terça-feira, 20 de janeiro de 2026

33ª Terça-feira Depois de Pentecostes

20 de Janeiro de 2026 (CC) 08 de Janeiro (CE)
Sinaxe do Santo Glorioso Profeta, Precursor e Batista João
Tom 7
 
A Festa da Sinaxe de São João Batista, Profeta e Precursor, é celebrada no Calendário Ortodoxo, no dia posterior a grande Festa da Teofania do Senhor. Comemora-se neste dia a trasladação da santa relíquia da mão do Precursor à Constantinopla, mão que batizou o próprio Senhor. Por esta razão, esta festa é contada entre as grandes festas do Precursor, de modo que não devemos silenciar sobre os efeitos milagrosos e sobrenaturais que dela sobrevém. 
A chegada da santa relíquia (mão direita) de São João Batista à Constantinopla ocorreu na tarde da Festa da Teofania, já celebrada pela igreja primitiva no dia 6 de Janeiro, como conta a tradição: 
«São Lucas, o Evangelista, foi à cidade de Sebaste onde foi sepultado o corpo do Precursor; o encontrou intacto, mas não conseguiu retirá-lo porque foi impedido pelos cristãos locais que o veneravam. Foi-lhe concedido retirar apenas a mão direita do corpo do Precursor, a qual São Lucas trouxe para Antioquia, sua cidade natal, onde registrou-se muitos e grandes milagres após sua chegada». 

Mão Incorrupta de São João Batista
São João Batista era filho do sacerdote Zacarias e de Isabel, tendo vivido, até seus 30 anos, uma vida ascética no deserto da Judéia, dedicada inteiramente à oração e busca da perfeição espiritual. Vestia-se com vestes de pêlo de camelo e em sua cintura portava um cinto de couro, alimentando-se de gafanhotos e mel silvestre. Depositário da graça divina, era um grande pregador da Palavra de Deus e as multidões eram convocadas a escutá-lo. Protestava duramente contra os fariseus que, aparentando uma imagem de santidade, ocultava sob esta aparência a crueldade, as impurezas mental e espiritual. Essencialmente, a sua pregação centrava num imperativo característico: «Arrependei-vos, porque o reino dos céus está próximo»”, preparando assim o caminho para o plano de salvação de Jesus Cristo.  
No início da pregação pública de Jesus, as pessoas lentamente deixavam João e O seguiam. Isto, que poderia causar inveja e ciúme em qualquer pessoa que não tivesse o Espírito Santo, para João isto lhe dava muita alegria e felicidade. 
Esta festividade de São João, o Precursor, de quem Jesus Cristo disse: «Entre os nascidos de mulher, não surgiu outro maior do que João, o Batista» (Mt 11,11) foi instituída no V século.  
Leituras Comemorativas   
Atos 19:1-8
João 1:29-34

Oração Antes de Ler as Escrituras
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!

Tiago 3:1-10

Fragmento 54 - Meus irmãos, muitos de vós não sejam mestres, sabendo que receberemos mais duro juízo. Porque todos tropeçamos em muitas coisas. Se alguém não tropeça em palavra, o tal é perfeito, e poderoso para também refrear todo o corpo. Ora, nós pomos freio nas bocas dos cavalos, para que nos obedeçam; e conseguimos dirigir todo o seu corpo. Vede também as naus que, sendo tão grandes, e levadas de impetuosos ventos, se viram com um bem pequeno leme para onde quer a vontade daquele que as governa. Assim também a língua é um pequeno membro, e gloria-se de grandes coisas. Vede quão grande bosque um pequeno fogo incendeia. A língua também é um fogo; como mundo de iniquidade, a língua está posta entre os nossos membros, e contamina todo o corpo, e inflama o curso da natureza, e é inflamada pelo inferno. Porque toda a natureza, tanto de bestas feras como de aves, tanto de répteis como de animais do mar, se amansa e foi domada pela natureza humana; mas nenhum homem pode domar a língua. É um mal que não se pode refrear; está cheia de peçonha mortal. Com ela bendizemos a Deus e Pai, e com ela amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus. De uma mesma boca procede bênção e maldição. Meus irmãos, não convém que isto se faça assim.

Marcos 11:11-23

Fragmento 50 - Naquela ocasião, Jesus entrou em Jerusalém, no templo, e, tendo visto tudo em redor, como fosse já tarde, saiu para Betânia com os doze. E, no dia seguinte, quando saíram de Betânia, teve fome. E, vendo de longe uma figueira que tinha folhas, foi ver se nela acharia alguma coisa; e, chegando a ela, não achou senão folhas, porque não era tempo de figos. E Jesus, falando, disse à figueira: “Nunca mais coma alguém fruto de ti”. E os Seus discípulos ouviram isto. E vieram a Jerusalém; e Jesus, entrando no templo, começou a expulsar os que vendiam e compravam no templo; e derrubou as mesas dos cambiadores e as cadeiras dos que vendiam pombas. E não consentia que alguém levasse algum vaso pelo templo. E os ensinava, dizendo: "Não está escrito: 

'A Minha casa será chamada, por todas as nações, casa de oração?' 

Mas vós a tendes feito covil de ladrões". E os escribas e príncipes dos sacerdotes, tendo ouvido isto, buscavam ocasião para O matar; pois eles O temiam, porque toda a multidão estava admirada acerca da Sua doutrina. E, sendo já tarde, saiu para fora da cidade. E eles, passando pela manhã, viram que a figueira se tinha secado desde as raízes. E Pedro, lembrando-se, disse-lhe: “Mestre, eis que a figueira, que Tu amaldiçoaste, se secou”. E Jesus, respondendo, disse-lhes: “Tende fé em Deus; porque em verdade vos digo que qualquer que disser a este monte: Ergue-te e lança-te no mar, e não duvidar em seu coração, mas crer que se fará aquilo que diz, tudo o que disser lhe será feito”.

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COMENTÁRIO

A leitura do Evangelho de hoje faz saltar aos nossos olhos uma faceta de Cristo pouco lembrada e até mesmo negada por muitos cristãos: a severidade e a virilidade, pois geralmente se concebem tais características como incompatíveis com a natureza do amor, principalmente quando este é compreendido única e pragmaticamente numa dimensão romântica.

O ícone denominado “Pantokrator do Sinai” (obra datada do sec. IV e preservada pelo Mosteiro de Santa Catarina, no monte Sinai) chama muita atenção, além de sua beleza, pela estranha pintura dos olhos de Cristo, que nesta tela se apresentam desenhados de formas distintas e assimétricas. Esta disposição faz com que uma de suas faces lhe confira um semblante severo e a outra uma aparência tenra. São os olhares da justiça e da misericórdia, as quais em Cristo não são realidades divergentes, mas convergentes, conforme está escrito no Salmo 84(85): “A misericórdia e a verdade se encontraram: a justiça e a paz se beijaram” (Sl 84:10).

O episódio narrado pelo Evangelista São Marcos da maldição da figueira é uma figuração teológica da nação de Israel, que regada e adubada pelos Patriarcas, por Moisés e todos os Profetas foi encontrada estéril e sem fruto quando o Emanuel lhe veio visitar. Por isto João Batista clamava: “O machado está posto na raiz das árvores e toda árvore que não der fruto será cortada e lançada ao fogo”. A observação que são Marcos faz de que não havia frutos na figueira por ainda não ser o tempo de figos, representa a chegada repentina e inesperada do Reino de Deus e do Seu Juízo. A figueira, a oliveira e a videira sempre foram usadas pelos Profetas do Velho Testamento como símbolos de Israel.

O Templo transformado em camelódromo (mercado público) exemplifica a perversão religiosa existente em Israel; e a ação viril de Cristo, o juízo devastador que cairia sobre eles, não ficando “pedra sobre pedra” quando os Romanos devastaram Jerusalém, no ano 70 dc, pondo definitivamente um fim ao culto judaico, fazendo assim, cessar o sacrifício e a possibilidade de perdão, conforme a Antiga Aliança. Assim, São Paulo adverte: “Considerai, pois, a bondade e a severidade de Deus”. E São Tiago, o irmão do Senhor, no trecho de sua Epístola que hoje lemos, se mostra cuidadoso para que os mestres cristãos não repitam os mesmos erros dos judeus, lembrando que os mestres sofrem juízo mais severo do que os demais e, que a habilidade no falar deve estar conjugada a uma disciplina pessoal capaz de subjugar as paixões que atuam na natureza humana.

Pe. Mateus (Antonio Eça)

ORAÇÃO

Guarda, Senhor, a minha alma, e livra-me; não me deixes abatido, porquanto confio em Ti. Preservem-me a inocência e a retidão, porquanto espero em Ti. Salmo 24:20,21 (25:20,21)

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