quarta-feira, 20 de dezembro de 2023

29ª Quarta-feira Depois de Pentecostes

 



20 de Dezembro de 2023 (CC) 07 de Dezembro (CE)
Ss. Ambrósio, bispo († 397); Antônio de Siska e Nilo do Lago Seliger.
Jejum da Natividade (Azeite é eprmitido)
Tom 3


Santo Ambrósio era funcionário do Império e governava o norte da Itália quando os fiéis da diocese de Milão, inspirados por Deus, o aclamaram seu bispo. Àquela altura, Ambrósio era apenas catecúmeno e ainda não havia recebido o baptismo. Mas foram tão claros os sinais de que era a voz de Deus que naquele momento falava pela boca dos populares que, depois de alguma hesitação, Ambrósio aceitou.

Foi batizado, ordenado sacerdote e depois bispo. Tomando inteiramente a sério as novas responsabilidades, colocou sua imensa cultura e sua invulgar capacidade administrativa ao inteiro serviço da Igreja. Combateu heresias, favoreceu e defendeu a virgindade consagrada a Deus, empenhou-se tenazmente para extirpar os restos de paganismo do Império. Não hesitou em enfrentar o imperador Teodósio, impondo a ele uma penitência pública porque se portara mal. Deixou numerosos escritos de alto valor intelectual, e teve papel eminente na conversão de Santo Agostinho. 
Enquanto o Império Romano começava a decair no Ocidente, santo Ambrosio cultivava o idioma e enriquecia a Igreja com suas obras. Quando Santo Ambrósio caiu enfermo, predisse que morreria após a Páscoa. Mesmo assim prosseguiu com seus estudos e escreveu uma meditação sobre o Salmo 43. Em uma ocasião, quando Santo Ambrosio ditava as meditações, Paulino, seu secretário que mais tarde foi seu biógrafo, viu uma chama em forma de escudo posar em sua cabeça e descer pouco a pouco até sua boca e seu rosto resplandeceu como a neve. A este respeito, escreveu Paulino: 
“Estava tão assustado que permaneci imóvel, sem poder escrever". 
E, a partir daquele dia deixou de ditar e de escrever; não terminou de meditar sobre o Salmo 43. A meditação do Salmo foi interrompida no versículo 24. 
Depois de ordenar o novo Bispo de Pavia, Santo Ambrósio permaneceu de cama. No dia de sua morte, Santo Ambrósio esteve várias horas rezando de braços abertos e orava constantemente. Santo Honorato de Vercelli que estava descansando em outro quarto, ouviu uma voz que dizia três vezes: 
«Levanta-te rápido! Ambrósio está a ponto de morrer…». 
Honorato desceu imediatamente – continua contando Paulino – «e  ofereceu-lhe o Santo Corpo do Senhor. Ao acabar de recebê-lo, Ambrósio entregou o espírito, levando consigo o viático. Deste modo, sua alma, alimentada pela virtude desse alimento, goza agora da companhia dos anjos» («Vida» 47).   Era Sexta-Feira Santa, 04 de abril de 397, e contava com aproximadamente 57 anos. Foi um dos grandes pastores da Igreja de Deus desde a época dos Apóstolos. Foi sepultado no dia da Páscoa.

Oração Antes de Ler as Escrituras
Faz brilhar em nossos corações a Luz do Teu divino conhecimento, ó Senhor e Amigo do homem; e abre os olhos da nossa inteligência para que possamos compreender a mensagem do Teu Santo Evangelho. Inspira-nos o temor aos Teus Santos mandamentos, a fim de que, vencendo em nós os desejos do corpo, vivamos segundo o espírito, orientando todos os nossos atos segundo a Tua vontade; pois Tu És a Luz das nossas almas e dos nossos corpos, ó Cristo nosso Deus e nós Te glorificamos a Ti e ao Teu Pai Eterno e ao Espírito Santo, Bom e Vivificante, eternamente, agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém!


Hebreus 5:11-6:8

Do qual muito temos que dizer, de difícil interpretação; porquanto vos fizestes negligentes para ouvir. Porque, devendo já ser mestres pelo tempo, ainda necessitais de que se vos torne a ensinar quais sejam os primeiros rudimentos das palavras de Deus; e vos haveis feito tais que necessitais de leite, e não de sólido mantimento. Porque qualquer que ainda se alimenta de leite não está experimentado na palavra da justiça, porque é menino. Mas o mantimento sólido é para os perfeitos, os quais, em razão do costume, têm os sentidos exercitados para discernir tanto o bem como o mal. Por isso, deixando os rudimentos da doutrina de Cristo, prossigamos até à perfeição, não lançando de novo o fundamento do arrependimento de obras mortas e de fé em Deus, e da doutrina dos batismos, e da imposição das mãos, e da ressurreição dos mortos, e do juízo eterno. E isto faremos, se Deus o permitir. Porque é impossível que os que já uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se fizeram participantes do Espírito Santo, e provaram a boa palavra de Deus, e as virtudes do século futuro, e recaíram, sejam outra vez renovados para arrependimento; pois assim, quanto a eles, de novo crucificam o Filho de Deus, e o expõem ao vitupério. Porque a terra que embebe a chuva, que muitas vezes cai sobre ela, e produz erva proveitosa para aqueles por quem é lavrada, recebe a bênção de Deus; mas a que produz espinhos e abrolhos, é reprovada, e perto está da maldição; o seu fim é ser queimada.

Lucas 21:5-7, 10- 11, 20-24 

E, dizendo alguns a respeito do templo, que estava ornado de formosas pedras e dádivas, disse: Quanto a estas coisas que vedes, dias virão em que não se deixará pedra sobre pedra, que não seja derrubada. E perguntaram-lhe, dizendo: Mestre, quando serão, pois, estas coisas? E que sinal haverá quando isto estiver para acontecer? Então lhes disse: Levantar-se-á nação contra nação, e reino contra reino; e haverá em vários lugares grandes terremotos, e fomes e pestilências; haverá também coisas espantosas, e grandes sinais do céu. Mas, quando virdes Jerusalém cercada de exércitos, sabei então que é chegada a sua desolação. Então, os que estiverem na Judéia, fujam para os montes; os que estiverem no meio da cidade, saiam; e os que nos campos não entrem nela. Porque dias de vingança são estes, para que se cumpram todas as coisas que estão escritas. Mas ai das grávidas, e das que criarem naqueles dias! porque haverá grande aperto na terra, e ira sobre este povo. E cairão ao fio da espada, e para todas as nações serão levados cativos; e Jerusalém será pisada pelos gentios, até que os tempos dos gentios se completem.

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ENSINO DOS SANTOS PADRES

São Gregório, o Grande, Papa de Roma (séc. VI)

Nosso Senhor e Redentor anuncia as calamidades que precederão ao fim do mundo, para que, quando cheguem, nos perturbem menos, pelo próprio fato de que já antecipadamente nos são conhecidos, pois os golpes que se observam vir ferem menos, e nos tornam mais toleráveis às calamidades do mundo quando estamos protegidos contra eles com o escudo da previsão...

Mas, como ouvindo estas coisas tão terríveis podiam perturbar-se os corações fracos, por isso também se agrega o consolo, acrescentando em seguida: Fazei o firme propósito de não planejar com antecedência a própria defesa, porque eu vos darei palavras tão acertadas, que nenhum dos inimigos vos poderá resistir ou rebater. Como se claramente dissesse aos seus membros fracos: “Não vos espanteis, não temais; vocês vão para a luta, mas sou eu que combato; vocês proferem palavras, mas sou eu que falo”.

Prossegue: "Sereis entregues até mesmo pelos próprios pais, irmãos, parentes e amigos. E eles matarão alguns de vós." Nós sofremos menos pelos males causados por estranhos, porém nos são mais cruéis os tormentos que sofremos da parte daqueles em cujo amor confiávamos; porque, além do tormento do corpo, sofremos o amor perdido; eis por que de Judas, seu traidor, diz o Senhor pelo salmista: Na verdade que, se o ultraje viesse de um inimigo meu, teria sofrido com paciência; e se a agressão partisse daqueles que me odeiam, poderia ter-me salvo deles; mas tu, meu companheiro, meu guia e meu amigo; com quem me entretinha em doces colóquios, que andávamos juntos na casa de Deus. E novamente: Até o próprio amigo em quem eu confiava, que partilhava do meu pão, levantou contra mim o calcanhar. Como se de seu traidor dissesse claramente: “sua traição me é tanto mais dolorosa quanto mais íntimo me parecia ser aquele de quem a sofri”.

Portanto, todos os escolhidos, pelo próprio fato de serem membros da soberana cabeça, devem imitar-lhe também em sua paixão, de forma que sofrem ter por inimigos em sua morte aqueles em quem confiavam, e se acrescente neles a recompensa de seu padecimento tanto quanto sua virtude ganha com a perda do amor alheio.

Mas como são coisas duras estas que se predizem da aflição da morte, em seguida se acrescenta o consolo da alegria da ressurreição, dizendo: Nem um cabelo de vossa cabeça se perderá. Sabemos, irmãos, que, quando se corta a carne, dói, e que, quando se corta o cabelo, não dói. Por conseguinte, quando diz aos seus mártires: Nem um cabelo de vossa cabeça se perderá, é como dizer-lhes claramente: “Por que temeis que se perca aquilo que, cortado, dói, quando não se perderá o que, cortado, não dói?

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São Cirilo de Jerusalém (séc. IV)

Virá, portanto, dos céus, nosso Senhor Jesus Cristo. Certamente virá para o fim do mundo, no último dia, com glória. Então se realizará a consumação deste mundo, e este mundo, que foi criado ao princípio, será outra vez renovado. Pois já que a corrupção, o furto, o adultério e todos os tipos de pecados se derramaram sobre a terra e algumas vezes se derrama sangue, desaparecerá este mundo presente para que esta morada não se encha de iniquidade, e para suscitar outro mais belo.

Queres ver uma demonstração disto a partir da Sagrada Escritura? Ouve ao Profeta Isaías: Os céus se enrolam como um livro, e todo o exército tombará, como cai da vinha à folha morta, como deixa à figueira o verdor emurchecido. E o Evangelho diz: O sol se escurecerá, a lua não dará o seu resplendor, as estrelas cairão do céu. Não estejamos, pois, aflitos como se somente nós tivéssemos que morrer, pois as estrelas também morrem, ainda que talvez ressurjam novamente. O Senhor fará que os céus se dobrem, e não para fazê-los perecer, mas para fazer outros ainda mais belos.

Escuta ao Profeta Davi quando diz: Desde os tempos antigos, fundastes a terra, e os céus são obra de tua mão; eles perecem, mas tu permaneces. Mas dirá alguém: Ele declara abertamente que perecerão. Escuta como diz “perecerão”, pois o que diz na continuação esclarece: Todos eles se desgastam como roupa, como um vestido tu os modificas, e eles se modificam. De modo semelhante a como se diz que o homem perece, segundo aquilo: O justo perece, e não há quem se importe, mesmo que se esteja esperando a ressurreição.

Assim, esperamos também como que uma ressurreição dos céus. O sol se mudará em trevas e a lua em sangue. Saibam-no aqueles que se converteram dos maniqueus e não façam deuses aos astros nem tampouco pensem sacrilegamente que Cristo haverá de perder a sua luz algum dia. Escuta novamente ao Senhor que diz: O céu e a terra passarão, porém minhas palavras não passarão, pois as criaturas não são do mesmo valor nem têm o mesmo destino que as palavras do Senhor.

Passarão, portanto, as coisas visíveis e virão aquelas que se espera serão melhores do que estas, mas que ninguém busque com curiosidade qual será o momento. Pois diz: Não vos compete conhecer o tempo e o momento que o Pai fixou em seu poder. Nem te atrevas a determinar quando acontecerão estas coisas nem fiques preguiçosamente adormecido. Pois também diz: Estai preparados, porque no momento em que não pensardes, virá o Filho do homem.

Mas já que era conveniente que conhecêssemos os sinais da consumação, e visto que é Cristo a quem esperamos, e para que não morrêssemos decepcionados e fôssemos levados ao engano pelo anticristo da mentira, os apóstolos, impulsionados por uma moção divina, e de acordo com os sábios desígnios de Deus, aproximaram-se do verdadeiro Mestre e lhe dizem: Diz-nos quando acontecerá isso, e qual será o sinal de tua vinda e do fim do mundo.

Esperamos que venha uma segunda vez, porém, satanás se disfarça de anjo de luz. Coloca-nos, portanto, a nós, precavidos, para que não adoremos a outro em teu lugar. E ele, abrindo sua boca divina e bem-aventurada, diz: Cuidem para que ninguém vos engane. Também vós, que agora ouvis, olhai-o agora como se o estivésseis vendo com os olhos do espírito, e escutai-o como quem vos está dizendo as mesmas coisas: Cuidem que ninguém vos engane.

Estas palavras advertem a todos a que dirijais vosso espírito ao que vos será dito. Pois não se trata de uma história de coisas passadas, mas daquelas que vão acontecer, e é uma profecia daquilo que com certeza acontecerá. E não é que nós profetizemos, pois somos indignos disso, mas proclamamos nesta assembleia o que está escrito e explicamos seus sinais. Tu verás que coisas dessas já aconteceram e quais restam ainda por chegar. Deste modo podes prevenir-te.

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Orígenes (séc. III)

Sobre nosso século pende a ameaça de uma grande ira: o mundo inteiro deverá sofrer a ira de Deus. A ira de Deus provocará a subversão da imensidade do céu, da extensão da terra, das constelações estelares, do resplendor do sol e da noturna serenidade da lua. E tudo isso acontecerá por culpa dos pecados dos homens. Em todo tempo, é verdade, a cólera de Deus se desencadeou somente sobre a terra, porque todos os viventes da terra tinham-se corrompido em seu proceder; agora, porém, a ira de Deus se derramará sobre o céu e a terra: os céus passarão, tu permaneces – se dirige a Deus –, se gastarão como a roupa.

Considerai a qualidade e a extensão da ira que irá consumir o mundo inteiro e castigar a quantos são dignos de castigo: não lhe faltará matéria em que se exercitar. Cada um de nós fornecemos com a nossa conduta matéria para a ira. Diz, de fato, São Paulo aos romanos: "Com a dureza de teu coração impenitente estás armazenando castigos para o dia do castigo, quando se revelará o justo juízo de Deus."

"Quem vos ensinou a escapar da cólera vindoura? Produzi frutos que a conversão pede." Também a vós que vos aproximais para receber o batismo, vos é dito: produzi frutos que a conversão pede. Quereis saber quais são os frutos que a conversão pede? Os frutos do Espírito são: amor, alegria, paz, compreensão, afabilidade, bondade, fidelidade, brandura, temperança e outras qualidades do mesmo tipo. Se possuíssemos todas estas virtudes, teríamos produzido os frutos que a conversão pede.

E não se iludam pensando: "Abraão é nosso pai; porque eu vos digo que até destas pedras Deus é capaz de fazer filhos de Abraão." João, o último dos profetas, profetiza aqui a rejeição do primeiro povo e a vocação dos pagãos. Aos judeus, que estavam orgulhosos de Abraão, realmente lhes afirma: E não se iludam pensando: Abraão é nosso pai; e referindo-se aos pagãos, acrescenta: porque eu vos digo que até destas pedras Deus é capaz de fazer filhos de Abraão.

De que pedras se tratam? Certamente não apontava para pedras inanimadas e materiais: referia-se antes aos homens insensíveis e então obstinados, que por terem adorado os ídolos de pedra e de madeira cumpriu-se neles aquilo que sobre eles se canta no salmo: Que sejam iguais àqueles que fazem como os que confiam neles.

Realmente os que fabricam e confiam nos ídolos podem comparar-se com seus deuses: insensíveis e irracionais, converteram-se em pedras e lenhos. Não obstante verem na criação uma ordem, uma harmonia e uma regra admiráveis; apesar de verem a surpreendente beleza do cosmos, negam-se a reconhecer o Criador a partir da criatura. Não querem admitir que uma organização tão perfeita postule uma Providência que a dirija: são cegos e só veem o mundo com os olhos com que contemplam os jumentos e os animais irracionais. Não admitem a presença de uma razão, de uma forma manifestamente regida pela razão.

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