sábado, 7 de fevereiro de 2026

Sábado do Publicano e do Fariseu

07 de Fevereiro de 2026 (CC) 25 de Janeiro (CE)
S. Gregório Nazianzeno, o Teólogo, Arcebispo de Constantinopla († c. 389)
Tom 2


São Gregório, o Teólogo, (326-389) era filho de Gregório (que mais tarde tornou-se Bispo de Nazianzeno) e de Nonna, mulher de ilibada conduta moral. Antes mesmo de dar à luz a Gregório, prometera que dedicaria seu filho a Deus, educando-o e fazendo todo esforço para que sua vontade fosse inclinada ao serviço de Deus. Por isso, São Gregório considerava que a educação que recebeu de mãe foi decisiva em sua vocação. Era muito inteligente e recebeu uma excelente educação. Estudou nas escolas de Cesárea, onde existia uma biblioteca cujos livros foram organizados por São Panfílio. Em Alexandria, estudou as obras de Orígenes e, em Atenas, cultivou uma profunda amizade por São Basílio, o Grande, que já o conhecia anteriormente. A amizade por São Basílio lhe rendeu um grande aprendizado que, dificilmente poderia obter em qualquer escola de nível superior. Em Atenas, dividiam a mesma morada e compartilhavam da mesma maneira de viver. Conheciam só dois caminhos: um que os levava a escola e o outro que os conduzia a Igreja. Também em Atenas, São Gregório conheceu Juliano, o Apóstata, que mais tarde tornou-se imperador e renegou o cristianismo, tentando fazer renascer o paganismo no Império Romano (361-363), deixando marcas de perversidade e firmando-se como inimigo da Igreja. Ao completar 26 anos, São Gregório foi batizado e regressou à sua pátria, afastando-se por muito tempo de todos os cargos públicos, ocupando-se com leituras, orações, composições de canções e com o cuidado de seus pais que já eram idosos.

Passou algum tempo no deserto, considerado por ele, como o tempo mais feliz de sua vida. Seu pai, sendo já bispo, precisava de um auxiliar, e chamou seu filho Gregório do Monastério Basiliense para a cidade de Nazianzo, e lhe ordenou presbítero. A dignidade do sacerdócio e o peso das obrigações atemorizaram São Gregório que se refugiou no deserto para viver uma vida de solidão. Posteriormente, quando seu espírito já estava apaziguado, regressou e aceitou as obrigações sacerdotais, consolando-se por servir a Deus, auxiliando seu velho pai no serviço das paróquias.

Aconteceu também que seu amigo Basílio, tornou-se arcebispo e, desejando ter consigo um fiel e instruído auxiliar para cuidar de uma ampla região, ofereceu a Gregório o cargo de principal presbítero de sua sede. Gregório, porém, recusou este honroso e influente cargo. Tempos depois, Gregório foi escolhido para ser bispo de Sasima, fruto de um acordo entre Basílio e o pai de seu pai. Vendo em tudo isto a vontade de Deus, Gregório aceitou ser ordenado, mas não quis o título, continuando como vigário na paróquia de Nazianzo, ajudando seu pai. Em 374, seu pai faleceu e, pouco depois, sua mãe. São Gregório continuou trabalhando e ocupando-se das funções que eram de seu pai, dirigindo a Igreja de Nazianzo. Adoeceu gravemente, e quando já estava recuperado, afastou-se para um monastério isolado onde, em jejum e oração, viveu próximo de três anos. Mas, uma pessoa como ele, não poderia se esconder na cela de um monastério. Foi eleito pelos Bispos Ortodoxos e pelos Fiéis, Arcebispo de Constantinopla, na época em que os arianos tinham muita influência e poder, e tomavam todas as igrejas da capital.

São Gregório se hospedou em uma casa de conhecidos. Transformou um cômodo numa pequena Igreja e a dedicou à Anastasia (Ressurreição), acreditando que ressuscitaria a Ortodoxia, e começou seu trabalho de pregação. Os arianos o incomodavam atirando-lhe pedras e enviando secretamente assassinos. O povo reconheceu o seu verdadeiro pastor e, cada vez, mais aproximavam-se de sua cátedra, “como o metal se aproxima do imã”, como costumava dizer. Por suas palavras fortes, exemplo de vida e diligência pastoral, vencia os inimigos da Igreja. Muitas pessoas vinham de todas as partes para escutar suas inspiradoras palavras. O público presente parecia um mar atormentado, aplaudiam-no, gritavam com grande entusiasmo expressando concordar com o que ouviam e, alguns escribas anotavam suas palavras para a posteridade. Cada semana, milhares de pessoas retornavam à Fé Ortodoxa. Quando o Ortodoxo Teodósio se tornou Imperador (379-395), os arianos foram então expulsos das igrejas da capital.

São Gregório combatia também a heresia de Macedônio, que negava a divindade do Espírito Santo. Participou ativamente do segundo Concílio Ecumênico. Ao terminar seus trabalhos, não quis mais o trono de Constantinopla dizendo: “Adeus cátedra – elevado e perigoso posto que suscita tanta inveja”. Afastou-se para sua cidade natal Arianzo, próximo de Nazianzo, onde passou seus últimos anos de vida vivendo como asceta. Por suas excelentes obras teológicas e por sua habilidade em discorrer sobre assuntos profundos da fé, explicando suas inexplicáveis verdades, com caridade, rigor e exatidão, São Gregório recebeu da Igreja o respeitável título de “Teólogo” e “Mestre Universal”. Também a Igreja o chama de “Mente superior”. Seus sermões são cheios de poesia e muitas de suas expressões foram utilizados nas orações próprias para os dias festivos (por São João Damasceno e outros). Até os dias de hoje, das suas relíquias brotam um agradável aroma.
Leituras Comemorativas
João 10:1-9 (Matinas)
2 Timóteo 3:1-9 
Lucas 20:46-21:1-4

Oração Antes de Ler as Escrituras
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!

2 Timóteo 3:1-9

Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos. Porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te. Porque deste número são os que se introduzem pelas casas, e levam cativas mulheres néscias carregadas de pecados, levadas de várias concupiscências; que aprendem sempre, e nunca podem chegar ao conhecimento da verdade. E, como Janes e Jambres resistiram a Moisés, assim também estes resistem à verdade, sendo homens corruptos de entendimento e réprobos quanto à fé. Não irão, porém, avante; porque a todos será manifesto o seu desvario, como também o foi o daqueles.

Lucas 20:46-21:1-4

Guardai-vos dos escribas, que querem andar com vestes compridas; e amam as saudações nas praças, e as principais cadeiras nas sinagogas, e os primeiros lugares nos banquetes; que devoram as casas das viúvas, fazendo, por pretexto, largas orações. Estes receberão maior condenação. E, olhando ele, viu os ricos lançarem as suas ofertas na arca do tesouro; e viu também uma pobre viúva lançar ali duas pequenas moedas; e disse: Em verdade vos digo que lançou mais do que todos, esta pobre viúva; porque todos aqueles deitaram para as ofertas de Deus do que lhes sobeja; mas esta, da sua pobreza, deitou todo o sustento que tinha.

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ENSINO DOS SANTOS PADRES


“Aquele que se compadece do pobre empresta a Deus”

Não temas que teu patrimônio diminua se dá grandes esmolas, e, como poderia ocorrer que falte ao justo o necessário para a vida, sendo que assim está escrito: O Senhor não deixa o justo passar fome? Elias foi alimentado por um corvo; Daniel, na cova dos leões, e até as avezinhas do céu e os lírios recebem os cuidados de Deus. E tu crês que pode faltar ao cristão, ao servo de Deus, ao que se entregou à prática das boas obras, ao amante de seu Senhor? Ou pensas que aquele que alimenta a Cristo não será alimentado por Cristo, ou que faltarão as coisas da terra àquele que lhe são concedidas as celestiais e divinas? Qual a origem de um pensamento tão incrédulo, de onde uma ideia tão ímpia e sacrílega? O que faz um coração tão pérfido na casa da fé? Como pode chamar-se e dizer-se cristão aquele que não confia em Cristo? Devia chamar-se fariseu, porque, quando o Senhor falava sobre as esmolas e nos dizia que com as riquezas terrenas e um trabalho cuidadoso ganhássemos amigos que depois nos recebessem nos tabernáculos eternos, os fariseus, que eram muito avaros, ouviam tudo isso e zombavam dele...

Por que aplaudes semelhantes conselhos tolos e néscios, e te afastas das obras com a preocupação e solicitude do futuro? Por que te envolves em sombras e fantasmas de desculpas vãs? Confessa a verdade; a nós que te conhecemos não pode enganar-nos. Abre os segredos de teu pensamento. As trevas da esterilidade cercaram a tua alma, e, afastando-te da luz da verdade, uma funda nuvem de avareza escureceu um peito de carne. És um cativo e um servo de teu dinheiro, estás preso com as cadeias de tua avareza, e aquele a quem Cristo desatou voltou-se a atar. Guardas um dinheiro que, guardado, não guardará a ti; acumulas um patrimônio cujo peso te oprime, e não te recordas de que Deus repreendeu aquele que se vangloriava com alegria estúpida da abundância exuberante de seus frutos: Tolo, esta noite pedirei a tua alma, e tudo o que reunistes, de quem será?... Divide tuas rendas com o Senhor teu Deus; reparte teus frutos com Cristo, torna-o partícipe de tuas posses terrenas, para que Ele faça a ti participante do Reino dos Céus.

Erras e te equivocas se te crês rico neste século. Ouve a voz de teu Senhor no Apocalipse, e como repreende com justa reprovação a esta classe de homens: Pois dizes: sou rico, faço bons negócios, de nada necessito – e não sabes que é infeliz, miserável, pobre, cego e nu. Aconselho-te que compres de mim ouro provado ao fogo, para ficares rico; roupas alvas para te vestires, a fim de que não apareça a vergonha de tua nudez; e um colírio para ungir os olhos, de modo que possas ver claramente.

Portanto, se és opulento e rico, compra de Cristo o ouro provado pelo fogo, para que, abrasado por esta luz imensa, sejas ouro limpo purificado pelas esmolas e obras justas. Compra-te um vestido branco, para que, se fostes desnudo em Adão, envergonhado de tua fealdade, te vista com o vestuário cândido de Cristo. E tu, que és senhora abastada e rica na Igreja de Cristo, unges teus olhos não com os enfeites do diabo, mas com o colírio de Cristo, para que possas chegar a ver a Deus, merecendo-o dele com tuas obras e bons costumes. Mas agora, enquanto és assim, não podes atuar na Igreja, porque teus olhos, cheios da escuridão das trevas e preocupados pela noite, não veem ao pobre e ao necessitado. És abastado e rico e crês que podes celebrar o sacrifício do Senhor, tu que não olhas o sacrifício dos pobres; tu que vens ao sacrifício sem sacrificar-te a ti; tu que participas de um sacrifício que o pobre oferece. Confirma o exemplo da viúva que deu duas moedas de esmola no gazofilácio. Aquele que se compadece do pobre empresta a Deus.

São Cipriano, bispo e mártir (séc. III)

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