vez: Tu Me amas? E disse-Lhe: Senhor, Senhor, Tu sabes tudo; Tu sabes que eu Te amo. Disse-lhe Jesus: Apascenta as Minhas ovelhas. Em verdade, em verdade te digo: Quando eras jovem, te vestias a ti mesmo, e andavas aonde querias; mas, quando envelheceres, estenderás as tuas mãos, e outro te vestirá, e te levará para aonde não queres. E disse isto, significando de que morte Pedro iria glorificar a Deus. E, dito isto, disse-lhe: Segue-Me. E Pedro, voltando-se, vê andando atrás d’Ele o discípulo a quem Jesus amava, e que na ceia, se recostara ao peito de Jesus, e que dissera: Senhor, Senhor, quem há de Te trair? Vendo Pedro a este, disse a Jesus: Senhor, Senhor, e o que será deste? Disse-lhe Jesus: Se Eu quero que ele permaneça até que eu venha, que te importa isto? Segue-Me tu. E fez-se ouvir essa palavra entre os irmãos de que aquele discípulo não havia de morrer. Mas Jesus não lhe disse que ele não morreria, mas: Se Eu quero que ele permaneça até que Eu venha, que te importa isto? Este é o discípulo que testifica destas coisas e as escreveu; e sabemos que o seu testemunho é verdadeiro. Há, porém, muito mais coisas que Jesus fez; mas, e se cada uma delas fossem narradas detalhadamente, então, acho que o próprio mundo não acomodaria todos os livros escritos. Amém.

LITURGIA

Tropárion, Tom 2
Ó vida Imortal, sofrendo a morte, / esmagaste o Inferno com o fulgor de Tua Divindade. / E quando fizeste erguer os mortos das profundezas da terra, / todos os Poderes Celestes Te aclamaram, dizendo: // “Glória a Ti, ó Cristo nosso Deus e Autor da Vida!”

Tropárion do Ícone da Mãe de Deus de Vladimir, Tom 4
Hoje a gloriosíssima cidade de Moscou está adornada, / tendo recebido teu ícone milagroso como o esplendor do sol; / e nós, apressando-nos para isso e suplicando a ti, ó Senhora, / assim clamamos: Ó toda maravilhosa Senhora Theotókos, / implora a Cristo nosso Deus, que se encarnou através de ti, / que Ele liberte esta cidade, e todas as cidades e terras onde os cristãos habitam, / ilesas de todos os ataques do inimigo, // e salve nossas almas, pois és compassivo.

Tropárion de São Mateus, Tom 3 (Santo Patrono)
Com zelo seguiste a Cristo, o Mestre, / Que em Sua bondade apareceu aos homens na Terra, / E da alfândega te chamou para Apóstolo / e Pregador do Evangelho ao universo, /por isto honramos tua preciosa memória. / Ó divinamente eloquente, Mateus. /Roga ao Deus misericordioso // que nos conceda a remissão das transgressões e a salvação das nossas almas!

Tropárion dos Santos Mártires, Tom 4
Em seus sofrimentos, ó Senhor, / Teus mártires receberam coroas imperecíveis de Ti, nosso Deus; / pois, possuídos de Teu poder, / humilharam os algozes e anularam a débil audácia dos demônios. // Por suas súplicas, salva nossas almas.

Kondákion da Ressurreição, Tom 2
Tu ressuscitaste do túmulo, ó Poderosíssimo Salvador, / e com esse portentoso sinal, o Inferno ficou chocado de medo, / os mortos ressuscitados, Adão e a Criação vendo isto, se rejubilam em Ti // e o mundo, ó meu Salvador, Te louva, para sempre.

Kondákion de São Mateus, Tom 4 (Santo Patrono)
Deixando os laços da alfândega para adquirir o jugo da Justiça, / tu te revelaste um sábio comerciante, rico da sabedoria do Alto. / Proclamaste a Palavra da Verdade, /e pela narrativa da hora do Juízo // despertaste as almas indolentes.

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo...

Tom 4: A comemoração divina dos mártires brilhou / e iluminou radiantemente todos os confins da terra com a alegria daqueles que clamam: // Tu és a alegria dos mártires, ó Cristo!

Agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém.

Tom 8:

Como aqueles libertos dos males pela chegada de tua preciosa imagem, ó Senhora Theotokos, / cantamos esplendidamente hinos de vitória a ti, o líder escolhido, // na festa do teu encontro, e clamamos a ti como é nosso costume: Alegra-te, ó Noiva não casada!

Prokímenon

R. O Senhor É a minha força e o meu cântico,
Porque Ele me salvou. (Sl. 117:14)

V. O, Senhor, castigou-me muito, mas não me entregou à morte. (Sl. 117:118)

No 3º Tom

R. Minha alma engrandece ao Senhor, e meu espírito se alegra em Deus meu Salvador.

1 Coríntios 9:2b-12

Fragmento 141 - Irmãos, vós sois no Senhor o selo do meu apostolado. Esta é a minha defesa contra os que me denigrem. Não temos nós porventura o direito de comer e beber? Acaso, não temos nós direito de deixar que nos acompanhe uma mulher irmã, a exemplo dos outros apóstolos e dos irmãos do Senhor e de Cefas? Ou só eu e Barnabé não temos direito de deixar o trabalho? Quem, jamais, vai à guerra à sua custa? Quem planta uma vinha e não come do seu fruto? Quem apascenta um rebanho e não se alimenta do leite do rebanho? Trata-se, acaso, de simples norma entre os homens? Ou a lei não diz também o mesmo? Na Lei de Moisés está escrito:

“Não atarás a boca ao boi que debulha”. 

Acaso está Deus se referindo a bois? Não é, na realidade, em atenção a nós que Ele diz isto? Sim, é por nossa causa que está escrito. Quem trabalha deve trabalhar com esperança e igualmente quem debulha deve debulhar com esperança de receber a sua parte. Se entre vós semeamos bens espirituais, será, porventura, demasiada exigência colhermos de vossos bens materiais? Se outros se arrogam este direito sobre vós, não o temos muito mais? Entretanto, não temos feito uso deste direito: sofremos tudo para não pôr obstáculo algum ao Evangelho de Cristo.

Filipenses 2:5–11

Fragmento 240 - Irmãos, tende em vós aquele sentimento que houve também em Cristo Jesus, o Qual, sendo a Imagem de Deus, não considerou o ser igual a Deus coisa a que Se devia aferrar, mas esvaziou-Se a Si mesmo, tomando a forma de servo, tornando-Se semelhante aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-Se a Si mesmo, tornando-Se obediente até a morte, e morte de cruz. Pelo que também Deus O exaltou soberanamente, e Lhe deu o Nome que é sobre todo nome; para que ao Nome de Jesus se dobre todo joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo É Senhor, para glória de Deus Pai.

Aleluia, no 2º Tom

O Senhor Te ouça no dia da tribulação;
Te proteja o Nome do Deus de Jacó!

Aleluia, Aleluia, Aleluia!

Ó Senhor, salva o rei, e ouve-nos no dia em que Te invocarmos.

Aleluia, Aleluia, Aleluia!

No msmo tom:

Aleluia, Aleluia, Aleluia!

Levanta-te, ó Senhor, para o Teu descanso, Tu e a Arca da Tua santidade.

Aleluia, Aleluia, Aleluia!

Mateus 18:23-35

Fragmento 77 - O Senhor disse esta parábola: O Reino dos Céus pode comparar-se a certo rei que quis fazer contas com os seus servos; e, começando a fazer contas, foi-lhe apresentado um que lhe devia dez mil talentos; e, não tendo ele com que pagar, o seu senhor mandou que ele, e sua mulher e seus filhos fossem vendidos, com tudo quanto tinha, para que a dívida se lhe pagasse. Então aquele servo, prostrando-se, o reverenciava, dizendo: Senhor, sê generoso para comigo, e tudo te pagarei. Então o Senhor daquele servo, movido de íntima compaixão, soltou-o e perdoou-lhe a dívida. Saindo, porém, aquele servo, encontrou um dos seus conservos, que lhe devia cem dinheiros, e, lançando mão dele, sufocava-o, dizendo: Paga-me o que me deves. Então o seu companheiro, prostrando-se a seus pés, rogava-lhe, dizendo: Sê generoso para comigo, e tudo te pagarei. Ele, porém, não quis, antes foi encerrá-lo na prisão, até que pagasse a dívida. Vendo, pois, os seus conservos o que acontecia, contristaram-se muito, e foram declarar ao seu senhor tudo o que se passara. Então o seu senhor, chamando-o à sua presença, disse-lhe: Servo malvado, perdoei-te toda aquela dívida, porque me suplicaste. Não devias tu, igualmente, ter compaixão do teu companheiro, como eu também tive misericórdia de ti? E, indignado, o seu senhor o entregou aos atormentadores, até que pagasse tudo o que lhe devia. Assim vos fará, também, Meu Pai celestial, se do coração não perdoardes, cada um a seu irmão, as suas ofensas.

Lucas 10:38-42; 11:27-28

Fragmento 54 - Naquela época, quando iam de caminho, entrou Jesus numa aldeia; e certa mulher, por nome Marta, O recebeu em Sua casa.  Tinha esta uma irmã chamada Maria, a qual, sentando-se aos pés do Senhor, ouvia a Sua palavra. Marta, porém, andava preocupada com muito serviço; e aproximando-se, disse: Senhor, não se Te dá que minha irmã me tenha deixado a servir sozinha? Dize-lhe, pois, que me ajude. Respondeu-lhe o Senhor: Marta, Marta, estás ansiosa e perturbada com muitas coisas; entretanto poucas são necessárias, ou mesmo uma só; e Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada. Ora, enquanto Ele dizia estas coisas, certa mulher dentre a multidão levantou a voz e lhe disse: Bem-aventurado o ventre que Te trouxe e os peitos em que Te amamentaste. Mas Ele respondeu: Antes bem-aventurados os que ouvem a palavra de Deus, e a observam.

Canto da Comunhão
Louvai ao Senhor dos céus, louvai-O nas alturas!
Tomarei o cálice da salvação 
e invocarei o nome do Senhor.
Aleluia, aleluia, aleluia!

† † † 

sexta-feira, 8 de setembro de 2023

14ª Sexta-feira Depois de Pentecostes

08 de Setembro de 2023 (CC) / 26 de Agosto (CE)
Ss Mártires Adriano e Natália  
e seus 23 companheiros de martírio em Nicomédia  († Séc. IV); 
Comemoração do Encontro do ícone Milagroso da Santíssima Mãe de Deus de Vladimir 
nas cercanias de Moscou ante a invasão de Tarmelane, o Líder Tártaro, em 1395 dC.
Jejum (Azeite é permitido)
Tom 4


O Ícone da Mãe de Deus de Vladimir foi escrito pelo Evangelista Lucas em uma tábua da mesa na qual o Salvador comeu junto com Sua Pura Mãe e o Justo José. A Mãe de Deus, ao ver esta imagem, repetiu a frase do seu canto ao visitar sua prima Elizabeth: "Doravante todas as gerações me chamarão bem-aventurada". E abençoou o Ícone. 
No ano de 1131, o Ícone foi enviado de Constantinopla para a Rússia ao santo Príncipe Mstislav († 1132, Com. 15 de abril) e foi instalado no mosteiro Deviche, em Vyshgorod, a antiga cidade da sagrada Princesa Igual aos Apóstolos, Olga. 
O filho de Yuri Dolgoruky, Santo Andrei Bogoliubsky, em 1155 trouxe o Ícone para a cidade de Vladimir e o instalou-o na renomada Catedral da Uspênia (Dormição), que por ele fora construída. E nessa época o ícone recebeu o nome de "Ícone de Vladimir". No ano de 1395 o Ícone foi trazido pela primeira vez para Moscou. Assim, a bênção da Mãe de Deus uniu os laços espirituais de Bizâncio e da Rússia, via Kiev, Vladimir e Moscovo.  
A celebração festiva do Ícone da Santíssima Mãe de Deus de Vladimir ocorre várias vezes ao ano (21 de maio, 23 de junho, 26 de agosto). A celebração mais solene ocorre no dia 26 de agosto, festa instituída em homenagem ao Encontro do Ícone de Vladimir após sua transferência de Vladimir para Moscou. 
No ano de 1395, o temível conquistador, o Cã Tamerlão (Temir-Aksak) alcançou a fronteira de Ryazan, tomou a cidade de Elets e avançando em direção a Moscou chegou perto das margens do rio Don. O grão-príncipe Vasilii Dimitrievich foi com um exército para Kolomna e parou nas margens do rio Oka. Ele rezou aos Santos Hierarcas de Moscou e ao Monge Sergei pela libertação da Pátria, e escreveu ao Metropolita de Moscou São Kiprian (Comm. 16 de setembro), que o pendente Jejum da Uspenia-Dormição deveria ser dedicado a orações zelosas por misericórdia e arrependimento. O Clero foi enviado para Vladimir, onde estava situado o famoso ícone Vladimir, que fazia milagres. Após a Divina Liturgia e um molieben na festa da Uspenie-Dormição, o clero pegou o ícone e em uma procissão da igreja o transportou para Moscou. Ao longo do caminho, em ambos os lados da estrada, inúmeras pessoas rezavam ajoelhadas: "Ó Mãe de Deus, salva a terra da Rússia!" E naquela mesma hora, quando o povo de Moscovo se encontrava com o ícone de Vladimir, no campo de Kuchkov, Tamerlão dormia na sua tenda. De repente, ele viu em sonho uma grande montanha, em cujo cume vinham em sua direção os Santos Hierarcas com bastões de ouro, e sobre eles, em um brilho intenso, reluzia uma Mulher Majestosa. Ela ordenou que ele deixasse os domínios da Rússia. Acordando assustado, Tamerlão perguntou o significado da aparição. Os especialistas responderam que a Senhora Radiante era a Mãe de Deus, a Grande Protetora dos Cristãos. Tamerlão então deu ordem para que suas tropas voltassem. Em memória desta libertação milagrosa da terra russa, onde ocorreu o Encontro do Ícone de Vladimir, eles construíram o Mosteiro Sretensk (Encontro). E no dia 26 de agosto foi instituída a celebração em toda a Rússia, em homenagem ao Encontro do Ícone de Vladimir da Santíssima Mãe de Deus. 
Acontecimentos muito importantes na história da Igreja Russa ocorreram diante do Ícone Vladimir da Mãe de Deus: A eleição e elevação de São Jonas – Advogado da Igreja Russa Autocéfala (1448); e de São Jó – primeiro Patriarca de Moscou e de toda a Rússia (1589), e de Sua Santidade o Patriarca São Tikhon (1917). E a entronização de Sua Santidade Pímen, Patriarca de Moscou e de toda a Rússia, ocorreu num dia de celebração em homenagem ao Ícone Vladimir da Mãe de Deus – em 21 de maio (NS 3 de junho) de 1971. Os históricos dias de 21 de maio, 23 de junho e 26 de agosto, estão ligados a este Ícone sagrado, tornaram-se dias memoráveis para a Igreja Ortodoxa Russa. 
Comemoração dos Santos Mártires Adriano e Natália
Os Santos Adriano e Natália viviam na cidade de Nicomédia, região de Vifania, na Ásia Menor. Adriano era pagão e dignitário do imperador Maximiliano Galério (305–311), perseguidor dos cristãos. Natalia era cristã, porém em segredo. 
Durante a perseguição, escondiam-se numa caverna próxima à Nicomédia, 23 cristãos. Tendo sido encontrados, foram levados à prisão e julgados, buscando persuadi-los a que oferecessem sacrifícios aos ídolos. Depois, foram conduzidos ao juizado para que tivessem seus nomes registrados. Ali se encontrava Adriano, que era o diretor da sala do juizado. Adriano perguntou aos cristãos que prêmio esperavam receber de seu Deus por haver suportado todas aquelas torturas. E, como resposta, ouviu: 
«As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, e não subiram ao coração do homem, São as que Deus preparou para os que o amam» (1 Cor 2:9). 
Ao escutar isto, disse Adriano ao escrivão: 
"Tome nota de meu nome junto aos deles, porque também sou um cristão!" 
Tendo dito isto, Adriano foi encarcerado. O Imperador o aconselhou a apagar seu nome da lista dos cristãos e desculpar-se pelo que fez, mas Adriano respondeu que não havia perdido a razão e assim agia por sua livre vontade. Contava, neste tempo, com 28 anos de idade. Natália, sua esposa, ao saber do que havia se passado, apressou-se a ir à prisão para levar alento ao esposo Adriano e encorajá-lo. Depois de comunicarem aos prisioneiros cristãos que eles haviam sido sentenciados à morte, deixaram que Adriano saísse da prisão e fosse à sua casa rapidamente para que informasse sua esposa de sua condenação. Ao vê-lo, temendo que Adriano tivesse negado a sua fé em Cristo, Natália não permitiu que entrasse em sua casa. 
Ao retornar à prisão, Adriano, juntamente com os outros cristãos, foram submetidos às mais cruéis torturas: os carrascos, usando pesadas marretas, quebraram-lhes braços e pernas, causando-lhes grandes sofrimentos antes que morressem. Quando chegou a vez de Adriano, o que mais temia sua esposa é que lhe faltasse coragem e que pudesse renegar a Cristo. Por isso mesmo o acompanhava fortalecendo e sustentando seus braços e pernas quebradas pelos carrascos. Adriano morreu junto com os demais mártires cristãos no ano 304. Quando tentavam queimar seus corpos, uma grande tormenta se formou apagando o fogo e, atingidos por um raio, vários carrascos foram mortos. 
O comandante do exército queria casar-se com Natália que ainda era jovem e rica. Ela, porém, antes da morte de Adriano tinha pedido ao seu esposo que rogasse a Deus para que não a obrigassem a casar-se. Logo, Adriano lhe apareceu em sonho e lhe disse que em pouco tempo ela estaria com ele. E assim foi: Natália morreu sobre o sepulcro de seu marido Adriano que estava situado próximo da cidade de Bizâncio para onde os cristãos haviam levado o corpo de Adriano.  

Oração Antes de Ler as Escrituras
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!

Gálatas 2:6-10

Fragmento 201 - Irmãos, quanto àqueles que pareciam ser alguma coisa (quais tenham sido noutro tempo, não se me dá; Deus não aceita a aparência do homem), esses, digo, que pareciam ser alguma coisa, nada me comunicaram; antes, pelo contrário, quando viram que o Evangelho da incircuncisão me estava confiado, como a Pedro o da circuncisão (Porque Aquele que operou eficazmente em Pedro para o apostolado da circuncisão, Esse operou também em mim com eficácia para com os gentios), e conhecendo Tiago, Cefas e João, que eram considerados como as colunas, a graça que me havia sido dada, deram-nos as destras, em comunhão comigo e com Barnabé, para que nós fôssemos aos gentios, e eles à circuncisão; recomendando-nos somente que nos lembrássemos dos pobres, o que também procurei fazer com diligência.

Marcos 5:22-24,35-6:1

Fragmento 20 - Naquela ocasião, eis que chegou um dos principais da sinagoga, por nome Jairo, e, vendo-O, prostrou-se aos Seus pés, e rogava-Lhe muito, dizendo: Minha filha está à morte; rogo-Te que venhas e lhe imponhas as mãos, para que sare, e viva. E foi com ele, e seguia-O uma grande multidão, que o apertava. Estando Ele ainda falando, chegaram alguns do principal da sinagoga, a quem disseram: A tua filha está morta; para que enfadas mais o Mestre? E Jesus, tendo ouvido estas palavras, disse ao principal da sinagoga: Não temas, crê somente. E não permitiu que alguém O seguisse, a não ser Pedro, Tiago, e João, irmão de Tiago. E, tendo chegado à casa do principal da sinagoga, viu o alvoroço, e os que choravam muito e pranteavam. E, entrando, disse-lhes: Por que vos alvoroçais e chorais? A menina não está morta, mas dorme. E riam-se d’Ele; porém Ele, tendo-os feito sair, tomou Consigo o pai e a mãe da menina, e os que com ele estavam, e entrou onde a menina estava deitada. E, tomando a mão da menina, disse-lhe: “Talita cumi”; que, traduzido, é: Menina, a ti te digo, levanta-te. E logo a menina se levantou, e andava, pois já tinha doze anos; e assombraram-se com grande espanto. E mandou-lhes expressamente que ninguém o soubesse; e disse que Lhe dessem de comer. E, partindo dali, chegou à Sua pátria, e os Seus discípulos o seguiram.

† † †

COMENTÁRIO

Mateus, Marcos e Lucas narram os milagres que se sucederam após a expulsão dos demônios na cidade de Gerasa. Eles aconteceram enquanto o Senhor retornava à Cafarnaum, seguido pela multidão. Jesus estava agora diante do poder da doença e da morte. As duas pessoas beneficiadas são mulheres. Uma sofria de uma enfermidade incurável que a arruinava e a afastava do convívio da sociedade, porque sua doença era vista como sinal de impureza e contaminação e, por isso, uma ameaça à integridade. A outra, uma menina, filha única, que não resistiu a uma doença grave.

Ao chegar na cidade uma multidão o esperava, sobretudo os curiosos e cheios de fé. Também estava lá o chefe da Sinagoga, Jairo, que pedia ao Senhor o restabelecimento da saúde de uma filha que estava a ponto de morrer. Jesus chamou Pedro, Tiago e João que o para O acompanhar, a fim de serem testemunhas daquilo que iria se realizar.

No caminho que conduzia à casa de Jairo, Jesus curou uma mulher que sofria durante muitos anos por hemorragia. Sofria física e espiritualmente em consequência do desprezo e preconceito dos outros: ela era vista como impura, amaldiçoada.

Chegando à casa de Jairo, o Senhor percebeu um alvoroço pois já choravam a morte da menina. Ao entrar disse a todos: “Para que este choro? A menina não morreu, mas dorme”. Diz o Evangelista que as pessoas zombavam d'Ele. Não compreendiam que para Deus, a verdadeira morte é o pecado que mata a vida divina na alma. Para quem crê, a morte terrena é como um sono do qual se acorda em Deus.

No Antigo Testamento, a concepção de morte, apresentada sobretudo em Gênesis, Salmos, Sabedoria, Provérbios, é uma concepção israelita: a morte constituía um mero fim. A pessoa humana era vista como um corpo que era animado pela alma que lhe dava vida. Quando uma pessoa morria, a alma que lhe dava vida desaparecia e a pessoa continuava a existir naquele corpo inanimado. Por isso Jesus dizia que o nosso Deus não é um Deus dos mortos, mas sim de vivos (Mt 22,32). A morte ideal, acreditavam os judeus, era aquela que vinha após longa vida, ou seja, obedecendo o ciclo natural das coisas. Quando alguém morria "antes da hora" parecia que se quebrava a normalidade e o falecido e sua família eram vistos como menos abençoados por Deus. É forte também o pensamento de que a morte existia como consequência do pecado dos primeiros pais, sendo preciso passar por ela para chegar até Deus. Quando uma jovem morria, como a filha de Jairo, acrescentava à família uma culpa enorme por consequência de uma grave falta cometida por algum de seus antepassados.

O Senhor disse: “não morreu a menina, apenas dorme”. Estava morta para os homens que não podiam despertá-la. Para Deus, a menina dormia porque a sua alma vivia submetida ao poder divino, e a carne descansava para a ressurreição.

No Novo Testamento, Paulo em suas cartas, afirma que de fato a morte é consequência e castigo do pecado, pois ela veio ao mundo por causa de um só homem que pecou (Rm 5,12). No entanto, continua ele, fomos resgatados da morte por Cristo, uma vez que em Adão todos morremos e fomos trazidos de volta à vida pelo Redentor (1Cor 15,22). Um segundo alicerce sobre o qual está baseado a concepção da morte é constituído pela afirmação de que Jesus superou a morte com sua própria morte. A morte foi o último inimigo que Cristo teve que superar (1Cor 15,25). Cristo despojou a morte de seu poder (2Tm 1,10); destruiu pela morte o dominador da morte, o diabo (Hb 2,14). A lei do Espírito da Vida em Cristo nos libertou da Lei do Pecado e da Morte (Rm 8,2). Cristo morreu e ressuscitou tornando-se Senhor dos mortos e dos vivos (Rm 14,9). Ressuscitado dos mortos, a morte não tem mais domínio sobre Ele.

O cristão experimenta a vitória de Jesus sobre a morte, pelos sacramentos. O cristão é batizado na morte de Jesus, pois somente nestas condições é que pode ressuscitar com Jesus para a nova vida. No sacramento do Batismo ele vive a morte e a ressurreição de Cristo quando submerge três vezes nas águas batismais, renascendo para a vida nova em Cristo, recebendo assim a veste branca. Participar da morte de Cristo significa "tornar-se um só com Ele" (Rm 6,5). A fé em Cristo não priva o homem da morte física, mas lhe dá a certeza de que esta experiência não se resume ao fim, mas ao começo de uma nova vida.

São João Crisóstomo comenta este Evangelho dizendo:

“As ressurreições feitas por Jesus são certamente fatos excepcionais; ocultam, todavia, a realidade maior que se dará no fim dos tempos para todos os homens, como professamos ao rezarmos o Credo: a ressurreição dos corpos. A filha de Jairo tempos depois morreu novamente, mas certamente depois experimentou a Ressurreição verdadeira em Deus”.

Francisco F. Carvajal, «Falar com Deus»
Editora Quadrante. S. Paulo, 1991.

ORAÇÃO

Guarda-me, ó Deus, pois em ti me refugio. Ao Senhor declaro: "Tu és o meu Senhor; não tenho bem nenhum além de ti". Quanto aos santos que há na terra, eles é que são os notáveis em quem está todo o meu prazer. Grande será o sofrimento dos que correm atrás de outros deuses. Não participarei dos seus sacrifícios de sangue, e os meus lábios nem mencionarão os seus nomes. Senhor, tu és a minha porção e o meu cálice; és tu que garantes o meu futuro. As divisas caíram para mim em lugares agradáveis: Tenho uma bela herança! Bendirei o Senhor, que me aconselha; na escura noite o meu coração me ensina! Sempre tenho o Senhor diante de mim. Com ele à minha direita, não serei abalado. Por isso o meu coração se alegra e no íntimo exulto; mesmo o meu corpo repousará tranquilo, porque tu não me abandonarás no sepulcro, nem permitirás que o teu santo sofra decomposição. Tu me farás conhecer a vereda da vida, a alegria plena da tua presença, eterno prazer à tua direita.

Salmo 15(16)

† † †

quinta-feira, 8 de setembro de 2022

13ª Quinta-feira Depois de Pentecostes

08 de Setembro de 2022 (CC) / 26 de Agosto (CE)
Ss Mártires Adriano e Natália  
e seus 23 companheiros de martírio em Nicomédia  († Séc. IV); 
Comemoração do Encontro do ícone Milagroso da Santíssima Mãe de Deus de Vladimir 
nas cercanias de Moscou ante a invasão de Tarmelane, o Líder Tártaro, em 1395 dC.
Tom 3


 
Os Santos Adriano e Natália viviam na cidade de Nicomédia, região de Vifania, na Ásia Menor. Adriano era pagão e dignitário do imperador Maximiliano Galério (305–311), perseguidor dos cristãos. Natalia era cristã, porém em segredo. 
Durante a perseguição, escondiam-se numa caverna próxima à Nicomédia, 23 cristãos. Tendo sido encontrados, foram levados à prisão e julgados, buscando persuadi-los a que oferecessem sacrifícios aos ídolos. Depois, foram conduzidos ao juizado para que tivessem seus nomes registrados. Ali se encontrava Adriano, que era o diretor da sala do juizado. Adriano perguntou aos cristãos que prêmio esperavam receber de seu Deus por haver suportado todas aquelas torturas. E, como resposta, ouviu: 
«As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, e não subiram ao coração do homem, São as que Deus preparou para os que o amam» (1 Cor 2:9). 
Ao escutar isto, disse Adriano ao escrivão: 
"Tome nota de meu nome junto aos deles, porque também sou um cristão!" 
Tendo dito isto, Adriano foi encarcerado. O Imperador o aconselhou a apagar seu nome da lista dos cristãos e desculpar-se pelo que fez, mas Adriano respondeu que não havia perdido a razão e assim agia por sua livre vontade. Contava, neste tempo, com 28 anos de idade. Natália, sua esposa, ao saber do que havia se passado, apressou-se a ir à prisão para levar alento ao esposo Adriano e encorajá-lo. Depois de comunicarem aos prisioneiros cristãos que eles haviam sido sentenciados à morte, deixaram que Adriano saísse da prisão e fosse à sua casa rapidamente para que informasse sua esposa de sua condenação. Ao vê-lo, temendo que Adriano tivesse negado a sua fé em Cristo, Natália não permitiu que entrasse em sua casa. 
Ao retornar à prisão, Adriano, juntamente com os outros cristãos, foram submetidos às mais cruéis torturas: os carrascos, usando pesadas marretas, quebraram-lhes braços e pernas, causando-lhes grandes sofrimentos antes que morressem. Quando chegou a vez de Adriano, o que mais temia sua esposa é que lhe faltasse coragem e que pudesse renegar a Cristo. Por isso mesmo o acompanhava fortalecendo e sustentando seus braços e pernas quebradas pelos carrascos. Adriano morreu junto com os demais mártires cristãos no ano 304. Quando tentavam queimar seus corpos, uma grande tormenta se formou apagando o fogo e, atingidos por um raio, vários carrascos foram mortos. 
O comandante do exército queria casar-se com Natália que ainda era jovem e rica. Ela, porém, antes da morte de Adriano tinha pedido ao seu esposo que rogasse a Deus para que não a obrigassem a casar-se. Logo, Adriano lhe apareceu em sonho e lhe disse que em pouco tempo ela estaria com ele. E assim foi: Natália morreu sobre o sepulcro de seu marido Adriano que estava situado próximo da cidade de Bizâncio para onde os cristãos haviam levado o corpo de Adriano.
Oração Antes de Ler as Escrituras

Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém! 

2 Coríntios 10:7-18

7 Olhais para as coisas segundo a aparência. Se alguém confia de si mesmo que é de Cristo, pense outra vez isto consigo, que, assim como ele é de Cristo, também nós o somos. 8 Pois, ainda que eu me glorie um tanto mais da nossa autoridade, a qual o Senhor nos deu para edificação, e não para vossa destruição, não me envergonharei; 9 para que eu não pareça como se quisera intimidar-vos por cartas. 10 Porque eles dizem: As cartas dele são graves e fortes, mas a sua presença corporal é fraca, e a sua palavra desprezível. 11 Considere o tal isto, que, quais somos no falar por cartas, estando ausentes, tais seremos também no fazer, estando presentes, 12 pois não ousamos contar-nos, ou comparar-nos com alguns, que se louvam a si mesmos; mas estes, medindo-se consigo mesmos e comparando-se consigo mesmos, estão sem entendimento. 13 Nós, porém, não nos gloriaremos além da medida, mas conforme o padrão da medida que Deus nos designou para chegarmos mesmo até vós; 14 porque não nos estendemos além do que convém, como se não chegássemos a vós, pois já chegamos também até vós no evangelho de Cristo, 15 não nos gloriando além da medida em trabalhos alheios; antes tendo esperança de que, à proporção que cresce a vossa fé, seremos nós cada vez mais engrandecidos entre vós, conforme a nossa medida, 16 para anunciar o evangelho nos lugares que estão além de vós, e não em campo de outrem, para não nos gloriarmos no que estava já preparado. 17 Aquele, porém, que se gloria, glorie-se no Senhor. 18 Porque não é aprovado aquele que se recomenda a si mesmo, mas sim aquele a quem o Senhor recomenda.

Marcos 3:28-35

28 Em verdade vos digo: Todos os pecados serão perdoados aos filhos dos homens, bem como todas as blasfêmias que proferirem; 29 mas aquele que blasfemar contra o Espírito Santo, nunca mais terá perdão, mas será réu de pecado eterno. 30 Porquanto eles diziam: Está possesso de um espírito imundo. 31 Chegaram então sua mãe e seus irmãos e, ficando da parte de fora, mandaram chamá-lo. 32 E a multidão estava sentada ao redor dele, e disseram-lhe: Eis que tua mãe e teus irmãos estão lá fora e te procuram. 33 Respondeu-lhes Jesus, dizendo: Quem é minha mãe e meus irmãos? 34 E olhando em redor para os que estavam sentados à roda de si, disse: Eis aqui minha mãe e meus irmãos! 35 Pois aquele que fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão, irmã e mãe.

† † †

COMENTÁRIO

“Esse É Meu Irmão, Minha Irmã E Minha Mãe”

Suplico-vos que presteis atenção àquilo que afirma Cristo Senhor, apontando para os discípulos: “Eis aqui a minha mãe e os meus irmãos”. E prossegue: “Aquele que faz a vontade de meu Pai, que me enviou, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe”. Quer dizer que a Virgem Maria não fez a vontade do Pai, Ela que acreditou pela fé, que concebeu pela fé, que foi escolhida para que Dela nascesse a salvação em nosso favor, que foi criada em Cristo antes de Cristo ser criado Nela? Sim, Santa Maria fez a vontade do Pai e, consequentemente, é mais importante ter sido discípula de Cristo do que ter sido Mãe de Cristo; foi mais vantajoso para Ela ter sido discípula de Cristo do que ter sido sua Mãe. Maria era, pois, bem-aventurada porque, mesmo antes de dar à luz o Mestre, trouxe-o no seu seio. […] Santa Maria, bem-aventurada Maria! E, no entanto, a Igreja vale mais do que a Virgem Maria. Por quê? Porque Maria é uma parte da Igreja, um membro eminente da Igreja, é certo, um membro superior aos outros, mas apesar de tudo um membro de todo o corpo. […] Portanto, caríssimos, vede que sois membros de Cristo, e sois corpo de Cristo (1Co 12, 27). Como? Prestai atenção ao que Ele diz: “Eis aqui a minha mãe e os meus irmãos”. E como sereis Mãe de Cristo? “Aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe”.

Agostinho (354-430), bispo de Hipona (norte de África)

† † †

A prudência dos lábios é a garantia de uma vida venturosa. Os Salmos dizem que aquele que ama a sua vida, procurando ser feliz todos os dias, deve guardar sua língua da maldade e os seus lábios de proferirem palavras perversas [Sl 33(34): 13]. Muitos conflitos e infelicidades surgem a partir de palavras tolas. Assim, escribas atraíram para si a pior das sentenças por blasfemarem contra o Espírito Santo, falando do que não entendiam, porque suas falas não procediam de um coração que buscava o discernimento, e sim de uma alma que se deixava possuir pela inveja; desta forma, como a boca fala movida por aquilo que está no coração, se envenenaram em suas próprias loquacidades.

Também ouvido imprudente das falas perversas pode gerar em nós palavras e ações impróprias. Assim se deu com os parentes de Cristo. Dando ouvidos a vozes estranhas concluíram que Jesus estava fora de si (a palavra grega usada por Marcos é “êxtases”). Assim, se comportaram de maneira inconveniente para com Cristo, tentando por limites ao seu trabalho e, por isto, são por Ele momentaneamente ignorados: Quando lhe anunciam que sua Mãe e seus irmãos estavam lá fora e desejam falar-Lhe, Jesus interroga a seus interlocutores:

“Quem é minha mãe e meus irmãos?”

Aqui já se faz necessário um ouvido acurado para entender as palavras de Cristo, a fim de que uma má compreensão delas não gere em nós uma fala tola - como fazem alguns - que delas se utilizam para reforçar sua crença de que Cristo reduz Sua Mãe a um lugar comum, e, para alguns, chegando mesmo às raias do desprezo. Jesus não está desqualificando sua família e muito menos a Sua Mãe. Ele tira proveito da oportunidade para revelar Sua identidade mais profunda, ou seja, que Ele é o Primogênito de uma grande família (Rm 8:29; Ef. 2:18,19; 4:13; Hb 2:11), caracterizada, não por laços sanguíneos, mas pela obediência a Deus; obediência esta, aliás, da qual sua Mãe é modelo e progenitora (Ap. 12:13), sendo louvada por anjos e homens (Lc 1:28, 41-45).

O mistério de Cristo ainda era ininteligível, mesmo para os Seus familiares segundo a carne (Lc 2:48-51; Rm 16:25,26; Col. 1:26).

Padre Mateus (Antonio Eça)

† † †