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domingo, 8 de março de 2026

Segundo Domingo da Grande Quaresma

Domingo de São Gregório Palamas
08 de Março de 2023 (CC) / 23 de Fevereiro (CE)
Santo Mégalo Mártir Policarpo, Bispo de Esmirna (†155); Monge Policarpo de Bryansk, João, Antíoco, Antoninos, Moisés, Zevinos, Policrônios, o outro Moisés e Damião, moradores da Síria; Alexander, fundador do Mosteiro da Incessante Vigilância; Gorgônia, a Justa, irmã de São Gregório, o Teólogo; Moisés de Belozersk, Mártir Damiao, o Novo, do Monte Athos; Protérios, Arcebispo de Alexandria; Boswell, Higúmeno de Melrose Abbey.
Tom 6


O segundo domingo da Grande Quaresma é chamado “Domingo de Gregório Palamas” em honra a São Gregório Palamás (1296 — 1359) que foi um monge do Monte Athos, Grécia, e, posteriormente, Arcebispo de Salônica, conhecido como o preeminente mestre do Hesicasmo e alguns de seus escritos são encontrados na Filocalia. 
Palamás foi, a princípio, requisitado pelos seus colegas monges do Monte Athos para defendê-los das acusações de Barlaão de Seminara. Barlaão acreditava que os filósofos tinham maior conhecimento acerca de Deus do que os místicos, além de valorizar mais a educação e aprendizado do que orações meditativas (como a Oração de Jesus, muito utilizada pelos hesicastas). Dessa forma, ele acreditava que os monges de Monte Athos estariam perdendo seu tempo meditando enquanto deveriam estar estudando. Gregório dizia que os profetas tinham, sim, maior conhecimento acerca de Deus, uma vez que eles já O haviam visto ou ouvido. 
Discorrendo acerca da questão de como é possível para humanos terem conhecimento de um transcendental e irreconhecível Deus, ele desenvolveu uma distinção entre conhecê-Lo em sua essência (em grego, "ousia") de conhecê-Lo em suas energias (no grego, "energueiai"), no entanto, os termos "obras" ou "atividades" sejam mais adequados de serem empregados nas traduções para o português, uma vez que evitam a conotação esotérica que a palavra energias adquiriu com o tempo. 
São Gregório sustentava a doutrina Ortodoxa de que é impossível conhecer a Deus em Sua Essência (saber quem É Deus, de fato); porém, é possível conhecê-Lo em Suas energias (saber o que Deus faz e Quem Ele É em relação à criação e ao homem), uma vez que é a forma pela qual Ele Se revela à humanidade. Assim sendo, São Gregório faz referências aos Padres Capadócios e outros escritores cristãos e Pais da Igreja. 
Palamás ainda defende que quando Pedro, Tiago e João testemunharam a Transfiguração de Jesus no Monte Tabor, eles estavam, na verdade, vendo a luz de Deus (chamada, por isso, de Luz de Tabor) e que é possível a outros o direito de ver a mesma luz com o auxílio de certas disciplinas espirituais e meditações, ainda que não seja uma maneira mecânica ou automática. 
A Veneração das Santas Relíquias 
A veneração às relíquias de santos cristãos, teve inicio no culto aos mártires nos primórdios do cristianismo. Estes mártires eram vistos como símbolo do sofrimento, da morte e da vitória do Cristo. Nos santos mártires, a fé por Cristo ganhava forma; era uma realidade próxima, possível de ser imitada. Por isto os restos dos corpos desses mártires e objetos que lhes pertenciam, eram venerados com respeito e devoção pelos cristãos da Igreja perseguida, pois, não negando a fé no Ressuscitado, derramaram seu sangue por Ele, O testemunhavam com sua vida. 
Após o Edito de Milão, quando a Igreja deixou de ser perseguida, essas relíquias dos primeiros santos mártires foram colocadas em altares para veneração. Tempos depois as relíquias foram incrustadas no Altar Principal, onde se celebrava a Sagrada Liturgia. 
O Altar é o símbolo do Cristo, Pedra Vida e Pedra Fundamental da Igreja. Da mesma forma que as relíquias estavam unidas ao Altar, o mártir estava unido ao Corpo Místico de Cristo de modo inseparável, pelo martírio e pela santidade de vida. 
Na cerimônia Litúrgica de Consagração de uma nova Igreja ou de um novo Altar, as relíquias de um santo são colocadas naquela Igreja para veneração dos fiéis, lembrando também o primitivo costume da celebração eucarística nas catacumbas, na época da Igreja perseguida. 
Neste Segundo Domingo da Quaresma, após venerarmos os santos Ícones, a Igreja dá às santas relíquias, a mesma dignidade, honra, devoção e respeito. Os santos ícones unidos às santas relíquias são venerados pela Igreja pois são vistos pelos cristãos como testemunhas vivas da sua fé. 
A devoção aos santos ícones e às santas relíquias, são, pois, um convite para que vivamos a Quaresma santificando nossa vida. Ela é vista como um estímulo, um convite insistente para que não esqueçamos de nossa vocação primeira: sermos santos como nosso Pai é Santo. 
Encontramos relatos extraordinários de curas e milagres graças à intercessão de um santo cujas relíquias foram tocadas. As relíquias dos santos na Igreja são testemunhas do possível: a santidade nos é possível. Venerar relíquias de pessoas que viveram santamente a sua fé nos dá coragem e ânimo. 
A Quaresma nos convida, através das santas relíquias, a trilharmos o caminho da caridade, do amor e do perdão. Hoje são veneradas as relíquias não só de mártires, mas, de todos os que amaram a Cristo em sua vida cotidiana. Ser santo é viver sua fé de maneira simples, mas, verdadeira. A sinceridade de nossa vida rumo à santidade nos encaminha à perfeição. A perfeição de uma vida vivida na caridade, no desapego, na solidariedade e filantropia é causa de admiração e imitação. 
Muitos são os que viajam para lugares distantes para ver e, se possível, tocar as relíquias em algum lugar sagrado. As peregrinações a estes lugares já são registradas desde o inicio do cristianismo, principalmente em Jerusalém. 
Nós, Fiéis, acreditamos que ao venerarmos estas relíquias, estamos testemunhando a Presença do Cristo na história dos homens e mulheres simples. O santo arrasta atrás de si milhares de pessoas, e em alguns casos, não só após a morte, mas já durante sua vida. 
São Policarpo de Esmirna  
São Policarpo (cujo nome significa: "muito fruto") foi discípulo de São João, o autor do 4° Evangelho. Por sua vez, teve ele um aluno, que até o superou, tornando-se até mais célebre. É Santo Irineu, Apóstolo da França. Esse mesmo Irineu lembra que Policarpo enviava cartas às comunidades vizinhas e a alguns irmãos, em particular, para os ensinar e os admoestar. Conserva-se até hoje sua belíssima Carta aos Filipenses. Também nos foi transmitida a narração do seu martírio, com as suas últimas palavras, proferidas com muita suavidade perante o juiz que o condenava. Dizia ele:

«Finges ignorar quem eu sou? Escuta-o com toda clareza: eu sou cristão». 

Foi então queimado vivo. Corria o ano de 155. Ser cristão é uma graça, mas também, uma honra, igualmente, um compromisso com o Evangelho.

Policarpo teve a felicidade de conhecer e abraçar a fé cristã ainda menino, tendo sido instruído pelos próprios apóstolos, em particular, por São João, o Teólogo, o qual, mais tarde, o nomeou Bispo de Esmirna, cidade da Ásia Menor.

Policarpo governou a Igreja de Esmirna por quarenta anos. O resplendor de suas virtudes o projetava como a cabeça e primeiro de todos os bispos da Ásia; era ainda venerado por todos os fiéis a ponto de não deixarem ele mesmo tirar seus sapados ou sandálias, apressando-se por fazê-lo para ter o privilégio de tocá-lo. Policarpo conquistou e formou muitos discípulos, do mesmo modo como ele próprio havia sido tratado pelos apóstolos. Santo Irineu, bispo de Lião, na França, foi um deles. Tudo o que dizia era perfeitamente de acordo com as Sagradas Escrituras, como referido pelos que haviam sido testemunhas oculares do Verbo, e da Palavra de Vida. Seu zelo pela pureza da fé era tal, segundo afirma o mesmo Santo Irineu, que quando algum erro era dito em sua presença, tapava seus ouvidos e dizia:

«Para que tempo me reservaste?» E fugia imediatamente.

Após o martírio de São Germânico e de outros mártires, o povo de Esmirna começou a reagir com irritação:

«Que os ímpios sejam exterminados! Que tragam Policarpo!».

Haviam escondido o santo bispo numa casa de campo, mas os que o buscavam conseguiram encontrá-lo. O santo encontrava-se num aposento, no alto, e teria conseguido se salvar se quisesse, mas se recusou, reagindo com estas palavras: 
«Faça-se a vontade de Deus». 
Os soldados, vendo sua idade e firmeza, não se atreviam a cumprir a missão. O santo então pediu para que lhe preparassem a ceia e que lhe dessem uma hora para rezar em liberdade. Tendo sido concedido, cheio da graça de Deus, orou em pé por duas horas, pedindo por todos os seus conhecidos e encomendando a Deus a sua Igreja.

Assim que chegaram à cidade, apresentaram-no ao governador da província que lhe interrogou se era mesmo Policarpo. Ele respondeu que sim. O magistrado então o instou a que renunciasse sua fé em Nosso Senhor Jesus Cristo, Policarpo lhe respondeu:

«Eu já O sirvo há oitenta e seis anos, e nunca me fez mal algum. Como poderia blasfemar contra meu Rei que me salvou? » 
O Pró Cônsul o ameaçou de ordenar que fosse jogado às feras. A resposta de São Policarpo foi que, a ele seria de mais vantagem passar dos suplícios à perfeita justiça.

Disse-lhe o Governador: «Pois, já que não temes as feras, ordenarei que sejas queimado vivo por tua desobediência»

 O santo lhe respondeu: «Ameaças com um fogo que em algum momento se apagará, porque não conheces o fogo eterno que está reservado aos ímpios; mas, o que te detém? Faça logo o que queres».

Irritado, o Pró Cônsul o condenou que fosse atirado ao fogo. Policarpo então desnudou-se a si mesmo e, como quisessem amarrá-lo a um poste, disse:

«Deixe-me, que assim terei mais força para padecer no fogo e a graça de permanecer imóvel sobre a fogueira, sem necessidade dos cravos». Contentaram-se, pois, com amarrar-lhe as mãos às suas costas.
 
Assim, elevou os olhos aos céus, deu graças à Santíssima Trindade pela honra de ser um dos mártires por Nosso Senhor Jesus Cristo, e lhe suplicou que o recebesse qual sacrifício de agradável aroma. Terminada sua oração, acenderam o fogo; mas, ao invés de as chamas consumirem seu corpo, o rodearam formando como que uma muralha de proteção, e de seu corpo exalava um suave perfume. Ainda mais irritados por este milagre, os pagãos o partiram com uma espada. O sangue que verteu do ferimento foi suficiente para apagar o fogo. Assim, São Policarpo chegou ao fim de seu sacrifício e de sua vida terrena.
ORAÇÃO QUARESMAL DE SANTO EFRÉM, O SÍRIO  
"Ó Senhor e Mestre da minha vida, livra-me do espírito de preguiça, de desânimo, de desejo de poder e de falatório inútil. (Prostração) 
Mas concede a mim, Teu servo, um espírito de pureza, humildade, paciência e amor.  (Prostração) 
Sim, Senhor e Rei, concede-me enxergar as minhas próprias falhas e não condenar o meu irmão; pois, que Tu És bendito pelos séculos dos séculos. Amém." (Prostração)  

Oração Antes de Ler as Escrituras
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!

MATINAS (VI)

Lucas 24:12-35

Fragmento 113 - Naquela hora, Pedro, levantando-se, correu ao sepulcro; e, abaixando-se, viu somente os panos de linho; e retirou-se, admirando consigo o que havia acontecido. Nesse mesmo dia, iam dois deles para uma aldeia chamada Emaús, que distava de Jerusalém sessenta estádios; e iam comentando entre si tudo aquilo que havia sucedido. Enquanto assim comentavam e discutiam, o próprio Jesus Se aproximou, e ia com eles; mas os olhos deles estavam como que fechados, de sorte que não O reconheceram. Então Ele lhes perguntou: “Que palavras são essas que, caminhando, trocais entre vós?” Eles então pararam tristes. E um deles, chamado Cleópas, respondeu-Lhe: “És Tu o único peregrino em Jerusalém que não soube das coisas que nela têm sucedido nestes dias?” Ao que ele lhes perguntou: “Quais?” Disseram-Lhe: “As que dizem respeito a Jesus, o nazareno, que foi profeta, poderoso em obras e palavras diante de Deus e de todo o povo. E como os principais sacerdotes e as nossas autoridades O entregaram para ser condenado à morte, e O crucificaram. Ora, nós esperávamos que fosse Ele quem havia de remir Israel; e, além de tudo isso, é já hoje o terceiro dia desde que essas coisas aconteceram. Verdade é, também, que algumas mulheres do nosso meio nos encheram de espanto; pois foram de madrugada ao sepulcro e, não achando o corpo d’Ele voltaram, declarando que tinham tido uma visão de anjos que diziam estar Ele vivo. Além disso, alguns dos que estavam conosco foram ao sepulcro, e acharam ser assim como as mulheres haviam dito; a Ele, porém, não O viram”. Então Ele lhes disse: “Ó néscios, e tardos de coração para crerdes tudo o que os profetas disseram! Porventura não importa que o Cristo padecesse essas coisas e entrasse na sua glória?” E, começando por Moisés, e por todos os profetas, explicou-lhes o que d’Ele se achava em todas as Escrituras. Quando se aproximaram da aldeia para onde iam, Ele fez como quem ia para mais longe. Eles, porém, o constrangeram, dizendo: “Fica conosco; porque é tarde, e já declinou o dia”. E entrou para ficar com eles. Estando com eles à mesa, tomou o pão e o abençoou; e, partindo-o, dava-lhe. Então, se lhe abriram os olhos, e O reconheceram; nisto Ele desapareceu de diante deles. E disseram um para o outro: “Porventura não se nos abrasava o coração, quando pelo caminho nos falava, e quando nos abria as Escrituras?” E na mesma hora levantaram-se e voltaram para Jerusalém, e encontraram reunidos os onze e os que estavam com eles, os quais diziam: “Realmente o Senhor ressurgiu, e apareceu a Simão”. Então os dois contaram o que acontecera no caminho, e como Se lhes fizera conhecer no partir do pão.

LITURGIA DE SÃO BASÍLIO

Tropárion Da Ressurreição
Vendo os poderes angélicos diante do Teu venerável túmulo, / os guardas ficaram como mortos / e Maria, de pé, junto do sepulcro, / pediu o Teu puríssimo Corpo. / Despojaste o Inferno, sem ser por ele atingido, / e foste ao encontro da Virgem, dando-lhe a vida. / Ó Senhor, ressuscitado dentre os mortos, // glória a Ti!

Tropárion de São Mateus, Tom 3 (Santo Patrono)
Com zelo seguiste a Cristo, o Mestre, / Que em Sua bondade apareceu aos homens na Terra, / E da alfândega te chamou para Apóstolo / e Pregador do Evangelho ao universo, /por isto honramos tua preciosa memória. / Ó divinamente eloquente, Mateus. /Roga ao Deus misericordioso // que nos conceda a remissão das transgressões e a salvação das nossas almas!

Tropárion de São Gregório Palamas Tom 8
Luminar da Ortodoxia, pilar e doutor da Igreja, / ornamento dos monges e campeão irrefutável dos teólogos, / ó São Gregório taumaturgo, glória de Tessalônica e pregador da Graça, // roga sem cessar pela salvação de nossas almas!

Kondákion Da Ressurreição
Ressuscitando com a Sua Mão Vivificante, / aos mortos que estavam no vale das trevas, / Cristo nosso Deus, o Doador da Vida / concedeu a Ressurreição a toda raça humana; / pois Ele É o Salvador de todos, //a Ressurreição, a vida e o Deus do mundo todo.

Kondákion de São Mateus, Tom 4 (Santo Patrono)
Deixando os laços da alfândega para adquirir o jugo da Justiça, / tu te revelaste um sábio comerciante, rico da sabedoria do Alto. / Proclamaste a Palavra da Verdade, /e pela narrativa da hora do Juízo // despertaste as almas indolentes.

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo....

Kondákion de São Gregório Palamas Tom 8
Ó sagrado e divino órgão da sabedoria, clara trombeta da teologia: / nós te louvamos de comum acordo, ó Gregório de divina fala; / mas como uma mente diante da Mente Primordial, // direcione nossa mente para Ele, ó pai, para que possamos clamar: Alegra-te, ó arauto da graça!

Agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém

Tom 4: A estação das virtudes agora foi revelada, / e o julgamento está às portas; / portanto, levantemo-nos e celebremos o Jejum, / oferecendo lágrimas de compunção junto com nossas esmolas, / e gritemos: Nossos pecados são mais do que as areias do mar; / mas perdoa-nos, ó Criador de tudo, // para que recebamos coroas incorruptíveis.

Prokímenon, no 5º Tom

R: Tu nos protegerás, Senhor,
E nos preservarás desta geração e para sempre. (Sl. 11:8)

V: Salva-nos, Senhor, pois não há mais santos. (Sl. 11:1)

No 1º Tom:

R. Minha boca falará sabedoria,
e a meditação do meu coração será de entendimento.

Hebreus 1:10-2:3

Tu, Senhor, no princípio fundaste a terra, e os céus são obras de tuas mãos; eles perecerão, mas tu permaneces; e todos eles, como roupa, envelhecerão, e qual um manto os enrolarás, e como roupa se mudarão; mas tu és o mesmo, e os teus anos não acabarão. Mas a qual dos anjos disse jamais: Assenta-te à minha direita até que eu ponha os teus inimigos por escabelo de teus pés? Não são todos eles espíritos ministradores, enviados para servir a favor dos que hão de herdar a salvação? Por isso convém atentarmos mais diligentemente para as coisas que ouvimos, para que em tempo algum nos desviemos delas. Pois, se a palavra falada pelos anjos permaneceu firme, e toda transgressão e desobediência recebeu justa retribuição, como escaparemos nós, se descuidarmos de tão grande salvação? A qual, tendo sido anunciada inicialmente pelo Senhor, foi-nos depois confirmada pelos que a ouviram.

Aleluia

Aleluia, aleluia, aleluia! (3x)

Deus assegura a minha vitória
E me submete os meus adversários.

Salva maravilhosamente Teu servo 
E usa de misericórdia com Teu Ungido.

Marcos 2:1-12

Fragmento 7 - Naquela época, Jesus entrou em Cafarnaum e soube-se que Ele estava em casa. E logo se ajuntaram tantos, que nem ainda nos lugares junto à porta cabiam; e anunciava-lhes a palavra. E vieram ter com Ele conduzindo um paralítico, trazido por quatro. E, não podendo aproximar-se d’Ele, por causa da multidão, descobriram o telhado onde estava, e, fazendo um buraco, baixaram o leito em que jazia o paralítico. E Jesus, vendo a fé deles, disse ao paralítico: “Filho, perdoados estão os teus pecados”. E estavam ali assentados alguns dos escribas, que arrazoavam em seus corações, dizendo: “Por que diz Este assim blasfêmias? Quem pode perdoar pecados, senão Deus?” E Jesus, conhecendo logo em Seu espírito que assim arrazoavam entre si, lhes disse: “Por que arrazoais sobre estas coisas em vossos corações? Qual é mais fácil? Dizer ao paralítico: Estão perdoados os teus pecados; ou dizer-lhe: Levanta-te, e toma o teu leito, e anda? Ora, para que saibais que o Filho do Homem tem na terra poder para perdoar pecados (disse ao paralítico), a ti te digo: Levanta-te, toma o teu leito, e vai para tua casa”. E levantou-se e, tomando logo o leito, saiu em presença de todos, de sorte que todos se admiraram e glorificaram a Deus, dizendo: Nunca tal vimos.

Zadostoinik
Toda a criação - a assembleia de anjos e a raça humana - regozija-se em ti, ó tu que és cheia de graça. Ó Templo Sagrado e Paraíso Espiritual, Orgulho das Virgens, em quem o Deus Eterno encarnou e tornou-Se criança; Ele fez do teu corpo um trono e o teu ventre mais vasto do que o céu. Toda a criação regozija-se em ti, ó tu que és Cheia de Graça, glória a ti.

Canto da Comunhão
Louvai ao Senhor nos Céus, 
Louvai-O no mais Alto dos Céus.
A memória do justo é eterna,
Ele não teme más notícias.
Aleluia, aleluia, aleluia!

† † †

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

34ª Quinta-feira Depois de Pentecostes

06 de Fevereiro de 2020 (CC) - 24 de Janeiro (CE)S. 
Xênia de Roma, monja († séc. V);
Xênia, de São Petersburgo, Louca de Cristo (Séc. XVIII)
Tom 8

Santa Xênia era filha única do ilustre senador romano, Eusébio. Embora ainda muito jovem, decidiu permanecer virgem e para evitar o casamento, partiu rumo a Alexandria, juntamente com dois escravos. Uma vez lá, convenceu a seus acompanhantes de a chamarem Xênia, que em grego significa «peregrina», dificultando assim ser encontrada. 
Quando se encontrou com o abade do Monastério do Santo Apóstolo André, na cidade de Mileto (em Caria), ela me pediu para que a levasse, juntamente com seus acompanhantes, à cidade de Milas. Xênia comprou um terreno e construiu uma igreja dedicada a Santo Estevão, organizando junto um monastério para mulheres. Logo, por sua vida exemplar, o bispo de Milas a elevou à dignidade de diaconisa. Verdadeiramente, Xênia levava uma vida angelical. Amava a todos, prestava ajuda a todos na medida do que lhe era possível. Era uma benfeitora dos pobres, consolava os aflitos e sofredores e, para os pecadores, uma mãe espiritual. Por sua profunda humildade, se considerava a si mesma como a pior e a mais pecadora de todos. Santa Xênia ajudou a salvar muitas almas. Ele morreu na segunda metade do século V. Durante a sua morte, ocorreram sinais miraculosos.

Xênia, de São Petersburgo, Louca de Cristo  

Nasceu por volta de 1730 e, muito jovem, se casou com um coronel do exército chamado Andrei, um homem bonito e atormentado que gostava de vida mundana. 
Quando tinha vinte e seis anos, seu marido morreu de repente depois de beber com seus amigos, deixando Xênia uma viúva sem filhos. Logo depois, ela distribuiu todas as suas posses e desapareceu de São Petersburgo por oito anos; acredita-se que ela passou o tempo em um eremitério, ou mesmo em um mosteiro, aprendendo os caminhos da vida espiritual. Quando voltou para São Petersburgo, ela pareceu ter perdido o motivo de viver: vestia-se com o casaco do exército do marido e só respondia ao nome dele. Xênia passou a morar na rua, vagando pelas vias da cidade, zombada e abusada por muitos. Ela recebia esmolas de pessoas de caridade, mas imediatamente as entregava aos pobres; sua única comida vinha das refeições que às vezes aceitava daqueles que a conheciam. À noite, se retirava para um campo fora da cidade onde se ajoelhsvs em uma oração até a manhã. 
Lentamente, as pessoas da cidade observaram sinais de uma santidade que subjazia sua vida aparentemente perturbada: ela mostrou um dom de profecia, e sua própria presença quase sempre provava ser uma benção. O Synaxarion diz: 
"A bênção de Deus parecia acompanhá-la onde quer que ela fosse... Então, a compaixão, em pouco tempo, deu lugar à veneração, e as pessoas geralmente a consideraram como o verdadeiro anjo da guarda da cidade ".


Oração Antes de Ler as Escrituras 
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!

1 Pedro 4:12-5:5

12 Amados, não estranheis a ardente provação que vem sobre vós para vos experimentar, como se coisa estranha vos acontecesse; 13 mas regozijai-vos por serdes participantes das aflições de Cristo; para que também na revelação da sua glória vos regozijeis e exulteis. 14 Se pelo nome de Cristo sois vituperados, bem-aventurados sois, porque sobre vós repousa o Espírito da glória, o Espírito de Deus. 15 Que nenhum de vós, entretanto, padeça como homicida, ou ladrão, ou malfeitor, ou como quem se entremete em negócios alheios; 16 mas, se padece como cristão, não se envergonhe, antes glorifique a Deus neste nome. 17 Porque já é tempo que comece o julgamento pela casa de Deus; e se começa por nós, qual será o fim daqueles que desobedecem ao evangelho de Deus?  18 E se para o justo é difícil ser salvo, onde comparecerá o ímpio pecador? 19 Portanto os que sofrem segundo a vontade de Deus confiem as suas almas ao fiel Criador, praticando o bem. 1 Aos presbíteros, pois, que há entre vós, rogo eu, que sou presbítero com eles e testemunha dos sofrimentos de Cristo, e participante da glória que se há de revelar: 2 Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós, não por constrangimento, mas espontaneamente segundo a vontade de Deus; nem por torpe ganância, mas de boa vontade; 3 nem como dominadores sobre os que vos foram confiados, mas servindo de exemplo ao rebanho. 4 E, quando se manifestar o sumo Pastor, recebereis a imarcescível coroa da glória. 5 Semelhantemente vós, os mais moços, sede sujeitos aos mais velhos. E cingi-vos todos de humildade uns para com os outros, porque Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes.
   
Marcos 12:38-44

38 E prosseguindo ele no seu ensino, disse: Guardai-vos dos escribas, que gostam de andar com vestes compridas, e das saudações nas praças,  39 e dos primeiros assentos nas sinagogas, e dos primeiros lugares nos banquetes, 40 que devoram as casas das viúvas, e por pretexto fazem longas orações; estes hão de receber muito maior condenação.  41 E sentando-se Jesus defronte do cofre das ofertas, observava como a multidão lançava dinheiro no cofre; e muitos ricos deitavam muito. 42 Vindo, porém, uma pobre viúva, lançou dois leptos[1], que valiam um quadrante. 43 E chamando ele os seus discípulos, disse-lhes: Em verdade vos digo que esta pobre viúva deu mais do que todos os que deitavam ofertas no cofre; 44 porque todos deram daquilo que lhes sobrava; mas esta, da sua pobreza, deu tudo o que tinha, mesmo todo o seu sustento.

† † †

O ENSINO DOS SANTOS PADRES

“Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia”

Amadíssimos, que ninguém se vanglorie dos pequenos méritos de uma vida boa se lhe faltarem as obras de caridade; nem se refugie na falsa segurança de sua pureza corporal, quem não busca a sua purificação na esmola.

A esmola apaga o pecado, mata a morte e extingue a pena do fogo eterno. Mas quem estiver desprovido do fruto da esmola, também não poderá receber a indulgência do remunerador, pois diz Salomão: Quem fecha os ouvidos ao clamor do necessitado, não será escutado quando grite. Por isso Tobias dizia ao seu filho, incutindo-lhe os preceitos da piedade: Dá esmola dos teus bens e não sejas mesquinho. Se vês um pobre, não desvies o teu rosto, e Deus não afastará sua face de ti.

Esta virtude torna úteis todas as outras virtudes: sua união vivifica a própria fé, da qual o justo vive, e que, se não tem obras, é considerada morta: mas se é verdade que a fé é a razão de ser das obras, não é menos que as obras são a força da fé. Por isso, como diz o apóstolo, enquanto temos oportunidade, trabalhemos pelo bem de todos, especialmente pelo bem da família da fé. Não nos cansemos de fazer o bem, que, se não esmorecermos, no tempo certo colheremos.

A vida presente é tempo de semeadura, e o dia da retribuição é tempo de colheita, quando cada um recolherá uma colheita proporcionada à quantidade da semeadura. Ninguém ficará defraudado do rendimento desta messe, pois ali se atenderá tanto o volume das contribuições como a qualidade das intenções; de maneira que se equipararão os pequenos donativos procedentes de escassos rendimentos e os suntuosos de fortunas imensas.

Em consequência, amadíssimos, acatemos o que foi estabelecido pelos apóstolos. E como no próximo domingo terá “lugar a coleta, disponham-vos para a voluntária devoção, para que cada um coopere, segundo as suas possibilidades, para a sacratíssima oblação. Vossas próprias esmolas serão uma oração em vosso favor, assim como para aqueles a quem ajudareis com vossa generosidade. Assim estareis disponíveis para toda boa iniciativa, em Cristo Jesus, nosso Senhor, que vive e reina pelos séculos dos séculos. Amém.

São Gregório, o Grande, Papa de Roma, Séc. VII

 † † †

domingo, 27 de março de 2016

2º Domingo da Grande Quaresma



Domingo de São Gregório Palamás
Domingo das Santas Relíquias
27 de Março de 2016 (CC) / 14 de Março (CE)
São Bento de Núrsia, Pai do monaquismo ocidental; 
Santo Ícone Milagroso de Feodorov em Kostromo.
Jejum (Vinho e azeite são permitidos)
Modo 2



O Segundo Domingo da Grande Quaresma é dedicado à comemoração de São Gregório Palamas (1296-1359) – Arcebispo de Tessalônica, que em seus dias defende a Ortodoxia, especialmente em assuntos relacionados com a teologia hesicasta. 

Sua memória é também comemorada aos 27 (14 de novembro). No Prólogo, lemos um curto exposto de sua vida bem como um belo texto a se refletir: 

O pai de Gregório era um eminente oficial na coorte do Imperador Andrônico II Paleólogo. O talentoso Gregório, ao completar seus estudos seculares, não quis entrar suceder no serviço da coorte imperial, retirando-se à contemplação na Santa Montanha (Monte Athos) onde é tonsurado monge. Leva uma vida de ascetismo tanto no Monastéiro de Vatopédi como na Grande Laura. Liderou a luta contra o herege Barlaão derrotando-o, no fim. 

É consagrado Arcebispo de Tessalônica no ano de 1347. Glorificado como asceta, teólogo, hierarca e taumaturgo. Governa a Igreja em Tessalônica por treze anos, dentre os quais passou um ano sob o jugo dos sarracenos, na Ásia.
Repousa em paz no ano de 1360, tomando posse de sua morada no Reino de Cristo. Suas relíquias repousam em Tessalônica, onde uma linda igreja lhe é dedicada. 

Reflexão

São Gregório Palamas era, muitas vezes, instruído por meio de revelações celestiais. 

Depois de passar três anos na quietude duma cela monástica da Grande Lavra, foi-lhe pedido que ele se dirigisse para junto dos homens, beneficiando-os com seu conhecimento e sua experiência. 

Deus lhe revelou essa necessidade por meio de uma visão extraordinária: certo dia, como que num leve sono, Gregório vê-se segurando um vaso transbordante de leite. Aos poucos, o leite vira vinho, que da mesma forma escorre pela borda do vaso, molhando tanto suas mãos como suas vestes. De repente, um jovem de grande esplendor aparece e lhe dirige a palavra: "Por que não dás aos outros desta bebida maravilhosa que desperdiças tão descuidadamente? Ou não estás ciente de que isso é o dom da graça de Deus?" Ao que Gregório responde: "Mas se não há ninguém em nosso tempo que sinta necessidade de tal bebida, a quem devo dá-la?" O jovem então diz: "Quer haja, quer não haja alguém sedento desta bebida, és obrigado a quitar tua dívida e não negligenciar o dom de Deus". Gregório interpreta o leite como o conhecimento comum (das massas) da vida e a conduta moral, e o vinho como o ensinamento dogmático. 

Outra vez, estando retirado num mosteiro a escrever seus Princípios da Ortodoxia, na ocasião da véspera das festividades de Santo Antônio o Grande, os monges o convocam para o ofício da Vigília de toda-noite (Agripinia). Gregório, no entanto, permanece em sua cela, a trabalhar, enquanto todos os irmãos se dirigem à igreja. Santo Antônio subitamente lhe aparece e diz: "A quietude perfeita é boa, mas, às vezes, faz-se necessário estar com os irmãos". Convencido por tal revelação, Gregório se dirige imediatamente à igreja, para a alegria de todos os monges. 

Fonte: Prólogo de Ohrid (Aurora da Ortodoxia) 

O Venerável Bento 

Bento nasceu na província italiana de Núrsia no ano 480 dC, filho de pais ricos e ilustres. Ele não permaneceu muito tempo na escola para que ele percebeu-se que através do estudo secular ele poderia perder "a grande compreensão de sua alma." Assim, deixou a escola "um homem ignorante e sábio ao mesmo tempo, um simples, porém, entendido." Ele se retirou para um mosteiro, onde foi tonsurado pelo monge Romanus. Depois retirou-se para uma montanha íngreme, onde permaneceu em uma caverna por mais de três anos em uma grande luta com sua alma. Romanus lhe trazia e a punha numa corda que Bento fazia descer da caverna. 

Quando Bento tornou-se conhecido na vizinhança, ele retirou-se desta caverna, a fim de fugir da glória dos homens. Ele era inabalável em sua determinação. Uma vez, quando uma impura e furiosa paixão impuro e fúria da carne a ele se apegou, tirou todas as suas roupas e ficou rolando nu em cima de um espinheiro até repelir totalmente os pensamentos de cobiça para co uma mulher. 

Deus o dotou de muitos dons espirituais: a clarividência, a cura, a expulsão de maus espíritos, a ressurreição de mortos, e a capacidade de aparecer para os outros à distância em visões e sonhos. Uma vez, percebendo que um copo de vinho que lhe fora servido estava envenenado, fez o sinal da cruz sobre ele, o que provocou a explosão do vidro. 

Inicialmente estabelecera doze mosteiros, e em cada um deles colocou doze monges. Mais tarde, compilou a regra especial "beneditina", que é seguido até hoje na Igreja Romana. No sexto dia antes de sua morte, ordenou que seu túmulo, que de antemão tinha preparado, fosse aberto, pois o santo previu que seu fim estava próximo. Ele reuniu todos os monges, aconselhou-os, em seguida, entregou a alma ao Senhor, a quem ele havia servido fielmente na pobreza e na pureza. 

Escolástica, sua irmã de nascimento, viveu em um convento, onde, à imitação de seu irmão, praticou uma rigorosíssima ascese, e atingiu um alto estado de perfeição espiritual. Quando São Bento entregou a alma, dois monges - um viajando por uma estrada e um outro que estava em oração em uma célula distante - tiveram simultaneamente a mesma visão. Eles viram um caminho que se estendia da terra ao céu, coberto com uma fibra de tecido precioso e iluminado em ambos os lados por fileiras de homens. Na cabeça do caminho, havia um homem de beleza indescritível, e da luz, se lhes dizia que este caminho foi preparado para Bento, agraciado por Deus. Como resultado desta visão, estes dois irmãos entenderam que seu bom abade tinha partido deste mundo. Bento repousou pacificamente no ano de 543 dC, e entrou no reino eterno de Cristo Rei. 



MATINAS (X)

João 21:1-14

Depois disto manifestou-se Jesus outra vez aos discípulos junto do mar de Tiberíades; e manifestou-se assim: Estavam juntos Simão Pedro, e Tomé, chamado Dídimo, e Natanael, que era de Caná da Galiléia, os filhos de Zebedeu, e outros dois dos seus discípulos. Disse-lhes Simão Pedro: Vou pescar. Dizem-lhe eles: Também nós vamos contigo. Foram, e subiram logo para o barco, e naquela noite nada apanharam. E, sendo já manhã, Jesus se apresentou na praia, mas os discípulos não conheceram que era Jesus. Disse-lhes, pois, Jesus: Filhos, tendes alguma coisa de comer? Responderam-lhe: Não. E ele lhes disse: Lançai a rede para o lado direito do barco, e achareis. Lançaram-na, pois, e já não a podiam tirar, pela multidão dos peixes. Então aquele discípulo, a quem Jesus amava, disse a Pedro: É o Senhor. E, quando Simão Pedro ouviu que era o Senhor, cingiu-se com a túnica (porque estava nu) e lançou-se ao mar. E os outros discípulos foram com o barco (porque não estavam distantes da terra senão quase duzentos côvados), levando a rede cheia de peixes. Logo que desceram para terra, viram ali brasas, e um peixe posto em cima, e pão.
Disse-lhes Jesus: Trazei dos peixes que agora apanhastes. Simão Pedro subiu e puxou a rede para terra, cheia de cento e cinqüenta e três grandes peixes e, sendo tantos, não se rompeu a rede. Disse-lhes Jesus: Vinde, comei. E nenhum dos discípulos ousava perguntar-lhe: Quem és tu? sabendo que era o Senhor. Chegou, pois, Jesus, e tomou o pão, e deu-lhes e, semelhantemente o peixe. E já era a terceira vez que Jesus se manifestava aos seus discípulos, depois de ter ressuscitado dentre os mortos.

LITURGIA

Hebreus 1:10-2:3

10 e: Tu, Senhor, no princípio fundaste a terra, e os céus são obras de tuas mãos; 11 eles perecerão, mas tu permaneces; e todos eles, como roupa, envelhecerão, 12 e qual um manto os enrolarás, e como roupa se mudarão; mas tu és o mesmo, e os teus anos não acabarão. 13 Mas a qual dos anjos disse jamais: Assenta-te à minha direita até que eu ponha os teus inimigos por escabelo de teus pés? 14 Não são todos eles espíritos ministradores, enviados para servir a favor dos que hão de herdar a salvação? 1 Por isso convém atentarmos mais diligentemente para as coisas que ouvimos, para que em tempo algum nos desviemos delas. 2 Pois se a palavra falada pelos anjos permaneceu firme, e toda transgressão e desobediência recebeu justa retribuição, 3 como escaparemos nós, se descuidarmos de tão grande salvação? A qual, tendo sido anunciada inicialmente pelo Senhor, foi- nos depois confirmada pelos que a ouviram...

Marcos 2:1-12

1 Alguns dias depois entrou Jesus outra vez em Cafarnaum, e soube-se que ele estava em casa. 2 Ajuntaram-se, pois, muitos, a ponta de não caberem nem mesmo diante da porta; e ele lhes anunciava a palavra. 3 Nisso vieram alguns a trazer-lhe um paralítico, carregado por quatro; 4 e não podendo aproximar-se dele, por causa da multidão, descobriram o telhado onde estava e, fazendo uma abertura, baixaram o leito em que jazia o paralítico. 5 E Jesus, vendo-lhes a fé, disse ao paralítico: Filho, perdoados são os teus pecados. 6 Ora, estavam ali sentados alguns dos escribas, que arrazoavam em seus corações, dizendo: 7 Por que fala assim este homem? Ele blasfema. Quem pode perdoar pecados senão um só, que é Deus? 8 Mas Jesus logo percebeu em seu espírito que eles assim arrazoavam dentro de si, e perguntou-lhes: Por que arrazoais desse modo em vossos corações? 9 Qual é mais fácil? dizer ao paralítico: Perdoados são os teus pecados; ou dizer: Levanta-te, toma o teu leito, e anda? 10 Ora, para que saibais que o Filho do homem tem sobre a terra autoridade para perdoar pecados (disse ao paralítico), 11 a ti te digo, levanta-te, toma o teu leito, e vai para tua casa. 12 Então ele se levantou e, tomando logo o leito, saiu à vista de todos; de modo que todos pasmavam e glorificavam a Deus, dizendo: Nunca vimos coisa semelhante.


COMENTÁRIO

O Evangelho do primeiro domingo de quaresma termina com uma alusão ao mistério dos anjos. E são também os anjos que a Epístola de hoje evoca (Hb. 1, 10-2; 3). O texto sagrado compara o mistério àquele infinitamente maior, do próprio Salvador. Se a desobediência às mensagens que os anjos nos transmitem é justamente punida, quão mais seria punido o homem que negligencia a salvação anunciada e trazida pelo Cristo! Pois “a qual dos anjos disse jamais: Assenta-te à minha destra até que ponha a teus inimigos por escabelo de teus pés”?

Evangelho de hoje (Mc. 2, 1-12), relata a cura do paralítico de Cafarnaum. Jesus perdoa-lhe seus pecados e, como os escribas assombram-se de que outro que não Deus possa perdoar os pecados, ele responde: “Qual é mais fácil dizer ao paralítico?: estão perdoados os teus pecados, ou dizer-lhe: levanta-te, e toma o teu leito e anda?... para que saibais que o Filho do homem tem na terra poder para perdoar pecados, a ti te digo: levanta-te, toma o teu leito, e vai para tua casa”. O tema central deste episódio é a força tanto de perdão quanto de cura que possui o Senhor Jesus, A seguir, há a afirmação - mais ainda: a demonstração - de que a cura e o perdão não devem ser separados. O paralítico, deitado sobre seu leito foi colocado aos pés de Cristo. Ora, a primeira palavra de Jesus não foi: “Sê curado!”, porém: “Teus pecados te são perdoados”. Em nossos males físicos, antes mesmo de pedir por nossa libertação material nós devemos orar por nossa purificação interior, pela absolvição de nossas faltas. Jesus, enfim, ordena ao paralítico curado,de levar sua cama para casa. De um lado, a multidão seria convencida da realidade do milagre se visse esse homem tornado forte o bastante para carregar seu leito. De outro lado, aquele que foi perdoado, interiormente modificado por Jesus, deve mostrar aos de sua casa, por qualquer sinal evidente (não mais por carregar um leito, porém, por palavras, atos e atitudes), que ali está um homem novo que retoma seu ligar em seu ambiente.

domingo, 8 de março de 2015

Domingo de São Gregório Palamás

DOMINGO DAS SANTAS RELÍQUIAS
2º DOMINGO DA GRANDE QUARESMA
08 de Março de 2015 (CC) - 23 de Fevereiro (CE)
São Policarpo, bispo de Esmirna, hieromártir (†155)
6º Modo 




Policarpo teve a felicidade de conhecer e abraçar a fé cristã ainda menino, tendo sido instruído pelos próprios apóstolos, em particular, por São João, o Teólogo quem, mais tarde, o nomeou Bispo de Esmirna, cidade da Ásia Menor. Acredita-se que dele fala Nosso Senhor Jesus Cristo no segundo capítulo do Livro do Apocalipse, quando disse ao anjo: «Eu sei que padeces e que és muito pobre; contudo, és muito rico, pois és objeto de murmuração daqueles que se chamam judeus, e não os são, pois formam a sinagoga de satanás; não temas, pois, que que tens a padecer. Sê fiel até a morte que te darei a coroa da vida» 
Policarpo governou a Igreja de Esmirna por quarenta anos. O resplendor de suas virtudes o projetava como a cabeça e primeiro de todos os bispos da Ásia; era ainda venerado por todos os fiéis a ponto de não deixarem ele mesmo tirar seus sapados ou sandálias, apressando por fazê-lo para ter o privilégio de tocá-lo. Policarpo conquistou e formou muitos discípulos, do mesmo modo como ele próprio havia sido tratado pelos apóstolos. Santo Irineu, bispo de Lião, na França, foi um deles. Diz o santo: «Tenho ainda muito presente a sobriedade de seus passos, a majestade de seu semblante, a pureza de sua vida e suas santas exortações com as quais alimentava seu povo. Parece-me ainda hoje escutá-lo dizer como havia conversado com São João, e com outros que também tinham visto Nosso Senhor Jesus Cristo, as palavras que ouviu e as particularidades que haviam lhe ensinado sobre os milagres e a doutrina deste divino Salvador». Tudo o que dizia era perfeitamente de acordo com as Sagradas Escrituras, como referido pelos que haviam sido testemunhas oculares do Verbo, e da Palavra de Vida.Seu zelo pela pureza da fé era tal, segundo afirma o mesmo Santo Irineu, que quando algum erro era dito em sua presença, tapava seus ouvidos e dizia: «Para que tempo me reservaste?» E fugia imediatamente. 
Após o martírio de São Germânico e de outros mártires, o povo de Esmirna começou a reagir com irritação: «Que os ímpios sejam exterminados! Que tragam Policarpo!» – Haviam escondido o santo bispo numa casa de campo, mas os que o buscavam conseguiram encontrá-lo. O santo encontrava-se num aposento, no alto, e teria conseguido se salvar se quisesse, mas se recusou, reagindo com estas palavras: «Faça-se a vontade de Deus». Os soldados, vendo sua idade e firmeza, não se atreviam a cumprir a missão. O santo então pediu para que lhe preparassem a ceia e que lhe dessem uma hora para rezar em liberdade. Tendo sido concedido, cheio da graça de Deus orou de pé por duas horas pedindo por todos os seus conhecidos e encomendando a Deus a sua Igreja. 
Assim que chegaram à cidade, apresentaram-no ao governador da província que lhe interrogou se era mesmo Policarpo. Ele respondeu que sim. O magistrado então o instou a que renunciasse sua fé em Nosso Senhor Jesus Cristo. Policarpo lhe respondeu: «Eu já o sirvo há oitenta e seis anos, e nunca me fez nenhum algum. Como poderia blasfemar contra meu Rei que me salvou? » O pró cônsul continuava a lhe escutar: «Ao que parece, dissimulas conhecer-me? Disse-lhe Policarpo. «Pois eu te declaro que sou cristão e, se queres instruir-te na doutrina dos cristãos, diga-me quando podes ouvir-me, e eu te ensinarei». O pró cônsul reagiu: «Enganas o povo». Disse-lhe Policarpo: «Pelo que te cabe, é justo responder-te: porque temos apreendido a respeitar os magistrados e a prestar às potestades estabelecidas por Deus a devida honra. Pois veja este povo que não merece que eu me justifique em sua presença». O pró cônsul  o ameaçou de ordenar que fosse jogado às feras. A resposta de São Policarpo foi que, a ele seria de mais vantagem passar dos suplícios à perfeita justiça. «Pois, já que não temes as feras, ordenarei que sejas queimado vivo por tua desobediência». O santo lhe respondeu: «Ameaças com um fogo que, em algum momento, se apagará porque não conheces o fogo eterno que está reservado aos ímpios. Mas, o que te detém? Faça logo o que queres». Irritado, o pró cônsul o condenou que fosse atirado ao fogo. Policarpo então desnudou-se a si mesmo e, como quisessem amarrá-lo a um poste, disse: «Deixe-me  que assim terei mais força para padecer no fogo e a graça de deixará permanecer imóvel sobre a fogueira, sem necessidade dos cravos». Contentaram-se, pois, com amarrar-lhe as mãos às suas costas. Assim, elevou os olhos aos céus, deu graças à Santíssima Trindade pela honra de ser um dos mártires por Nosso Senhor Jesus Cristo, e lhe suplicou que o recebesse qual sacrifício de agradável aroma. Terminada sua oração, acenderam o fogo; mas, ao invés de as chamas consumirem seu corpo, o rodearam formando como que uma muralha de proteção, e de seu corpo exalava um suave perfume. Ainda mais irritados por este milagre, os pagãos o partiram com uma espada. O sangue que verteu do ferimento foi suficiente para apagar o fogo. Assim, São Policarpo chegou ao fim de  seu sacrifício e de sua vida terrena.
Fonte: Ecclesia




MATINAS (VI)

Lucas 24:36-53

36 Enquanto ainda falavam nisso, o próprio Jesus se apresentou no meio deles, e disse-lhes: Paz seja convosco. 37 Mas eles, espantados e atemorizados, pensavam que viam algum espírito. 38 Ele, porém, lhes disse: Por que estais perturbados? e por que surgem dúvidas em vossos corações? 39 Olhai as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; apalpai-me e vede; porque um espírito não tem carne nem ossos, como percebeis que eu tenho. 40 E, dizendo isso, mostrou-lhes as mãos e os pés. 41 Não acreditando eles ainda por causa da alegria, e estando admirados, perguntou-lhes Jesus: Tendes aqui alguma coisa que comer? 42 Então lhe deram um pedaço de peixe assado, 43 o qual ele tomou e comeu diante deles. 44 Depois lhe disse: São estas as palavras que vos falei, estando ainda convosco, que importava que se cumprisse tudo o que de mim estava escrito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos. 45 Então lhes abriu o entendimento para compreenderem as Escrituras; 46 e disse-lhes: Assim está escrito que o Cristo padecesse, e ao terceiro dia ressurgisse dentre os mortos; 47 e que em seu nome se pregasse o arrependimento para remissão dos pecados, a todas as nações, começando por Jerusalém. 48 Vós sois testemunhas destas coisas. 49 E eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai porém, na cidade, até que do alto sejais revestidos de poder. 50 Então os levou fora, até Betânia; e levantando as mãos, os abençoou. 51 E aconteceu que, enquanto os abençoava, apartou-se deles; e foi elevado ao céu. 52 E, depois de o adorarem, voltaram com grande júbilo para Jerusalém; 53 e estavam continuamente no templo, bendizendo a Deus. 



LITURGIA


Tropárion da Ressurreição
Enquanto Maria estava diante do sepulcro 
à procura de Teu imaculado Corpo, 
os anjos apareceram em teu túmulo 
e as sentinelas desfaleceram. 
Sem ser vencido pela morte, 
submeteste ao Teu domínio o reino dos mortos, 
e vieste ao encontro da Virgem revelando a vida. 
Senhor que ressurgistes dos mortos, glória a Ti!

Kondáquion da Ressurreição
Levantando com Sua vivificante mão 
todos os mortos dos vales tenebrosos, 
Cristo Deus, Doador da vida, 
quis conceder a Ressurreição ao gênero humano; 
pois Ele é o Salvador, a Ressurreição, a Vida e o Deus de todos. 

Hino à Virgem
Ó Admirável Protetora dos Cristãos...

Tropárion Próprio (Modo 4 Plagal)
Luminar da Ortodoxia, pilar e doutor da Igreja,
ornamento dos monges e campeão irrefutável dos teólogos,
ó São Gregório taumaturgo, glória de Tessalônica e pregador da Graça,
roga sem cessar pela salvação de nossas almas!

Glória ao Pai † e ao Filho e ao Espírito Santo...

Kondakion Próprio
Os Mártires de Cristo mortificaram pela temperança 
a rebelião das paixões e desejos abrasados;
por causa disto receberam o dom de curar os doentes
e de fazer milagres durante a vida e depois da morte.
Que maravilha realmente prodigiosa:
de ossos descarnados jorram as curas!
Glória, pois, ao nosso único Deus!

Theotokion
Agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém

Clamando com a Tua bendita Mãe, 
voluntariamente, viste padecer, irradiando na cruz, 
desejaste encontrar Adão, dizendo aos anjos: 
Alegrem-se comigo, porque foi encontrado o dracma perdido,
 Deus nosso, que com sabedoria tudo consolidaste, glória a Ti!

Prokímenon

Salva, Senhor, o teu povo 
e abençoa a Tua herança. (Sl 28, 9)

Clamo a Ti, Senhor, meu Rochedo
presta ouvido aos meus rogos. (Sl 28, 1)


EPÍSTOLA (HEBREUS) 1:10-2:3

10 e: Tu, Senhor, no princípio fundaste a terra, e os céus são obras de tuas mãos; 11 eles perecerão, mas tu permaneces; e todos eles, como roupa, envelhecerão, 12 e qual um manto os enrolarás, e como roupa se mudarão; mas tu és o mesmo, e os teus anos não acabarão. 13 Mas a qual dos anjos disse jamais: Assenta-te à minha direita até que eu ponha os teus inimigos por escabelo de teus pés? 14 Não são todos eles espíritos ministradores, enviados para servir a favor dos que hão de herdar a salvação? 1 Por isso convém atentarmos mais diligentemente para as coisas que ouvimos, para que em tempo algum nos desviemos delas. 2 Pois se a palavra falada pelos anjos permaneceu firme, e toda transgressão e desobediência recebeu justa retribuição, 3 como escaparemos nós, se descuidarmos de tão grande salvação? A qual, tendo sido anunciada inicialmente pelo Senhor, foi- nos depois confirmada pelos que a ouviram...

Aleluia

Aleluia, aleluia, aleluia!
Quem habita ao abrigo do Altíssimo 

e vive à sombra do Senhor Onipotente. (Sl 91, 1)   


Aleluia, aleluia, aleluia!
Diz ao Senhor: sois meu refúgio e proteção, 

sois o meu Deus no qual confio inteiramente. (Sl 91, 2)


Aleluia, aleluia, aleluia!

Marcos 2:1-12

1 Alguns dias depois entrou Jesus outra vez em Cafarnaum, e soube-se que ele estava em casa. 2 Ajuntaram-se, pois, muitos, a ponta de não caberem nem mesmo diante da porta; e ele lhes anunciava a palavra. 3 Nisso vieram alguns a trazer-lhe um paralítico, carregado por quatro; 4 e não podendo aproximar-se dele, por causa da multidão, descobriram o telhado onde estava e, fazendo uma abertura, baixaram o leito em que jazia o paralítico. 5 E Jesus, vendo-lhes a fé, disse ao paralítico: Filho, perdoados são os teus pecados. 6 Ora, estavam ali sentados alguns dos escribas, que arrazoavam em seus corações, dizendo: 7 Por que fala assim este homem? Ele blasfema. Quem pode perdoar pecados senão um só, que é Deus? 8 Mas Jesus logo percebeu em seu espírito que eles assim arrazoavam dentro de si, e perguntou-lhes: Por que arrazoais desse modo em vossos corações? 9 Qual é mais fácil? dizer ao paralítico: Perdoados são os teus pecados; ou dizer: Levanta-te, toma o teu leito, e anda? 10 Ora, para que saibais que o Filho do homem tem sobre a terra autoridade para perdoar pecados (disse ao paralítico), 11 a ti te digo, levanta-te, toma o teu leito, e vai para tua casa. 12 Então ele se levantou e, tomando logo o leito, saiu à vista de todos; de modo que todos pasmavam e glorificavam a Deus, dizendo: Nunca vimos coisa semelhante.  






O DOMINGO DE SÃO GREGÓRIO PALAMÁS
Ou Domingo das Santas Relíquias

O segundo domingo da Grande Quaresma é chamado “Domingo de Gregório Palamas” em honra a São Gregório Palamas (1296 — 1359) que foi um monge do Monte Athos, Grécia, e, posteriormente, arcebispo de Salônica, conhecido como o preeminente mestre do Hesicasmo e alguns de seus escritos são encontrados na Filocalia.

Palamas foi, a princípio, requisitado pelos seus colegas monges do Monte Athos a defendê-los das acusações de Barlaão de Seminara. Barlaão acreditava que os filósofos tinham maior conhecimento acerca de Deus do que os místicos, além de valorizar mais a educação e aprendizado do que orações meditativas (como a Oração de Jesus, muito utilizada pelos hesicastas). Dessa forma, ele acreditava que os monges de Monte Athos estariam perdendo seu tempo meditando enquanto deveriam estar estudando. Gregório dizia que os profetas tinham sim maior conhecimento acerca de Deus, uma vez que eles já O haviam visto ou ouvido.

Discorrendo acerca da questão de como é possível para humanos terem conhecimento de um transcendental e irreconhecível Deus, ele desenvolveu uma distinção entre conhecê-Lo em sua essência (em grego, ousia) de conhecê-Lo em suas energias (no grego, energeiai), apesar de obras ou atividades serem melhores traduções ao português, uma vez que evitam a conotação esotérica que a palavra energias adquiriu com o tempo. Ele sustentava a doutrina ortodoxa que é impossível conhecer Deus em Sua essência (saber quem é Deus, de facto), mas é possível conhecê-Lo em Suas energias (saber o que Deus faz e quem Ele é em relação à criação e ao homem), uma vez que é a forma pela qual Ele se revela à humanidade. Assim sendo, ele faz referências aos Padres Capadócios e outros escritores cristãos e Pais da Igreja.


Palamas ainda defende que quando Pedro, Tiago e João testemunharam a Transfiguração de Jesus no Monte Tabor, eles estavam, na verdade, vendo a luz de Deus (chamada, por isso, de Luz de Tabor) e que é possível a outros o direito a ver a mesma luz com o auxílio de certas disciplinas espirituais e meditações, ainda que não seja uma maneira mecânica ou automática.


A veneração às relíquias de santos cristãos teve inicio no culto aos mártires do inicio do cristianismo que eram vistos como símbolo do sofrimento, da morte e da vitória do Cristo. No santo mártir, a fé por Cristo ganhava forma; era uma realidade próxima, possível de ser imitada. Por isso restos dos corpos desses mártires e objetos que lhes pertenciam eram venerados com respeito e devoção pelos cristãos da Igreja perseguida, pois, não negando a fé no Ressuscitado, derramaram seu sangue por Ele, O testemunhavam com sua vida.

Após o Edito de Milão, quando a Igreja deixou de ser perseguida, essas relíquias dos primeiros santos mártires eram colocadas em altares para veneração. Tempos depois as relíquias eram incrustadas no Altar principal, onde se celebrava a Sagrada Liturgia.

O Altar é o símbolo do Cristo, Pedra Vida e Pedra Fundamental da Igreja . Da mesma forma que as relíquias estavam unidas ao Altar, o mártir estava unido ao Corpo Místico de Cristo de modo inseparável, pelo martírio e pela santidade de vida.

Na cerimônia Litúrgica de Consagração de uma nova Igreja ou de um novo Altar, as relíquias de um santo são colocadas naquela Igreja para veneração dos fiéis, lembrando também o primitivo costume da celebração eucarística nas catacumbas, na época da Igreja perseguida.

Neste Segundo Domingo da Quaresma, após venerarmos os santos Ícones, a Igreja do Oriente dá às santas relíquias, a mesma dignidade, honra, devoção e respeito. Os santos ícones unidos às santas relíquias são venerados pela Igreja pois são vistos pelos cristãos como testemunhas vivas da sua fé.

A devoção aos santos ícones e às santas relíquias são pois, um convite para que vivamos a Quaresma santificando nossa vida. Ela é vista como um estímulo, um convite insistente para que não esqueçamos de nossa vocação primeira: sermos santos como nosso Pai é Santo.

Encontramos relatos extraordinários de curas e milagres graças à intercessão de um santo cujas relíquias foram tocadas. As relíquias dos santos na Igreja são testemunhas do possível: a santidade nos é possível. Venerar relíquias de pessoas que viveram santamente a sua fé nos dá coragem e ânimo.

A Quaresma nos convida, através das santas relíquias, a trilharmos o caminho da caridade, do amor e do perdão. Hoje são veneradas as relíquias não só de mártires mas de todos os que amaram a Cristo em sua vida cotidiana. Ser santo é viver sua fé de maneira simples mas verdadeira. A sinceridade de nossa vida rumo à santidade nos encaminha à perfeição. A perfeição de uma vida vivida na caridade, no desapego, na solidariedade e filantropia é causa de admiração e imitação.

Muitos são os que viajam para lugares distantes para ver e, se possível, tocar as relíquias em algum lugar sagrado. As peregrinações a estes lugares já são registradas desde o inicio do cristianismo, principalmente em Jerusalém.

Nós fiéis acreditamos que ao venerarmos estas relíquias estamos testemunhando a presença do Cristo na história dos homens e mulheres simples. O santo arrasta atrás de si milhares de pessoas, e em alguns casos, não só após a morte, mas já durante sua vida..