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sábado, 14 de fevereiro de 2026

Sábado do Filho Pródigo

PRÉ-FESTA DO ENCONTRO
14 de Fevereiro de 2026 (CC) - 01 de Fevereiro (CE)
São Tryfon de Nicéia, mártir (†251)
Tom 2



O Mártir Trifão nasceu em um dos distritos da Ásia Menor – Frígia, não muito longe da cidade de Apameia, na aldeia de Kampsada. Desde cedo o Senhor lhe concedeu o poder de expulsar demônios e curar diversas doenças. Os habitantes de sua cidade natal já foram salvos por ele da fome: São Trifão, pelo poder de sua oração, fez recuar uma praga de gafanhotos que devorava os grãos e devastava os campos. São Trifão ganhou fama especial ao expulsar um demônio da filha do Imperador Romano Górdio (238-244). Ajudando todos os que estavam em perigo, ele pediu apenas uma taxa – fé em Jesus Cristo, por Cuja graça ele os curou. 
Quando o imperador Décio (249-251) subiu ao trono imperial, houve uma feroz perseguição aos cristãos. Foi feita uma denúncia ao comandante Akelinos de que São Trifão ousava pregar a fé em Cristo e que conduzia muitos ao Batismo. O santo foi preso e submetido a interrogatório, momento em que confessou destemidamente a sua fé. Submeteram-no a duras torturas: Espancaram-no com paus, dilaceraram-lhe o corpo com ganchos de ferro, queimaram as feridas com fogo e conduziram-no pela cidade, martelando-lhe pregos de ferro nos pés. São Trifão suportou bravamente todos os tormentos, sem soltar um único gemido. Finalmente, ele foi condenado à decapitação com espada. O santo mártir rezou antes da execução, agradecendo a Deus por tê-lo fortalecido em seus sofrimentos, e rogou ao Senhor em particular que abençoasse aqueles que invocassem seu nome em busca de ajuda. Assim que os soldados suspenderam a espada sobre a cabeça do santo mártir, ele colocou a sua alma nas mãos de Deus. Este evento ocorreu na cidade de Nicéia no ano 250. Os cristãos vestiram o corpo sagrado do mártir em uma mortalha limpa e queriam enterrá-lo na cidade de Nicéia, onde padeceu, mas São Trifão em uma visão ordenou-lhes que levassem seu corpo para sua terra natal, na aldeia de Kampsada. Isso foi feito. 
Mais tarde, as relíquias de São Trifão foram transferidas para Constantinopla e depois para Roma. O Santo Mártir recebe grande veneração na Igreja Ortodoxa Russa. 
Existe uma lenda que diz que durante o reinado do czar Ivan, o Terrível, na época de uma caçada imperial, um gerifalte (falcão com mais de 60 cm de altura e com aproximadamente 1,6 kg de peso, e um dos maiores falcões do mundo) amado pelo czar voou. O czar ordenou ao falcoeiro Tryphon Patrikeev que encontrasse o pássaro que voou. O falcoeiro Tryphon viajou pela floresta circundante, mas sem sorte. No terceiro dia, exausto de uma longa busca, ele retornou a Moscou, ao lugar hoje chamado Mar'ina Grove, e cansado, deitou-se para descansar, rezando fervorosamente ao seu santo padroeiro - o Mártir Trifão, implorando-lhe por ajuda. Num sonho ele viu um jovem montado em um cavalo branco, segurando na mão o gerifalcão imperial, e este jovem disse: “Leve de volta o pássaro perdido, vá com Deus ao czar e não se preocupe com isso”. Ao acordar, o falcoeiro avistou o gerfalcão não muito longe, em um pinheiro. Ele então o levou ao czar e contou sobre a ajuda milagrosa que ele recebeu do Santo Mártir Trifão. Depois de um certo tempo, o falcoeiro Trifão Patrikeev construiu uma capela no local onde o Santo apareceu, e mais tarde também houve uma igreja em nome do Santo Mártir Trifão.

Oração Antes de Ler as Escrituras
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!

1 Coríntios 10:23-28

23 Todas as coisas são lícitas, mas nem todas as coisas convêm; todas as coisas são lícitas, mas nem todas as coisas edificam. 24 Ninguém busque o proveito próprio, antes cada um o de outrem. 25 Comei de tudo quanto se vende no mercado, nada perguntando por causa da consciência. 26 Pois do Senhor é a terra e a sua plenitude. 27 Se, portanto, algum dos incrédulos vos convidar, e quiserdes ir, comei de tudo o que se puser diante de vós, nada perguntando por causa da consciência. 28 Mas, se alguém vos disser: Isto foi oferecido em sacrifício; não comais por causa daquele que vos advertiu e por causa da consciência;

Lucas 21:8-9, 25-27, 33-36

8 Respondeu então ele: Acautelai-vos; não sejais enganados; porque virão muitos em meu nome, dizendo: Sou eu; e: O tempo é chegado; não vades após eles. 9 Quando ouvirdes de guerras e tumultos, não vos assusteis; pois é necessário que primeiro aconteçam essas coisas; mas o fim não será logo. 25 E haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas; e sobre a terra haverá angústia das nações em perplexidade pelo bramido do mar e das ondas. 26 os homens desfalecerão de terror, e pela expectação das coisas que sobrevirão ao mundo; porquanto os poderes do céu serão abalados. 27 Então verão vir o Filho do homem em uma nuvem, com poder e grande glória. 33 Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras jamais passarão. 34 Olhai por vós mesmos; não aconteça que os vossos corações se carreguem de glutonaria, de embriaguez, e dos cuidados da vida, e aquele dia vos sobrevenha de improviso como um laço. 35 Porque há de vir sobre todos os que habitam na face da terra. 36 Vigiai, pois, em todo o tempo, orando, para que possais escapar de todas estas coisas que hão de acontecer, e estar em pé na presença do Filho do homem. 


COMEMORAÇÃO DOS FALECIDOS



1 Tessalonicenses 4:13-17

Não queremos, porém, irmãos, que sejais ignorantes acerca dos que já dormem, para que não vos entristeçais como os outros que não têm esperança. Porque, se cremos que Jesus morreu e ressurgiu, assim também aos que dormem, Deus, mediante Jesus, os tornará a trazer juntamente com ele. Dizemo-vos, pois, isto pela palavra do Senhor: que nós, os que ficarmos vivos para a vinda do Senhor, de modo algum precederemos os que já dormem. Porque o Senhor mesmo descerá do céu grande brado, à voz do arcanjo, ao som da trombeta de Deus, e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos seremos arrebatados juntamente com eles, nas nuvens, ao encontro do Senhor nos ares, e assim estaremos para sempre com o Senhor.

João 5:24-30

Na verdade, na verdade vos digo que quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna, e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida. Em verdade, em verdade vos digo que vem a hora, e agora é, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus, e os que a ouvirem viverão. Porque, como o Pai tem a vida em si mesmo, assim deu também ao Filho ter a vida em si mesmo; e deu-lhe o poder de exercer o juízo, porque é o Filho do homem. Não vos maravilheis disto; porque vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz. E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal para a ressurreição da condenação. Eu não posso de mim mesmo fazer coisa alguma. Como ouço, assim julgo; e o meu juízo é justo, porque não busco a minha vontade, mas a vontade do Pai que me enviou.

ENSINO DOS SANTOS PADRES

São Teófano, o Recluso
Agora, a Santa Igreja dirige nossa atenção para além das fronteiras da nossa vida presente, a nossos pais e irmãos que passaram por aqui. A Igreja espera que, lembrando-nos do seu estado (que nós mesmos não escaparemos), para nos preparar para passarmos a semana da Abstinência de Carne adequadamente, bem como a Grande Quaresma que se segue. Vamos ouvir a nossa mãe Igreja; e comemorando nossos pais e irmãos, vamos cuidar para nos prepararmos para a nossa passagem para o outro mundo. Vamos trazer à mente os nossos pecados e lamentá-los, estando determinados a de agora em diante manter-nos puros de qualquer contaminação. Pois nada impuro entrará no Reino de Deus; e no julgamento, nenhum imundo será justificado. Após a morte não se pode esperar purificação. Você vai permanecer como está quando fizer a passagem. Você deve se purificar aqui. Apressem-nos, pois, quem pode prever quanto tempo um vai viver? A vida poderia ser cortada nesta mesma hora. Como podemos aparecer impuro no outro mundo? Através de que os olhos vamos encarar nossos pais e irmãos que irão nos atender? Como vamos responder às suas perguntas: "Que maldade é esta em você? O que é isso? E isso? "Que vergonha vai cobrir-nos! Apressem-nos por corrigir tudo o que está fora de ordem, para chegar pelo menos um pouco tolerável e suportável no outro mundo.

† † †

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2025

Sexta-feira do Publicano e do Fariseu

PRÉ-FESTA DO ENCONTRO
14 de Fevereiro de 2025 (CC) - 01 de Fevereiro (CE)
São Tryfon de Nicéia, mártir (†251)
Tom 8



O Mártir Trifão nasceu em um dos distritos da Ásia Menor – Frígia, não muito longe da cidade de Apameia, na aldeia de Kampsada. Desde cedo o Senhor lhe concedeu o poder de expulsar demônios e curar diversas doenças. Os habitantes de sua cidade natal já foram salvos por ele da fome: São Trifão, pelo poder de sua oração, fez recuar uma praga de gafanhotos que devorava os grãos e devastava os campos. São Trifão ganhou fama especial ao expulsar um demônio da filha do Imperador Romano Górdio (238-244). Ajudando todos os que estavam em perigo, ele pediu apenas uma taxa – fé em Jesus Cristo, por Cuja graça ele os curou. 
Quando o imperador Décio (249-251) subiu ao trono imperial, houve uma feroz perseguição aos cristãos. Foi feita uma denúncia ao comandante Akelinos de que São Trifão ousava pregar a fé em Cristo e que conduzia muitos ao Batismo. O santo foi preso e submetido a interrogatório, momento em que confessou destemidamente a sua fé. Submeteram-no a duras torturas: Espancaram-no com paus, dilaceraram-lhe o corpo com ganchos de ferro, queimaram as feridas com fogo e conduziram-no pela cidade, martelando-lhe pregos de ferro nos pés. São Trifão suportou bravamente todos os tormentos, sem soltar um único gemido. Finalmente, ele foi condenado à decapitação com espada. O santo mártir rezou antes da execução, agradecendo a Deus por tê-lo fortalecido em seus sofrimentos, e rogou ao Senhor em particular que abençoasse aqueles que invocassem seu nome em busca de ajuda. Assim que os soldados suspenderam a espada sobre a cabeça do santo mártir, ele colocou a sua alma nas mãos de Deus. Este evento ocorreu na cidade de Nicéia no ano 250. Os cristãos vestiram o corpo sagrado do mártir em uma mortalha limpa e queriam enterrá-lo na cidade de Nicéia, onde padeceu, mas São Trifão em uma visão ordenou-lhes que levassem seu corpo para sua terra natal, na aldeia de Kampsada. Isso foi feito. 
Mais tarde, as relíquias de São Trifão foram transferidas para Constantinopla e depois para Roma. O Santo Mártir recebe grande veneração na Igreja Ortodoxa Russa. 
Existe uma lenda que diz que durante o reinado do czar Ivan, o Terrível, na época de uma caçada imperial, um gerifalte (falcão com mais de 60 cm de altura e com aproximadamente 1,6 kg de peso, e um dos maiores falcões do mundo) amado pelo czar voou. O czar ordenou ao falcoeiro Tryphon Patrikeev que encontrasse o pássaro que voou. O falcoeiro Tryphon viajou pela floresta circundante, mas sem sorte. No terceiro dia, exausto de uma longa busca, ele retornou a Moscou, ao lugar hoje chamado Mar'ina Grove, e cansado, deitou-se para descansar, rezando fervorosamente ao seu santo padroeiro - o Mártir Trifão, implorando-lhe por ajuda. Num sonho ele viu um jovem montado em um cavalo branco, segurando na mão o gerifalcão imperial, e este jovem disse: “Leve de volta o pássaro perdido, vá com Deus ao czar e não se preocupe com isso”. Ao acordar, o falcoeiro avistou o gerfalcão não muito longe, em um pinheiro. Ele então o levou ao czar e contou sobre a ajuda milagrosa que ele recebeu do Santo Mártir Trifão. Depois de um certo tempo, o falcoeiro Trifão Patrikeev construiu uma capela no local onde o Santo apareceu, e mais tarde também houve uma igreja em nome do Santo Mártir Trifão.


Oração Antes de Ler as Escrituras
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!


1 João 2:7-17

Amados, não vos escrevo mandamento novo, mas um mandamento antigo, que tendes desde o princípio. Este mandamento antigo é a palavra que ouvistes. Contudo é um novo mandamento que vos escrevo, o qual é verdadeiro nele e em vós; porque as trevas vão passando, e já brilha a verdadeira luz. Aquele que diz estar na luz, e odeia a seu irmão, até agora está nas trevas. Aquele que ama a seu irmão permanece na luz, e nele não há tropeço. Mas aquele que odeia a seu irmão está nas trevas, e anda nas trevas, e não sabe para onde vai; porque as trevas lhe cegaram os olhos. Filhinhos, eu vos escrevo, porque os vossos pecados são perdoados por amor do seu nome. Pais, eu vos escrevo, porque conheceis aquele que é desde o princípio. Jovens, eu vos escrevo, porque vencestes o Maligno. Eu vos escrevi, meninos, porque conheceis o Pai. Eu vos escrevi, pais, porque conheceis aquele que é desde o princípio. Eu escrevi, jovens, porque sois fortes, e a palavra de Deus permanece em vós, e já vencestes o Maligno. Não ameis o mundo, nem o que há no mundo. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não vem do Pai, mas sim do mundo. Ora, o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus, permanece para sempre.

Marcos 14:3-9

Estando ele em Betânia, reclinado à mesa em casa de Simão, o leproso, veio uma mulher que trazia um vaso de alabastro cheio de bálsamo de nardo puro, de grande preço; e, quebrando o vaso, derramou-lhe sobre a cabeça o bálsamo. Mas alguns houve que em si mesmos se indignaram e disseram: Para que se fez este desperdício do bálsamo?  Pois podia ser vendido por mais de trezentos denários que se dariam aos pobres. E bramavam contra ela. Jesus, porém, disse: Deixai-a; por que a molestais? Ela praticou uma boa ação para comigo. Porquanto os pobres sempre os tendes convosco e, quando quiserdes, podeis fazer-lhes bem; a mim, porém, nem sempre me tendes. Ela fez o que pode; antecipou-se a ungir o meu corpo para a sepultura. Em verdade vos digo que, em todo o mundo, onde quer que for pregado o evangelho, também o que ela fez será contado para memória sua.

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ENSINO DOS SANTOS PADRES


"Maria ungiu os pés de Jesus com uma libra de perfume de nardo puro, de alto preço, e enxugou-Lhos com os seus cabelos. A casa encheu-se com a fragrância do perfume."Eis o fato histórico; procuremos o simbólico. Sejas tu quem fores, se quiseres ser uma alma fiel, unge com Maria os pés do Senhor com perfume. Esse perfume é a retidão. […] Deita perfume sobre os pés do Senhor. Segue as pegadas do Senhor com uma vida santa. Enxuga os seus pés com os teus cabelos: se tens coisas supérfluas, dá-as aos pobres e assim terás enxugado os pés do Senhor. […] Talvez os pés do Senhor na terra sejam os necessitados. Pois não é dos seus membros (Ef 5,30) que Ele dirá no fim do mundo: «Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a Mim mesmo o fizestes» (Mt 25,40)?

"A casa encheu-se com a fragrância do perfume." Quer dizer, o mundo encheu-se da boa reputação desta mulher, porque o bom odor é como a boa reputação. Aqueles que associam o nome de cristãos a uma vida desonesta injuriam a Cristo […]; se o nome de Deus é blasfemado por esses maus cristãos, ele é, pelo contrário, louvado e glorificado pelos bons: "somos em toda a parte o bom odor de Cristo" (2Cor 2,14-15). E diz também o Cântico dos Cânticos: "A tua fama é odor que se difunde" (1,3).

Bem-aventurado Agostinho, Bispo de Hypona (Séc, IV-V)



A esposa do Cântico dos Cânticos diz: "o meu nardo dá o seu perfume" (1,12) [...]; mas podemos ler também "o Seu perfume". [...] A esposa aproximou-se do Esposo, ungiu-O com os seus unguentos e, surpreendentemente, foi como se o nardo não tivesse dado perfume enquanto estava nas mãos da esposa, mas o desse ao entrar em contacto com o corpo do Esposo — de sorte que, segundo parece, não foi tanto Ele que recebeu o perfume do nardo mas foi antes o nardo que o recebeu, como se viesse d'Ele. [...]

Apresentamos aqui a esposa Igreja, na pessoa de Maria: diz-se que ela trazia uma libra de nardo de alto preço e que ungiu os pés de Jesus, enxugando-os depois com os cabelos e que, de certo modo, também ela recebeu, através dos cabelos, um perfume impregnado da qualidade e do poder do corpo de Jesus. [...] Ela impregnou a cabeça com um perfume requintado que vinha mais de Cristo que do nardo e disse [com a esposa]: «O meu nardo, derramado no corpo de Cristo, deu-me em troca o Seu aroma». [...]

"A casa encheu-se com a fragrância do perfume." Isso indica, seguramente, que a fragrância da doutrina que vem de Cristo e o agradável perfume do Espírito Santo encheram toda a casa deste mundo, ou a casa de toda a Igreja. Ou, pelo menos, encheram toda a casa através desta alma que recebeu a fragrância de Cristo, tendo-Lhe oferecido inicialmente o dom da sua fé como nardo puro, e recebendo, em retribuição, a graça do Espírito Santo e o agradável perfume da doutrina espiritual [...], para que também ela pudesse dizer: "Somos para Deus o bom odor de Cristo"(2Co 2,15). Ora, porque esse nardo foi cheio de fé e dum amor de grande valor, Jesus presta-lhe esta homenagem: "Praticou em Mim uma boa ação!" (Mc 14,6).

Orígenes, Presbítero de Alexandria (Séc II-III)

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quarta-feira, 14 de fevereiro de 2024

37ª Quarta-feira Depois de Pentecostes

PRÉ-FESTA DO ENCONTRO
14 de Fevereiro de 2024 (CC) - 01 de Fevereiro (CE)
São Tryfon de Nicéia, mártir (†251)
Tom 3



O Mártir Trifão nasceu em um dos distritos da Ásia Menor – Frígia, não muito longe da cidade de Apameia, na aldeia de Kampsada. Desde cedo o Senhor lhe concedeu o poder de expulsar demônios e curar diversas doenças. Os habitantes de sua cidade natal já foram salvos por ele da fome: São Trifão, pelo poder de sua oração, fez recuar uma praga de gafanhotos que devorava os grãos e devastava os campos. São Trifão ganhou fama especial ao expulsar um demônio da filha do Imperador Romano Górdio (238-244). Ajudando todos os que estavam em perigo, ele pediu apenas uma taxa – fé em Jesus Cristo, por Cuja graça ele os curou. 
Quando o imperador Décio (249-251) subiu ao trono imperial, houve uma feroz perseguição aos cristãos. Foi feita uma denúncia ao comandante Akelinos de que São Trifão ousava pregar a fé em Cristo e que conduzia muitos ao Batismo. O santo foi preso e submetido a interrogatório, momento em que confessou destemidamente a sua fé. Submeteram-no a duras torturas: Espancaram-no com paus, dilaceraram-lhe o corpo com ganchos de ferro, queimaram as feridas com fogo e conduziram-no pela cidade, martelando-lhe pregos de ferro nos pés. São Trifão suportou bravamente todos os tormentos, sem soltar um único gemido. Finalmente, ele foi condenado à decapitação com espada. O santo mártir rezou antes da execução, agradecendo a Deus por tê-lo fortalecido em seus sofrimentos, e rogou ao Senhor em particular que abençoasse aqueles que invocassem seu nome em busca de ajuda. Assim que os soldados suspenderam a espada sobre a cabeça do santo mártir, ele colocou a sua alma nas mãos de Deus. Este evento ocorreu na cidade de Nicéia no ano 250. Os cristãos vestiram o corpo sagrado do mártir em uma mortalha limpa e queriam enterrá-lo na cidade de Nicéia, onde padeceu, mas São Trifão em uma visão ordenou-lhes que levassem seu corpo para sua terra natal, na aldeia de Kampsada. Isso foi feito. 
Mais tarde, as relíquias de São Trifão foram transferidas para Constantinopla e depois para Roma. O Santo Mártir recebe grande veneração na Igreja Ortodoxa Russa. 
Existe uma lenda que diz que durante o reinado do czar Ivan, o Terrível, na época de uma caçada imperial, um gerifalte (falcão com mais de 60 cm de altura e com aproximadamente 1,6 kg de peso, e um dos maiores falcões do mundo) amado pelo czar voou. O czar ordenou ao falcoeiro Tryphon Patrikeev que encontrasse o pássaro que voou. O falcoeiro Tryphon viajou pela floresta circundante, mas sem sorte. No terceiro dia, exausto de uma longa busca, ele retornou a Moscou, ao lugar hoje chamado Mar'ina Grove, e cansado, deitou-se para descansar, rezando fervorosamente ao seu santo padroeiro - o Mártir Trifão, implorando-lhe por ajuda. Num sonho ele viu um jovem montado em um cavalo branco, segurando na mão o gerifalcão imperial, e este jovem disse: “Leve de volta o pássaro perdido, vá com Deus ao czar e não se preocupe com isso”. Ao acordar, o falcoeiro avistou o gerfalcão não muito longe, em um pinheiro. Ele então o levou ao czar e contou sobre a ajuda milagrosa que ele recebeu do Santo Mártir Trifão. Depois de um certo tempo, o falcoeiro Trifão Patrikeev construiu uma capela no local onde o Santo apareceu, e mais tarde também houve uma igreja em nome do Santo Mártir Trifão.

Oração Antes de Ler as Escrituras
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!

Tiago 3:11-4:6

Porventura deita alguma fonte de um mesmo manancial água doce e água amargosa? Meus irmãos, pode também a figueira produzir azeitonas, ou a videira figos? Assim tampouco pode uma fonte dar água salgada e doce. Quem dentre vós é sábio e entendido? Mostre pelo seu bom trato as suas obras em mansidão de sabedoria. Mas, se tendes amarga inveja, e sentimento faccioso em vosso coração, não vos glorieis, nem mintais contra a verdade. Essa não é a sabedoria que vem do alto, mas é terrena, animal e diabólica. Porque onde há inveja e espírito faccioso aí há perturbação e toda a obra perversa. Mas a sabedoria que do alto vem é, primeiramente pura, depois pacífica, moderada, tratável, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade, e sem hipocrisia. Ora, o fruto da justiça semeia-se na paz, para os que exercitam a paz. De onde vêm as guerras e pelejas entre vós? Porventura não vêm disto, a saber, dos vossos deleites, que nos vossos membros guerreiam? Cobiçais, e nada tendes; matais, e sois invejosos, e nada podeis alcançar; combateis e guerreais, e nada tendes, porque não pedis. Pedis, e não recebeis, porque pedis mal, para o gastardes em vossos deleites. Adúlteros e adúlteras, não sabeis vós que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto, qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus. Ou cuidais vós que em vão diz a Escritura: O Espírito que em nós habita tem ciúmes? Antes, ele dá maior graça. Portanto diz: Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes.

Marcos 11:23-26

Porque em verdade vos digo que qualquer que disser a este monte: Ergue-te e lança-te no mar, e não duvidar em seu coração, mas crer que se fará aquilo que diz, tudo o que disser lhe será feito. Por isso vos digo que todas as coisas que pedirdes, orando, crede receber, e tê-las-eis. E, quando estiverdes orando, perdoai, se tendes alguma coisa contra alguém, para que vosso Pai, que está nos céus, vos perdoe as vossas ofensas. Mas, se vós não perdoardes, também vosso Pai, que está nos céus, vos não perdoará as vossas ofensas.

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Ouça "A Fé: Sua Ilusão e Seu Poder" no Spreaker.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2023

Terça-feira do Filho Pródigo


PRÉ-FESTA DO ENCONTRO
14 de Fevereiro de 2023 (CC) - 01 de Fevereiro (CE)
Santo Mártir Tryfon de Campsada, próxima a Apamea, na Síria (†250)
Tom 2



São Tryfon era natural de Lampsako, na Frígia (antiga região da Ásia Menor) e viveu na época em que reinava Giordiano (238-244), Philippos e Décio. São Tryfon era muito pobre e, desde pequeno se dedicava ao cuidado de animais do campo para poder viver. Enquanto realizava seu humilde trabalho, refletia sobre as Sagradas Escrituras e com muito zelo cumpria com seus deveres religiosos. 
Entre os versículos que sempre repetia, este se destacava: «A bênção do Senhor repousa sobre a habitação do justo. Se ele escarnece dos zombadores, concede a graça aos humildes»(Prov. 3, 33b.-34). 
Realmente, o humilde e piedoso Tryfon, com perseverança, não só conheceu as Sagradas Escrituras em profundidade como a ensinou. Estava tão pleno da graça divina que operava milagrosas curas. A notoriedade de Tryfon chegou aos ouvidos do rei Gordianos que mandou chamá-lo porque sua filha estava muito doente. De fato, Tryfon a curou; e o pai, agradecido, quis pagá-lo, porém Tryfon se negou aceitar qualquer valor e se retirou com a gratidão do rei. 
Contudo, na época de Decio (249-251), Tryfon foi preso por admitir sua fé em Jesus Cristo e fervorosamente expressar sua oposição à idolatria. Por causa disso, o prefeito oriental Aquilino, em Nikia, ordenou que o torturassem violentamente. Foi amarrado a um cavalo e arrastado pelas ruas. Em seguida, completamente nu, em pleno inverno, foi amarrado sobre pregos e queimado com tochas acesas. Finalmente, foi decapitado, mas antes disso, já havia entregue seu espírito nas mãos de Deus.

Oração Antes de Ler as Escrituras
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!

1 João 3:11-20

11 Porque esta é a mensagem que ouvistes desde o princípio, que nos amemos uns aos outros,    12 não sendo como Caim, que era do Maligno, e matou a seu irmão. E por que o matou? Porque as suas obras eram más e as de seu irmão justas. 13 Meus irmãos, não vos admireis se o mundo vos odeia. 14 Nós sabemos que já passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos. Quem não ama permanece na morte. 15 Todo o que odeia a seu irmão é homicida; e vós sabeis que nenhum homicida tem a vida eterna permanecendo nele. 16 Nisto conhecemos o amor: que Cristo deu a sua vida por nós; e nós devemos dar a vida pelos irmãos. 17 Quem, pois, tiver bens do mundo, e, vendo o seu irmão necessitando, lhe fechar o seu coração, como permanece nele o amor de Deus? 18 Filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas por obras e em verdade. 19 Nisto conheceremos que somos da verdade, e diante dele tranqüilizaremos o nosso coração;  20 porque se o coração nos condena, maior é Deus do que o nosso coração, e conhece todas as coisas.

Marcos 14:10-42

10 Então Judas Iscariotes, um dos doze, foi ter com os principais sacerdotes para lhes entregar Jesus. 11 Ouvindo-o eles, alegraram-se, e prometeram dar-lhe dinheiro. E buscava como o entregaria em ocasião oportuna. 12 Ora, no primeiro dia dos pães ázimos, quando imolavam a páscoa, disseram-lhe seus discípulos: Aonde queres que vamos fazer os preparativos para comeres a páscoa? 13 Enviou, pois, dois dos seus discípulos, e disse-lhes: Ide à cidade, e vos sairá ao encontro um homem levando um cântaro de água; seguí-o; 14 e, onde ele entrar, dizei ao  dono da casa: O Mestre manda perguntar: Onde está o meu aposento em que hei de comer a páscoa com os meus discípulos? 15 E ele vos mostrará um grande cenáculo mobiliado e pronto; aí fazei-nos os preparativos. 16 Partindo, pois, os discípulos, foram à cidade, onde acharam tudo como ele lhes dissera, e prepararam a páscoa. 17 Ao anoitecer chegou ele com os doze. 18 E, quando estavam reclinados à mesa e comiam, disse Jesus: Em verdade vos digo que um de vós, que comigo come, há de trair-me. 19 Ao que eles começaram a entristecer-se e a perguntar-lhe um após outro: Porventura sou eu? 20 Respondeu-lhes: É um dos doze, que mete comigo a mão no prato. 21 Pois o Filho do homem vai, conforme está escrito a seu respeito; mas ai daquele por quem o Filho do homem é traído! bom seria para esse homem se não houvera nascido. 22 Enquanto comiam, Jesus tomou pão e, abençoando-o, o partiu e deu-lho, dizendo: Tomai; isto é o meu corpo. 23 E tomando um cálice, rendeu graças e deu-lho; e todos beberam dele. 24 E disse-lhes: Isto é o meu sangue, o sangue do pacto, que por muitos é derramado. 25 Em verdade vos digo que não beberei mais do fruto da videira, até aquele dia em que o beber, novo, no reino de Deus. 26 E, tendo cantado um hino, saíram para o Monte das Oliveiras. 27 Disse-lhes então Jesus: Todos vós vos escandalizareis; porque escrito está: Ferirei o pastor, e as ovelhas se dispersarão. 28 Todavia, depois que eu ressurgir, irei adiante de vós para a Galiléia. 29 Ao que Pedro lhe disse: Ainda que todos se escandalizem, nunca, porém, eu. 30 Replicou-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje, nesta noite, antes que o galo cante duas vezes, três vezes tu me negarás. 31 Mas ele repetia com veemência: Ainda que me seja necessário morrer contigo, de modo nenhum te negarei. Assim também diziam todos. 32 Então chegaram a um lugar chamado Getsêmane, e disse Jesus a seus discípulos: Sentai-vos aqui, enquanto eu oro. 33 E levou consigo a Pedro, a Tiago e a João, e começou a ter pavor e a angustiar-se; 34 e disse-lhes: A minha alma está triste até a morte; ficai aqui e vigiai. 35 E adiantando-se um pouco, prostrou-se em terra; e orava para que, se fosse possível, passasse dele aquela hora. 36 E dizia: Aba, Pai, tudo te é possível; afasta de mim este cálice; todavia não seja o que eu quero, mas o que tu queres. 37 Voltando, achou-os dormindo; e disse a Pedro: Simão, dormes? não pudeste vigiar uma hora? 38 Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca. 39 Retirou-se de novo e orou, dizendo as mesmas palavras. 40 E voltando outra vez, achou-os dormindo, porque seus olhos estavam carregados; e não sabiam o que lhe responder. 41 Ao voltar pela terceira vez, disse-lhes: Dormi agora e descansai. - Basta; é chegada a hora. Eis que o Filho do homem está sendo entregue nas mãos dos pecadores. 42 Levantai-vos, vamo-nos; eis que é chegado aquele que me trai.

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ENSINO DOS SANTOS PADRES

1 João 3:11-20
São Teófano, o Recluso
São Pedro enfaticamente afirmara que não iria rejeitar o Senhor; mas quando chegou a hora, ele negou, e três vezes pelo menos. Tal é a nossa fraqueza! Não confie em si mesmo, e quando estiver em meio a inimigos, coloque toda sua esperança em superá-los, no Senhor. É por esta causa que a grandes personagens se permite a queda, para que ninguém se atreva fazer algo de bom ou a vencer qualquer inimigo externo ou interno, confiado em si mesmo. Você deve confiar no Senhor, mas, sem parar de se esforçar. O socorro de Deus vem ao encontro dos seus esforços, fortalecendo-os. Se esses esforços não existirem, também a ajuda de Deus não tem como vir. Mas, igualmente, se você estiver cheio de auto-confiança, consequentemente, não sentirá necessidade de ajuda e,neste caso, também, ajuda de Deus não virá. Como ela pode vir se alguém a considerar desnecessária? Sendo assim, nada há como recebê-la. Ela tão somente é obtida pelo coração. O coração se abre para a receber por meio de um sentimento de necessidade. Assim, tanto o primeiro (a ajuda de Deus) e o último (o esforço pessoal) são necessários. Diga: "Ajuda-me, ó Deus!" Mas não seja indolente.

Marcos 14:10-42

São João Crisóstomo
Durante a ceia, tomou o pão e o partiu. Por que instituiu este mistério durante a Páscoa? Para que conclua de todos os seus atos que ele foi o legislador do Antigo Testamento, e que todas as coisas que nele se contêm foram esboçadas em vista à nova aliança. Por isso, onde estava a figura, Cristo entronizou a verdade. A tarde era o símbolo da plenitude dos tempos, e indicava que as coisas já estavam chegando ao seu fim. Pronunciou a bênção, ensinando-nos como nós temos de celebrar este mistério, mostrando que não vai coagido para a paixão e preparando-nos para que tudo quanto soframos o saibamos suportar com ação de graças, e tirando do sofrimento um avigoramento da esperança.

Pois, se já o tipo ou a figura foi capaz de libertar de tão grande escravidão, com mais razão libertará a verdade ao redor da terra e redundará em benefício de nossa raça. Por isso Cristo não instituiu este mistério antes, mas tão somente no momento em que estavam para cessar as prescrições legais. Aboliu a mais importante das solenidades judaicas, convocando aos judeus em torno à outra mesa muito mais santa, e disse: Tomai e comei: isto é meu corpo, que será entregue por vós.

E como não se perturbaram ao ouvir isto? Porque anteriormente Cristo já lhes tinha dito muitas e grandiosas coisas deste mistério. Por isso agora ele não se estende em explicações, porque já tinham escutado bastante sobre esta matéria. Apesar disso, sei que lhes diz qual é a causa da paixão: o perdão dos pecados. Chama a seu sangue “sangue da nova aliança”, ou seja, da promessa e da nova lei. De fato, isto é o que antigamente já tinha prometido e o confirma a nova aliança. E assim como a antiga aliança ofereceu ovelhas e novilhos, a nova oferece o sangue do Senhor. Esta passagem também insinua que ele tinha que morrer; por isso fez alusão ao testamento e menciona também o antigo. Daí que também não faltasse sangue na inauguração da primeira aliança. Novamente declara a causa de sua morte: Que será derramada por muitos para o perdão dos pecados. E acrescenta: Fazei isto em minha memória.

Não percebes como retrai e afasta os seus discípulos dos ritos judaicos? Que é como se dissesse: Vós comemorais aquela ceia em comemoração dos prodígios operados no Egito; celebrai a nova ceia em minha comemoração. Aquele sangue foi derramado para salvar aos primogênitos; este, para o perdão dos pecados de todo o mundo. Este é o meu sangue, diz, que será derramado para o perdão dos pecados. Disse isto, sem dúvida, tanto para demonstrar que a paixão e a morte são um mistério, como para, desta forma, consolar novamente aos seus discípulos. E assim como Moisés disse: É lei perpétua para vós, assim ele também disse: Em minha comemoração, até que eu volte. Por isso afirma: Tenho desejado ardentemente comer esta comida pascal; ou seja, desejei entregar-vos esta nova realidade, dar-vos uma páscoa com a qual vos convertereis em homens espirituais.

E ele mesmo bebeu também dele. Para evitar que ao ouvir estas palavras replicassem: Como? Vamos beber sangue e comer carne?, e se escandalizassem – pois, falando em outra ocasião deste tema, muitos se escandalizaram de suas palavras; pois bem, para que não tivessem motivo de escândalo, ele é o primeiro em dar o exemplo, induzindo-os a participar nestes mistérios com o espírito tranquilo. Por esta razão, ele mesmo bebeu o seu sangue.

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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2022

Segunda-feira do Publicano e do Fariseu


PRÉ-FESTA DO ENCONTRO
14 de Fevereiro de 2022 (CC) - 01 de Fevereiro (CE)
Santo Mártir Tryfon de Campsada, próxima a Apamea, na Síria (†250)
Tom 1



São Tryfon era natural de Lampsako, na Frígia (antiga região da Ásia Menor) e viveu na época em que reinava Giordiano (238-244), Philippos e Décio. São Tryfon era muito pobre e, desde pequeno se dedicava ao cuidado de animais do campo para poder viver. Enquanto realizava seu humilde trabalho, refletia sobre as Sagradas Escrituras e com muito zelo cumpria com seus deveres religiosos. 
Entre os versículos que sempre repetia, este se destacava: «A bênção do Senhor repousa sobre a habitação do justo. Se ele escarnece dos zombadores, concede a graça aos humildes»(Prov. 3, 33b.-34). 
Realmente, o humilde e piedoso Tryfon, com perseverança, não só conheceu as Sagradas Escrituras em profundidade como a ensinou. Estava tão pleno da graça divina que operava milagrosas curas. A notoriedade de Tryfon chegou aos ouvidos do rei Gordianos que mandou chamá-lo porque sua filha estava muito doente. De fato, Tryfon a curou; e o pai, agradecido, quis pagá-lo, porém Tryfon se negou aceitar qualquer valor e se retirou com a gratidão do rei. 
Contudo, na época de Decio (249-251), Tryfon foi preso por admitir sua fé em Jesus Cristo e fervorosamente expressar sua oposição à idolatria. Por causa disso, o prefeito oriental Aquilino, em Nikia, ordenou que o torturassem violentamente. Foi amarrado a um cavalo e arrastado pelas ruas. Em seguida, completamente nu, em pleno inverno, foi amarrado sobre pregos e queimado com tochas acesas. Finalmente, foi decapitado, mas antes disso, já havia entregue seu espírito nas mãos de Deus.

Oração Antes de Ler as Escrituras
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!

2 Pedro 1:20-2:9

20 sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação. 21 Porque a profecia nunca foi produzida por vontade dos homens, mas os homens da parte de Deus falaram movidos pelo Espírito Santo. 1 Mas houve também entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá falsos mestres, os quais introduzirão encobertamente heresias destruidoras, negando até o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição. 2 E muitos seguirão as suas dissoluções, e por causa deles será blasfemado o caminho da verdade; 3 também, movidos pela ganância, e com palavras fingidas, eles farão de vós negócio; a condenação dos quais já de largo tempo não tarda e a sua destruição não dormita. 4 Porque se Deus não poupou a anjos quando pecaram, mas lançou-os no inferno, e os entregou aos abismos da escuridão, reservando-os para o juízo; 5 se não poupou ao mundo antigo, embora preservasse a Noé, pregador da justiça, com mais sete pessoas, ao trazer o dilúvio sobre o mundo dos ímpios; 6 se, reduzindo a cinza as cidades de Sodoma e Gomorra, condenou-as à destruição, havendo-as posto para exemplo aos que vivessem impiamente; 7 e se livrou ao justo Ló, atribulado pela vida dissoluta daqueles perversos 8 (porque este justo, habitando entre eles, por ver e ouvir, afligia todos os dias a sua alma justa com as injustas obras deles); 9 também sabe o Senhor livrar da tentação os piedosos, e reservar para o dia do juízo os injustos, que já estão sendo castigados...

Marcos 13:9-13

9 Mas olhai por vós mesmos; pois por minha causa vos hão de entregar aos sinédrios e às sinagogas, e sereis açoitados; também sereis levados perante governadores e reis, para lhes servir de testemunho. 10 Mas importa que primeiro o evangelho seja pregado entre todas as nações. 11 Quando, pois, vos conduzirem para vos entregar, não vos preocupeis com o que haveis de dizer; mas, o que vos for dado naquela hora, isso falai; porque não sois vós que falais, mas sim o Espírito Santo. 12 Um irmão entregará à morte a seu irmão, e um pai a seu filho; e filhos se levantarão contra os pais e os matarão. 13 E sereis odiados de todos por causa do meu nome; mas aquele que perseverar até o fim, esse será salvo.  
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COMENTÁRIO

“Olhai por vós mesmos”..., é a exortação do Senhor Jesus Cristo, pois o coração humano é cheio de fantasias e ilusões, facilmente enganado por falsas perspectivas. O Cristianismo não é o caminho para garantir o sucesso, o conforto e a segurança em meio às estruturas que estribam a sociedade humana: a cobiça dos olhos, a cobiça da carne e a busca pelas glórias deste mundo. Falsos profetas têm se levantado para tentar transformar a fé cristã na “via divina” para se atingir os objetivos deste mundo. O caminho de Jesus Cristo nos põe na contramão da vida e inexoravelmente nos reserva uma cruz, aos conflitos com os poderosos deste mundo, à inadequação ao modo de vida da sociedade, a sofrer hostilização das pessoas sem Deus, a ser mau compreendidos e julgados injustamente, a perder o afeto das pessoas que nos são próximas, a ver amigos e pessoas a quem amamos nos ignorar. Sim, dias difíceis e relações conflituosas são perspectivas muito prováveis no caminho daquele que se dispõe a seguir Jesus Cristo.

Certa vez um amigo meu que é Pastor Protestante me fez o seguinte comentário:

“Eu não acredito que a Igreja Ortodoxa consiga se firmam em nossa cultura, pois ela tem uma mensagem muito impopular e um jeito estranho de ser”.

E eu lhe respondi com uma pergunta, para a qual só obtive como resposta, um olhar surpreso e um não quase que inaudível após um breve silêncio ponderativo. Eu lhe perguntara:

“Acaso você conhece algum período da história da Igreja em que ela se estabeleceu sem tensões, conflitos e inaceitabilidade?”

Vigiar significa, antes de tudo, prestar atenção nas santas palavras proféticas, pois ela desfaz as ilusões que Satanás faz surgir em nossos corações. A vigilância dispensa a preocupação e a consumação do nosso tempo com a construção de discursos bem elaborados com a finalidade de fazer a Fé parecer razoável a mente do mundo, pois o atalaia vigilante conhece muito bem as ordens e as palavras que lhes foram confiadas; a sua boca nada mais é do que os lábios pelos quais fala o Todo-Poderoso Senhor dos céus e da terra: o Pai, Filho e Espírito Santo. 

Padre Mateus (Antonio Eça)

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domingo, 14 de fevereiro de 2021

36º Domingo Depois de Pentecostes

PRÉ-FESTA DO ENCONTRO
14 de Fevereiro de 2021 (CC) - 01 de Fevereiro (CE)
São Tryfon de Nicéia, mártir (†251)
Tom 3



São Tryfon era natural de Lampsako, na Frígia (antiga região da Ásia Menor) e viveu na época em que reinava Giordiano (238-244), Philippos e Décio. São Tryfon era muito pobre e, desde pequeno se dedicava ao cuidado de animais do campo para poder viver. Enquanto realizava seu humilde trabalho, refletia sobre as Sagradas Escrituras e com muito zelo cumpria com seus deveres religiosos. 
Entre os versículos que sempre repetia, este se destacava: «A bênção do Senhor repousa sobre a habitação do justo. Se ele escarnece dos zombadores, concede a graça aos humildes»(Prov. 3, 33b.-34). 
Realmente, o humilde e piedoso Tryfon, com perseverança, não só conheceu as Sagradas Escrituras em profundidade como a ensinou. Estava tão pleno da graça divina que operava milagrosas curas. A notoriedade de Tryfon chegou aos ouvidos do rei Gordianos que mandou chamá-lo porque sua filha estava muito doente. De fato, Tryfon a curou; e o pai, agradecido, quis pagá-lo, porém Tryfon se negou aceitar qualquer valor e se retirou com a gratidão do rei. 
Contudo, na época de Decio (249-251), Tryfon foi preso por admitir sua fé em Jesus Cristo e fervorosamente expressar sua oposição à idolatria. Por causa disso, o prefeito oriental Aquilino, em Nikia, ordenou que o torturassem violentamente. Foi amarrado a um cavalo e arrastado pelas ruas. Em seguida, completamente nu, em pleno inverno, foi amarrado sobre pregos e queimado com tochas acesas. Finalmente, foi decapitado, mas antes disso, já havia entregue seu espírito nas mãos de Deus.


Oração Antes de Ler as Escrituras
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!

MATINAS (III)

Marcos 16:9-20

E Jesus, tendo ressuscitado na manhã do primeiro dia da semana, apareceu primeiramente a Maria Madalena, da qual tinha expulsado sete demônios. E, partindo ela, anunciou-o àqueles que tinham estado com ele, os quais estavam tristes, e chorando. E, ouvindo eles que vivia, e que tinha sido visto por ela, não o creram. E depois manifestou-se de outra forma a dois deles, que iam de caminho para o campo. E, indo estes, anunciaram-no aos outros, mas nem ainda estes creram. Finalmente apareceu aos onze, estando eles assentados juntamente, e lançou-lhes em rosto a sua incredulidade e dureza de coração, por não haverem crido nos que o tinham visto já ressuscitado. E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado. E estes sinais seguirão aos que crerem: Em meu nome expulsarão os demônios; falarão novas línguas; Pegarão nas serpentes; e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e porão as mãos sobre os enfermos, e os curarão. Ora, o Senhor, depois de lhes ter falado, foi recebido no céu, e assentou-se à direita de Deus. E eles, tendo partido, pregaram por todas as partes, cooperando com eles o Senhor, e confirmando a palavra com os sinais que se seguiram. Amém.

LITURGIA

Tropárion da Ressurreição
Alegrem-se os Céus / e exulte a terra, / pois o Senhor mostrou a força de Seu braço, / vencendo a morte pela morte. / Ele Que é o Primogênito dentre os mortos / arrancou-nos das profundezas do Inferno, / e concedeu ao mundo // a Sua infinita misericórdia.
 
Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo...

Kondákion da Ressurreição
Hoje, Tu, ó Compassivo, ressuscitaste do túmulo, / e nos conduziste para fora dos portões da morte. / Hoje Adão dança de alegria e Eva rejubila, / e com eles os Profetas e os Patriarcas louvam sem cessar // o divino poder de Tua autoridade.

Agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!

Hino à Virgem
Ó Admirável Protetora dos Cristãos e nossa Medianeira ante o Criador / não desprezes as súplica de nenhum de nós pecadores; / mas, apressa-te a auxiliar-nos como Mãe bondosa que és, / pois, te invocamos com fé. / Roga por nós junto de Deus, // tu que defendes sempre àqueles que te veneram.

Prokímenon

Cantai louvores ao nosso Deus, cantai louvores! / Cantai louvores ao nosso Rei, cantai louvores! (Sl. 47:6) 

Batei palmas, todas as nações; gritai bem alto para Deus, com voz de júbilo. (Sl. 47:1) 

1 Timóteo 4:9-15

9, na pureza. 13 até à minha volta, aplica-te à ler as Escrituras Fiel é esta palavra e digna de toda aceitação. 10 Pois para isto é que nos afadigamos e suportamos opróbrios, porquanto temos posto a nossa esperança no Deus vivo, que é o Salvador de todos os homens, especialmente dos fiéis. 11 Ordena e ensina estas coisas. 12 Ninguém despreze a tua mocidade, mas sê um exemplo para os fiéis na palavra, no procedimento, no amor, no espírito, na fépara o povo, à exortação e ao ensino. 14 Não negligencies o dom que há em ti, o qual te foi dado por profecia, com a imposição das mãos do presbitério. 15 Pratica estas coisas, dedica-te inteiramente a elas, para que o teu progresso seja manifesto a todos.

Aleluia

Aleluia, aleluia, aleluia!
Junto de Ti, Senhor, me refugiei;
Não seja eu confundido para sempre,
Por Tua justiça, livra-me!

Aleluia, aleluia, aleluia!
Sê para mim um Deus protetor
E uma casa de refúgio que me abrigue.

Aleluia, aleluia, aleluia!

Lucas 19:1-10

1 Tendo Jesus entrado em Jericó, ia atravessando a cidade. 2 Havia ali um homem chamado Zaqueu, o qual era chefe de publicanos e era rico. 3 Este procurava ver quem era Jesus, e não podia, por causa da multidão, porque era de pequena estatura. 4 E correndo adiante, subiu a um sicômoro a fim de vê-lo, porque havia de passar por ali. 5 Quando Jesus chegou àquele lugar, olhou para cima e o avistou, e disse-lhe: Zaqueu, desce depressa; porque importa que eu fique hoje em tua casa. 6 Desceu, pois, a toda a pressa, e o recebeu com alegria. 7 Ao verem isso, todos murmuravam, dizendo: Entrou para ser hóspede de um homem pecador. 8 Zaqueu, porém, levantando-se, disse ao Senhor: Eis aqui, Senhor, dou aos pobres metade dos meus bens; e se em alguma coisa tenho defraudado alguém, eu lho restituo quadruplicado. 9 Disse-lhe Jesus: Hoje veio a salvação a esta casa, porquanto também este é filho de Abraão. 10 Porque o Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido.

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HOMILIA

Os textos de hoje nos falam de esforço e desejo. O maior inimigo destes dois é a preguiça. Os Pais do Deserto, especialmente Evágrio Pôntico, já a classificavam como uma das principais doenças da alma, uma das oito pulsões geradas a partir do pecado que nos alijam de todo o bem. Geralmente a preguiça é alimentada pela gula. Todos os querem vencer a preguiça, necessitam primeiramente combater a gula.

Estas pulsões, nos ensinam também os Santos Padres, só podem ser vencidas pela Graça e a ascese, ou seja, o esforço espiritual, aquilo que São Paulo chama de “exercício da piedade”. As principais ferramentas deste combate são as orações, os jejuns, a caridade e as dignas participações da Eucaristia. Destes esforços e de seu fruto, assim nos diz São Pedro:

“Porque, se em vós houver e abundarem estas coisas, não vos deixarão ociosos nem estéreis no conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo” (2 Pedro 1:8).

Sem este combate a alma não progride. E naquele no qual este combate ou esforços estão ausentes, nos diz o mesmo Apóstolo, que o tal é “ cego, nada vendo ao longe, havendo-se esquecido da purificação dos seus antigos pecados” (2 Pedro 1:9).

O texto evangélico nos fala de Zaqueu, um homem de baixa estatura, cujo esforço e desejo lhe possibilitaram a superação de suas limitações e dos obstáculos, gerando como recompensa a Presença de Cristo em sua casa e a conquista da salvação de sua alma.

No calendário litúrgico da Igreja este texto se insere no que chamamos de “O Domingo de Zaqueu” que consiste numa preparação para vivermos a Grande Quaresma da Páscoa que é um período de intenso esforço espiritual, mas, também de grandes recompensas.

A visita de Jesus a Jericó nos mostra que a Graça de Deus visita e é oferecida a todos os homens, no entanto, assim como outrora Raabe, somente um homem teve sua salvação assegurada, como fruto de sua fé e esforço pessoal: Zaqueu (Lucas 19:8-10; Tiago 2:24). 

Na perspectiva mistagógica podemos dizer que Zaqueu aponta para a pequenez do nosso ser e incapacidade de chegar a Deus por nossos próprios recursos. A multidão aponta a dimensão do satânico. A palavra “shatam” significa “aquele que põe obstáculos, o Adversário”; assim devemos entender que o caminho para Deus é uma jornada de lutas e combates. Porém nesta jornada dispomos de recursos que o Criador nos provê para possibilitar a nossa união com Ele.

O primeiro desses recursos é o desejo. “Zaqueu desejava ver Jesus”. O desejo é uma das principais características da alma. O desejo é a força propulsora da dinâmica humana. Os Santos Padres são unânimes na afirmação de que Deus nos fez seres desejantes, pois este seria o recurso que nos possibilitaria alcançar a theósis, ou seja, a nossa semelhança com Ele. A alma anelante por Deus se vê impulsionada por uma forca capaz de vencer todo e qualquer obstáculo. E é isto que se dá com Zaqueu.

O segundo recurso é uma árvore. No Éden se encontravam duas árvores: uma que gerava a morte e outra que gerava a vida. Na Nova Jerusalém, a Jerusalém Celeste, a Árvore da Vida (Cristo) aparece nas duas margens do Rio (o Espírito Santo) que banha a Cidade; a Árvore dá doze frutos (os Apóstolos) que servem para a cura das nações (suas missões entre os povos).

Portanto, podemos dizer que o sicômoro (árvore frondosa típica da região) aponta para a Santa Tradição Apostólica (1 Tess. 2:13; 4:1; 2 Tess. 2:15), na qual uma vez apoiados, não somente poderemos ver a Cristo, mas também por Ele ser notado, ouvir a Sua voz e gozar de Sua Presença em nosso íntimo (comunhão).

A refeição que ocorre na casa de Zaqueu aponta para a Graça de Deus que nos visita e pela qual ceamos com Ele e Ele ceia conosco (Ap 3:20; João 14:23). Esta comunhão nos possibilita o despojamento dos véus que estão postos na alma, nos dando uma nítida visão daquilo que somos e nos impulsiona a buscar a conformidade (semelhança) com a Imagem de Cristo. Zaqueu confessou publicamente seus pecados e iniciou sua jornada em direção a Deus, livre das amarras que reduziam sua alma à estatura do seu corpo físico e impediam sua transfiguração na Imagem de Cristo.

Padre Mateus (Antonio Eça)

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