terça-feira, 27 de janeiro de 2026

34ª Terça-feira Depois de Pentecostes

CONCLUSÃO DA FESTA DA TEOFANIA
27 de Janeiro de 2026 (CC) 14 de Janeiro (CE)
S. Nina da Geórgia, Igual aos Apóstolos, virgem e monja († 335)
Ss. Padres mártires mortos no Sinai e em Raithu: 
Isaías, Sava, Moisés, outro Moisés, Jeremias, Paulo, Adão, Sérgio, Domno, Proclo, Hipácio, Isaac, Macário, Marcos, Benjamim, Eusébio, Elias e outros.
Tom 8


Santa Nina, igual-aos-apóstolos, evangelizadora dos georgianos, era sobrinha do Patriarca de Jerusalém. Desde sua juventude amou a Deus e lamentava muito pelas pessoas que não acreditavam n’Ele. Depois que seu pai, Zavulon da Capadócia, fez-se ermitão e sua mãe foi ordenada diaconisa, Nina foi entregue, ainda criança, a uma piedosa anciã que frequentemente falava sobre a Ibéria (atualmente Geórgia) . Naquela época, a Ibéria era um país pagão, e os contos que ouvia da anciã despertou um forte desejo de visitá-lo para levar a luz da fé cristã àquele povo.Tal desejo tornou-se mais forte quando, em um sonho, viu a Mãe de Deus que lhe  entregava uma cruz feita de uma cepa. Seu desejo cumpriu-se quando teve que fugir para a Ibéria para salvar-se das perseguições contra os cristãos decretadas por Diocleciano (284-305).  
Na Ibéria, Santa Nina instalou-se na casa de uma mulher situada nas vinhas reias. Muito rapidamente ficou conhecida por ajudar os necessitados, e muita gente foi sabendo da força de suas orações. Muitos doentes começaram a ir ao seu encontro para vê-la. Invocando o nome de Cristo, ela curava os enfermos. Falava sobre Deus que criou o Céu e a terra e sobre o Cristo, nosso Senhor e Salvador. Os sermões sobre Cristo, os milagres que operava e a vida virtuosa de Santa Nina tiveram efeito favorável sobre o povo da Ibéria: muitos começaram a crer no Deus verdadeiro e foram batizados. O próprio rei Mariano que era pagão foi convertido ao cristianismo por Santa Nina. Depois disso, um bispo e alguns sacerdotes de Constantinopla foram convidados a ir a Ibéria, e lá foi construída a primeira Igreja dedicada aos Santos Apóstolos. Pouco a pouco, toda a Ibéria tornou-se cristã. 
Santa Nina não gostava de fama ou honras, buscando refúgio, por isso, nas montanhas próximas. Ali, na solidão, dava graças ao Senhor pela conversão ao cristianismo daquele país que antes era pagão. Vários anos depois, deixou sua vida solitária e viajou à Kajetia onde converteu a Rainha Sofia. Depois de 35 anos de trabalhos, Santa Nina faleceu em paz no dia 14 de janeiro de 335. Por ordem do Rei Mariano, no lugar onde Santa Nina morreu foi construída uma Igreja dedicada a São Jorge, parente distante de Santa Nina. 
Tropárion, Tom 4: A Serva da Palavra de Deus, / imitando André, o primeiro chamado, e os outros Apóstolos em sua pregação apostólica, / Iluminadora da Península Ibérica e lira do Espírito Santo, / Santa Nina, Igual aos Apóstolos, / rogue a Cristo Deus // que salve as nossas almas.

Kondákion , Tom 2: Vinde todos hoje, / cantemos a escolhida por Cristo, / pregadora da palavra de Deus, Igual aos Apóstolos, / a sábia evangelista / que conduziu o povo de Kartli ao caminho da vida e da verdade, / a discípula da Mãe de Deus, / nossa zelosa intercessora e incansável guardiã, // Nina, a mais louvável .

Comemoração do Santos Mártires Mortos no Sinai e em Raithu:

Os santos padres assassinados no Sinai e em Raitha trabalhavam nos mosteiros e cavernas do Monte Sinai, onde Deus entregou os Dez Mandamentos por meio de Moisés, e no deserto de Raitha, nas proximidades (às margens do Mar Vermelho). Eles sofreram nas mãos dos sarracenos e dos blemianos, tribos árabes nômades. O primeiro assassinato ocorreu por volta do ano 312 e foi descrito por Amônio, um monge egípcio e testemunha ocular da morte dos 40 santos padres do Sinai. Na mesma época, árabes assassinaram 39 padres em Raitha. O segundo assassinato ocorreu cem anos depois e também foi descrito por uma testemunha ocular que escapou milagrosamente da morte, São Nilo, o Jejuador (comemorado em 12 de novembro). 

Os ascetas do Sinai e de Raithu levavam uma vida particularmente rigorosa: permaneciam em silêncio em suas celas durante toda a semana, reuniam-se para a vigília noturna de sábado e recebiam a Sagrada Comunhão no domingo. Alimentavam-se apenas de tâmaras e água. Muitos dos eremitas eram renomados por seus dons milagrosos — os anciãos Moisés, José e outros. Os seguintes são mencionados nominalmente no culto aos veneráveis ​​pais: Isaías, Sabá, Moisés, seu discípulo Moisés, Jeremias, Paulo, Adão, Sérgio, Domno, Proclo, Hipácio, Isaac, Macário, Marcos, Benjamim, Eusébio e Elias. 


Oração Antes de Ler as Escrituras
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!

1 Pedro 3:10-22

Fragmento 60 - Irmãos:

“Quem quer amar a vida, e ver os dias bons, refreie a sua língua do mal, e os seus lábios não falem engano; aparte-se do mal, e faça o bem; busque a paz, e siga-a. Porque os olhos do Senhor estão sobre os justos, e os seus ouvidos atentos à sua súplica; mas o rosto do Senhor é contra os que fazem o mal”. 

Ora, quem é o que vos fará mal, se fordes zelosos do bem? Mas, também, se padecerdes por amor da justiça, bem-aventurados sereis; e não temais as suas ameaças, nem vos turbeis; antes santificai em vossos corações a Cristo como Senhor; e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a todo aquele que vos pedir a razão da esperança que há em vós; tendo uma boa consciência, para que, naquilo em que falam mal de vós, fiquem confundidos os que vituperam o vosso bom procedimento em Cristo. Porque melhor é sofrerdes fazendo o bem, se a vontade de Deus assim o quer, do que fazendo o mal. Porque também Cristo morreu uma só vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus; sendo, na verdade, morto na carne, mas vivificado no espírito; no qual também foi, e pregou aos espíritos em prisão; os quais noutro tempo foram rebeldes, quando a longanimidade de Deus esperava, nos dias de Noé, enquanto se preparava a arca; na qual poucas, isto é, oito almas se salvaram através da água, que também agora, por uma verdadeira figura - o batismo, vos salva, o qual não é o despojamento da imundícia da carne, mas a indagação de uma boa consciência para com Deus, pela ressurreição de Jesus Cristo, que está à destra de Deus, tendo subido ao céu; havendo-se Lhe sujeitado os anjos, e as autoridades, e as potestades.

Marcos 12:18-27

Fragmento 55 - Naquela época, os saduceus, que dizem que não há ressurreição, aproximaram-se d’Ele, e perguntaram-Lhe, dizendo: “Mestre, Moisés nos escreveu que, se morresse o irmão de alguém, e deixasse a mulher e não deixasse filhos, seu irmão tomasse a mulher dele, e suscitasse descendência a seu irmão. Ora, havia sete irmãos, e o primeiro tomou a mulher, e morreu sem deixar descendência; e o segundo também a tomou e morreu, e nem este deixou descendência; e o terceiro da mesma maneira. E tomaram-na os sete, sem, contudo, terem deixado descendência. Finalmente, depois de todos, morreu também a mulher. Na ressurreição, pois, quando ressuscitarem, de qual destes será a mulher? porque os sete a tiveram por mulher”. E Jesus, respondendo, disse-lhes: “Porventura não errais vós em razão de não conhecerdes as Escrituras nem o poder de Deus? Porquanto, quando ressuscitarem dentre os mortos, nem casarão, nem se darão em casamento, mas serão como os anjos que estão nos céus. E, acerca dos mortos que houverem de ressuscitar, não tendes lido no livro de Moisés como Deus lhe falou na sarça, dizendo: 

‘Eu sou o Deus de Abraão, e o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó?’

Ora, Deus não é de mortos, mas sim, é Deus de vivos. Por isso vós errais muito”.

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ENSINO DOS SANTOS PADRES


Santo Irineu de Lião (séc. II)
Tratado Contra as Heresias: “Eu Sou a Ressurreição e a Vida”


Nosso Senhor e mestre, na resposta que deu aos saduceus que negam a ressurreição, e que ainda afrontam a Deus violando a lei, confirma a realidade da ressurreição e depõe em favor de Deus, dizendo-lhes: Estais muito equivocados por não compreender as Escrituras nem o poder de Deus. E a respeito da ressurreição – diz – dos mortos, não lestes o que Deus disse: Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó? E acrescentou: Não é Deus de mortos, mas de vivos: porque para ele estão todos vivos. Com estas palavras manifestou que aquele que falou com Moisés na sarça e declarou ser o Deus dos pais é o Deus dos vivos.

E quem é o Deus dos vivos a não ser o único Deus, acima do qual não existe outro Deus? É o mesmo Deus anunciado pelo Profeta Daniel, quando ao dizer-lhe Ciro, o persa: Por que não adoras a Bel?, respondeu-lhe: eu adoro o Senhor, meu Deus, que é o Deus vivo. Assim o Deus vivo adorado pelos profetas é o Deus dos vivos, e o é também a sua Palavra, que falou a Moisés, que refutou aos saduceus, que nos concedeu o dom da ressurreição, mostrando aos que estavam cegos estas duas verdades fundamentais: a ressurreição e Deus. Se Deus não é Deus de mortos, mas de vivos, e, contudo, é chamado Deus dos pais que já morreram, é incontestável que estão vivos para Deus e não pereceram: são filhos de Deus, porque participam da ressurreição.

E a ressurreição é nosso Senhor em pessoa, como ele mesmo afirmou: Eu sou a ressurreição e a vida. E os pais são seus filhos; já o disse o profeta: em lugar de teus pais, são teus filhos. Portanto, o próprio Cristo é juntamente com o Pai o Deus dos vivos, que falou a Moisés e se manifestou aos pais.

Isto é o que, ensinando, dizia aos judeus: Abraão, vosso pai, pulava de alegria pensando em ver meu dia: o viu e se encheu de alegria. Como assim? Abraão creu em Deus e lhe foi creditado como justiça. Creu, em primeiro lugar, que ele é o Criador do céu e da terra, o único Deus, e em segundo lugar, que multiplicaria sua descendência como as estrelas do céu. É o mesmo vocabulário de Paulo: Como luzeiros do mundo. Com razão, pois, abandonando todos os seus parentes terrenos, seguia o Verbo de Deus, peregrinando com o Verbo, para morar com o Verbo. Com razão os apóstolos, descendentes de Abraão, deixando a barca e o pai, seguiam ao Verbo de Deus. Com razão também nós, abraçando a mesma fé que Abraão, carregando a cruz – como Isaac com a lenha – o seguimos.

Na verdade, em Abraão o homem aprendeu e se acostumou a seguir o Verbo de Deus. De fato, Abraão, favorecendo, em conformidade com a sua fé, o mandato do Verbo de Deus, consentiu oferecer em sacrifício a Deus seu unigênito e amado filho, para que também Deus concordasse no sacrifício de seu Filho unigênito em favor de toda a sua posteridade, ou seja, por nossa redenção. Por isso Abraão, profeta como era, vendo em espírito o dia da vinda do Senhor e a economia da paixão, pela qual ele mesmo e todos os que cressem como ele começariam a inaugurar a salvação, encheu-se de intensa alegria.

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ORAÇÃO A SANTA NINA

Ó, Nina, toda-louvável e maravilhosa, igual aos apóstolos, verdadeiramente um grande adorno da Igreja Ortodoxa e um excelente louvor ao povo da Península Ibérica, que iluminaste toda a terra georgiana com os ensinamentos divinos, e através dos feitos do apostolado venceste o inimigo da nossa salvação; e através do trabalho e da oração plantaste aqui o jardim de Cristo e o fizeste crescer em muitos frutos! Em celebração à tua santa memória, corremos até ao teu venerável Ícone e beijamos reverentemente o louvável dom que te foi dado pela Mãe de Deus, à Cruz milagrosa, que envolveste com teus preciosos cabelos, e ternamente te pedimos, como nossa constante intercessora: Proteja-nos de todos os males e sofrimentos; ilumine os inimigos da Santa Igreja de Cristo e os oponentes da piedade; proteja o teu rebanho, que tu pastoreias, e rogamos: Que o Deus Todo-Bondoso, nosso Salvador, diante de Quem agora te encontras, conceda ao nosso povo ortodoxo paz, longa vida e sucesso em toda boa empreitada, e que o Senhor nos conduza ao Seu Reino Celestial, onde todos os santos glorificam o Seu Santíssimo Nome, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém.

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