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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Sexta-feira do Publicano e do Fariseu

06 de Fevereiro de 2026 (CC) - 24 de Janeiro (CE)S. 
Xênia de Roma, monja († séc. V);
Xênia, de São Petersburgo, Louca de Cristo (Séc. XVIII)
Tom 1

Santa Xênia era filha única do ilustre senador romano, Eusébio. Embora ainda muito jovem, decidiu permanecer virgem e para evitar o casamento, partiu rumo a Alexandria, juntamente com dois escravos. Uma vez lá, convenceu a seus acompanhantes de a chamarem Xênia, que em grego significa «peregrina», dificultando assim ser encontrada. 
Quando se encontrou com o abade do Monastério do Santo Apóstolo André, na cidade de Mileto (em Caria), ela me pediu para que a levasse, juntamente com seus acompanhantes, à cidade de Milas. Xênia comprou um terreno e construiu uma igreja dedicada a Santo Estevão, organizando junto um monastério para mulheres. Logo, por sua vida exemplar, o bispo de Milas a elevou à dignidade de diaconisa. Verdadeiramente, Xênia levava uma vida angelical. Amava a todos, prestava ajuda a todos na medida do que lhe era possível. Era uma benfeitora dos pobres, consolava os aflitos e sofredores e, para os pecadores, uma mãe espiritual. Por sua profunda humildade, se considerava a si mesma como a pior e a mais pecadora de todos. Santa Xênia ajudou a salvar muitas almas. Ele morreu na segunda metade do século V. Durante a sua morte, ocorreram sinais miraculosos. 
Tropárion, Tom 8: Em ti, Mãe, está precisamente preservado aquilo que há em nós à imagem de Deus: / pois, tendo tomado a tua cruz, seguiste a Cristo / e, com obras, ensinaste-nos a desprezar a carne como transitória / e a cuidar da alma, criação imortal. // Portanto, Venerável Xenia, o teu espírito se alegra com os anjos.

Kondákion, Tom 2: Celebrando a memória da tua peregrinação, Xenia (Xenia do grego ξένος, "ksenos", "chenos" – estrangeira), nós ternamente te honramos e cantamos louvores a Cristo,  / que em todas as coisas te concede o poder de cura. // Ore a Ele em todo o tempo, por todos nós.
Xênia, de São Petersburgo, Louca de Cristo  

Nasceu por volta de 1730 e, muito jovem, se casou com um coronel do exército chamado Andrei, um homem bonito e atormentado que gostava de vida mundana. 
Quando tinha vinte e seis anos, seu marido morreu de repente depois de beber com seus amigos, deixando Xênia uma viúva sem filhos. Logo depois, ela distribuiu todas as suas posses e desapareceu de São Petersburgo por oito anos; acredita-se que ela passou o tempo em um eremitério, ou mesmo em um mosteiro, aprendendo os caminhos da vida espiritual. Quando voltou para São Petersburgo, ela pareceu ter perdido o motivo de viver: vestia-se com o casaco do exército do marido e só respondia ao nome dele. Xênia passou a morar na rua, vagando pelas vias da cidade, zombada e abusada por muitos. Ela recebia esmolas de pessoas de caridade, mas imediatamente as entregava aos pobres; sua única comida vinha das refeições que às vezes aceitava daqueles que a conheciam. À noite, se retirava para um campo fora da cidade onde se ajoelhsvs em uma oração até a manhã. 
Lentamente, as pessoas da cidade observaram sinais de uma santidade que subjazia sua vida aparentemente perturbada: ela mostrou um dom de profecia, e sua própria presença quase sempre provava ser uma benção. O Synaxarion diz: 
"A bênção de Deus parecia acompanhá-la onde quer que ela fosse... Então, a compaixão, em pouco tempo, deu lugar à veneração, e as pessoas geralmente a consideraram como o verdadeiro anjo da guarda da cidade ". 
Tropárion, Tom 4: Tendo rejeitado a vaidade do mundo terreno, aceitaste a cruz de uma vida errante e sem lar; não tiveste medo das tristezas, das privações ou do ridículo humano, mas vieste conhecer o amor de Cristo, com o Qual agora te deleitas no Céu, ó bem-aventurada Xenia, sábia em Deus, rogai pela salvação de nossas almas.

Kondákion, Tom 3: Tendo estado na terra como estrangeira, / ansiando pela Pátria Celestial, / uma tola entre os rebeldes e infiéis, / sendo reconhecida como sábia e santa pelos Fiéis, / e por Deus com glória e honra, tu será coroada, / ó, Ksenia, corajosa e piedosa! / Por esta razão a ti bradamos: // Rejubila-te, pois após tua jornada na terra, estás em casa com o Pai.

Oração
Ó santa de Deus, bem-aventurada Xenia! Olha com misericórdia para nós, servos de Deus (Nomes), que oramos ternamente diante do teu venerado ícone e pedimos a tua ajuda e intercessão. Eleva as tuas fervorosas orações ao Senhor nosso Deus e pede o perdão dos nossos pecados para as nossas almas. Pois nós, com coração contrito e espírito humilde, invocamos a tua intercessora misericordiosa junto ao Mestre e livro de orações para nós, pecadores, pois recebeste Dele a graça de interceder por nós e nos livrar das aflições. Suplicamos-te, portanto, que não nos desprezes, a nós, indignos, que oramos a ti e pedimos a tua ajuda, e que busques tudo o que for útil para a salvação de todos, para que, por meio das tuas orações ao Senhor Deus, tendo recebido graça e misericórdia, possamos glorificar a Fonte e Doador de todos os bens e o Deus Único, glorificado na Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém.

Oração Antes de Ler as Escrituras 
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!

1 João 2:7-17

Amados, não vos escrevo mandamento novo, mas um mandamento antigo, que tendes desde o princípio. Este mandamento antigo é a palavra que ouvistes. Contudo é um novo mandamento que vos escrevo, o qual é verdadeiro nele e em vós; porque as trevas vão passando, e já brilha a verdadeira luz. Aquele que diz estar na luz, e odeia a seu irmão, até agora está nas trevas. Aquele que ama a seu irmão permanece na luz, e nele não há tropeço. Mas aquele que odeia a seu irmão está nas trevas, e anda nas trevas, e não sabe para onde vai; porque as trevas lhe cegaram os olhos. Filhinhos, eu vos escrevo, porque os vossos pecados são perdoados por amor do seu nome. Pais, eu vos escrevo, porque conheceis aquele que é desde o princípio. Jovens, eu vos escrevo, porque vencestes o Maligno. Eu vos escrevi, meninos, porque conheceis o Pai. Eu vos escrevi, pais, porque conheceis aquele que é desde o princípio. Eu escrevi, jovens, porque sois fortes, e a palavra de Deus permanece em vós, e já vencestes o Maligno. Não ameis o mundo, nem o que há no mundo. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não vem do Pai, mas sim do mundo. Ora, o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus, permanece para sempre.

Marcos 14:3-9

Fragmento 63 - Naquela ocasião, Jesus estava em Betânia, reclinado à mesa em casa de Simão, o leproso, chegou uma mulher que trazia um vaso de alabastro cheio de bálsamo de nardo puro, de grande valor; e, quebrando o vaso, o derramou sobre Sua cabeça. E alguns houve que, indignados em si mesmos, diziam: “Por que se fez este desperdício de unguento? Pois podia ser vendida por mais de trezentos dinheiros, e ser dada aos pobres”; e murmuravam contra ela. Então, disse Jesus: “Deixai-a, por que a molestais? Ela fez uma boa ação para Comigo. Porque sempre tendes os pobres convosco e, quando quiserdes, podeis fazer-lhes bem; mas a Mim, nem sempre Me tendes. Ela fez o que pôde: Ela veio antecipadamente para ungir Meu corpo para o sepultamento. Em verdade vos digo que, onde quer que este Evangelho for pregado, em todo o mundo, também o que ela fez será contado para memória sua”.
† † †

ENSINO DOS SANTOS PADRES



"Maria ungiu os pés de Jesus com uma libra de perfume de nardo puro, de alto preço, e enxugou-Lhos com os seus cabelos. A casa encheu-se com a fragrância do perfume."Eis o fato histórico; procuremos o simbólico. Sejas tu quem fores, se quiseres ser uma alma fiel, unge com Maria os pés do Senhor com perfume. Esse perfume é a retidão. […] Deita perfume sobre os pés do Senhor. Segue as pegadas do Senhor com uma vida santa. Enxuga os seus pés com os teus cabelos: se tens coisas supérfluas, dá-as aos pobres e assim terás enxugado os pés do Senhor. […] Talvez os pés do Senhor na terra sejam os necessitados. Pois não é dos seus membros (Ef 5,30) que Ele dirá no fim do mundo: «Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a Mim mesmo o fizestes» (Mt 25,40)?

"A casa encheu-se com a fragrância do perfume." Quer dizer, o mundo encheu-se da boa reputação desta mulher, porque o bom odor é como a boa reputação. Aqueles que associam o nome de cristãos a uma vida desonesta injuriam a Cristo […]; se o nome de Deus é blasfemado por esses maus cristãos, ele é, pelo contrário, louvado e glorificado pelos bons: "somos em toda a parte o bom odor de Cristo" (2Cor 2,14-15). E diz também o Cântico dos Cânticos: "A tua fama é odor que se difunde" (1,3).

Bem-aventurado Agostinho, Bispo de Hypona (Séc, IV-V)



A esposa do Cântico dos Cânticos diz: "o meu nardo dá o seu perfume" (1,12) [...]; mas podemos ler também "o Seu perfume". [...] A esposa aproximou-se do Esposo, ungiu-O com os seus unguentos e, surpreendentemente, foi como se o nardo não tivesse dado perfume enquanto estava nas mãos da esposa, mas o desse ao entrar em contacto com o corpo do Esposo — de sorte que, segundo parece, não foi tanto Ele que recebeu o perfume do nardo mas foi antes o nardo que o recebeu, como se viesse d'Ele. [...]

Apresentamos aqui a esposa Igreja, na pessoa de Maria: diz-se que ela trazia uma libra de nardo de alto preço e que ungiu os pés de Jesus, enxugando-os depois com os cabelos e que, de certo modo, também ela recebeu, através dos cabelos, um perfume impregnado da qualidade e do poder do corpo de Jesus. [...] Ela impregnou a cabeça com um perfume requintado que vinha mais de Cristo que do nardo e disse [com a esposa]: «O meu nardo, derramado no corpo de Cristo, deu-me em troca o Seu aroma». [...]

"A casa encheu-se com a fragrância do perfume." Isso indica, seguramente, que a fragrância da doutrina que vem de Cristo e o agradável perfume do Espírito Santo encheram toda a casa deste mundo, ou a casa de toda a Igreja. Ou, pelo menos, encheram toda a casa através desta alma que recebeu a fragrância de Cristo, tendo-Lhe oferecido inicialmente o dom da sua fé como nardo puro, e recebendo, em retribuição, a graça do Espírito Santo e o agradável perfume da doutrina espiritual [...], para que também ela pudesse dizer: "Somos para Deus o bom odor de Cristo"(2Co 2,15). Ora, porque esse nardo foi cheio de fé e dum amor de grande valor, Jesus presta-lhe esta homenagem: "Praticou em Mim uma boa ação!" (Mc 14,6).

Orígenes, Presbítero de Alexandria (Séc II-III)

† † †

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2025

33ª Quinta-feira Depois de Pentecostes

06 de Fevereiro de 2025 (CC) - 24 de Janeiro (CE)S. 
Xênia de Roma, monja († séc. V);
Xênia, de São Petersburgo, Louca de Cristo (Séc. XVIII)
Tom 7

Santa Xênia era filha única do ilustre senador romano, Eusébio. Embora ainda muito jovem, decidiu permanecer virgem e para evitar o casamento, partiu rumo a Alexandria, juntamente com dois escravos. Uma vez lá, convenceu a seus acompanhantes de a chamarem Xênia, que em grego significa «peregrina», dificultando assim ser encontrada. 
Quando se encontrou com o abade do Monastério do Santo Apóstolo André, na cidade de Mileto (em Caria), ela me pediu para que a levasse, juntamente com seus acompanhantes, à cidade de Milas. Xênia comprou um terreno e construiu uma igreja dedicada a Santo Estevão, organizando junto um monastério para mulheres. Logo, por sua vida exemplar, o bispo de Milas a elevou à dignidade de diaconisa. Verdadeiramente, Xênia levava uma vida angelical. Amava a todos, prestava ajuda a todos na medida do que lhe era possível. Era uma benfeitora dos pobres, consolava os aflitos e sofredores e, para os pecadores, uma mãe espiritual. Por sua profunda humildade, se considerava a si mesma como a pior e a mais pecadora de todos. Santa Xênia ajudou a salvar muitas almas. Ele morreu na segunda metade do século V. Durante a sua morte, ocorreram sinais miraculosos.
Xênia, de São Petersburgo, Louca de Cristo  
Nasceu por volta de 1730 e, muito jovem, se casou com um coronel do exército chamado Andrei, um homem bonito e atormentado que gostava de vida mundana. 
Quando tinha vinte e seis anos, seu marido morreu de repente depois de beber com seus amigos, deixando Xênia uma viúva sem filhos. Logo depois, ela distribuiu todas as suas posses e desapareceu de São Petersburgo por oito anos; acredita-se que ela passou o tempo em um eremitério, ou mesmo em um mosteiro, aprendendo os caminhos da vida espiritual. Quando voltou para São Petersburgo, ela pareceu ter perdido o motivo de viver: vestia-se com o casaco do exército do marido e só respondia ao nome dele. Xênia passou a morar na rua, vagando pelas vias da cidade, zombada e abusada por muitos. Ela recebia esmolas de pessoas de caridade, mas imediatamente as entregava aos pobres; sua única comida vinha das refeições que às vezes aceitava daqueles que a conheciam. À noite, se retirava para um campo fora da cidade onde se ajoelhsvs em uma oração até a manhã. 
Lentamente, as pessoas da cidade observaram sinais de uma santidade que subjazia sua vida aparentemente perturbada: ela mostrou um dom de profecia, e sua própria presença quase sempre provava ser uma benção. O Synaxarion diz: 
"A bênção de Deus parecia acompanhá-la onde quer que ela fosse... Então, a compaixão, em pouco tempo, deu lugar à veneração, e as pessoas geralmente a consideraram como o verdadeiro anjo da guarda da cidade ".

Tropárion de Santa Xênia, Tom 8: Em ti, ó mãe, o que foi criado segundo a imagem de Deus foi manifestamente salvo./ Pois aceitando tua cruz seguiste a Cristo,/ e rezando aprendeste a desdenhar a carne,/ pois a transcendeste para cuidar de tua alma imortal.// Por isso, com os anjos tua alma se alegra, ó venerável Xênia.

Kondákion, Tom 2: Celebrando teu estranho memorial, ó Xênia,/ nós que te honramos com amor entoamos hinos a Cristo,/ Que te dá o poder de curar em todas as coisas./ A Ele sempre rezas em nosso favor. 

Mateus 11:27-30 Matinas
Gálatas 5:22-6:2
Lucas 6:17-23

Oração Antes de Ler as Escrituras 
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!
1 Pedro 4:12-5:5

12 Amados, não estranheis a ardente provação que vem sobre vós para vos experimentar, como se coisa estranha vos acontecesse; 13 mas regozijai-vos por serdes participantes das aflições de Cristo; para que também na revelação da sua glória vos regozijeis e exulteis. 14 Se pelo nome de Cristo sois vituperados, bem-aventurados sois, porque sobre vós repousa o Espírito da glória, o Espírito de Deus. 15 Que nenhum de vós, entretanto, padeça como homicida, ou ladrão, ou malfeitor, ou como quem se entremete em negócios alheios; 16 mas, se padece como cristão, não se envergonhe, antes glorifique a Deus neste nome. 17 Porque já é tempo que comece o julgamento pela casa de Deus; e se começa por nós, qual será o fim daqueles que desobedecem ao evangelho de Deus?  18 E se para o justo é difícil ser salvo, onde comparecerá o ímpio pecador? 19 Portanto os que sofrem segundo a vontade de Deus confiem as suas almas ao fiel Criador, praticando o bem. 1 Aos presbíteros, pois, que há entre vós, rogo eu, que sou presbítero com eles e testemunha dos sofrimentos de Cristo, e participante da glória que se há de revelar: 2 Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós, não por constrangimento, mas espontaneamente segundo a vontade de Deus; nem por torpe ganância, mas de boa vontade; 3 nem como dominadores sobre os que vos foram confiados, mas servindo de exemplo ao rebanho. 4 E, quando se manifestar o sumo Pastor, recebereis a imarcescível coroa da glória. 5 Semelhantemente vós, os mais moços, sede sujeitos aos mais velhos. E cingi-vos todos de humildade uns para com os outros, porque Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes.
   
Marcos 12:38-44

Fragmento 57 - O Senhor disse aos Seus discípulos: “Guardai-vos dos escribas, que gostam de andar com vestes compridas, e das saudações nas praças, e das primeiras cadeiras nas sinagogas, e dos primeiros assentos nas ceias; que devoram as casas das viúvas, e isso com pretexto de largas orações. Estes receberão mais grave condenação”. E, estando Jesus assentado defronte da arca do tesouro, observava a maneira como a multidão lançava o dinheiro na arca do tesouro; e muitos ricos depositavam muito. Vindo, porém, uma pobre viúva, depositou duas pequenas moedas, que valiam um kodrates. E, chamando os Seus discípulos, disse-lhes: “Em verdade vos digo que esta pobre viúva depositou mais do que todos os que depositaram na arca do tesouro; porque todos ali depositaram do que lhes sobejava, mas esta, da sua pobreza, deitou tudo o que tinha, todo o seu sustento”.

† † †

O ENSINO DOS SANTOS PADRES

“Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia”

Amadíssimos, que ninguém se vanglorie dos pequenos méritos de uma vida boa se lhe faltarem as obras de caridade; nem se refugie na falsa segurança de sua pureza corporal, quem não busca a sua purificação na esmola.

A esmola apaga o pecado, mata a morte e extingue a pena do fogo eterno. Mas quem estiver desprovido do fruto da esmola, também não poderá receber a indulgência do remunerador, pois diz Salomão: Quem fecha os ouvidos ao clamor do necessitado, não será escutado quando grite. Por isso Tobias dizia ao seu filho, incutindo-lhe os preceitos da piedade: Dá esmola dos teus bens e não sejas mesquinho. Se vês um pobre, não desvies o teu rosto, e Deus não afastará sua face de ti.

Esta virtude torna úteis todas as outras virtudes: sua união vivifica a própria fé, da qual o justo vive, e que, se não tem obras, é considerada morta: mas se é verdade que a fé é a razão de ser das obras, não é menos que as obras são a força da fé. Por isso, como diz o apóstolo, enquanto temos oportunidade, trabalhemos pelo bem de todos, especialmente pelo bem da família da fé. Não nos cansemos de fazer o bem, que, se não esmorecermos, no tempo certo colheremos.

A vida presente é tempo de semeadura, e o dia da retribuição é tempo de colheita, quando cada um recolherá uma colheita proporcionada à quantidade da semeadura. Ninguém ficará defraudado do rendimento desta messe, pois ali se atenderá tanto o volume das contribuições como a qualidade das intenções; de maneira que se equipararão os pequenos donativos procedentes de escassos rendimentos e os suntuosos de fortunas imensas.

Em consequência, amadíssimos, acatemos o que foi estabelecido pelos apóstolos. E como no próximo domingo terá “lugar a coleta, disponham-vos para a voluntária devoção, para que cada um coopere, segundo as suas possibilidades, para a sacratíssima oblação. Vossas próprias esmolas serão uma oração em vosso favor, assim como para aqueles a quem ajudareis com vossa generosidade. Assim estareis disponíveis para toda boa iniciativa, em Cristo Jesus, nosso Senhor, que vive e reina pelos séculos dos séculos. Amém.

São Gregório, o Grande, Patriarca de Roma, Séc. VII

† † †

terça-feira, 6 de fevereiro de 2024

36ª Terça-feira Depois de Pentecostes

06 de Fevereiro de 2024 (CC) - 24 de Janeiro (CE)S. 
Xênia de Roma, monja († séc. V);
Xênia, de São Petersburgo, Louca de Cristo (Séc. XVIII)
Tom 2

Santa Xênia era filha única do ilustre senador romano, Eusébio. Embora ainda muito jovem, decidiu permanecer virgem e para evitar o casamento, partiu rumo a Alexandria, juntamente com dois escravos. Uma vez lá, convenceu a seus acompanhantes de a chamarem Xênia, que em grego significa «peregrina», dificultando assim ser encontrada. 
Quando se encontrou com o abade do Monastério do Santo Apóstolo André, na cidade de Mileto (em Caria), ela me pediu para que a levasse, juntamente com seus acompanhantes, à cidade de Milas. Xênia comprou um terreno e construiu uma igreja dedicada a Santo Estevão, organizando junto um monastério para mulheres. Logo, por sua vida exemplar, o bispo de Milas a elevou à dignidade de diaconisa. Verdadeiramente, Xênia levava uma vida angelical. Amava a todos, prestava ajuda a todos na medida do que lhe era possível. Era uma benfeitora dos pobres, consolava os aflitos e sofredores e, para os pecadores, uma mãe espiritual. Por sua profunda humildade, se considerava a si mesma como a pior e a mais pecadora de todos. Santa Xênia ajudou a salvar muitas almas. Ele morreu na segunda metade do século V. Durante a sua morte, ocorreram sinais miraculosos.
Xênia, de São Petersburgo, Louca de Cristo  

Nasceu por volta de 1730 e, muito jovem, se casou com um coronel do exército chamado Andrei, um homem bonito e atormentado que gostava de vida mundana. 
Quando tinha vinte e seis anos, seu marido morreu de repente depois de beber com seus amigos, deixando Xênia uma viúva sem filhos. Logo depois, ela distribuiu todas as suas posses e desapareceu de São Petersburgo por oito anos; acredita-se que ela passou o tempo em um eremitério, ou mesmo em um mosteiro, aprendendo os caminhos da vida espiritual. Quando voltou para São Petersburgo, ela pareceu ter perdido o motivo de viver: vestia-se com o casaco do exército do marido e só respondia ao nome dele. Xênia passou a morar na rua, vagando pelas vias da cidade, zombada e abusada por muitos. Ela recebia esmolas de pessoas de caridade, mas imediatamente as entregava aos pobres; sua única comida vinha das refeições que às vezes aceitava daqueles que a conheciam. À noite, se retirava para um campo fora da cidade onde se ajoelhsvs em uma oração até a manhã. 
Lentamente, as pessoas da cidade observaram sinais de uma santidade que subjazia sua vida aparentemente perturbada: ela mostrou um dom de profecia, e sua própria presença quase sempre provava ser uma benção. O Synaxarion diz: 
"A bênção de Deus parecia acompanhá-la onde quer que ela fosse... Então, a compaixão, em pouco tempo, deu lugar à veneração, e as pessoas geralmente a consideraram como o verdadeiro anjo da guarda da cidade ".

Oração Antes de Ler as Escrituras 
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!

Tiago 3:1-10

Meus irmãos, muitos de vós não sejam mestres, sabendo que receberemos mais duro juízo. Porque todos tropeçamos em muitas coisas. Se alguém não tropeça em palavra, o tal é perfeito, e poderoso para também refrear todo o corpo. Ora, nós pomos freio nas bocas dos cavalos, para que nos obedeçam; e conseguimos dirigir todo o seu corpo. Vede também as naus que, sendo tão grandes, e levadas de impetuosos ventos, se viram com um bem pequeno leme para onde quer a vontade daquele que as governa. Assim também a língua é um pequeno membro, e gloria-se de grandes coisas. Vede quão grande bosque um pequeno fogo incendeia. A língua também é um fogo; como mundo de iniqüidade, a língua está posta entre os nossos membros, e contamina todo o corpo, e inflama o curso da natureza, e é inflamada pelo inferno. Porque toda a natureza, tanto de bestas feras como de aves, tanto de répteis como de animais do mar, se amansa e foi domada pela natureza humana; Mas nenhum homem pode domar a língua. É um mal que não se pode refrear; está cheia de peçonha mortal. Com ela bendizemos a Deus e Pai, e com ela amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus. De uma mesma boca procede bênção e maldição. Meus irmãos, não convém que isto se faça assim.

Marcos 11:11-23


E Jesus entrou em Jerusalém, no templo, e, tendo visto tudo em redor, como fosse já tarde, saiu para Betânia com os doze. E, no dia seguinte, quando saíram de Betânia, teve fome. E, vendo de longe uma figueira que tinha folhas, foi ver se nela acharia alguma coisa; e, chegando a ela, não achou senão folhas, porque não era tempo de figos. E Jesus, falando, disse à figueira: Nunca mais coma alguém fruto de ti. E os seus discípulos ouviram isto. E vieram a Jerusalém; e Jesus, entrando no templo, começou a expulsar os que vendiam e compravam no templo; e derrubou as mesas dos cambiadores e as cadeiras dos que vendiam pombas. E não consentia que alguém levasse algum vaso pelo templo. E os ensinava, dizendo: Não está escrito: A minha casa será chamada, por todas as nações, casa de oração? Mas vós a tendes feito covil de ladrões. E os escribas e príncipes dos sacerdotes, tendo ouvido isto, buscavam ocasião para o matar; pois eles o temiam, porque toda a multidão estava admirada acerca da sua doutrina. E, sendo já tarde, saiu para fora da cidade. E eles, passando pela manhã, viram que a figueira se tinha secado desde as raízes. E Pedro, lembrando-se, disse-lhe: Mestre, eis que a figueira, que tu amaldiçoaste, se secou. E Jesus, respondendo, disse-lhes: Tende fé em Deus; Porque em verdade vos digo que qualquer que disser a este monte: Ergue-te e lança-te no mar, e não duvidar em seu coração, mas crer que se fará aquilo que diz, tudo o que disser lhe será feito.

 † † †


COMENTÁRIO

A leitura do Evangelho de hoje faz saltar aos nossos olhos uma faceta de Cristo pouco lembrada e até mesmo negada por muitos cristãos: a severidade e a virilidade, pois geralmente se concebem tais características como incompatíveis com a natureza do amor, principalmente quando este é compreendido única e pragmaticamente numa dimensão romântica.

O ícone denominado “Pantokrator do Sinai” (obra datada do sec. IV e preservada pelo Mosteiro de Santa Catarina, no monte Sinai) chama muita atenção, além de sua beleza, pela estranha pintura dos olhos de Cristo, que nesta tela se apresentam desenhados de formas distintas e assimétricas. Esta disposição faz com que uma de suas faces lhe confira um semblante severo e a outra uma aparência tenra. São os olhares da justiça e da misericórdia, as quais em Cristo não são realidades divergentes, mas convergentes, conforme está escrito no Salmo 84(85): “A misericórdia e a verdade se encontraram: a justiça e a paz se beijaram” (Sl 84:10).

O episódio narrado pelo Evangelista São Marcos da maldição da figueira é uma figuração teológica da nação de Israel, que regada e adubada pelos Patriarcas, por Moisés e todos os Profetas foi encontrada estéril e sem fruto quando o Emanuel lhe veio visitar. Por isto João Batista clamava: “O machado está posto na raiz das árvores e toda árvore que não der fruto será cortada e lançada ao fogo”. A observação que são Marcos faz de que não havia frutos na figueira por ainda não ser o tempo de figos, representa a chegada repentina e inesperada do Reino de Deus e do Seu Juízo. A figueira, a oliveira e a videira sempre foram usadas pelos Profetas do Velho Testamento como símbolos de Israel.

O Templo transformado em camelódromo (mercado público) exemplifica a perversão religiosa existente em Israel; e a ação viril de Cristo, o juízo devastador que cairia sobre eles, não ficando “pedra sobre pedra” quando os Romanos devastaram Jerusalém, no ano 70 dc, pondo definitivamente um fim ao culto judaico, fazendo assim, cessar o sacrifício e a possibilidade de perdão, conforme a Antiga Aliança. Assim, São Paulo adverte: “Considerai, pois, a bondade e a severidade de Deus”. E São Tiago, o irmão do Senhor, no trecho de sua Epístola que hoje lemos, se mostra cuidadoso para que os mestres cristãos não repitam os mesmos erros dos judeus, lembrando que os mestres sofrem juízo mais severo do que os demais e, que a habilidade no falar deve estar conjugada a uma disciplina pessoal capaz de subjugar as paixões que atuam na natureza humana.

Pe. Mateus (Antonio Eça)


ORAÇÃO

Guarda, Senhor, a minha alma, e livra-me; não me deixes abatido, porquanto confio em Ti. Preservem-me a inocência e a retidão, porquanto espero em Ti. Salmo 24:20,21 (25:20,21)

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2023

Segunda-feira do Publicano e do Fariseu

06 de Fevereiro de 2023 (CC) - 24 de Janeiro (CE)
Comemoração dos Novos Mártires da Rússia
Santa Xênia de Roma, monja († séc. V);
Santa Xênia, de São Petersburgo, Louca de Cristo (Séc. XVIII)
Tom 1



Santa Xênia, de Roma
Santa Xênia era filha única do ilustre senador romano, Eusébio. Embora ainda muito jovem, decidiu permanecer virgem e para evitar o casamento, partiu rumo a Alexandria, juntamente com dois escravos. Uma vez lá, convenceu a seus acompanhantes de a chamarem Xênia, que em grego significa «peregrina», dificultando assim ser encontrada. 
Quando se encontrou com o abade do Monastério do Santo Apóstolo André, na cidade de Mileto (em Caria), ela me pediu para que a levasse, juntamente com seus acompanhantes, à cidade de Milas. Xênia comprou um terreno e construiu uma igreja dedicada a Santo Estevão, organizando junto um monastério para mulheres. Logo, por sua vida exemplar, o bispo de Milas a elevou à dignidade de diaconisa. Verdadeiramente, Xênia levava uma vida angelical. Amava a todos, prestava ajuda a todos na medida do que lhe era possível. Era uma benfeitora dos pobres, consolava os aflitos e sofredores e, para os pecadores, uma mãe espiritual. Por sua profunda humildade, se considerava a si mesma como a pior e a mais pecadora de todos. Santa Xênia ajudou a salvar muitas almas. Ele morreu na segunda metade do século V. Durante a sua morte, ocorreram sinais miraculosos. 
Tropárion - Tom 3
Vivendo a vida de um estranho no mundo, / você se afastou de todo pecado; / você abandonou confortos e honras fugazes / e se comprometeu com seu Noivo Imortal. / Gloriosa Xênia, rogai a Cristo nosso Deus que nos conceda Sua grande misericórdia.

Kontakion - Tom 2
Celebramos a memória da vida que você viveu como estrangeira no mundo, / e enquanto a honramos com amor, ó Xenia, / louvamos a Cristo, que lhe deu poder para conceder cura a todos; Eu sempre oro a Ele em nosso nome.

TROPARION, TOM 4

Tendo renunciado à vaidade do mundo terreno, / Tu tomaste a cruz de uma vida sem lar de errância; / Tu não temeste a dor, a privação, nem a zombaria dos homens, / E conheceste o amor de Cristo. / Agora, deliciando-se com este amor no céu, / Ó Xenia, a abençoada e divinamente sábia, // Rogai pela salvação de nossas almas.
Santa Xênia, de São Petersburgo, Louca de Cristo  

Nasceu por volta de 1730 e, muito jovem, se casou com um coronel do exército chamado Andrei, um homem bonito e atormentado que gostava de vida mundana. 
Quando tinha vinte e seis anos, seu marido morreu de repente depois de beber com seus amigos, deixando Xênia uma viúva sem filhos. Logo depois, ela distribuiu todas as suas posses e desapareceu de São Petersburgo por oito anos; acredita-se que ela passou o tempo em um eremitério, ou mesmo em um mosteiro, aprendendo os caminhos da vida espiritual. Quando voltou para São Petersburgo, ela pareceu ter perdido o motivo de viver: vestia-se com o casaco do exército do marido e só respondia ao nome dele. Xênia passou a morar na rua, vagando pelas vias da cidade, zombada e abusada por muitos. Ela recebia esmolas de pessoas de caridade, mas imediatamente as entregava aos pobres; sua única comida vinha das refeições que às vezes aceitava daqueles que a conheciam. À noite, se retirava para um campo fora da cidade onde se ajoelhsvs em uma oração até a manhã. 
Lentamente, as pessoas da cidade observaram sinais de uma santidade que subjazia sua vida aparentemente perturbada: ela mostrou um dom de profecia, e sua própria presença quase sempre provava ser uma benção. O Synaxarion diz: 
"A bênção de Deus parecia acompanhá-la onde quer que ela fosse... Então, a compaixão, em pouco tempo, deu lugar à veneração, e as pessoas geralmente a consideraram como o verdadeiro anjo da guarda da cidade ".


Oração Antes de Ler as Escrituras
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!

2 Pedro 1:20-2:9

20 sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação. 21 Porque a profecia nunca foi produzida por vontade dos homens, mas os homens da parte de Deus falaram movidos pelo Espírito Santo. 1 Mas houve também entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá falsos mestres, os quais introduzirão encobertamente heresias destruidoras, negando até o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição. 2 E muitos seguirão as suas dissoluções, e por causa deles será blasfemado o caminho da verdade; 3 também, movidos pela ganância, e com palavras fingidas, eles farão de vós negócio; a condenação dos quais já de largo tempo não tarda e a sua destruição não dormita. 4 Porque se Deus não poupou a anjos quando pecaram, mas lançou-os no inferno, e os entregou aos abismos da escuridão, reservando-os para o juízo; 5 se não poupou ao mundo antigo, embora preservasse a Noé, pregador da justiça, com mais sete pessoas, ao trazer o dilúvio sobre o mundo dos ímpios; 6 se, reduzindo a cinza as cidades de Sodoma e Gomorra, condenou-as à destruição, havendo-as posto para exemplo aos que vivessem impiamente; 7 e se livrou ao justo Ló, atribulado pela vida dissoluta daqueles perversos 8 (porque este justo, habitando entre eles, por ver e ouvir, afligia todos os dias a sua alma justa com as injustas obras deles); 9 também sabe o Senhor livrar da tentação os piedosos, e reservar para o dia do juízo os injustos, que já estão sendo castigados...

Marcos 13:9-13

9 Mas olhai por vós mesmos; pois por minha causa vos hão de entregar aos sinédrios e às sinagogas, e sereis açoitados; também sereis levados perante governadores e reis, para lhes servir de testemunho. 10 Mas importa que primeiro o evangelho seja pregado entre todas as nações. 11 Quando, pois, vos conduzirem para vos entregar, não vos preocupeis com o que haveis de dizer; mas, o que vos for dado naquela hora, isso falai; porque não sois vós que falais, mas sim o Espírito Santo. 12 Um irmão entregará à morte a seu irmão, e um pai a seu filho; e filhos se levantarão contra os pais e os matarão. 13 E sereis odiados de todos por causa do meu nome; mas aquele que perseverar até o fim, esse será salvo.

† † †

COMENTÁRIO

“Olhai por vós mesmos”..., é a exortação do Senhor Jesus Cristo, pois o coração humano é cheio de fantasias e ilusões, facilmente enganado por falsas perspectivas. O Cristianismo não é o caminho para garantir o sucesso, o conforto e a segurança em meio às estruturas que estribam a sociedade humana: a cobiça dos olhos, a cobiça da carne e a busca pelas glórias deste mundo. Falsos profetas têm se levantado para tentar transformar a fé cristã na “via divina” para se atingir os objetivos deste mundo. O caminho de Jesus Cristo nos põe na contramão da vida e inexoravelmente nos reserva uma cruz, aos conflitos com os poderosos deste mundo, à inadequação ao modo de vida da sociedade, a sofrer hostilização das pessoas sem Deus, a ser mau compreendidos e julgados injustamente, a perder o afeto das pessoas que nos são próximas, a ver amigos e pessoas a quem amamos nos ignorar. Sim, dias difíceis e relações conflituosas são perspectivas muito prováveis no caminho daquele que se dispõe a seguir Jesus Cristo.

Certa vez um amigo meu que é Pastor Protestante me fez o seguinte comentário:

“Eu não acredito que a Igreja Ortodoxa consiga se firmam em nossa cultura, pois ela tem uma mensagem muito impopular e um jeito estranho de ser”.

E eu lhe respondi com uma pergunta, para a qual só obtive como resposta, um olhar surpreso e um não quase que inaudível após um breve silêncio ponderativo. Eu lhe perguntara:

“Acaso você conhece algum período da história da Igreja em que ela se estabeleceu sem tensões, conflitos e inaceitabilidade?”

Vigiar significa, antes de tudo, prestar atenção nas santas palavras proféticas, pois ela desfaz as ilusões que Satanás faz surgir em nossos corações. A vigilância dispensa a preocupação e a consumação do nosso tempo com a construção de discursos bem elaborados com a finalidade de fazer a Fé parecer razoável a mente do mundo, pois o atalaia vigilante conhece muito bem as ordens e as palavras que lhes foram confiadas; a sua boca nada mais é do que os lábios pelos quais fala o Todo-Poderoso Senhor dos céus e da terra: o Pai, Filho e Espírito Santo. 

Padre Mateus (Antonio Eça)

† † †

domingo, 6 de fevereiro de 2022

33º Domingo Depois de Pentecostes

06 de Fevereiro de 2022 (CC) - 24 de Janeiro (CE)
Comemoração dos Novos Mártires da Rússia
Santa Xênia de Roma, monja († séc. V);
Santa Xênia, de São Petersburgo, Louca de Cristo (Séc. XVIII)
Tom 8



Comemoração dos Novos Mártires da Rússia
Hoje comemoramos os incontáveis milhões de fiéis que sofreram e morreram nas mãos dos ateus soviéticos. Estes incluem o czar-mártir Nicolau II e o resto da família real russa (4 de julho); Patriarca Tikhon (24 de março); Grã-duquesa Elizabeth (5 de julho); milhares de mártires, clérigos e leigos, cujos nomes são conhecidos; mas também milhões e milhões de simples crentes cujos nomes foram perdidos para a história. O número dos Novos Mártires da Rússia excede em muito todos aqueles da "Era dos Mártires", dos primeiros três séculos do cristianismo. Que sua memória seja eterna. 
A data desta comemoração foi primeiramente estabelecida pela Igreja Ortodoxa Russa fora da Rússia, em 1981, então adotada pelo Patriarcado de Moscou em 1992. Cerca de 1050 novos mártires foram glorificados pelo Patriarcado em 2000, e muitos outros devem ser reconhecidos nos próximos anos. 
Santa Xênia, de Roma 
Santa Xênia era filha única do ilustre senador romano, Eusébio. Embora ainda muito jovem, decidiu permanecer virgem e para evitar o casamento, partiu rumo a Alexandria, juntamente com dois escravos. Uma vez lá, convenceu a seus acompanhantes de a chamarem Xênia, que em grego significa «peregrina», dificultando assim ser encontrada. 
Quando se encontrou com o abade do Monastério do Santo Apóstolo André, na cidade de Mileto (em Caria), ela me pediu para que a levasse, juntamente com seus acompanhantes, à cidade de Milas. Xênia comprou um terreno e construiu uma igreja dedicada a Santo Estevão, organizando junto um monastério para mulheres. Logo, por sua vida exemplar, o bispo de Milas a elevou à dignidade de diaconisa. Verdadeiramente, Xênia levava uma vida angelical. Amava a todos, prestava ajuda a todos na medida do que lhe era possível. Era uma benfeitora dos pobres, consolava os aflitos e sofredores e, para os pecadores, uma mãe espiritual. Por sua profunda humildade, se considerava a si mesma como a pior e a mais pecadora de todos. Santa Xênia ajudou a salvar muitas almas. Ele morreu na segunda metade do século V. Durante a sua morte, ocorreram sinais miraculosos.
Santa Xênia, de São Petersburgo, Louca de Cristo  

Nasceu por volta de 1730 e, muito jovem, se casou com um coronel do exército chamado Andrei, um homem bonito e atormentado que gostava de vida mundana. 
Quando tinha vinte e seis anos, seu marido morreu de repente depois de beber com seus amigos, deixando Xênia uma viúva sem filhos. Logo depois, ela distribuiu todas as suas posses e desapareceu de São Petersburgo por oito anos; acredita-se que ela passou o tempo em um eremitério, ou mesmo em um mosteiro, aprendendo os caminhos da vida espiritual. Quando voltou para São Petersburgo, ela pareceu ter perdido o motivo de viver: vestia-se com o casaco do exército do marido e só respondia ao nome dele. Xênia passou a morar na rua, vagando pelas vias da cidade, zombada e abusada por muitos. Ela recebia esmolas de pessoas de caridade, mas imediatamente as entregava aos pobres; sua única comida vinha das refeições que às vezes aceitava daqueles que a conheciam. À noite, se retirava para um campo fora da cidade onde se ajoelhsvs em uma oração até a manhã. 
Lentamente, as pessoas da cidade observaram sinais de uma santidade que subjazia sua vida aparentemente perturbada: ela mostrou um dom de profecia, e sua própria presença quase sempre provava ser uma benção. O Synaxarion diz: 
"A bênção de Deus parecia acompanhá-la onde quer que ela fosse... Então, a compaixão, em pouco tempo, deu lugar à veneração, e as pessoas geralmente a consideraram como o verdadeiro anjo da guarda da cidade ".


Oração Antes de Ler as Escrituras
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!

MATINAS (11)

João 21:15-25

E, depois de terem jantado, disse Jesus a Simão Pedro: Simão, filho de Jonas, amas-me mais do que estes? E ele respondeu: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe: Apascenta os meus cordeiros. Tornou a dizer-lhe segunda vez: Simão, filho de Jonas, amas-me? Disse-lhe: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe: Apascenta as minhas ovelhas. Disse-lhe terceira vez: Simão, filho de Jonas, amas-me? Simão entristeceu-se por lhe ter dito terceira vez: Amas-me? E disse-lhe: Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que eu te amo. Jesus disse-lhe: Apascenta as minhas ovelhas. Na verdade, na verdade te digo que, quando eras mais moço, te cingias a ti mesmo, e andavas por onde querias; mas, quando já fores velho, estenderás as tuas mãos, e outro te cingirá, e te levará para onde tu não queiras. E disse isto, significando com que morte havia ele de glorificar a Deus. E, dito isto, disse-lhe: Segue-me. E Pedro, voltando-se, viu que o seguia aquele discípulo a quem Jesus amava, e que na ceia se recostara também sobre o seu peito, e que dissera: Senhor, quem é que te há de trair? Vendo Pedro a este, disse a Jesus: Senhor, e deste que será? Disse-lhe Jesus: Se eu quero que ele fique até que eu venha, que te importa a ti? Segue-me tu. Divulgou-se, pois, entre os irmãos este dito, que aquele discípulo não havia de morrer. Jesus, porém, não lhe disse que não morreria, mas: Se eu quero que ele fique até que eu venha, que te importa a ti? Este é o discípulo que testifica destas coisas e as escreveu; e sabemos que o seu testemunho é verdadeiro. Há, porém, ainda muitas outras coisas que Jesus fez; e se cada uma das quais fosse escrita, cuido que nem ainda o mundo todo poderia conter os livros que se escrevessem. Amém.

LITURGIA

Tropárion da Ressurreição
Tu desceste do alto dos Céus, Ó Deus misericordioso, / e aceitaste estar sepultado durante três dias, / a fim de nos libertares de nossas paixões. // Senhor, nossa via e nossa ressurreição, glória a Ti!

Tropárion de São Mateus, Tom 3
Com zelo seguiste a Cristo, o Mestre, / Que em Sua bondade apareceu aos homens na Terra, / E da alfândega te chamou para Apóstolo / e Pregador do Evangelho ao universo, /por isto honramos tua preciosa memória. / Ó divinamente eloquente, Mateus. /Roga ao Deus misericordioso // que nos conceda a remissão das transgressões e a salvação das nossas almas!

Tropárion dos Novos Mártires da Rússia, Tom 4
Ó vós, santos Hierarcas, Sacerdotes e Nobres membros da realeza, / Monges e Leigos, homens, mulheres e crianças; / vós, incontáveis novos Mártires e Confessores, / flores do prado espiritual da Rússia, / que floresceram maravilhosamente em tempos de duras perseguições / dando bons frutos para Cristo em sua resistência: / Rogai a Ele, como Aquele que vos plantou, / que liberte Seu povo de homens ímpios e maus, / e que a Igreja da Rússia / se fortaleça pelo sangue e sofrimento de seus mártires, // para a salvação de nossas almas.

Kondákion da Ressurreição
Ressuscitando do túmulo, Tu despertaste os mortos / e ergueste Adão, e Eva dançou de alegria na Tua Ressurreição, / e os confins da terra mantiveram festas triunfais / na Tua Ressurreição dentre os mortos, // Ó Tu Que És muito misericordioso.

Kondákion de São Mateus, Tom 4
Deixando os laços da alfândega para adquirir o jugo da Justiça, / tu te revelaste um sábio comerciante, rico da sabedoria do Alto. / Proclamaste a Palavra da Verdade, /e pela narrativa da hora do Juízo // despertaste as almas indolentes.

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo

Kondákion, Tom 3 (Novos Mártires da Rússia)
Hoje os novos mártires da Rússia estão com vestes brancas diante do Cordeiro de Deus, / e com os anjos cantam a Deus o hino de vitória: / “Bênção e glória e sabedoria e louvor, e honra, / e poder, e força seja ao nosso Deus // pelos séculos dos séculos. Amém."

Agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!

Hino à Virgem
Ó Admirável Protetora dos Cristãos e nossa Medianeira ante o Criador / não desprezes as súplicaS de nenhum de nós pecadores; / mas, apressa-te a auxiliar-nos como Mãe bondosa que és, / pois, te invocamos com fé. / Roga por nós junto de Deus, // tu que defendes sempre àqueles que te veneram.

Prokímenon

R. Fazei votos, e pagai-os
ao Senhor vosso Deus. (Sl. 75:11)

V. Conhecido É Deus em Judá, 
Grande É o Seu Nome em Israel. (Sl. 75:1)

1 Timóteo 4:9-15

Irmãos, esta palavra é fiel e digna de toda a aceitação; porque para isto trabalhamos e somos injuriados, pois esperamos no Deus vivo, que é o Salvador de todos os homens, principalmente dos fiéis. Manda estas coisas e ensina-as. Ninguém despreze a tua mocidade; mas sê o exemplo dos fiéis, na palavra, no trato, no amor, no espírito, na fé, na pureza. Persiste em ler, exortar e ensinar, até que eu vá. Não desprezes o dom que há em ti, o qual te foi dado por profecia, com a imposição das mãos do presbitério. Medita estas coisas; ocupa-te nelas, para que o teu aproveitamento seja manifesto a todos.

Aleluia

Aleluia, aleluia, aleluia! (3x)

Vinde, regozijemo-nos no Senhor,
cantemos as glórias de Deus, nosso Salvador!

Apresentemo-nos diante d'Ele com louvor, 
e celebremo-lo com salmos!

Lucas 19:1-10

Naquela época, Jesus entrou em Jericó. E havia um homem chamado Zaqueu, e ele era um coletor de impostos sênior e era rico. E ele tentou ver quem Jesus é, e não conseguiu por causa da multidão, porque ele era de pequena estatura. E cor-rendo na frente, ele subiu no sicômoro para vê-Lo, já que Ele tinha que ir por ali. E chegando a este lugar, Jesus olhou para cima e disse-lhe: Zaqueu, desce depressa; por hoje preciso estar na sua casa. E ele apressadamente chorou e o recebeu com alegria. E quando eles viram, todos começaram a murmurar e dizer: Ele ficou com o homem pecador. E Zaqueu levantou-se e disse ao Senhor: Eis que metade do que tenho, Senhor, dou aos pobres, e se alguma coisa forçada de alguém injusta-mente, vou compensar quatro vezes. E Jesus disse-lhe: Hoje a salvação veio a esta casa, porque ele também é filho de Abraão. Pois o Filho do Homem veio buscar e salvar o que estava perdido.

† † †

HOMILIA

Os textos de hoje nos falam de esforço e desejo. O maior inimigo destes dois é a preguiça. Os Pais do Deserto, especialmente Evágrio Pôntico, já a classificavam como uma das principais doenças da alma, uma das oito pulsões geradas a partir do pecado que nos alijam de todo o bem. Geralmente a preguiça é alimentada pela gula. Todos os querem vencer a preguiça, necessitam primeiramente combater a gula.

Estas pulsões, nos ensinam também os Santos Padres, só podem ser vencidas pela Graça e a ascese, ou seja, o esforço espiritual, aquilo que São Paulo chama de “exercício da piedade”. As principais ferramentas deste combate são as orações, os jejuns, a caridade e as dignas participações da Eucaristia. Destes esforços e de seu fruto, assim nos diz São Pedro:

“Porque, se em vós houver e abundarem estas coisas, não vos deixarão ociosos nem estéreis no conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo” (2 Pedro 1:8).

Sem este combate a alma não progride. E naquele no qual este combate ou esforços estão ausentes, nos diz o mesmo Apóstolo, que o tal é “ cego, nada vendo ao longe, havendo-se esquecido da purificação dos seus antigos pecados” (2 Pedro 1:9).

O texto evangélico nos fala de Zaqueu, um homem de baixa estatura, cujo esforço e desejo lhe possibilitaram a superação de suas limitações e dos obstáculos, gerando como recompensa a Presença de Cristo em sua casa e a conquista da salvação de sua alma.

No calendário litúrgico da Igreja este texto se insere no que chamamos de “O Domingo de Zaqueu” que consiste numa preparação para vivermos a Grande Quaresma da Páscoa que é um período de intenso esforço espiritual, mas, também de grandes recompensas.

A visita de Jesus a Jericó nos mostra que a Graça de Deus visita e é oferecida a todos os homens, no entanto, assim como outrora Raabe, somente um homem teve sua salvação assegurada, como fruto de sua fé e esforço pessoal: Zaqueu (Lucas 19:8-10; Tiago 2:24). 

Na perspectiva mistagógica podemos dizer que Zaqueu aponta para a pequenez do nosso ser e incapacidade de chegar a Deus por nossos próprios recursos. A multidão aponta a dimensão do satânico. A palavra “shatam” significa “aquele que põe obstáculos, o Adversário”; assim devemos entender que o caminho para Deus é uma jornada de lutas e combates. Porém nesta jornada dispomos de recursos que o Criador nos provê para possibilitar a nossa união com Ele.

O primeiro desses recursos é o desejo. “Zaqueu desejava ver Jesus”. O desejo é uma das principais características da alma. O desejo é a força propulsora da dinâmica humana. Os Santos Padres são unânimes na afirmação de que Deus nos fez seres desejantes, pois este seria o recurso que nos possibilitaria alcançar a theósis, ou seja, a nossa semelhança com Ele. A alma anelante por Deus se vê impulsionada por uma forca capaz de vencer todo e qualquer obstáculo. E é isto que se dá com Zaqueu.

O segundo recurso é uma árvore. No Éden se encontravam duas árvores: uma que gerava a morte e outra que gerava a vida. Na Nova Jerusalém, a Jerusalém Celeste, a Árvore da Vida (Cristo) aparece nas duas margens do Rio (o Espírito Santo) que banha a Cidade; a Árvore dá doze frutos (os Apóstolos) que servem para a cura das nações (suas missões entre os povos).

Portanto, podemos dizer que o sicômoro (árvore frondosa típica da região) aponta para a Santa Tradição Apostólica (1 Tess. 2:13; 4:1; 2 Tess. 2:15), na qual uma vez apoiados, não somente poderemos ver a Cristo, mas também por Ele ser notado, ouvir a Sua voz e gozar de Sua Presença em nosso íntimo (comunhão).

A refeição que ocorre na casa de Zaqueu aponta para a Graça de Deus que nos visita e pela qual ceamos com Ele e Ele ceia conosco (Ap 3:20; João 14:23). Esta comunhão nos possibilita o despojamento dos véus que estão postos na alma, nos dando uma nítida visão daquilo que somos e nos impulsiona a buscar a conformidade (semelhança) com a Imagem de Cristo. Zaqueu confessou publicamente seus pecados e iniciou sua jornada em direção a Deus, livre das amarras que reduziam sua alma à estatura do seu corpo físico e impediam sua transfiguração na Imagem de Cristo.

Padre Mateus (Antonio Eça)

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