Mostrando postagens com marcador Domingo das santas Relíquias. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Domingo das santas Relíquias. Mostrar todas as postagens

domingo, 15 de março de 2020

Domingo de São Gregório Palamas

DOMINGO DAS SANTAS RELÍQUIAS
15 de Março de 2020 (CC) / 02 de Março (CE)
O Santo Hieromártir Theodotus (326)

Tom 6



O segundo domingo da Grande Quaresma é chamado “Domingo de Gregório Palamas” em honra a São Gregório Palamás (1296 — 1359) que foi um monge do Monte Athos, Grécia, e, posteriormente, Arcebispo de Salônica, conhecido como o preeminente mestre do Hesicasmo e alguns de seus escritos são encontrados na Filocalia. 
Palamás foi, a princípio, requisitado pelos seus colegas monges do Monte Athos para defendê-los das acusações de Barlaão de Seminara. Barlaão acreditava que os filósofos tinham maior conhecimento acerca de Deus do que os místicos, além de valorizar mais a educação e aprendizado do que orações meditativas (como a Oração de Jesus, muito utilizada pelos hesicastas). Dessa forma, ele acreditava que os monges de Monte Athos estariam perdendo seu tempo meditando enquanto deveriam estar estudando. Gregório dizia que os profetas tinham, sim, maior conhecimento acerca de Deus, uma vez que eles já O haviam visto ou ouvido. 
Discorrendo acerca da questão de como é possível para humanos terem conhecimento de um transcendental e irreconhecível Deus, ele desenvolveu uma distinção entre conhecê-Lo em sua essência (em grego, «ousia») de conhecê-Lo em suas energias (no grego, «energueiai»), no entanto, os termos «obras» ou «atividades» sejam mais adequados de serem empregados nas traduções para o português, uma vez que evitam a conotação esotérica que a palavra energias adquiriu com o tempo. 
São Gregório sustentava a doutrina Ortodoxa de que é impossível conhecer a Deus em Sua Essência (saber quem É Deus, de fato); porém, é possível conhecê-Lo em Suas energias (saber o que Deus faz e Quem Ele É em relação à criação e ao homem), uma vez que é a forma pela qual Ele Se revela à humanidade. Assim sendo, São Gregório faz referências aos Padres Capadócios e outros escritores cristãos e Pais da Igreja. 
Palamás ainda defende que quando Pedro, Tiago e João testemunharam a Transfiguração de Jesus no Monte Tabor, eles estavam, na verdade, vendo a luz de Deus (chamada, por isso, de Luz de Tabor) e que é possível a outros o direito de ver a mesma luz com o auxílio de certas disciplinas espirituais e meditações, ainda que não seja uma maneira mecânica ou automática. 
A Veneração das Santas Relíquias 
A veneração às relíquias de santos cristãos, teve inicio no culto aos mártires nos primórdios do cristianismo. Estes mártires eram vistos como símbolo do sofrimento, da morte e da vitória do Cristo. Nos santos mártires, a fé por Cristo ganhava forma; era uma realidade próxima, possível de ser imitada. Por isto os restos dos corpos desses mártires e objetos que lhes pertenciam, eram venerados com respeito e devoção pelos cristãos da Igreja perseguida, pois, não negando a fé no Ressuscitado, derramaram seu sangue por Ele, O testemunhavam com sua vida. 
Após o Edito de Milão, quando a Igreja deixou de ser perseguida, essas relíquias dos primeiros santos mártires foram colocadas em altares para veneração. Tempos depois as relíquias foram incrustadas no Altar Principal, onde se celebrava a Sagrada Liturgia. 
O Altar é o símbolo do Cristo, Pedra Vida e Pedra Fundamental da Igreja. Da mesma forma que as relíquias estavam unidas ao Altar, o mártir estava unido ao Corpo Místico de Cristo de modo inseparável, pelo martírio e pela santidade de vida. 
Na cerimônia Litúrgica de Consagração de uma nova Igreja ou de um novo Altar, as relíquias de um santo são colocadas naquela Igreja para veneração dos fiéis, lembrando também o primitivo costume da celebração eucarística nas catacumbas, na época da Igreja perseguida. 
Neste Segundo Domingo da Quaresma, após venerarmos os santos Ícones, a Igreja dá às santas relíquias, a mesma dignidade, honra, devoção e respeito. Os santos ícones unidos às santas relíquias são venerados pela Igreja pois são vistos pelos cristãos como testemunhas vivas da sua fé. 
A devoção aos santos ícones e às santas relíquias, são, pois, um convite para que vivamos a Quaresma santificando nossa vida. Ela é vista como um estímulo, um convite insistente para que não esqueçamos de nossa vocação primeira: sermos santos como nosso Pai é Santo. 
Encontramos relatos extraordinários de curas e milagres graças à intercessão de um santo cujas relíquias foram tocadas. As relíquias dos santos na Igreja são testemunhas do possível: a santidade nos é possível. Venerar relíquias de pessoas que viveram santamente a sua fé nos dá coragem e ânimo. 
A Quaresma nos convida, através das santas relíquias, a trilharmos o caminho da caridade, do amor e do perdão. Hoje são veneradas as relíquias não só de mártires, mas, de todos os que amaram a Cristo em sua vida cotidiana. Ser santo é viver sua fé de maneira simples, mas, verdadeira. A sinceridade de nossa vida rumo à santidade nos encaminha à perfeição. A perfeição de uma vida vivida na caridade, no desapego, na solidariedade e filantropia é causa de admiração e imitação. 
Muitos são os que viajam para lugares distantes para ver e, se possível, tocar as relíquias em algum lugar sagrado. As peregrinações a estes lugares já são registradas desde o inicio do cristianismo, principalmente em Jerusalém. 
Nós, Fiéis, acreditamos que ao venerarmos estas relíquias, estamos testemunhando a Presença do Cristo na história dos homens e mulheres simples. O santo arrasta atrás de si milhares de pessoas, e em alguns casos, não só após a morte, mas já durante sua vida.
 Comemoração de São Theodotus
O Hieromártir Theodotus, era nativo da Galácia, na Ásia Menor, e foi bispo de Cyrenia em Chipre. No tempo da perseguição contra os cristãos sob o ímpio Imperador Licínio (311-324), São Theodotus abertamente pregava a Cristo, convidando os pagãos a abandonarem a idolatria e voltar-se para o Deus verdadeiro. Sabino, o governador de Chipre, ordenou que o bispo Theodotus fosse preso e levado a julgamento. 
Quando o santo ouvira falar desta ordem, não esperou que os soldados o fossem buscar, mas fui imediatamente para o governador dizendo: "Eu, aquele a quem você procura, estou aqui. Eu me apresentoo a fim de pregar a Cristo, meu Deus ". 
O governador ordenou que o santo fosse espancado sem piedade e suspenso em uma árvore com pontas afiadas, antes de ser levado para a prisão. Cinco dias depois São Theodotus foi trazido ao governador, o qual presumia que depois das torturas o bispo preferiria renunciar a Cristo, em vez de suportar novos sofrimentos. 
No entanto, São Theodotus não cessou de pregar a Cristo. Então, eles puseram o santo em uma grade de ferro, na qual acenderam um fogo, e depois de darem várias marteladas nas unhas de seus pés, o deixaram ir. Muitos testemunharam os sofrimentos do mártir. Maravilhados com a resistência do santo e seu discurso de inspiração divina, passaram a crer em Cristo. Sabendo disto, Sabino deu ordens para acabar com a tortura e jogar o santo na prisão. 
Durante o reinado de São Constantino, o Grande (21 de maio), a liberdade de confessar sua fé foi dada a todos os cristãos, e entre aqueles libertados da prisão estava São Theodotus. O santo voltou a Cyrenia e após dois anos servindo como bispo, adormeceu pacificamente no Senhor por volta do ano 326.

Oração Antes de Ler as Escrituras
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!

MATINAS (VI)

Lucas 24:36-53

36 Enquanto ainda falavam nisso, o próprio Jesus se apresentou no meio deles, e disse-lhes: Paz seja convosco. 37 Mas eles, espantados e atemorizados, pensavam que viam algum espírito. 38 Ele, porém, lhes disse: Por que estais perturbados? e por que surgem dúvidas em vossos corações? 39 Olhai as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; apalpai-me e vede; porque um espírito não tem carne nem ossos, como percebeis que eu tenho. 40 E, dizendo isso, mostrou-lhes as mãos e os pés. 41 Não acreditando eles ainda por causa da alegria, e estando admirados, perguntou-lhes Jesus: Tendes aqui alguma coisa que comer? 42 Então lhe deram um pedaço de peixe assado, 43 o qual ele tomou e comeu diante deles. 44 Depois lhe disse: São estas as palavras que vos falei, estando ainda convosco, que importava que se cumprisse tudo o que de mim estava escrito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos. 45 Então lhes abriu o entendimento para compreenderem as Escrituras; 46 e disse-lhes: Assim está escrito que o Cristo padecesse, e ao terceiro dia ressurgisse dentre os mortos; 47 e que em seu nome se pregasse o arrependimento para remissão dos pecados, a todas as nações, começando por Jerusalém. 48 Vós sois testemunhas destas coisas. 49 E eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai porém, na cidade, até que do alto sejais revestidos de poder. 50 Então os levou fora, até Betânia; e levantando as mãos, os abençoou. 51 E aconteceu que, enquanto os abençoava, apartou-se deles; e foi elevado ao céu. 52 E, depois de o adorarem, voltaram com grande júbilo para Jerusalém; 53 e estavam continuamente no templo, bendizendo a Deus.

LITURGIA DE SÃO BASÍLIO

Tropárion da Ressurreição
Vendo os poderes angélicos diante do Teu venerável túmulo, / os guardas ficaram como mortos / e Maria, de pé, junto do sepulcro, / pediu o Teu puríssimo Corpo. / Despojaste o Inferno, sem ser por ele atingido, / e foste ao encontro da Virgem, dando-lhe a vida. / Ó Senhor, ressuscitado dentre os mortos, // glória a Ti!

Tropárion de São Gregório Palamas Modo 8
Luminar da Ortodoxia, pilar e doutor da Igreja, / ornamento dos monges e campeão irrefutável dos teólogos, / ó São Gregório taumaturgo, glória de Tessalônica e pregador da Graça, // roga sem cessar pela salvação de nossas almas!


Kondákion da Ressurreição
Ressuscitando todos os mortos do vale de trevas / lá embaixo com uma mão sustentadora de vida, / Cristo nosso Deus, o Doador de vida / decidiu conceder a Ressurreição a essa nossa massa mortal. / Pois Ele é o Salvador de todos, //a Ressurreição, a vida e o Deus do mundo todo.

Glória ao †Pai e ao Filho e ao Espírito Santo!

Kondákion de São Gregório Palamás Modo 2
Órgão da sabedoria, santa e Divina, / cristalino brilhante da teologia, / em harmonia nós te louvamos, ó divinamente eloquente Gregório! Tu, como inteligência  postada ante o Primeiro Intelecto / guia nossas mentes ao Pai, / para que possamos aclamar: // Rejubila-te, ó pregador da graça!

Agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém

Prokímenon


Salva, Senhor, o Teu povo,
E abençoa a Tua herança. (Sl. 28:9)


A Ti, Senhor, ergo a minha voz, meu Deus, Tu que és o meu Rochedo, escuta a minha súplica! (Sl. 28:1)

Hebreus 1:10-2:3

10 e: Tu, Senhor, no princípio fundaste a terra, e os céus são obras de tuas mãos; 11 eles perecerão, mas tu permaneces; e todos eles, como roupa, envelhecerão, 12 e qual um manto os enrolarás, e como roupa se mudarão; mas tu és o mesmo, e os teus anos não acabarão. 13 Mas a qual dos anjos disse jamais: Assenta-te à minha direita até que eu ponha os teus inimigos por escabelo de teus pés? 14 Não são todos eles espíritos ministradores, enviados para servir a favor dos que hão de herdar a salvação? 1 Por isso convém atentarmos mais diligentemente para as coisas que ouvimos, para que em tempo algum nos desviemos delas. 2 Pois, se a palavra falada pelos anjos permaneceu firme, e toda transgressão e desobediência recebeu justa retribuição, 3 como escaparemos nós, se descuidarmos de tão grande salvação? A qual, tendo sido anunciada inicialmente pelo Senhor, foi-nos depois confirmada pelos que a ouviram.

Aleluia

Aleluia, aleluia, aleluia!
Eu cantarei eternamente as Tuas misericórdias, Senhor; 
Anunciarei a Tua verdade de geração em geração. 

Aleluia, aleluia, aleluia!
Pois disseste: «A misericórdia elevar-se-á como um edifício eterno
E nos céus a Tua verdade será solidamente estabelecida».

Aleluia, aleluia, aleluia!

Marcos 2:1-12

1 Alguns dias depois entrou Jesus outra vez em Cafarnaum, e soube-se que ele estava em casa. 2 Ajuntaram-se, pois, muitos, a ponta de não caberem nem mesmo diante da porta; e ele lhes anunciava a palavra. 3 Nisso vieram alguns a trazer-lhe um paralítico, carregado por quatro; 4 e não podendo aproximar-se dele, por causa da multidão, descobriram o telhado onde estava e, fazendo uma abertura, baixaram o leito em que jazia o paralítico. 5 E Jesus, vendo-lhes a fé, disse ao paralítico: Filho, perdoados são os teus pecados. 6 Ora, estavam ali sentados alguns dos escribas, que arrazoavam em seus corações, dizendo: 7 Por que fala assim este homem? Ele blasfema. Quem pode perdoar pecados senão um só, que é Deus? 8 Mas Jesus logo percebeu em seu espírito que eles assim arrazoavam dentro de si, e perguntou-lhes: Por que arrazoais desse modo em vossos corações? 9 Qual é mais fácil? dizer ao paralítico: Perdoados são os teus pecados; ou dizer: Levanta-te, toma o teu leito, e anda? 10 Ora, para que saibais que o Filho do homem tem sobre a terra autoridade para perdoar pecados (disse ao paralítico), 11 a ti te digo, levanta-te, toma o teu leito, e vai para tua casa. 12 Então ele se levantou e, tomando logo o leito, saiu à vista de todos; de modo que todos pasmavam e glorificavam a Deus, dizendo: Nunca vimos coisa semelhante.

† † †

domingo, 24 de março de 2019

2º Domingo da Grande Quaresma

Domingo de São Gregório Palamás
Domingo das Santas Relíquias
24 de Março de 2019 (CC) / 11 de Março (CE)
São Gregório Palamás o Arcebispo de Tessalônica (removido do seu dia comemorativo no 2º domingo da Grande Quaresma); Sinaxe de todos os Veneráveis Padres das Cavernas de Kiev (removido do seu dia comemorativo no 2º domingo da Grande Quaresma); São Sofrônio, Patriarca de Jerusalém (†638); São Euthymius, Bispo de Novgorod, Milagroso (1458); Venerável Alexis da Skete Goloseyevsky, Cavernas de Kiev (1917); Venerável Patrikius, confessor (1933); Novo Hieromártir Basílio, Sacerdote (1937);Venerável Sofrônio, recluso das Cavernas de Kiev (S. 13); Hieromártir Pionius de Esmirna e com ele: Asclepiades, Macedónia, Linus e Sabina (†250).; Traslado das relíquias do Mártir Epimachus de Pelusium para Constantinopla (250); São Sofrônio de Vratsa (1815, Bulgária); Venerável George, o abade do Sinai, irmão de São João Clímaco (s. 7º); Venerável João Moskhos (622);  Venerável Oengus, o Culdee, compilador do primeiro martirologion Irlandês (824, Celta e Britânico); Venerável George, o Novo, taumaturgo de Constantinopla (970, grego); S. Theodora, rainha de Arta, esposa do Déspota Michael II de Épiro (1275, grego); Hieromártir Eulogius, Metropolitana de Córdoba (859);  Mártires Trófimo e Thalus, de Laodicéia (300, grego); Hieromártir Constantino, em Kintyre.
Modo 2



O Segundo Domingo da Grande Quaresma é dedicado à comemoração de São Gregório Palamas (1296-1359) – Arcebispo de Tessalônica, que em seus dias defende a Ortodoxia, especialmente em assuntos relacionados com a teologia hesicasta. 
Sua memória é também comemorada aos 27 (14 de novembro). No Prólogo, lemos um curto exposto de sua vida bem como um belo texto a se refletir: 
O pai de Gregório era um eminente oficial na coorte do Imperador Andrônico II Paleólogo. O talentoso Gregório, ao completar seus estudos seculares, não quis entrar suceder no serviço da coorte imperial, retirando-se à contemplação na Santa Montanha (Monte Athos) onde é tonsurado monge. Leva uma vida de ascetismo tanto no Monastéiro de Vatopédi como na Grande Laura. Liderou a luta contra o herege Barlaão derrotando-o, no fim. 
É consagrado Arcebispo de Tessalônica no ano de 1347. Glorificado como asceta, teólogo, hierarca e taumaturgo. Governa a Igreja em Tessalônica por treze anos, dentre os quais passou um ano sob o jugo dos sarracenos, na Ásia.

Repousa em paz no ano de 1360, tomando posse de sua morada no Reino de Cristo. Suas relíquias repousam em Tessalônica, onde uma linda igreja lhe é dedicada. 
Reflexão
São Gregório Palamas era, muitas vezes, instruído por meio de revelações celestiais. 
Depois de passar três anos na quietude duma cela monástica da Grande Lavra, foi-lhe pedido que ele se dirigisse para junto dos homens, beneficiando-os com seu conhecimento e sua experiência. 
Deus lhe revelou essa necessidade por meio de uma visão extraordinária: certo dia, como que num leve sono, Gregório vê-se segurando um vaso transbordante de leite. Aos poucos, o leite vira vinho, que da mesma forma escorre pela borda do vaso, molhando tanto suas mãos como suas vestes. De repente, um jovem de grande esplendor aparece e lhe dirige a palavra: "Por que não dás aos outros desta bebida maravilhosa que desperdiças tão descuidadamente? Ou não estás ciente de que isso é o dom da graça de Deus?" Ao que Gregório responde: "Mas se não há ninguém em nosso tempo que sinta necessidade de tal bebida, a quem devo dá-la?" O jovem então diz: "Quer haja, quer não haja alguém sedento desta bebida, és obrigado a quitar tua dívida e não negligenciar o dom de Deus". Gregório interpreta o leite como o conhecimento comum (das massas) da vida e a conduta moral, e o vinho como o ensinamento dogmático. 
Outra vez, estando retirado num mosteiro a escrever seus Princípios da Ortodoxia, na ocasião da véspera das festividades de Santo Antônio o Grande, os monges o convocam para o ofício da Vigília de toda-noite (Agripinia). Gregório, no entanto, permanece em sua cela, a trabalhar, enquanto todos os irmãos se dirigem à igreja. Santo Antônio subitamente lhe aparece e diz: "A quietude perfeita é boa, mas, às vezes, faz-se necessário estar com os irmãos". Convencido por tal revelação, Gregório se dirige imediatamente à igreja, para a alegria de todos os monges. 
Fonte: Prólogo de Ohrid (Aurora da Ortodoxia) 
Comemoração de São Sofrônio, Patriarca de Jerusalém
Nascido em Damasco, Sofrônio dedicava-se tão intensamente aos estudos que por pouco não perdeu a visão. Aprofundou-se de tal modo na filosofia grega que recebeu o sobrenome de «o Sofista»  Com seu amigo, o célebre ermitão João Mosco, viajou pela Síria, Ásia Menor e Egito, onde recebeu as vestes monásticas no ano 580. Seu amigos o acompanharam, vivendo em comunidade com ele por vários anos na «Lavra» de São Savas e no monastério de São Teodósio, localizado próximo a Jerusalém. Seu desejo de santidade, mortificação, o levou a visitar os famosos ermitãos do Egito. 
Depois, com seus amigos, foi a Alexandria, onde o Patriarca São João, o Esmoleiro, lhes pediu que ficassem por dois anos em sua diocese para auxiliá-lo na reforma e combate às heresias. Foi lá que João Mosco escreveu sua obra «Prado Espiritual» que a dedicou a São Sofrônio. João faleceu no ano 620, em Roma, para onde havia viajado em peregrinação. Sofrônio retornou à Palestina e foi eleito Patriarca de Jerusalém, por sua sabedoria, piedade e ortodoxia de sua fé. Tomando posse da Sé de Jerusalém, convocou um sínodo dos bispos do Patriarcado para condenar a heresia monotelita e escreveu uma carta sinodal na que expunha e defendia a doutrina ortodoxa. Esta carta foi, posteriormente, ratificada pelo Sexto Concílio Ecumênico, chegando às mãos do Papa Honório e do Patriarca Sérgio de Constantinopla que havia aconselhado ao Papa que escrevesse em termos evasivos acerca da questão das duas vontades de Nosso Senhor Jesus Cristo. 
Ao que parece, Honório não se pronunciou nunca sobre o problema; seu silêncio deu a impressão de que o Papa estava de acordo com os hereges. Sofrônio, percebendo que o imperador e muitos prelados do Oriente atacavam a verdadeira doutrina, sentiu-se chamado a defendê-la com maior zelo que nunca. Levou consigo Estêvão, bispo de dor, ao Monte Calvário, e lá jurou pela Crucifixão de Nosso Senhor Jesus Cristo e pelas contas que deveria prestar a Deus no Dia do Juízo de «ir à Sé Apostólica, base de toda doutrina revelada, e importunar ao Papa até que se decidisse a examinar e condenar a nova doutrina». Estêvão obedeceu e permaneceu em Roma por dez anos, até que o Papa São Martim I condenou a heresia monotelita no Concílio de Latrão, no ano 649. Logo São Sofrônio teve de enfrentar-se com outras dificuldades. Os sarracenos indiram a Síria e a Palestina; Damasco havia caído em seu poder em 636; e Jerusalém em 638. O santo Patriarca fez o quanto pode para consolar e ajudar sua grei, arriscando para isso sua própria vida. Quando os muçulmanos sitiaram a cidade, São Sofrônio teve de pregar em Jerusalém seu sermão da Natividade já que lhe foi impossível ir a Belém naquelas circunstâncias. O santo fugiu depois da queda da cidade e, segundo parece, morreu pouco tempo depois, provavelmente em Alexandria.


Oração Antes de Ler as Escrituras
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!

MATINAS (X)

João 21:1-14

Depois disto manifestou-se Jesus outra vez aos discípulos junto do mar de Tiberíades; e manifestou-se assim: Estavam juntos Simão Pedro, e Tomé, chamado Dídimo, e Natanael, que era de Caná da Galiléia, os filhos de Zebedeu, e outros dois dos seus discípulos. Disse-lhes Simão Pedro: Vou pescar. Dizem-lhe eles: Também nós vamos contigo. Foram, e subiram logo para o barco, e naquela noite nada apanharam. E, sendo já manhã, Jesus se apresentou na praia, mas os discípulos não conheceram que era Jesus. Disse-lhes, pois, Jesus: Filhos, tendes alguma coisa de comer? Responderam-lhe: Não. E ele lhes disse: Lançai a rede para o lado direito do barco, e achareis. Lançaram-na, pois, e já não a podiam tirar, pela multidão dos peixes. Então aquele discípulo, a quem Jesus amava, disse a Pedro: É o Senhor. E, quando Simão Pedro ouviu que era o Senhor, cingiu-se com a túnica (porque estava nu) e lançou-se ao mar. E os outros discípulos foram com o barco (porque não estavam distantes da terra senão quase duzentos côvados), levando a rede cheia de peixes. Logo que desceram para terra, viram ali brasas, e um peixe posto em cima, e pão. Disse-lhes Jesus: Trazei dos peixes que agora apanhastes. Simão Pedro subiu e puxou a rede para terra, cheia de cento e cinqüenta e três grandes peixes e, sendo tantos, não se rompeu a rede. Disse-lhes Jesus: Vinde, comei. E nenhum dos discípulos ousava perguntar-lhe: Quem és tu? sabendo que era o Senhor. Chegou, pois, Jesus, e tomou o pão, e deu-lhes e, semelhantemente o peixe. E já era a terceira vez que Jesus se manifestava aos seus discípulos, depois de ter ressuscitado dentre os mortos.

LITURGIA

Hebreus 1:10-2:3

10 e: Tu, Senhor, no princípio fundaste a terra, e os céus são obras de tuas mãos; 11 eles perecerão, mas tu permaneces; e todos eles, como roupa, envelhecerão, 12 e qual um manto os enrolarás, e como roupa se mudarão; mas tu és o mesmo, e os teus anos não acabarão. 13 Mas a qual dos anjos disse jamais: Assenta-te à minha direita até que eu ponha os teus inimigos por escabelo de teus pés? 14 Não são todos eles espíritos ministradores, enviados para servir a favor dos que hão de herdar a salvação? 1 Por isso convém atentarmos mais diligentemente para as coisas que ouvimos, para que em tempo algum nos desviemos delas. 2 Pois se a palavra falada pelos anjos permaneceu firme, e toda transgressão e desobediência recebeu justa retribuição, 3 como escaparemos nós, se descuidarmos de tão grande salvação? A qual, tendo sido anunciada inicialmente pelo Senhor, foi- nos depois confirmada pelos que a ouviram...

Marcos 2:1-12

1 Alguns dias depois entrou Jesus outra vez em Cafarnaum, e soube-se que ele estava em casa. 2 Ajuntaram-se, pois, muitos, a ponta de não caberem nem mesmo diante da porta; e ele lhes anunciava a palavra. 3 Nisso vieram alguns a trazer-lhe um paralítico, carregado por quatro; 4 e não podendo aproximar-se dele, por causa da multidão, descobriram o telhado onde estava e, fazendo uma abertura, baixaram o leito em que jazia o paralítico. 5 E Jesus, vendo-lhes a fé, disse ao paralítico: Filho, perdoados são os teus pecados. 6 Ora, estavam ali sentados alguns dos escribas, que arrazoavam em seus corações, dizendo: 7 Por que fala assim este homem? Ele blasfema. Quem pode perdoar pecados senão um só, que é Deus? 8 Mas Jesus logo percebeu em seu espírito que eles assim arrazoavam dentro de si, e perguntou-lhes: Por que arrazoais desse modo em vossos corações? 9 Qual é mais fácil? dizer ao paralítico: Perdoados são os teus pecados; ou dizer: Levanta-te, toma o teu leito, e anda? 10 Ora, para que saibais que o Filho do homem tem sobre a terra autoridade para perdoar pecados (disse ao paralítico), 11 a ti te digo, levanta-te, toma o teu leito, e vai para tua casa. 12 Então ele se levantou e, tomando logo o leito, saiu à vista de todos; de modo que todos pasmavam e glorificavam a Deus, dizendo: Nunca vimos coisa semelhante.

† † †

COMENTÁRIO

O Evangelho do primeiro domingo de quaresma termina com uma alusão ao mistério dos anjos. E são também os anjos que a Epístola de hoje evoca (Hb. 1, 10-2; 3). O texto sagrado compara o mistério àquele infinitamente maior, do próprio Salvador. Se a desobediência às mensagens que os anjos nos transmitem é justamente punida, quão mais seria punido o homem que negligencia a salvação anunciada e trazida pelo Cristo! Pois “a qual dos anjos disse jamais: Assenta-te à minha destra até que ponha a teus inimigos por escabelo de teus pés”?

Evangelho de hoje (Mc. 2, 1-12), relata a cura do paralítico de Cafarnaum. Jesus perdoa-lhe seus pecados e, como os escribas assombram-se de que outro que não Deus possa perdoar os pecados, ele responde: “Qual é mais fácil dizer ao paralítico?: estão perdoados os teus pecados, ou dizer-lhe: levanta-te, e toma o teu leito e anda?... para que saibais que o Filho do homem tem na terra poder para perdoar pecados, a ti te digo: levanta-te, toma o teu leito, e vai para tua casa”. O tema central deste episódio é a força tanto de perdão quanto de cura que possui o Senhor Jesus, A seguir, há a afirmação - mais ainda: a demonstração - de que a cura e o perdão não devem ser separados. O paralítico, deitado sobre seu leito foi colocado aos pés de Cristo. Ora, a primeira palavra de Jesus não foi: “Sê curado!”, porém: “Teus pecados te são perdoados”. Em nossos males físicos, antes mesmo de pedir por nossa libertação material nós devemos orar por nossa purificação interior, pela absolvição de nossas faltas. Jesus, enfim, ordena ao paralítico curado,de levar sua cama para casa. De um lado, a multidão seria convencida da realidade do milagre se visse esse homem tornado forte o bastante para carregar seu leito. De outro lado, aquele que foi perdoado, interiormente modificado por Jesus, deve mostrar aos de sua casa, por qualquer sinal evidente (não mais por carregar um leito, porém, por palavras, atos e atitudes), que ali está um homem novo que retoma seu ligar em seu ambiente.

† † †

domingo, 27 de março de 2016

2º Domingo da Grande Quaresma



Domingo de São Gregório Palamás
Domingo das Santas Relíquias
27 de Março de 2016 (CC) / 14 de Março (CE)
São Bento de Núrsia, Pai do monaquismo ocidental; 
Santo Ícone Milagroso de Feodorov em Kostromo.
Jejum (Vinho e azeite são permitidos)
Modo 2



O Segundo Domingo da Grande Quaresma é dedicado à comemoração de São Gregório Palamas (1296-1359) – Arcebispo de Tessalônica, que em seus dias defende a Ortodoxia, especialmente em assuntos relacionados com a teologia hesicasta. 

Sua memória é também comemorada aos 27 (14 de novembro). No Prólogo, lemos um curto exposto de sua vida bem como um belo texto a se refletir: 

O pai de Gregório era um eminente oficial na coorte do Imperador Andrônico II Paleólogo. O talentoso Gregório, ao completar seus estudos seculares, não quis entrar suceder no serviço da coorte imperial, retirando-se à contemplação na Santa Montanha (Monte Athos) onde é tonsurado monge. Leva uma vida de ascetismo tanto no Monastéiro de Vatopédi como na Grande Laura. Liderou a luta contra o herege Barlaão derrotando-o, no fim. 

É consagrado Arcebispo de Tessalônica no ano de 1347. Glorificado como asceta, teólogo, hierarca e taumaturgo. Governa a Igreja em Tessalônica por treze anos, dentre os quais passou um ano sob o jugo dos sarracenos, na Ásia.
Repousa em paz no ano de 1360, tomando posse de sua morada no Reino de Cristo. Suas relíquias repousam em Tessalônica, onde uma linda igreja lhe é dedicada. 

Reflexão

São Gregório Palamas era, muitas vezes, instruído por meio de revelações celestiais. 

Depois de passar três anos na quietude duma cela monástica da Grande Lavra, foi-lhe pedido que ele se dirigisse para junto dos homens, beneficiando-os com seu conhecimento e sua experiência. 

Deus lhe revelou essa necessidade por meio de uma visão extraordinária: certo dia, como que num leve sono, Gregório vê-se segurando um vaso transbordante de leite. Aos poucos, o leite vira vinho, que da mesma forma escorre pela borda do vaso, molhando tanto suas mãos como suas vestes. De repente, um jovem de grande esplendor aparece e lhe dirige a palavra: "Por que não dás aos outros desta bebida maravilhosa que desperdiças tão descuidadamente? Ou não estás ciente de que isso é o dom da graça de Deus?" Ao que Gregório responde: "Mas se não há ninguém em nosso tempo que sinta necessidade de tal bebida, a quem devo dá-la?" O jovem então diz: "Quer haja, quer não haja alguém sedento desta bebida, és obrigado a quitar tua dívida e não negligenciar o dom de Deus". Gregório interpreta o leite como o conhecimento comum (das massas) da vida e a conduta moral, e o vinho como o ensinamento dogmático. 

Outra vez, estando retirado num mosteiro a escrever seus Princípios da Ortodoxia, na ocasião da véspera das festividades de Santo Antônio o Grande, os monges o convocam para o ofício da Vigília de toda-noite (Agripinia). Gregório, no entanto, permanece em sua cela, a trabalhar, enquanto todos os irmãos se dirigem à igreja. Santo Antônio subitamente lhe aparece e diz: "A quietude perfeita é boa, mas, às vezes, faz-se necessário estar com os irmãos". Convencido por tal revelação, Gregório se dirige imediatamente à igreja, para a alegria de todos os monges. 

Fonte: Prólogo de Ohrid (Aurora da Ortodoxia) 

O Venerável Bento 

Bento nasceu na província italiana de Núrsia no ano 480 dC, filho de pais ricos e ilustres. Ele não permaneceu muito tempo na escola para que ele percebeu-se que através do estudo secular ele poderia perder "a grande compreensão de sua alma." Assim, deixou a escola "um homem ignorante e sábio ao mesmo tempo, um simples, porém, entendido." Ele se retirou para um mosteiro, onde foi tonsurado pelo monge Romanus. Depois retirou-se para uma montanha íngreme, onde permaneceu em uma caverna por mais de três anos em uma grande luta com sua alma. Romanus lhe trazia e a punha numa corda que Bento fazia descer da caverna. 

Quando Bento tornou-se conhecido na vizinhança, ele retirou-se desta caverna, a fim de fugir da glória dos homens. Ele era inabalável em sua determinação. Uma vez, quando uma impura e furiosa paixão impuro e fúria da carne a ele se apegou, tirou todas as suas roupas e ficou rolando nu em cima de um espinheiro até repelir totalmente os pensamentos de cobiça para co uma mulher. 

Deus o dotou de muitos dons espirituais: a clarividência, a cura, a expulsão de maus espíritos, a ressurreição de mortos, e a capacidade de aparecer para os outros à distância em visões e sonhos. Uma vez, percebendo que um copo de vinho que lhe fora servido estava envenenado, fez o sinal da cruz sobre ele, o que provocou a explosão do vidro. 

Inicialmente estabelecera doze mosteiros, e em cada um deles colocou doze monges. Mais tarde, compilou a regra especial "beneditina", que é seguido até hoje na Igreja Romana. No sexto dia antes de sua morte, ordenou que seu túmulo, que de antemão tinha preparado, fosse aberto, pois o santo previu que seu fim estava próximo. Ele reuniu todos os monges, aconselhou-os, em seguida, entregou a alma ao Senhor, a quem ele havia servido fielmente na pobreza e na pureza. 

Escolástica, sua irmã de nascimento, viveu em um convento, onde, à imitação de seu irmão, praticou uma rigorosíssima ascese, e atingiu um alto estado de perfeição espiritual. Quando São Bento entregou a alma, dois monges - um viajando por uma estrada e um outro que estava em oração em uma célula distante - tiveram simultaneamente a mesma visão. Eles viram um caminho que se estendia da terra ao céu, coberto com uma fibra de tecido precioso e iluminado em ambos os lados por fileiras de homens. Na cabeça do caminho, havia um homem de beleza indescritível, e da luz, se lhes dizia que este caminho foi preparado para Bento, agraciado por Deus. Como resultado desta visão, estes dois irmãos entenderam que seu bom abade tinha partido deste mundo. Bento repousou pacificamente no ano de 543 dC, e entrou no reino eterno de Cristo Rei. 



MATINAS (X)

João 21:1-14

Depois disto manifestou-se Jesus outra vez aos discípulos junto do mar de Tiberíades; e manifestou-se assim: Estavam juntos Simão Pedro, e Tomé, chamado Dídimo, e Natanael, que era de Caná da Galiléia, os filhos de Zebedeu, e outros dois dos seus discípulos. Disse-lhes Simão Pedro: Vou pescar. Dizem-lhe eles: Também nós vamos contigo. Foram, e subiram logo para o barco, e naquela noite nada apanharam. E, sendo já manhã, Jesus se apresentou na praia, mas os discípulos não conheceram que era Jesus. Disse-lhes, pois, Jesus: Filhos, tendes alguma coisa de comer? Responderam-lhe: Não. E ele lhes disse: Lançai a rede para o lado direito do barco, e achareis. Lançaram-na, pois, e já não a podiam tirar, pela multidão dos peixes. Então aquele discípulo, a quem Jesus amava, disse a Pedro: É o Senhor. E, quando Simão Pedro ouviu que era o Senhor, cingiu-se com a túnica (porque estava nu) e lançou-se ao mar. E os outros discípulos foram com o barco (porque não estavam distantes da terra senão quase duzentos côvados), levando a rede cheia de peixes. Logo que desceram para terra, viram ali brasas, e um peixe posto em cima, e pão.
Disse-lhes Jesus: Trazei dos peixes que agora apanhastes. Simão Pedro subiu e puxou a rede para terra, cheia de cento e cinqüenta e três grandes peixes e, sendo tantos, não se rompeu a rede. Disse-lhes Jesus: Vinde, comei. E nenhum dos discípulos ousava perguntar-lhe: Quem és tu? sabendo que era o Senhor. Chegou, pois, Jesus, e tomou o pão, e deu-lhes e, semelhantemente o peixe. E já era a terceira vez que Jesus se manifestava aos seus discípulos, depois de ter ressuscitado dentre os mortos.

LITURGIA

Hebreus 1:10-2:3

10 e: Tu, Senhor, no princípio fundaste a terra, e os céus são obras de tuas mãos; 11 eles perecerão, mas tu permaneces; e todos eles, como roupa, envelhecerão, 12 e qual um manto os enrolarás, e como roupa se mudarão; mas tu és o mesmo, e os teus anos não acabarão. 13 Mas a qual dos anjos disse jamais: Assenta-te à minha direita até que eu ponha os teus inimigos por escabelo de teus pés? 14 Não são todos eles espíritos ministradores, enviados para servir a favor dos que hão de herdar a salvação? 1 Por isso convém atentarmos mais diligentemente para as coisas que ouvimos, para que em tempo algum nos desviemos delas. 2 Pois se a palavra falada pelos anjos permaneceu firme, e toda transgressão e desobediência recebeu justa retribuição, 3 como escaparemos nós, se descuidarmos de tão grande salvação? A qual, tendo sido anunciada inicialmente pelo Senhor, foi- nos depois confirmada pelos que a ouviram...

Marcos 2:1-12

1 Alguns dias depois entrou Jesus outra vez em Cafarnaum, e soube-se que ele estava em casa. 2 Ajuntaram-se, pois, muitos, a ponta de não caberem nem mesmo diante da porta; e ele lhes anunciava a palavra. 3 Nisso vieram alguns a trazer-lhe um paralítico, carregado por quatro; 4 e não podendo aproximar-se dele, por causa da multidão, descobriram o telhado onde estava e, fazendo uma abertura, baixaram o leito em que jazia o paralítico. 5 E Jesus, vendo-lhes a fé, disse ao paralítico: Filho, perdoados são os teus pecados. 6 Ora, estavam ali sentados alguns dos escribas, que arrazoavam em seus corações, dizendo: 7 Por que fala assim este homem? Ele blasfema. Quem pode perdoar pecados senão um só, que é Deus? 8 Mas Jesus logo percebeu em seu espírito que eles assim arrazoavam dentro de si, e perguntou-lhes: Por que arrazoais desse modo em vossos corações? 9 Qual é mais fácil? dizer ao paralítico: Perdoados são os teus pecados; ou dizer: Levanta-te, toma o teu leito, e anda? 10 Ora, para que saibais que o Filho do homem tem sobre a terra autoridade para perdoar pecados (disse ao paralítico), 11 a ti te digo, levanta-te, toma o teu leito, e vai para tua casa. 12 Então ele se levantou e, tomando logo o leito, saiu à vista de todos; de modo que todos pasmavam e glorificavam a Deus, dizendo: Nunca vimos coisa semelhante.


COMENTÁRIO

O Evangelho do primeiro domingo de quaresma termina com uma alusão ao mistério dos anjos. E são também os anjos que a Epístola de hoje evoca (Hb. 1, 10-2; 3). O texto sagrado compara o mistério àquele infinitamente maior, do próprio Salvador. Se a desobediência às mensagens que os anjos nos transmitem é justamente punida, quão mais seria punido o homem que negligencia a salvação anunciada e trazida pelo Cristo! Pois “a qual dos anjos disse jamais: Assenta-te à minha destra até que ponha a teus inimigos por escabelo de teus pés”?

Evangelho de hoje (Mc. 2, 1-12), relata a cura do paralítico de Cafarnaum. Jesus perdoa-lhe seus pecados e, como os escribas assombram-se de que outro que não Deus possa perdoar os pecados, ele responde: “Qual é mais fácil dizer ao paralítico?: estão perdoados os teus pecados, ou dizer-lhe: levanta-te, e toma o teu leito e anda?... para que saibais que o Filho do homem tem na terra poder para perdoar pecados, a ti te digo: levanta-te, toma o teu leito, e vai para tua casa”. O tema central deste episódio é a força tanto de perdão quanto de cura que possui o Senhor Jesus, A seguir, há a afirmação - mais ainda: a demonstração - de que a cura e o perdão não devem ser separados. O paralítico, deitado sobre seu leito foi colocado aos pés de Cristo. Ora, a primeira palavra de Jesus não foi: “Sê curado!”, porém: “Teus pecados te são perdoados”. Em nossos males físicos, antes mesmo de pedir por nossa libertação material nós devemos orar por nossa purificação interior, pela absolvição de nossas faltas. Jesus, enfim, ordena ao paralítico curado,de levar sua cama para casa. De um lado, a multidão seria convencida da realidade do milagre se visse esse homem tornado forte o bastante para carregar seu leito. De outro lado, aquele que foi perdoado, interiormente modificado por Jesus, deve mostrar aos de sua casa, por qualquer sinal evidente (não mais por carregar um leito, porém, por palavras, atos e atitudes), que ali está um homem novo que retoma seu ligar em seu ambiente.

domingo, 8 de março de 2015

Domingo de São Gregório Palamás

DOMINGO DAS SANTAS RELÍQUIAS
2º DOMINGO DA GRANDE QUARESMA
08 de Março de 2015 (CC) - 23 de Fevereiro (CE)
São Policarpo, bispo de Esmirna, hieromártir (†155)
6º Modo 




Policarpo teve a felicidade de conhecer e abraçar a fé cristã ainda menino, tendo sido instruído pelos próprios apóstolos, em particular, por São João, o Teólogo quem, mais tarde, o nomeou Bispo de Esmirna, cidade da Ásia Menor. Acredita-se que dele fala Nosso Senhor Jesus Cristo no segundo capítulo do Livro do Apocalipse, quando disse ao anjo: «Eu sei que padeces e que és muito pobre; contudo, és muito rico, pois és objeto de murmuração daqueles que se chamam judeus, e não os são, pois formam a sinagoga de satanás; não temas, pois, que que tens a padecer. Sê fiel até a morte que te darei a coroa da vida» 
Policarpo governou a Igreja de Esmirna por quarenta anos. O resplendor de suas virtudes o projetava como a cabeça e primeiro de todos os bispos da Ásia; era ainda venerado por todos os fiéis a ponto de não deixarem ele mesmo tirar seus sapados ou sandálias, apressando por fazê-lo para ter o privilégio de tocá-lo. Policarpo conquistou e formou muitos discípulos, do mesmo modo como ele próprio havia sido tratado pelos apóstolos. Santo Irineu, bispo de Lião, na França, foi um deles. Diz o santo: «Tenho ainda muito presente a sobriedade de seus passos, a majestade de seu semblante, a pureza de sua vida e suas santas exortações com as quais alimentava seu povo. Parece-me ainda hoje escutá-lo dizer como havia conversado com São João, e com outros que também tinham visto Nosso Senhor Jesus Cristo, as palavras que ouviu e as particularidades que haviam lhe ensinado sobre os milagres e a doutrina deste divino Salvador». Tudo o que dizia era perfeitamente de acordo com as Sagradas Escrituras, como referido pelos que haviam sido testemunhas oculares do Verbo, e da Palavra de Vida.Seu zelo pela pureza da fé era tal, segundo afirma o mesmo Santo Irineu, que quando algum erro era dito em sua presença, tapava seus ouvidos e dizia: «Para que tempo me reservaste?» E fugia imediatamente. 
Após o martírio de São Germânico e de outros mártires, o povo de Esmirna começou a reagir com irritação: «Que os ímpios sejam exterminados! Que tragam Policarpo!» – Haviam escondido o santo bispo numa casa de campo, mas os que o buscavam conseguiram encontrá-lo. O santo encontrava-se num aposento, no alto, e teria conseguido se salvar se quisesse, mas se recusou, reagindo com estas palavras: «Faça-se a vontade de Deus». Os soldados, vendo sua idade e firmeza, não se atreviam a cumprir a missão. O santo então pediu para que lhe preparassem a ceia e que lhe dessem uma hora para rezar em liberdade. Tendo sido concedido, cheio da graça de Deus orou de pé por duas horas pedindo por todos os seus conhecidos e encomendando a Deus a sua Igreja. 
Assim que chegaram à cidade, apresentaram-no ao governador da província que lhe interrogou se era mesmo Policarpo. Ele respondeu que sim. O magistrado então o instou a que renunciasse sua fé em Nosso Senhor Jesus Cristo. Policarpo lhe respondeu: «Eu já o sirvo há oitenta e seis anos, e nunca me fez nenhum algum. Como poderia blasfemar contra meu Rei que me salvou? » O pró cônsul continuava a lhe escutar: «Ao que parece, dissimulas conhecer-me? Disse-lhe Policarpo. «Pois eu te declaro que sou cristão e, se queres instruir-te na doutrina dos cristãos, diga-me quando podes ouvir-me, e eu te ensinarei». O pró cônsul reagiu: «Enganas o povo». Disse-lhe Policarpo: «Pelo que te cabe, é justo responder-te: porque temos apreendido a respeitar os magistrados e a prestar às potestades estabelecidas por Deus a devida honra. Pois veja este povo que não merece que eu me justifique em sua presença». O pró cônsul  o ameaçou de ordenar que fosse jogado às feras. A resposta de São Policarpo foi que, a ele seria de mais vantagem passar dos suplícios à perfeita justiça. «Pois, já que não temes as feras, ordenarei que sejas queimado vivo por tua desobediência». O santo lhe respondeu: «Ameaças com um fogo que, em algum momento, se apagará porque não conheces o fogo eterno que está reservado aos ímpios. Mas, o que te detém? Faça logo o que queres». Irritado, o pró cônsul o condenou que fosse atirado ao fogo. Policarpo então desnudou-se a si mesmo e, como quisessem amarrá-lo a um poste, disse: «Deixe-me  que assim terei mais força para padecer no fogo e a graça de deixará permanecer imóvel sobre a fogueira, sem necessidade dos cravos». Contentaram-se, pois, com amarrar-lhe as mãos às suas costas. Assim, elevou os olhos aos céus, deu graças à Santíssima Trindade pela honra de ser um dos mártires por Nosso Senhor Jesus Cristo, e lhe suplicou que o recebesse qual sacrifício de agradável aroma. Terminada sua oração, acenderam o fogo; mas, ao invés de as chamas consumirem seu corpo, o rodearam formando como que uma muralha de proteção, e de seu corpo exalava um suave perfume. Ainda mais irritados por este milagre, os pagãos o partiram com uma espada. O sangue que verteu do ferimento foi suficiente para apagar o fogo. Assim, São Policarpo chegou ao fim de  seu sacrifício e de sua vida terrena.
Fonte: Ecclesia




MATINAS (VI)

Lucas 24:36-53

36 Enquanto ainda falavam nisso, o próprio Jesus se apresentou no meio deles, e disse-lhes: Paz seja convosco. 37 Mas eles, espantados e atemorizados, pensavam que viam algum espírito. 38 Ele, porém, lhes disse: Por que estais perturbados? e por que surgem dúvidas em vossos corações? 39 Olhai as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; apalpai-me e vede; porque um espírito não tem carne nem ossos, como percebeis que eu tenho. 40 E, dizendo isso, mostrou-lhes as mãos e os pés. 41 Não acreditando eles ainda por causa da alegria, e estando admirados, perguntou-lhes Jesus: Tendes aqui alguma coisa que comer? 42 Então lhe deram um pedaço de peixe assado, 43 o qual ele tomou e comeu diante deles. 44 Depois lhe disse: São estas as palavras que vos falei, estando ainda convosco, que importava que se cumprisse tudo o que de mim estava escrito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos. 45 Então lhes abriu o entendimento para compreenderem as Escrituras; 46 e disse-lhes: Assim está escrito que o Cristo padecesse, e ao terceiro dia ressurgisse dentre os mortos; 47 e que em seu nome se pregasse o arrependimento para remissão dos pecados, a todas as nações, começando por Jerusalém. 48 Vós sois testemunhas destas coisas. 49 E eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai porém, na cidade, até que do alto sejais revestidos de poder. 50 Então os levou fora, até Betânia; e levantando as mãos, os abençoou. 51 E aconteceu que, enquanto os abençoava, apartou-se deles; e foi elevado ao céu. 52 E, depois de o adorarem, voltaram com grande júbilo para Jerusalém; 53 e estavam continuamente no templo, bendizendo a Deus. 



LITURGIA


Tropárion da Ressurreição
Enquanto Maria estava diante do sepulcro 
à procura de Teu imaculado Corpo, 
os anjos apareceram em teu túmulo 
e as sentinelas desfaleceram. 
Sem ser vencido pela morte, 
submeteste ao Teu domínio o reino dos mortos, 
e vieste ao encontro da Virgem revelando a vida. 
Senhor que ressurgistes dos mortos, glória a Ti!

Kondáquion da Ressurreição
Levantando com Sua vivificante mão 
todos os mortos dos vales tenebrosos, 
Cristo Deus, Doador da vida, 
quis conceder a Ressurreição ao gênero humano; 
pois Ele é o Salvador, a Ressurreição, a Vida e o Deus de todos. 

Hino à Virgem
Ó Admirável Protetora dos Cristãos...

Tropárion Próprio (Modo 4 Plagal)
Luminar da Ortodoxia, pilar e doutor da Igreja,
ornamento dos monges e campeão irrefutável dos teólogos,
ó São Gregório taumaturgo, glória de Tessalônica e pregador da Graça,
roga sem cessar pela salvação de nossas almas!

Glória ao Pai † e ao Filho e ao Espírito Santo...

Kondakion Próprio
Os Mártires de Cristo mortificaram pela temperança 
a rebelião das paixões e desejos abrasados;
por causa disto receberam o dom de curar os doentes
e de fazer milagres durante a vida e depois da morte.
Que maravilha realmente prodigiosa:
de ossos descarnados jorram as curas!
Glória, pois, ao nosso único Deus!

Theotokion
Agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém

Clamando com a Tua bendita Mãe, 
voluntariamente, viste padecer, irradiando na cruz, 
desejaste encontrar Adão, dizendo aos anjos: 
Alegrem-se comigo, porque foi encontrado o dracma perdido,
 Deus nosso, que com sabedoria tudo consolidaste, glória a Ti!

Prokímenon

Salva, Senhor, o teu povo 
e abençoa a Tua herança. (Sl 28, 9)

Clamo a Ti, Senhor, meu Rochedo
presta ouvido aos meus rogos. (Sl 28, 1)


EPÍSTOLA (HEBREUS) 1:10-2:3

10 e: Tu, Senhor, no princípio fundaste a terra, e os céus são obras de tuas mãos; 11 eles perecerão, mas tu permaneces; e todos eles, como roupa, envelhecerão, 12 e qual um manto os enrolarás, e como roupa se mudarão; mas tu és o mesmo, e os teus anos não acabarão. 13 Mas a qual dos anjos disse jamais: Assenta-te à minha direita até que eu ponha os teus inimigos por escabelo de teus pés? 14 Não são todos eles espíritos ministradores, enviados para servir a favor dos que hão de herdar a salvação? 1 Por isso convém atentarmos mais diligentemente para as coisas que ouvimos, para que em tempo algum nos desviemos delas. 2 Pois se a palavra falada pelos anjos permaneceu firme, e toda transgressão e desobediência recebeu justa retribuição, 3 como escaparemos nós, se descuidarmos de tão grande salvação? A qual, tendo sido anunciada inicialmente pelo Senhor, foi- nos depois confirmada pelos que a ouviram...

Aleluia

Aleluia, aleluia, aleluia!
Quem habita ao abrigo do Altíssimo 

e vive à sombra do Senhor Onipotente. (Sl 91, 1)   


Aleluia, aleluia, aleluia!
Diz ao Senhor: sois meu refúgio e proteção, 

sois o meu Deus no qual confio inteiramente. (Sl 91, 2)


Aleluia, aleluia, aleluia!

Marcos 2:1-12

1 Alguns dias depois entrou Jesus outra vez em Cafarnaum, e soube-se que ele estava em casa. 2 Ajuntaram-se, pois, muitos, a ponta de não caberem nem mesmo diante da porta; e ele lhes anunciava a palavra. 3 Nisso vieram alguns a trazer-lhe um paralítico, carregado por quatro; 4 e não podendo aproximar-se dele, por causa da multidão, descobriram o telhado onde estava e, fazendo uma abertura, baixaram o leito em que jazia o paralítico. 5 E Jesus, vendo-lhes a fé, disse ao paralítico: Filho, perdoados são os teus pecados. 6 Ora, estavam ali sentados alguns dos escribas, que arrazoavam em seus corações, dizendo: 7 Por que fala assim este homem? Ele blasfema. Quem pode perdoar pecados senão um só, que é Deus? 8 Mas Jesus logo percebeu em seu espírito que eles assim arrazoavam dentro de si, e perguntou-lhes: Por que arrazoais desse modo em vossos corações? 9 Qual é mais fácil? dizer ao paralítico: Perdoados são os teus pecados; ou dizer: Levanta-te, toma o teu leito, e anda? 10 Ora, para que saibais que o Filho do homem tem sobre a terra autoridade para perdoar pecados (disse ao paralítico), 11 a ti te digo, levanta-te, toma o teu leito, e vai para tua casa. 12 Então ele se levantou e, tomando logo o leito, saiu à vista de todos; de modo que todos pasmavam e glorificavam a Deus, dizendo: Nunca vimos coisa semelhante.  






O DOMINGO DE SÃO GREGÓRIO PALAMÁS
Ou Domingo das Santas Relíquias

O segundo domingo da Grande Quaresma é chamado “Domingo de Gregório Palamas” em honra a São Gregório Palamas (1296 — 1359) que foi um monge do Monte Athos, Grécia, e, posteriormente, arcebispo de Salônica, conhecido como o preeminente mestre do Hesicasmo e alguns de seus escritos são encontrados na Filocalia.

Palamas foi, a princípio, requisitado pelos seus colegas monges do Monte Athos a defendê-los das acusações de Barlaão de Seminara. Barlaão acreditava que os filósofos tinham maior conhecimento acerca de Deus do que os místicos, além de valorizar mais a educação e aprendizado do que orações meditativas (como a Oração de Jesus, muito utilizada pelos hesicastas). Dessa forma, ele acreditava que os monges de Monte Athos estariam perdendo seu tempo meditando enquanto deveriam estar estudando. Gregório dizia que os profetas tinham sim maior conhecimento acerca de Deus, uma vez que eles já O haviam visto ou ouvido.

Discorrendo acerca da questão de como é possível para humanos terem conhecimento de um transcendental e irreconhecível Deus, ele desenvolveu uma distinção entre conhecê-Lo em sua essência (em grego, ousia) de conhecê-Lo em suas energias (no grego, energeiai), apesar de obras ou atividades serem melhores traduções ao português, uma vez que evitam a conotação esotérica que a palavra energias adquiriu com o tempo. Ele sustentava a doutrina ortodoxa que é impossível conhecer Deus em Sua essência (saber quem é Deus, de facto), mas é possível conhecê-Lo em Suas energias (saber o que Deus faz e quem Ele é em relação à criação e ao homem), uma vez que é a forma pela qual Ele se revela à humanidade. Assim sendo, ele faz referências aos Padres Capadócios e outros escritores cristãos e Pais da Igreja.


Palamas ainda defende que quando Pedro, Tiago e João testemunharam a Transfiguração de Jesus no Monte Tabor, eles estavam, na verdade, vendo a luz de Deus (chamada, por isso, de Luz de Tabor) e que é possível a outros o direito a ver a mesma luz com o auxílio de certas disciplinas espirituais e meditações, ainda que não seja uma maneira mecânica ou automática.


A veneração às relíquias de santos cristãos teve inicio no culto aos mártires do inicio do cristianismo que eram vistos como símbolo do sofrimento, da morte e da vitória do Cristo. No santo mártir, a fé por Cristo ganhava forma; era uma realidade próxima, possível de ser imitada. Por isso restos dos corpos desses mártires e objetos que lhes pertenciam eram venerados com respeito e devoção pelos cristãos da Igreja perseguida, pois, não negando a fé no Ressuscitado, derramaram seu sangue por Ele, O testemunhavam com sua vida.

Após o Edito de Milão, quando a Igreja deixou de ser perseguida, essas relíquias dos primeiros santos mártires eram colocadas em altares para veneração. Tempos depois as relíquias eram incrustadas no Altar principal, onde se celebrava a Sagrada Liturgia.

O Altar é o símbolo do Cristo, Pedra Vida e Pedra Fundamental da Igreja . Da mesma forma que as relíquias estavam unidas ao Altar, o mártir estava unido ao Corpo Místico de Cristo de modo inseparável, pelo martírio e pela santidade de vida.

Na cerimônia Litúrgica de Consagração de uma nova Igreja ou de um novo Altar, as relíquias de um santo são colocadas naquela Igreja para veneração dos fiéis, lembrando também o primitivo costume da celebração eucarística nas catacumbas, na época da Igreja perseguida.

Neste Segundo Domingo da Quaresma, após venerarmos os santos Ícones, a Igreja do Oriente dá às santas relíquias, a mesma dignidade, honra, devoção e respeito. Os santos ícones unidos às santas relíquias são venerados pela Igreja pois são vistos pelos cristãos como testemunhas vivas da sua fé.

A devoção aos santos ícones e às santas relíquias são pois, um convite para que vivamos a Quaresma santificando nossa vida. Ela é vista como um estímulo, um convite insistente para que não esqueçamos de nossa vocação primeira: sermos santos como nosso Pai é Santo.

Encontramos relatos extraordinários de curas e milagres graças à intercessão de um santo cujas relíquias foram tocadas. As relíquias dos santos na Igreja são testemunhas do possível: a santidade nos é possível. Venerar relíquias de pessoas que viveram santamente a sua fé nos dá coragem e ânimo.

A Quaresma nos convida, através das santas relíquias, a trilharmos o caminho da caridade, do amor e do perdão. Hoje são veneradas as relíquias não só de mártires mas de todos os que amaram a Cristo em sua vida cotidiana. Ser santo é viver sua fé de maneira simples mas verdadeira. A sinceridade de nossa vida rumo à santidade nos encaminha à perfeição. A perfeição de uma vida vivida na caridade, no desapego, na solidariedade e filantropia é causa de admiração e imitação.

Muitos são os que viajam para lugares distantes para ver e, se possível, tocar as relíquias em algum lugar sagrado. As peregrinações a estes lugares já são registradas desde o inicio do cristianismo, principalmente em Jerusalém.

Nós fiéis acreditamos que ao venerarmos estas relíquias estamos testemunhando a presença do Cristo na história dos homens e mulheres simples. O santo arrasta atrás de si milhares de pessoas, e em alguns casos, não só após a morte, mas já durante sua vida..