01 de Fevereiro de 2026 (CC) 19 de Janeiro (CE)
S. Macário, o Grande, bispo do Egito, eremita († c. 390)São Marcos, de Éfeso (1457)
Entronização de Sua Santidade Cirilo, Patriarca de Moscou e Toda Rússia
Tom 1
Antes da Grande Quaresma, o Cânon estabelece três semanas preparatórias e quatro domingos, sendo o Domingo do Publicano e do Fariseu o primeiro deles.
Segundo a Carta de Constantinopla, as leituras ordinárias do Evangelho de Lucas são lidas aos domingos, desde o domingo seguinte à Exaltação da Cruz até a Grande Quaresma. Algumas dessas leituras foram deliberadamente colocadas no final do ciclo para que fossem lidas em antecipação à Grande Quaresma (pois seu conteúdo harmoniza-se com o espírito do período preparatório): são elas as leituras sobre Zaqueu ( Lucas, capítulo 94 ), as parábolas do Publicano e do Fariseu ( capítulo 89 ) e a do Filho Pródigo ( capítulo 79 ).
Posteriormente, o domingo com a leitura do Evangelho de Zaqueu permaneceu sem um serviço litúrgico especial (atualmente, essa leitura é sempre feita no último domingo antes do domingo do Publicano e do Fariseu), mas as outras duas leituras tornaram-se a base para serviços litúrgicos especiais do período preparatório. O Domingo do Publicano e do Fariseu surgiu por volta dos séculos X e XI, embora durante os primeiros cem anos sua posição como o 4º domingo antes da Quaresma (contando regressivamente) ainda não fosse universal; somente no século XII o Domingo do Publicano e do Fariseu recebeu um lugar fixo – antes do Domingo do Filho Pródigo.
Atualmente, não se jejua quarta e sexta-feira da Semana do Publicano e do Fariseus.Comemoração de São Macário
São Macário nasceu no alto Egito, no ano 300, e passou sua juventude trabalhando como pastor, nos campos. Movido por uma intensa graça, afastou-se do mundo, ainda muito jovem, confinando-se em uma estreita cela onde dividia seu tempo entre oração, práticas penitenciais e a fabricação de esteiras.
Uma mulher o acusou falsamente de ter sido violentada por ele. Por causa disso, Macário foi preso, maltratado e chamado de hipócrita disfarçado de monge. Tudo isso ele sofreu com paciência e ainda enviou a mulher produtos de seu trabalho, e dizia para si mesmo: «Agora, Macário, tens que trabalhar mais, pois tens que sustentar a mais um».Deus, porém, deu a conhecer sua inocência: a mulher que lhe havia caluniado não pode dar à luz a criança até que revelasse o nome do verdadeiro pai. Isto fez com que a raiva que o povo sentia dele se tornasse admiração por causa de sua humildade e paciência.
Para fugir da estima dos homens, Macário, quando já contava com 30 anos, refugiou-se em um vasto e melancólico deserto de Esquita. Assim viveu 60 anos e foi pai espiritual de inúmeras servos de Deus que lhe confiaram a direção espiritual e o governo de suas vidas com as regras que ele traçava. Todos viviam em eremitérios separados. Só um discípulo vivia com ele, encarregado de receber as visitas. Um bispo egípcio ordenou Macário sacerdote para que pudesse celebrar os Divinos Mistérios para seus irmãos eremitas. Mais tarde, quando o número dos eremitas aumentou, foram construídas 4 igrejas que eram atendidas por outros tantos sacerdotes.
Macário Lavava um vida muita austera, alimentando-se uma vez por semana. Certa ocasião, seu discípulo Evágrio, ao vê-lo torturado pela sede, lhe rogou que tomasse um pouco de água. Macário limitou-se a descansar um pouco à sombra e disse: «Nestes 20 anos, jamais comi, bebi ou dormi o suficiente para satisfazer a minha natureza». Seu corpo estava debilitado e fraco, seu rosto pálido. Para contradizer suas inclinações, não recusava beber um pouco de vinho, quando outros lhe pediam. Depois, se abstinha de toda bebida durante dois ou três dias. Diante disso, seus discípulos decidiram impedir que os visitantes lhe oferecessem vinho. Macário falava poucas palavras quando dava conselhos e recomendava o silêncio e a oração contínua para toda e qualquer pessoa. Costumava dizer:
«Na oração, não faz falta dizer muitas coisas, nem empregar palavras escolhidas, basta repetir sinceramente: «Senhor, dá-me a graça que Tu sabes que necessito». Ou: «Meu Deus, ajuda-me».Sua mansidão e paciência eram tão extraordinárias que levou muitos sacerdotes pagãos e outras pessoas à conversão. Certa vez, Macário pediu a um jovem, que lhe procurou para um conselho, que fosse a um cemitério e lá insultasse os mortos com gritos. Quando o jovem voltou, Macário perguntou o que tinham respondido os defuntos. O jovem respondeu que os mortos não responderam nada. Macário disse então:
«Faz o mesmo quando te insultarem e quando gritarem contigo. Só morrendo para o mundo e para ti mesmo, poderás começar a servir a Cristo».Um ermitão que sofria fortes tentações contra a pureza foi consultar Macário que, depois de examinar o caso, chegou a conclusão de que as tentações eram resultantes da indolência do monge. Aconselhou então que o monge não se alimentasse antes do cair do sol, que se entregasse a contemplação durante o trabalho e que trabalhasse sem cessar. O monge seguiu estes conselhos e se viu livre das tentações.
Deus revelou a Macário que ele não era mais perfeito que duas mulheres casadas que viviam na cidade. Ele foi visitá-las e averiguar como faziam elas para santificar-se e descobriu que nunca diziam palavras ásperas nem ociosas, que viviam em humildade, paciência e caridade com seus maridos, e que santificavam todas as suas ações com a oração, consagrando para a glória de Deus todas as suas forças corporais e espirituais.
Certa vez, um herege da seita dos hieracitas, que negavam a ressurreição dos mortos, havia espalhado inquietações em vários cristãos. Sózimo. Paládio e Rufino relatam que São Macário ressuscitou um morto para conformar os cristãos em sua fé. Segundo Cassiano, Macário se limitou a que o morto falasse e lhe ordenou que esperasse a ressurreição no sepulcro.
Lúcio, bispo ariano que havia usurpado a Sé de Alexandria, enviou tropas ao deserto para que dispersassem os piedosos monges, alguns dos quais derramaram seu sangue testemunhando sua fé. Os principais monges, Isidoro, Pambo, os dois Macários e outros foram desterrados a uma pequena ilha do Nilo, rodeada de pântanos. Pelo exemplo e pelas pregações dos monges, todos os habitantes da ilha se converteram do paganismo. Lúcio então autorizou que retornassem às suas celas. Sentindo que se aproximava seu fim, Macário fez uma visita aos monges de Nitria e lhes exortou com palavras tão profundas que estes se ajoelharam a seus pés chorando.
Macário foi chamado por Deus aos 90 anos, depois de haver passado 60 no deserto de Esquita. Segundo o testemunho de Cassiano, Macário foi o primeiro anacoreta daquele vasto deserto. Alguns autores afirmam que ele foi discípulo de Santo Antônio, porém é pouco provável que tenha sido dirigido espiritualmente por Santo Antônio, antes de ir ao deserto. Contudo, parece que, mais tarde, Macário teria visitado Santo Antônio algumas vezes, pois vivia a uns 15 dias de distância um do outro.
Comemoração de São Marcos, Arcebispo de ÉfesoSão Marcos Eugênio, Arcebispo de Éfeso, foi um poderoso defensor da Ortodoxia no Concílio de Florença. Ele não concordaria com uma união com Roma com base na conveniência política e sacrifício do compromisso teológico (o Imperador Bizantino buscava a assistência militar do Ocidente contra os muçulmanos que se aproximavam cada vez mais de Constantinopla). São Marcos rebateu os argumentos dos seus oponentes, baseando-se no poço da teologia pura e nos ensinamentos dos santos Padres. Quando os membros da sua própria delegação tentaram pressioná-lo a aceitar a União, ele respondeu:
“Não pode haver compromisso em questões da Fé Ortodoxa”.Embora os membros da delegação Ortodoxa tenham assinado os Tomos de União, São Marcos foi o único que se recusou a fazê-lo. Ao retornar de Florença, São Marcos exortou exitosamente os habitantes de Constantinopla a repudiar o desonroso documento de união. Morreu em 1457, aos cinquenta e dois anos, admirado e homenageado por todos.
Tropárion, Tom 4: Pela tua profissão de fé, ó todo louvado Marcos / A Igreja descobriu que és um apaixonado pela verdade. / Tu defendeste o ensino dos Padres; / e derrubaste a escuridão do orgulho arrogante. // Interceda junto a Cristo Deus para conceder perdão aos que te honram!Kondákion, Tom 3: Vestido com armadura invencível, ó Bendito, / derribaste o orgulho rebelde; / Tu serviste como instrumento do Consolador, / e resplandeceste como um campeão da Ortodoxia. / Por isto a ti clamamos: // “Rejubila-te, Marcos, orgulho dos Ortodoxos!”
Oração Antes de Ler as Escrituras
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!
MATINAS (1)
Mateus 28:16-20
Fragmento 116 - Naquela época, os onze discípulos partiram para a Galileia, para o monte onde Jesus os havia ordenado. Quando O viram, prostraram-se em adoração, mas, duvidaram. Então, Jesus aproximou-Se deles e disse: “Toda a autoridade Me foi dada no céu e na terra. Ide, portanto, e fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em Nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a observar todas as coisas que vos ordenei. E eis que estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos.” Amém!
LITURGIA
Tropárion da Ressurreição, Tom 1
Apesar da pedra do túmulo ter sido selada pelos judeus, / e o Teu puríssimo Corpo guardado pelos soldados, / Tu ressuscitaste ao terceiro dia, ó Salvador nosso, / dando a vida ao mundo. / Por isso, ó Autor da Vida, / os Poderes Celestes Te aclamaram, dizendo: / “Glória à Tua Ressurreição, ó Cristo! / Glória à Tua Realeza! // Glória à Tua Providência, ó Amigo do homem.
Tropárion de São Mateus, Tom 3
Com zelo seguiste a Cristo, o Mestre, / Que em Sua bondade apareceu aos homens na Terra, / E da alfândega te chamou para Apóstolo / e Pregador do Evangelho ao universo, /por isto honramos tua preciosa memória. / Ó divinamente eloquente, Mateus. /Roga ao Deus misericordioso // que nos conceda a remissão das transgressões e a salvação das nossas almas!
Kondákion da Ressurreição, Tom 1
Como Deus, Tu ressuscitaste gloriosamente do túmulo, / ressuscitando o mundo Contigo; / a natureza humana Te canta como Deus,/ pois a morte foi dissipada./ Adão rejubila, Mestre;/ e Eva, doravante liberta das suas cadeias, proclama na alegria:// Ó Cristo, Tu És Aquele que concede a todos os homens a ressurreição!
Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo
Tom 4: Deixando os laços da alfândega para adquirir o jugo da Justiça, / tu te revelaste um sábio comerciante, rico da sabedoria do Alto. / Proclamaste a Palavra da Verdade, /e pela narrativa da hora do Juízo // despertaste as almas indolentes.
Agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém.
Kondákion do Triódion, Tom 3
Como o Publicano, em prantos, nos cheguemos ao Senhor, / e nos prostremos, pois, Ele É o Mestre / que deseja a salvação de todos os homens, / e concede perdão aos arrependidos; / pois, para o nosso bem Se encarnou, // Ele que com o Pai É Deus Eterno.
Prokímenon, Tom 1
como em Ti esperamos. (Sl. 32:22)
V. Regozijai-vos no Senhor, vós, justos, pois aos retos convém o louvor.
2 Timóteo 3:10-15
Fragmento 296 - Meu filho Timóteo, tu, tens observado a minha doutrina, procedimento, intenção, fé, longanimidade, amor, perseverança, as minhas perseguições e aflições, quais as que sofri em Antioquia, em Icônio, em Listra; quantas perseguições suportei. E de todas o Senhor me livrou. E na verdade todos os que querem viver piamente em Cristo Jesus padecerão perseguições. Mas os homens maus e impostores irão de mal a pior, enganando e sendo enganados. Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste, e de que foste inteirado, sabendo de quem o tens aprendido, e que desde a infância sabes as sagradas letras, que podem fazer-te sábio para a salvação, pela que há em Cristo Jesus.
Aleluia, Tom 1
Aleluia, aleluia, aleluia! (3x)
Aleluia, aleluia, aleluia! (3x)
É Deus Quem me reveste de fortaleza,
E Quem atrai os povos para Mim.
Ele fortalece a Davi, Seu ungido,
E à sua descendência para sempre.
E Quem atrai os povos para Mim.
Ele fortalece a Davi, Seu ungido,
E à sua descendência para sempre.
Lucas 18:10-14
Fragmento 89 - O Senhor falou esta parábola: "Dois homens subiram ao templo para orar: Um era fariseu e o outro publicano. O fariseu levantou-se e orou consigo mesmo: 'Graças Te dou, ó Deus, que não sou como os outros homens, vigaristas, injustos, adúlteros, ou mesmo como este publicano. Jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo o que possuo'. E o publicano, estando de longe, não levantava nem os olhos para o céu, mas batia no peito, dizendo: 'Deus, tenha misericórdia de mim, pecador'. Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque todo aquele que se exalta será humilhado; e aquele que se humilha será exaltado".
Canto da Comunhão
Louvai ao Senhor nos céus,
louvai-O nas alturas!
Aleluia, Aleluia, Aleluia!
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Os Portões Do Arrependimento
“Abra para mim, ó Doador da Vida, as portas do arrependimento...” canta a Igreja nas Matinas para o primeiro dos quatro domingos que nos preparam para a Quaresma. Na verdade, este domingo poderia ser pensado como uma porta, através da qual entramos no período sagrado que nos leva para a Páscoa; uma porta que se abre para a atmosfera de arrependimento, para o caminho que prepara a vida nova, que a Quaresma deve trazer para cada um de nós. Mas devemos lembrar que a palavra “penitência” ou “arrependimento” é uma tradução do termo grego "metanóia", e que significa "mudança de espírito". Metanóia significa muito mais estar envolvido [internamente] do que o cumprimento de algum tipo de arrependimento exterior. Uma mudança radical, renovação, conversão, é isto o que nos é pedido.
Este domingo, no calendário litúrgico, é chamado de "Domingo do Fariseu e Publicano". A Igreja, a fim de nos exortar ao verdadeiro arrependimento, coloca diante de nós a cena de dois homens que vão ao templo para orar, e dos quais um é justificado por conta de sua humildade e sua sincera contrição.
Podemos nos atrever a dizer que a parábola do fariseu e publicano (Lc 18: 10-14), que é lida na liturgia, é a mais perigosa de todas as parábolas. Porque estamos tão acostumados a condenar o farisaísmo que aqui parece que estamos a dizer: "Pelo menos, apesar de todo o meu pecado, não sou fariseu. Não sou um hipócrita”. Esquecemo-nos que a oração do fariseu não é totalmente má. O fariseu afirma que jejua, que dá o dízimo, que está livre dos pecados mais grosseiros. E isso tudo é verdade. Além disso, o fariseu não toma o crédito por suas boas ações, ele reconhece que elas vêm de Deus, e dá graças a Deus. No entanto, a oração do fariseu erra de duas maneiras: falta-lhe o arrependimento e humildade, pois não parece que ele tenha consciência... das deficiências - talvez desculpáveis - das quais ele, como todos os homens, é culpado. E, além disso, ele se compara ao publicano com um certo orgulho, um certo desdém. Será que temos o direito de condenar o fariseu, e nos considerarmos mais justos do que ele? Mas, antes de tudo, se nós quebramos os mandamentos que o fariseu observa, será que temos o direito de nos colocar no mesmo nível do publicano justificado, em contraste com o fariseu? Nós não podemos fazer isso, a menos que nossa atitude seja exatamente a mesma que a do publicano. Será que nos atrevemos a dizer que temos a humildade e o arrependimento do publicano? Se nós ostensivamente condenamos o fariseu, sem verdadeiramente assumirmos a humildade do publicano, então nós mesmos é que estaremos caindo no próprio farisaísmo.
Vamos agora olhar mais de perto o publicano. Ele não se atreve a levantar os olhos; ele fere seu peito; implora a Deus que tenha misericórdia dele, pois ele percebe que ele é um pecador. Toda a sua atitude corporal é de humildade. É por isso que o Salvador disse:
“Este homem desceu justificado para sua casa, em vez do outro”.
Notamos que Jesus diz: “em vez do outro”', deixando, de alguma forma, o caso do fariseu aberto ao nosso pensamento. E Jesus acrescenta:
"Todo aquele que se exalta será humilhado; e o que se humilha será exaltado".
Vamos tentar explorar este episódio mais profundamente. É o publicano justificado simplesmente porque ele humildemente confessa seu pecado diante de Deus? Não é só isso, nesse caso, há algo a mais. O núcleo da oração do publicano é um apelo, cheio de confiança, na bondade e na ternura de Deus. "Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador!" Estas primeiras palavras ecoam as do Salmo 51, que é essencialmente a abertura do salmo de penitência:
“Tem misericórdia de mim, ó Deus, segundo a tua benignidade; apaga as minhas transgressões, segundo a multidão das tuas misericórdias.” (Sl 51:1)
O fato de que Jesus escolhe para colocar estas palavras na boca do publicano e, assim, torná-las modelo de nossas orações de arrependimento, lança uma grande luz sobre a alma do Salvador, e sobre o que Ele pretende. O que Jesus pede de um pecador penitente (e, portanto, de cada um de nós), é acima de tudo este abandono, esta confiança absoluta na terna misericórdia e na graça de Deus.
Nas matinas, a Igreja resume a parábola evangélica e formula assim o pensamento central para este domingo:
"Senhor, que reprovaste o fariseu por justificar-se a si mesmo e por tomar-se de orgulho por suas ações, Tu que justificastes o publicano, quando ele se aproximou humildemente de Ti, buscando, com gemidos, o perdão por seus pecados. Pois Tu não te aproximarás dos pensamentos arrogantes, nem manterás longe de Ti um coração contrito. Por isso, nós também ajoelhamos humildemente diante de Ti, Tu que sofreste por nós, conceda-nos o Teu perdão e a Tua grande misericórdia".
A epístola para este domingo é tomada da segunda carta de São Paulo a seu discípulo Timóteo (II Tm 3: 10-15). O apóstolo, resumidamente, lembra a Timóteo de tudo o que ele, Paulo, teve que sofrer: perseguições e aflições de todos os tipos. Ele exorta Timóteo, que desde a infância foi criado acreditando em Cristo e nas Escrituras, a não desanimar, e a perseverar com caridade e paciência. Na véspera da Quaresma, esta epístola nos adverte que provas e dificuldades não vão faltar durante os santos preparativos para a Páscoa. Paulo tanto diz para nós quanto para Timóteo:
“Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste, e de que foste inteirado, sabendo de quem o tens aprendido” (II Tm 3:14).
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