quinta-feira, 15 de outubro de 2020

19ª Quinta-feira Depois de Pentecostes

15 de Outubro de 2020 (CC) / 02 de Outubro (CE)
São Cipriano († 257) e as Mártires Justina, Virgem e Theoctis de Nicomedia (†304);
André, Louco por Cristo; Repouso da Princesa Ana de Kashinsk; 
Monge Cassiano, o Grego de Uglich; Mártires Davi e Constantino, Príncipes de Gruzia; Teófilo, o Confessor.
Tom 1

São Cipriano era um pagão, nativo de Antioquia. Ainda em primeira infância foi entregue por seus equivocados pais para o serviço aos deuses pagãos. A partir dos sete anos até os trinta anos, Cipriano estudou nos centros mais destacados do paganismo - no Monte Olimpo, nas cidades de Argos e Taurópolis, na cidade egípcia de Memphis e na Babilônia. Tendo alcançado sabedoria eminente na filosofia pagã e no ofício de feiticeiro, foi consagrado no Olimpo ao sacerdócio pagão. Tendo descoberto grande poder pela invocação de espíritos imundos, viu o próprio príncipe das trevas e conversou com ele e recebeu dele uma série de demônios presentes.

Ao retornar a Antioquia, Cipriano tornou-se reverenciado pelos pagãos como um eminente sacerdote. As pessoas se maravilhavam com sua habilidade em realizar feitiços, convocar pestilência e pragas e invocar os mortos. O poderoso padre pagão trouxe muitas almas humanas para se arruinar, ensinando magias e serviço aos demônios.

Mas nessa cidade vivia uma cristã - a Virgem Justina. Tendo desviado o próprio pai e a mãe do erro pagão e os levando à verdadeira fé em Cristo, ela se dedicou ao Noivo Celestial e passou seu tempo em jejum e oração, permanecendo virgem.

Quando o jovem Agalides lhe propôs casamento, a Santa respondeu com uma recusa. Agalides virou-se para Cipriano e buscou sua ajuda para fazer um feitiço que fizeste Justina aceitar o casamento. Mas, não importava o que Cipriano tentasse, nada conseguia realizar, uma vez que a Santa, por suas orações e jejum, destruía todas as ciladas do diabo. Cipriano lançou demônios sobre a santa virgem, tentando despertar nela as paixões carnais, mas Justina as dissipava pelo poder do Sinal da Cruz e pela fervorosa oração ao Senhor. Mesmo um dos príncipes demoníacos e do próprio Cipriano, os quais assumindo várias formas pelo poder da feitiçaria, não conseguiram influenciar Santa Justina, protegida por sua firme fé em Cristo. Todos os feitiços se dissipavam e os demônios fugiam do mero olhar ou mesmo da menção do nome da Santa.

Cipriano, enfurecido, enviou pestilência e praga sobre a família de Justina e sobre toda a cidade, mas isso foi estancado por sua oração. A alma de Cipriano, corrompida por seu poder sobre as pessoas e por seus encantamentos, desceu até às profundezas do abismo, onde estava Satanás, aquele a quem ele servia, e disse-lhe:

«Se você cai ante a mera sombra da Cruz e o Nome de Cristo, de fato, faz você tremer, então, o que você fará, quando o Próprio Cristo estiver na sua frente?» 

O diabo então se atirou sobre o sacerdote pagão que estava no processo de repudiá-lo, e começou a vencê-lo e estrangulá-lo. São Cipriano primeiro provou em si mesmo o poder do Sinal da Cruz e do Nome de Cristo, protegendo-se da fúria do inimigo. Depois, com profundo arrependimento, foi ao Bispo local, Anthymos, e consignou todos os seus livros para as chamas.

Por seu esforço em seguir uma forma justa de vida, São Cipriano discerniu o grande poder da fé fervorosa em Cristo e se redimiu de seu serviço de mais de trinta anos para Satanás: sete dias depois do batismo ele foi ordenado leitor, no décimo segundo dia, sub- diácono, no trigésimo, diácono; e depois de um ano foi ordenado sacerdote. E em pouco tempo, São Cipriano foi elevado à dignidade do bispo. São Cipriano converteu a Cristo tantos pagãos, que em sua diocese não havia mais ninguém para oferecer sacrifício aos ídolos, e seus templos pagãos caíram em desuso. Santa Justina retirou-se para um mosteiro e lá foi eleita Higúmena (Abadessa).

Durante o tempo da perseguição contra os cristãos sob o Imperador Diocleciano, São Cipriano e a Higúmena Justina foram presos e levados a Nicomédia, onde, depois de torturas ferozes, foram decapitados com a espada. Theoctis, o soldado, olhando para os sofrimentos sem culpa dos santos, declarou-se cristão e foi executado junto com eles. O Hieromártir Cipriano e os Santos Mártires Justina e Theoctis morreram em Nicomédia, no ano 304.

Conhecendo a milagrosa conversão a Cristo do santo Hieromártir Cipriano, ex-servo do príncipe das trevas e que pela fé quebrou seu domínio, os cristãos frequentemente recorrem à oração intercessora do santo em sua luta com os espíritos imundos.
Abençoado André, Louco por Amor a Cristo 
O abençoado André, Louco por Amor a Cristo, era um eslavo que morava em Constantinopla no século X. Desde os primeiros anos, amou a Igreja de Deus e as Sagradas Escrituras. Uma vez teve uma visão durante o sonho, na qual o Santo via dois exércitos. Em um estavam homens com roupas radiantes, no outro, demônios negros e ferozes. Um anjo de Deus, que guardava nas mãos coroas maravilhosas, disse a André que essas coroas não eram adereços do mundo terrenal, mas, sim, um tesouro celestial, com o qual o Senhor recompensa seus guerreiros, vitorioso sobre as hordas das trevas.

«Prossiga com essa boa ação», disse o anjo a André. «Seja um louco por amor a Mim e muito você receberá no dia do Meu Reino». 

O Santo percebeu que era o Próprio Senhor a convocá-lo para tal ação. E a partir desse momento, André começou a andar pelas ruas com trapos, como se sua mente se tornasse confusa. Por muitos anos, o Santo sofreu zombarias e insultos. Com indiferença, padeceu golpes, fome e sede, frio e calor, implorando esmolas e entregando-as a outros dos pobres. Por sua grande abstenção e humildade, o Santo recebeu do Senhor o dom da profecia e da perspicácia, salvando muitos dos perigos da alma e desmascarou muitas impiedades.

Durante uma época de oração na igreja de Blakhernae, Santo André obteve a graça de contemplar a Mãe de Deus com o seu Homofórion, velando por todos que ali oravam (episódio comemorado em 1 de outubro). O abençoado André faleceu no ano de 936.

Oração Antes de Ler as Escrituras
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém! 

Filipenses 1:20-27

20 Segundo a minha intensa expectação e esperança, de que em nada serei confundido; antes, com toda a confiança, Cristo será, tanto agora como sempre, engrandecido no meu corpo, seja pela vida, seja pela morte. 21 Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho. 22 Mas, se o viver na carne me der fruto da minha obra, não sei então o que deva escolher. 23 Mas de ambos os lados estou em aperto, tendo desejo de partir, e estar com Cristo, porque isto é ainda muito melhor. 24 Mas julgo mais necessário, por amor de vós, ficar na carne. 25 E, tendo esta confiança, sei que ficarei, e permanecerei com todos vós para proveito vosso e gozo da fé, 26 Para que a vossa glória cresça por mim em Cristo Jesus, pela minha nova ida a vós. 27 Somente deveis portar-vos dignamente conforme o evangelho de Cristo, para que, quer vá e vos veja, quer esteja ausente, ouça acerca de vós que estais num mesmo espírito, combatendo juntamente com o mesmo ânimo pela fé do evangelho.

Lucas 6:12-19

E aconteceu que naqueles dias subiu ao monte a orar, e passou a noite em oração a Deus. E, quando já era dia, chamou a si os seus discípulos, e escolheu doze deles, a quem também deu o nome de apóstolos: Simão, ao qual também chamou Pedro, e André, seu irmão; Tiago e João; Filipe e Bartolomeu; Mateus e Tomé; Tiago, filho de Alfeu, e Simão, chamado Zelote; E Judas, irmão de Tiago, e Judas Iscariotes, que foi o traidor. E, descendo com eles, parou num lugar plano, e também um grande número de seus discípulos, e grande multidão de povo de toda a Judéia, e de Jerusalém, e da costa marítima de Tiro e de Sidom; os quais tinham vindo para o ouvir, e serem curados das suas enfermidades, Como também os atormentados dos espíritos imundos; e eram curados. E toda a multidão procurava tocar-lhe, porque saía dele virtude, e curava a todos.

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ENSINO DOS SANTOS PADRES


“E passou a noite em oração a Deus” (Lucas 6:12). Aqui está a base e o princípio das vigílias cristãs de uma noite inteira. O calor da oração afasta o sono, e a alegria do espírito não permite perceber o passar do tempo. Os verdadeiros homens de oração nem mesmo o percebe; parece-lhes que mal começaram a rezar e o dia já apareceu. Mas até que alguém alcance tal perfeição, é necessário elevar o esforço para fazer vigílias.

Os monges que vivem solitariamente, passaram e passaram e passam por isto, e os que vivem comunitariamente, também sofreram e sofrem isto; bem como, também, os leigos consagrados e tementes a Deus. Mas mesmo que a pratica da vigília seja difícil, seu fruto se faz sentir na alma, imediatamente e de forma constante: paz na alma e contrição, embora o corpo esteja fraco e exausto. Esta é uma sensação muito preciosa para quem zela em prosperar no espírito.

É por isso que nos lugares onde as vigílias são estabelecidas (no Monte Athos), eles não a querem abandoná-las. Todos percebem o quanto é difícil, mas ninguém deseja rescindir esta ordem, por causa do lucro que a alma recebe das vigílias. O sono, mais do que tudo, relaxa e alimenta a carne; as vigílias mais do que qualquer coisa a humilha. Quem dorme abundantemente vê as coisas espirituais como enfadonhas e se torna frio para com elas; quem está vigilante é rápido como um antílope e tem um espírito fervoroso. Para disciplinar e subjugar a carne, não existe melhor maneira de se obter nisso o sucesso do que por meio de frequentes vigílias. Aqui a carne sente plenamente o poder do espírito sobre ela, e a ele, aprende a se submeter; enquanto o espírito adquire o hábito de reinar sobre a carne.

São Teófano, o Recluso

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