sábado, 31 de janeiro de 2026

34º Sábado Depois de Pentecostes

31 de Janeiro de 2026 (CC) 18 de Janeiro (CE)
Ss. Atanásio e Cirilo, Patriarcas de Alexandria (séc. IV e V)
Tom 8



Santo Atanásio nasceu entre os anos 295 e 296, no seio de uma família humilde de Alexandria. Deus lhe concedeu muitas virtudes, entre elas, uma fé profunda e uma grande capacidade intelectual, demonstrada em seus estudos. Aos 25 anos foi ordenado diácono pelo Patriarca Alexandros, de Alexandria. Participou do Primeiro Concilio Ecumênico, em Nicéia que tratou da heresia de Ário. Em 328, faleceu o Patriarca Alexandro, e Santo Atanásio foi eleito pelo clero e pelo povo como seu sucessor, contando com apenas 33 anos de idade. Iniciou um forte combate contra a heresia de Ário e, por causa disso, foi exilado cinco vezes por ordem do imperador Constantino, sofrendo toda espécie de penas. Sem dúvidas, com fé, valor e inesgotável paciência, saiu vencedor e destroçou os lobos de nossa Ortodoxia. Com diz a Sagrada Escritura: 
«Milita a boa milícia da fé, toma posse da vida eterna, para a qual também foste chamado, tendo já feito boa confissão diante de muitas testemunhas» (1Tim 6,12). 
Estas palavras se fizeram realidade na vida de Santo Atanásio que no dia 2 de maio de 373, quando estava com 75 ou 77 anos de idade, entregou sua alma a Deus. Santo Atanásio foi reconhecido com um dos grandes escritores eclesiásticos e um dos grandes Santos Padres da Igreja. 
São Cirilo
São Cirilo , nasceu em Alexandria entre 370 e 380 dC, Antes de ser ordenado presbítero, viveu vida monástica e após sua ordenação, seguiu seu tio, Teófilo, que era Bispo de Alexandria e administrou com mão firme e com prestígio a diocese Alexandrina, Com o falecimento de seu tio em 412, Cirilo foi eleito Bispo de Alexandria, governando com grande energia durante trinta e dois anos, visando sempre afirmar o seu primado em todo o Oriente, Lutou valorosamente contra as doutrinas de Nestório, que foi condenado como herege no Concílio de Éfeso (431) por defender que Maria não era mãe de Deus, mas apenas mãe de Jesus, Cirilo foi mais tarde definido “guardião da exatidão” que se deve entender como guardião da verdadeira fé e mesmo “selo dos Padres”, tendo ele escrito verdadeiras obras eruditas que visavam a defesa e explicação da fé ortodoxa. Nos anos seguintes, dedicou-se de todos os modos à defesa e ao esclarecimento da sua posição teológica até à sua morte, ocorrida no dia 27 de Junho de 444.
Tropárion dos Ss. Atanásio e Cirilo, Arcebispos de Alexandria, Tom 4
Ó Deus de nossos pais, / trate-nos sempre segundo a Tua mansidão. / Não nos prives da Tua misericórdia, / mas, pelas súplicas destes, // conduza a nossa vida em paz.

Kondákion dos Santos Hierarcas, Tom 4
Ó santos e nobres Primazes, campeões da Igreja de Cristo, / preservai todos os que vos cantam  // Salvai aqueles que vos honram com fé, ó Compassivos! 


Oração Antes de Ler as Escrituras
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!

2 Timóteo 2:11-19

Fragmento 293 - Meu filho Timóteo, fiel é esta palavra: Que, se morrermos com Ele, também com Ele viveremos; se sofrermos, também com Ele reinaremos; se O negarmos, também Ele nos negará; se formos infiéis, Ele permanece fiel; não pode negar-Se a Si mesmo. Traze estas coisas à memória, ordenando-lhes diante do Senhor que não tenham contendas de palavras, que para nada aproveitam e são para perversão dos ouvintes. Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a Palavra da Verdade. Mas evita os falatórios profanos, porque produzirão maior impiedade. E a palavra desses roerá como gangrena; entre os quais são Himeneu e Fileto; os quais se desviaram da verdade, dizendo que a ressurreição era já feita, e perverteram a fé de alguns. Todavia o fundamento de Deus fica firme, tendo este selo: 

“O Senhor conhece os que são Seus”, e: 

“Qualquer que profere o Nome de Cristo aparte-se da iniquidade”.

Lucas 18:2-8

Fragmento 88 - O Senhor falou esta parábola: “Havia numa cidade um juiz que não temia a Deus, nem considerava os homens; e havia uma viúva naquela cidade; e ela veio ter com ele, dizendo: ‘Faz-me justiça contra o meu adversário’. E ele não o quis por um tempo; mas depois disse consigo mesmo: ‘Embora eu não tema a Deus, nem tenha consideração pelos homens; contudo, porque esta viúva me perturba, eu julgarei a sua causa, para que, com a sua vinda contínua, ela não me importune’.” E o Senhor disse: “Ouvi o que diz o juiz injusto. E não fará Deus justiça aos Seus escolhidos, que clamam a Ele dia e noite, embora Ele seja tardio para com eles? Eu vos digo que prontamente Ele lhes fará justiça. Contudo, quando o Filho do Homem vier, encontrará fé na terra?”

 † † †

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

34ª Sexta-feira Depois de Pentecostes

30 de Janeiro de 2026 (CC) 17 de Janeiro (CE)
S. Antão, o Grande, anacoreta († 356)
Jejum (Peixe é permitido)
Tom 8



Santo Antão nasceu no Egito, por volta do ano 250, em uma família rica e nobre e foi educado na fé cristã. Aos 18 anos perdeu seus pais, ficando órfão com uma irmã sob sua proteção. Certo dia dirigia-se à Igreja e, enquanto caminhava, pensava nos Santos Apóstolos, em suas vidas, em como tinham deixado tudo neste mundo para seguir o Senhor e servi-Lo. Ao entrar na igreja ouviu as palavras do Evangelho: 
«Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, e segue-me» (Mt 19, 21). 
Estas palavras impressionaram Antão de tal forma como se fossem faladas pelo Senhor a ele pessoalmente. Pouco tempo depois, Antão renunciou a sua parte da herança em favor dos pobres de sua cidade, mas não sabia com quem poderia deixar sua irmã. Preocupado com isto, foi novamente à igreja e lá, novamente escuta as palavras do Salvador, como se lhe falasse diretamente: 
«Não vos inquieteis, pois, pelo dia amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal» (Mt 6, 34). 
Antão confiou a guarda de sua irmã a algumas conhecidas virgens cristãs e deixou a cidade para viver em solidão e servir unicamente a Deus.

O afastamento de Santo Antão do mundo não aconteceu de repente, mas de forma gradual. No início ele passou a viver nos arredores da cidade, na casa de um piedoso eremita, já com idade avançada, e procurava imitá-lo em sua vida. Santo Antão também visitava outros eremitas que viviam nos arredores da cidade, e seguia seus conselhos. Já nesta época, ele era tão conhecido por seus esforços espirituais, que o chamavam de «amigo de Deus». Então ele decidiu então se mudar para um lugar mais distante. Convidou o velho ermitão para acompanhá-lo. Como o ermitão tivesse se recusado, se despediu e partiu, e se instalou em uma caverna distante. Ocasionalmente, algum amigo trazia-lhe comida. Finalmente, Santo Antão afastou-se dos lugares habitados; cruzou o Nilo e se estabeleceu nas ruínas de uma fortificação militar. Levou consigo uma reserva de pão para seis meses, passando depois a receber alimentos de seus amigos através de uma abertura no teto. 
É impossível imaginar quantas tentações suportou e quanta luta teve de enfrentar este grande eremita. Ele sofria de fome e sede, frio e calor. Mas, a tentação mais terrível que um ermitão pode enfrentar, nas palavras do próprio Antão, é a nostalgia do mundo e a desordem emocional. A tudo isso se acrescente os horrores e as tentações do demônio. Frequentemente, o Devoto Santo ficava sem forças e prestes a cair em desânimo. Então se apresentava a ele o próprio Senhor ou um anjo enviado por Ele para fortalecê-lo. 
«Onde estavas, Santo Jesus, por que não vieste mais cedo para acabar com meu sofrimento?»  
Implorava Antão ao Senhor, quando, após uma terrível provação lhe apareceu o Senhor.  
«Eu estava aqui mesmo, respondeu o Senhor, e esperava ver teu esforço espiritual». 
Certa vez, durante uma luta terrível com seus pensamentos, Antão gritou: 
«Senhor, eu quero me salvar, mas meus pensamentos não me deixam fazê-lo!» 
De repente, ele viu que alguém, que se parecia com ele, trabalhava sentado em uma cadeira. Então, se levantou e rezou, e depois seguiu trabalhando. 
«Faça o mesmo e te salvarás!» Disse o Anjo do Senhor.
Já fazia 20 anos que Antão vivia em solidão, recluso, quando alguns amigos, descobrindo onde estava, vieram ao seu encontro planejando permanecer com ele. Por um longo tempo ficaram batendo na porta, suplicando a Antão que deixasse sua reclusão voluntária. Finalmente, quando pensavam arrombar a porta, ela se abriu e saiu Antão. Eles ficaram surpresos de não encontrar nele qualquer vestígio de fadiga, embora tivesse se submetido a duras provas. A paz celestial reinava em sua alma e refletia em seu rosto. Tranquilo, moderado e muito amável com todos, este ancião se tornou logo o pai e mestre de muitos. O deserto recebeu vida. Por todos os lados da montanha apareciam os refúgios dos monges. Muita gente cantava, estudava, fazia jejum, rezava, trabalhava e ajudava aos pobres. Santo Antão não impôs aos seus alunos as regras especiais para a vida monástica. Ele estava preocupado apenas em fortalecer neles um devoto estado de ânimo, e lhes inspirava a fidelidade à vontade de Deus, à oração, à renúncia a todas as coisas terrenas e o trabalho incessante. Mas a vida no deserto entre as pessoas, pesava demais para Santo Antão, e ele começou a procurar um novo isolamento. 
 «Para onde queres fugir?» Ouviu de uma voz do céu, quando, na costa do rio Nilo, ele estava esperando o barco para se afastar para longe do povo.
«Alta Tebaida», disse Antão. Mas a mesma voz respondeu:
«Então, estás planejando ir para o alto da Tebaida ou para baixo, na Bucolia; pois não encontrarás tranquilidade em nenhum desses lugares. Vá para o interior do deserto – assim se chamava o deserto localizado perto do Mar Vermelho. Então Antão se dirigiu para lá, seguindo uma caravana.
Depois de caminhar por três dias, encontrou uma alta montanha desabitada, com uma fonte e algumas palmeiras no vale. Ali se instalou, começando a cultivar uma pequena área, de modo que ninguém precisasse mais lhe trazer pão. Ocasionalmente, visitava os eremitas. Um camelo lhe levava pão e água para manter suas forças durante essas difíceis viagens pelo deserto. No entanto, os admiradores de Santo Antão, também descobriram este seu último refúgio. Começou então a chegar muita gente que procurava por suas orações e conselhos. Traziam-lhe seus enfermos, e ele os curava com suas orações.
Já havia se passado quase 70 anos desde que Santo Antão começou a viver no deserto, quando, involuntariamente, um pensamento arrogante começou a confundi-lo. Pensava que era o mais antigo eremita que vivia no deserto. Ele pediu a Deus para que afastasse esse pensamento e teve uma revelação de que havia um ermitão que havia se instalado no deserto antes dele e que ainda estava servindo a Deus. Na manhã seguinte, levantou-se Antão muito cedo e foi em busca deste eremita desconhecido. Caminhou durante todo o dia, sem encontrar qualquer pessoa, com exceção de alguns animais que viviam no deserto. Diante dele se estendia a grandeza infinita do deserto, mas ele não perdia a esperança. Na manhã seguinte, bem cedo, prosseguiu seu caminho. De repente, viu um lobo correndo em direção a um córrego. Santo Antão se aproximou do riacho e viu uma caverna ao lado dele. Enquanto se aproximava, a porta da caverna se fechou. Durante meio dia Santo Antão passou diante daquela porta suplicando ao ancião que mostrasse seu rosto. Finalmente, a porta se abriu, saindo por ela um velho grisalho. Este homem era São Paulo de Tebas. Ele vivia no deserto há cerca de 90 anos. Depois de uma saudação fraterna, Paulo lhe perguntou como estava a humanidade. Quem estava governando? Se ainda existiam idólatras? O fim da perseguição e o triunfo do cristianismo no Império Romano foi uma notícia muito agradável para Paulo. Ao contrário, o surgimento do arianismo lhe foi uma notícia muito amarga. Enquanto conversavam, apareceu um corvo que lhe deixou um pão. 
«Quão generoso e misericordioso é o Senhor!» exclamou Paulo: «Por muitos anos ele me envia metade de um pão e agora, graças a sua visita, ele me enviou um pão inteiro». 
Na manhã seguinte, Paulo confessou a Antão que muito em breve ele deveria deixar este mundo. Por isso pediu a Antão para que lhe trouxesse a túnica do Bispo Atanásio (famoso por sua luta contra o arianismo), para que seu corpo fosse coberto com ela. Antão foi muito depressa para satisfazer o desejo deste santo ancião. Voltou ao seu deserto muito animado e, quando os irmãos monges lhe perguntavam sobre a razão da túnica, respondia: 
«Eu me considerava um monge e sou um pecador.» E: «Eu vi Elias, vi João e vi a Paulo no Paraíso!»  
E quando estava chegando ao lugar onde São Paulo de Tebas vivia, viu como ele ia subindo ao céu, entre muitos anjos, profetas e apóstolos. 
«Paulo, por que não me esperaste?» Gritou Antão. «Tão tarde eu te conheci e tão cedo te vás embora?» 
No entanto, ao entrar na caverna, encontrou Paulo ajoelhado, rezando. Antão também se ajoelhou e começou a rezar. Só depois de várias horas de oração se deu conta de que Paulo já não se movia, pois estava morto. Então, Antônio lavou piedosamente o corpo do santo e envolveu seu corpo na túnica de Santo Atanásio. De repente, apareceram dois leões que cavaram com suas garras uma tumba suficientemente profunda, onde Antônio enterrou o corpo do santo eremita.

Santo Antão morreu com idade já bastante avançada (106 anos) no ano 356, e por seus esforços espirituais mereceu ser chamado de “o Grande”. Foi o fundador da vida eremítica, que consiste em que vários eremitas vivam em celas separadas, longe um do outro e sob a direção de um Aba (que em hebraico significa pai). A vida dos eremitas se resumia em oração, jejum e trabalho. Vários eremitas reunidos sob um Abba constituíam uma Lavra. Mas, enquanto Santo Antão ainda vivia neste mundo, surgiu outro estilo de vida monástica. Eles se uniam em comunidades, trabalhando juntos, cada um segundo suas capacidades. Também compartilhavam a refeição e eram subordinados às mesmas regras. Estas comunidades foram chamadas de “comunidades monásticas”ou “mosteiros”. Os Abbas dessas comunidades passaram a se denominar arquimandritas. O fundador da vida comunitária dos monges foi São Pacômio, o Grande.
 
Tropárion, Tom 4: Imitando o caráter do zeloso Elias, / seguindo o Batista nos caminhos retos, / Pai Antônio, / tu te tornaste um habitante do deserto, / e fortaleceste o universo com tuas orações. / Portanto, ora a Cristo Deus, // para que nossas almas sejam salvas.

Kondákion, Tom 2: Tendo deixado de lado as preocupações da vida, / terminaste a tua vida serenamente, / imitando em tudo o Batista, ó Venerável! / Honramos-te com ele, ó Antão, Pai dos Pais!
Leituras: Mateus 11:27-30 (Matinas); Hebreus 13:17-21; Lucas 6:17-23 


Oração Antes de Ler as Escrituras
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!

2 Pedro 1:1-10

Fragmento 64 - Simão Pedro, servo e Apóstolo de Jesus Cristo, aos que conosco alcançaram fé igualmente preciosa pela justiça do nosso Deus e Salvador Jesus Cristo: Graça e paz vos sejam multiplicadas, pelo conhecimento de Deus, e de Jesus nosso Senhor. Visto como o Seu divino poder nos deu tudo o que diz respeito à vida e piedade, pelo conhecimento d’Aquele que nos chamou pela Sua glória e virtude; pelas quais Ele nos tem dado grandíssimas e preciosas promessas, para que por elas fiqueis participantes da natureza divina, havendo escapado da corrupção, que pela concupiscência há no mundo. E vós também, pondo nisto mesmo toda a diligência, acrescentai à vossa fé a virtude, e à virtude a ciência, e à ciência a temperança, e à temperança a paciência, e à paciência a piedade, e à piedade o amor fraternal, e ao amor fraternal a caridade. Porque, se em vós houver e abundarem estas coisas, não vos deixarão ociosos nem estéreis no conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo; pois aquele em quem não há estas coisas é cego, nada vendo ao longe, havendo-se esquecido da purificação dos seus antigos pecados. Portanto, irmãos, esforçai-vos cada vez mais para confirmar vossa vocação e eleição, porque, fazendo isto, jamais tropeçareis.

Marcos 13:1-8

Fragmento 58 -
Naquela época, saindo Ele do templo, disse-Lhe um dos Seus discípulos: “Mestre, olha que pedras e que edifícios!” E Jesus, respondendo, disse-lhe: “Vês estes grandes edifícios? Não ficará pedra sobre pedra, que não seja derribada”. E, estando Ele sentado no Monte das Oliveiras, defronte do Templo, Pedro, Tiago, João e André Lhe perguntaram em particular: “Dize-nos, quando essas coisas acontecerão? E qual será o sinal quando todas essas coisas forem cumpridas?” E Jesus, respondendo-lhes, começou a dizer-lhes: “Acautelai-vos, que ninguém vos engane. Porque muitos virão em Meu Nome, dizendo: ‘Eu sou o Cristo’; e enganarão a muitos. Quando ouvirdes falar de guerras e rumores de guerras, não vos perturbeis, porque é necessário que tais coisas aconteçam, mas ainda não será o fim. Porque nação se levantará contra nação, e reino contra reino; e haverá terremotos em vários lugares, e haverá fomes e tribulações; estas coisas são o princípio das dores”.

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A DEIFICAÇÃO

“Deificação” é uma antiga palavra teológica, usada para descrever o processo pelo qual um cristão vai se tornando cada vez mais semelhante a Deus. São Pedro fala desse processo quando escreve:

"Visto como o seu divino poder nos tem dado tudo o que diz respeito à vida e à piedade... para que por elas vos torneis participantes da natureza divina..." (2 Pd. 1: 3, 4).

O que significa participar da natureza divina, e como experimentamos isso? Antes de darmos uma resposta, vamos primeiro abordar o que deificação não é, e depois descrever o que é.

O Que A Deificação Não É. 

Quando somos chamados a buscar a piedade, a nos assemelhar mais a Deus, isso não significa que os seres humanos se tornem iguais a Deus. Não nos tornamos como Deus em Sua Essência. Isto não seria apenas heresia, como, também, impossível; pois, desde nossas origens somos humanos e sempre o seremos. Não podemos assumir a natureza (essência) de Deus.

São João de Damasco faz uma observação notável. A palavra "Deus" nas Escrituras não se refere à natureza divina enquanto essência, pois Sua Essência é incognoscível. "Deus" refere-se às Energias divinas - o poder e a graça de Deus que podemos perceber neste mundo. O termo grego para “Deus” (theos), vem de um verbo que significa "correr", "ver" ou "queimar". Estas palavras sugerem, por assim dizer, uma energia (ação, força dinâmica), e não “essência”.

Em João 10:34, Jesus, citando o Salmo 81:6: "Vós sois deuses". Ele estava falando com um grupo de líderes religiosos hipócritas que O acusavam de blasfêmia, dando um claro sentido duplo à tal afirmação. Ora, Jesus não está usando "deus" para se referir à “Essência” de Deus. Somos deuses na medida em que nós carregamos a Sua imagem, não a Sua Essência.

O Que É Deificação? 

Deificação significa que devemos nos tornar mais semelhantes a Deus através da Sua graça ou energias divinas. Na criação, os seres humanos foram feitos à imagem e semelhança de Deus (Gn 1:26), de acordo com a natureza humana. Em outras palavras, a humanidade por é, por natureza, um ícone ou deidade. A imagem divina está em toda a humanidade. Por meio do pecado, porém, esta imagem de Deus foi borrada, e nós caímos.

Quando o Filho de Deus assumiu nossa humanidade no seio da bem-aventurada Virgem Maria, o processo de nosso ser, renovado à imagem e semelhança de Deus, foi reiniciado. Assim, aqueles que estão unidos a Cristo no Santo Batismo, através da fé, iniciam um processo de recriação, sendo renovados à imagem e semelhança de Deus. Nós nos tornamos, como escreve São Pedro, "participantes da natureza[1] divina" (1:4).

Por causa da Encarnação do Filho de Deus, e porque a plenitude de Deus habitou a carne humana, sendo unida a Cristo, significa que é novamente possível experimentar a deificação, a realização do nosso destino humano. Ou seja, através da união com Cristo, nos tornamos pela graça, o que Deus É por natureza (energia) - "nos tornamos filhos de Deus" (João 1:12). Sua divindade interpenetra nossa humanidade.

Historicamente, a deificação tem sido muitas vezes ilustrada pelo exemplo de uma espada no fogo. Uma espada em aço, que é submetida a um fogo quente até que a espada assuma um brilho vermelho. A energia do fogo interpenetra a espada. A espada nunca se torna fogo, mas pega as propriedades do fogo. Da mesma forma, as energias divinas interpenetram a natureza humana de Cristo. Quando estamos unidos a Cristo, nossa humanidade está interpenetrada com as energias de Deus através da Carne glorificada. Alimentados pelo Corpo e pelo Sangue de Cristo, participamos da graça de Deus: Sua força, Sua justiça, Seu amor, e nos tornamos capacitados a servi-Lo.

Artigo extraído da “Orthodox Study Bible,
Adaptado pelo Pe. Mateus (Antonio Eça) 

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

34ª Quinta-feira Depois de Pentecostes

29 de Janeiro de 2026 (CC) 16 de Janeiro (CE)
Veneração das Cadeias de S. Pedro Apóstolo
Ss. Mártires Espeusipo, Eleusipo, Meleusipo, sua avó Leonila, 
e com eles Neon, Turvon e Jovillas (161–180)
Tom 8



Neste dia, comemoramos e honramos as correntes do apóstolo São Pedro que as aceitou para a glória do Senhor. 
Por volta do ano 42, o apóstolo Pedro foi preso por ordem de Herodes Agripa por pregar sobre Cristo Salvador. Na prisão, ele foi acorrentado com duas correntes de ferro. Na noite anterior ao seu julgamento, um anjo do Senhor removeu as correntes do apóstolo e o libertou milagrosamente da prisão ( Atos 12:1-11 ). Os cristãos, ao ouvirem falar do milagre, pegaram as correntes e as guardaram como tesouros. Aqueles que sofriam de diversas doenças, vindo a elas com fé, eram curados. As correntes do santo apóstolo Pedro foram mantidas em Jerusalém até o patriarca Juvenal, que as entregou a Eudóxia, esposa do imperador Teodósio, o Jovem. Em 437 e 439, ela as transferiu de Jerusalém para Constantinopla. Eudóxia enviou uma das correntes para Roma, para sua filha, Eudóxia, que construiu uma igreja dedicada ao apóstolo Pedro e nela colocou as correntes. Em Roma, também havia outras correntes nas quais o apóstolo foi encontrado antes de sua morte sob o imperador Nero.

No dia 16 de janeiro, as correntes do Apóstolo Pedro são expostas para que as pessoas as venerem.
Tropárion, Tom 4: Sem ter abandonado Roma, vieste até nós, / com as preciosas correntes que usavas, ó primeiro entronizado dos Apóstolos. / Diante das quais nos curvamos com fé e oramos: / Por tuas orações a Deus, // concede-nos grande misericórdia.

Kondákion, Tom 2: Glorifiquemos o supremo e principal Apóstolo, / o verdadeiro discípulo divino, / o grande Pedro, / beijando suas correntes com fé // e recebendo o perdão dos pecados.
Textos Comemorativos:  
Atos 12:1-11; João 21:15-25  
Santos Mártires Espeusipo, Eleusipo, Meleusipo e Sua Avó Leonila
Os santos mártires Espeusipo, Eleusipo, Meleusipo e sua avó Leonila, juntamente com Neon, Turvon e Jobila, sofreram na Gália (segundo outro relato, na Capadócia) no século II, durante a perseguição de Marco Aurélio (161-180).
 
Leonila foi batizada na velhice por um dos discípulos de São Policarpo, bispo de Esmirna , e posteriormente converteu três de seus netos ao cristianismo. Os irmãos, inflamados pelo zelo pelo Senhor, destruíram ídolos e repreenderam os pagãos por sua insensatez. Os torturadores convocaram Leonila ao local da execução e ordenaram que ela persuadisse seus netos a renunciar a Cristo, mas ela se aproximou deles e os elogiou por sua coragem e firme confissão de fé. Então, os mártires foram lançados ao fogo, mas isso não lhes causou nenhum dano. Após sofrer torturas e a morte de seus netos, Santa Leonila foi decapitada. 
Santa Jovila sofreu ao seu lado. Ela testemunhou a fé inabalável dos santos mártires e professou-se cristã, abandonando o marido e o filho pequeno. Os torturadores, pendurando-a pelos cabelos, mutilaram seu corpo e a decapitaram. São Neon testemunhou os feitos heroicos dos santos irmãos e, tendo registrado seus sofrimentos, entregou seu manuscrito a Turvon. Ele próprio confessou abertamente Cristo, pelo que foi cruelmente açoitado e morreu em decorrência dos espancamentos. São Turvon, emulando os feitos heroicos dos portadores da paixão, também terminou sua vida como mártir. Esses mártires são especialmente venerados na Espanha, onde muitas igrejas são dedicadas a eles. O imperador grego Zenão transferiu as relíquias dos santos mártires para a cidade de Langres, na França.

Oração Antes de Ler as Escrituras
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!

1 Pedro 4:12-5:5

Fragmento 62 - Amados, não estranheis a ardente provação que vem sobre vós para vos experimentar, como se coisa estranha vos acontecesse; mas regozijai-vos por serdes participantes das aflições de Cristo; para que também na revelação da sua glória vos regozijeis e exulteis. Se pelo Nome de Cristo sois vituperados, bem-aventurados sois, porque sobre vós repousa o Espírito da glória, o Espírito de Deus. Que nenhum de vós, entretanto, padeça como homicida, ou ladrão, ou malfeitor, ou como quem se entremete em negócios alheios; mas, se padece como cristão, não se envergonhe, antes glorifique a Deus neste nome. Porque já é tempo que comece o julgamento pela casa de Deus; e se começa por nós, qual será o fim daqueles que desobedecem ao Evangelho de Deus?  E se para o justo é difícil ser salvo, onde comparecerá o ímpio pecador? Portanto os que sofrem segundo a vontade de Deus confiem as suas almas ao fiel Criador, praticando o bem. Aos presbíteros, pois, que há entre vós, rogo eu, que sou presbítero com eles e testemunha dos sofrimentos de Cristo, e participante da glória que se há de revelar: Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós, não por constrangimento, mas espontaneamente segundo a vontade de Deus; nem por torpe ganância, mas de boa vontade; nem como dominadores sobre os que vos foram confiados, mas servindo de exemplo ao rebanho. E, quando se manifestar o Sumo Pastor, recebereis a imarcescível coroa da glória. Semelhantemente vós, os mais moços, sede sujeitos aos mais velhos. E cingi-vos todos de humildade uns para com os outros, porque Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes.
   
Marcos 12:38-44

Fragmento 57 - O Senhor disse aos Seus discípulos: “Guardai-vos dos escribas, que gostam de andar com vestes compridas, e das saudações nas praças, e das primeiras cadeiras nas sinagogas, e dos primeiros assentos nas ceias; que devoram as casas das viúvas, e isso com pretexto de largas orações. Estes receberão mais grave condenação”. E, estando Jesus assentado defronte da arca do tesouro, observava a maneira como a multidão lançava o dinheiro na arca do tesouro; e muitos ricos depositavam muito. Vindo, porém, uma pobre viúva, depositou duas pequenas moedas, que valiam um kodrates. E, chamando os Seus discípulos, disse-lhes: “Em verdade vos digo que esta pobre viúva depositou mais do que todos os que depositaram na arca do tesouro; porque todos ali depositaram do que lhes sobejava, mas esta, da sua pobreza, deitou tudo o que tinha, todo o seu sustento”.

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O ENSINO DOS SANTOS PADRES

“Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia”

Amadíssimos, que ninguém se vanglorie dos pequenos méritos de uma vida boa se lhe faltarem as obras de caridade; nem se refugie na falsa segurança de sua pureza corporal, quem não busca a sua purificação na esmola.

A esmola apaga o pecado, mata a morte e extingue a pena do fogo eterno. Mas quem estiver desprovido do fruto da esmola, também não poderá receber a indulgência do remunerador, pois diz Salomão: Quem fecha os ouvidos ao clamor do necessitado, não será escutado quando grite. Por isso Tobias dizia ao seu filho, incutindo-lhe os preceitos da piedade: Dá esmola dos teus bens e não sejas mesquinho. Se vês um pobre, não desvies o teu rosto, e Deus não afastará sua face de ti.

Esta virtude torna úteis todas as outras virtudes: sua união vivifica a própria fé, da qual o justo vive, e que, se não tem obras, é considerada morta: mas se é verdade que a fé é a razão de ser das obras, não é menos que as obras são a força da fé. Por isso, como diz o apóstolo, enquanto temos oportunidade, trabalhemos pelo bem de todos, especialmente pelo bem da família da fé. Não nos cansemos de fazer o bem, que, se não esmorecermos, no tempo certo colheremos.

A vida presente é tempo de semeadura, e o dia da retribuição é tempo de colheita, quando cada um recolherá uma colheita proporcionada à quantidade da semeadura. Ninguém ficará defraudado do rendimento desta messe, pois ali se atenderá tanto o volume das contribuições como a qualidade das intenções; de maneira que se equipararão os pequenos donativos procedentes de escassos rendimentos e os suntuosos de fortunas imensas.

Em consequência, amadíssimos, acatemos o que foi estabelecido pelos apóstolos. E como no próximo domingo terá “lugar a coleta, disponham-vos para a voluntária devoção, para que cada um coopere, segundo as suas possibilidades, para a sacratíssima oblação. Vossas próprias esmolas serão uma oração em vosso favor, assim como para aqueles a quem ajudareis com vossa generosidade. Assim estareis disponíveis para toda boa iniciativa, em Cristo Jesus, nosso Senhor, que vive e reina pelos séculos dos séculos. Amém.

São Gregório, o Grande, Patriarca de Roma, Séc. VII

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quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

34ª Quarta-feira Depois de Pentecostes

28 de Janeiro de 2026 (CC) 15 de Janeiro (CE)
São Paulo de Tebas, no Egito (341), e São João Calabytes 
Jejum (Peixe é permitido)
Tom 1

São Paulo de Tebas nasceu no Egito, na cidade de Tebaida. Órfão, sofreu muito nas mãos de um parente ganancioso que disputava a herança de seus pais. Durante a perseguição aos cristãos por Décio (249-251), São Paulo, ao tomar conhecimento da trama traiçoeira para entregá-lo aos perseguidores, deixou a cidade e retirou-se para o deserto.

Instalando-se numa gruta ao pé da montanha, São Paulo, desconhecido de todos, viveu ali durante 91 anos, orando incansavelmente a Deus dia e noite. Subsistia de tâmaras e pão trazidos por um corvo e protegia-se do frio e do calor com roupas feitas de folhas de palmeira. Por providência divina, pouco antes da morte de São Paulo, Deus revelou a sua existência a Santo Antão, o Grande (comemorado a 17 de janeiro), que também trabalhava no deserto da Tebaida. Certo dia, Santo Antão percebeu que dificilmente havia outro eremita como ele, e então ouviu uma voz: "Antônio, há um servo de Deus mais perfeito do que tu, que se estabeleceu aqui no deserto antes de ti. Desce às suas profundezas e o encontrarás." Antão foi e encontrou a gruta de São Paulo. Depois de ensinar a Antão uma lição de humildade, São Paulo saiu ao seu encontro. Os dois se chamaram pelo nome, abraçaram-se e conversaram longamente. Durante a conversa, um corvo voou e trouxe-lhes pão. São Paulo revelou a Santo Antônio sua morte iminente e o instruiu a sepultá-lo. São Paulo repousou ajoelhado em oração. Santo Antônio viu sua alma santa ascender a Deus, rodeada por anjos, profetas e apóstolos. Dois leões saíram do deserto e cavaram uma sepultura com suas garras. Santo Antônio sepultou o santo ancião e, vestindo sua túnica de folhas de palmeira, retirou-se para seu mosteiro. Santo Antônio guardava essa túnica como a relíquia mais sagrada e a usava apenas duas vezes por ano — na Páscoa e no Pentecostes. São Paulo de Tebas morreu em 341, aos 113 anos. Ele não fundou mosteiros, mas logo após sua morte, muitos imitadores de sua vida surgiram e cobriram o deserto com mosteiros. São Paulo é considerado o pai do monasticismo ortodoxo.

No século XII, por ordem do Imperador Manuel (1143–1180), o corpo de São Paulo foi transferido para Constantinopla e colocado no Mosteiro de Peribleptos da Santíssima Mãe de Deus. Posteriormente, foi transferido para Veneza e, finalmente, para Ofei, na Hungria; parte de sua cabeça encontra-se em Roma. 
Tropárion , Tom 8: Em ti, Pai, a imagem de Deus foi claramente preservada: / pois, tendo tomado a tua cruz, seguiste a Cristo / e, por meio dos teus atos, / ensinaste-nos a desprezar a carne como transitória / e a cuidar da alma, criação imortal. // Por isso, o teu espírito, Venerável Paulo, se alegra com os anjos.

Kondákion , Tom 3: Como a luz eterna do Sol espiritual, / reunidos, te glorificamos hoje com hinos, / pois brilhaste sobre todos os que estão nas trevas da insensatez, / elevando todos às alturas divinas, // ó Venerável Paulo, Adorno da Tebaida, firme fundamento dos pais e dos que jejuam. 
O Monge João, o Morador da Tenda

O Monge João, o morador das barracas, era filho de pais ricos e ilustres que viviam em Constantinopla durante o século V, e recebeu uma boa educação. Ele adorava ler livros espirituais, e tendo percebido a vaidade da vida secular, o preferiu "ao invés do caminho amplo, o que era estreito, frágil e extremamente rigoroso". Tendo persuadido seus pais a dar-lhe um Evangelho, ele partiu secretamente para Bitínia. 
No mosteiro "vigilância Incessante" recebeu tonsura monástica. O jovem monge começou a sua ascese com extremo zelo, surpreendendo seus irmãos com oração incessante, obediência humilde, abstinência estrita e perseverança no trabalho. 
Depois de seis anos ele começou a passar por tentações: Pensamentos sobre seus pais, sobre seu amor e carinho, sobre sua tristeza – tudo isso começou a perturbar o jovem asceta. 
São João revelou a sua situação ao higúmeno e pediu para ser liberado do mosteiro, e rogou aos irmãos para não esquecê-lo em suas orações, esperando que por suas orações ele iria, com a ajuda de Deus, tanto ver seus pais e superar também as armadilhas do diabo. O higúmeno deu-lhe a sua bênção. 
São João voltou para Constantinopla vestido de mendigo e não foi reconhecido por ninguém. Instalou-se às portas da casa dos pais. Os pais mandaram-lhe comida da mesa, por amor a Deus. Durante três anos, oprimido e insultado, viveu numa tenda (cabana), suportando frio e geada, conversando incessantemente com o Senhor e os Santos Anjos. Sempre com ele estava o Evangelho, dado por seus pais, e do qual ele incessantemente reunia palavras de vida eterna. Antes de sua morte, o Senhor apareceu em uma visão para o monge, revelando que o fim de suas dores estava se aproximando e que depois de três dias ele seria levado para o Reino Celestial.

Só, então, o Santo mostrou aos seus pais o Evangelho que eles lhe tinham dado pouco antes de ele ter deixado a sua casa parental. Os pais reconheceram o filho. Com lágrimas de alegria abraçaram-no simultaneamente com lágrimas de tristeza, em que ele tinha sofrido privação por tanto tempo nas próprias portas de sua casa parental. São João deu instruções finais a seus pais para enterrá-lo no local onde estava sua tenda, e para colocar na sepultura os trapos do mendigo que ele usava durante a vida.  
O Santo morreu em meados do século V, quando ainda não tinha 25 anos de idade. No lugar de seu enterro os pais construíram uma igreja para Deus e ao lado dela uma casa de hospitalidade para estrangeiros. No século XII, uma parte das relíquias do Santo fora levada pelos cruzados para Besacon (na França), e as outras relíquias do santo foram levadas para Roma. 
Tropárion , Tom 8: Em ti, Pai, a imagem de Deus foi claramente preservada: / pois, tendo tomado a tua cruz, seguiste a Cristo / e, por meio dos teus atos, / ensinaste-nos a desprezar a carne como transitória / e a cuidar da alma, criação imortal. // Por isso, o teu espírito, Venerável João, se alegra com os anjos.

Kondákion , Tom 2: Tendo amado, ó sábio, a pobreza imperecível, / odiaste a riqueza de teus pais / e, segurando o Evangelho em tuas mãos, / seguiste a Cristo Deus, João, // orando incessantemente por todos nós .

Oração Antes de Ler as Escrituras
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!

1 Pedro 4:1-11

Fragmento 61 - Irmãos, uma vez que Cristo padeceu na carne, armai-vos também vós deste mesmo pensamento; porque aquele que padeceu na carne já cessou do pecado; para que, no tempo que ainda vos resta na carne não continueis a viver para as concupiscências dos homens, mas para a vontade de Deus. Porque é bastante que no tempo passado tenhais cumprido a vontade dos gentios, andando em dissoluções, concupiscências, farras, glutonarias, bebedices e abomináveis idolatrias. E acham estranho não correrdes com eles no mesmo desenfreamento de dissolução, blasfemando de vós; os quais hão de dar conta ao que está preparado para julgar os vivos e os mortos. Pois é por isto que foi pregado o Evangelho até aos mortos, para que, na verdade, fossem julgados segundo os homens na carne, mas vivessem segundo Deus em espírito. Mas já está próximo o fim de todas as coisas; portanto sede sóbrios e vigiai em oração; tendo antes de tudo ardente amor uns para com os outros, porque o amor cobre uma multidão de pecados; sendo hospitaleiros uns para com os outros, sem murmuração; servindo uns aos outros conforme o dom que cada um recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus. Se alguém fala, fale como entregando oráculos de Deus; se alguém ministra, ministre segundo a força que Deus concede; para que em tudo Deus seja glorificado por meio de Jesus Cristo, a quem pertencem a glória e o domínio para todo o sempre. Amém.

Marcos 12:28-37

Fragmento 56 - Naquela ocasião, aproximou-se d’Ele um dos escribas que os tinha ouvido disputar, e sabendo que lhes tinha respondido bem, perguntou-Lhe: “Qual é o primeiro de todos os mandamentos?” E Jesus respondeu-lhe: “O primeiro de todos os mandamentos é: 

Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor. 
Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças’. 

Este é o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: 

‘Amarás o teu próximo como a ti mesmo’. 

Não há outro mandamento maior do que estes”. E o escriba Lhe disse: “Muito bem, Mestre, e com verdade disseste que há um só Deus, e que não há outro além d’Ele; e que amá-Lo de todo o coração, e de todo o entendimento, e de toda a alma, e de todas as forças, e amar o próximo como a si mesmo, é mais do que todos os holocaustos e sacrifícios”. E Jesus, vendo que havia respondido sabiamente, disse-lhe: “Não estás longe do Reino de Deus”. E já ninguém ousava perguntar-Lhe mais nada. E, falando Jesus, dizia, ensinando no templo: “Como dizem os escribas que o Cristo é filho de Davi? O próprio Davi disse pelo Espírito Santo:

‘O Senhor disse ao meu Senhor: 
Assenta-te à Minha direita 
até que Eu ponha os Teus inimigos por escabelo dos Teus pés’.

Pois, se Davi mesmo Lhe chama Senhor, como é logo seu filho?” E a grande multidão O ouvia de boa vontade.

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O ENSINO DOS SANTOS PADRES


“Dois preceitos de uma mesma caridade”

Tenhamos presente que... a caridade se fundamenta em dois preceitos, a saber: no amor de Deus e do próximo... Devemos observar que, ao tratar sobre o amor que devemos ter ao próximo, põe-se regra e medida, visto que se diz: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo; mas tratando-se do amor que se deve professar a Deus não se assinala limite algum, posto “que nos diz: Amarás ao Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma, com toda a tua mente e com todas as tuas forças.

Com todo. Pois somente aquele que ama de verdade a Deus não se lembra de si mesmo... Por esta mesma razão se ordenou no Êxodo que se tingissem duas vezes de cor de escarlate as cortinas que se destinavam ao tabernáculo. Vós sois, irmãos, as cortinas do tabernáculo, que em razão da fé ocultais em vossos corações os mistérios celestiais. Porém as cortinas do tabernáculo deveriam ser tingidas duas vezes de cor escarlate...

Portanto, para que vossa caridade esteja duas vezes tingida, é preciso que esteja abrasada pelo amor de Deus e pelo do próximo, e de tal forma que não abandone a contemplação de Deus pela compaixão do próximo, ou por ocupar-se excessivamente na contemplação de Deus descuide a compaixão que deve ao próximo. Assim, todo homem que vive entre os homens busque aquele a quem ama, de modo que não abandone aquele com quem caminha, e preste-lhe auxílio de tal maneira, que, de modo algum, separe-se daquele a quem se conduz.

O amor que se deve ao próximo se subdivide em dois preceitos, pois lemos na Escritura: O que não queres para ti, não faça a ninguém. E o próprio Jesus Cristo disse: O que quiseres que os outros vos façam, fazei-o vós a eles. Portanto, se fazemos com o nosso próximo o que queremos que façam a nós, e evitamos fazer aos demais o que não queremos que nos façam, conservaremos incólumes os direitos da caridade.

Mas ninguém, pelo mero fato de amar o seu próximo, pense que já tem a caridade, mas primeiro examine a força de seu amor. Pois se alguém ama aos outros, mas não os ama por Deus, não tem a caridade, mesmo que pense o contrário. Existe a caridade verdadeira quando se ama ao amigo em Deus e ao inimigo por Deus. Ama por Deus aos seus próximos aquele que os ama, se sabe amar aos que não lhe amam. Pois a caridade costuma-se provar somente por ser contrária ao ódio. Por isso diz o Senhor: Amai aos vossos inimigos, fazei o bem aos que vos odeiam. Assim, pois, ama com segurança aquele que ama por Deus e aquele de quem sabe que não é amado.

São Gregório, o Grande, Papa de Roma (séc. VII) 

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terça-feira, 27 de janeiro de 2026

34ª Terça-feira Depois de Pentecostes

CONCLUSÃO DA FESTA DA TEOFANIA
27 de Janeiro de 2026 (CC) 14 de Janeiro (CE)
S. Nina da Geórgia, Igual aos Apóstolos, virgem e monja († 335)
Ss. Padres mártires mortos no Sinai e em Raithu: 
Isaías, Sava, Moisés, outro Moisés, Jeremias, Paulo, Adão, Sérgio, Domno, Proclo, Hipácio, Isaac, Macário, Marcos, Benjamim, Eusébio, Elias e outros.
Tom 8


Santa Nina, igual-aos-apóstolos, evangelizadora dos georgianos, era sobrinha do Patriarca de Jerusalém. Desde sua juventude amou a Deus e lamentava muito pelas pessoas que não acreditavam n’Ele. Depois que seu pai, Zavulon da Capadócia, fez-se ermitão e sua mãe foi ordenada diaconisa, Nina foi entregue, ainda criança, a uma piedosa anciã que frequentemente falava sobre a Ibéria (atualmente Geórgia) . Naquela época, a Ibéria era um país pagão, e os contos que ouvia da anciã despertou um forte desejo de visitá-lo para levar a luz da fé cristã àquele povo.Tal desejo tornou-se mais forte quando, em um sonho, viu a Mãe de Deus que lhe  entregava uma cruz feita de uma cepa. Seu desejo cumpriu-se quando teve que fugir para a Ibéria para salvar-se das perseguições contra os cristãos decretadas por Diocleciano (284-305).  
Na Ibéria, Santa Nina instalou-se na casa de uma mulher situada nas vinhas reias. Muito rapidamente ficou conhecida por ajudar os necessitados, e muita gente foi sabendo da força de suas orações. Muitos doentes começaram a ir ao seu encontro para vê-la. Invocando o nome de Cristo, ela curava os enfermos. Falava sobre Deus que criou o Céu e a terra e sobre o Cristo, nosso Senhor e Salvador. Os sermões sobre Cristo, os milagres que operava e a vida virtuosa de Santa Nina tiveram efeito favorável sobre o povo da Ibéria: muitos começaram a crer no Deus verdadeiro e foram batizados. O próprio rei Mariano que era pagão foi convertido ao cristianismo por Santa Nina. Depois disso, um bispo e alguns sacerdotes de Constantinopla foram convidados a ir a Ibéria, e lá foi construída a primeira Igreja dedicada aos Santos Apóstolos. Pouco a pouco, toda a Ibéria tornou-se cristã. 
Santa Nina não gostava de fama ou honras, buscando refúgio, por isso, nas montanhas próximas. Ali, na solidão, dava graças ao Senhor pela conversão ao cristianismo daquele país que antes era pagão. Vários anos depois, deixou sua vida solitária e viajou à Kajetia onde converteu a Rainha Sofia. Depois de 35 anos de trabalhos, Santa Nina faleceu em paz no dia 14 de janeiro de 335. Por ordem do Rei Mariano, no lugar onde Santa Nina morreu foi construída uma Igreja dedicada a São Jorge, parente distante de Santa Nina. 
Tropárion, Tom 4: A Serva da Palavra de Deus, / imitando André, o primeiro chamado, e os outros Apóstolos em sua pregação apostólica, / Iluminadora da Península Ibérica e lira do Espírito Santo, / Santa Nina, Igual aos Apóstolos, / rogue a Cristo Deus // que salve as nossas almas.

Kondákion , Tom 2: Vinde todos hoje, / cantemos a escolhida por Cristo, / pregadora da palavra de Deus, Igual aos Apóstolos, / a sábia evangelista / que conduziu o povo de Kartli ao caminho da vida e da verdade, / a discípula da Mãe de Deus, / nossa zelosa intercessora e incansável guardiã, // Nina, a mais louvável .

Comemoração do Santos Mártires Mortos no Sinai e em Raithu:

Os santos padres assassinados no Sinai e em Raitha trabalhavam nos mosteiros e cavernas do Monte Sinai, onde Deus entregou os Dez Mandamentos por meio de Moisés, e no deserto de Raitha, nas proximidades (às margens do Mar Vermelho). Eles sofreram nas mãos dos sarracenos e dos blemianos, tribos árabes nômades. O primeiro assassinato ocorreu por volta do ano 312 e foi descrito por Amônio, um monge egípcio e testemunha ocular da morte dos 40 santos padres do Sinai. Na mesma época, árabes assassinaram 39 padres em Raitha. O segundo assassinato ocorreu cem anos depois e também foi descrito por uma testemunha ocular que escapou milagrosamente da morte, São Nilo, o Jejuador (comemorado em 12 de novembro). 

Os ascetas do Sinai e de Raithu levavam uma vida particularmente rigorosa: permaneciam em silêncio em suas celas durante toda a semana, reuniam-se para a vigília noturna de sábado e recebiam a Sagrada Comunhão no domingo. Alimentavam-se apenas de tâmaras e água. Muitos dos eremitas eram renomados por seus dons milagrosos — os anciãos Moisés, José e outros. Os seguintes são mencionados nominalmente no culto aos veneráveis ​​pais: Isaías, Sabá, Moisés, seu discípulo Moisés, Jeremias, Paulo, Adão, Sérgio, Domno, Proclo, Hipácio, Isaac, Macário, Marcos, Benjamim, Eusébio e Elias. 


Oração Antes de Ler as Escrituras
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!

1 Pedro 3:10-22

Fragmento 60 - Irmãos:

“Quem quer amar a vida, e ver os dias bons, refreie a sua língua do mal, e os seus lábios não falem engano; aparte-se do mal, e faça o bem; busque a paz, e siga-a. Porque os olhos do Senhor estão sobre os justos, e os seus ouvidos atentos à sua súplica; mas o rosto do Senhor é contra os que fazem o mal”. 

Ora, quem é o que vos fará mal, se fordes zelosos do bem? Mas, também, se padecerdes por amor da justiça, bem-aventurados sereis; e não temais as suas ameaças, nem vos turbeis; antes santificai em vossos corações a Cristo como Senhor; e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a todo aquele que vos pedir a razão da esperança que há em vós; tendo uma boa consciência, para que, naquilo em que falam mal de vós, fiquem confundidos os que vituperam o vosso bom procedimento em Cristo. Porque melhor é sofrerdes fazendo o bem, se a vontade de Deus assim o quer, do que fazendo o mal. Porque também Cristo morreu uma só vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus; sendo, na verdade, morto na carne, mas vivificado no espírito; no qual também foi, e pregou aos espíritos em prisão; os quais noutro tempo foram rebeldes, quando a longanimidade de Deus esperava, nos dias de Noé, enquanto se preparava a arca; na qual poucas, isto é, oito almas se salvaram através da água, que também agora, por uma verdadeira figura - o batismo, vos salva, o qual não é o despojamento da imundícia da carne, mas a indagação de uma boa consciência para com Deus, pela ressurreição de Jesus Cristo, que está à destra de Deus, tendo subido ao céu; havendo-se Lhe sujeitado os anjos, e as autoridades, e as potestades.

Marcos 12:18-27

Fragmento 55 - Naquela época, os saduceus, que dizem que não há ressurreição, aproximaram-se d’Ele, e perguntaram-Lhe, dizendo: “Mestre, Moisés nos escreveu que, se morresse o irmão de alguém, e deixasse a mulher e não deixasse filhos, seu irmão tomasse a mulher dele, e suscitasse descendência a seu irmão. Ora, havia sete irmãos, e o primeiro tomou a mulher, e morreu sem deixar descendência; e o segundo também a tomou e morreu, e nem este deixou descendência; e o terceiro da mesma maneira. E tomaram-na os sete, sem, contudo, terem deixado descendência. Finalmente, depois de todos, morreu também a mulher. Na ressurreição, pois, quando ressuscitarem, de qual destes será a mulher? porque os sete a tiveram por mulher”. E Jesus, respondendo, disse-lhes: “Porventura não errais vós em razão de não conhecerdes as Escrituras nem o poder de Deus? Porquanto, quando ressuscitarem dentre os mortos, nem casarão, nem se darão em casamento, mas serão como os anjos que estão nos céus. E, acerca dos mortos que houverem de ressuscitar, não tendes lido no livro de Moisés como Deus lhe falou na sarça, dizendo: 

‘Eu sou o Deus de Abraão, e o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó?’

Ora, Deus não é de mortos, mas sim, é Deus de vivos. Por isso vós errais muito”.

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ENSINO DOS SANTOS PADRES


Santo Irineu de Lião (séc. II)
Tratado Contra as Heresias: “Eu Sou a Ressurreição e a Vida”


Nosso Senhor e mestre, na resposta que deu aos saduceus que negam a ressurreição, e que ainda afrontam a Deus violando a lei, confirma a realidade da ressurreição e depõe em favor de Deus, dizendo-lhes: Estais muito equivocados por não compreender as Escrituras nem o poder de Deus. E a respeito da ressurreição – diz – dos mortos, não lestes o que Deus disse: Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó? E acrescentou: Não é Deus de mortos, mas de vivos: porque para ele estão todos vivos. Com estas palavras manifestou que aquele que falou com Moisés na sarça e declarou ser o Deus dos pais é o Deus dos vivos.

E quem é o Deus dos vivos a não ser o único Deus, acima do qual não existe outro Deus? É o mesmo Deus anunciado pelo Profeta Daniel, quando ao dizer-lhe Ciro, o persa: Por que não adoras a Bel?, respondeu-lhe: eu adoro o Senhor, meu Deus, que é o Deus vivo. Assim o Deus vivo adorado pelos profetas é o Deus dos vivos, e o é também a sua Palavra, que falou a Moisés, que refutou aos saduceus, que nos concedeu o dom da ressurreição, mostrando aos que estavam cegos estas duas verdades fundamentais: a ressurreição e Deus. Se Deus não é Deus de mortos, mas de vivos, e, contudo, é chamado Deus dos pais que já morreram, é incontestável que estão vivos para Deus e não pereceram: são filhos de Deus, porque participam da ressurreição.

E a ressurreição é nosso Senhor em pessoa, como ele mesmo afirmou: Eu sou a ressurreição e a vida. E os pais são seus filhos; já o disse o profeta: em lugar de teus pais, são teus filhos. Portanto, o próprio Cristo é juntamente com o Pai o Deus dos vivos, que falou a Moisés e se manifestou aos pais.

Isto é o que, ensinando, dizia aos judeus: Abraão, vosso pai, pulava de alegria pensando em ver meu dia: o viu e se encheu de alegria. Como assim? Abraão creu em Deus e lhe foi creditado como justiça. Creu, em primeiro lugar, que ele é o Criador do céu e da terra, o único Deus, e em segundo lugar, que multiplicaria sua descendência como as estrelas do céu. É o mesmo vocabulário de Paulo: Como luzeiros do mundo. Com razão, pois, abandonando todos os seus parentes terrenos, seguia o Verbo de Deus, peregrinando com o Verbo, para morar com o Verbo. Com razão os apóstolos, descendentes de Abraão, deixando a barca e o pai, seguiam ao Verbo de Deus. Com razão também nós, abraçando a mesma fé que Abraão, carregando a cruz – como Isaac com a lenha – o seguimos.

Na verdade, em Abraão o homem aprendeu e se acostumou a seguir o Verbo de Deus. De fato, Abraão, favorecendo, em conformidade com a sua fé, o mandato do Verbo de Deus, consentiu oferecer em sacrifício a Deus seu unigênito e amado filho, para que também Deus concordasse no sacrifício de seu Filho unigênito em favor de toda a sua posteridade, ou seja, por nossa redenção. Por isso Abraão, profeta como era, vendo em espírito o dia da vinda do Senhor e a economia da paixão, pela qual ele mesmo e todos os que cressem como ele começariam a inaugurar a salvação, encheu-se de intensa alegria.

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ORAÇÃO A SANTA NINA

Ó, Nina, toda-louvável e maravilhosa, igual aos apóstolos, verdadeiramente um grande adorno da Igreja Ortodoxa e um excelente louvor ao povo da Península Ibérica, que iluminaste toda a terra georgiana com os ensinamentos divinos, e através dos feitos do apostolado venceste o inimigo da nossa salvação; e através do trabalho e da oração plantaste aqui o jardim de Cristo e o fizeste crescer em muitos frutos! Em celebração à tua santa memória, corremos até ao teu venerável Ícone e beijamos reverentemente o louvável dom que te foi dado pela Mãe de Deus, à Cruz milagrosa, que envolveste com teus preciosos cabelos, e ternamente te pedimos, como nossa constante intercessora: Proteja-nos de todos os males e sofrimentos; ilumine os inimigos da Santa Igreja de Cristo e os oponentes da piedade; proteja o teu rebanho, que tu pastoreias, e rogamos: Que o Deus Todo-Bondoso, nosso Salvador, diante de Quem agora te encontras, conceda ao nosso povo ortodoxo paz, longa vida e sucesso em toda boa empreitada, e que o Senhor nos conduza ao Seu Reino Celestial, onde todos os santos glorificam o Seu Santíssimo Nome, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém.

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