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domingo, 1 de fevereiro de 2026

Domingo do Publicano e do Fariseu

  
01 de Fevereiro de 2026 (CC) 19 de Janeiro (CE)
S. Macário, o Grande, bispo do Egito, eremita († c. 390)
São Marcos, de Éfeso (1457)
Entronização de Sua Santidade Cirilo, Patriarca de Moscou e Toda Rússia
Tom 1


Antes da Grande Quaresma, o Cânon estabelece três semanas preparatórias e quatro domingos, sendo o Domingo do Publicano e do Fariseu o primeiro deles. 
Segundo a Carta de Constantinopla, as leituras ordinárias do Evangelho de Lucas são lidas aos domingos, desde o domingo seguinte à Exaltação da Cruz até a Grande Quaresma. Algumas dessas leituras foram deliberadamente colocadas no final do ciclo para que fossem lidas em antecipação à Grande Quaresma (pois seu conteúdo harmoniza-se com o espírito do período preparatório): são elas as leituras sobre Zaqueu ( Lucas, capítulo 94 ), as parábolas do Publicano e do Fariseu ( capítulo 89 ) e a do Filho Pródigo ( capítulo 79 ). 
Posteriormente, o domingo com a leitura do Evangelho de Zaqueu permaneceu sem um serviço litúrgico especial (atualmente, essa leitura é sempre feita no último domingo antes do domingo do Publicano e do Fariseu), mas as outras duas leituras tornaram-se a base para serviços litúrgicos especiais do período preparatório. O Domingo do Publicano e do Fariseu surgiu por volta dos séculos X e XI, embora durante os primeiros cem anos sua posição como o 4º domingo antes da Quaresma (contando regressivamente) ainda não fosse universal; somente no século XII o Domingo do Publicano e do Fariseu recebeu um lugar fixo – antes do Domingo do Filho Pródigo. 
Atualmente, não se jejua quarta e sexta-feira da Semana do Publicano e do Fariseus.

Comemoração de São Macário 
São Macário nasceu no alto Egito, no ano 300, e passou sua juventude trabalhando como pastor, nos campos. Movido por uma intensa graça, afastou-se do mundo, ainda muito jovem, confinando-se em uma estreita cela onde dividia seu tempo entre oração, práticas penitenciais e a fabricação de esteiras.

Uma mulher o acusou falsamente de ter sido violentada por ele. Por causa disso, Macário foi preso, maltratado e chamado de hipócrita disfarçado de monge. Tudo isso ele sofreu com paciência e ainda enviou a mulher produtos de seu trabalho, e dizia para si mesmo: «Agora, Macário, tens que trabalhar mais, pois tens que sustentar a mais um».Deus, porém, deu a conhecer sua inocência: a mulher que lhe havia caluniado não pode dar à luz a criança até que revelasse o nome do verdadeiro pai. Isto fez com que a raiva que o povo sentia dele se tornasse admiração por causa de sua humildade e paciência.

Para fugir da estima dos homens, Macário, quando já contava com 30 anos, refugiou-se em um vasto e melancólico deserto de Esquita. Assim viveu 60 anos e foi pai espiritual de inúmeras servos de Deus que lhe confiaram a direção espiritual e o governo de suas vidas com as regras que ele traçava. Todos viviam em eremitérios separados. Só um discípulo vivia com ele, encarregado de receber as visitas. Um bispo egípcio ordenou Macário sacerdote para que pudesse celebrar os Divinos Mistérios para seus irmãos eremitas. Mais tarde, quando o número dos eremitas aumentou, foram construídas 4 igrejas que eram atendidas por outros tantos sacerdotes.

Macário Lavava um vida muita austera, alimentando-se uma vez por semana. Certa ocasião, seu discípulo Evágrio, ao vê-lo torturado pela sede, lhe rogou que tomasse um pouco de água. Macário limitou-se a descansar um pouco à sombra e disse: «Nestes 20 anos, jamais comi, bebi ou dormi o suficiente para satisfazer a minha natureza». Seu corpo estava debilitado e fraco, seu rosto pálido. Para contradizer suas inclinações, não recusava beber um pouco de vinho, quando outros lhe pediam. Depois, se abstinha de toda bebida durante dois ou três dias. Diante disso, seus discípulos decidiram impedir que os visitantes lhe oferecessem vinho. Macário falava poucas palavras quando dava conselhos e recomendava o silêncio e a oração contínua para toda e qualquer pessoa. Costumava dizer: 
«Na oração, não faz falta dizer muitas coisas, nem empregar palavras escolhidas, basta repetir sinceramente: «Senhor, dá-me a graça que Tu sabes que necessito». Ou: «Meu Deus, ajuda-me».
Sua mansidão e paciência eram tão extraordinárias que levou muitos sacerdotes pagãos e outras pessoas à conversão. Certa vez, Macário pediu a um jovem, que lhe procurou para um conselho, que fosse a um cemitério e lá insultasse os mortos com gritos. Quando o jovem voltou, Macário perguntou o que tinham respondido os defuntos. O jovem respondeu que os mortos não responderam nada. Macário disse então: 
«Faz o mesmo quando te insultarem e quando gritarem contigo. Só morrendo para o mundo e para ti mesmo, poderás começar a servir a Cristo».
Um ermitão que sofria fortes tentações contra a pureza foi consultar Macário que, depois de examinar o caso, chegou a conclusão de que as tentações eram resultantes da indolência do monge. Aconselhou então que o monge não se alimentasse antes do cair do sol, que se entregasse a contemplação durante o trabalho e que trabalhasse sem cessar. O monge seguiu estes conselhos e se viu livre das tentações.

Deus revelou a Macário que ele não era mais perfeito que duas mulheres casadas que viviam na cidade.  Ele foi visitá-las e averiguar como faziam elas para santificar-se e descobriu que nunca diziam palavras ásperas nem ociosas, que viviam em humildade, paciência e caridade com seus maridos, e que santificavam todas as suas ações com a oração, consagrando para a glória de Deus todas as suas forças corporais e espirituais.

Certa vez, um herege da seita dos hieracitas, que negavam a ressurreição dos mortos, havia espalhado inquietações em vários cristãos. Sózimo. Paládio e Rufino relatam que São Macário ressuscitou um morto para conformar os cristãos em sua fé. Segundo Cassiano, Macário se limitou a que o morto falasse e lhe ordenou que esperasse a ressurreição no sepulcro.

Lúcio, bispo ariano que havia usurpado a Sé de Alexandria, enviou tropas ao deserto para que dispersassem os piedosos monges, alguns dos quais derramaram seu sangue testemunhando sua fé. Os principais monges, Isidoro, Pambo, os dois Macários e outros foram desterrados a uma pequena ilha do Nilo, rodeada de pântanos. Pelo exemplo e pelas pregações dos monges, todos os habitantes da ilha se converteram do paganismo. Lúcio então autorizou que retornassem às suas celas. Sentindo que se aproximava seu fim, Macário fez uma visita aos monges de Nitria e lhes exortou com palavras tão profundas que estes se ajoelharam a seus pés chorando.

Macário foi chamado por Deus aos 90 anos, depois de haver passado 60 no deserto de Esquita. Segundo o testemunho de Cassiano, Macário foi o primeiro anacoreta daquele vasto deserto. Alguns autores afirmam que ele foi discípulo de Santo Antônio, porém é pouco provável que tenha sido dirigido espiritualmente por Santo Antônio, antes de ir ao deserto. Contudo, parece que, mais tarde, Macário teria visitado Santo Antônio algumas vezes, pois vivia a uns 15 dias de distância um do outro.
 
Comemoração de São Marcos, Arcebispo de Éfeso

São Marcos Eugênio, Arcebispo de Éfeso, foi um poderoso defensor da Ortodoxia no Concílio de Florença. Ele não concordaria com uma união com Roma com base 
na conveniência política e sacrifício do compromisso teológico (o Imperador Bizantino buscava a assistência militar do Ocidente contra os muçulmanos que se aproximavam cada vez mais de Constantinopla). São Marcos rebateu os argumentos dos seus oponentes, baseando-se no poço da teologia pura e nos ensinamentos dos santos Padres. Quando os membros da sua própria delegação tentaram pressioná-lo a aceitar a União, ele respondeu: 
“Não pode haver compromisso em questões da Fé Ortodoxa”.

Embora os membros da delegação Ortodoxa tenham assinado os Tomos de União, São Marcos foi o único que se recusou a fazê-lo. Ao retornar de Florença, São Marcos exortou exitosamente os habitantes de Constantinopla a repudiar o desonroso documento de união. Morreu em 1457, aos cinquenta e dois anos, admirado e homenageado por todos. 
Tropárion, Tom 4: Pela tua profissão de fé, ó todo louvado Marcos / A Igreja descobriu que és um apaixonado pela verdade. / Tu defendeste o ensino dos Padres; / e derrubaste a escuridão do orgulho arrogante. // Interceda junto a Cristo Deus para conceder perdão aos que te honram!

Kondákion, Tom 3: Vestido com armadura invencível, ó Bendito, / derribaste o orgulho rebelde; / Tu serviste como instrumento do Consolador, / e resplandeceste como um campeão da Ortodoxia. / Por isto a ti clamamos: // “Rejubila-te, Marcos, orgulho dos Ortodoxos!”
Oração Antes de Ler as Escrituras 
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!

MATINAS (1)

Mateus 28:16-20

Fragmento 116 - Naquela época, os onze discípulos partiram para a Galileia, para o monte onde Jesus os havia ordenado. Quando O viram, prostraram-se em adoração, mas, duvidaram. Então, Jesus aproximou-Se deles e disse: “Toda a autoridade Me foi dada no céu e na terra. Ide, portanto, e fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em Nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a observar todas as coisas que vos ordenei. E eis que estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos.” Amém!

LITURGIA

Tropárion da Ressurreição, Tom 1
Apesar da pedra do túmulo ter sido selada pelos judeus, / e o Teu puríssimo Corpo guardado pelos soldados, / Tu ressuscitaste ao terceiro dia, ó Salvador nosso, / dando a vida ao mundo. / Por isso, ó Autor da Vida, / os Poderes Celestes Te aclamaram, dizendo: / “Glória à Tua Ressurreição, ó Cristo! / Glória à Tua Realeza! // Glória à Tua Providência, ó Amigo do homem.

Tropárion de São Mateus, Tom 3
Com zelo seguiste a Cristo, o Mestre, / Que em Sua bondade apareceu aos homens na Terra, / E da alfândega te chamou para Apóstolo / e Pregador do Evangelho ao universo, /por isto honramos tua preciosa memória. / Ó divinamente eloquente, Mateus. /Roga ao Deus misericordioso // que nos conceda a remissão das transgressões e a salvação das nossas almas!

Kondákion da Ressurreição, Tom 1
Como Deus, Tu ressuscitaste gloriosamente do túmulo, / ressuscitando o mundo Contigo; / a natureza humana Te canta como Deus,/ pois a morte foi dissipada./ Adão rejubila, Mestre;/ e Eva, doravante liberta das suas cadeias, proclama na alegria:// Ó Cristo, Tu És Aquele que concede a todos os homens a ressurreição!

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo

Tom 4: Deixando os laços da alfândega para adquirir o jugo da Justiça, / tu te revelaste um sábio comerciante, rico da sabedoria do Alto. / Proclamaste a Palavra da Verdade, /e pela narrativa da hora do Juízo // despertaste as almas indolentes.

Agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém.

Kondákion do Triódion, Tom 3
Como o Publicano, em prantos, nos cheguemos ao Senhor, / e nos prostremos, pois,  Ele É o Mestre / que deseja a salvação de todos os homens, / e concede perdão aos arrependidos; / pois, para o nosso bem Se encarnou, // Ele que com o Pai É Deus Eterno.

Prokímenon, Tom 1

R. Seja a Tua misericórdia, Senhor, sobre nós, 
como em Ti esperamos. (Sl. 32:22)

V. Regozijai-vos no Senhor, vós, justos, pois aos retos convém o louvor.

2 Timóteo 3:10-15

Fragmento 296 - Meu filho Timóteo, tu, tens observado a minha doutrina, procedimento, intenção, fé, longanimidade, amor, perseverança, as minhas perseguições e aflições, quais as que sofri em Antioquia, em Icônio, em Listra; quantas perseguições suportei. E de todas o Senhor me livrou. E na verdade todos os que querem viver piamente em Cristo Jesus padecerão perseguições. Mas os homens maus e impostores irão de mal a pior, enganando e sendo enganados. Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste, e de que foste inteirado, sabendo de quem o tens aprendido, e que desde a infância sabes as sagradas letras, que podem fazer-te sábio para a salvação, pela que há em Cristo Jesus.

Aleluia, Tom 1

Aleluia, aleluia, aleluia! (3x)

É Deus Quem me reveste de fortaleza,
E Quem atrai os povos para Mim.

Ele fortalece a Davi, Seu ungido,
E à sua descendência para sempre.

Lucas 18:10-14

Fragmento 89 - O Senhor falou esta parábola: "Dois homens subiram ao templo para orar: Um era fariseu e o outro publicano. O fariseu levantou-se e orou consigo mesmo: 'Graças Te dou, ó Deus, que não sou como os outros homens, vigaristas, injustos, adúlteros, ou mesmo como este publicano. Jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo o que possuo'. E o publicano, estando de longe, não levantava nem os olhos para o céu, mas batia no peito, dizendo: 'Deus, tenha misericórdia de mim, pecador'. Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque todo aquele que se exalta será humilhado; e aquele que se humilha será exaltado".

Canto da Comunhão

Louvai ao Senhor nos céus, 
louvai-O nas alturas!
Aleluia, Aleluia, Aleluia!

† † †

Os Portões Do Arrependimento


“Abra para mim, ó Doador da Vida, as portas do arrependimento...” canta a Igreja nas Matinas para o primeiro dos quatro domingos que nos preparam para a Quaresma. Na verdade, este domingo poderia ser pensado como uma porta, através da qual entramos no período sagrado que nos leva para a Páscoa; uma porta que se abre para a atmosfera de arrependimento, para o caminho que prepara a vida nova, que a Quaresma deve trazer para cada um de nós. Mas devemos lembrar que a palavra “penitência” ou “arrependimento” é uma tradução do termo grego "metanóia", e que significa "mudança de espírito". Metanóia significa muito mais estar envolvido [internamente] do que o cumprimento de algum tipo de arrependimento exterior. Uma mudança radical, renovação, conversão, é isto o que nos é pedido.

Este domingo, no calendário litúrgico, é chamado de "Domingo do Fariseu e Publicano". A Igreja, a fim de nos exortar ao verdadeiro arrependimento, coloca diante de nós a cena de dois homens que vão ao templo para orar, e dos quais um é justificado por conta de sua humildade e sua sincera contrição.

Podemos nos atrever a dizer que a parábola do fariseu e publicano (Lc 18: 10-14), que é lida na liturgia, é a mais perigosa de todas as parábolas. Porque estamos tão acostumados a condenar o farisaísmo que aqui parece que estamos a dizer: "Pelo menos, apesar de todo o meu pecado, não sou fariseu. Não sou um hipócrita”. Esquecemo-nos que a oração do fariseu não é totalmente má. O fariseu afirma que jejua, que dá o dízimo, que está livre dos pecados mais grosseiros. E isso tudo é verdade. Além disso, o fariseu não toma o crédito por suas boas ações, ele reconhece que elas vêm de Deus, e dá graças a Deus. No entanto, a oração do fariseu erra de duas maneiras: falta-lhe o arrependimento e humildade, pois não parece que ele tenha consciência... das deficiências - talvez desculpáveis - das quais ele, como todos os homens, é culpado. E, além disso, ele se compara ao publicano com um certo orgulho, um certo desdém. Será que temos o direito de condenar o fariseu, e nos considerarmos mais justos do que ele? Mas, antes de tudo, se nós quebramos os mandamentos que o fariseu observa, será que temos o direito de nos colocar no mesmo nível do publicano justificado, em contraste com o fariseu? Nós não podemos fazer isso, a menos que nossa atitude seja exatamente a mesma que a do publicano. Será que nos atrevemos a dizer que temos a humildade e o arrependimento do publicano? Se nós ostensivamente condenamos o fariseu, sem verdadeiramente assumirmos a humildade do publicano, então nós mesmos é que estaremos caindo no próprio farisaísmo.

Vamos agora olhar mais de perto o publicano. Ele não se atreve a levantar os olhos; ele fere seu peito; implora a Deus que tenha misericórdia dele, pois ele percebe que ele é um pecador. Toda a sua atitude corporal é de humildade. É por isso que o Salvador disse:

“Este homem desceu justificado para sua casa, em vez do outro”.

Notamos que Jesus diz: “em vez do outro”', deixando, de alguma forma, o caso do fariseu aberto ao nosso pensamento. E Jesus acrescenta:

"Todo aquele que se exalta será humilhado; e o que se humilha será exaltado".

Vamos tentar explorar este episódio mais profundamente. É o publicano justificado simplesmente porque ele humildemente confessa seu pecado diante de Deus? Não é só isso, nesse caso, há algo a mais. O núcleo da oração do publicano é um apelo, cheio de confiança, na bondade e na ternura de Deus. "Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador!" Estas primeiras palavras ecoam as do Salmo 51, que é essencialmente a abertura do salmo de penitência:

“Tem misericórdia de mim, ó Deus, segundo a tua benignidade; apaga as minhas transgressões, segundo a multidão das tuas misericórdias.” (Sl 51:1)

 O fato de que Jesus escolhe para colocar estas palavras na boca do publicano e, assim, torná-las modelo de nossas orações de arrependimento, lança uma grande luz sobre a alma do Salvador, e sobre o que Ele pretende. O que Jesus pede de um pecador penitente (e, portanto, de cada um de nós), é acima de tudo este abandono, esta confiança absoluta na terna misericórdia e na graça de Deus.

Nas matinas, a Igreja resume a parábola evangélica e formula assim o pensamento central para este domingo:

"Senhor, que reprovaste o fariseu por justificar-se a si mesmo e por tomar-se de orgulho por suas ações, Tu que justificastes o publicano, quando ele se aproximou humildemente de Ti, buscando, com gemidos, o perdão por seus pecados. Pois Tu não te aproximarás dos pensamentos arrogantes, nem manterás longe de Ti um coração contrito. Por isso, nós também ajoelhamos humildemente diante de Ti, Tu que sofreste por nós, conceda-nos o Teu perdão e a Tua grande misericórdia".

A epístola para este domingo é tomada da segunda carta de São Paulo a seu discípulo Timóteo (II Tm 3: 10-15). O apóstolo, resumidamente, lembra a Timóteo de tudo o que ele, Paulo, teve que sofrer: perseguições e aflições de todos os tipos. Ele exorta Timóteo, que desde a infância foi criado acreditando em Cristo e nas Escrituras, a não desanimar, e a perseverar com caridade e paciência. Na véspera da Quaresma, esta epístola nos adverte que provas e dificuldades não vão faltar durante os santos preparativos para a Páscoa. Paulo tanto diz para nós quanto para Timóteo:

“Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste, e de que foste inteirado, sabendo de quem o tens aprendido” (II Tm 3:14).

† † †

sábado, 1 de fevereiro de 2025

32º Sábado Depois de Pentecostes

01 de Fevereiro de 2025 (CC) 19 de Janeiro (CE)
S. Macário, o Grande, bispo do Egito, eremita († c. 390)
São Marcos, de Éfeso (1457)
Entronização de Sua Santidade Cirilo, Patriarca de Moscou e Toda Rússia
Tom 6



São Macário nasceu no alto Egito, no ano 300, e passou sua juventude trabalhando como pastor, nos campos. Movido por uma intensa graça, afastou-se do mundo, ainda muito jovem, confinando-se em uma estreita cela onde dividia seu tempo entre oração, práticas penitenciais e a fabricação de esteiras.

Uma mulher o acusou falsamente de ter sido violentada por ele. Por causa disso, Macário foi preso, maltratado e chamado de hipócrita disfarçado de monge. Tudo isso ele sofreu com paciência e ainda enviou a mulher produtos de seu trabalho, e dizia para si mesmo: «Agora, Macário, tens que trabalhar mais, pois tens que sustentar a mais um».Deus, porém, deu a conhecer sua inocência: a mulher que lhe havia caluniado não pode dar à luz a criança até que revelasse o nome do verdadeiro pai. Isto fez com que a raiva que o povo sentia dele se tornasse admiração por causa de sua humildade e paciência.

Para fugir da estima dos homens, Macário, quando já contava com 30 anos, refugiou-se em um vasto e melancólico deserto de Esquita. Assim viveu 60 anos e foi pai espiritual de inúmeras servos de Deus que lhe confiaram a direção espiritual e o governo de suas vidas com as regras que ele traçava. Todos viviam em eremitérios separados. Só um discípulo vivia com ele, encarregado de receber as visitas. Um bispo egípcio ordenou Macário sacerdote para que pudesse celebrar os Divinos Mistérios para seus irmãos eremitas. Mais tarde, quando o número dos eremitas aumentou, foram construídas 4 igrejas que eram atendidas por outros tantos sacerdotes.

Macário Lavava um vida muita austera, alimentando-se uma vez por semana. Certa ocasião, seu discípulo Evágrio, ao vê-lo torturado pela sede, lhe rogou que tomasse um pouco de água. Macário limitou-se a descansar um pouco à sombra e disse: «Nestes 20 anos, jamais comi, bebi ou dormi o suficiente para satisfazer a minha natureza». Seu corpo estava debilitado e fraco, seu rosto pálido. Para contradizer suas inclinações, não recusava beber um pouco de vinho, quando outros lhe pediam. Depois, se abstinha de toda bebida durante dois ou três dias. Diante disso, seus discípulos decidiram impedir que os visitantes lhe oferecessem vinho. Macário falava poucas palavras quando dava conselhos e recomendava o silêncio e a oração contínua para toda e qualquer pessoa. Costumava dizer: 
«Na oração, não faz falta dizer muitas coisas, nem empregar palavras escolhidas, basta repetir sinceramente: «Senhor, dá-me a graça que Tu sabes que necessito». Ou: «Meu Deus, ajuda-me».
Sua mansidão e paciência eram tão extraordinárias que levou muitos sacerdotes pagãos e outras pessoas à conversão. Certa vez, Macário pediu a um jovem, que lhe procurou para um conselho, que fosse a um cemitério e lá insultasse os mortos com gritos. Quando o jovem voltou, Macário perguntou o que tinham respondido os defuntos. O jovem respondeu que os mortos não responderam nada. Macário disse então: 
«Faz o mesmo quando te insultarem e quando gritarem contigo. Só morrendo para o mundo e para ti mesmo, poderás começar a servir a Cristo».
Um ermitão que sofria fortes tentações contra a pureza foi consultar Macário que, depois de examinar o caso, chegou a conclusão de que as tentações eram resultantes da indolência do monge. Aconselhou então que o monge não se alimentasse antes do cair do sol, que se entregasse a contemplação durante o trabalho e que trabalhasse sem cessar. O monge seguiu estes conselhos e se viu livre das tentações.

Deus revelou a Macário que ele não era mais perfeito que duas mulheres casadas que viviam na cidade.  Ele foi visitá-las e averiguar como faziam elas para santificar-se e descobriu que nunca diziam palavras ásperas nem ociosas, que viviam em humildade, paciência e caridade com seus maridos, e que santificavam todas as suas ações com a oração, consagrando para a glória de Deus todas as suas forças corporais e espirituais.

Certa vez, um herege da seita dos hieracitas, que negavam a ressurreição dos mortos, havia espalhado inquietações em vários cristãos. Sózimo. Paládio e Rufino relatam que São Macário ressuscitou um morto para conformar os cristãos em sua fé. Segundo Cassiano, Macário se limitou a que o morto falasse e lhe ordenou que esperasse a ressurreição no sepulcro.

Lúcio, bispo ariano que havia usurpado a Sé de Alexandria, enviou tropas ao deserto para que dispersassem os piedosos monges, alguns dos quais derramaram seu sangue testemunhando sua fé. Os principais monges, Isidoro, Pambo, os dois Macários e outros foram desterrados a uma pequena ilha do Nilo, rodeada de pântanos. Pelo exemplo e pelas pregações dos monges, todos os habitantes da ilha se converteram do paganismo. Lúcio então autorizou que retornassem às suas celas. Sentindo que se aproximava seu fim, Macário fez uma visita aos monges de Nitria e lhes exortou com palavras tão profundas que estes se ajoelharam a seus pés chorando.

Macário foi chamado por Deus aos 90 anos, depois de haver passado 60 no deserto de Esquita. Segundo o testemunho de Cassiano, Macário foi o primeiro anacoreta daquele vasto deserto. Alguns autores afirmam que ele foi discípulo de Santo Antônio, porém é pouco provável que tenha sido dirigido espiritualmente por Santo Antônio, antes de ir ao deserto. Contudo, parece que, mais tarde, Macário teria visitado Santo Antônio algumas vezes, pois vivia a uns 15 dias de distância um do outro.
 
Comemoração de São Marcos, Arcebispo de Éfeso

São Marcos Eugênio, Arcebispo de Éfeso, foi um poderoso defensor da Ortodoxia no Concílio de Florença. Ele não concordaria com uma união com Roma com base 
na conveniência política e sacrifício do compromisso teológico (o Imperador Bizantino buscava a assistência militar do Ocidente contra os muçulmanos que se aproximavam cada vez mais de Constantinopla). São Marcos rebateu os argumentos dos seus oponentes, baseando-se no poço da teologia pura e nos ensinamentos dos santos Padres. Quando os membros da sua própria delegação tentaram pressioná-lo a aceitar a União, ele respondeu: 
“Não pode haver compromisso em questões da Fé Ortodoxa”.

Embora os membros da delegação Ortodoxa tenham assinado os Tomos de União, São Marcos foi o único que se recusou a fazê-lo. Ao retornar de Florença, São Marcos exortou exitosamente os habitantes de Constantinopla a repudiar o desonroso documento de união. Morreu em 1457, aos cinquenta e dois anos, admirado e homenageado por todos. 
Tropárion, Tom 4: Pela tua profissão de fé, ó todo louvado Marcos / A Igreja descobriu que és um apaixonado pela verdade. / Tu defendeste o ensino dos Padres; / e derrubaste a escuridão do orgulho arrogante. // Interceda junto a Cristo Deus para conceder perdão aos que te honram!

Kondákion, Tom 3: Vestido com armadura invencível, ó Bendito, / derribaste o orgulho rebelde; / Tu serviste como instrumento do Consolador, / e resplandeceste como um campeão da Ortodoxia. / Por isto a ti clamamos: // “Rejubila-te, Marcos, orgulho dos Ortodoxos!”

Oração Antes de Ler as Escrituras
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!

1 Tessalonicenses 5:14-23

Rogamo-vos, também, irmãos, que admoesteis os desordeiros, consoleis os de pouco ânimo, sustenteis os fracos, e sejais pacientes para com todos. Vede que ninguém dê a outrem mal por mal, mas segui sempre o bem, tanto uns para com os outros, como para com todos. Regozijai-vos sempre. Orai sem cessar. Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco. Não extingais o Espírito. Não desprezeis as profecias. Examinai tudo. Retende o bem. Abstende-vos de toda a aparência do mal. E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo, sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo.

Lucas 17:3-10

Fragmento 84 - O Senhor disse: “Atentai: Se teu irmão te ofender, repreende-o; e se ele se arrepender, perdoe-o. E se ele pecar contra ti sete vezes no dia, e sete vezes no dia voltar para ti, dizendo: Arrependo-me; tu o perdoarás”. E os apóstolos disseram ao Senhor: “Aumenta a nossa fé”. E o Senhor disse: “Se tivésseis fé como um grão de mostarda, diríeis a esta figueira: Arranca-te pela raiz e te plantes no mar; e ela te obedecerá. Mas qual de vós, tendo um servo que ara ou apascenta gado, quando ele voltar do campo, lhe dirá: Vai sentar-te para comer? E não lhe dirá antes: Prepara-me para cear, cinge-te e serve-me até que eu coma e beba; e depois comerás e beberás? Ele agradece àquele servo porque ele fez as coisas que lhe foram ordenadas? Suponho que não. Assim também vós, quando tiverdes feito todas as coisas que vos foram ordenadas, dizei: ‘Somos servos inúteis; pois fizemos apenas o que era nosso dever fazer’.”

† † †

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2024

35ª Quinta-feira Depois de Pentecostes

01 de Fevereiro de 2024 (CC) 19 de Janeiro (CE)
S. Macário, o Grande, bispo do Egito, eremita († c. 390)
São Marcos, de Éfeso (1457)
Entronização de Sua Santidade Cirilo, Patriarca de Moscou e Toda Rússia
Tom 1



São Macário nasceu no alto Egito, no ano 300, e passou sua juventude trabalhando como pastor, nos campos. Movido por uma intensa graça, afastou-se do mundo, ainda muito jovem, confinando-se em uma estreita cela onde dividia seu tempo entre oração, práticas penitenciais e a fabricação de esteiras.

Uma mulher o acusou falsamente de ter sido violentada por ele. Por causa disso, Macário foi preso, maltratado e chamado de hipócrita disfarçado de monge. Tudo isso ele sofreu com paciência e ainda enviou a mulher produtos de seu trabalho, e dizia para si mesmo: «Agora, Macário, tens que trabalhar mais, pois tens que sustentar a mais um».Deus, porém, deu a conhecer sua inocência: a mulher que lhe havia caluniado não pode dar à luz a criança até que revelasse o nome do verdadeiro pai. Isto fez com que a raiva que o povo sentia dele se tornasse admiração por causa de sua humildade e paciência.

Para fugir da estima dos homens, Macário, quando já contava com 30 anos, refugiou-se em um vasto e melancólico deserto de Esquita. Assim viveu 60 anos e foi pai espiritual de inúmeras servos de Deus que lhe confiaram a direção espiritual e o governo de suas vidas com as regras que ele traçava. Todos viviam em eremitérios separados. Só um discípulo vivia com ele, encarregado de receber as visitas. Um bispo egípcio ordenou Macário sacerdote para que pudesse celebrar os Divinos Mistérios para seus irmãos eremitas. Mais tarde, quando o número dos eremitas aumentou, foram construídas 4 igrejas que eram atendidas por outros tantos sacerdotes.

Macário Lavava um vida muita austera, alimentando-se uma vez por semana. Certa ocasião, seu discípulo Evágrio, ao vê-lo torturado pela sede, lhe rogou que tomasse um pouco de água. Macário limitou-se a descansar um pouco à sombra e disse: «Nestes 20 anos, jamais comi, bebi ou dormi o suficiente para satisfazer a minha natureza». Seu corpo estava debilitado e fraco, seu rosto pálido. Para contradizer suas inclinações, não recusava beber um pouco de vinho, quando outros lhe pediam. Depois, se abstinha de toda bebida durante dois ou três dias. Diante disso, seus discípulos decidiram impedir que os visitantes lhe oferecessem vinho. Macário falava poucas palavras quando dava conselhos e recomendava o silêncio e a oração contínua para toda e qualquer pessoa. Costumava dizer: 
«Na oração, não faz falta dizer muitas coisas, nem empregar palavras escolhidas, basta repetir sinceramente: «Senhor, dá-me a graça que Tu sabes que necessito». Ou: «Meu Deus, ajuda-me».
Sua mansidão e paciência eram tão extraordinárias que levou muitos sacerdotes pagãos e outras pessoas à conversão. Certa vez, Macário pediu a um jovem, que lhe procurou para um conselho, que fosse a um cemitério e lá insultasse os mortos com gritos. Quando o jovem voltou, Macário perguntou o que tinham respondido os defuntos. O jovem respondeu que os mortos não responderam nada. Macário disse então: 
«Faz o mesmo quando te insultarem e quando gritarem contigo. Só morrendo para o mundo e para ti mesmo, poderás começar a servir a Cristo».
Um ermitão que sofria fortes tentações contra a pureza foi consultar Macário que, depois de examinar o caso, chegou a conclusão de que as tentações eram resultantes da indolência do monge. Aconselhou então que o monge não se alimentasse antes do cair do sol, que se entregasse a contemplação durante o trabalho e que trabalhasse sem cessar. O monge seguiu estes conselhos e se viu livre das tentações.

Deus revelou a Macário que ele não era mais perfeito que duas mulheres casadas que viviam na cidade.  Ele foi visitá-las e averiguar como faziam elas para santificar-se e descobriu que nunca diziam palavras ásperas nem ociosas, que viviam em humildade, paciência e caridade com seus maridos, e que santificavam todas as suas ações com a oração, consagrando para a glória de Deus todas as suas forças corporais e espirituais.

Certa vez, um herege da seita dos hieracitas, que negavam a ressurreição dos mortos, havia espalhado inquietações em vários cristãos. Sózimo. Paládio e Rufino relatam que São Macário ressuscitou um morto para conformar os cristãos em sua fé. Segundo Cassiano, Macário se limitou a que o morto falasse e lhe ordenou que esperasse a ressurreição no sepulcro.

Lúcio, bispo ariano que havia usurpado a Sé de Alexandria, enviou tropas ao deserto para que dispersassem os piedosos monges, alguns dos quais derramaram seu sangue testemunhando sua fé. Os principais monges, Isidoro, Pambo, os dois Macários e outros foram desterrados a uma pequena ilha do Nilo, rodeada de pântanos. Pelo exemplo e pelas pregações dos monges, todos os habitantes da ilha se converteram do paganismo. Lúcio então autorizou que retornassem às suas celas. Sentindo que se aproximava seu fim, Macário fez uma visita aos monges de Nitria e lhes exortou com palavras tão profundas que estes se ajoelharam a seus pés chorando.

Macário foi chamado por Deus aos 90 anos, depois de haver passado 60 no deserto de Esquita. Segundo o testemunho de Cassiano, Macário foi o primeiro anacoreta daquele vasto deserto. Alguns autores afirmam que ele foi discípulo de Santo Antônio, porém é pouco provável que tenha sido dirigido espiritualmente por Santo Antônio, antes de ir ao deserto. Contudo, parece que, mais tarde, Macário teria visitado Santo Antônio algumas vezes, pois vivia a uns 15 dias de distância um do outro.
 
Comemoração de São Marcos, Arcebispo de Éfeso

São Marcos Eugênio, Arcebispo de Éfeso, foi um poderoso defensor da Ortodoxia no Concílio de Florença. Ele não concordaria com uma união com Roma com base 
na conveniência política e sacrifício do compromisso teológico (o Imperador Bizantino buscava a assistência militar do Ocidente contra os muçulmanos que se aproximavam cada vez mais de Constantinopla). São Marcos rebateu os argumentos dos seus oponentes, baseando-se no poço da teologia pura e nos ensinamentos dos santos Padres. Quando os membros da sua própria delegação tentaram pressioná-lo a aceitar a União, ele respondeu: 
“Não pode haver compromisso em questões da Fé Ortodoxa”.

Embora os membros da delegação Ortodoxa tenham assinado os Tomos de União, São Marcos foi o único que se recusou a fazê-lo. Ao retornar de Florença, São Marcos exortou exitosamente os habitantes de Constantinopla a repudiar o desonroso documento de união. Morreu em 1457, aos cinquenta e dois anos, admirado e homenageado por todos. 
Tropárion, Tom 4
Pela tua profissão de fé, ó todo louvado Marcos / A Igreja descobriu que és um apaixonado pela verdade. / Tu defendeste o ensino dos Padres; / e derrubaste a escuridão do orgulho arrogante. // Interceda junto a Cristo Deus para conceder perdão aos que te honram!

Kondákion, Tom 3
Vestido com armadura invencível, ó Bendito, / derribaste o orgulho rebelde; / Tu serviste como instrumento do Consolador, / e resplandeceste como um campeão da Ortodoxia. / Por isto a ti clamamos: // “Rejubila-te, Marcos, orgulho dos Ortodoxos!”

Oração Antes de Ler as Escrituras
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!
Tiago 1:19-27

19 Portanto, meus amados irmãos, todo o homem esteja pronto para ouvir, tardio em falar, tardio em irar-se. 20 Porque a ira do homem não opera a justiça de Deus. 21 Portanto, rejeitando toda a imundície e superfluidade de malícia, recebei com mansidão a palavra em vós enxertada, a qual pode salvar as vossas almas. 22 E sede cumpridores da palavra, e não ouvintes apenas, enganando-vos a vós mesmos. 23 Porque, se alguém é ouvinte da palavra, e não cumpridor, é semelhante ao homem que contempla o seu rosto natural em um espelho. 24 Porque ele contempla-se a si mesmo, e segue seu caminho, e logo se esquece que tipo de homem ele era. 25 Porém, aquele que atenta para a lei perfeita da liberdade, e nela persevera, não sendo um ouvinte esquecido, mas realizador da obra, este homem será abençoado em seu feito. 26 Se algum homem entre vós parece ser religioso, e não refreia a sua língua, antes engana o seu próprio coração, a religião desse homem é vã. 27 A religião, pura e imaculada diante de Deus e Pai, é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e manter-se sem manchas do mundo.

Marcos 10:17-27

17 E, estando ele pelo caminho, veio ali alguém correndo, e ajoelhando-se diante dele, perguntou-lhe: Bom Mestre, o que farei para que eu possa herdar a vida eterna? 18 E Jesus lhe disse: Por que tu me chamas bom? Ninguém é bom, a não ser um, que é Deus. 19 Tu sabes os mandamentos: Não cometerás adultério, não assassinarás, não furtarás, não dirás falso testemunho, não defraudarás, honra a teu pai e a tua mãe. 20 E ele respondeu, dizendo: Mestre, tudo isso eu tenho guardado desde a minha juventude. 21 E Jesus, olhando para ele, o amou e lhe disse: Uma coisa te falta; vai pelo teu caminho, vende tudo quanto tens, e dá-o aos pobres, e tu terás um tesouro no céu; e vem, toma a cruz, e segue-me. 22 Mas ele, entristecendo-se com o que foi dito, foi embora afligido; pois ele tinha grandes posses.  23 E Jesus, olhando ao redor, disse aos seus discípulos: Quão dificilmente entrarão no reino de Deus os que têm riquezas! 24 E os discípulos se admiraram destas suas palavras. Mas Jesus, tornando a falar, disse-lhes: Filhos, quão difícil é, para os que confiam nas riquezas entrar no reino de Deus! 25 É mais fácil um camelo passar pelo olho da agulha, do que entrar um homem rico no reino de Deus. 26 E eles ficaram extremamente admirados, dizendo entre si: Quem então, poderá ser salvo? 27 E Jesus, olhando para eles, disse: Com homens isso é impossível, mas não com Deus; porque com Deus todas as coisas são possíveis.

† † † 

ENSINO DOS SANTOS PADRES 

São Basílio, o Grande

Sermão sobre os ricos


Não faz muito que nos foi falado deste jovem, e aquele que escutou com atenção se recordará bem do que então se disse. E o primeiro, que não é o mesmo que aquele perito na lei de quem faz menção São Lucas. Aquele era um tentador, que fazia perguntas dissimuladas; mas este perguntava com sinceridade, embora não escutou com docilidade. Porque se tivesse perguntado por desprezo, não iria embora triste com a resposta do Senhor.

Por isso seu caráter revelava como que uma mistura, pois a Escritura no-lo revela louvável por um lado, e por outro muito infeliz e completamente desesperado. Porque o conhecer aquele que é mestre de verdade, e dar este nome ao único e verdadeiro, desprezando a soberba dos fariseus, a opinião dos jurisconsultos e o grupo dos escribas, isto era o que se louvava. E também se aprovou que manifestasse aquela solicitude por saber como alcançaria a vida eterna.

Porém, o não ter gravado em seu coração os saudáveis conselhos que escutou dos lábios do verdadeiro mestre, o não tê-los colocado em prática, mas cego pela paixão da avareza fugisse triste, nos revela toda a sua vontade, não desejosa de seguir o que é de maior proveito, mas o que é mais agradável a todos. Isto prova a inconstância de seu caráter e o inconsequente que era consigo mesmo.

Chamas-lhe mestre, e não fazes o que deve fazer um discípulo? Confessas que ele é bom, e rejeitas aquilo que te concede? Porque aquele que é bom é também comunicador de bens. Perguntas-lhe sobre a vida eterna, e mostras estar entregue inteiramente aos deleites da vida presente. Mas que conselho impraticável, pesado ou intolerável te propôs o Mestre? Vende o que tens e dá aos pobres.

Se te tivesse proposto os trabalhos da agricultura, ou os perigos do comércio, ou qualquer outro incômodo daqueles que acompanham aos que andam atrás do dinheiro, se compreendes que, levando a mal o conselho, te retirasses triste; mas se por um caminho tão fácil, que não te custaria trabalho ou suor algum, promete tornar-te herdeiro da vida eterna, por que não te alegras da facilidade de alcançar a tua salvação? Por que punes o teu coração e te retiras triste, e torna inúteis para ti os trabalhos que já havias concluído?

Porque se, como dizes, não mataste, não cometeste adultério, não furtaste, não levantaste falso testemunho a ninguém, tornas infrutuoso o esforço que colocaste em observar isto, porque também não queres cumprir os outros, somente com o qual poderás entrar no Reino de Deus. Se o médico te prometesse restituir-te aqueles membros que ou por natureza, ou por alguma enfermidade tinhas mutilado, não ouvirias isto com tristeza; e porque o grande médico das almas quer aperfeiçoar-te despojado dos principais bens, não recebes o benefício, mas choras e ficas triste.

Manifestamente, estás longe daquele preceito que ordena amar ao teu próximo como a ti mesmo, e falsamente afirmas tê-lo guardado. Porque, veja, este mandamento do Senhor prova que tu és completamente alheio à verdadeira caridade. Porque se era verdade o que afirmaste, que tinhas cumprido desde a tua juventude com o preceito da caridade, e que tinhas dado aos outros o mesmo que a ti mesmo, de onde, diga-me, te veio esta abundância de riquezas? Pois o cuidado dos necessitados gasta as riquezas; pois cada um há de receber um pouco segundo a sua necessidade; e todos deverão repartir igualmente seus bens e gastá-los entre os pobres. Por isso o que ama ao próximo como a si mesmo não possui mais que o seu próximo.

† † †

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2023

34ª Quarta-feira Depois de Pentecoste

01 de Fevereiro de 2023 (CC) 19 de Janeiro (CE)
S. Macário, o Grande, bispo do Egito, eremita († c. 390)
Entronização de Ss. Cirilo, Patriarca  de Moscou e Toda a Rússia
Jejum (Peixe é permitido)
Tom 8



São Macário nasceu no alto Egito, no ano 300, e passou sua juventude trabalhando como pastor, nos campos. Movido por uma intensa graça, afastou-se do mundo, ainda muito jovem, confinando-se em uma estreita cela onde dividia seu tempo entre oração, práticas penitenciais e a fabricação de esteiras.

Uma mulher o acusou falsamente de ter sido violentada por ele. Por causa disso, Macário foi preso, maltratado e chamado de hipócrita disfarçado de monge. Tudo isso ele sofreu com paciência e ainda enviou a mulher produtos de seu trabalho, e dizia para si mesmo: «Agora, Macário, tens que trabalhar mais, pois tens que sustentar a mais um».Deus, porém, deu a conhecer sua inocência: a mulher que lhe havia caluniado não pode dar à luz a criança até que revelasse o nome do verdadeiro pai. Isto fez com que a raiva que o povo sentia dele se tornasse admiração por causa de sua humildade e paciência.

Para fugir da estima dos homens, Macário, quando já contava com 30 anos, refugiou-se em um vasto e melancólico deserto de Esquita. Assim viveu 60 anos e foi pai espiritual de inúmeras servos de Deus que lhe confiaram a direção espiritual e o governo de suas vidas com as regras que ele traçava. Todos viviam em eremitérios separados. Só um discípulo vivia com ele, encarregado de receber as visitas. Um bispo egípcio ordenou Macário sacerdote para que pudesse celebrar os Divinos Mistérios para seus irmãos eremitas. Mais tarde, quando o número dos eremitas aumentou, foram construídas 4 igrejas que eram atendidas por outros tantos sacerdotes.

Macário Lavava um vida muita austera, alimentando-se uma vez por semana. Certa ocasião, seu discípulo Evágrio, ao vê-lo torturado pela sede, lhe rogou que tomasse um pouco de água. Macário limitou-se a descansar um pouco à sombra e disse: «Nestes 20 anos, jamais comi, bebi ou dormi o suficiente para satisfazer a minha natureza». Seu corpo estava debilitado e fraco, seu rosto pálido. Para contradizer suas inclinações, não recusava beber um pouco de vinho, quando outros lhe pediam. Depois, se abstinha de toda bebida durante dois ou três dias. Diante disso, seus discípulos decidiram impedir que os visitantes lhe oferecessem vinho. Macário falava poucas palavras quando dava conselhos e recomendava o silêncio e a oração contínua para toda e qualquer pessoa. Costumava dizer: 
«Na oração, não faz falta dizer muitas coisas, nem empregar palavras escolhidas, basta repetir sinceramente: «Senhor, dá-me a graça que Tu sabes que necessito». Ou: «Meu Deus, ajuda-me».
Sua mansidão e paciência eram tão extraordinárias que levou muitos sacerdotes pagãos e outras pessoas à conversão. Certa vez, Macário pediu a um jovem, que lhe procurou para um conselho, que fosse a um cemitério e lá insultasse os mortos com gritos. Quando o jovem voltou, Macário perguntou o que tinham respondido os defuntos. O jovem respondeu que os mortos não responderam nada. Macário disse então: 
«Faz o mesmo quando te insultarem e quando gritarem contigo. Só morrendo para o mundo e para ti mesmo, poderás começar a servir a Cristo».
Um ermitão que sofria fortes tentações contra a pureza foi consultar Macário que, depois de examinar o caso, chegou a conclusão de que as tentações eram resultantes da indolência do monge. Aconselhou então que o monge não se alimentasse antes do cair do sol, que se entregasse a contemplação durante o trabalho e que trabalhasse sem cessar. O monge seguiu estes conselhos e se viu livre das tentações.

Deus revelou a Macário que ele não era mais perfeito que duas mulheres casadas que viviam na cidade.  Ele foi visitá-las e averiguar como faziam elas para santificar-se e descobriu que nunca diziam palavras ásperas nem ociosas, que viviam em humildade, paciência e caridade com seus maridos, e que santificavam todas as suas ações com a oração, consagrando para a glória de Deus todas as suas forças corporais e espirituais.

Certa vez, um herege da seita dos hieracitas, que negavam a ressurreição dos mortos, havia espalhado inquietações em vários cristãos. Sózimo. Paládio e Rufino relatam que São Macário ressuscitou um morto para conformar os cristãos em sua fé. Segundo Cassiano, Macário se limitou a que o morto falasse e lhe ordenou que esperasse a ressurreição no sepulcro.

Lúcio, bispo ariano que havia usurpado a Sé de Alexandria, enviou tropas ao deserto para que dispersassem os piedosos monges, alguns dos quais derramaram seu sangue testemunhando sua fé. Os principais monges, Isidoro, Pambo, os dois Macários e outros foram desterrados a uma pequena ilha do Nilo, rodeada de pântanos. Pelo exemplo e pelas pregações dos monges, todos os habitantes da ilha se converteram do paganismo. Lúcio então autorizou que retornassem às suas celas. Sentindo que se aproximava seu fim, Macário fez uma visita aos monges de Nitria e lhes exortou com palavras tão profundas que estes se ajoelharam a seus pés chorando.

Macário foi chamado por Deus aos 90 anos, depois de haver passado 60 no deserto de Esquita. Segundo o testemunho de Cassiano, Macário foi o primeiro anacoreta daquele vasto deserto. Alguns autores afirmam que ele foi discípulo de Santo Antônio, porém é pouco provável que tenha sido dirigido espiritualmente por Santo Antônio, antes de ir ao deserto. Contudo, parece que, mais tarde, Macário teria visitado Santo Antônio algumas vezes, pois vivia a uns 15 dias de distância um do outro.


Oração Antes de Ler as Escrituras
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!

1 Pedro 4:1-11

1 Ora pois, já que Cristo padeceu na carne, armai-vos também vós deste mesmo pensamento; porque aquele que padeceu na carne já cessou do pecado; 2 para que, no tempo que ainda vos resta na carne não continueis a viver para as concupiscências dos homens, mas para a vontade de Deus. 3 Porque é bastante que no tempo passado tenhais cumprido a vontade dos gentios, andando em dissoluções, concupiscências, borrachices, glutonarias, bebedices e abomináveis idolatrias. 4 E acham estranho não correrdes com eles no mesmo desenfreamento de dissolução, blasfemando de vós; 5 os quais hão de dar conta ao que está preparado para julgar os vivos e os mortos. 6 Pois é por isto que foi pregado o evangelho até aos mortos, para que, na verdade, fossem julgados segundo os homens na carne, mas vivessem segundo Deus em espírito. 7 Mas já está próximo o fim de todas as coisas; portanto sede sóbrios e vigiai em oração; 8 tendo antes de tudo ardente amor uns para com os outros, porque o amor cobre uma multidão de pecados; 9 sendo hospitaleiros uns para com os outros, sem murmuração; 10 servindo uns aos outros conforme o dom que cada um recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus. 11 Se alguém fala, fale como entregando oráculos de Deus; se alguém ministra, ministre segundo a força que Deus concede; para que em tudo Deus seja glorificado por meio de Jesus Cristo, a quem pertencem a glória e o domínio para todo o sempre. Amém. 

Marcos 12:28-37

28 Aproximou-se dele um dos escribas que os ouvira discutir e, percebendo que lhes havia respondido bem, perguntou-lhe: Qual é o primeiro de todos os mandamentos? 29 Respondeu Jesus: O primeiro é: Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor. 30 Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de todas as tuas forças. 31 E o segundo é este: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que esses. 32 Ao que lhe disse o escriba: Muito bem, Mestre; com verdade disseste que ele é um, e fora dele não há outro; 33 e que amá-lo de todo o coração, de todo o entendimento e de todas as forças, e amar o próximo como a si mesmo, é mais do que todos os holocaustos e sacrifícios. 34 E Jesus, vendo que havia respondido sabiamente, disse-lhe: Não estás longe do reino de Deus. E ninguém ousava mais interrogá-lo. 35 Por sua vez, Jesus, enquanto ensinava no templo, perguntou: Como é que os escribas dizem que o Cristo é filho de Davi? 36 O próprio Davi falou, movido pelo Espírito Santo: Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos debaixo dos teus pés. 37 Davi mesmo lhe chama Senhor; como é ele seu filho? E a grande multidão o ouvia com prazer.

† † †

O ENSINO DOS SANTOS PADRES


“Dois preceitos de uma mesma caridade”

Tenhamos presente que... a caridade se fundamenta em dois preceitos, a saber: no amor de Deus e do próximo... Devemos observar que, ao tratar sobre o amor que devemos ter ao próximo, põe-se regra e medida, visto que se diz: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo; mas tratando-se do amor que se deve professar a Deus não se assinala limite algum, posto “que nos diz: Amarás ao Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma, com toda a tua mente e com todas as tuas forças.

Com todo. Pois somente aquele que ama de verdade a Deus não se lembra de si mesmo... Por esta mesma razão se ordenou no Êxodo que se tingissem duas vezes de cor de escarlate as cortinas que se destinavam ao tabernáculo. Vós sois, irmãos, as cortinas do tabernáculo, que em razão da fé ocultais em vossos corações os mistérios celestiais. Porém as cortinas do tabernáculo deveriam ser tingidas duas vezes de cor escarlate...

Portanto, para que vossa caridade esteja duas vezes tingida, é preciso que esteja abrasada pelo amor de Deus e pelo do próximo, e de tal forma que não abandone a contemplação de Deus pela compaixão do próximo, ou por ocupar-se excessivamente na contemplação de Deus descuide a compaixão que deve ao próximo. Assim, todo homem que vive entre os homens busque aquele a quem ama, de modo que não abandone aquele com quem caminha, e preste-lhe auxílio de tal maneira, que, de modo algum, separe-se daquele a quem se conduz.

O amor que se deve ao próximo se subdivide em dois preceitos, pois lemos na Escritura: O que não queres para ti, não faça a ninguém. E o próprio Jesus Cristo disse: O que quiseres que os outros vos façam, fazei-o vós a eles. Portanto, se fazemos com o nosso próximo o que queremos que façam a nós, e evitamos fazer aos demais o que não queremos que nos façam, conservaremos incólumes os direitos da caridade.

Mas ninguém, pelo mero fato de amar o seu próximo, pense que já tem a caridade, mas primeiro examine a força de seu amor. Pois se alguém ama aos outros, mas não os ama por Deus, não tem a caridade, mesmo que pense o contrário. Existe a caridade verdadeira quando se ama ao amigo em Deus e ao inimigo por Deus. Ama por Deus aos seus próximos aquele que os ama, se sabe amar aos que não lhe amam. Pois a caridade costuma-se provar somente por ser contrária ao ódio. Por isso diz o Senhor: Amai aos vossos inimigos, fazei o bem aos que vos odeiam. Assim, pois, ama com segurança aquele que ama por Deus e aquele de quem sabe que não é amado.

São Gregório, o Grande, Papa de Roma (séc. VII) 
  
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