
05 de Janeiro de 2026 (CC) 23 de Dezembro de 2025 (CE)
Santos Dez Mártires de Creta, Teódulo, Saturnino, Efporos, Gelasio, Eunicio, Zotico, Pompio, Agatopus, Basilides e Evaristo († c. 250)Novo HieromartIr Basílio, Hieromártires Macário e João (1938);
São Theoctistus, Arcebispo de Novgorod (1310);
Venerável Niphon, bispo de Chipre (Séc. IV).
Venerável Paulo, bispo de Neo-Cesareia (Séc. IV);
St. Naum de Ochrid, Iluminador dos Búlgaros (910) (Bulgária);
Novo Hieromartyrs João Piankov e Nicholas Yakhontov, Presbíteros (1918);
Venerável Davi de Echmiadzin, na Armênia (693);
Venerável Niphon, bispo de Chipre (Séc. IV);
Novo Hieromartyr Paulo (Kratirov) bispo de Starobelsk;
São Egbert de Rathmelsigi (729) (Noruega, Reino Unido.).
Jejum da Natividade (Pães, vegetais e frutas)
Tom 5
Quando foi publicado o Edito de Décio contra os cristãos, um cruel governador da Ilha de Creta deu início à perseguição. As vítimas mais distintas foram os dez mártires de Creta: Teódulo, Saturnino, Euporo, Gelásio, Euniciano, Zótico, Cleomenes, Agatopo, Basílides e Evaristo. Os três primeiros eram naturais de Cortina, a capital. Os juízes ordenaram-lhes oferecer sacrifícios para Júpiter, pois neste dia era celebrada a festa em sua honra. Eles reagiram, respondendo que jamais ofereceriam sacrifícios para um ídolo. O Governador então lhes disse:
«Vós, que depreciais esta grande assembléia, na qual se rende culto ao todo-poderoso Júpiter, Juno, Rea e outras divinidades, vereis o poder dos deuses».
Os mártires responderam que conheciam muito bem a lenda da vida de Júpiter, e que, seguramente, os que lhe consideravam uma divindade, deviam ter por virtude imitar os seus vícios.
A multidão teria terminado ali mesmo com mártires, se o Governador não houvesse contido para submetê-los depois a tortura. Os três sofreram com grande alegria. Aos gritos da multidão, que os exortava a obedecer e oferecer sacrifícios para salvar-se, responderam:
«Somos cristão e preferimos mil vezes morrer.»
Finalmente, o Governador se deu por derrotado, condenando-os a morrer pela espada. Os mártires se dirigiram jubilosos ao lugar da execução, pedindo a Deus que se mostrasse misericordioso para com eles e toda a humanidade; e que dissipasse a treva da Idolatria entre seus compatriotas. A multidão se dispersou depois da execução. Os cristãos sepultaram com reverência os corpos dos mártires.
Os Pais do Concílio de Creta (458) declarados em carta dirigida ao Imperador Leão, que a Ilha de Creta tinha sido preservada até então da heresia, graças ao intercessão destes santos mártires.
Oração Antes de Ler as Escrituras
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!
Hebreus 11:17-23, 27-31
Pela fé ofereceu Abraão a Isaque, quando foi provado; sim, aquele que recebera as promessas ofereceu o seu unigênito. Sendo-lhe dito: Em Isaque será chamada a tua descendência, considerou que Deus era poderoso para até dentre os mortos o ressuscitar; E daí também em figura ele o recobrou. Pela fé Isaque abençoou Jacó e Esaú, no tocante às coisas futuras. Pela fé Jacó, próximo da morte, abençoou cada um dos filhos de José, e adorou encostado à ponta do seu bordão. Pela fé José, próximo da morte, fez menção da saída dos filhos de Israel, e deu ordem acerca de seus ossos. Pela fé Moisés, já nascido, foi escondido três meses por seus pais, porque viram que era um menino formoso; e não temeram o mandamento do rei. Pela fé deixou o Egito, não temendo a ira do rei; porque ficou firme, como vendo o invisível. Pela fé celebrou a páscoa e a aspersão do sangue, para que o destruidor dos primogênitos lhes não tocasse. Pela fé passaram o Mar Vermelho, como por terra seca; o que intentando os egípcios, se afogaram. Pela fé caíram os muros de Jericó, sendo rodeados durante sete dias. Pela fé Raabe, a meretriz, não pereceu com os incrédulos, acolhendo em paz os espias.
Marcos 10:46-52
Fragmento 48 - No momento em que Jesus deixava Jericó, e com Ele estavam Seus discípulos e uma grande multidão, Bartimeu, o cego, filho de Timeu, estava assentado junto do caminho, mendigando. E, ouvindo que era Jesus de Nazaré, começou a clamar, e a dizer: “Jesus, filho de Davi, tem misericórdia de mim”. E muitos o repreendiam, para que se calasse; mas ele clamava cada vez mais: “Filho de Davi, tem misericórdia de mim!” E Jesus, parando, disse que o chamassem; e chamaram o cego, dizendo-lhe: “Tem bom ânimo; levanta-te, que Ele te chama”. E ele, lançando de si a sua capa, levantou-se, e foi ter com Jesus. E Jesus, falando, disse-lhe: “Que queres que Te faça?” E o cego lhe disse: “Mestre, que eu tenha vista”. E Jesus lhe disse: “Vai, a tua fé te salvou”. E logo viu, e seguiu a Jesus pelo caminho.
ENSINO DOS SANTOS PADRES
“Está evidente que este cego é todo o gênero humano”
Nosso Redentor, conhecendo que os corações de seus discípulos haviam de ser gravemente perturbados em sua sagrada paixão, muito antes que essa acontecesse, deu-lhes notícia sobre ela e da ressurreição: para que ao verem-lhe morrer, como ele tinha dito, estivessem certos de que haveria de ressuscitar. Porém, sabendo o Senhor que os discípulos enquanto carnais não podiam compreender as palavras deste mistério, quis realizar em sua presença um milagre, e então deu visão para um cego, para levá-los à firmeza da fé com obras extraordinárias, já que não conseguiam compreender bem as palavras. Mas os milagres de nosso Redentor devem se ouvir de modo que creiais que aconteceram assim como são referidos, e juntamente com isso haveis de crer que possuem em seu interior outro simbolismo. Suas obras são tão cheias de surpresas, que por uma parte mostram exteriormente seu maravilhoso poder, e por outra encerram interiormente um mistério divino.
Não sabemos, na verdade, quem era este cego, porém sabemos no mistério a quem representa. Está evidente que este cego é todo o gênero humano: o qual em nosso primeiro pai foi lançado das alegrias do paraíso, e sendo ignorante e privado da claridade da luz soberana, padece as trevas à qual foi condenado; porém, é iluminado com a presença do Salvador, para que ao menos dentro da alma sinta luz para desejar o bem, e com este desejo comece a caminhar pelo caminho das boas obras para alcançar-lhe.
Mas haveis de notar que o cego é iluminado quando Jesus Cristo nosso Salvador chega a Jericó: Jericó em nossa língua quer dizer “lua”! A lua na Sagrada Escritura denota a deficiência da natureza humana, porque, alterando-se e diminuindo-se de hora em hora, assinala os defeitos e mudanças que em nós se encontram. Chegando, pois, nosso Senhor a Jericó, o cego recupera a vista, porque é manifesto que, quando Deus uniu consigo a fraqueza de nossa humanidade a linhagem humana recobrou a vista que tinha perdido: porque abaixando-se Deus a sofrer coisas de homem, foi elevado o homem a degustar coisas de Deus.
E vem muito a propósito dizer que este cego estava sentado à beira do caminho e mendigando, porque a própria verdade Cristo nosso Redentor falando de si diz: Eu sou o caminho. É claro que é cego aquele que não sente em si a claridade da luz soberana; mas quando já tem o princípio, que é crer em seu Redentor, podemos dizer que está sentado junto do caminho. E se havendo crido, silencia e não pede misericórdia para ver a luz eterna, e cessa de pedir esta graça, diremos que o cego está junto ao caminho, mas que não pede esmola; mas se junto com o ato de crer pede graça a Deus, diremos que o cego está junto ao caminho, e que está pedindo.
Olhem, portanto, meus irmãos! Quem quer que conheça as trevas de sua cegueira, quem quer que entenda que lhe falta a luz soberana, arranque o clamor do coração, e com verdadeiro grito da alma diga: Jesus, Filho de Davi, tem piedade de mim. Mas, vejamos, que acontece a este cego que grita tantas vezes? Muitos o repreendiam para que se calasse. Quem pensais que são estes, que, vindo nosso Redentor, vão à frente gritando? Sabei que são os desejos carnais, e os esquadrões dos vícios, para impedir que Deus nos ouça e que o chamemos com atenção, dissipam nossos bons pensamentos, desordenam com suas tentações qualquer boa deliberação que nossa alma faz, e quando o coração quer estar mais atento na oração, ali o procuram para lhe perturbar.
Este é o artifício de nosso inimigo, que, quando queremos deixar os pecados e voltar a Deus – e para isto nos coloquemos em oração pedindo que sua majestade nos ajude –, então se declaram por sua artimanha ao nosso coração as visões assustadoras dos pecados que temos cometido, e querem ofuscar a nossa alma, confundir o nosso coração, e tirar-nos a fala. Diz, portanto, que aqueles que iam à frente o repreendiam, dizendo que se calasse: Porque, para impedir que Deus venha a nossa alma, os pecados passados interrompem os pensamentos, procurando perturbar nossa oração. Porém, saibamos o que fez o cego contra tudo isso para ser iluminado: mas ele gritava mais ainda: Filho de Davi, tem piedade de mim.
São Gregório, o Grande, Papa de Roma (Século 6)
“Amai a Cristo; desejai a luz que é Cristo”
Amai a Deus, visto que nada encontrais melhor que ele. Amais a prata porque é melhor que o ferro e o bronze; amais o ouro mais ainda, porque é melhor que a prata; amais ainda mais as pedras preciosas, porque superam até mesmo o preço do ouro; amais, por fim, esta luz que teme perder todo homem que teme a morte; amais, repito, esta mesma luz que a desejava com grande amor quem gritava atrás de Jesus: Filho de Davi, tem compaixão de mim.
Gritava o cego quando Jesus passava. Temia que ele passasse e não o curasse. Como gritava? Até o ponto de não calar, ainda que a multidão lhe ordenasse o silêncio. Venceu opondo-se a ela, e alcançou o Salvador. Ao bradar a multidão e ao proibir-lhe de gritar, Jesus parou, o chamou e lhe disse: – Que queres que eu te faça? – Senhor, lhe disse, que eu veja. – Vai, a tua fé te salvou.
Amai a Cristo; desejai a luz que é Cristo. Se aquele desejou a luz corporal, quanto mais vós deveis desejar a luz do coração! Gritemos diante dele não com a voz, mas com os costumes. Vivamos santamente, desprezemos o mundo; consideremos como nulo tudo o que é passageiro. Se vivermos assim, nos repreenderão, como se o fizessem por nosso amor, os homens mundanos, amantes da terra, apreciadores do pó, que nada trazem do céu, que não possuem mais alento vital que aquele que respiram pelo nariz, sem outro no coração.
Sem dúvida, quando nos virem desprezar estas coisas humanas e terrenas, nos recriminarão e dirão: “Por que tu sofres? Ficastes louco?” É a multidão que trata de impedir que o cego grite. E até são cristãos alguns dos que impedem de viver cristãmente. De fato, também aquela multidão caminhava ao lado de Cristo e colocava obstáculos ao homem que bradava junto a ele e desejava a luz como dádiva do próprio Cristo.
Existem cristãos assim; porém vençamo-los, vivamos santamente; seja a nossa vida nosso grito para Cristo.
Santo Agostinho, Bispo de Hipona
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