28 de Janeiro de 2026 (CC) 15 de Janeiro (CE)
São Paulo de Tebas, no Egito (341), e São João Calabytes
Jejum (Peixe é permitido)
Tom 1
São Paulo de Tebas nasceu no Egito, na cidade de Tebaida. Órfão, sofreu muito nas mãos de um parente ganancioso que disputava a herança de seus pais. Durante a perseguição aos cristãos por Décio (249-251), São Paulo, ao tomar conhecimento da trama traiçoeira para entregá-lo aos perseguidores, deixou a cidade e retirou-se para o deserto.Instalando-se numa gruta ao pé da montanha, São Paulo, desconhecido de todos, viveu ali durante 91 anos, orando incansavelmente a Deus dia e noite. Subsistia de tâmaras e pão trazidos por um corvo e protegia-se do frio e do calor com roupas feitas de folhas de palmeira. Por providência divina, pouco antes da morte de São Paulo, Deus revelou a sua existência a Santo Antão, o Grande (comemorado a 17 de janeiro), que também trabalhava no deserto da Tebaida. Certo dia, Santo Antão percebeu que dificilmente havia outro eremita como ele, e então ouviu uma voz: "Antônio, há um servo de Deus mais perfeito do que tu, que se estabeleceu aqui no deserto antes de ti. Desce às suas profundezas e o encontrarás." Antão foi e encontrou a gruta de São Paulo. Depois de ensinar a Antão uma lição de humildade, São Paulo saiu ao seu encontro. Os dois se chamaram pelo nome, abraçaram-se e conversaram longamente. Durante a conversa, um corvo voou e trouxe-lhes pão. São Paulo revelou a Santo Antônio sua morte iminente e o instruiu a sepultá-lo. São Paulo repousou ajoelhado em oração. Santo Antônio viu sua alma santa ascender a Deus, rodeada por anjos, profetas e apóstolos. Dois leões saíram do deserto e cavaram uma sepultura com suas garras. Santo Antônio sepultou o santo ancião e, vestindo sua túnica de folhas de palmeira, retirou-se para seu mosteiro. Santo Antônio guardava essa túnica como a relíquia mais sagrada e a usava apenas duas vezes por ano — na Páscoa e no Pentecostes. São Paulo de Tebas morreu em 341, aos 113 anos. Ele não fundou mosteiros, mas logo após sua morte, muitos imitadores de sua vida surgiram e cobriram o deserto com mosteiros. São Paulo é considerado o pai do monasticismo ortodoxo.No século XII, por ordem do Imperador Manuel (1143–1180), o corpo de São Paulo foi transferido para Constantinopla e colocado no Mosteiro de Peribleptos da Santíssima Mãe de Deus. Posteriormente, foi transferido para Veneza e, finalmente, para Ofei, na Hungria; parte de sua cabeça encontra-se em Roma.
Tropárion , Tom 8: Em ti, Pai, a imagem de Deus foi claramente preservada: / pois, tendo tomado a tua cruz, seguiste a Cristo / e, por meio dos teus atos, / ensinaste-nos a desprezar a carne como transitória / e a cuidar da alma, criação imortal. // Por isso, o teu espírito, Venerável Paulo, se alegra com os anjos.Kondákion , Tom 3: Como a luz eterna do Sol espiritual, / reunidos, te glorificamos hoje com hinos, / pois brilhaste sobre todos os que estão nas trevas da insensatez, / elevando todos às alturas divinas, // ó Venerável Paulo, Adorno da Tebaida, firme fundamento dos pais e dos que jejuam.
O Monge João, o Morador da TendaO Monge João, o morador das barracas, era filho de pais ricos e ilustres que viviam em Constantinopla durante o século V, e recebeu uma boa educação. Ele adorava ler livros espirituais, e tendo percebido a vaidade da vida secular, o preferiu "ao invés do caminho amplo, o que era estreito, frágil e extremamente rigoroso". Tendo persuadido seus pais a dar-lhe um Evangelho, ele partiu secretamente para Bitínia.
No mosteiro "vigilância Incessante" recebeu tonsura monástica. O jovem monge começou a sua ascese com extremo zelo, surpreendendo seus irmãos com oração incessante, obediência humilde, abstinência estrita e perseverança no trabalho.
Depois de seis anos ele começou a passar por tentações: Pensamentos sobre seus pais, sobre seu amor e carinho, sobre sua tristeza – tudo isso começou a perturbar o jovem asceta.
São João revelou a sua situação ao higúmeno e pediu para ser liberado do mosteiro, e rogou aos irmãos para não esquecê-lo em suas orações, esperando que por suas orações ele iria, com a ajuda de Deus, tanto ver seus pais e superar também as armadilhas do diabo. O higúmeno deu-lhe a sua bênção.
São João voltou para Constantinopla vestido de mendigo e não foi reconhecido por ninguém. Instalou-se às portas da casa dos pais. Os pais mandaram-lhe comida da mesa, por amor a Deus. Durante três anos, oprimido e insultado, viveu numa tenda (cabana), suportando frio e geada, conversando incessantemente com o Senhor e os Santos Anjos. Sempre com ele estava o Evangelho, dado por seus pais, e do qual ele incessantemente reunia palavras de vida eterna. Antes de sua morte, o Senhor apareceu em uma visão para o monge, revelando que o fim de suas dores estava se aproximando e que depois de três dias ele seria levado para o Reino Celestial.Só, então, o Santo mostrou aos seus pais o Evangelho que eles lhe tinham dado pouco antes de ele ter deixado a sua casa parental. Os pais reconheceram o filho. Com lágrimas de alegria abraçaram-no simultaneamente com lágrimas de tristeza, em que ele tinha sofrido privação por tanto tempo nas próprias portas de sua casa parental. São João deu instruções finais a seus pais para enterrá-lo no local onde estava sua tenda, e para colocar na sepultura os trapos do mendigo que ele usava durante a vida.
O Santo morreu em meados do século V, quando ainda não tinha 25 anos de idade. No lugar de seu enterro os pais construíram uma igreja para Deus e ao lado dela uma casa de hospitalidade para estrangeiros. No século XII, uma parte das relíquias do Santo fora levada pelos cruzados para Besacon (na França), e as outras relíquias do santo foram levadas para Roma.
Tropárion , Tom 8: Em ti, Pai, a imagem de Deus foi claramente preservada: / pois, tendo tomado a tua cruz, seguiste a Cristo / e, por meio dos teus atos, / ensinaste-nos a desprezar a carne como transitória / e a cuidar da alma, criação imortal. // Por isso, o teu espírito, Venerável João, se alegra com os anjos.Kondákion , Tom 2: Tendo amado, ó sábio, a pobreza imperecível, / odiaste a riqueza de teus pais / e, segurando o Evangelho em tuas mãos, / seguiste a Cristo Deus, João, // orando incessantemente por todos nós .
Oração Antes de Ler as Escrituras
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!
1 Pedro 4:1-11
Fragmento 61 - Irmãos, uma vez que Cristo padeceu na carne, armai-vos também vós deste mesmo pensamento; porque aquele que padeceu na carne já cessou do pecado; para que, no tempo que ainda vos resta na carne não continueis a viver para as concupiscências dos homens, mas para a vontade de Deus. Porque é bastante que no tempo passado tenhais cumprido a vontade dos gentios, andando em dissoluções, concupiscências, farras, glutonarias, bebedices e abomináveis idolatrias. E acham estranho não correrdes com eles no mesmo desenfreamento de dissolução, blasfemando de vós; os quais hão de dar conta ao que está preparado para julgar os vivos e os mortos. Pois é por isto que foi pregado o Evangelho até aos mortos, para que, na verdade, fossem julgados segundo os homens na carne, mas vivessem segundo Deus em espírito. Mas já está próximo o fim de todas as coisas; portanto sede sóbrios e vigiai em oração; tendo antes de tudo ardente amor uns para com os outros, porque o amor cobre uma multidão de pecados; sendo hospitaleiros uns para com os outros, sem murmuração; servindo uns aos outros conforme o dom que cada um recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus. Se alguém fala, fale como entregando oráculos de Deus; se alguém ministra, ministre segundo a força que Deus concede; para que em tudo Deus seja glorificado por meio de Jesus Cristo, a quem pertencem a glória e o domínio para todo o sempre. Amém.
Marcos 12:28-37
Fragmento 56 - Naquela ocasião, aproximou-se d’Ele um dos escribas que os tinha ouvido disputar, e sabendo que lhes tinha respondido bem, perguntou-Lhe: “Qual é o primeiro de todos os mandamentos?” E Jesus respondeu-lhe: “O primeiro de todos os mandamentos é:
‘Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor.
Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças’.
Este é o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é:
‘Amarás o teu próximo como a ti mesmo’.
Não há outro mandamento maior do que estes”. E o escriba Lhe disse: “Muito bem, Mestre, e com verdade disseste que há um só Deus, e que não há outro além d’Ele; e que amá-Lo de todo o coração, e de todo o entendimento, e de toda a alma, e de todas as forças, e amar o próximo como a si mesmo, é mais do que todos os holocaustos e sacrifícios”. E Jesus, vendo que havia respondido sabiamente, disse-lhe: “Não estás longe do Reino de Deus”. E já ninguém ousava perguntar-Lhe mais nada. E, falando Jesus, dizia, ensinando no templo: “Como dizem os escribas que o Cristo é filho de Davi? O próprio Davi disse pelo Espírito Santo:
‘O Senhor disse ao meu Senhor:
Assenta-te à Minha direita
até que Eu ponha os Teus inimigos por escabelo dos Teus pés’.
Pois, se Davi mesmo Lhe chama Senhor, como é logo seu filho?” E a grande multidão O ouvia de boa vontade.
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O ENSINO DOS SANTOS PADRES
“Dois preceitos de uma mesma caridade”
Tenhamos presente que... a caridade se fundamenta em dois preceitos, a saber: no amor de Deus e do próximo... Devemos observar que, ao tratar sobre o amor que devemos ter ao próximo, põe-se regra e medida, visto que se diz: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo; mas tratando-se do amor que se deve professar a Deus não se assinala limite algum, posto “que nos diz: Amarás ao Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma, com toda a tua mente e com todas as tuas forças.
Com todo. Pois somente aquele que ama de verdade a Deus não se lembra de si mesmo... Por esta mesma razão se ordenou no Êxodo que se tingissem duas vezes de cor de escarlate as cortinas que se destinavam ao tabernáculo. Vós sois, irmãos, as cortinas do tabernáculo, que em razão da fé ocultais em vossos corações os mistérios celestiais. Porém as cortinas do tabernáculo deveriam ser tingidas duas vezes de cor escarlate...
Portanto, para que vossa caridade esteja duas vezes tingida, é preciso que esteja abrasada pelo amor de Deus e pelo do próximo, e de tal forma que não abandone a contemplação de Deus pela compaixão do próximo, ou por ocupar-se excessivamente na contemplação de Deus descuide a compaixão que deve ao próximo. Assim, todo homem que vive entre os homens busque aquele a quem ama, de modo que não abandone aquele com quem caminha, e preste-lhe auxílio de tal maneira, que, de modo algum, separe-se daquele a quem se conduz.
O amor que se deve ao próximo se subdivide em dois preceitos, pois lemos na Escritura: O que não queres para ti, não faça a ninguém. E o próprio Jesus Cristo disse: O que quiseres que os outros vos façam, fazei-o vós a eles. Portanto, se fazemos com o nosso próximo o que queremos que façam a nós, e evitamos fazer aos demais o que não queremos que nos façam, conservaremos incólumes os direitos da caridade.
Mas ninguém, pelo mero fato de amar o seu próximo, pense que já tem a caridade, mas primeiro examine a força de seu amor. Pois se alguém ama aos outros, mas não os ama por Deus, não tem a caridade, mesmo que pense o contrário. Existe a caridade verdadeira quando se ama ao amigo em Deus e ao inimigo por Deus. Ama por Deus aos seus próximos aquele que os ama, se sabe amar aos que não lhe amam. Pois a caridade costuma-se provar somente por ser contrária ao ódio. Por isso diz o Senhor: Amai aos vossos inimigos, fazei o bem aos que vos odeiam. Assim, pois, ama com segurança aquele que ama por Deus e aquele de quem sabe que não é amado.
São Gregório, o Grande, Papa de Roma (séc. VII)
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