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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Quinta-feira do Publicano e do Fariseu

05 de Fevereiro de 2026 (CC) - 23 de Janeiro (CE)
Santo Mártir Clemente, Bispo de Ankara;
Santo Mártir Agatângelos Dionisio de
Monte AthosS; Genádios, Monge de Kostroma
Tom 1



O Hieromártir Clemente nasceu na cidade Galaciana de Ancira no ano 258, filho de um pai pagão e de uma mãe cristã. Na infância Clemente perdeu seu pai, e aos doze anos de idade também sua mãe, que previu para ele a morte de um mártir por crer em Cristo. Uma mulher que o adoptou, chamada Sofia, criou-o com medo de Deus. Durante o tempo de uma terrível fome na Galácia, vários pagãos expulsaram seus próprios filhos, não tendo os meios para alimentá-los, e Sofia reuniu também estes pobres, alimentou-os e vestiu-os, e São Clemente a ajudou nisso. Ele ensinou as crianças e as preparou para o Santo Batismo. Muitos deles morreram como mártires pela fé em Cristo.  
Por sua vida virtuosa, São Clemente foi feito Leitor, e mais tarde Diácono, e aos dezoito anos recebeu a dignidade de Presbítero, e aos vinte anos foi ordenado Bispo de Ancira. Logo depois, a perseguição aos cristãos começou sob Diocleciano (284-305). O bispo Clemente foi preso sob denúncia e também teve que responder por si mesmo. O Governador de Galácia, Dometian, tentou convencer o Santo a adorar os deuses pagãos, mas São Clemente confessou firmemente a sua fé e suportou corajosamente todas as torturas às quais o cruel oficial o sujeitou. Eles o suspenderam em uma árvore, e rasgaram seu corpo de modo que os ossos pudessem ser vistos; e também o golpearam ferozmente com paus e pedras, e o viraram sobre uma roda e queimaram-no com um fogo baixo. O Senhor preservou o seu sofredor e curou o seu corpo lacerado. Em seguida, Domécio enviou o Santo para Roma para o próprio imperador Diocleciano, com um relatório de que o Bispo Clemente tinha sido ferozmente torturado, mas tinha se mostrado inflexível. Diocleciano, vendo o mártir completamente saudável, não acreditou no relatório e sujeitou-o a torturas ainda mais cruéis, e, em seguida, trancou-o na prisão.  
Muitos dos pagãos, vendo a bravura do Santo e a milagrosa cura de suas feridas, creram em Cristo. As pessoas na prisão se reunião a São Clemente em busca de orientação, cura e batismo, de modo que a prisão foi literalmente transformada em uma igreja. Muitas dessas pessoas, quando denunciadas, foram executadas pelo Imperador. Diocleciano, impressionado com a incrível resistência de São Clemente, o enviou para Nicomédia para seu Co-Imperador Maximiano.  
No navio ao longo do caminho, o Santo foi acompanhado por seu discípulo Agatângelo, que tinha escapado ser executado com os outros confessores, e que agora queria sofrer e morrer por Cristo juntamente com o Bispo Clemente. 
O Imperador Maximiano, por sua vez, enviou São Clemente e Agatângelo para o Governador Agripina, que os sujeitou a tais tormentos desumanos, que mesmo entre os espectadores pagãos havia uma sensação de pena para com os mártires, que eles começaram a apedrejar os torturadores. 
Tendo sido libertados, os santos curaram um habitante da cidade com uma imposição de mãos e batizaram e instruíram as pessoas, unindo-se a eles em multidões. Preso novamente por ordem de Maximiano, foram enviados para casa para a cidade de Ancira, onde o Príncipe Ancira Cyrenius os mandou torturar, e então os despachou para a cidade de Amásia para o oficial Domécio, conhecido por sua crueldade especial. 
Santo Agatângelos  
Na Amásia, os mártires foram atirados em cal derretida, passaram um dia inteiro nela e permaneceram ilesos. Esfolaram a pele, espancaram-nos com varetas de ferro, puseram-nos em camas quentes e derramaram enxofre. Tudo isso falhou em prejudicar os santos, e eles foram enviados para Társis para novas torturas. No deserto, ao longo do caminho, São Clemente na oração teve a revelação de que sofreria ainda por mais 28 anos pelo nome de Cristo. E depois, tendo sofrido uma multidão de torturas, os santos foram encerrados na prisão. 
Após a morte de Maximiano, Santo Agatângelo foi decapitado com a espada. Os cristãos de Ancira libertaram São Clemente da prisão e levaram-no para uma igreja das cavernas. Ali, depois de celebrar a Liturgia, o Santo anunciou aos fiéis o fim iminente da perseguição e o seu próprio fim que se aproximava. O santo mártir logo foi morto por soldados da cidade, que invadiram a Igreja. Eles decapitaram o santo enquanto este ofertava a Deus a santa oblação, no ano 312. 
São Genádios 
São Genádios, da cidade de Kostroma, foi batizado com o nome de Gregório. Nasceu na cidade de Mogilev, na Lituânia em uma família russo-lituana muito rica. Desde sua juventude se distinguia por sua devoção. Gostava de ir à Igreja e cumpria rigorosamente os tempos de jejum; por isso seus amigos riam dele. 
Desejando dedicar sua vida exclusivamente a Deus, deixou secretamente a casa de seus pais e, vestido como um pobre foi para Rússia onde visitou Moscou e Novgorod, mas não encontrou um monastério de acordo com suas necessidades espirituais. Foi então para o rio Svir onde se encontrava o venerável Alexandre, o qual lhe recomendou que fosse ao bosque de Vologodsk onde vivia o venerável Cornélio de Comel. Lá, após algum tempo, recebeu o hábito monástico de Cornélio, adquirindo o nome de Genádios. 
Algum tempo depois, os veneráveis Cornélio e Genádios partiram para o lago Surskoe, próximo do rio Kostroma. Ali fundaram um monastério com duas igrejas. Mais tarde, este monastério passou a se chamar Monastério de Genádios. São Genádios trabalhava incansavelmente, fazendo os pães (Prósforas) para a Liturgia, cortando lenha, cavando lagos com a irmandade etc. Para crescer espiritualmente, sempre usava as correntes de asceta. Gostava muito de escrever ícones com os quais adornava as paredes das igrejas de seu monastério. Por sua vida devota, recebeu de Deus o dom da profecia e da cura. 
Estando em Moscou, profetizou que a filha de Boyardo Roman Zajarin, Anastácia Romanov, seria czarina. Tempos depois, Anastácia tornou-se esposa do czar João, o Terrível. O mesmo czar João, o Terrível pediu ao venerado Genádios que fosse padrinho de sua filha. Genádios também curou o Bispo Cipriano de Vologda de uma doença mortal. Faleceu no ano de 1565 e no a no de 1644 foram encontradas suas relíquias que foram trasladadas para a Igreja da Transfiguração de seu monastério. O Venerável Gennádios escreveu «Instruções de um pai espiritual a um monge recém ordenado» e «Testamento espiritual». 
O Sexto Concílio Ecumênico 
O sexto Concílio Ecumênico foi convocado pelo Imperador Constantino Pogonato (668-685) em Constantinopla no ano 681 para tratar da heresia Monotelita. Estavam presentes 171 Santos Padres, que afirmaram a confissão de fé a respeito das duas vontades em Jesus Cristo – a Divina e a humana. 
Dando continuidade ao trabalho deste Concílio um outro Concílio foi realizado no ano de 691, nos palácios imperiais, chamado de Concílio de Trullo. O Concílio também decretou 102 cânones sobre a ordem e a disciplina do clero. 

Oração Antes de Ler as Escrituras
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!

1 João 1:8-2:6

Fragmento 69 - Amados, se dissermos: "Não temos pecado", enganamo-nos a nós mesmos, e a verdade não está em nós. Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça. Se dissermos: "Não pecamos", mentimos contra Ele, e a Sua palavra não está em nós. Meus filhinhos, escrevo-lhes estas coisas para que não pequeis; e, se alguém pecar, temos um Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo. E a Sua expiação é pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo. E nisto sabemos que O conhecemos: Se guardarmos os Seus mandamentos. Aquele que diz: "Eu O conheço", e não guarda os Seus mandamentos, mente, e nisto não há verdade. Porque aquele que guarda a Sua palavra, neste verdadeiramente o amor de Deus está aperfeiçoado. Nisto sabemos que estamos n’Ele. Aquele que diz: "Permaneço n’Ele", este deve andar assim como Ele andou.

Marcos 13:31-14:2

Fragmento 62 - O Senhor disse a Seus discípulos: “O céu e a terra passarão, mas Minhas palavras não passarão. Daquele dia e daquela hora ninguém sabe, nem os anjos que estão no céu, nem o Filho, senão o Pai. Tomai cuidado, vigiai e orai, porque não sabeis quando chegará o tempo. Porque o Filho do Homem é semelhante a um homem que, partindo para uma viagem, deixou a sua casa, e deu autoridade aos seus servos, e a cada um a sua obra, e ordenou ao porteiro que vigiasse. Vigiai, pois, porque não sabeis quando virá o senhor da casa: Se à tarde, se à meia-noite, se ao cantar do galo, se pela manhã. Para que, vindo de repente, ele não vos encontre dormindo. E o que eu vos digo, o digo a todos: Vigiai”. Depois de dois dias, era a Festa da Páscoa e dos Pães Ázimos; e os principais sacerdotes e os escribas tramavam como O prenderiam com astúcia e O matariam. Mas eles disseram: “Não durante a festa, para que não haja tumulto entre o povo.

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COMENTÁRIO

A palavra de ordem para os servos de Deus é sempre esta: vigiai! Os sinais preditos pelo Senhor não foram dados para serem especulados ou como enigmas que devem ser decifrados. Estão envoltos em mistério inacessível: nem os anjos, nem mesmo o Filho, mas, tão somente o Pai tem as chaves destes mistérios. Estes sinais servem para o reforço da vigilância. Muitos se entregam a investigar e tentar decifrar os tempos e as épocas que o Pai reservou para sua exclusiva autoridade.
  
A vigilância é uma atitude de preservar diligentemente o depósito da fé́, o ensino que o Filho recebeu do Pai e o transmitiu para seus Apóstolos a fim de que eles também o transmitissem a todas as nações. Esta palavra não sofre limites espaciais ou temporais. Não se deteriora com o tempo e não pode ser sufocada pelas heresias ou qualquer sistema filosófico por mais bem elaborado que seja à luz da razão humana. Por isto, o Apóstolo João na visão apocalíptica, vê̂ um anjo voando sobre as ruínas da civilização trazendo consigo o Evangelho eterno para ser pregado a toda nação, tribo e língua (Ap. 14:6). Estejamos atentos, pois, não sabemos a que hora virá o nosso Senhor.

A narrativa de São Marcos nos mostra como a falta de vigilância levou os principais sacerdotes e escribas a não perceberem o dia da visitação d’Aquele a quem diziam servir. Faltavam dois dias para a Páscoa, a data mais solene e sagrada do calendário judaico e, os homens aos quais foram confiados os rebanhos do Pai, ao invés de santificarem os seus corações, antes o envenenavam com imaginações perversas, articulando entre si uma estratégia para matar o Santo de Deus, em nome de Deus.

Quando a Igreja estabelece um santo jejum todas as quartas e sextas-feiras, visa trabalhar a vigilância em nosso coração. O jejum da quarta-feira nos lembra a traição de Judas e nos convida a combater em nós as sombras que tomaram conta deste infeliz Apóstolo; e o jejum da sexta-feira nos lembra a crucificação de nosso Senhor e nos encoraja a assumir o nosso Calvário o qual redundará em nosso triunfo e glória que provêm do Pai, por meio do Filho e comunicados pelo Santo e Vivificante Espírito, Deus bendito, agora e sempre, e pelos séculos sem fim. Amém. 

Padre Mateus (Antonio Eça) 

ORAÇÃO 

Julga-me, ó Senhor, pois tenho andado na minha integridade; no Senhor tenho confiado sem vacilar. Examina-me, Senhor, e prova-me; esquadrinha o meu coração e a minha mente. Pois a tua benignidade está diante dos meus olhos, e tenho andado na tua verdade. Não me tenho assentado com homens falsos, nem associo com dissimuladores. Odeio o ajuntamento de malfeitores; não me sentarei com os ímpios. Lavo as minhas mãos na inocência; e assim, ó Senhor, me acerco do teu altar, para fazer ouvir a voz de louvor, e contar todas as tuas maravilhas. Ó Senhor, eu amo o recinto da tua casa e o lugar onde permanece a tua glória. Não colhas a minha alma com a dos pecadores, nem a minha vida com a dos homens sanguinolentos, em cujas mãos há malefício, e cuja destra está cheia de subornos. Quanto a mim, porém, ando na minha integridade; resgata-me e tem compaixãode mim. O meu pé́ está firme em terreno plano; nas congregações bendirei ao Senhor. 

Salmo 6 
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segunda-feira, 5 de fevereiro de 2024

36ª Segunda-feira Depois de Pentecostes

05 de Fevereiro de 2024 (CC) - 23 de Janeiro (CE)
Santo Mártir Clemente, Bispo de Ankara;
Santo Mártir Agatângelos Dionisio de
Monte AthosS; Genádios, Monge de Kostroma
Tom 2



O Hieromártir Clemente nasceu na cidade Galaciana de Ancira no ano 258, filho de um pai pagão e de uma mãe cristã. Na infância Clemente perdeu seu pai, e aos doze anos de idade também sua mãe, que previu para ele a morte de um mártir por crer em Cristo. Uma mulher que o adoptou, chamada Sofia, criou-o com medo de Deus. Durante o tempo de uma terrível fome na Galácia, vários pagãos expulsaram seus próprios filhos, não tendo os meios para alimentá-los, e Sofia reuniu também estes pobres, alimentou-os e vestiu-os, e São Clemente a ajudou nisso. Ele ensinou as crianças e as preparou para o Santo Batismo. Muitos deles morreram como mártires pela fé em Cristo.  
Por sua vida virtuosa, São Clemente foi feito Leitor, e mais tarde Diácono, e aos dezoito anos recebeu a dignidade de Presbítero, e aos vinte anos foi ordenado Bispo de Ancira. Logo depois, a perseguição aos cristãos começou sob Diocleciano (284-305). O bispo Clemente foi preso sob denúncia e também teve que responder por si mesmo. O Governador de Galácia, Dometian, tentou convencer o Santo a adorar os deuses pagãos, mas São Clemente confessou firmemente a sua fé e suportou corajosamente todas as torturas às quais o cruel oficial o sujeitou. Eles o suspenderam em uma árvore, e rasgaram seu corpo de modo que os ossos pudessem ser vistos; e também o golpearam ferozmente com paus e pedras, e o viraram sobre uma roda e queimaram-no com um fogo baixo. O Senhor preservou o seu sofredor e curou o seu corpo lacerado. Em seguida, Domécio enviou o Santo para Roma para o próprio imperador Diocleciano, com um relatório de que o Bispo Clemente tinha sido ferozmente torturado, mas tinha se mostrado inflexível. Diocleciano, vendo o mártir completamente saudável, não acreditou no relatório e sujeitou-o a torturas ainda mais cruéis, e, em seguida, trancou-o na prisão.  
Muitos dos pagãos, vendo a bravura do Santo e a milagrosa cura de suas feridas, creram em Cristo. As pessoas na prisão se reunião a São Clemente em busca de orientação, cura e batismo, de modo que a prisão foi literalmente transformada em uma igreja. Muitas dessas pessoas, quando denunciadas, foram executadas pelo Imperador. Diocleciano, impressionado com a incrível resistência de São Clemente, o enviou para Nicomédia para seu Co-Imperador Maximiano.  
No navio ao longo do caminho, o Santo foi acompanhado por seu discípulo Agatângelo, que tinha escapado ser executado com os outros confessores, e que agora queria sofrer e morrer por Cristo juntamente com o Bispo Clemente. 
O Imperador Maximiano, por sua vez, enviou São Clemente e Agatângelo para o Governador Agripina, que os sujeitou a tais tormentos desumanos, que mesmo entre os espectadores pagãos havia uma sensação de pena para com os mártires, que eles começaram a apedrejar os torturadores. 
Tendo sido libertados, os santos curaram um habitante da cidade com uma imposição de mãos e batizaram e instruíram as pessoas, unindo-se a eles em multidões. Preso novamente por ordem de Maximiano, foram enviados para casa para a cidade de Ancira, onde o Príncipe Ancira Cyrenius os mandou torturar, e então os despachou para a cidade de Amásia para o oficial Domécio, conhecido por sua crueldade especial. 
Santo Agatângelos  
Na Amásia, os mártires foram atirados em cal derretida, passaram um dia inteiro nela e permaneceram ilesos. Esfolaram a pele, espancaram-nos com varetas de ferro, puseram-nos em camas quentes e derramaram enxofre. Tudo isso falhou em prejudicar os santos, e eles foram enviados para Társis para novas torturas. No deserto, ao longo do caminho, São Clemente na oração teve a revelação de que sofreria ainda por mais 28 anos pelo nome de Cristo. E depois, tendo sofrido uma multidão de torturas, os santos foram encerrados na prisão. 
Após a morte de Maximiano, Santo Agatângelo foi decapitado com a espada. Os cristãos de Ancira libertaram São Clemente da prisão e levaram-no para uma igreja das cavernas. Ali, depois de celebrar a Liturgia, o Santo anunciou aos fiéis o fim iminente da perseguição e o seu próprio fim que se aproximava. O santo mártir logo foi morto por soldados da cidade, que invadiram a Igreja. Eles decapitaram o santo enquanto este ofertava a Deus a santa oblação, no ano 312. 
São Genádios 
São Genádios, da cidade de Kostroma, foi batizado com o nome de Gregório. Nasceu na cidade de Mogilev, na Lituânia em uma família russo-lituana muito rica. Desde sua juventude se distinguia por sua devoção. Gostava de ir à Igreja e cumpria rigorosamente os tempos de jejum; por isso seus amigos riam dele. 
Desejando dedicar sua vida exclusivamente a Deus, deixou secretamente a casa de seus pais e, vestido como um pobre foi para Rússia onde visitou Moscou e Novgorod, mas não encontrou um monastério de acordo com suas necessidades espirituais. Foi então para o rio Svir onde se encontrava o venerável Alexandre, o qual lhe recomendou que fosse ao bosque de Vologodsk onde vivia o venerável Cornélio de Comel. Lá, após algum tempo, recebeu o hábito monástico de Cornélio, adquirindo o nome de Genádios. 
Algum tempo depois, os veneráveis Cornélio e Genádios partiram para o lago Surskoe, próximo do rio Kostroma. Ali fundaram um monastério com duas igrejas. Mais tarde, este monastério passou a se chamar Monastério de Genádios. São Genádios trabalhava incansavelmente, fazendo os pães (Prósforas) para a Liturgia, cortando lenha, cavando lagos com a irmandade etc. Para crescer espiritualmente, sempre usava as correntes de asceta. Gostava muito de escrever ícones com os quais adornava as paredes das igrejas de seu monastério. Por sua vida devota, recebeu de Deus o dom da profecia e da cura. 
Estando em Moscou, profetizou que a filha de Boyardo Roman Zajarin, Anastácia Romanov, seria czarina. Tempos depois, Anastácia tornou-se esposa do czar João, o Terrível. O mesmo czar João, o Terrível pediu ao venerado Genádios que fosse padrinho de sua filha. Genádios também curou o Bispo Cipriano de Vologda de uma doença mortal. Faleceu no ano de 1565 e no a no de 1644 foram encontradas suas relíquias que foram trasladadas para a Igreja da Transfiguração de seu monastério. O Venerável Gennádios escreveu «Instruções de um pai espiritual a um monge recém ordenado» e «Testamento espiritual». 
O Sexto Concílio Ecumênico 
O sexto Concílio Ecumênico foi convocado pelo Imperador Constantino Pogonato (668-685) em Constantinopla no ano 681 para tratar da heresia Monotelita. Estavam presentes 171 Santos Padres, que afirmaram a confissão de fé a respeito das duas vontades em Jesus Cristo – a Divina e a humana. 
Dando continuidade ao trabalho deste Concílio um outro Concílio foi realizado no ano de 691, nos palácios imperiais, chamado de Concílio de Trullo. O Concílio também decretou 102 cânones sobre a ordem e a disciplina do clero. 

Oração Antes de Ler as Escrituras
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!

Tiago 2:14-26

Meus irmãos, que aproveita se alguém disser que tem fé, e não tiver as obras? Porventura a fé pode salvá-lo? E, se o irmão ou a irmã estiverem nus, e tiverem falta de mantimento quotidiano, E algum de vós lhes disser: Ide em paz, aquentai-vos, e fartai-vos; e nào lhes derdes as coisas necessárias para o corpo, que proveito virá daí? Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma. Mas dirá alguém: Tu tens a fé, e eu tenho as obras; mostra-me a tua fé sem as tuas obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras. Tu crês que há um só Deus; fazes bem. Também os demônios o crêem, e estremecem. Mas, ó homem vão, queres tu saber que a fé sem as obras é morta? Porventura o nosso pai Abraão não foi justificado pelas obras, quando ofereceu sobre o altar o seu filho Isaque? Bem vês que a fé cooperou com as suas obras, e que pelas obras a fé foi aperfeiçoada. E cumpriu-se a Escritura, que diz: E creu Abraão em Deus, e foi-lhe isso imputado como justiça, e foi chamado o amigo de Deus. Vedes então que o homem é justificado pelas obras, e não somente pela fé. E de igual modo Raabe, a meretriz, não foi também justificada pelas obras, quando recolheu os emissários, e os despediu por outro caminho? Porque, assim como o corpo sem o espírito está morto, assim também a fé sem obras é morta.


Marcos 10:46-52

E depois, foram para Jericó. E, saindo ele de Jericó com seus discípulos e uma grande multidão, Bartimeu, o cego, filho de Timeu, estava assentado junto do caminho, mendigando. E, ouvindo que era Jesus de Nazaré, começou a clamar, e a dizer: Jesus, filho de Davi, tem misericórdia de mim. E muitos o repreendiam, para que se calasse; mas ele clamava cada vez mais: Filho de Davi! tem misericórdia de mim. E Jesus, parando, disse que o chamassem; e chamaram o cego, dizendo-lhe: Tem bom ânimo; levanta-te, que ele te chama. E ele, lançando de si a sua capa, levantou-se, e foi ter com Jesus. E Jesus, falando, disse-lhe: Que queres que te faça? E o cego lhe disse: Mestre, que eu tenha vista. E Jesus lhe disse: Vai, a tua fé te salvou. E logo viu, e seguiu a Jesus pelo caminho.

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A JUSTIFICAÇÃO PELA FÉ NO ENSINO ORTODOXO

Para a maior parte da história da Igreja, a salvação foi vista como compreendendo toda a vida: os cristãos creram em Cristo, foram batizados e foram nutridos em sua salvação na Igreja. A chave para a compreensão dos ensinamentos sobre a Fé, está centrada em torno da Santíssima Trindade, da Encarnação do Filho de Deus e da expiação.

Leão X, Papa de Roma
Reformadores
Na Europa Ocidental, durante o século XVI e, até mesmo antes, no entanto, uma justificável preocupação surgiu entre os Reformadores acerca da compreensão predominante de que a salvação dependia de obras humanas meritórias, e não da graça e piedade de Deus. A redescoberta deles de Romanos 5, os levou a adotar o slogan Sola Fides: justificação apenas pela fé.

O debate da Reforma no Ocidente suscitou a seguinte questão para o Oriente Ortodoxo:

Que novidade é esta em polarizar a fé e as obras? Pois, é estabelecido desde a era apostólica que a salvação foi concedida pela misericórdia de Deus para homens e mulheres justos, ou seja, aqueles que são batizados em Cristo, são chamados a crer nele e a praticar boas obras (Efésios 2:8-10). Uma oposição entre a fé e obras é algo sem precedentes no pensamento Ortodoxo.

O ensino Ortodoxo da justificação difere do Protestante de várias maneiras:

1. A Justificação E A Nova Aliança.

Quando os Cristãos Ortodoxos abordam a doutrina da salvação, a discussão gira em torno da Nova Aliança. A Justificação (estar ou tornar-se Justo pela fé em Deus) é o primeiro fruto de quando se é trazido para uma relação de aliança com Ele.

Tal como Israel outrora estava sob a Antiga Aliança, na qual a salvação viria pela fé, como está revelado na Lei (Rm 3:21,31), assim, também, a Igreja está sob a Nova Aliança. A salvação vem pela fé em Cristo, que cumpre a Lei. Recebemos o Dom do Espírito Santo, que habita em nós, levando-nos para o conhecimento de Deus, o Pai (Rm 8:4,15). Em vez de justificação como uma absolvição legal perante Deus, os Fiéis Ortodoxos veem a justificação pela fé como um relacionamento de aliança com Ele, centrado em união com Cristo (Rom 6: 1-6).

2 A Justificação E A Misericórdia De Deus.

A Ortodoxia enfatiza primeiramente é a misericórdia de Deus – e não nossa fé - que nos salva.:

«Portanto, tendo sido justificados pela fé, temos paz com Deus através de nosso Senhor Jesus Cristo, através do qual também temos acesso por fé a essa graça em que defendemos, e nos regozijamos na esperança da glória de Deus» (Rom 5: 1, 2). É Deus Quem inicia ou faz a Nova Aliança conosco.

3 A Justificação Pela Fé É Dinâmica, Não Estática.

Para os Cristãos Ortodoxos, a fé é viva, dinâmica, contínua - nunca estática ou meramente pontuado no tempo. A fé não é algo que um cristão exerce apenas em um momento crítico (como no caso da conversão, esperando que ela cubra todo o resto de sua vida.

A verdadeira fé não é apenas uma decisão, é uma forma de vida. Assim, o Cristão Ortodoxo vê a salvação, em pelo menos três aspectos: (a) Eu fui salvo, juntando-me a Cristo no Santo Batismo, cf. Gálatas 3:27 e Rm 6:4; (b) eu Estou sendo salvo, crescendo em Cristo através da vida sacramental da Igreja, Cf João 6:54-57 e Efésios 4:1-13; e, (c) serei salvo, pela misericórdia de Deus no Juízo Final, Cf. 2 Timóteo 4:7,8.

A Justificação pela fé, embora não seja a principal doutrina do Novo Testamento para os Ortodoxos como o é para os Protestantes, não representa nenhum problema. Mas, a doutrina da justificação pela fé tem da nossa parte uma objeção, quando se diz que a salvação é somente pela fé, isto contradiz a Escritura, que diz:

«Vê então que um homem é justificado pelas obras, e não pela somente fé » (Tg 2:24).

Somos «justificados pela fé, sem as obras da lei» (Romanos 3:28); mas, em lugar algum a Escritura diz que somos justificados «somente» pela fé. Pelo contrário, a fé por si mesma, se não tem obras, está morta (Tg  2:17).

Como cristãos, não estamos mais sob as exigências da Lei do Antigo Testamento (Rm 3:20), porque Cristo cumpriu a Lei (Gálatas 2:21; 3:5,24). Pela misericórdia de Deus, somos trazidos para um novo relacionamento de aliança com Ele. Nós, os que cremos, recebemos entrada em Seu Reino por Sua graça. Através da Sua misericórdia, somos justificados pela fé e capacitados por Deus para as obras ou ações de justiça que lhe trazem glória:

«Porque a graça salvadora de Deus se há manifestado a todos os homens, ensinando-nos que, renunciando à impiedade e às concupiscências mundanas, vivamos neste presente século sóbria, e justa, e piamente, aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo; O qual se deu a si mesmo por nós para nos remir de toda a iniquidade, e purificar para si um povo seu especial, zeloso de boas obras.» Tito 2:11-14

«Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas.» Efésios 2:10

«Vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta senão para se lançar fora, e ser pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte; nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas no velador, e dá luz a todos que estão na casa. Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus.» Mateus 5:13-16


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quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

34ª Quarta-feira Depois de Pentecostes

05 de Fevereiro de 2020 (CC) - 23 de Janeiro (CE)
Santo Mártir Clemente, Bispo de Ankara;
Santo Mártir Agatângelos Dionisio de
Monte AthosS; Genádios, Monge de Kostroma
Tom 8



O Hieromártir Clemente nasceu na cidade Galaciana de Ancira no ano 258, filho de um pai pagão e de uma mãe cristã. Na infância Clemente perdeu seu pai, e aos doze anos de idade também sua mãe, que previu para ele a morte de um mártir por crer em Cristo. Uma mulher que o adoptou, chamada Sofia, criou-o com medo de Deus. Durante o tempo de uma terrível fome na Galácia, vários pagãos expulsaram seus próprios filhos, não tendo os meios para alimentá-los, e Sofia reuniu também estes pobres, alimentou-os e vestiu-os, e São Clemente a ajudou nisso. Ele ensinou as crianças e as preparou para o Santo Batismo. Muitos deles morreram como mártires pela fé em Cristo.  
Por sua vida virtuosa, São Clemente foi feito Leitor, e mais tarde Diácono, e aos dezoito anos recebeu a dignidade de Presbítero, e aos vinte anos foi ordenado Bispo de Ancira. Logo depois, a perseguição aos cristãos começou sob Diocleciano (284-305). O bispo Clemente foi preso sob denúncia e também teve que responder por si mesmo. O Governador de Galácia, Dometian, tentou convencer o Santo a adorar os deuses pagãos, mas São Clemente confessou firmemente a sua fé e suportou corajosamente todas as torturas às quais o cruel oficial o sujeitou. Eles o suspenderam em uma árvore, e rasgaram seu corpo de modo que os ossos pudessem ser vistos; e também o golpearam ferozmente com paus e pedras, e o viraram sobre uma roda e queimaram-no com um fogo baixo. O Senhor preservou o seu sofredor e curou o seu corpo lacerado. Em seguida, Domécio enviou o Santo para Roma para o próprio imperador Diocleciano, com um relatório de que o Bispo Clemente tinha sido ferozmente torturado, mas tinha se mostrado inflexível. Diocleciano, vendo o mártir completamente saudável, não acreditou no relatório e sujeitou-o a torturas ainda mais cruéis, e, em seguida, trancou-o na prisão.  
Muitos dos pagãos, vendo a bravura do Santo e a milagrosa cura de suas feridas, creram em Cristo. As pessoas na prisão se reunião a São Clemente em busca de orientação, cura e batismo, de modo que a prisão foi literalmente transformada em uma igreja. Muitas dessas pessoas, quando denunciadas, foram executadas pelo Imperador. Diocleciano, impressionado com a incrível resistência de São Clemente, o enviou para Nicomédia para seu Co-Imperador Maximiano.  
No navio ao longo do caminho, o Santo foi acompanhado por seu discípulo Agatângelo, que tinha escapado ser executado com os outros confessores, e que agora queria sofrer e morrer por Cristo juntamente com o Bispo Clemente. 
O Imperador Maximiano, por sua vez, enviou São Clemente e Agatângelo para o Governador Agripina, que os sujeitou a tais tormentos desumanos, que mesmo entre os espectadores pagãos havia uma sensação de pena para com os mártires, que eles começaram a apedrejar os torturadores. 
Tendo sido libertados, os santos curaram um habitante da cidade com uma imposição de mãos e batizaram e instruíram as pessoas, unindo-se a eles em multidões. Preso novamente por ordem de Maximiano, foram enviados para casa para a cidade de Ancira, onde o Príncipe Ancira Cyrenius os mandou torturar, e então os despachou para a cidade de Amásia para o oficial Domécio, conhecido por sua crueldade especial. 
Santo Agatângelos  
Na Amásia, os mártires foram atirados em cal derretida, passaram um dia inteiro nela e permaneceram ilesos. Esfolaram a pele, espancaram-nos com varetas de ferro, puseram-nos em camas quentes e derramaram enxofre. Tudo isso falhou em prejudicar os santos, e eles foram enviados para Társis para novas torturas. No deserto, ao longo do caminho, São Clemente na oração teve a revelação de que sofreria ainda por mais 28 anos pelo nome de Cristo. E depois, tendo sofrido uma multidão de torturas, os santos foram encerrados na prisão. 
Após a morte de Maximiano, Santo Agatângelo foi decapitado com a espada. Os cristãos de Ancira libertaram São Clemente da prisão e levaram-no para uma igreja das cavernas. Ali, depois de celebrar a Liturgia, o Santo anunciou aos fiéis o fim iminente da perseguição e o seu próprio fim que se aproximava. O santo mártir logo foi morto por soldados da cidade, que invadiram a Igreja. Eles decapitaram o santo enquanto este ofertava a Deus a santa oblação, no ano 312. 
São Genádios 
São Genádios, da cidade de Kostroma, foi batizado com o nome de Gregório. Nasceu na cidade de Mogilev, na Lituânia em uma família russo-lituana muito rica. Desde sua juventude se distinguia por sua devoção. Gostava de ir à Igreja e cumpria rigorosamente os tempos de jejum; por isso seus amigos riam dele. 
Desejando dedicar sua vida exclusivamente a Deus, deixou secretamente a casa de seus pais e, vestido como um pobre foi para Rússia onde visitou Moscou e Novgorod, mas não encontrou um monastério de acordo com suas necessidades espirituais. Foi então para o rio Svir onde se encontrava o venerável Alexandre, o qual lhe recomendou que fosse ao bosque de Vologodsk onde vivia o venerável Cornélio de Comel. Lá, após algum tempo, recebeu o hábito monástico de Cornélio, adquirindo o nome de Genádios. 
Algum tempo depois, os veneráveis Cornélio e Genádios partiram para o lago Surskoe, próximo do rio Kostroma. Ali fundaram um monastério com duas igrejas. Mais tarde, este monastério passou a se chamar Monastério de Genádios. São Genádios trabalhava incansavelmente, fazendo os pães (Prósforas) para a Liturgia, cortando lenha, cavando lagos com a irmandade etc. Para crescer espiritualmente, sempre usava as correntes de asceta. Gostava muito de escrever ícones com os quais adornava as paredes das igrejas de seu monastério. Por sua vida devota, recebeu de Deus o dom da profecia e da cura. 
Estando em Moscou, profetizou que a filha de Boyardo Roman Zajarin, Anastácia Romanov, seria czarina. Tempos depois, Anastácia tornou-se esposa do czar João, o Terrível. O mesmo czar João, o Terrível pediu ao venerado Genádios que fosse padrinho de sua filha. Genádios também curou o Bispo Cipriano de Vologda de uma doença mortal. Faleceu no ano de 1565 e no a no de 1644 foram encontradas suas relíquias que foram trasladadas para a Igreja da Transfiguração de seu monastério. O Venerável Gennádios escreveu «Instruções de um pai espiritual a um monge recém ordenado» e «Testamento espiritual». 
O Sexto Concílio Ecumênico 
O sexto Concílio Ecumênico foi convocado pelo Imperador Constantino Pogonato (668-685) em Constantinopla no ano 681 para tratar da heresia Monotelita. Estavam presentes 171 Santos Padres, que afirmaram a confissão de fé a respeito das duas vontades em Jesus Cristo – a Divina e a humana. 
Dando continuidade ao trabalho deste Concílio um outro Concílio foi realizado no ano de 691, nos palácios imperiais, chamado de Concílio de Trullo. O Concílio também decretou 102 cânones sobre a ordem e a disciplina do clero. 



Oração Antes de Ler as Escrituras
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!

1 Pedro 4:1-11

1 Ora pois, já que Cristo padeceu na carne, armai-vos também vós deste mesmo pensamento; porque aquele que padeceu na carne já cessou do pecado; 2 para que, no tempo que ainda vos resta na carne não continueis a viver para as concupiscências dos homens, mas para a vontade de Deus. 3 Porque é bastante que no tempo passado tenhais cumprido a vontade dos gentios, andando em dissoluções, concupiscências, borrachices, glutonarias, bebedices e abomináveis idolatrias. 4 E acham estranho não correrdes com eles no mesmo desenfreamento de dissolução, blasfemando de vós; 5 os quais hão de dar conta ao que está preparado para julgar os vivos e os mortos. 6 Pois é por isto que foi pregado o evangelho até aos mortos, para que, na verdade, fossem julgados segundo os homens na carne, mas vivessem segundo Deus em espírito. 7 Mas já está próximo o fim de todas as coisas; portanto sede sóbrios e vigiai em oração; 8 tendo antes de tudo ardente amor uns para com os outros, porque o amor cobre uma multidão de pecados; 9 sendo hospitaleiros uns para com os outros, sem murmuração; 10 servindo uns aos outros conforme o dom que cada um recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus. 11 Se alguém fala, fale como entregando oráculos de Deus; se alguém ministra, ministre segundo a força que Deus concede; para que em tudo Deus seja glorificado por meio de Jesus Cristo, a quem pertencem a glória e o domínio para todo o sempre. Amém. 

Marcos 12:28-37

28 Aproximou-se dele um dos escribas que os ouvira discutir e, percebendo que lhes havia respondido bem, perguntou-lhe: Qual é o primeiro de todos os mandamentos? 29 Respondeu Jesus: O primeiro é: Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor. 30 Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de todas as tuas forças. 31 E o segundo é este: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que esses. 32 Ao que lhe disse o escriba: Muito bem, Mestre; com verdade disseste que ele é um, e fora dele não há outro; 33 e que amá-lo de todo o coração, de todo o entendimento e de todas as forças, e amar o próximo como a si mesmo, é mais do que todos os holocaustos e sacrifícios. 34 E Jesus, vendo que havia respondido sabiamente, disse-lhe: Não estás longe do reino de Deus. E ninguém ousava mais interrogá-lo. 35 Por sua vez, Jesus, enquanto ensinava no templo, perguntou: Como é que os escribas dizem que o Cristo é filho de Davi? 36 O próprio Davi falou, movido pelo Espírito Santo: Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos debaixo dos teus pés. 37 Davi mesmo lhe chama Senhor; como é ele seu filho? E a grande multidão o ouvia com prazer.

† † †

O ENSINO DOS SANTOS PADRES


“Dois preceitos de uma mesma caridade”

Tenhamos presente que... a caridade se fundamenta em dois preceitos, a saber: no amor de Deus e do próximo... Devemos observar que, ao tratar sobre o amor que devemos ter ao próximo, põe-se regra e medida, visto que se diz: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo; mas tratando-se do amor que se deve professar a Deus não se assinala limite algum, posto “que nos diz: Amarás ao Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma, com toda a tua mente e com todas as tuas forças.

Com todo. Pois somente aquele que ama de verdade a Deus não se lembra de si mesmo... Por esta mesma razão se ordenou no Êxodo que se tingissem duas vezes de cor de escarlate as cortinas que se destinavam ao tabernáculo. Vós sois, irmãos, as cortinas do tabernáculo, que em razão da fé ocultais em vossos corações os mistérios celestiais. Porém as cortinas do tabernáculo deveriam ser tingidas duas vezes de cor escarlate...

Portanto, para que vossa caridade esteja duas vezes tingida, é preciso que esteja abrasada pelo amor de Deus e pelo do próximo, e de tal forma que não abandone a contemplação de Deus pela compaixão do próximo, ou por ocupar-se excessivamente na contemplação de Deus descuide a compaixão que deve ao próximo. Assim, todo homem que vive entre os homens busque aquele a quem ama, de modo que não abandone aquele com quem caminha, e preste-lhe auxílio de tal maneira, que, de modo algum, separe-se daquele a quem se conduz.

O amor que se deve ao próximo se subdivide em dois preceitos, pois lemos na Escritura: O que não queres para ti, não faça a ninguém. E o próprio Jesus Cristo disse: O que quiseres que os outros vos façam, fazei-o vós a eles. Portanto, se fazemos com o nosso próximo o que queremos que façam a nós, e evitamos fazer aos demais o que não queremos que nos façam, conservaremos incólumes os direitos da caridade.

Mas ninguém, pelo mero fato de amar o seu próximo, pense que já tem a caridade, mas primeiro examine a força de seu amor. Pois se alguém ama aos outros, mas não os ama por Deus, não tem a caridade, mesmo que pense o contrário. Existe a caridade verdadeira quando se ama ao amigo em Deus e ao inimigo por Deus. Ama por Deus aos seus próximos aquele que os ama, se sabe amar aos que não lhe amam. Pois a caridade costuma-se provar somente por ser contrária ao ódio. Por isso diz o Senhor: Amai aos vossos inimigos, fazei o bem aos que vos odeiam. Assim, pois, ama com segurança aquele que ama por Deus e aquele de quem sabe que não é amado.

São Gregório, o Grande, Papa de Roma (séc. VII) 
  
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terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

37ª Terça-feira Depois de Pentecostes

05 de Fevereiro de 2019 (CC) - 23 de Janeiro (CE)
Santo Mártir Clemente, Bispo de Ankara;
Santo Mártir Agatângelos Dionisio de
Monte AthosS; Genádios, Monge de Kostroma
Modo 3



O Hieromártir Clemente nasceu na cidade Galaciana de Ancira no ano 258, filho de um pai pagão e de uma mãe cristã. Na infância Clemente perdeu seu pai, e aos doze anos de idade também sua mãe, que previu para ele a morte de um mártir por crer em Cristo. Uma mulher que o adoptou, chamada Sofia, criou-o com medo de Deus. Durante o tempo de uma terrível fome na Galácia, vários pagãos expulsaram seus próprios filhos, não tendo os meios para alimentá-los, e Sofia reuniu também estes pobres, alimentou-os e vestiu-os, e São Clemente a ajudou nisso. Ele ensinou as crianças e as preparou para o Santo Batismo. Muitos deles morreram como mártires pela fé em Cristo.  
Por sua vida virtuosa, São Clemente foi feito Leitor, e mais tarde Diácono, e aos dezoito anos recebeu a dignidade de Presbítero, e aos vinte anos foi ordenado Bispo de Ancira. Logo depois, a perseguição aos cristãos começou sob Diocleciano (284-305). O bispo Clemente foi preso sob denúncia e também teve que responder por si mesmo. O Governador de Galácia, Dometian, tentou convencer o Santo a adorar os deuses pagãos, mas São Clemente confessou firmemente a sua fé e suportou corajosamente todas as torturas às quais o cruel oficial o sujeitou. Eles o suspenderam em uma árvore, e rasgaram seu corpo de modo que os ossos pudessem ser vistos; e também o golpearam ferozmente com paus e pedras, e o viraram sobre uma roda e queimaram-no com um fogo baixo. O Senhor preservou o seu sofredor e curou o seu corpo lacerado. Em seguida, Domécio enviou o Santo para Roma para o próprio imperador Diocleciano, com um relatório de que o Bispo Clemente tinha sido ferozmente torturado, mas tinha se mostrado inflexível. Diocleciano, vendo o mártir completamente saudável, não acreditou no relatório e sujeitou-o a torturas ainda mais cruéis, e, em seguida, trancou-o na prisão.  
Muitos dos pagãos, vendo a bravura do Santo e a milagrosa cura de suas feridas, creram em Cristo. As pessoas na prisão se reunião a São Clemente em busca de orientação, cura e batismo, de modo que a prisão foi literalmente transformada em uma igreja. Muitas dessas pessoas, quando denunciadas, foram executadas pelo Imperador. Diocleciano, impressionado com a incrível resistência de São Clemente, o enviou para Nicomédia para seu Co-Imperador Maximiano.  
No navio ao longo do caminho, o Santo foi acompanhado por seu discípulo Agatângelo, que tinha escapado ser executado com os outros confessores, e que agora queria sofrer e morrer por Cristo juntamente com o Bispo Clemente. 
O Imperador Maximiano, por sua vez, enviou São Clemente e Agatângelo para o Governador Agripina, que os sujeitou a tais tormentos desumanos, que mesmo entre os espectadores pagãos havia uma sensação de pena para com os mártires, que eles começaram a apedrejar os torturadores. 
Tendo sido libertados, os santos curaram um habitante da cidade com uma imposição de mãos e batizaram e instruíram as pessoas, unindo-se a eles em multidões. Preso novamente por ordem de Maximiano, foram enviados para casa para a cidade de Ancira, onde o Príncipe Ancira Cyrenius os mandou torturar, e então os despachou para a cidade de Amásia para o oficial Domécio, conhecido por sua crueldade especial. 
Santo Agatângelos  
Na Amásia, os mártires foram atirados em cal derretida, passaram um dia inteiro nela e permaneceram ilesos. Esfolaram a pele, espancaram-nos com varetas de ferro, puseram-nos em camas quentes e derramaram enxofre. Tudo isso falhou em prejudicar os santos, e eles foram enviados para Társis para novas torturas. No deserto, ao longo do caminho, São Clemente na oração teve a revelação de que sofreria ainda por mais 28 anos pelo nome de Cristo. E depois, tendo sofrido uma multidão de torturas, os santos foram encerrados na prisão. 
Após a morte de Maximiano, Santo Agatângelo foi decapitado com a espada. Os cristãos de Ancira libertaram São Clemente da prisão e levaram-no para uma igreja das cavernas. Ali, depois de celebrar a Liturgia, o Santo anunciou aos fiéis o fim iminente da perseguição e o seu próprio fim que se aproximava. O santo mártir logo foi morto por soldados da cidade, que invadiram a Igreja. Eles decapitaram o santo enquanto este ofertava a Deus a santa oblação, no ano 312. 
São Genádios 
São Genádios, da cidade de Kostroma, foi batizado com o nome de Gregório. Nasceu na cidade de Mogilev, na Lituânia em uma família russo-lituana muito rica. Desde sua juventude se distinguia por sua devoção. Gostava de ir à Igreja e cumpria rigorosamente os tempos de jejum; por isso seus amigos riam dele. 
Desejando dedicar sua vida exclusivamente a Deus, deixou secretamente a casa de seus pais e, vestido como um pobre foi para Rússia onde visitou Moscou e Novgorod, mas não encontrou um monastério de acordo com suas necessidades espirituais. Foi então para o rio Svir onde se encontrava o venerável Alexandre, o qual lhe recomendou que fosse ao bosque de Vologodsk onde vivia o venerável Cornélio de Comel. Lá, após algum tempo, recebeu o hábito monástico de Cornélio, adquirindo o nome de Genádios. 
Algum tempo depois, os veneráveis Cornélio e Genádios partiram para o lago Surskoe, próximo do rio Kostroma. Ali fundaram um monastério com duas igrejas. Mais tarde, este monastério passou a se chamar Monastério de Genádios. São Genádios trabalhava incansavelmente, fazendo os pães (Prósforas) para a Liturgia, cortando lenha, cavando lagos com a irmandade etc. Para crescer espiritualmente, sempre usava as correntes de asceta. Gostava muito de escrever ícones com os quais adornava as paredes das igrejas de seu monastério. Por sua vida devota, recebeu de Deus o dom da profecia e da cura. 
Estando em Moscou, profetizou que a filha de Boyardo Roman Zajarin, Anastácia Romanov, seria czarina. Tempos depois, Anastácia tornou-se esposa do czar João, o Terrível. O mesmo czar João, o Terrível pediu ao venerado Genádios que fosse padrinho de sua filha. Genádios também curou o Bispo Cipriano de Vologda de uma doença mortal. Faleceu no ano de 1565 e no a no de 1644 foram encontradas suas relíquias que foram trasladadas para a Igreja da Transfiguração de seu monastério. O Venerável Gennádios escreveu «Instruções de um pai espiritual a um monge recém ordenado» e «Testamento espiritual». 
O Sexto Concílio Ecumênico 
O sexto Concílio Ecumênico foi convocado pelo Imperador Constantino Pogonato (668-685) em Constantinopla no ano 681 para tratar da heresia Monotelita. Estavam presentes 171 Santos Padres, que afirmaram a confissão de fé a respeito das duas vontades em Jesus Cristo – a Divina e a humana. 
Dando continuidade ao trabalho deste Concílio um outro Concílio foi realizado no ano de 691, nos palácios imperiais, chamado de Concílio de Trullo. O Concílio também decretou 102 cânones sobre a ordem e a disciplina do clero. 



Oração Antes de Ler as Escrituras
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!

Tiago 3:1-10

Meus irmãos, muitos de vós não sejam mestres, sabendo que receberemos mais duro juízo. Porque todos tropeçamos em muitas coisas. Se alguém não tropeça em palavra, o tal é perfeito, e poderoso para também refrear todo o corpo. Ora, nós pomos freio nas bocas dos cavalos, para que nos obedeçam; e conseguimos dirigir todo o seu corpo. Vede também as naus que, sendo tão grandes, e levadas de impetuosos ventos, se viram com um bem pequeno leme para onde quer a vontade daquele que as governa. Assim também a língua é um pequeno membro, e gloria-se de grandes coisas. Vede quão grande bosque um pequeno fogo incendeia. A língua também é um fogo; como mundo de iniqüidade, a língua está posta entre os nossos membros, e contamina todo o corpo, e inflama o curso da natureza, e é inflamada pelo inferno. Porque toda a natureza, tanto de bestas feras como de aves, tanto de répteis como de animais do mar, se amansa e foi domada pela natureza humana; Mas nenhum homem pode domar a língua. É um mal que não se pode refrear; está cheia de peçonha mortal. Com ela bendizemos a Deus e Pai, e com ela amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus. De uma mesma boca procede bênção e maldição. Meus irmãos, não convém que isto se faça assim.

Marcos 11:11-23


E Jesus entrou em Jerusalém, no templo, e, tendo visto tudo em redor, como fosse já tarde, saiu para Betânia com os doze. E, no dia seguinte, quando saíram de Betânia, teve fome. E, vendo de longe uma figueira que tinha folhas, foi ver se nela acharia alguma coisa; e, chegando a ela, não achou senão folhas, porque não era tempo de figos. E Jesus, falando, disse à figueira: Nunca mais coma alguém fruto de ti. E os seus discípulos ouviram isto. E vieram a Jerusalém; e Jesus, entrando no templo, começou a expulsar os que vendiam e compravam no templo; e derrubou as mesas dos cambiadores e as cadeiras dos que vendiam pombas. E não consentia que alguém levasse algum vaso pelo templo. E os ensinava, dizendo: Não está escrito: A minha casa será chamada, por todas as nações, casa de oração? Mas vós a tendes feito covil de ladrões. E os escribas e príncipes dos sacerdotes, tendo ouvido isto, buscavam ocasião para o matar; pois eles o temiam, porque toda a multidão estava admirada acerca da sua doutrina. E, sendo já tarde, saiu para fora da cidade. E eles, passando pela manhã, viram que a figueira se tinha secado desde as raízes. E Pedro, lembrando-se, disse-lhe: Mestre, eis que a figueira, que tu amaldiçoaste, se secou. E Jesus, respondendo, disse-lhes: Tende fé em Deus; Porque em verdade vos digo que qualquer que disser a este monte: Ergue-te e lança-te no mar, e não duvidar em seu coração, mas crer que se fará aquilo que diz, tudo o que disser lhe será feito.

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COMENTÁRIO

A leitura do Evangelho de hoje faz saltar aos nossos olhos uma faceta de Cristo pouco lembrada e até mesmo negada por muitos cristãos: a severidade e a virilidade, pois geralmente se concebem tais características como incompatíveis com a natureza do amor, principalmente quando este é compreendido única e pragmaticamente numa dimensão romântica.

O ícone denominado “Pantokrator do Sinai” (obra datada do sec. IV e preservada pelo Mosteiro de Santa Catarina, no monte Sinai) chama muita atenção, além de sua beleza, pela estranha pintura dos olhos de Cristo, que nesta tela se apresentam desenhados de formas distintas e assimétricas. Esta disposição faz com que uma de suas faces lhe confira um semblante severo e a outra uma aparência tenra. São os olhares da justiça e da misericórdia, as quais em Cristo não são realidades divergentes, mas convergentes, conforme está escrito no Salmo 84(85): “A misericórdia e a verdade se encontraram: a justiça e a paz se beijaram” (Sl 84:10).

O episódio narrado pelo Evangelista São Marcos da maldição da figueira é uma figuração teológica da nação de Israel, que regada e adubada pelos Patriarcas, por Moisés e todos os Profetas foi encontrada estéril e sem fruto quando o Emanuel lhe veio visitar. Por isto João Batista clamava: “O machado está posto na raiz das árvores e toda árvore que não der fruto será cortada e lançada ao fogo”. A observação que são Marcos faz de que não havia frutos na figueira por ainda não ser o tempo de figos, representa a chegada repentina e inesperada do Reino de Deus e do Seu Juízo. A figueira, a oliveira e a videira sempre foram usadas pelos Profetas do Velho Testamento como símbolos de Israel.

O Templo transformado em camelódromo (mercado público) exemplifica a perversão religiosa existente em Israel; e a ação viril de Cristo, o juízo devastador que cairia sobre eles, não ficando “pedra sobre pedra” quando os Romanos devastaram Jerusalém, no ano 70 dc, pondo definitivamente um fim ao culto judaico, fazendo assim, cessar o sacrifício e a possibilidade de perdão, conforme a Antiga Aliança. Assim, São Paulo adverte: “Considerai, pois, a bondade e a severidade de Deus”. E São Tiago, o irmão do Senhor, no trecho de sua Epístola que hoje lemos, se mostra cuidadoso para que os mestres cristãos não repitam os mesmos erros dos judeus, lembrando que os mestres sofrem juízo mais severo do que os demais e, que a habilidade no falar deve estar conjugada a uma disciplina pessoal capaz de subjugar as paixões que atuam na natureza humana.

Pe. Mateus (Antonio Eça)


ORAÇÃO

Guarda, Senhor, a minha alma, e livra-me; não me deixes abatido, porquanto confio em Ti. Preservem-me a inocência e a retidão, porquanto espero em Ti. Salmo 24:20,21 (25:20,21)