
10 de Fevereiro de 2026 (CC) - 28 de Janeiro (CE)
S. Efrém, o Sírio, Monge e Diácono († 373)Tom 1
Efrém nasceu em 306 em Nisibina ou em seus arredores (Mesopotâmia), Depois de ter estudado junto ao bispo daquela cidade, Jacob (Jaime) se converteu no animador de uma escola de doutrina, poesia e canto. Refugiou-se em Edesa no ano 367, por causa da ocupação persa de Nisibina, e nela prosseguiu suas atividades de ensinamento, unidas a composição de muitos escritos exegéticos, catequéticos e hinos em siríaco. Sua exuberância poética era tão grande e tal o gosto dos sírios pela poesia, que muitas homilias estão compostas em versos. Recebeu o título de "Profeta dos Sírios" e "Cítara do Espírito Santo" e a tradição se alegrou em engrandecê-lo, ao estilo dos dois primeiros apotegmas, atribuindo-lhe a concessão milagrosa dos carismas da palavra, da sabedoria e também das lágrimas. A respeito dele foi escrito que era tão natural vê-lo chorar como respirar. Levou, desde muito jovem, juntamente com outros, vida comum na castidade, pobreza e penitência e retiro, compatível, não obstante, com o ensinamento e a pregação. Foi ordenado diácono, mas não sabemos exatamente quando. Muitos são os escritos sobre a sua vida, mas lamentavelmente, mistura-se muitos elementos lendários. Várias fontes revelam que se ocupou com grande generosidade a assistência aos enfermos, famintos, dando sepultura aos mortos numa época de grande miséria. Seja verdadeira ou não esta informação, é de grande significado, pois a Tradição queria transmitir dele um perfil completo, não só como grande escritor e compositor de hinos, como também, a imagem de um diácono entregue ao serviço dos mais necessitados.
Morreu no ano 373, sendo tão venerado que rapidamente seus hinos e outros escritos foram introduzidos nas celebrações litúrgicas. Seus escritos foram traduzidos para o grego e latim e, com adaptações, introduzidos em muitíssimas recopilações; sob o impulso do grande, ainda que ingênuo, entusiasmo e amor que se lhe professava, atribuíram-lhe falsamente muitas obras que não o pertenciam.
A grandeza de Santo Efrém chegou ao seu ponto mais elevado nos cantos de louvor à Mãe de Deus. Faltava ainda muito tempo para o Concílio de Éfeso e já o pensamento de Efrém sobre ela havia adquirido um grande desenvolvimento e aprofundamento. Nela contempla e celebra a extraordinária beleza e vê refulgir nela, mediante uma coparticipação extremamente contínua e privilegiada, a conformidade com Cristo: o Senhor e sua Mãe são os únicos seres perfeitamente belos neste mundo contaminado; na Senhora, resplandece uma semelhança com Deus única e excepcional. Estes pensamentos são expressados de maneira repetida por Efrém, sobretudo nos Hinos para a Natividade.
O Padre Efrém teve, quando criança, um sonho ou uma visão: saía uma videira de sua boca e crescia e enchia toda terra; e estava completamente cheia de ramos; e vieram todos os pássaros do céu e comeram do fruto da videira. Mas, quanto mais comiam, mais se multiplicavam os frutos.
Outra vez, um dos santos teve esta visão: um exército de anjos descia do céu por ordem de Deus e levava um rolo na mão, ou seja, um volume escrito de ambos os lados. E se perguntavam: "a quem devemos confiá-lo?" Uns diziam: "a este"; outros diziam: "a este outro"; finalmente, se decidiram e disseram: "verdadeiramente são santos e dignos, mas a ninguém pode ser confiado este livro senão a Efrém". Logo viu o ancião que entregavam o volume a Efrém. Ao amanhecer, quando se levantou, ouviu como um fonte que brotava da boca de Efrém, enquanto compunha, e soube assim que provinha do Espírito Santo o que saía de seus lábios.
Um dia, enquanto Efrém passeava pelo caminho, surgiu uma meretriz de emboscada para seduzi-lo ou, ao menos, para provocá-lo, posto que ninguém o havia visto jamais preso pela ira. Ele a disse: "segue-me".Quando chegaram a um lugar muito movimentado, disse-lhe: "faz o que queres aqui, neste lugar". Mas ela, vendo a multidão disse: "como podemos fazer diante desta grande multidão sem sentir vergonha?" E ele respondeu: "se nos envergonhamos diante das pessoas, tanto mais deveríamos nos envergonhar diante de Deus que escuta no segredo das trevas. E ela, cheia de vergonha, afastou-se sem ter realizado o que pretendia.
Oração Antes de Ler as Escrituras
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!
1 João 3:11-20
Fragmento 72 - Amados, quem não pratica a justiça não é de Deus, nem quem não ama seu irmão. Pois este é o mandamento que ouvistes desde o princípio: Que nos amemos uns aos outros; não como Caim, que era do Maligno e matou seu irmão. Pois, por que o matou? Porque as suas obras eram más, porém as do seu irmão, justas. Não vos admireis, meus irmãos, se o mundo vos odiar. Sabemos que passamos da morte para a vida, porque amamos nossos irmãos; pois quem não ama seu irmão permanece na morte. Quem odeia seu irmão é assassino, e sabeis que nenhum assassino tem a vida eterna permanecendo em si mesmo. Nisto conhecemos o amor: Que Ele deu a Sua vida por nós; e nós devemos dar a nossa vida pelos irmãos. Se alguém, pois, tiver bens do mundo, e, vendo o seu irmão necessitando, lhe fechar o seu coração, como permanece nele o amor de Deus? Meus filhos, nós não amamos de palavra, nem de língua, mas em ação e em verdade. E com isso entendemos que somos da verdade, e humilhamos nossos corações diante d’Ele, porque, se o nosso coração nos acusa, Deus é maior do que o nosso coração e conhece todas as coisas.
Marcos 14:10-42
Fragmento 72 - Amados, quem não pratica a justiça não é de Deus, nem quem não ama seu irmão. Pois este é o mandamento que ouvistes desde o princípio: Que nos amemos uns aos outros; não como Caim, que era do Maligno e matou seu irmão. Pois, por que o matou? Porque as suas obras eram más, porém as do seu irmão, justas. Não vos admireis, meus irmãos, se o mundo vos odiar. Sabemos que passamos da morte para a vida, porque amamos nossos irmãos; pois quem não ama seu irmão permanece na morte. Quem odeia seu irmão é assassino, e sabeis que nenhum assassino tem a vida eterna permanecendo em si mesmo. Nisto conhecemos o amor: Que Ele deu a Sua vida por nós; e nós devemos dar a nossa vida pelos irmãos. Se alguém, pois, tiver bens do mundo, e, vendo o seu irmão necessitando, lhe fechar o seu coração, como permanece nele o amor de Deus? Meus filhos, nós não amamos de palavra, nem de língua, mas em ação e em verdade. E com isso entendemos que somos da verdade, e humilhamos nossos corações diante d’Ele, porque, se o nosso coração nos acusa, Deus é maior do que o nosso coração e conhece todas as coisas.
Marcos 14:10-42
Fragmento 64 - Naquela época, Judas Iscariotes, um dos doze, foi ter com os principais sacerdotes, para O entregar a eles. E quando ouviram isso, eles ficaram contentes, e prometeram dar-lhe dinheiro. E ele buscava como poderia convenientemente entregá-Lo. E, no primeiro dia dos pães ázimos, quando imolavam a Páscoa, disseram-lhe os seus discípulos: “Aonde queres que façamos os preparativos para comeres a Páscoa?” Então, comissionou dois dos seus discípulos, e disse-lhes: “Ide à cidade, e um homem, levando um cântaro de água, vos encontrará; segui-o. E, onde quer que ele entrar, dizei ao dono da casa: ‘O Mestre manda perguntar: Onde fica o aposento em que hei de comer a Páscoa com os Meus discípulos?’ E ele vos mostrará uma grande sala superior mobiliada e preparada; ali fazei os preparativos para nós”. E, saindo os seus discípulos, foram à cidade, e acharam tudo como lhes dissera, e prepararam a Páscoa. E à tarde Ele vem com os doze. E, estando eles reclinados e comendo, disse Jesus: “Em verdade vos digo que um de vós, que Comigo come, Me trairá. E eles começaram a entristecer-se, e a perguntar-Lhe um por um: “Porventura sou eu?” E outro dizia: “Porventura sou eu?” E Ele, respondendo, disse-lhes: “É um dos doze, que mete comigo a mão no prato. O Filho do Homem, na verdade, vai, como está escrito a Seu respeito; mas ai daquele homem por quem o Filho do Homem é traído! Bom seria para esse homem se nunca houvesse sido gerado. E, enquanto comiam, Jesus tomou o pão e, abençoando-o, partiu-o e deu-lhes, dizendo:
“Tomai, comei; isto é o Meu corpo”.
E, tomando o cálice, e dando graças, deu-lhes; e todos beberam dele. E disse-lhes:
“Isto é o Meu sangue, o sangue do novo testamento, que é derramado por muitos.
Em verdade vos digo que não beberei mais do fruto da videira, até aquele dia em que o beberei novo no Reino de Deus”. E, tendo cantado um hino, saíram para o monte das Oliveiras. E Jesus lhes disse: “Todos vós vos escandalizareis em Mim esta noite, porque está escrito:
‘Ferirei o pastor, e as ovelhas se dispersarão’.
Mas, depois que Eu ressuscitar, irei adiante de vós para a Galileia”. Mas Pedro lhe disse: “Ainda que todos se escandalizem, eu nunca. E Jesus lhe disse: “Em verdade te digo que hoje, nesta noite, antes que o galo cante, três vezes Me negarás”. Mas ele falou com mais veemência: “Ainda que eu morra Contigo, de modo algum Te negarei”. E todos disseram o mesmo. E chegaram a um lugar chamado Getsêmani, e disse Jesus aos Seus discípulos: “Sentai-vos aqui, enquanto Eu oro. E levou Consigo a Pedro, a Tiago e a João, e começou a ter pavor e a angustiar-se muito. E disse-lhes: “A Minha alma está profundamente triste até a morte; ficai aqui e vigiai”. E, adiantando-Se um pouco, prostrou-Se em terra e orou para que, se fosse possível, passasse d’Ele aquela hora. E disse: “Aba, Pai, todas as coisas Te são possíveis; afasta de Mim este cálice; todavia, não seja o que Eu quero, mas o que Tu queres”. E, chegando, achou-os dormindo; e disse a Pedro: “Simão, dormes? Não pudeste vigiar uma hora? Vigiai e orai, para que não entreis em tentação. O espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca”. E Ele foi novamente, orou e disse as mesmas palavras. E, voltando, encontrou-os outra vez dormindo, porque os seus olhos estavam pesados; e não sabiam o que lhe responder. E voltou pela terceira vez, e disse-lhes: “Dormi agora e descansai; basta; é chegada a hora; eis que o Filho do Homem está sendo entregue nas mãos dos pecadores. Levantai-vos, vamos! Eis que o que Me trai está próximo”.
† † †
ENSINO DOS SANTOS PADRES
1 João 3:11-20
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| São Teófano, o Recluso |
São Pedro enfaticamente afirmara que não iria rejeitar o Senhor; mas quando chegou a hora, ele negou, e três vezes pelo menos. Tal é a nossa fraqueza! Não confie em si mesmo, e quando estiver em meio a inimigos, coloque toda sua esperança em superá-los, no Senhor. É por esta causa que a grandes personagens se permite a queda, para que ninguém se atreva fazer algo de bom ou a vencer qualquer inimigo externo ou interno, confiado em si mesmo. Você deve confiar no Senhor, mas, sem parar de se esforçar. O socorro de Deus vem ao encontro dos seus esforços, fortalecendo-os. Se esses esforços não existirem, também a ajuda de Deus não tem como vir. Mas, igualmente, se você estiver cheio de auto-confiança, consequentemente, não sentirá necessidade de ajuda e,neste caso, também, ajuda de Deus não virá. Como ela pode vir se alguém a considerar desnecessária? Sendo assim, nada há como recebê-la. Ela tão somente é obtida pelo coração. O coração se abre para a receber por meio de um sentimento de necessidade. Assim, tanto o primeiro (a ajuda de Deus) e o último (o esforço pessoal) são necessários. Diga: "Ajuda-me, ó Deus!" Mas não seja indolente.
Marcos 14:10-42
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| São João Crisóstomo |
Durante a ceia, tomou o pão e o partiu. Por que instituiu este mistério durante a Páscoa? Para que conclua de todos os seus atos que ele foi o legislador do Antigo Testamento, e que todas as coisas que nele se contêm foram esboçadas em vista à nova aliança. Por isso, onde estava a figura, Cristo entronizou a verdade. A tarde era o símbolo da plenitude dos tempos, e indicava que as coisas já estavam chegando ao seu fim. Pronunciou a bênção, ensinando-nos como nós temos de celebrar este mistério, mostrando que não vai coagido para a paixão e preparando-nos para que tudo quanto soframos o saibamos suportar com ação de graças, e tirando do sofrimento um avigoramento da esperança.
Pois, se já o tipo ou a figura foi capaz de libertar de tão grande escravidão, com mais razão libertará a verdade ao redor da terra e redundará em benefício de nossa raça. Por isso Cristo não instituiu este mistério antes, mas tão somente no momento em que estavam para cessar as prescrições legais. Aboliu a mais importante das solenidades judaicas, convocando aos judeus em torno à outra mesa muito mais santa, e disse: Tomai e comei: isto é meu corpo, que será entregue por vós.
E como não se perturbaram ao ouvir isto? Porque anteriormente Cristo já lhes tinha dito muitas e grandiosas coisas deste mistério. Por isso agora ele não se estende em explicações, porque já tinham escutado bastante sobre esta matéria. Apesar disso, sei que lhes diz qual é a causa da paixão: o perdão dos pecados. Chama a seu sangue “sangue da nova aliança”, ou seja, da promessa e da nova lei. De fato, isto é o que antigamente já tinha prometido e o confirma a nova aliança. E assim como a antiga aliança ofereceu ovelhas e novilhos, a nova oferece o sangue do Senhor. Esta passagem também insinua que ele tinha que morrer; por isso fez alusão ao testamento e menciona também o antigo. Daí que também não faltasse sangue na inauguração da primeira aliança. Novamente declara a causa de sua morte: Que será derramada por muitos para o perdão dos pecados. E acrescenta: Fazei isto em minha memória.
Não percebes como retrai e afasta os seus discípulos dos ritos judaicos? Que é como se dissesse: Vós comemorais aquela ceia em comemoração dos prodígios operados no Egito; celebrai a nova ceia em minha comemoração. Aquele sangue foi derramado para salvar aos primogênitos; este, para o perdão dos pecados de todo o mundo. Este é o meu sangue, diz, que será derramado para o perdão dos pecados. Disse isto, sem dúvida, tanto para demonstrar que a paixão e a morte são um mistério, como para, desta forma, consolar novamente aos seus discípulos. E assim como Moisés disse: É lei perpétua para vós, assim ele também disse: Em minha comemoração, até que eu volte. Por isso afirma: Tenho desejado ardentemente comer esta comida pascal; ou seja, desejei entregar-vos esta nova realidade, dar-vos uma páscoa com a qual vos convertereis em homens espirituais.
E ele mesmo bebeu também dele. Para evitar que ao ouvir estas palavras replicassem: Como? Vamos beber sangue e comer carne?, e se escandalizassem – pois, falando em outra ocasião deste tema, muitos se escandalizaram de suas palavras; pois bem, para que não tivessem motivo de escândalo, ele é o primeiro em dar o exemplo, induzindo-os a participar nestes mistérios com o espírito tranquilo. Por esta razão, ele mesmo bebeu o seu sangue.
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