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terça-feira, 11 de setembro de 2012

15ª Terça-feira Depois de Pentecostes


11 de Setembro 2012 (CC) / 29 de Agosto (CE)
Degolação de S. João Batista, o Precursor (jejum).

VÉSPERAS

Isaías 40:1-3, 9; 41:17-18; 45:8; 48:20-21; 54:1
Malaquias 3:1-3, 5-7, 12, 18; 4:4-6
Sabedoria 4:7, 16-17, 19-20; 5:1-7

7 Mas o justo, ainda que morra prematuramente, estará em repouso. 16 Ora, o justo que morre condena os ímpios que vivem, e a juventude que chega rapidamente à perfeição condena a longa velhice do injusto. 17 Verão o fim do sábio, mas não compreenderão o que queria o Senhor a seu respeito, nem por que o pôs em segurança. 19 Em breve tornar-se-ão cadáver sem honra, objeto de opróbrio para sempre entre os mortos: o Senhor os precipitará de cabeça para baixo, sem que digam palavra, e os arrancará de seus fundamentos. Serão completamente destruídos, estarão na dor e sua memória perecerá. Julgamento dos ímpios 20 Virão cheios de medo, quando se fizer a conta de seus pecados; suas iniquidades se levantarão contra eles para os acusar. 1 Então o justo levantar-se-á com grande confiança em face daqueles que o oprimiram e desprezaram suas fadigas. 2 Vendo-o, sentir-se-ão abalados por grande temor, espantados de ver sua salvação inesperada. 3 Dirão entre si, arrependidos e gemendo, com a alma angustiada: 4 “Eis aquele de quem outrora zombamos e a quem tivemos como alvo de ultrajes. Insensatos, consideramos loucura sua vida e ignominiosa sua morte. 5 Como, então, foi ele contado entre os filhos de Deus e compartilha a sorte dos santos? 6 Desviamo-nos, portanto, do caminho da verdade; não brilhou para nós a luz da justiça e o sol não se levantou para nós. 7 Fartamo-nos de andar nos atalhos da iniquidade e da perdição, e atravessamos desertos intransitáveis, sem reconhecer o caminho do Senhor.
           
MATINAS

Marcos 14:1-13

1 Naquele tempo Herodes, o tetrarca, ouviu a fama de Jesus, 2 e disse aos seus cortesãos: Este é João, o Batista; ele ressuscitou dentre os mortos, e por isso estes poderes milagrosos operam nele.    3 Pois Herodes havia prendido a João, e, maniatando-o, o guardara no cárcere, por causa de Herodias, mulher de seu irmão Felipe; 4 porque João lhe dizia: Não te é lícito possuí-la.    5 E queria matá-lo, mas temia o povo; porque o tinham como profeta.    6 Festejando-se, porém, o dia natalício de Herodes, a filha de Herodias dançou no meio dos convivas, e agradou a Herodes, 7 pelo que este prometeu com juramento dar-lhe tudo o que pedisse.    8 E instigada por sua mãe, disse ela: Dá-me aqui num prato a cabeça de João, o Batista.    9 Entristeceu-se, então, o rei; mas, por causa do juramento, e dos que estavam à mesa com ele, ordenou que se lhe desse, 10 e mandou degolar a João no cárcere; 11 e a cabeça foi trazida num prato, e dada à jovem, e ela a levou para a sua mãe.    12 Então vieram os seus discípulos, levaram o corpo e o sepultaram; e foram anunciá-lo a Jesus.    13 Jesus, ouvindo isto, retirou-se dali num barco, para um, lugar deserto, à parte; e quando as multidões o souberam, seguiram-no a pé desde as cidades.


LITURGIA

Atos 13:25-32

25 Mas João, quando completava a carreira, dizia: Quem pensais vós que eu sou? Eu não sou o Cristo, mas eis que após mim vem aquele a quem não sou digno de desatar as alparcas dos pés.    26 Irmãos, filhos da estirpe de Abraão, e os que dentre vós temem a Deus, a nós é enviada a palavra desta salvação.    27 Pois, os que habitam em Jerusalém e as suas autoridades, porquanto não conheceram a este Jesus, condenando-o, cumpriram as mesmas palavras dos profetas que se ouvem ler todos os sábados.    28 E, se bem que não achassem nele nenhuma causa de morte, pediram a Pilatos que ele fosse morto.    29 Quando haviam cumprido todas as coisas que dele estavam escritas, tirando-o do madeiro, o puseram na sepultura; 30, mas Deus o ressuscitou dentre os mortos; 31 e ele foi visto durante muitos dias por aqueles que com ele subiram da Galileia a Jerusalém, os quais agora são suas testemunhas para com o povo.    32 E nós vos anunciamos as boas novas da promessa, feita aos pais.

Marcos 6:14-30

14 E soube disso o rei Herodes (porque o nome de Jesus se tornara célebre), e disse: João, o Batista, ressuscitou dos mortos; e por isso estes poderes milagrosos operam nele.    15 Mas outros diziam: É Elias. E ainda outros diziam: É profeta como um dos profetas.    16 Herodes, porém, ouvindo isso, dizia: É João, aquele a quem eu mandei degolar: ele ressuscitou.    17 Porquanto o próprio Herodes mandara prender a João, e encerrá-lo maniatado no cárcere, por causa de Herodias, mulher de seu irmão Filipe; porque ele se havia casado com ela.    18 Pois João dizia a Herodes: Não te é lícito ter a mulher de teu irmão.    19 Por isso Herodias lhe guardava rancor e queria matá-lo, mas não podia; 20 porque Herodes temia a João, sabendo que era varão justo e santo, e o guardava em segurança; e, ao ouvi-lo, ficava muito perplexo, contudo de boa mente o escutava.    21 Chegado, porém, um dia oportuno quando Herodes no seu aniversário natalício ofereceu um banquete aos grandes da sua corte, aos principais da Galileia, 22 entrou a filha da mesma Herodias e, dançando, agradou a Herodes e aos convivas. Então o rei disse à jovem: Pede-me o que quiseres, e eu to darei.    23 E jurou-lhe, dizendo: Tudo o que me pedires te darei, ainda que seja metade do meu reino.    24 Tendo ela saído, perguntou a sua mãe: Que pedirei? Ela respondeu: A cabeça de João, o Batista.    25 E tornando logo com pressa à presença do rei, pediu, dizendo: Quero que imediatamente me dês num prato a cabeça de João, o Batista.    26 Ora, entristeceu-se muito o rei; todavia, por causa dos seus juramentos e por causa dos que estavam à mesa, não lha quis negar.    27 O rei, pois, enviou logo um soldado da sua guarda com ordem de trazer a cabeça de João. Então ele foi e o degolou no cárcere, 28 e trouxe a cabeça num prato e a deu à jovem, e a jovem a deu à sua mãe.    29 Quando os seus discípulos ouviram isso, vieram, tomaram o seu corpo e o puseram num sepulcro.    30 Reuniram-se os apóstolos com Jesus e contaram-lhe tudo o que tinham feito e ensinado.


Tropário de João Batista

Na louvada memória do justo,
Tu, Precursor, és o testemunho do Senhor:
Verdadeiramente, foste mais venerável do que os profetas,
Pois recebeste a honra de batizar o Messias nas águas do rio;
Sofreste com alegria pela verdade,
Anunciaste àqueles que estavam ainda no inferno
A vinda de Deus feito Homem,
Que redime os pecados do mundo e nos dá a grande graça.


A MORTE DE JOÃO BATISTA

"Dá-me aqui, num prato, a cabeça de João Batista". E Deus permitiu-o, não lançou o raio do alto dos céus para devorar aquele rosto insolente; não ordenou à terra que se abrisse e engolisse os convivas daquele horroroso banquete. Deus dava assim a mais bela coroa ao justo e deixava uma magnífica consolação aos que, no futuro, viessem a ser vítimas de semelhantes injustiças. Escutemo-lo, pois, todos nós que, apesar da nossa vida honesta, temos de suportar os malvados... O maior dos filhos nascidos de mulher (Lc 7,28) foi levado à morte pelo pedido de uma jovem impudica, de uma mulher perdida; e isso por ter defendido as leis divinas. Que estas considerações nos façam suportar corajosamente os nossos próprios sofrimentos...

Mas repara no tom moderado do evangelista que, na medida do possível, procura circunstâncias atenuantes para este crime. A propósito de Herodes, ele nota que agiu "por causa do seu juramento e dos convivas" e que "ficou entristecido"; a propósito da jovem, nota que tinha sido "induzida pela mãe"... Também nós, não odiemos os malvados, não critiquemos as faltas do próximo, escondamo-las tão discretamente quanto possível; acolhamos a caridade na nossa alma. Porque, acerca desta mulher impudica e sanguinária, o evangelista falou com toda a moderação possível... Tu, porém, não hesitas em tratar o teu próximo com malvadez... Toda a diferença está na maneira de agir dos santos: ele choram pelos pecadores, em vez de os amaldiçoarem. Façamos como eles; choremos por Herodíades e pelos que a imitam. Porque vemos hoje muitos banquetes do género do de Herodes; não se condena à morte o Precursor, mas destroem-se os membros de Cristo...

São João Crisóstomo, Patriarca de Constantinopla.
Homilias sobre S. Mateus, nº 48.


João, o Batista.

Ei-lo clamando! Uma voz brada do deserto. Não é a voz de um erudito, nem de um orador profissional. Não é o anúncio de um arauto do palácio de Herodes e nem da aristocracia do Templo. Ele não tem boa aparência, nem um cheiro bom. Seu corpo está coberto com vestimentas rudes, sua fala é dura. Ele não conhece o prazer dos banquetes, não sabe o sabor do vinho e nem das carnes suculentas, não sabia o que era um teto e nem uma cama confortável. Não tinha mulher e nem filhos, ninguém lhe cuidava quando estava doente. Não sabia outro idioma e nem interpretar o discurso dos sábios. Passou toda a sua vida nos desertos: o seu prato diário era a oração e o jejum, amenizado pela degustação da vegetação local e do mel das abelhas (a única doçura material que conhecera).

Quem é este? Ele é o que destrói a ilusão dos que pensam que a grandeza dos céus se traveste da glória humana. O que questiona profundamente a obediência dos que se dizem servidores de Deus. O que põe em cheque os valores de uma sociedade religiosa que se assemelha à sociedade secular, valorizando o pragmatismo e a produtividade em detrimento da contemplação, o fazer em vez de ser. Dos nascidos de mulher (isto inclui todos os santos e justos do passado de Israel: Abraão, Moisés, Davi, Elias, Eliseu, Isaías, etc), ninguém é maior do que João. Eis o selo daquele que tem os olhos como chama de fogo e de cuja boca sai uma afiada espada de dois gumes, o Cristo, o Senhor de tudo.


Padre Mateus (Antonio Eça)

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

15ª Segunda-feira Depois de Pentecostes


10 de Setembro 2012 (CC) / 28 de Agosto (CE)
S. Moisés Etíope, anacoreta (séc. IV).


Gálatas 2:11-16

Depois, passados catorze anos, subi outra vez a Jerusalém com Barnabé, levando também comigo Tito. E subi por uma revelação, e lhes expus o evangelho, que prego entre os gentios, e particularmente aos que estavam em estima; para que de maneira alguma não corresse ou não tivesse corrido em vão. Mas nem ainda Tito, que estava comigo, sendo grego, foi constrangido a circuncidar-se; E isto por causa dos falsos irmãos que se intrometeram, e secretamente entraram a espiar a nossa liberdade, que temos em Cristo Jesus, para nos porem em servidão; Aos quais nem ainda por uma hora cedemos com sujeição, para que a verdade do evangelho permanecesse entre vós. E, quanto àqueles que pareciam ser alguma coisa (quais tenham sido noutro tempo, não se me dá; Deus não aceita a aparência do homem), esses, digo, que pareciam ser alguma coisa, nada me comunicaram; Antes, pelo contrário, quando viram que o evangelho da incircuncisão me estava confiado, como a Pedro o da circuncisão (Porque aquele que operou eficazmente em Pedro para o apostolado da circuncisão, esse operou também em mim com eficácia para com os gentios), E conhecendo Tiago, Cefas e João, que eram considerados como as colunas, a graça que me havia sido dada, deram-nos as destras, em comunhão comigo e com Barnabé, para que nós fôssemos aos gentios, e eles à circuncisão; Recomendando-nos somente que nos lembrássemos dos pobres, o que também procurei fazer com diligência.
E, chegando Pedro à Antioquia, lhe resisti na cara, porque era repreensível. Porque, antes que alguns tivessem chegado da parte de Tiago, comia com os gentios; mas, depois que chegaram, se foi retirando, e se apartou deles, temendo os que eram da circuncisão.
E os outros judeus também dissimulavam com ele, de maneira que até Barnabé se deixou levar pela sua dissimulação. Mas, quando vi que não andavam bem e direitamente conforme a verdade do evangelho, disse a Pedro na presença de todos: Se tu, sendo judeu, vives como os gentios, e não como judeu, por que obrigas os gentios a viverem como judeus? Nós somos judeus por natureza, e não pecadores dentre os gentios. Sabendo que o homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo, temos também crido em Jesus Cristo, para sermos justificados pela fé em Cristo, e não pelas obras da lei; porquanto pelas obras da lei nenhuma carne será justificada.

Marcos 5:24-34

24 Jesus foi com ele, e seguia-o uma grande multidão, que o apertava. 25 Ora, certa mulher, que havia doze anos padecia de uma hemorragia, 26 e que tinha sofrido bastante às mãos de muitos médicos, e despendido tudo quanto possuía sem nada aproveitar, antes indo a pior, 27 tendo ouvido falar a respeito de Jesus, veio por detrás, entre a multidão, e tocou-lhe o manto; 28 porque dizia: Se tão-somente tocar-lhe as vestes, ficaria curada. 29 E imediatamente cessou a sua hemorragia; e sentiu no corpo estar já curada do seu mal. 30 E logo Jesus, percebendo em si mesmo que saíra dele poder, virou-se no meio da multidão e perguntou: Quem me tocou as vestes? 31 Responderam-lhe os seus discípulos: Vês que a multidão te aperta, e perguntas: Quem me tocou? 32 Mas ele olhava em redor para ver a que isto fizera. 33 Então a mulher, atemorizada e trêmula, cônscia do que nela se havia operado, veio e prostrou-se diante dele, e declarou-lhe toda a verdade. 34 Disse-lhe ele: Filha, a tua fé te salvou; vai-te em paz, e fica livre desse teu mal.


COMENTÁRIO

A Lei estigmatizava a mulher na qual houvesse fluxo de sangue desordenado, classificando-a como “imunda” (Lv. 15:25) e condenava também à imundície todo objeto que fosse tocado por ela: a cama onde dormia, a cadeira onde se sentava, etc; mas, não somente os objetos, também qualquer pessoa que os tocasse se tornaria imunda (Lv. 15:26) Assim, uma mulher que padecia de um mal hemorrágico sofria quase que o mesmo ostracismo dos leprosos: a diferença entre um e outro é que a hemorrágica podia disfarçar temporariamente o seu mal.

A mulher se aproveitou da multidão para se acobertar e tocar em Cristo sem que Este pudesse notar. Mas Jesus a surpreende: “Quem me tocou?”, pergunta o Mestre, distinguindo o seu toque do aperto que sofria da multidão. Ele distinguiu o toque porque sentira do Seu corpo sair poder. Quando aquilo que era “imundo” tocara O que É Santo, o Santo não se tornara imundo – como prescrevia a Lei – antes, o Santo purificou o que é imundo. No entanto, muitos corpos pecadores tocavam e até comprimiam o Corpo Santo, mas nenhum desses atraiu para si a Virtude do Santo. Só o desta mulher – que pela Lei era mais indigna do que os demais – alcançou tal graça. O que tinha este toque de distinto dos demais?

Se o corpo do Santo comunicara virtude à mulher imunda, é porque o toque da imunda comunicava ao Santo a fé que habitava no corpo imundo. E a fé é o único instrumento que atrai a Graça (Ef. 2:9). Esta fé que se apresenta quando todos os pilares da existência desmoronam. A mulher gastara todo seu dinheiro com o seu tratamento, sem obter resultado, sua dignidade e honra estavam dilaceradas pelo estigma social que a doença provocara. O tempo da enfermidade (12 anos) lhe torturara o suficiente para destruir todas as certezas ilusórias da sua vida. Algo no seu íntimo a fazia intuir que Aquele homem da Galileia era Depositário da graça que ela necessitava.

Mas Ele era um Rabi, um Homem Santo, que certamente a condenaria, visto que esta era a sentença da Lei. Por isto a estratégia de se dissimular por entre a multidão.

Sua estratégia dera certo. Ela estava curada. Uma alegria lhe toma o ser. Mas, parece que sua alegria teria duração curta. O Rabi interrompe sua caminhada e pergunta: “Quem me tocou?” Olhando em seguida para ela.

Pronto, agora fora descoberta. Seria humilhada e condenada. A cena do Éden parece se repetir. Eva tem que sair detrás da árvore e se apresentar nua perante o Seu Criador e Juiz. O que iria surpreender a mulher é que no roteiro do drama do Éden, o ato agora em cena, não era mais o da sentença de Eva, mas o da promessa: pois Quem aparece no palco do mundo é O Descendente nascido da semente da mulher que iria pisar a cabeça da serpente (e por esta ser ferido).

Podemos aqui fazer um aparte para que reflitamos na Graça que habitou na Mãe de Deus. Quando o Verbo foi Gerado em seu ventre para receber dela a sua carne, Ele teve seu Ser tocado pelos genes impuros de Eva que habitavam na Virgem, e assim como a mulher hemorrágica não pudera contaminar o Santo, antes recebendo dele a purificação da sua doença, assim também a Santa Virgem teve todo seu corpo purificado por Aquele que tudo plenifica.

Desprovida de seus disfarces, tiradas as máscaras do anonimato, desfeita a estratégia da dissimulação, a mulher se apresenta perante o Santo de Deus. Ela está prostrada perante o Santo e direciona o olhar do medo para o chão, porém os seus ouvidos não demoram a ouvir palavras de ternura:

“Filha, a tua fé te salvou; vai-te em paz, e fica livre desse teu mal”.


ORAÇÃO

Jesus dulcíssimo, glória dos apóstolos; meu Jesus, alegria dos mártires; Senhor onipotente, Jesus, meu Salvador, Jesus belíssimo, salva-me a mim que recorro a Ti. Salvador Jesus, tem piedade de mim, pela intercessão daquela que te trouxe ao mundo, e de todos, ó Jesus, os teus santos, e de todos os profetas; meu Salvador Jesus, torna-me também digno das delícias do paraíso, ó Jesus amigo dos homens.

Jesus dulcíssimo, orgulho dos monges; Jesus longânime, alimento e beleza dos ascetas, Jesus, salva-me; Jesus meu Salvador, Jesus meu boníssimo, arranca-me da mão do dragão, Salvador Jesus, e livra-me de seus laços, Salvador Jesus; e libertando-me do abismo, ó meu Salvador Jesus, faze-me sentar à tua direita com as outras ovelhas.

Senhor, Cristo Deus, que com a tua paixão curaste as minhas paixões e com as tuas feridas medicaste as minhas chagas, dá-me a mim, mísero pecador, lágrimas de compunção. Perfuma o meu corpo com a fragrância do teu corpo vivificante e oferece a doce bebida do teu precioso sangue para refazer-me da amargura com que o inimigo deu de beber à minha alma.

Ergue a Ti a minha mente atraída pelas baixezas terrenas e levanta-me do abismo da perdição. Ofusquei a minha mente com afeições terrenas e não consigo erguer os olhos para Ti; nem aquecer com lágrimas o meu amor por Ti.

Mas tu, Mestre, meu Senhor Jesus Cristo, tesouro de todos os bens, concede-me contrição perfeita e ardente desejo de lançar-me à tua procura. Dá-me a tua graça e renova em mim as feições da tua imagem. Eu te abandonei, não me pagues com o abandono. Vem em busca de mim, reconduze-me ao teu redil, e faze-me nutrir-me da relva dos divinos mistérios.

Pela intercessão da tua puríssima Mãe e de todos os teus santos. Amém.

Cânon A Jesus Dulcíssimo,
Teostericto, Monge - (séc. IX)

sábado, 8 de setembro de 2012

14º Sábado Depois de Pentecostes


08 de Setembro 2012 (CC) / 26 de Agosto (CE)
Ss. Adriano e Natália, sua mulher, mártires (fim do séc. III).


1 Coríntios 4:1-5

1 Que os homens nos considerem como ministros de Cristo, e despenseiros dos mistérios de Deus. 2 Além disso, requer-se dos despenseiros que cada um se ache fiel. 3 Todavia, a mim mui pouco se me dá de ser julgado por vós, ou por algum juízo humano; nem eu tampouco a mim mesmo me julgo. 4 Porque em nada me sinto culpado; mas nem por isso me considero justificado, pois quem me julga é o Senhor. 5 Portanto, nada julgueis antes de tempo, até que o Senhor venha, o qual também trará à luz as coisas ocultas das trevas, e manifestará os desígnios dos corações; e então cada um receberá de Deus o louvor.

Mateus 23:1-12

1 Então falou Jesus às multidões e aos seus discípulos, dizendo: 2 Na cadeira de Moisés se assentam os escribas e fariseus.    3 Portanto, tudo o que vos disserem, isso fazei e observai; mas não façais conforme as suas obras; porque dizem e não praticam.    4 Pois atam fardos pesados e difíceis de suportar, e os põem aos ombros dos homens; mas eles mesmos nem com o dedo querem movê-los.    5 Todas as suas obras eles fazem a fim de serem vistos pelos homens; pois alargam os seus filactérios, e aumentam as franjas dos seus mantos; 6 gostam do primeiro lugar nos banquetes, das primeiras cadeiras nas sinagogas, 7 das saudações nas praças, e de serem chamados pelos homens: Rabi.    8 Vós, porém, não queirais ser chamados Rabi; porque um só é o vosso Mestre, e todos vós sois irmãos.    9 E a ninguém sobre a terra chameis vosso pai; porque um só é o vosso Pai, aquele que está nos céus. 10 Nem queirais ser chamados guias; porque um só é o vosso Guia, que é o Cristo. 11 Mas o maior dentre vós há de ser vosso servo. 12 Qualquer, pois, que a si mesmo se exaltar, será humilhado; e qualquer que a si mesmo se humilhar, será exaltado.



COMENTÁRIO

A vigilância é um tema e uma atitude constantes em nossa vida cristã, pois o coração é enganoso e um terreno fértil para ilusões, fantasias e enganos. Muitos homens perversos se acostumam tanto à perversidade que nem mais a percebem ou a identificam, chegando ao cúmulo de confundir sua maldade com justiça e vida agradável a Deus (2 Tm 3:5,13; João 16:1,2).

Os Escribas e Fariseus pensavam que serviam a Deus. Em algum momento eles substituíram suas consciências por esquemas teológicos de conveniência, que atendem às demandas e apelos das paixões que se abrigam em nossa alma. Por isto Cristo nos ensina o exercício de tomar a cruz dia a dia, oferecer-se em sacrifício vivo; somente por esta via conseguimos sufocar as paixões e nos livrar das ilusões. Os clérigos são ainda mais suscetíveis a estes enganos pelos títulos hierárquicos que podem se constituir em laço e tropeço. Se a alma não consegue viver a dimensão sagrada dos títulos hierárquicos, então, em nome do Reino dos Céus, devemos renunciá-los. Muitos santos fizeram isto.

Padre Mateus (Antonio Eça)


ORAÇÃO

SENHOR, o meu coração não se elevou nem os meus olhos se levantaram; não me exercito em grandes matérias, nem em coisas muito elevadas para mim. Certamente que me tenho portado e sossegado como uma criança desmamada de sua mãe; a minha alma está como uma criança desmamada. Espere Israel no SENHOR, desde agora e para sempre.
Salmo 130(131)

sábado, 18 de agosto de 2012

11º Sábado Depois de Pentecostes



18 de Agosto 2012 (CC) / 05 de Agosto (CE)
Pré festa da Transfiguração; S. Eusígnio, mártir († 362).


1 Coríntios 1:3-9

     3 Graça seja convosco, e paz, da parte de Deus nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo.    4 Sempre dou graças a Deus por vós, pela graça de Deus que vos foi dada em Cristo Jesus;    5 porque em tudo fostes enriquecidos nele, em toda palavra e em todo o conhecimento,    6 assim como o testemunho de Cristo foi confirmado entre vós;    7 de maneira que nenhum dom vos falta, enquanto aguardais a manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo,    8 o qual também vos confirmará até o fim, para serdes irrepreensíveis no dia de nosso Senhor Jesus Cristo.    9 Fiel é Deus, pelo qual fostes chamados para a comunhão de seu Filho Jesus Cristo nosso Senhor.   

Mateus 19:3-12

     3 Aproximaram-se dele alguns fariseus que o experimentavam, dizendo: É lícito ao homem repudiar sua mulher por qualquer motivo?    4 Respondeu-lhe Jesus: Não tendes lido que o Criador os fez desde o princípio homem e mulher,    5 e que ordenou: Por isso deixará o homem pai e mãe, e unir-se-á a sua mulher; e serão os dois uma só carne?    6 Assim já não são mais dois, mas um só carne. Portanto o que Deus ajuntou, não o separe o homem.    7 Responderam-lhe: Então por que mandou Moisés dar-lhe carta de divórcio e repudiá-la?    8 Disse-lhes ele: Pela dureza de vossos corações Moisés vos permitiu repudiar vossas mulheres; mas não foi assim desde o princípio.    9 Eu vos digo porém, que qualquer que repudiar sua mulher, a não ser por causa de infidelidade, e casar com outra, comete adultério; [e o que casar com a repudiada também comete adultério.]    10 Disseram-lhe os discípulos: Se tal é a condição do homem relativamente à mulher, não convém casar.    11 Ele, porém, lhes disse: Nem todos podem aceitar esta palavra, mas somente aqueles a quem é dado.    12 Porque há eunucos que nasceram assim; e há eunucos que pelos homens foram feitos tais; e outros há que a si mesmos se fizeram eunucos por causa do reino dos céus. Quem pode aceitar isso, aceite-o.   


VÉSPERAS DA SANTA TRANFIGURAÇÃO DO NOSSO SENHOR, DEUS E SALVADOR JESUS CRISTO

Êxodo 24:12-18

     12 Depois disse o Senhor a Moisés: Sobe a mim ao monte, e espera ali; e dar-te-ei tábuas de pedra, e a lei, e os mandamentos que tenho escrito, para lhos ensinares.    13 E levantando-se Moisés com Josué, seu servidor, subiu ao monte de Deus,    14 tendo dito aos anciãos: Esperai-nos aqui, até que tornemos a vós; eis que Arão e Hur ficam convosco; quem tiver alguma questão, se chegará a eles.    15 E tendo Moisés subido ao monte, a nuvem cobriu o monte.    16 Também a glória do Senhor repousou sobre o monte Sinai, e a nuvem o cobriu por seis dias; e ao sétimo dia, do meio da nuvem, Deus chamou a Moisés.    17 Ora, a aparência da glória do Senhor era como um fogo consumidor no cume do monte, aos olhos dos filhos de Israel.    18 Moisés, porém, entrou no meio da nuvem, depois que subiu ao monte; e Moisés esteve no monte quarenta dias e quarenta noites.   

Êxodo 33:11-23; 34:4-6, 8

     11 E falava o Senhor a Moisés face a face, como qualquer fala com o seu amigo. Depois tornava Moisés ao arraial; mas o seu servidor, o mancebo Josué, filho de Num, não se apartava da tenda.    12 E Moisés disse ao Senhor: Eis que tu me dizes: Faze subir a este povo; porém não me fazes saber a quem hás de enviar comigo. Disseste também: Conheço-te por teu nome, e achaste graça aos meus olhos.    13 Se eu, pois, tenho achado graça aos teus olhos, rogo-te que agora me mostres os teus caminhos, para que eu te conheça, a fim de que ache graça aos teus olhos; e considera que esta nação é teu povo.    14 Respondeu-lhe o Senhor: Eu mesmo irei contigo, e eu te darei descanso.    15 Então Moisés lhe disse: Se tu mesmo não fores conosco, não nos faças subir daqui.    16 Como, pois, se saberá agora que tenho achado graça aos teus olhos, eu e o teu povo? acaso não é por andares tu conosco, de modo a sermos separados, eu e o teu povo, de todos os povos que há sobre a face da terra;    17 Ao que disse o Senhor a Moisés: Farei também isto que tens dito; porquanto achaste graça aos meus olhos, e te conheço pelo teu nome.    18 Moisés disse ainda: Rogo-te que me mostres a tua glória.    19 Respondeu-lhe o Senhor: Eu farei passar toda a minha bondade diante de ti, e te proclamarei o meu nome Jeová; e terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia, e me compadecerei de quem me compadecer.    20 E disse mais: Não poderás ver a minha face, porquanto homem nenhum pode ver a minha face e viver.    21 Disse mais o Senhor: Eis aqui um lugar junto a mim; aqui, sobre a penha, te porás.    22 E quando a minha glória passar, eu te porei numa fenda da penha, e te cobrirei com a minha mão, até que eu haja passado.    23 Depois, quando eu tirar a mão, me verás pelas costas; porém a minha face não se verá.    4 Então Moisés lavrou duas tábuas de pedra, como as primeiras; e, levantando-se de madrugada, subiu ao monte Sinai, como o Senhor lhe tinha ordenado, levando na mão as duas tábuas de pedra.    5 O Senhor desceu numa nuvem e, pondo-se ali junto a ele, proclamou o nome Jeová.    6 Tendo o Senhor passado perante Moisés, proclamou: Senhor, Senhor, Deus misericordioso e compassivo, tardio em irar-se e grande em beneficência e verdade;    8 Então Moisés se apressou a inclinar-se à terra, e adorou,   

1 Reis 19:3-9, 11-13, 15-16

     3 Quando ele viu isto, levantou-se e, para escapar com vida, se foi. E chegando a Berseba, que pertence a Judá, deixou ali o seu moço.    4 Ele, porém, entrou pelo deserto caminho de um dia, e foi sentar-se debaixo de um zimbro; e pediu para si a morte, dizendo: Já basta, ó Senhor; toma agora a minha vida, pois não sou melhor do que meus pais.    5 E deitando-se debaixo do zimbro, dormiu; e eis que um anjo o tocou, e lhe disse: Levanta-te e come.    6 Ele olhou, e eis que à sua cabeceira estava um pão cozido sobre as brasas, e uma botija de água. Tendo comido e bebido, tornou a deitar-se.    7 O anjo do Senhor veio segunda vez, tocou-o, e lhe disse: Levanta-te e come, porque demasiado longa te será a viagem.    8 Levantou-se, pois, e comeu e bebeu; e com a força desse alimento caminhou quarenta dias e quarenta noites até Horebe, o monte de Deus.    9 Ali entrou numa caverna, onde passou a noite. E eis que lhe veio a palavra do Senhor, dizendo: Que fazes aqui, Elias?    11 Ao que Deus lhe disse: Vem cá fora, e põe-te no monte perante o Senhor: E eis que o Senhor passou; e um grande e forte vento fendia os montes e despedaçava as penhas diante do Senhor, porém o Senhor não estava no vento; e depois do vento um terremoto, porém o Senhor não estava no terremoto;    12 e depois do terremoto um fogo, porém o Senhor não estava no fogo; e ainda depois do fogo uma voz mansa e delicada.    13 E ao ouvi-la, Elias cobriu o rosto com a capa e, saindo, pôs-se à entrada da caverna. E eis que lhe veio uma voz, que dizia: Que fazes aqui, Elias?    15 Então o Senhor lhe disse: Vai, volta pelo teu caminho para o deserto de Damasco; quando lá chegares, ungirás a Hazael para ser rei sobre a Síria.    16 E a Jeú, filho de Ninsi, ungirás para ser rei sobre Israel; bem como a Eliseu, filho de Safate de Abel-Meolá, ungirás para ser profeta em teu lugar.