
01 de Janeiro de 2026 (CC) 19 de Dezembro de 2025 (CE)
Ss. Bonifácio, Mártir e Aglaya (séc. IV); Milagroso Elias de Murom de Pechersk.
Jejum da Natividade (Azeite é permitido))
Tom 4
Bonifácio era servo de Aglaya, uma mulher rica e imoral que vivia em Roma, e que com esta, apesar de escravo, mantinha relações sexuais impuras e ilícitas. Ambos eram pagãos. Aglaya confiava a Bonifácio a administração de sua fortuna, pois este, apesar de inclinado à embriaguez, também era um homem generoso e hospitaleiro, pronto para ajudar os que viviam infortúnios.
Aglaya apreciava ouvir as histórias dos Mártires, e cria de todo o seu coração no poder de suas intercessões para a obtenção da misericórdia de Deus. Assim, desejando obter as relíquias de um mártir em sua casa, enviou seu servo e amante para a Ásia para encontrar e comprar o que ela desejara. Bonifácio levou consigo vários escravos e uma grande quantidade de dinheiro. Antes de partir, Bonifácio, porém disse-lhe, em tom de brincadeira:
"Se eu não puder encontrar um mártir, mas ao invés disso lhe trouxer de volta o meu próprio corpo martirizado por Cristo, você vai recebê-lo com honra, minha senhora?"
Aglaya riu e o chamou de bêbado e pecador, então se despediram.
Chegando à cidade de Tarso, Bonifácio viu muitos cristãos torturados: alguns com as pernas cortadas, outros com as mãos decepadas, outros com os olhos arrancados, outros ainda na forca, e assim por diante. O coração de Bonifácio foi mudado, e ele se arrependeu de sua vida pecaminosa e chorou.
Bonifácio passou a estar entre os cristãos, visitando os presos, incentivando-os e fortalecendo-os a suportar a dor por amor a Cristo. Sendo descoberto e preso pelo governador, após também padecer terríveis torturas, foi martirizado no ano de 290, confessando sua fé em Cristo. E o que, em tom de brincadeira, havia dito a sua amante, se cumpriu: seu corpo fora tomado como relíquias sagradas por seus servos e companheiros e trazido de volta para Roma. Um anjo de Deus apareceu a Aglaya e disse:
"Recebei àquele que já foi teu escravo, mas agora é nosso irmão, servo e companheiro; ele é o guardião de tua alma e o protetor de tua vida."
Aglaya recebeu o corpo de Bonifácio, construiu uma igreja, e nela colocou as relíquias do mártir. Arrependida dos seus pecados, distribuiu seus bens entre os pobres, retirou-se do mundo para se dedicar à oração e ao alívio do sofrimento dos pobres.
São Bonifácio é conhecido, sobretudo, por interceder a Deus para a libertação do alcoolismo.
Tropárion, Tom 4: Enviado às fileiras dos mártires, / foste um verdadeiro mártir, / tendo sofrido bravamente por Cristo, ó todo-louvável, / e retornaste com as relíquias da fé que te enviou, ó bem-aventurado Bonifácio. // Roga a Cristo Deus para conceder o perdão de nossos pecados.kondákion, Tom 4: Tu recebeste as relíquias dos portadores da paixão e viste aqueles que sofriam por causa da legítima fé, / tu corajosamente mostraste tua força, / fugindo das paixões com confissão a Cristo, / Que recebeu a honra da vitória do teu sofrimento. // Ó Bonifácio, roga sempre por nós.
Venerável Elías de Murom de Pechersk
O monge Elias (Ilya Muromets) de Pechersk, apelidado de "Chobotok" ("Sapateiro"), era da cidade de Murom, e uma lenda popular o identifica com o famoso herói guerreiro Bogatyr Ilya Muromets, a quem as baladas russas enalteciam.
Sobre o Monge Elias é conhecido que ele morreu com os dedos de sua mão direita no formato da oração, na posição aceita até hoje na Igreja Ortodoxa, ou seja, com os primeiros três dedos juntos, e os dois últimos dedos externos contraídos na palma (contrastando a maneira dos Velhos Crentes, que usam apenas os dois dedos juntos).
No período de luta com o Cisma dos Velhos Crentes ("Staroobryadnyi"), isto é, do final do Século XVII ao Século XIX, este fato da vida do santo serviu como uma prova poderosa no uso da atual formação das mãos.
Tropárion, Tom 4: Vinde, fiéis, / honremos com cânticos espirituais / nosso venerável pai Elias de Murom, / uma luminária do mosteiro das Cavernas e um grande intercessor por toda a Rússia, / que nos mostrou um exemplo de realização militar e espiritual, / agora resplandecendo com a graça dos milagres. / Portanto, afluindo ao santuário de suas relíquias, / beijamo-las com amor e clamemos: / Roga a Cristo Deus / que preserve nossa Pátria // e nos conceda grande misericórdia.kondákion, Tom 8: Como grande luminar da terra russa, / apareceste como o comandante invencível do Rei Celestial, / e um adorno divinamente inspirado dos monges. / Agora, de pé com os anjos diante do trono de Deus, / ora ao Mestre Cristo, o Criador de tudo, / para nos livrar de todas as aflições e tristezas, / para que nós, que honramos tua santa memória, possamos clamar a ti: // Rejubila-te, Elias, nosso venerável pai.
Oração Antes de Ler as Escrituras
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!
Hebreus 10:35-11:7
Fragmento 326 - Irmãos, não rejeiteis, pois, a vossa confiança, que tem grande e avultado galardão. Porque necessitais de paciência, para que, depois de haverdes feito a vontade de Deus, possais alcançar a promessa. Porque ainda um pouquinho de tempo, e O que há de vir virá, e não tardará.
“Mas o justo viverá pela fé; e, se ele recuar, a Minha alma não tem prazer nele.”
Nós, porém, não somos daqueles que se retiram para a perdição, mas daqueles que creem para a conservação da alma. Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não veem. Porque por ela os antigos alcançaram testemunho. Pela fé entendemos que os mundos pela palavra de Deus foram criados; de maneira que aquilo que se vê não foi feito do que é aparente. Pela fé Abel ofereceu a Deus maior sacrifício do que Caim, pelo qual alcançou testemunho de que era justo, dando Deus testemunho dos seus dons, e por ela, depois de morto, ainda fala. Pela fé Enoque foi trasladado para não ver a morte, e não foi achado, porque Deus o trasladara; visto como antes da sua trasladação alcançou testemunho de que agradara a Deus. Ora, sem fé é impossível agradar-Lhe; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que Ele existe, e que é galardoador dos que o buscam. Pela fé Noé, divinamente avisado das coisas que ainda não se viam, temeu e, para salvação da sua família, preparou a arca, pela qual condenou o mundo, e foi feito herdeiro da justiça que é segundo a fé.
Marcos 10:17-27
Fragmento 45 – Naquela ocasião, Jesus estava saindo, e alguém veio correndo, ajoelhou-se diante d’Ele e perguntou-Lhe: “Bom Mestre, o que devo fazer para herdar a vida eterna?” Então Jesus lhe disse: “Por que Me chamas de bom? Ninguém é bom, exceto Um, isto é, Deus. Conheces os mandamentos:
Fragmento 45 – Naquela ocasião, Jesus estava saindo, e alguém veio correndo, ajoelhou-se diante d’Ele e perguntou-Lhe: “Bom Mestre, o que devo fazer para herdar a vida eterna?” Então Jesus lhe disse: “Por que Me chamas de bom? Ninguém é bom, exceto Um, isto é, Deus. Conheces os mandamentos:
‘Não cometas adultério’,
‘Não mates’,
‘Não roubes’,
‘Não dês falso testemunho’,
‘Não defraudes’,
‘Honre teu pai e tua mãe’”.
E ele, respondendo, disse-Lhe: “Mestre, todas estas coisas tenho guardado desde a minha mocidade”. Então Jesus, olhando para ele, o amou e disse-lhe: “Falta-te uma coisa: Vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, toma a tua cruz e siga-Me”. Mas ele ficou triste com esta palavra e retirou-se pesaroso, porque tinha muitas propriedades. Então Jesus olhou em volta e disse aos Seus discípulos: “Quão difícil é para aqueles que têm riquezas entrar no Reino de Deus!” E os discípulos ficaram admirados com as Suas palavras. Mas Jesus respondeu novamente e disse-lhes: “Filhos, quão difícil é para aqueles que confiam nas riquezas entrar no Reino de Deus. É mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus”. E ficaram muito admirados, dizendo entre si: “Quem então poderá ser salvo?” Mas Jesus olhou para eles e disse: “Para os homens é impossível, mas para Deus não; pois para Deus todas as coisas são possíveis.”
Não faz muito que nos foi falado deste jovem, e aquele que escutou com atenção se recordará bem do que então se disse. E o primeiro, que não é o mesmo que aquele perito na lei de quem faz menção São Lucas. Aquele era um tentador, que fazia perguntas dissimuladas; mas este perguntava com sinceridade, embora não escutou com docilidade. Porque se tivesse perguntado por desprezo, não iria embora triste com a resposta do Senhor.
Por isso seu caráter revelava como que uma mistura, pois a Escritura no-lo revela louvável por um lado, e por outro muito infeliz e completamente desesperado. Porque o conhecer aquele que é mestre de verdade, e dar este nome ao único e verdadeiro, desprezando a soberba dos fariseus, a opinião dos jurisconsultos e o grupo dos escribas, isto era o que se louvava. E também se aprovou que manifestasse aquela solicitude por saber como alcançaria a vida eterna.
Porém, o não ter gravado em seu coração os saudáveis conselhos que escutou dos lábios do verdadeiro mestre, o não tê-los colocado em prática, mas cego pela paixão da avareza fugisse triste, nos revela toda a sua vontade, não desejosa de seguir o que é de maior proveito, mas o que é mais agradável a todos. Isto prova a inconstância de seu caráter e o inconsequente que era consigo mesmo.
Chamas-lhe mestre, e não fazes o que deve fazer um discípulo? Confessas que ele é bom, e rejeitas aquilo que te concede? Porque aquele que é bom é também comunicador de bens. Perguntas-lhe sobre a vida eterna, e mostras estar entregue inteiramente aos deleites da vida presente. Mas que conselho impraticável, pesado ou intolerável te propôs o Mestre? Vende o que tens e dá aos pobres.
Se te tivesse proposto os trabalhos da agricultura, ou os perigos do comércio, ou qualquer outro incômodo daqueles que acompanham aos que andam atrás do dinheiro, se compreendes que, levando a mal o conselho, te retirasses triste; mas se por um caminho tão fácil, que não te custaria trabalho ou suor algum, promete tornar-te herdeiro da vida eterna, por que não te alegras da facilidade de alcançar a tua salvação? Por que punes o teu coração e te retiras triste, e torna inúteis para ti os trabalhos que já havias concluído?
Porque se, como dizes, não mataste, não cometeste adultério, não furtaste, não levantaste falso testemunho a ninguém, tornas infrutuoso o esforço que colocaste em observar isto, porque também não queres cumprir os outros, somente com o qual poderás entrar no Reino de Deus. Se o médico te prometesse restituir-te aqueles membros que ou por natureza, ou por alguma enfermidade tinhas mutilado, não ouvirias isto com tristeza; e porque o grande médico das almas quer aperfeiçoar-te despojado dos principais bens, não recebes o benefício, mas choras e ficas triste.
Manifestamente, estás longe daquele preceito que ordena amar ao teu próximo como a ti mesmo, e falsamente afirmas tê-lo guardado. Porque, veja, este mandamento do Senhor prova que tu és completamente alheio à verdadeira caridade. Porque se era verdade o que afirmaste, que tinhas cumprido desde a tua juventude com o preceito da caridade, e que tinhas dado aos outros o mesmo que a ti mesmo, de onde, diga-me, te veio esta abundância de riquezas? Pois o cuidado dos necessitados gasta as riquezas; pois cada um há de receber um pouco segundo a sua necessidade; e todos deverão repartir igualmente seus bens e gastá-los entre os pobres. Por isso o que ama ao próximo como a si mesmo não possui mais que o seu próximo.
† † †
ENSINO DOS SANTOS PADRES
São Basílio, o Grande
Sermão sobre os ricos
Não faz muito que nos foi falado deste jovem, e aquele que escutou com atenção se recordará bem do que então se disse. E o primeiro, que não é o mesmo que aquele perito na lei de quem faz menção São Lucas. Aquele era um tentador, que fazia perguntas dissimuladas; mas este perguntava com sinceridade, embora não escutou com docilidade. Porque se tivesse perguntado por desprezo, não iria embora triste com a resposta do Senhor.
Por isso seu caráter revelava como que uma mistura, pois a Escritura no-lo revela louvável por um lado, e por outro muito infeliz e completamente desesperado. Porque o conhecer aquele que é mestre de verdade, e dar este nome ao único e verdadeiro, desprezando a soberba dos fariseus, a opinião dos jurisconsultos e o grupo dos escribas, isto era o que se louvava. E também se aprovou que manifestasse aquela solicitude por saber como alcançaria a vida eterna.
Porém, o não ter gravado em seu coração os saudáveis conselhos que escutou dos lábios do verdadeiro mestre, o não tê-los colocado em prática, mas cego pela paixão da avareza fugisse triste, nos revela toda a sua vontade, não desejosa de seguir o que é de maior proveito, mas o que é mais agradável a todos. Isto prova a inconstância de seu caráter e o inconsequente que era consigo mesmo.
Chamas-lhe mestre, e não fazes o que deve fazer um discípulo? Confessas que ele é bom, e rejeitas aquilo que te concede? Porque aquele que é bom é também comunicador de bens. Perguntas-lhe sobre a vida eterna, e mostras estar entregue inteiramente aos deleites da vida presente. Mas que conselho impraticável, pesado ou intolerável te propôs o Mestre? Vende o que tens e dá aos pobres.
Se te tivesse proposto os trabalhos da agricultura, ou os perigos do comércio, ou qualquer outro incômodo daqueles que acompanham aos que andam atrás do dinheiro, se compreendes que, levando a mal o conselho, te retirasses triste; mas se por um caminho tão fácil, que não te custaria trabalho ou suor algum, promete tornar-te herdeiro da vida eterna, por que não te alegras da facilidade de alcançar a tua salvação? Por que punes o teu coração e te retiras triste, e torna inúteis para ti os trabalhos que já havias concluído?
Porque se, como dizes, não mataste, não cometeste adultério, não furtaste, não levantaste falso testemunho a ninguém, tornas infrutuoso o esforço que colocaste em observar isto, porque também não queres cumprir os outros, somente com o qual poderás entrar no Reino de Deus. Se o médico te prometesse restituir-te aqueles membros que ou por natureza, ou por alguma enfermidade tinhas mutilado, não ouvirias isto com tristeza; e porque o grande médico das almas quer aperfeiçoar-te despojado dos principais bens, não recebes o benefício, mas choras e ficas triste.
Manifestamente, estás longe daquele preceito que ordena amar ao teu próximo como a ti mesmo, e falsamente afirmas tê-lo guardado. Porque, veja, este mandamento do Senhor prova que tu és completamente alheio à verdadeira caridade. Porque se era verdade o que afirmaste, que tinhas cumprido desde a tua juventude com o preceito da caridade, e que tinhas dado aos outros o mesmo que a ti mesmo, de onde, diga-me, te veio esta abundância de riquezas? Pois o cuidado dos necessitados gasta as riquezas; pois cada um há de receber um pouco segundo a sua necessidade; e todos deverão repartir igualmente seus bens e gastá-los entre os pobres. Por isso o que ama ao próximo como a si mesmo não possui mais que o seu próximo.
† † †
Oração a Santo Bonifácio
Ó mártir Bonifácio, longânimo e todo-louvável! Recorremos agora à tua intercessão; não rejeites as nossas preces enquanto te cantamos, mas ouve-nos com benevolência. Eis os nossos irmãos e irmãs, vencidos pela grave enfermidade da embriaguez; eis que, por esta razão, nos afastamos da nossa mãe, a Igreja de Cristo e da salvação eterna. Ó santo mártir Bonifácio, toca os seus corações com a graça que Deus te concedeu, levanta-os rapidamente das suas quedas pecaminosas e conduz-os à abstinência salvadora. Roga ao Senhor Deus, por quem sofreste, para que Ele, tendo-nos perdoado os nossos pecados, não retire a Sua misericórdia dos Seus filhos, mas fortaleça em nós a sobriedade e a castidade, e nos ajude, a nós sóbrios, com a Sua destra, a guardar a Sua promessa salvadora até ao fim, dia e noite, a sermos vigilantes quanto a ela e a dar uma boa resposta no Juízo Final. Aceita, ó santo de Deus, as preces das mães que derramam lágrimas pelos seus filhos; Mulheres honestas, chorando por seus maridos, crianças órfãs e pobres, abandonadas por bêbados, todos nós, prostrando-nos diante do seu ícone, que este nosso clamor chegue, por meio de suas orações, ao trono do Altíssimo, para que a todos, por meio de suas preces, seja concedida saúde e salvação da alma e do corpo, e sobretudo o Reino dos Céus. Cubra-nos e proteja-nos das artimanhas dos ímpios e de todas as ciladas do inimigo; na terrível hora de nossa partida, ajude-nos a passar sem tropeçar pelos pedágios aéreos e, por suas orações, livre-nos da condenação eterna. Rogue ao Senhor que nos conceda um amor sincero e inabalável por nossa Pátria, diante dos inimigos da Santa Igreja, visíveis e invisíveis, poder invencível, que a misericórdia de Deus nos cubra para sempre. Amém.
† † †


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