domingo, 24 de dezembro de 2017

Domingo dos Antepassados de Cristo

29º Domingo Depois de Pentecostes
24 de Dezembro de 2017 (CC) 11 de Dezembro (CE)
Ss. Daniel e Lucas, Estilitas, monges († 493);
Venerável Nikon, o Recluso de Pechersk

Jejum da Natividade  
Modo 4




As duas Festas, do nascimento e do batismo de Cristo são intimamente ligadas entre si, na realidade, compreendendo uma única e indivisível observância. O Ano Litúrgico, consequentemente, contem dois pólos: o primeiro é a Páscoa; o segundo, o Natal e a Teofania. 
Antes do Natal, assim como antes da Páscoa, há um demorado e elaborado período de preparação (pré-festa). O Natal é precedido por um jejum correspondente a Quaresma e com duração de quarenta dias. No domingo imediatamente anterior a 25 de dezembro, há uma especial comemoração, com ênfase na ligação entre a Antiga Aliança e a Nova. O segundo Domingo antes do Natal – o Domingo dos Antepassados do Senhor – traz a memória dos antepassados de Cristo segundo a carne, os que estavam antes ou os que estavam sob a Lei. O Domingo que se segue tem uma dimensão ainda mais ampla, comemorando todos os justos, homens e mulheres, que louvaram a Deus desde o início do tempo: dos dias de Adão, o primeiro homem, até José, o noivo da Mãe de Deus. Com o Natal aproximando-se desse modo, o fiel fica preparado para ver a Encarnação, não como uma abrupta e irracional intervenção do divino, mas como o auge de um longo processo que se estende por milhares de anos. Era a intenção original dos tradutores incluir os ofícios desses dois Domingos no presente volume, para que eles constituíssem um maravilhoso sumário da historia do Povo de Deus: infelizmente razões de espaço tornaram isso impossível. 
O período preparatório para a festa do Natal começa em 20 de Dezembro, e deste ponto em diante muitos dos textos são diretamente relacionados com o Natal. Mais uma vez, considerações de espaço fizeram com que fossem omitidos todos os ofícios dos dias do período preparatório, com exceção dos ofícios do dia logo anterior. Na Véspera de Natal - conhecida pelo nome especial de paramoni ( grego: paramonh; Eslavão: navechéríe) – o ofício toma uma forma especial. Os ofícios das Horas são mais longo do que de costume e são chamados de ‘A Grande Hora’ ou ‘Real Hora’, pois, no período Bizantino, eram assistidos pelo imperador e sua corte. Em seguida às Horas vem a Grande Véspera e a Liturgia de São Basílio. 
Comemoração de São Simão

Depois de São Simeão, primeiro e maior de todos os estilitas, o mais famoso dentre eles é São Daniel. São Daniel nasceu na aldeia de Bythar, perto da cidade de Samósata, na Mesopotâmia. Sua mãe, Marta, não teve filhos por um longo tempo e, em suas orações, fez a Deus um voto que, se tivesse um filho, iria dedicá-lo ao Senhor. Suas preces foram ouvidas e Marta deu à luz um menino, que permaneceu sem nome até a idade de 5 anos. Os pais do desejado menino consideraram que, uma vez que seu nascimento foi dádiva de Deus, também seu nome deveria ser indicação Daquele que os concedeu tal graça. Certo dia, foram com o filho a um monastério situado nas proximidades e, aproximando-se do Hegúmeno (abade), este lhes ordenou que abrissem o livro de ofícios. Assim o fizeram e, ao abri-lo, encontraram a menção ao profeta Daniel (Comemorado no dia 17 de dezembro). E este nome foi dado por eles ao menino. Depois, pediram para que Daniel permanecesse no monastério, mas o Hegúmeno, não concordou, considerando que era ainda uma criança. Aos 12 anos de idade, sem dizer nada a ninguém, o rapaz saiu de casa e foi para o monastério. 
Seus pais ficaram felizes quando souberam onde o filho se encontrava, indo logo ao seu encontro. Vendo que ele ainda vestia suas roupas seculares, rogaram ao Hegúmeno que lhe concedesse um hábito. No domingo seguinte o Hegúmeno atendeu ao pedido de seus pais, permitindo ainda que pudessem visitá-lo quantas vezes desejassem. Os monges ficaram surpresos com esta atitude incomum do Hegúmeno. 
Certa ocasião, o Higúmeno o levou consigo numa viagem à Antioquia. Ao passarem por Telenisse, visitaram São Simeão em sua coluna. São Simeão pediu a Daniel que se aproximasse e lhe deu a sua bênção, predizendo que sofreria muito por causa de Jesus Cristo. Pouco depois da morte do Hegúmeno, Daniel foi eleito como seu sucessor, mas não quis aceitar tal cargo, indo novamente visitar São Simeão. Depois de passar duas semanas no monastério próximo a coluna de São Simeão, Daniel iniciou uma peregrinação à Terra Santa. Como a guerra o impediu de prosseguir viagem ao destino pretendido, dirigiu-se à Constantinopla. Ali passou uma semana na igreja de São Miguel extra-muros. Após ter construído um erimitério num templo abandonado em Filempora, lá viveu durante nove anos sob a proteção de Patriarca Santo Anatólio. Finalmente, Daniel decidiu seguir o mesmo estilo de vida de São Simeão que havia morrido no ano de 459. São Simeão havia dado sua túnica ao imperador Leão I. No entanto, seu discípulo Sérgio não havia conseguido entregar o presente ao seu destinatário já que não lhe foi concedida uma audiência com o imperador. Assim, São Simeão presenteou a túnica a Daniel. São Daniel escolheu um lugar sobre o Bósforo,a  uns quatro quilômetros da cidade, lá instalando-se numa ampla coluna que um amigo havia mandado construir. 
Certa noite, como São Daniel estava a ponto de perecer de frio, o imperador lhe construiu uma coluna mais alta e melhor. Na verdade eram duas colunas unidas e na plataforma superior havia uma espécie de refúgio. Ainda que naquela região houvesse ventos muito gelados, São Daniel  viveu lá até seus 84 anos. Sua ordenação sacerdotal aconteceu naquele mesmo lugar. São Genádios, Patriarca de Constantinopla, iniciou as orações de ordenação já na parte de baixo da coluna, subindo depois para, provavelmente, fazer a imposição de mãos sobre Daniel. Algumas crônicas dizem que o Patriarca subiu para dar-lhe a comunhão. São Daniel não desejava ser ordenado e, por isso, não teria descido naquela ocasião. No ano 465, um incêndio destruiu oito dos bairros de Constantinopla. São Daniel havia predito esta catástrofe e havia aconselhado ao Patriarca e ao imperador que fizessem orações públicas duas vezes por semana, mas não lhe deram fé. Ao se cumprir o vaticínio, todo o povo recorreu à coluna de São Daniel que estendeu os abraços ao céu e orou pela multidão. O imperador Leão, que tinha uma grande veneração por Daniel, ia visitá-lo com freqüência. Nem todos, porém, respeitavam São Daniel. 
Certa vez, alguns homens que freqüentavam os prostíbulos, enviaram uma mulher de má reputação, de nome Basiana para tentá-lo. A tentativa fracassou, mas Basiana sustentou o contrário, até que enredada em suas próprias mentiras, confessou publicamente a verdade e delatou aqueles que a tinham enviado. Muitas pessoas acorriam a ele para lhe escutar. Não pregava da mesma maneira que os retóricos e filósofos, mas falava do amor de Deus, o cuidado com os pobres, o amor fraternal e sobre a condenação eterna que espera os pecadores. Aos 84 anos, São Daniel comunicou seu testamento aos amigos e discípulos. Tratava-se de um documento muito breve, cheio de um amável espírito de caridade e amor, onde  expunha sucintamente os deveres dos homens. Depois de celebrar pela ultima vez os sagrados mistérios a meia noite em sua coluna, São Daniel compreendeu que Deus o chamava para si. Imediatamente pediu para se avistar com  Patriarca Eufêmico. Sua morte ocorreu no ano de 493 e foi sepultado ao pé da coluna onde viveu por 33 anos.

Oração Antes de Ler as Escrituras
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!
MATINAS (VII)

João 20:1-10

1 No primeiro dia da semana Maria Madalena foi ao sepulcro de madrugada, sendo ainda escuro, e viu que a pedra fora removida do sepulcro. 2 Correu, pois, e foi ter com Simão Pedro, e o outro discípulo, a quem Jesus amava, e disse-lhes: Tiraram do sepulcro o Senhor, e não sabemos onde o puseram. 3 Saíram então Pedro e o outro discípulo e foram ao sepulcro. 4 Corriam os dois juntos, mas o outro discípulo correu mais ligeiro do que Pedro, e chegou primeiro ao sepulcro; 5 e, abaixando-se viu os panos de linho ali deixados, todavia não entrou. 6 Chegou, pois, Simão Pedro, que o seguia, e entrou no sepulcro e viu os panos de linho ali deixados, 7 e que o lenço, que estivera sobre a cabeça de Jesus, não estava com os panos, mas enrolado num lugar à parte. 8 Então entrou também o outro discípulo, que chegara primeiro ao sepulcro, e viu e creu. 9 Porque ainda não entendiam a escritura, que era necessário que ele ressurgisse dentre os mortos. 10 Tornaram, pois, os discípulos para casa.  

LITURGIA 

Tropário da Ressurreição
Ouvindo do Anjo o alegre anúncio da Ressurreição, /  que da antiga condenação nos libertou, / as discípulas do Senhor, disseram envaidecidas aos apóstolos: / «A morte foi vencida, e o Cristo Deus ressuscitou // dando ao mundo a grande misericórdia.»

Kondákion da Ressurreição
O Salvador e Redentor meu, sendo Deus, / rompeu as portas do Hades, / libertando de suas cadeias os habitantes da terra, // e, sendo Soberano, ressuscitou ao terceiro dia. 

Theotókion
O mistério eternamente oculto e dos anjos desconhecido, / através de ti, ó Mãe de Deus, encarnando-se, / apareceu na terra, voluntariamente / aceitou a Cruz, e com ela ressuscitou o primeiro criado, // e salvou da morte as nossas almas.

Tropárion Para o Domingo dos Santos Antepassados do Senhor Modo 2
Pela fé Tu justificaste as ascendências, / desposando por meio deles a Igreja dos gentios / Estes santos exultam em glória / pois, de sua semente saiu um fruto glorioso: / Aquele  que nasceu, não por sêmen.// Pelas orações de Teus antepassados, ó Cristo Deus, tem misericórdia de nós.

Glória ao Pai † e ao Filho e ao Espírito Santo...

Kondákion Para o Domingo dos Santos Antepassados do Senhor Modo 2
Vós não adorastes os ídolos / ó três vezes Benditos / mas armados com a essência imaterial de Deus, / vós O glorificastes em meio às chamas das provações, / e desta insuportáveis chamas clamastes a Deus exclamando: / Apressa-Te, ó Compassivo! / Prontamente vem em nosso auxílio, // pois Tu És misericordioso e poderoso para realizar tudo quando desejares.

Agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém

Prokímenon

Quão magníficas são as Tuas obras, Senhor,
fizeste com sabedoria todas as coisas. (Sl 103:24) 

Bendize ó minha alma o Senhor
Senhor, como Tu És grandioso. (Sl 103:1)

Colossenses 3:4-11

Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então também vós vos manifestareis com ele em glória. Mortificai, pois, os vossos membros, que estão sobre a terra: a fornicação, a impureza, o afeição desordenada, a vil concupiscência, e a avareza, que é idolatria;Pelas quais coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência; Nas quais, também, em outro tempo andastes, quando vivíeis nelas. Mas agora, despojai-vos também de tudo: da ira, da cólera, da malícia, da maledicência, das palavras torpes da vossa boca. Não mintais uns aos outros, pois que já vos despistes do velho homem com os seus feitos, E vos vestistes do novo, que se renova para o conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou; Onde não há grego, nem judeu, circuncisão, nem incircuncisão, bárbaro, cita, servo ou livre; mas Cristo é tudo, e em todos.

Aleluia

Aleluia, aleluia, aleluia!
O Senhor te ouça no dia da tribulação; 
te proteja o Nome do Deus de Jacó! 

Aleluia, aleluia, aleluia!
Salva, Senhor, o teu povo 
e abençoa a tua herança! 

Aleluia, aleluia, aleluia!

Lucas 14:16-24

Porém, ele lhe disse: Um certo homem fez uma grande ceia, e convidou a muitos. E à hora da ceia mandou o seu servo dizer aos convidados: Vinde, que já tudo está preparado. E todos à uma começaram a escusar-se. Disse-lhe o primeiro: Comprei um campo, e importa ir vê-lo; rogo-te que me hajas por escusado. E outro disse: Comprei cinco juntas de bois, e vou experimentá-los; rogo-te que me hajas por escusado. E outro disse: Casei, e portanto não posso ir. E, voltando aquele servo, anunciou estas coisas ao seu senhor. Então o pai de família, indignado, disse ao seu servo: Sai depressa pelas ruas e bairros da cidade, e traze aqui os pobres, e aleijados, e mancos e cegos. E disse o servo: Senhor, feito está como mandaste; e ainda há lugar. E disse o senhor ao servo: Sai pelos caminhos e valados, e força-os a entrar, para que a minha casa se encha. Porque eu vos digo que nenhum daqueles homens que foram convidados provará a minha ceia.

† † †

HOMILIA

«A Parábola das Bodas»

Nesta parábola, Cristo trata da transferência do Reino de Deus do povo judeu a outros povos, na qual, os "convidados" representam o povo judeu, e os servos — os apóstolos e pregadores da fé cristã. Da mesma maneira que os "convidados" não quiseram entrar no Reino de Deus, a propagação da fé fora transferida "na encruzilhada" — a outros povos. Possivelmente, alguns destes povos não possuíam qualidades religiosas tão elevadas, contudo, manifestaram grande devoção nos serviços a Deus.

«O reino dos céus é semelhante a um certo rei que celebrou as bodas de seu filho; e enviou os seus servos a chamar os convidados para as bodas; e estes não quiseram vir. Depois enviou outros servos, dizendo: Dizei aos convidados: Eis que tenho o meu jantar preparado, os meus bois e cevados já mortos, e tudo já pronto; vinde às bodas. Porém eles, não fazendo caso, foram, um para o seu campo, outro para o seu tráfico. E os outros, apoderando-se dos servos, os ultrajaram e mataram. E o rei, tendo notícias disto, encolerizou-se e, enviando os seus exércitos, destruiu aqueles homicidas, e incendiou a sua cidade. Então diz aos servos: As bodas, na verdade, estão preparadas, mas os convidados não eram dignos. Ide pois às saídas dos caminhos, e convidai para as bodas a todos os que encontrardes. E os servos, saindo p elos caminhos, ajuntaram todos quantos encontraram, tanto maus como bons; e a festa nupcial foi cheia de convidados. E o rei, entrando para ver os convidados, viu ali um homem que não estava trajado com vestido de núpcias. E disse-lhe: Amigo, como entraste aqui, não tendo vestido nupcial? E ele emudeceu. Disse então o rei aos servos: Amarrai-o de pés e mãos, levai-o, e lançai-o nas trevas exteriores: ali haverá pranto e ranger de dentes. Porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos» (Mt. 22:2-14).

No contexto de tudo o que foi dito, e das duas parábolas anteriores, esta parábola não exige explicações especiais. Como sabemos a partir da história, o Reino de Deus (Igreja) passou dos judeus aos povos pagãos, difundiu-se com êxito entre os povos do antigo império Romano, e iluminou-se na plêiade infinita dos fiéis a Deus.

O final da parábola dos convidados para as bodas, onde menciona-se o homem que não estava trajado com vestido de núpcias, parece um pouco obscuro. Para compreender esta passagem, deve-se conhecer os hábitos daquela época. Naqueles tempos, os reis, ao convidarem pessoas a uma festa, por exemplo, para uma festa de casamento de um filho do rei, ofertavam-lhes vestes próprias para que todos estivessem trajados de maneira limpa e bela durante o festejo. Mas, de acordo com a parábola, um dos convidados rejeitou o traje real, dando preferência às próprias vestes. Conforme se observa, ele fez isto por orgulho, considerando suas roupas melhores que as reais. Ao rejeitar as vestes reais, ele conturbou o bom andamento da festa e magoou o rei. Devido ao seu orgulho, foi enxotado da festa para as "trevas externas." Nas Escrituras Sagradas, as vestes simbolizavam o estado da consciência. Roupas claras, brancas, simbolizam a pureza e retidão da alma, que são ofertadas como dádivas de Deus, por Sua misericórdia. O homem que rejeitou as vestes reais representa os cristãos orgulhosos que rejeitam a bem-aventurança e a consagração de Deus, ofertadas nos mistérios bem-aventurados da Igreja. A estes "fiéis" jactanciosos podemos comparar os modernos sectários que rejeitam a confissão, a comunhão, e outros meios bem-aventurados oferecidos por Cristo para a salvação das pessoas. Considerando-se santos, os sectários depreciam a importância da quaresma cristã, do celibato voluntário, da vida monástica etc. , apesar das Sagradas Escrituras ressaltarem estes feitos. Estes fiéis imaginários, como escrevia o Apóstolo Paulo, "tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela" (2 Tim. 3:5). Pois a força da piedade não está no exterior, e sim nos feitos pessoais.

Bispo Alexander (Mileant)

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